CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2770 DE 06 DE AGOSTO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2770 | 06 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

A cotação do boi gordo continua subindo

Boi gordo e “boi china” sobem em São Paulo.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, as cotações da vaca e novilha terminadas subiram R$ 2/@ em São Paulo, para R$ 322/@ e R$ 337/@, respectivamente (no prazo). Por sua vez, o boi gordo paulista destinado ao mercado interno segue em R$ 348/@, enquanto o “boi-China” está em R$ 350/@. A cotação do boi gordo e a do “boi China” subiram R$2,00/@ em São Paulo. As cotações da vaca e da novilha não mudaram. A oferta de boiadas e a procura estiveram equilibradas. Os negócios celebrados ocorreram de acordo com os preços vigentes, sem valores acima ou abaixo das referências. No Tocantins, a cotação subiu no Tocantins. No Pará, a oferta esteve contida, e os frigoríficos enfrentaram dificuldades para formar as escalas. Os produtores permaneceram retraídos, amparados pela disponibilidade de pasto.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo avança com oferta restrita e escalas de abate curtas

Dificuldade na aquisição mantém as escalas de abate encurtadas, enquanto a expectativa de consumo no Dia dos Pais e o ritmo das exportações sustentam a valorização

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com elevação dos preços da arroba nas principais praças de produção e comercialização do país. Segundo o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a dificuldade na aquisição de boiadas segue presente no mercado, mantendo as escalas de abate encurtadas em grande parte do país. A demanda interna tem papel importante durante a primeira quinzena de agosto, considerando o Dia dos Pais como data relevante. De acordo com Iglesias, da mesma maneira que a progressão das exportações ainda é elemento importante a ser considerado, avaliando o esgotamento precoce das cotas chinesas, a maneira que esse fluxo de embarques vai se comportar nas próximas semanas é elemento chave. O mercado atacadista registrou preços firmes para a carne bovina nesta terça-feira (4), ainda contando com grande expectativa em torno da demanda de Dia dos Pais, que se soma a entrada dos salários na economia e costuma motivar o consumo de carne bovina. Como ponto de inflexão é válido mencionar que a carne bovina segue perdendo competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango, apontou Iglesias. Quarto dianteiro: permanece precificado a R$ 21,00 por quilo. Ponta de agulha: foi cotada a R$ 20,00 por quilo. Quarto traseiro: permanece precificado a R$ 26,50, por quilo.

SAFRAS NEWS

Boi gordo: oferta restrita mantém mercado firme, diz Cepea

Oferta restrita de animais mantém cotações sustentadas, enquanto compradores e vendedores aguardam melhor definição do mercado

O mercado pecuário iniciou a semana com preços firmes, confirmando o movimento observado nos últimos dias. De acordo com o Cepea, vários negócios foram fechados nos mesmos patamares reajustados na semana passada, enquanto uma parcela menor registrou novos aumentos. Apesar da sustentação das cotações, o ritmo das negociações foi lento. O cenário continuou marcado pela oferta restrita de animais prontos para abate, com compradores e vendedores adotando postura cautelosa à espera de uma melhor definição do mercado. Parte da indústria também mantém expectativa de melhora no escoamento da carne com a proximidade do Dia dos Pais. No noroeste do Paraná, a oferta limitada de animais permitiu um reajuste de R$ 10 para bois e fêmeas. As negociações do boi gordo ocorreram entre R$ 345 e R$ 350 por arroba, com escalas de abate em torno de uma semana. Ainda assim, compradores demonstraram cautela diante do desempenho ainda enfraquecido das vendas de carne. Em Sorriso (MT), o mercado permaneceu travado, com baixa liquidez e pouca oferta de animais. As cotações seguiram firmes, com o boi negociado, em média, a R$ 325 por arroba, enquanto os pecuaristas mantiveram a expectativa de novas altas. No Rio Grande do Sul, a oferta restrita de animais prontos para abate e a dificuldade de acesso ao gado, intensificada pelas chuvas em algumas regiões, favoreceram reajustes pontuais, embora parte dos agentes tenha mantido os preços estáveis. As escalas de abate permaneceram curtas, variando entre dois e quatro dias na maior parte dos frigoríficos, com alguns relatos de até sete dias. As negociações ocorreram entre R$ 24,32 e R$ 27,50 por quilo vivo e entre R$ 3,54 por quilo morto. Já em São Paulo, a liquidez também foi baixa, mas as cotações seguiram firmes. Os negócios foram fechados entre R$ 345 e R$ 350 por arroba, chegando pontualmente a R$ 355. Nesse cenário, o indicador Cepea/Esalq registrou média à vista de R$ 347,90 por arroba.

CEPEA

ECONOMIA

BC faz quarto corte seguido na Selic e taxa vai a 14%ao ano

Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (5), cortar a taxa básica de juros para 14% ao ano. Foi a quarta reunião seguida em que o colegiado do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%. O colegiado informou em comunicado que o cenário demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. “O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o BC. O Copom reafirmou que, e em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 4,72% em maio para 4,64% em junho no acumulado de 12 meses. A mediana das projeções dos agentes financeiros para 2026, segundo o Relatório Focus, caiu pela 5ª semana seguida, indo a 5,03%, acima da meta de 3% e do teto de 4,5%. Para 2027, manteve-se em 4,22% nesta semana. Na reunião anterior, em junho, o Copom afirmou que magnitude total do ciclo de calibração será “estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. Pesquisa conduzida pelo Valor e publicada na segunda-feira (3) ouviu 113 instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, das quais 110 esperavam redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Outras 3 projetavam uma manutenção dos juros em 14,25% ao ano. O Copom realiza a próxima reunião nos dias 15 e 16 de setembro.

VALOR ECONÔMICO

Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político

Após ceder abaixo dos R$5,10 pela manhã, o dólar fechou a quarta-feira estável no Brasil, com o mercado reagindo negativamente à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, marcada para o início da noite, o dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,04%, aos R$5,1283 na venda. Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,05% na B3, aos R$5,1600. No início do dia, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou uma diferença menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%. Em função da pesquisa e do exterior favorável, o dólar operou em queda ante o real, chegando a ser cotado abaixo dos R$5,10, mas o cenário mudou no fim da manhã, com o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar — um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino — não foi bem recebido. Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista se aproximou dos R$5,13 minutos depois da indicação, zerando as perdas. À tarde, às 14h21, a divisa atingiu o pico do dia, aos R$5,1348 (+0,09%). No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa Genial/Quaest foi percebida como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, foi um fator altista. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil. No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso colombiano e o peso mexicano, mas as variações eram modestas.

REUTERS 

Ibovespa fecha quase estável com Petrobras pressionando antes de decisão do Copom

O Ibovespa fechou quase estável na quarta-feira, com o declínio das ações da Petrobras ofuscando as performances positivas de papéis como Itaú Unibanco e RD Saúde em meio a avaliações positivas dos respectivos resultados trimestrais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,05%, a 177.807,50 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 180.194,51 pontos na máxima e 177.729,87 pontos na mínima do dia. O pregão encerrou com agentes financeiros no aguardo da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, principalmente o comunicado que será divulgado ao final da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$1,938 bi em julho até dia 31, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$1,938 bilhão em julho até o dia 31, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.

Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$2,543 bilhões em julho até o dia 31. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de julho até o dia 31 foi positivo em US$4,481 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 27 a 31 de julho, entraram no país US$2,814 bilhões. No acumulado do ano até 31 de julho, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$19,696 bilhões.

REUTERS

Setor de serviços do Brasil volta a contrair após 8 meses, mostra PMI

O setor de serviços do Brasil voltou a registrar contração em julho depois de oito meses de expansão diante de novas quedas na demanda e na produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na quarta-feira.

O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, ficou em 49,7 em julho, de 51,3 em junho, pela primeira vez abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração desde outubro de 2025. Com a contração da indústria também em julho, o PMI Composto do setor privado do Brasil caiu a 48,8, de 50,7 em junho, marcando o nível mais baixo desde outubro do ano passado. “A proteção que o setor de serviços vinha oferecendo contra a fraqueza da indústria ao longo de 2026 desapareceu em julho, levando o setor privado brasileiro de volta à contração”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. Ao explicar a queda da produção no setor de serviços, as empresas consultadas citaram adiamento de projetos, pressões inflacionárias e retração da demanda, além dos desafios enfrentados pelo setor industrial e das dificuldades financeiras dos clientes. Após uma breve expansão em junho, o volume de novos negócios recuou em julho no ritmo mais forte em dez meses, em meio a indicações de que os clientes adiaram pedidos devido a restrições orçamentárias. Os fornecedores de serviços também citaram a incerteza do mercado relacionada à proximidade das eleições presidenciais, em outubro. Os dados de julho mostraram ainda nova queda no número de empregados no setor de serviços brasileiro, com as empresas citando acontecimentos adversos nas vendas, iniciativas de reestruturação e encerramento de alguns contratos. Os gastos das empresas continuaram a subir em julho, em meio a relatos de aumento dos custos de energia, mão de obra, matérias-primas e transporte. Itens como produtos agrícolas, peças de computador, laticínios, componentes eletrônicos, carne e embalagens registraram alta de preços. Ainda assim, a taxa geral de inflação recuou para o menor nível em quatro meses. Da mesma forma, os preços cobrados pela prestação de serviços no Brasil aumentaram no ritmo mais fraco em quatro meses, embora ainda em um patamar considerado elevado pelos padrões históricos. As expectativas de recuperação da confiança dos clientes e da demanda após a eleição presidencial de outubro sustentaram o otimismo dos fornecedores de serviços, que também demonstraram esperança de pressões inflacionárias mais contidas. Assim, o nível de confiança melhorou em relação à mínima de 11 meses registrada em junho.

REUTERS 

GOVERNO 

Desembolso do crédito rural despenca no primeiro mês da safra

Mesmo com queda dos juros, valor caiu para R$ 12,7 bilhões em julho, menos da metade que o registrado na temporada passada. No primeiro mês da safra 2026/27, houve retração em todas as modalidades de financiamentos

Os desembolsos ao crédito rural despencaram no primeiro mês da safra 2026/27. Apesar da redução nas taxas de juros das principais linhas de financiamento para pequenos, médios e grandes produtores, a demora na publicação das regras da equalização das operações pelo Tesouro Nacional e o ambiente mais restritivo nas instituições financeiras resultaram em desembolsos de apenas R$ 12,7 bilhões em julho, menos da metade dos R$ 28,3 bilhões liberados no mesmo mês de 2025. Houve retração em todas as modalidades de financiamentos. A queda mais expressiva foi nas operações de custeio, que saíram de R$ 19,9 bilhões no primeiro mês da safra 2025/26 para apenas R$ 9,2 bilhões na largada desta temporada. As linhas de investimentos – a maioria com juros de dois dígitos – recuaram de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão. No período comparado, os empréstimos para comercialização caíram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão e os de industrialização de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão. A quantidade de contratos também diminuiu, de 179,2 mil para apenas 77,2 mil no primeiro mês do novo ano-safra. Os dados foram extraídos do sistema do Banco Central em 3 de agosto e compilados pela reportagem. As informações são parciais e podem mudar de acordo com a data da consulta. Operações contratadas e ainda sem desembolso não aparecem nas estatísticas. Os números não consideram as contratações de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Como em todo início de safra, os recursos controlados dominaram os desembolsos. Cerca de R$ 9,1 bilhões foram liberados em julho em linhas abastecidas com montantes oriundos dos depósitos à vista e dos fundos constitucionais, que não têm equalização, e da poupança rural e de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) equalizadas. Outros R$ 3,5 bilhões foram de fontes não controladas e juros livres. A publicação da portaria que autorizou o pagamento da equalização apenas em 23 de julho limitou o desembolso desses valores, segundo Leila Harfuch, sócia-gerente da consultoria Agroicone. Ela salientou que houve queda na contratação de financiamentos desde o Plano Safra 2023/24, mas isso não impediu o crescimento da produção agropecuária, que foi financiada por instrumentos de mercado. Agora, o desafio será equacionar o endividamento para que o produtor tenha acesso aos recursos seja nos bancos ou nas empresas do setor. “Este ano o que preocupa muito é o El Niño mais forte. Ainda com custo de capital caro para o produtor, endividamento elevado e instrumentos de gestão de riscos como seguro rural com baixa penetração e pouco recurso para subvenção, teremos uma safra com exposição ao risco elevado”, comentou Harfuch. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, admitiu que houve queda nos financiamentos e disse que a safra será marcada por maior restrição das instituições financeiras diante do endividamento dos produtores e das perspectivas pessimistas com o clima. “É preciso ter cautela e muita responsabilidade. Quem pegar crédito, tem que ter muita responsabilidade em assumir a dívida, porque o financiamento está caro. O produtor tem que estar com convicção de que a conta fecha no final”, avaliou. O secretário ponderou que é necessário aguardar o desempenho das renegociações das dívidas autorizadas pela Medida Provisória 1.376/2026, em julho, que ainda não engrenaram. As operações serão computadas no Plano Safra 2026/27 e poderão abrir espaço para novas contratações dos produtores. O governo, no entanto, não divulgou como será feito o processo para renegociação com equalização de juros e ainda está levando a demanda pelos saldos equalizáveis junto às instituições financeiras. Cerca de R$ 20 bilhões em dívidas dessa categoria deverão ser renegociadas, segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Também será necessário um remanejamento de R$ 130 milhões para fortalecer o caixa do Tesouro Nacional e autorizar o início das operações. As cooperativas de crédito lideraram os desembolsos em julho e houve recuo na participação das instituições públicas. O Banco do Brasil, que liberou apenas R$ 2,3 bilhões ante R$ 10,9 bilhões em julho de 2025, disse à reportagem que o atraso da equalização impactou suas operações, mas que o volume efetivamente contratado no período é maior.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL 

Exportações de carne bovina dos EUA recuam quase 10% no 1º semestre/26

Grande parte do declínio nos embarques deveu-se à decisão do governo da China em não renovar os registros de exportações das unidades norte-americanas, diz a USMEF

No primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina dos Estados Unidos recuaram 9% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 545.649 toneladas, enquanto a receita caiu 4%, para US$ 4,74 bilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) e compilados pela Meat Export Federation (USMEF). Grande parte do declínio nos embarques deveu-se à decisão do governo da China em não renovar os registros de exportações das unidades norte-americanas, diz a federação representante do setor. Embora essas habilitações tenham sido renovadas durante a visita do presidente Donald Trump à China em maio/26, as exportações para o país asiático permanecem em níveis mínimos devido sobretudo às incertezas quanto aos testes de resíduos realizados pelas autoridades chinesas. Ao excluir a China dos resultados do período de janeiro a junho deste ano, calcula a USMEF, o volume de embarques de carne bovina recuou apenas 1% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, enquanto o valor das exportações cresceu 6%. “Embora nunca queiramos ver uma queda nas exportações, a demanda global pela carne bovina dos EUA continua muito resiliente”, afirmou Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF, que acrescentou: “A situação econômica em toda a Ásia permanece desafiadora, com perda de poder de compra em termos de dólar americano; no entanto, os clientes continuam adquirindo uma ampla variedade de cortes de carne bovina dos EUA a preços recordes”.

USMEF

China acelera importações de carne bovina e pode abrir espaço para exportações argentinas

O mercado internacional de carne bovina acompanha com atenção o ritmo das importações chinesas em 2026. Após um primeiro semestre de compras acima do esperado, analistas avaliam que a China poderá atingir antecipadamente o limite anual de importações previsto em seu sistema de salvaguardas, cenário que tende a elevar os preços internacionais e pode abrir oportunidades para exportadores como a Argentina.

De acordo com relatório do Rosgan, da Bolsa de Comércio de Rosário, a China importou 1,53 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e junho, volume 17,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O dado ganha importância porque o governo chinês estabeleceu para todo o ano uma cota global de 2,69 milhões de toneladas, abaixo, inclusive, das 2,80 milhões de toneladas efetivamente importadas em 2025. Segundo o Rosgan, o atual ritmo de compras indica dois possíveis cenários para o segundo semestre: uma desaceleração significativa das importações para respeitar o limite anual ou o esgotamento antecipado da cota, o que poderia gerar demanda não atendida, pressionar os preços e provocar mudanças nas condições comerciais vigentes. Após um início de ano bastante aquecido, as importações chinesas desaceleraram entre março e maio, mas voltaram a crescer em junho, quando alcançaram 246 mil toneladas, alta de 19% em relação ao mês anterior. Os analistas ainda discutem se essa retomada reflete uma recuperação efetiva da demanda ou se está relacionada à possibilidade de o Brasil, principal fornecedor de carne bovina para a China, esgotar sua cota antes do encerramento do ano. A Austrália já utilizou integralmente as 205 mil toneladas que lhe foram destinadas em 2026. O Brasil, por sua vez, possui uma cota de 1,106 milhão de toneladas e havia embarcado 872.214 toneladas até o final do primeiro semestre, equivalente a cerca de 80% do limite estabelecido. O percentual levou as autoridades chinesas a emitirem um alerta oficial sobre o elevado nível de utilização da cota brasileira. Na avaliação do Rosgan, é bastante provável que grande parte do volume restante já esteja comprometida comercialmente, considerando que o transporte marítimo até a China leva aproximadamente 45 dias. Enquanto Brasil e Austrália se aproximam do limite permitido, a Argentina apresenta uma situação mais confortável. O país possui uma cota anual de 511 mil toneladas e exportou 239,5 mil toneladas no primeiro semestre, volume 12% superior ao do mesmo período de 2025, mas ainda compatível com o cronograma previsto pelas autoridades chinesas. Caso o Brasil enfrente restrições para continuar embarcando carne bovina para a China nos próximos meses, os exportadores argentinos poderão ampliar sua participação no principal mercado importador mundial. O relatório destaca que a combinação entre demanda aquecida e oferta limitada pelas cotas já começou a impactar os preços internacionais. No início de 2026, os preços médios pagos pela China pela carne bovina importada apresentavam valorização próxima de 10% em relação ao ano anterior. Ao final do primeiro semestre, esse aumento já ultrapassava 30% na comparação anual. Nos embarques argentinos, os valores FOB registraram alta de US$ 200 a US$ 300 por tonelada nas últimas semanas, refletindo a expectativa de maior restrição de oferta no mercado internacional. Diante da possibilidade de esgotamento antecipado das cotas, Brasil e China voltaram a discutir a criação de depósitos aduaneiros que permitiriam armazenar carne até a abertura de novos limites de importação. A Austrália também avalia alternativa semelhante. Além disso, há conversas entre Brasil e Uruguai sobre um eventual intercâmbio de cotas. Entre as possibilidades analisadas está a transferência de aproximadamente 100 mil toneladas de cota para acesso ao mercado chinês em troca de uma participação brasileira dentro do acordo comercial com a União Europeia. Segundo o Rosgan, o desfecho dessas negociações poderá influenciar a configuração futura do comércio internacional de carne bovina, estabelecendo precedentes para um mercado cada vez mais regulado por cotas de importação e tarifas.

INFOCAMPO

CARNES

União Europeia bloqueia compras de carne brasileira até 2028

Decisão entra em vigor em 1º de setembro e abrange bovinos, aves e mel, reduzindo drasticamente as exportações de proteína animal ao bloco

A União Europeia anunciou na sexta‑feira (4) a manutenção de restrição às importações de carne bovina, frango e mel provenientes do Brasil, com vigência mínima até setembro de 2028. O bloqueio, formalizado por decisão do Conselho Europeu, segue a avaliação sanitária que considerou risco persistente de contaminação em processos de abate. A medida afeta diretamente as exportações brasileiras, que em janeiro‑agosto de 2026 somaram US$ 184,8 bilhões, equivalentes a 412,3 milhões de toneladas, segundo o Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior (Secex). O segmento de proteína animal responde por cerca de 30 % do valor total das exportações agropecuárias, o que implica perda potencial de US$ 55 bilhões ao longo do período de bloqueio, caso não haja diversificação de mercados. Analistas do setor apontam que a suspensão pode acelerar a busca por novos destinos, como Sudeste Asiático e Oriente Médio, mas também pressiona a competitividade dos produtores que dependem do mercado europeu para margens mais elevadas. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) informou que está preparando um plano de ação para atender às exigências sanitárias da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e reverter a restrição. Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliará nesta semana um acordo que pode reduzir multas aplicadas a frigoríficos durante suspensões sanitárias, o que pode aliviar parte do passivo financeiro das empresas afetadas pelo bloqueio europeu. A combinação de pressão regulatória externa e possíveis alívios internos cria um cenário de incerteza que exigirá respostas rápidas dos exportadores.

AGRIMIDIA

Com menor demanda da China por carne, Brasil deve reforçar diplomacia e inovação, dizem executivos

Estratégias para o setor foram debatidas no Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs). Mercado de carnes em Chengdu, na China: demanda menos aquecida no país asiático exige que a indústria brasileira se reinvente

Os planos da China de aumentar sua produção doméstica de carne – um dos motivos que levou o país a impor cotas de importação de carne bovina a seus parceiros comerciais, como o Brasil – deve levar o país asiático, principal destino da carne bovina brasileira e um dos principais da carne de frango, a reduzir gradualmente suas importações do produto. Por isso, o Brasil precisa destinar mais esforços à diplomacia comercial, na avaliação do presidente da Aurora Coop, Neivor Canton. “O Brasil precisa investir mais do que investe hoje em diplomacia comercial. O ritmo de crescimento da produção brasileira nos últimos anos nos manda buscar mais e mais mercados”, afirmou Canton durante painel no Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo (SP). A perspectiva de demanda menos aquecida da China exige, além disso, que a indústria brasileira se reinvente para acompanhar as mudanças de consumo na velocidade necessária, na avaliação do presidente da Seara, João Campos, que também participou do painel. Há espaço para que os sistemas produtivos evoluam e a cadeia também precisará continuar avançando em eficiência operacional, na velocidade das respostas às mudanças do mercado e em escala para seguir atendendo tanto a China como outros consumidores, disse o executivo. O diretor presidente da MBRF, Miguel Gularte, também presente no papel, disse acreditar que a China continuará demandando carne do Brasil, em paralelo às mudanças em curso no país, como a migração da população do campo para as cidades e o aumento da renda da população chinesa. Dentro e fora da China, mudanças de comportamento em diversos países e novas tendências de consumo vêm sendo observadas pelas companhias de carne a fim de adaptar portfólios de produtos e estratégias. Uma das transformações é o aumento das mulheres que passam a trabalhar fora de casa e mudam seu padrão de consumo, buscando produtos de preparo mais rápido, de acordo com Gularte, da MBRF. “Vemos donas de casa em todas as geografias saindo para trabalhar e querendo alimento de qualidade e custo competitivo”, afirmou o executivo. “Hoje uma dona de casa da Arábia Saudita quer a mesma facilidade do Brasil e da Europa. Isso facilita a uniformidade, a escala e o custo de produção. Hoje a competitividade passa por várias questões, inclusive a uniformização de produtos que chegam a diferentes mercados”, continuou Gularte. À necessidade de praticidade, se somam também outras tendências, como o crescente uso de canetas emagrecedoras e a maior preocupação com a ingestão de proteínas, além da maior longevidade da população, disse o diretor presidente da MBRF. Canton, da Aurora também avaliou que a indústria será redesenhada para produzir menos volume e mais itens com maior valor nutricional. “O comportamento do consumidor mostra uma mudança, da lógica do volume para a lógica do valor nutricional. Isso exige esforço das nossas linhas de produção e de investimentos”, disse. Campos, da Seara, observou a tendência de lares e famílias estarem ficando menores e de o consumidor estar mais preocupado com a informação sobre o alimento que compra. “Ele quer ler o rótulo, quer entender o que lê”, afirmou. Do lado da produção, mesmo que o Brasil já seja o maior exportador de carne de frango e bovina, ainda há espaço para aumentar a produtividade na cadeia de frango e em todos os elos da produção – campo, indústria e distribuição, segundo os executivos. Para Canton, há possibilidade de buscar mais ganhos genéticos e de peso das aves, avançar na profissionalização de produtores e granjas e de melhorar a estrutura logística do país, ferroviária e rodoviária, o que aumentaria a competitividade de exportadores. Campos, da Seara, concorda que a cadeia de carnes brasileira ainda pode avançar no campo, indústria e comercialização, inclusive com o uso de novas tecnologias e do uso de dados para agilizar decisões. “Temos muitas oportunidades, seja de melhorar para dentro como para fora”, afirmou.

VALOR ECONÔMICO

SUÍNOS & FRANGOS 

Aves e suínos do Brasil projetam US$ 30 milhões em negócios nas Filipinas

Ação conjunta da ABPA e ApexBrasil reúne frigoríficos brasileiros na Ásia, fortalece relacionamento comercial com oito países e consolida expansão no Sudeste Asiático

A participação da avicultura e da suinocultura do Brasil na World Food Expo (WOFEX 2026), realizada entre 29 de julho e 1º de agosto em Pasay City (região metropolitana de Manila, Filipinas), encerrou-se com resultados expressivos. A iniciativa, organizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), gerou US$ 5,978 milhões em negócios imediatos e pavimentou contratos estimados em US$ 29,994 milhões para os próximos 12 meses. Representando o setor produtivo nacional, as agroindústrias Aurora, Coasul, Frigoestrela e SSA cumpriram agenda de rodadas de negócios com importadores, distribuidores e operadores do varejo e food service. Além do mercado filipino, as reuniões atraíram compradores de Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul, Vietnã, China, Estados Unidos e Dinamarca. A ação reforçou a imagem internacional da proteína animal brasileira por meio das marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Duck e Brazilian Breeders. Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, “os resultados da WOFEX comprovam a eficácia da presença direta das nossas empresas em praças estratégicas. Além das vendas imediatas, os contatos consolidados em Manila abrem caminho para novos embarques e ajudam a diversificar a pauta de exportação da proteína animal brasileira.” As Filipinas despontam como um dos principais destinos comerciais das carnes brasileiras na Ásia. Dados do primeiro semestre de 2026 confirmam a consolidação dessa parceria: Setor Suinícola: Entre janeiro e junho, o país asiático importou 214 mil toneladas de carne suína do Brasil, salto de 32,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Setor Avícola: No mesmo intervalo, os embarques de carne de frango atingiram 142,3 mil toneladas, alta de 15,9%.

ABPA

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA

Whatsapp 041 999368886

 

 

abrafrigo

Leave Comment