CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2771 DE 07 DE AGOSTO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2771 | 07 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: sem mudanças em São Paulo

Com oferta controlada e indústrias comprando apenas o necessário, as cotações permaneceram estáveis. Após dois dias de alta, o mercado abriu aquela quinta-feira com preços estáveis. A oferta estava controlada, e as compras também. 

Apesar da oferta controlada, não havia escassez. As indústrias que precisavam compor escalas conseguiam comprar. Por outro lado, os frigoríficos não alongavam as escalas, que atendiam, em média, a uma semana. Havia indústrias com programações mais alongadas, que ofertam abaixo das referências vigentes, mas cientes de que dificilmente conseguiriam fechar negócios. Em Santa Catarina, na comparação feita dia a dia, alta de R$5,00/@ para a vaca e de R$2,00/@ para a novilha. Para o boi gordo, estabilidade. As escalas de abate, atendiam em média, a seis dias. Negócios acima dos preços de referência podiam ocorrer, mas não em volume suficiente para redefinir tendência. Em Alagoas, a cotação subiu R$2,00/@ para o boi gordo e R$3,00/@ para a novilha. Para a vaca, estabilidade. No Rio de Janeiro, na praça carioca, após as altas registradas para as fêmeas ao longo da semana, o mercado abriu com cotações estáveis para a vaca e para a novilha. A cotação do boi gordo, subiu R$2,00/@.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços

Maior demanda no varejo com a proximidade do Dia dos Pais pode impulsionar o mercado, enquanto exportações seguem como fator de atenção

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo. No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias. As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor. No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango. Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Boi/Cepea: Exportações aquecidas e oferta ajustada sustentam preços em 2026

Nos sete primeiros meses de 2026, os mercados do boi gordo e da carne apresentaram relativa firmeza.

De acordo com o Cepea, a combinação entre exportações de carne bovina aquecidas, oferta relativamente ajustada de animais terminados e reposição valorizada sustentou os valores ao longo do período, mesmo diante de um consumo doméstico moderado. Segundo o Centro de Pesquisas, o câmbio em patamar favorável reforçou a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional, enquanto a demanda externa ajudou a compensar a fragilidade do consumo doméstico, ainda limitado pelo poder de compra das famílias. Apesar desse cenário, o mercado de boi gordo apresentou momentos distintos, alternando fases de maior pressão da oferta com períodos de recuperação das cotações. Pesquisadores do Cepea ressaltam que, no primeiro trimestre, o setor ainda refletiu os efeitos do elevado abate de fêmeas observado nos anos anteriores, fator que reduziu a disponibilidade de animais para reposição e contribuiu para a valorização dessa categoria. Já no segundo trimestre, a entrada de animais de pasto ampliou a oferta em algumas regiões. Ainda assim, as escalas de abate dos frigoríficos permaneceram relativamente ajustadas, limitando movimentos mais acentuados de queda nas cotações do boi gordo.

CEPEA

Exportações de carne bovina recuam em julho com freio da China; média diária é a menor de 2026

Brasil embarcou 227,9 mil toneladas no mês, queda de 17,7% ante julho de 2025. China reduziu suas compras em quase 48%

Os dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o Brasil exportou 227,94 mil toneladas de carne bovina in natura em julho de 2026, contra 276,88 mil toneladas no mesmo mês do ano passado. A redução foi de 17,7% no volume. A receita também caiu, mas em intensidade menor. Os embarques renderam US$ 1,447 bilhão, recuo de 5,8% frente aos US$ 1,537 bilhão registrados em julho de 2025. A diferença entre a queda do volume e da receita é explicada pela valorização da carne brasileira no mercado internacional. O preço médio alcançou US$ 6.350 por tonelada, 14,4% acima dos US$ 5.549/t registrados há um ano. A análise de Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, ajuda a dimensionar o papel da China nesse resultado. Em julho, os chineses compraram 82,7 mil toneladas de carne bovina brasileira volume bem menor comparado a julho do ano passado, com 158,4 mil toneladas exportadas. Portanto, houve uma redução de 47,78% nos embarques destinados ao mercado chinês. “A magnitude dessa diferença chama atenção: foram cerca de 75,7 mil toneladas a menos destinadas à China em relação a julho de 2025”, esclarece Iglesias. Esse número é particularmente relevante porque a redução das exportações totais brasileiras no mesmo comparativo foi de aproximadamente 48,9 mil toneladas. Ou seja, isoladamente, a retração chinesa foi maior que a queda do volume total exportado pelo Brasil — indicação de que outros mercados absorveram parte da carne que deixou de seguir para a China. Ainda assim, mesmo em um mês de forte retração, a China permaneceu como destino de aproximadamente 36% de toda a carne bovina brasileira exportada em julho. Segundo a Safras & Mercado, há outro detalhe importante no comportamento das compras chinesas: julho começou com ritmo forte de embarques, mas perdeu intensidade à medida que o mês avançou. A consultoria trabalha com a perspectiva de continuidade desse movimento de desaceleração em agosto. A mudança também aparece claramente na média diária dos embarques. O Brasil exportou em julho cerca de 9,9 mil toneladas de carne bovina por dia útil, contra mais de 13 mil toneladas/dia nos meses de maio e junho. Segundo Iglesias, esse foi o pior ritmo observado em meses. Essa queda ganha importância porque ocorre justamente quando o mercado começa a lidar de maneira mais concreta com os efeitos da salvaguarda chinesa sobre as importações de carne bovina. Pelos números apresentados pela Safras & Mercado, a cota brasileira considerada no mecanismo chinês é de 1,106 milhão de toneladas. Somando os embarques contabilizados de janeiro a julho, porém, o Brasil já alcançou 1,189 milhão de toneladas, equivalente a 107,53% da cota, ultrapassando o limite em aproximadamente 83,3 mil toneladas. Isso significa que parte da carne brasileira exportada para a China passa a ficar sujeita à sobretaxa prevista pela salvaguarda — de 55% para os volumes que excedem a cota. Os números de julho não significam uma perda de importância do mercado externo para a pecuária brasileira. Ao contrário, revelam uma mudança na composição do resultado. Mesmo com uma redução de quase 18% no volume total embarcado, o preço médio da tonelada avançou mais de 14%, sustentando a receita acima de US$ 1,4 bilhão. E a própria China, apesar da forte redução, ainda comprou 82,7 mil toneladas em apenas um mês. O sinal de atenção está na velocidade da mudança. Em junho, o Brasil havia destinado 158,36 mil toneladas à China. Um mês depois, foram apenas 82,71 mil toneladas, praticamente a metade. Os dados da Safras mostram ainda que junho havia representado 14,32% da cota anual considerada pela consultoria, enquanto julho respondeu por apenas 7,48%.

AGÊNCIA SAFRAS

ECONOMIA

Dólar contraria exterior e fecha em baixa no Brasil

O dólar fechou a quinta-feira em baixa no Brasil e novamente na faixa de R$5,10, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana se firmou em alta ante a maioria das demais divisas, em meio a novas ameaças do Irã aos EUA.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,44%, aos R$5,1055 na venda. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,99%. Às 17h03, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — cedia 0,24% na B3, aos R$5,1390. Na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,00% ao ano, como era largamente projetado pelos agentes do mercado, sem se comprometer quanto ao que será feito na reunião de setembro. O colegiado indicou que continuará acompanhando a evolução do cenário para só então decidir por um novo corte ou pela manutenção da Selic. Com a Selic ainda bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, o diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e da possibilidade de novas baixas no Brasil. Mesmo com o menor diferencial de juros, o dólar se firmou em baixa no Brasil na quinta-feira, na contramão do que se via em outras praças. “O dólar está ganhando ante alguns pares (do real) no exterior, se recuperando ante as divisas emergentes, mas no Brasil a gente vê queda. Temos exportadores vendendo moeda”, comentou no fim da manhã o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1295 (+0,02%) às 9h12, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0903 (-0,74%) às 11h43, para depois se manter pouco acima dos R$5,10. No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. Enquanto Irã e Omã propuseram um acordo para dar fim à guerra no Oriente Médio, ainda não houve comentário dos EUA sobre a proposta. Ao mesmo tempo, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico de que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas essenciais em toda a região, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters. Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,31%, a 99,964.

REUTERS

Ibovespa recua mais de 1% por falta de sinalização do BC sobre juros, em dia cheio de balanços

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, abaixo dos 176 mil pontos, após o Banco Central reduzir a Selic a 14% ao ano, mas não sinalizar os próximos passos. 

Investidores também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, entre eles os números de Bradesco e Axia, enquanto o final do dia reserva novas divulgações, incluindo o balanço da Petrobras. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,23%, a 175.546,36 pontos, terminando perto da mínima do dia (175.514,86 pontos). Na máxima, marcou 177.720 pontos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu na quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mas deixou os próximos passos em aberto, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta. O BC ponderou em comunicado que o cenário atual é “caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base”, o que exige serenidade e cautela na condução da política monetária. Na visão da estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, o Copom adotou um tom duro ao avaliar o processo de controle da inflação e preferiu não se comprometer com novos cortes nas próximas reuniões, ressaltando que os passos futuros dependerão da evolução dos dados econômicos. “Essa cautela sinaliza que os juros no Brasil devem permanecer em patamares elevados por mais tempo”, afirmou.  No exterior, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com um declínio de 0,18%, experimentando uma pausa após um início de semana forte, enquanto os investidores analisavam a última rodada de resultados corporativos e buscavam sinais de progresso nas negociações entre os EUA e o Irã.

REUTERS

PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

Participação do setor na economia é estimada em 22,8%, abaixo dos 25,2% registrados em 2025. Resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços

Depois de registrar crescimento acima de 12% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou queda de 2,01% no primeiro trimestre de 2026. O cálculo é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), feito em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o Cepea/CNA, com base nos dados consolidados de janeiro a março, o PIB do agronegócio está estimado em R$ 3,13 trilhões, sendo R$ 1,88 trilhão no ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão, no pecuário. Considerando-se estes resultados e o desempenho do PIB nacional no mesmo período, a participação do setor na economia é estimada em 22,8% em 2026, abaixo dos 25,2% registrados em 2025. Pesquisadores do Cepea/CNA ressaltam que esse desempenho negativo dá continuidade à tendência observada no quarto trimestre de 2025, quando o PIB apresentou retração em relação ao trimestre imediatamente anterior, interrompendo a trajetória de crescimento registrada até o terceiro trimestre daquele ano. Embora essa reversão tenha marcado uma mudança de tendência no final de 2025, o PIB do agronegócio encerrou o ano com significativo crescimento, sustentado pelos resultados positivos observados nos três primeiros trimestres. No primeiro trimestre de 2026, todos os segmentos do agronegócio apresentaram queda, com destaque para o segmento primário (-4,15%), seguido por insumos (-2,15%), agrosserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%). Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços, que superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias. No segmento industrial, as agroindústrias de base agrícola registraram retração, enquanto as de base pecuária avançaram, devido à redução mais intensa do consumo intermediário. Já os agrosserviços foram influenciados pelos desempenhos dos segmentos a montante, com queda no ramo agrícola e crescimento no pecuário, sustentado pela maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento esperado da produção pecuária.

VALOR ECONÔMICO

Superávit comercial soma US$ 7,067 bilhões em julho

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,067 bilhões em julho, com alta de 1% na comparação com julho de 2025. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, Comércio e Serviços.

No período, as exportações cresceram 6,2% e somaram US$ 34,12 bilhões. As importações cresceram 7,6% e totalizaram US$ 27,05 bilhões. A corrente de comércio aumentou 6,8%, alcançando US$ 61,17 bilhões. No acumulado Janeiro/Julho 2026, em comparação a igual período do ano anterior, as exportações cresceram 10,5% e somaram US$ 218,55 bilhões. As importações cresceram 5,5% e totalizaram US$ 169,51 bilhões. Como consequência destes resultados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 49,04 bilhões, com crescimento de 31,9%, e a corrente de comércio registrou aumento de 8,2%, atingindo US$ 388,06 bilhões. Em Julho/2026, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 9,3% em Agropecuária, que somou US$ 7,82 bilhões; crescimento de 10,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 8,23 bilhões e, por fim, crescimento de 2,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,83 bilhões. A combinação destes resultados levou ao aumento do total das exportações. A expansão das exportações foi puxada, principalmente, pelo crescimento nas vendas dos seguintes produtos: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos ( 29,9%), Soja (17,4%) e Algodão em bruto ( 27,2%) na Agropecuária; Outros minerais em bruto (55,5%), Outros minérios e concentrados dos metais de base (101,5%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus ( 23,8%) na Indústria Extrativa ; Celulose ( 30,8%), Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) ( 63,0%) e Gorduras e óleos vegetais, “soft”, bruto, refinado ou fracionado (149,5%) na Indústria de Transformação. Por sua vez, ainda que o resultado das exportações tenha sido de crescimento, os seguintes produtos registraram diminuição nas vendas: Milho não moído, exceto milho doce (-14,9%), Café não torrado (-21,8%) e Especiarias (-21,3%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados ( -7,9%), Minérios de cobre e seus concentrados ( -1,3%) e Minérios de metais preciosos e seus concentrados ( -46,4%) na Indústria Extrativa ; Açúcares e melaços (-30,1%), Veículos automóveis de passageiros (-29,3%) e Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (-33,4%) na Indústria de Transformação. No acumulado Janeiro/Julho 2026, em comparação com igual período do ano anterior, os resultados por setores foram os seguintes: crescimento de 9,2% em Agropecuária, que somou US$ 50,48 bilhões; crescimento de 21,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 54,35 bilhões e, por fim, crescimento de 6,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 112,50 bilhões. A associação destes resultados levou ao aumento do total das exportações. Esta conjuntura de crescimento nas exportações foi influenciada pelo crescimento das vendas nos seguintes produtos: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (67,8%), Soja (15,3%) e Algodão em bruto (13,6%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados (2,8%), Minérios de cobre e seus concentrados (64,8%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (26,9%) na Indústria Extrativa ; Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (30,1%), Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (32,2%) e Ouro, não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados) (63,6%) na Indústria de Transformação. Por sua vez, ainda que o resultado das exportações tenha sido de crescimento, os seguintes produtos tiveram diminuição: Trigo e centeio, não moídos (-31,3%), Café não torrado (-17,8%) e Sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras (-14,2%) na Agropecuária; Fertilizantes brutos (exceto adubos) (-7,4%), Minérios de alumínio e seus concentrados (-21%) e Gás natural, liquefeito ou não (-97%) na Indústria Extrativa ; Sucos de frutas ou de vegetais (-35,4%), Açúcares e melaços (-26,3%) e Alumina (óxido de alumínio), exceto corindo artificial (-35,6%) na Indústria de Transformação. Em Julho/2026, o desempenho das importações por setor de atividade econômica foi o seguinte: queda de -4,1% em Agropecuária, que somou US$ 0,48 bilhões; crescimento de 31,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,32 bilhões e, por fim, crescimento de 6,9% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 25,09 bilhões. A combinação destes resultados motivou ao aumento das importações.

AGÊNCIA SAFRAS 

EMPRESAS

TCU aprova substituir suspensão de atividades de frigoríficos por multas

A estimativa é de que as empresas paguem um total aproximado de R$ 32,3 milhões

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na quarta-feira (5/8), por unanimidade, a proposta de solução consensual para pôr fim a mais de 1.400 processos que poderiam levar à interrupção de atividades de 379 agroindústrias do país, de acordo com documento obtido pelo Valor. Os casos envolvendo empresas de carne bovina e de aves e laticínios eram anteriores à aprovação e sanção da lei 14.515/2022, do autocontrole na fiscalização agropecuária, que determinou o fim de penalidades como suspensão e interdição de atividades. Com a solução, a estimativa é de que as empresas paguem um total aproximado de R$ 32,3 milhões em multas, de acordo com o documento. Até 2022, a Lei 7.889/1989 e o Decreto nº 9.013/2017 – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa) determinavam a suspensão de atividades, por no mínimo sete dias, como penalidade a possíveis embaraços à ação fiscalizadora das empresas. Em 2022, foi sancionada a lei 14.515, que revogou a Lei 7.889/1989 e excluiu as suspensões de atividades como penalidade definitiva. A situação se complicou durante a pandemia de Covid-19, quando o Ministério da Agricultura interrompeu a execução de penalidades de suspensão de atividades e interdição de estabelecimentos aplicadas à época, para evitar a paralisação de cadeias produtivas essenciais à produção de alimentos. A medida gerou o acúmulo de processos com decisões definitivas não executadas e outros ainda em trâmite. Dada a controvérsia sobre qual base legal utilizar para determinar a penalidade dos processos – a lei de autocontrole ou o decreto anterior – o Ministério da Agricultura solicitou uma solução consensual ao TCU, que criou no fim do ano passado uma Comissão de Solução Consensual para buscar um acordo.

A indústria entendia que a regra da “suspensão de atividades” havia deixado de existir e que deveria ser aplicado o princípio da retroatividade da norma mais benéfica aos processos administrativos ainda em curso. Porém, sem a regulamentação da nova sanção, as associações de frigoríficos defendiam a impossibilidade de sua aplicação. Já a Consultoria Jurídica do Ministério da Agricultura e a Advocacia-Geral da União (AGU) defendiam a aplicação da lei vigente no momento da infração. Conforme documento obtido pela reportagem, o acordo aprovado ontem pelo TCU prevê a conversão das penalidades de suspensão e interdição das atividades das empresas em multas, descontos escalonados conforme a instância da Justiça na qual correm processos em trâmite, parcelamento das multas em até cinco parcelas com aplicação de juros e renúncia a recursos administrativos e judiciais, com extinção dos litígios.

A solução aprovada pelo plenário do TCU foi estruturada em eixos de atuação, com valores de referência de multa distintos para cada categoria de passivo. Um dos eixos se refere a 346 infrações distribuídas em 304 processos com trânsito em julgado administrativo, totalizando 2.460 dias de suspensão pendentes de execução. Para estes, a estimativa de arrecadação apurada com conversão das suspensões de operação em multas é de R$ 10,8 milhões. O segundo eixo, dos processos ainda em trâmite, contempla 1.380 infrações distribuídas em 1.144 processos. Para essa categoria, o valor bruto projetado é de R$ 24,6 milhões, considerando a soma de multas substitutivas de suspensão e multas já aplicadas nos processos. A proposta aprovada também estabelece uma matriz de descontos progressivos exclusivamente para estes processos, que variam conforme o estágio recursal no momento da adesão, a fim de privilegiar a resolução precoce do litígio. Para casos em 1ª instância, o desconto previsto é de 20%; para 2ª instância, 15%; e 3ª instância, 10%. Com a aplicação dos descontos, a projeção é de pagamento líquido de R$ 21,5 milhões. Assim, o montante global a ser pago pelo setor para a regularização integral do passivo é estimado em aproximadamente R$ 32,28 milhões, de acordo com o relatório do TCU. No documento, a Comissão do TCU argumenta que somadas as perdas em valor de produção das empresas de carnes e lácteos envolvidas nos processos, caso as interrupções de atividades fossem executadas, o total chegaria a cerca de R$ 35,3 bilhões. Haveria ainda perdas tributárias de R$ 5,4 bilhões distribuídas entre União, estados e municípios. “Esses números correspondem a uma parte das perdas totais, uma vez que não compreendem todos os setores nem todos os portes das empresas sancionadas”, disse o órgão no documento.

VALOR ECONÔMICO 

GOVERNO

Marrocos suspende tarifas de importação para carnes e ovinos vivos até o fim de 2026

Em 2025, as exportações brasileiras de bovinos vivos para o Marrocos somaram US$ 213,5 milhões, mais de cinco vezes os US$ 41 milhões registrados em 2024. Decreto entrou em vigor dia 27 de julho

O Ministério da Agricultura informou que o governo do Marrocos suspendeu, até 31 de dezembro de 2026, as tarifas de importação sobre ovinos vivos e carnes bovina, ovina, caprina e camelídea. O decreto, publicado pelo governo marroquino em 27 de julho, entrou em vigor na mesma data e vale para importações originárias de todos os países, com o objetivo de ampliar o abastecimento interno de carnes vermelhas, segundo comunicado do ministério brasileiro. Pelo censo pecuário de 2025, houve uma redução de aproximadamente 30% do rebanho bovino marroquino, cenário atribuído aos períodos de seca e ao aumento dos custos com alimentação animal, de acordo com a nota. As miudezas de animais das espécies bovina, ovina, caprina e camelídea continuam sujeitas a tarifas de importação de 30%, segundo o ministério. Desde 2022, Marrocos também suspende a cobrança de tarifas de importação para bovinos vivos brasileiros destinados ao abate, desde que as compras ocorram dentro de limites definidos pelo governo daquele país. Para 2026, a cota foi de 300 mil cabeças. Em 2025, as exportações brasileiras de bovinos vivos para o Marrocos somaram US$ 213,5 milhões, mais de cinco vezes os US$ 41 milhões registrados em 2024. No período, o Brasil respondeu por 46,7% das importações marroquinas desse produto. Já no primeiro quadrimestre de 2026, o ministério apontou que Marrocos ocupou a segunda posição entre os principais destinos das exportações brasileiras de bovinos vivos.

MAPA

INTERNACIONAL

Reino Unido é pressionado a suspender importações de carne bovina e de frango do Brasil

A possibilidade de restrições às exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia passou a gerar repercussões também no Reino Unido.

A National Farmers’ Union (NFU), principal entidade representativa dos produtores rurais britânicos, pediu que o governo adote uma proibição preventiva às importações de carne bovina e de frango do Brasil caso o país não consiga comprovar que utiliza antibióticos de acordo com os padrões exigidos pelas autoridades europeias. O posicionamento da entidade ocorre após a Comissão Europeia solicitar ao Brasil evidências de que carnes exportadas ao bloco não sejam provenientes de animais tratados com antimicrobianos reservados para a medicina humana nem com antibióticos utilizados para promoção de crescimento ou aumento de produtividade. Segundo a reportagem, o Brasil tem até 3 de setembro de 2026 para apresentar as informações solicitadas. Caso isso não ocorra, a autorização para exportação ao mercado europeu poderá ser suspensa. A NFU argumenta que o Reino Unido deveria seguir a mesma abordagem preventiva adotada pela União Europeia. A entidade lembra que o uso de antibióticos como promotores de crescimento está proibido tanto no Reino Unido quanto na União Europeia desde 2006. Além disso, destaca que a agropecuária britânica reduziu em 60% o uso de antibióticos desde 2014 e diminuiu em 83% o uso dos antimicrobianos considerados críticos para a saúde humana, que hoje seriam empregados apenas quando há necessidade clínica. Outro ponto levantado pela NFU diz respeito ao controle sanitário das importações. Segundo a entidade, apenas 94 amostras por ano de produtos de origem animal importados são analisadas na fronteira britânica quanto à presença de resíduos de medicamentos veterinários, número considerado insuficiente diante do volume de comércio internacional. O presidente da NFU, Tom Bradshaw, afirmou que o governo britânico deve garantir que os alimentos importados sejam seguros e não representem riscos à saúde pública. Segundo ele, caso não exista plena confiança de que a carne brasileira foi produzida de forma responsável, o Reino Unido deveria adotar a mesma postura cautelar da União Europeia e suspender as importações, além de ampliar a frequência dos testes para produtos provenientes de países classificados como de risco médio ou alto, entre eles o Brasil. Entidade teme desvio de exportações brasileiras para o mercado britânico Além das preocupações sanitárias, a NFU também avalia possíveis impactos comerciais. Segundo a entidade, caso o Reino Unido não acompanhe eventuais restrições impostas pela União Europeia, parte da carne bovina e da carne de frango originalmente destinada ao mercado europeu poderá ser redirecionada ao mercado britânico, aumentando a concorrência para os produtores locais. A reportagem lembra que o Brasil foi, em 2025, o maior fornecedor de carne de frango para a União Europeia, com 211 mil toneladas exportadas ao bloco. No mesmo ano, os europeus importaram 92.363 toneladas de carne bovina brasileira, das quais 24.381 toneladas corresponderam à carne bovina in natura, tornando o Brasil o segundo maior fornecedor desse produto para o mercado europeu. Na avaliação da NFU, um eventual aumento das importações brasileiras poderia pressionar ainda mais o mercado interno britânico. Bradshaw também defendeu o fortalecimento da rotulagem de origem, especialmente no setor de alimentação fora do lar, como forma de preservar a confiança dos consumidores na carne produzida no Reino Unido.

AGRILAND 

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos/Cepea: Preço do vivo em SP recua ao terceiro menor patamar da série do Cepea

A média de preços do suíno vivo em julho recuou pelo quarto mês consecutivo e atingiu o terceiro menor patamar da história na região de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba). 

De acordo com o Cepea, a menor demanda pelo animal vivo e pela carne pressionou os valores na segunda quinzena de julho. Segundo pesquisadores do Cepea, a procura pela carne suína fica tipicamente enfraquecida na segunda metade do mês, devido ao menor poder de compra da população, o que, consequentemente, reduz a demanda pelo animal vivo. Além disso, o período de férias escolares reforçou a redução na procura, levando as médias a recuarem, apesar dos aumentos registrados no início de julho. O Centro de Pesquisas destaca que o cenário baixista tanto da carne quanto do vivo este ano é surpreendente para o setor, que esperava demanda firme em 2026, conforme observado em 2025. Na comparação com as cotações reais de dezembro, o suíno vivo de SP-5 acumula desvalorização de 43,1%, enquanto a carcaça especial, de 36,2%. Além da demanda enfraquecida, o Cepea entende que o momento atual do mercado é fruto de maiores investimentos realizados pelo setor no ano passado e que resultam em maior produção e, portanto, maior oferta interna em 2026.

CEPEA

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