
Ano 11 | nº 2779 | 19 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
Queda na cotação do boi gordo em São Paulo
Menor ritmo das exportações e do consumo interno reduz o interesse da indústria nas compras e pressiona a cotação do boi gordo.
Após um mês de preços firmes e em alta, a cotação do boi gordo caiu em São Paulo. A queda do desempenho da exportação e o escoamento de carne no mercado interno devagar explicam o quadro. As escalas de abate estavam suficientes e os estoques atendiam à demanda. Os pecuaristas estavam resistentes em negociar em patamares menores e mantinham a oferta de boiadas contida. Contudo, isso não foi suficiente para sustentar as cotações e, apesar dos poucos negócios na manhã de terça-feira, os preços caíram. A cotação do boi gordo caiu R$3,00/@. Para a vaca e a novilha, estabilidade. Para o “boi China”, queda de R$2,00/@. Para as fêmeas, a oferta controlada de boiadas, somada à menor disponibilidade dessa categoria nos rebanhos, sustentou as cotações. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. Em Alagoas, a cotação da novilha caiu R$5,00/@. Para as demais categorias, estabilidade. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de agosto (dez dias úteis), o Brasil exportou 94,4 mil toneladas de carne bovina in natura, com uma média diária de 9,4 mil toneladas. Volume 26,1% abaixo do registrado em agosto de 2025 e 11,7% menor que a média da primeira semana do mês. A cotação média da tonelada ficou em US$6,1 mil, alta de 9,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Com metade dos dias úteis de agosto transcorridos, o volume exportado esteve 39,8 mil toneladas abaixo da metade do total embarcado em agosto de 2025, refletindo a desaceleração das exportações, influenciado principalmente pela queda da demanda chinesa. Em relação ao faturamento, a expectativa era de resultado menor que no mesmo período do ano passado. Entretanto, apesar do menor volume embarcado, a elevação do preço da tonelada de carne deve atenuar a queda em relação a agosto de 2025.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo inaugura semana em baixa
Frigoríficos de maior porte desfrutam de uma posição mais confortável em suas escalas de abate
O mercado físico do boi gordo iniciou a semana apresentando algumas tentativas de compra em patamares mais baixos em um dia menos fluído em termos de negociações. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte ainda desfrutam de uma posição mais confortável em suas escalas de abate. “Isso acontece pela incidência de animais de parceria, somado às férias coletivas que ajudaram na distribuição das escalas de abate entre as demais unidades de uma mesma indústria”, conta. Por outro lado, o ritmo diário das exportações de carne bovina segue em declínio, cumprindo as expectativas do mercado com a ausência parcial e temporária da China no mercado. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 347 — na sexta: R$ 347,58. Goiás: R$ 335,71 — na sexta: R$ 336,25. Minas Gerais: R$ 339,18 — na sexta: R$ 339,76. Mato Grosso do Sul: R$ 342,20 — na sexta: R$ 342,61. Mato Grosso: R$ 332,50 — na sexta: R$ 333,24. O mercado atacadista apresenta preços predominantemente acomodados. A expectativa é de menor ritmo de reposição, diante da perda de efeito da entrada dos salários na economia e do encerramento da demanda associada ao Dia dos Pais. Os cortes bovinos seguem perdendo competitividade em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango. Quarto dianteiro: R$ 21,20 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Produtor de carnes do Brasil reitera defesa de antimicrobianos
Mais de 200 fazendas já adotam protocolo que prevê segregação de animais destinados à União Europeia. “É preciso que as empresas interessadas em exportar mantenham incentivo econômico para os produtores”, diz ministro da Agricultura
A duas semanas de entrar em vigor o bloqueio da União Europeia às proteínas animais brasileiras — os europeus alegam que o Brasil não tem comprovado o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas —, pecuaristas reforçaram os argumentos pela utilização desses insumos no país. Os produtores têm defendido a segregação dos bovinos cuja carne será enviada para o bloco por meio do protocolo privado para certificação de cumprimento das exigências sanitárias. No início de junho, o Ministério da Agricultura homologou o Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos. Como o mecanismo destina-se a pecuaristas que desejam vender à UE, ele não impõe exigências adicionais aos demais criadores. Em julho, 20 fazendas haviam aderido ao instrumento, mas, agora, já são 220 propriedades, disse ao Valor uma fonte que participou ontem da reunião da Câmara Setorial da Carne Bovina do Ministério da Agricultura. Todos os frigoríficos que têm habilitação para exportar para a UE e as empresas certificadoras já participam do protocolo. Mas a volta do Brasil à lista de países aptos a exportar para os europeus pode estar próxima, ainda que venha a ocorrer paulatinamente. “Trabalhamos para realistar (…) neste semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, a uma rádio de Pernambuco. Ele acreditou que as aves, que têm ciclo de 45 dias, voltarão à lista antes do que a carne bovina, que, por ter ciclo mais longo, não deverá retornar em setembro. No momento, o cronograma da UE prevê retirar a autorização aos exportadores brasileiros de carnes bovina e de aves, além de pescados, ovos e mel, a partir de 3 de setembro. Para o ministro, ficar fora da lista pode afetar as vendas não apenas ao bloco, mas a um conjunto de até 18 países que seguem as exigências sanitárias europeias e poderão replicar o veto aos produtos brasileiros. O aval dependerá, além disso, de auditoria da UE nesse novo modelo de produção e comprovação de que os pecuaristas não estão usando antimicrobianos, relatou uma fonte. Na cadeia de carne bovina, a discussão passou a girar em torno da oferta de estímulos para que os pecuaristas permaneçam no sistema de certificação para exportar à UE, prosseguiu a fonte. Isso ocorre porque, até agora, não há garantias de que o protocolo e as comprovações que a fiscalização agropecuária oficial tem apresentado serão suficientes para viabilizar os embarques ao mercado europeu. “É preciso que as empresas interessadas em exportar mantenham incentivo econômico para os produtores”, disse. O incentivo econômico seria, por exemplo, o pagamento de um prêmio pela arroba aos pecuaristas que participam do protocolo. A questão é que a resposta europeia pode demorar e, até lá, os frigoríficos também não recebem a mais pela carne. Por outro lado, sem estímulo, criadores podem sair do protocolo, o que limitaria a oferta de produto para exportação quando o mercado for reaberto. “A indústria que quiser exportar tem que incentivar os produtores pelo pagamento do prêmio, mesmo correndo o risco de o mercado fechar”, completou a fonte. O ministro André de Paula repetiu que “todo o governo está envolvido” na busca de uma solução para a questão. Os esforços incluem o chanceler Mauro Vieira, para ações na área diplomática, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em tratativas de Estado. “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse na entrevista. Ele disse que há questões econômicas e políticas por trás das exigências técnicas. “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende”, afirmou. O ministro lembrou que os países europeus têm interesse em manter comércio de seus produtos com o Brasil e que o governo brasileiro tem “instrumentos importantes” para usar na negociação.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com cautela externa
O dólar fechou a terça-feira em alta contra o real, em dia de aversão ao risco no exterior diante de novas tensões no Oriente Médio e de cautela na véspera da publicação da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve.
O dólar à vista fechou em alta de 0,44%, aos R$5,2229 na venda. Às 17h54, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,29% na B3, aos R$5,2375. No exterior, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,13%, a 99,663 por volta das 17h50, e a divisa norte-americana mostrava ganhos em relação a moedas pares do real brasileiro, como o peso chileno e o peso mexicano. O noticiário geopolítico esteve no radar durante a sessão, depois que o Irã afirmou que adotará uma postura militar “totalmente ofensiva”, uma vez que os esforços para negociar um fim definitivo à guerra com os Estados Unidos estagnaram, disse uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters. Os temores em relação ao Oriente Médio se somaram ao sentimento de cautela antes da divulgação da ata do Fed na quarta-feira, que poderá trazer mais indícios sobre a trajetória dos juros nos EUA. Dados das últimas semanas, incluindo perdas inesperadas de empregos no mês passado e índices de inflação moderados, apontam para uma economia americana mais fraca, levando os investidores a reduzirem as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve dos EUA. Ainda assim, os analistas permanecem cautelosos quanto à possível trajetória da inflação, com o Estreito de Ormuz ainda praticamente fechado e o conflito entre os EUA e o Irã em ebulição. No plano doméstico, o início da campanha eleitoral gera pressão negativa adicional sobre o real, afastando investidores estrangeiros do país, movimento que já vinha sendo observado na última semana. “Estamos em período pré-eleição. Isso já traz muita volatilidade. Mas o principal fator da semana é a divulgação da ata do Fed, e ainda temos a escalada das tensões no Oriente Médio”, disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.
REUTERS
Ibovespa fracassa em reação e amplia sequência negativa em agosto
O Ibovespa voltou a fechar com sinal negativo nesta terça-feira, marcando a 11ª queda consecutiva, sem conseguir sustentar a tentativa de recuperação que o colocou acima dos 168 mil pontos no melhor momento do pregão.
Bancos figuraram entre as maiores pressões negativas, conforme permanecem preocupações sobre o cenário de crédito no país, enquanto Petrobras atuou como contrapeso, mesmo com o enfraquecimento da alta do petróleo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,22%, a 166.409,56 pontos, de acordo com dados preliminares, renovando a maior série de perdas desde as 13. Na máxima da sessão, o Ibovespa marcou 168.389,49 pontos. Na mínima, registrou 166.211,30 pontos. No mês, o índice acumula até o momento uma queda de 6,51%. O volume financeiro no pregão somava R$19,23 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Valor Bruto da Produção Agropecuária é estimado em R$ 1,39 trilhão em julho
Mato Grosso e Minas Gerais apresentam os maiores valores entre os estados, enquanto soja, milho e bovinocultura concentram parte relevante do indicador
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), que mede o faturamento da produção agropecuária, é estimado em R$ 1,39 trilhão em julho, segundo dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A maior parte do valor corresponde à lavoura, que soma R$ 893,3 bilhões, equivalente a 63,9% do total. A pecuária registra R$ 504,8 bilhões, correspondente a 36,1% do VBP. Entre os produtos agrícolas, a soja apresenta o maior valor estimado, de R$ 336 bilhões, seguida pelo milho, com R$ 158,4 bilhões, pela cana-de-açúcar, com R$ 108,7 bilhões, e pelo café, com R$ 103,4 bilhões. Na pecuária, a carne bovina apresenta projeção de faturamento de R$ 246,5 bilhões, equivalente a 17,6% do total, seguida pela carne de frango, com R$ 106,2 bilhões. No recorte por unidades da Federação, Mato Grosso apresenta o maior valor estimado, com R$ 216 bilhões, equivalente a 15,5% do total. Em seguida, aparecem Minas Gerais, com R$ 166,2 bilhões (11,9%), e São Paulo, com R$ 156,2 bilhões (11,2%). O VBP é calculado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola do Mapa com base nas estimativas de produção e na variação de preços de mercado recebidos pelos produtores rurais. Os valores de 2026 são preliminares e consideram as informações disponíveis até maio de 2026.
MAPA
GOVERNO
Ministro acredita na reinclusão do Brasil em lista de exportadores para UE em 2026
No entanto, não há expectativa de que o fornecimento de carne bovina à UE volte antes de dois anos. André de Paula relatou que o retorno das exportações dependerá do ciclo de vida de cada cadeia animal
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou na terça-feira (18/8) que acredita que o Brasil será reincluído, ainda neste ano, na lista de países aptos a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia. A decisão atual dos europeus é retirar a autorização dada aos exportadores brasileiros a partir de setembro por falta de comprovação de controle do não uso de antimicrobianos nas cadeias animais. Mesmo assim, o ministro relatou que o retorno das exportações dependerá do ciclo de vida de cada cadeia animal. Não há, por exemplo, expectativa de que o fornecimento de carne bovina à UE volte antes de dois anos. “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife. “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza de que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou. O ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos não só na UE, mas em um rol de 10 a 18 países que também seguem as exigências sanitárias europeias e poderão replicar o veto às proteínas brasileiras. “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula. Recentemente, a reportagem mostrou que a Noruega já definiu que vai espelhar a decisão da UE e não comprará os produtos a partir de 3 de setembro. Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias. “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou. “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou na entrevista. O ministro repetiu que todo o governo está envolvido em busca de uma solução para a questão, desde a secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, nas negociações técnicas, ao chanceler Mauro Vieira na área diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pactuações a nível de Estado. “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse. “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou. André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as pactuações são intensas. “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou. O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter comércio de seus produtos com o Brasil e que o governo brasileiro tem “instrumentos importantes” na negociação. “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Uruguai vai bloquear automaticamente envio de bovinos ao abate durante período de carência de medicamentos
O Uruguai dará mais um passo no controle de resíduos de medicamentos veterinários na carne bovina. A partir de 19 de agosto de 2026, o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) colocará em funcionamento um mecanismo automático capaz de impedir o envio ao frigorífico de bovinos que ainda não tenham cumprido integralmente o período de carência dos medicamentos utilizados.
Na prática, o sistema utilizará a estrutura de rastreabilidade individual já existente no país para verificar, antes da emissão dos documentos necessários para o abate, se determinado animal está sanitariamente apto. A medida faz parte das ações do governo uruguaio para melhorar o uso dos medicamentos veterinários e reduzir o risco de resíduos em alimentos de origem animal. O mecanismo será operado pelo Sistema Nacional de Informação Pecuária (SNIG), em coordenação com a Direção-Geral de Serviços Pecuários (DGSG). Para realizar a verificação, o sistema utilizará informações sobre tratamentos veterinários registradas nos documentos digitais de movimentação e controle dos animais e em permissões especiais. Com esses dados, será possível avaliar em tempo real a condição sanitária de cada bovino identificado individualmente. Se o sistema identificar que o período de carência de determinado medicamento ainda está vigente, a validação dos documentos necessários para enviar aquele bovino ao abate será automaticamente impedida. Ou seja: um animal que recebeu determinado medicamento e ainda não completou o período mínimo exigido não poderá integrar um certificado sanitário nem uma guia de propriedade e trânsito com destino ao frigorífico. O bloqueio será feito animal por animal. Isso significa que a restrição de um bovino não impedirá a movimentação dos demais animais da propriedade que estejam em conformidade com as exigências sanitárias. O próprio animal bloqueado também poderá ser movimentado para outros destinos permitidos; a restrição específica é para seu envio ao abate enquanto o período de carência estiver vigente. Quando o período exigido terminar, o bloqueio será retirado automaticamente pelo sistema e o bovino voltará a estar habilitado para eventual envio ao frigorífico. Além do bloqueio automático, o Uruguai disponibilizará uma ferramenta para tentar evitar que o problema seja descoberto apenas no momento da emissão da documentação. O SNIG oferecerá um simulador de aptidão sanitária, por meio do qual os produtores poderão consultar antecipadamente a situação dos bovinos e verificar se algum animal possui restrição vigente por ainda estar dentro do período de carência de um medicamento registrado no sistema. A ideia é permitir que essa conferência seja feita antes da certificação e da preparação dos animais para o abate, reduzindo problemas na hora de gerar a documentação necessária para o transporte.
EL OBSERVADOR
SUÍNOS
Preço do suíno vivo cai 37,65% em Minas Gerais, mas redução não chega ao consumidor
Cotação sugerida ficou em R$ 5,30 por quilo entre 14 e 20 de agosto; pesquisa apontou estabilidade ou alta em alguns cortes na Grande BH. A forte queda no valor de referência do suíno vivo em Minas Gerais ainda não apareceu na mesma proporção nos preços pagos pelos consumidores.
Na primeira semana de janeiro, a cotação vigente chegou a R$ 8,50 por quilo. Na terça-feira (18), o preço sugerido pela Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais (BSEMG) é de R$ 5,30, redução de 37,65%. O valor de R$ 5,30 foi mantido na negociação realizada em 13 de agosto entre produtores associados à Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) e frigoríficos. Como não houve acordo entre as partes, a BSEMG estabeleceu a quantia como preço sugerido para o quilo do suíno vivo, com validade de 14 a 20 de agosto.
Enquanto a matéria-prima ficou mais barata para a cadeia produtiva, pesquisa do Mercado Mineiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte indica estabilidade ou até alta em alguns cortes comercializados ao consumidor. A costelinha, por exemplo, passou de preço médio de R$ 29,13 para R$ 29,70 o quilo entre julho e agosto, avanço de 1,96%. A copa-lombo subiu 1,83%, de R$ 22,95 para R$ 23,37. O levantamento reúne preços coletados em estabelecimentos da capital e da região metropolitana. Outros produtos apresentaram redução. A orelha suína caiu de R$ 11,18 para R$ 10,75, recuo de 3,85%. O pé passou de R$ 12,40 para R$ 12,24, enquanto o toucinho comum teve queda de 3,62%. Feliciano Abreu, responsável pelo Mercado Mineiro, afirmou à Itatiaia que a retração registrada no valor recebido pelo produtor ainda não foi transferida na mesma intensidade para o consumidor. Na avaliação dele, preços menores nas gôndolas poderiam favorecer o consumo de carne suína e ampliar a competitividade diante das carnes bovina e de frango. A pesquisa também aponta grande variação de preços entre os locais consultados. O quilo do pé suíno foi encontrado de R$ 5,99 a R$ 19,99, diferença de 233,72%. A copa-lombo variou entre R$ 13,99 e R$ 38,99, enquanto a costelinha apareceu de R$ 19,98 a R$ 47,90. Os dados reforçam que a comparação entre estabelecimentos pode representar economia significativa para o consumidor. À Itatiaia, o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, explicou que o suíno vivo passa por frigoríficos, indústrias, atacadistas e varejistas antes de chegar às gôndolas, o que pode fazer com que oscilações na origem não sejam reproduzidas imediatamente ou na mesma proporção no preço final. A próxima negociação da Bolsa de Suínos de Minas Gerais está prevista para quinta-feira (20). Até lá, permanece em vigor o preço sugerido de R$ 5,30 por quilo do suíno vivo no estado.
REDAÇÃO PLOX
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