CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2761 DE 24 DE JULHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2761 | 24 de julho de 2026

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: movimento de baixa perde a força

Pelos dados da Scot Consultoria em São Paulo, as cotações direcionadas ao mercado doméstico e do “boi China” subiram R$ 4/@ na quinta-feira, para R$ 342/@, no prazo (valor bruto) – por enquanto, o animal com perfil exportação segue sem premiação.  As cotações da vaca e da novilha gordas subiram R$ 3/@, para R$ 315/@ e R$ 328/@, respectivamente.

Em SP, as cotações direcionadas ao mercado doméstico e do “boi China” subiram R$ 4/@, para R$ 342/@, no prazo (valor bruto), informou a Scot Consultoria. Na quinta-feira (23/7), a Agrifatto detectou valorização nos preços do boi gordo em 12 das 17 praças monitoradas diariamente: SP, AC, AL, GO, MA, MG, MS, PA, PR, RJ, RO e SC. Nas demais regiões (BA, ES, MT, RS e TO), as cotações ficaram estáveis, disse a consultoria. “A expectativa de reajustes positivos nos preços da carne com osso nas negociações semanais com o atacado estimulou uma atuação mais firme das indústrias”, disse a Agrifatto, referindo-se ao mercado paulista, onde arroba do boi gordo e do “boi-China” foi negociada agora por R$ 345/@, no prazo.  “O varejo não está na posição mais confortável do ano, porém viu um giro positivo, com reposição de carne com osso boa o bastante para permitir alta nos preços das carcaças casadas no atacado”, afirmou o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista de mercado da Scot Consultoria. “Se julho está sendo um mês de poucos churrascos, o início de agosto pode apontar para um mercado interno mais favorável”, completou. Segundo a Scot, “o mercado físico do boi gordo iniciou um processo de recuperação ainda na semana passada, movimento que ganhou intensidade nesta semana, com valorização das cotações em diversas praças e consolidação de um cenário mais firme”. Apesar da recuperação dos preços, o volume negociado permaneceu insuficiente para recompor as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros, que, na média nacional, recuaram de seis para cinco dias úteis. “As programações de abate seguem em nível desconfortável, reforçando a necessidade de compra por parte dos frigoríficos”, concluiu a Agrifatto. Após seis pregões consecutivos de valorização, o mercado futuro do boi gordo passou por um movimento de realização de lucros na sessão de quarta-feira (22/7) da B3, resultando em queda nas cotações, conforme a Agrifatto. O contrato com vencimento em setembro/26 liderou as perdas, encerrando o pregão cotado a R$ 352,55/@, com desvalorização de 1,86% em relação ao fechamento anterior.

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO

Boi/Cepea: Cotações da arroba em SP se aproximam dos valores regionais

Os preços da arroba de boi gordo em São Paulo e nos principais estados produtores estão se aproximando. 

Segundo o Cepea, esse cenário decorre de fatores regionais como condições climáticas, oferta de gado terminado, escalas de abate, desempenho do mercado interno e exportações de carne bovina in natura. De modo geral, a dispersão regional dos preços diminuiu na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, entre julho de 2025 e a parcial de julho de 2026. Mato Grosso, entretanto, destoou desse movimento ao ampliar significativamente sua diferença em relação ao mercado paulista. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse comportamento reforça que, embora o mercado apresente sinais de maior convergência entre diversas regiões, a formação dos preços continua fortemente condicionada às características locais de oferta e demanda de animais para abate.

CEPEA 

Brasil abre mercado chinês para exportação de cálculo biliar bovino

Insumo é utilizado há mais de 2 mil anos na produção de medicamentos. O cálculo biliar bovino é uma formação natural encontrada na vesícula ou nos ductos biliares de 1% a 2% dos bovinos

Brasil e China assinaram na quinta-feira (23/7) um protocolo sanitário que estabelece os requisitos para a exportação brasileira de cálculo biliar bovino ao país asiático. O documento foi assinado pelo ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, e pelo embaixador da China no país, Zhu Qingqiao. O cálculo biliar é uma formação natural encontrada na vesícula ou nos ductos biliares de 1% a 2% dos bovinos. O insumo é utilizado há mais de 2 mil anos na produção de medicamentos destinados principalmente ao tratamento de emergências médicas e de doenças neurológicas e inflamatórias. O Brasil é o maior produtor mundial de cálculo biliar bovino, e responde por aproximadamente 40% da oferta global. Essa posição é favorecida pelo fato de o país possuir o maior rebanho comercial do mundo, com cerca de 238 milhões de cabeças. O protocolo assinado entre os dois países define as exigências de quarentena e sanidade para o comércio do produto. Até então, apenas Argentina e Uruguai estavam autorizados a exportar o cálculo biliar bovino à China.

GLOBO RURAL

Governo chama de ‘inaceitável’ exigência da União Europeia sobre antimicrobianos

Ministério cobrou o retorno do Brasil à lista de países aptos a exportar para o bloco europeu.

Mensagem transmitida aos europeus é que o Brasil não vai aceitar ver seu sistema sanitário ser colocado em cheque

O Ministério da Agricultura endureceu o tom com a União Europeia e chamou de “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos no ciclo completo de vida dos animais cuja carne será exportada para lá. Em nota divulgada na quinta-feira (23/7), a Pasta cobrou o retorno à lista de países aptos a exportar para o bloco, independentemente de ter ou não produtos dentro das regras já em setembro, na interpretação de fontes do setor produtivo e industrial. A Pasta disse que as relações sanitárias internacionais são baseadas em “confiança e transparência” sobre os sistemas oficiais de controle e criticou a exigência de “comprovação prévia” de medidas que ocorrem de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos dos animais. Recentemente, o ministério adotou a fiscalização do ciclo completo de vida das diferentes cadeias produtivas sobre o uso de antimicrobianos. Para a pecuária bovina, por exemplo, a certificação do animal como livre dos insumos, proibidos na UE, pode demorar pelo menos dois anos. Na cadeia avícola, o modelo é mais rápido, de cerca de 40 dias. “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, acrescentou. “É precisamente a função dos sistemas oficiais de fiscalização e certificação assegurar que essa implementação seja verificada e que apenas produtos plenamente conformes sejam certificados para exportação”, completou. “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas – quando necessárias – e certificar, com credibilidade, os produtos que cumprem os requisitos e as medidas acordados bilateralmente”, disse a Pasta. Na nota, a Pasta informou que segue em tratativas técnicas com a UE sobre aos requisitos sanitários aplicáveis ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Pasta, o Brasil não pediu a flexibilização das normas sanitárias do bloco para manter suas exportações de carnes e derivados e reforçou o compromisso de atender integralmente os requisitos estabelecidos pelos mercados importadores. Segundo interlocutores de frigoríficos e pecuaristas, a mensagem transmitida aos europeus é que o Brasil não vai aceitar ver seu sistema sanitário ser colocado em xeque nessa discussão. Os dois lados concordaram com a posição adotada pelo Ministério da Agricultura na nota. “Independentemente se haverá animais prontos em 3 de setembro. O Brasil tem que permanecer na lista de exportadores, mesmo que demore ainda dois anos para ter animais prontos para exportação”, disse uma fonte da indústria. Na nota, o Ministério da Agricultura disse ainda que a permanência na lista de países autorizados a exportar para a União Europeia não significa que todos os produtos estejam automaticamente aptos à exportação, mas que a “autoridade competente daquele país dispõe de um sistema oficial reconhecido e confiável, capaz de garantir que somente serão certificados os produtos que, no momento da exportação, atendam integralmente aos requisitos sanitários do mercado de destino”. A Pasta afirmou que a “efetiva disponibilidade de produtos elegíveis pode variar de acordo com o ciclo produtivo e com o tempo necessário para que os animais e produtos cumpram integralmente os requisitos sanitários aplicáveis em cada cadeia produtiva, sem que isso represente ausência de garantias governamentais”. O ministério defendeu que a “credibilidade do sistema reside justamente na capacidade da autoridade competente de impedir a certificação de produtos que ainda não atendam aos requisitos aplicáveis”. A Pasta comandada por André de Paula salientou ainda que as garantias governamentais apresentadas pelo Brasil “referem-se à confiabilidade do sistema oficial de fiscalização e certificação, ao passo que a disponibilidade de produtos elegíveis decorre da implementação dessas garantias ao longo dos respectivos ciclos produtivos, tratando-se de dimensões distintas e complementares do processo de atendimento aos requisitos sanitários”. A proibição, no entanto, poderia aumentar os custos da cadeia pecuária com alimentação e medicamentos em torno de US$ 2 bilhões por ano, segundo cálculos do setor produtivo. A UE importou 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil em 2025, negócios que renderam US$ 1 bilhão aos frigoríficos brasileiros. Ao todo, o comércio de proteínas foi de US$ 1,8 bilhão. “O Brasil não solicitou flexibilização das normas sanitárias europeias. O compromisso do Estado brasileiro sempre foi o de atender integralmente aos requisitos estabelecidos pelos mercados importadores, como faz há décadas”, disse o ministério, na nota. O ministério afirmou que já apresentou à Comissão Europeia “documentação técnica robusta, detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização e as garantias governamentais para cada uma das cadeias produtivas abrangidas pela regulamentação europeia, incluindo carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca”. Segundo a Pasta, a “documentação demonstra, de forma objetiva, como o sistema brasileiro assegura a verificação da implementação, a fiscalização, a rastreabilidade, o monitoramento e a certificação do atendimento aos requisitos sanitários estabelecidos pela União Europeia”.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar interrompe série de perdas e sobe ante real com conflito entre Irã e EUA

O dólar interrompeu uma sequência de três sessões de perdas e fechou a quinta-feira em alta ante o real, em meio ao acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. 

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,63%, aos R$5,0842. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,37% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,49% na B3, aos R$5,0950. Os EUA lançaram uma nova rodada de ações militares contra o Irã na noite de quarta-feira, a 12ª consecutiva onda de ataques norte-americanos ao país do Oriente Médio. Já a Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro pegou fogo após explosão ao tentar atravessar uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz. Outros dois petroleiros retornaram. Conforme o Irã, o Estreito, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás, está “completamente fechado”. Após os houthis, aliados do Irã no Iêmen, atacarem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — outro ponto chave para o transporte na região –, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu nesta quinta-feira uma “forte retaliação militar”. Com isso, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril, intensificando as preocupações com os impactos inflacionários da guerra nos países, o que também impulsionava os rendimentos dos Treasuries. Esse cenário se traduziu na elevação do dólar ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas fortes como a libra e o euro — neste caso, influenciado ainda pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter seus juros inalterados. Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,31%, a 101,420. O dólar também subiu ante divisas emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real. No caso do Brasil, ainda que o avanço do petróleo seja favorável ao real, já que o país é exportador da commodity, a busca pela segurança da moeda norte-americana predominou no mercado. “O movimento foi predominantemente externo, com o real acompanhando o enfraquecimento generalizado das moedas frente ao dólar diante de um cenário de aversão a risco”, resumiu Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com aversão a risco no exterior

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, refletindo o clima de aversão a risco nos mercados globais após nova intensificação do conflito no Oriente Médio, que fez o petróleo voltar a operar acima dos US$100.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,46%, a 176.723,62 pontos. Na mínima, atingiu 176.293,25 pontos. Na máxima do dia, chegou a 177.895,77 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$21,04 bilhões. Em mais um dia de escalada das tensões no Oriente Médio, os houthis do Iêmen – que são aliados do Irã – afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, causando novas interrupções no abastecimento global após a interrupção quase total do tráfego pelo Estreito de Ormuz. Após a declaração, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma “forte retaliação militar” contra o Irã e seus aliados houthis. Diante da perspectiva de que a interrupção possa se alastrar a um segundo mar, os preços globais do petróleo dispararam, com os contratos futuros do Brent fechando com alta de 7%, a US$100,69 o barril, marcando seu maior fechamento desde 22 de maio. A disparada do petróleo trouxe novas preocupações sobre os rumos da inflação, gerando um clima de aversão ao risco que afetou as principais bolsas globais. O clima negativo pressionou o Ibovespa, embora o avanço do petróleo tenha impulsionado ações como a da Petrobras, o que evitou perdas maiores para o índice. “O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Em Nova York, o S&P 500 recuou 1,2%. Além dos temores de aumento da inflação, os resultados financeiros abaixo do esperado do setor de jogaram também contaminaram pressionaram negativamente os negócios na sessão.

REUTERS

Governo autoriza início das operações com juros equalizados do Plano Safra 2026/27

Linhas subsidiadas somam R$ 141,9 bilhões, queda de quase 10% em relação a 2025/26. Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural

O Ministério da Fazenda publicou na quinta-feira (23/7) a portaria que autoriza o pagamento de equalização de taxa de juros em financiamentos do Plano Safra 2026/27, iniciado no dia 1º de julho. A medida, na prática, permite o início das operações que contam com a subvenção direta do Tesouro Nacional, 23 dias após o anúncio das linhas de crédito rural para a temporada. Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural, que somam R$ 141,9 bilhões, queda de quase 10% ou R$ 15,2 bilhões em valores totais em relação aos R$ 157,1 bilhões oferecidos no início da temporada 2025/26. O número de agentes é recorde. Na safra passada, foram 25 instituições financeiras. São cinco estreantes nesta temporada: Banco ABC Brasil, Banco BMG, Banco BV, Lar Credi e Santander. Os bancos que participaram da divisão em 2025/26 e não vão operar agora são: Badesul, BRB, Credialiança e Stara. Do valor total, R$ 97,5 bilhões são para médios e grandes produtores, operados por 25 instituições financeiras, e R$ 44,3 bilhões para a agricultura familiar, operados por 18 agentes. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá R$ 40,4 bilhões em saldos equalizáveis, principalmente em programas de investimentos, pouco acima dos R$ 39,7 bilhões do início da safra passada. Os valores foram ajustados ao longo dos meses. A instituição terminou o ciclo 2025/26 com R$ 38,2 bilhões. O BNDES já publicou as circulares que regulamentam as linhas. Com a autorização de pagamento da equalização, os protocolos serão abertos para pedidos de financiamentos pelas instituições financeiras credenciadas para repasse a empréstimos a produtores rurais. Já os valores destinados ao Banco do Brasil foram reduzidos de R$ 58 bilhões, no início da safra 2025/26, para R$ 41,8 bilhões agora. Apesar da queda, a instituição detém a maior participação na divisão dos recursos equalizáveis do Plano Safra 2026/27 (29%). Com os remanejamentos, o BB concluiu a temporada 2025/26 com R$ 45,3 bilhões. A instituição também reduziu a oferta total de crédito para a safra, de R$ 230 bilhões para R$ 210 bilhões. O governo também ajustou os limites das principais cooperativas de crédito que atuam no Brasil. O Sicoob teve os saldos ampliados de R$ 14,4 bilhões no início da safra 2025/26 para R$ 19,4 bilhões agora. No Sicredi, o valor foi reduzido de R$ 25 bilhões para R$ 18,7 bilhões. O governo manteve a divisão de aplicação dos limites equalizáveis em dois semestres, uma saída encontrada ainda em 2025 para encaixar o Plano Safra no orçamento disponível e não precisar de suplementação. De julho a dezembro deste ano, a autorização é para a liberação de até R$ 94,7 bilhões do saldo total. Cada instituição recebeu limites específicos de operacionalização por período. O valor autorizado para a primeira metade desta temporada é composto por cerca de 80% dos limites de custeio e comercialização (R$ 61,3 bilhões do total de R$ 78,2 bilhões) e 50% dos investimentos (R$ 33,4 bilhões do total de R$ 63,6 bilhões). O restante poderá ser emprestado de janeiro a junho de 2027, com impacto no orçamento do ano que vem. O custo do Plano Safra 2026/27 será de R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos, alta de 34% em relação aos R$ 13,5 bilhões da temporada 2025/26. Nos seis meses de 2026, o custo é de R$ 1,7 bilhão, informou o Ministério da Fazenda à reportagem. As 26 instituições financeiras autorizadas a operacionalizar linhas são: ABC Brasil, Banco BMG, Banco BV, Banco DLL, Banco do Brasil, Banco John Deere, Banpará, Banrisul, Basa, BDMG, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Caixa, Banco CNH Industrial; Credicoamo, Credicoopavel, CrediSeara, Credisis, Cresol, Desenbahia, Itaú, Lar Credi, Santander, Sicoob e Sicredi.

VALOR ECONÔMICO 

Linhas equalizadas com desconto ‘sustentável’ terão R$ 3,1 bilhões

O rebate é concedido para médios e grandes produtores que seguem critérios socioambientais. Podem acessar essas linhas quem participa de programas de certificação de boas práticas e técnicas sustentáveis, de produção integrada ou de produção orgânica

O governo federal disponibilizou R$ 3,1 bilhões para as linhas de custeio equalizado com desconto de até um ponto percentual nos juros para médios e grandes produtores. O valor corresponde a 5% do montante destinado aos financiamentos de custeio com equalização em geral do Plano Safra 2026/27, o mesmo percentual da temporada passada. O rebate é concedido para médios e grandes produtores que seguem critérios socioambientais na atividade agropecuária. Podem acessar essas linhas quem participa de programas de certificação de boas práticas e técnicas sustentáveis, de produção integrada ou de produção orgânica reconhecidos pelo governo federal, quem tem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado ou quem já acessou financiamentos de investimentos via RenovAgro. O custeio “normal” da safra 2026/27 tem juros de 9% e 12,5% para médios e grandes produtores, respectivamente. Nas linhas com “desconto sustentável” da faixa 1, serão disponibilizados R$ 1,2 bilhão com taxas de 8% e 11,5% ao ano e R$ 1,8 bilhão com alíquotas de 8,5% e 12% ao ano. As linhas de “custeio sustentável” empresarial e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram criadas na safra 2023/24 e ainda têm alcance limitado. Com o avanço da análise do CAR, a última etapa de verificação e validação dos dados do registro ambiental do imóvel rural, o governo espera destravar o acesso aos financiamentos mais em conta nesta temporada. Consultados, o Ministério da Agricultura e o Banco Central ainda não informaram o desempenho das linhas na temporada 2025/26. A portaria 2.170/2026, publicada na quinta-feira (23/7) pelo Ministério da Fazenda com a distribuição dos limites equalizáveis da safra 2026/27, prevê que os limites das linhas “sustentáveis” poderão ser remanejados para os programas de custeio empresarial e do Pronamp sem descontos. No início da safra 2025/26, por exemplo, foram disponibilizados R$ 6,2 bilhões em com recursos equalizados para acesso dos produtores com o rebate. Com remanejamentos feitos ao longo da temporada, o valor caiu para R$ 4,1 bilhões. Algumas linhas do Banco do Brasil, Banrisul, Caixa, Credialiança, Cresol e Itaú foram zeradas ao longo do ano-safra. O desconto é de 0,5 ponto percentual para quem tem certificação de boas práticas, produção integrada ou produção orgânica, ou que acessou investimentos no RenovAgro, e outro 0,5 ponto percentual para quem tem CAR analisado. Se o produtor atender aos dois requisitos, pode ter redução de 1 ponto percentual. Atualmente, o Ministério da Agricultura reconhece 30 programas em execução no país de certificação de boas práticas agrícolas, cujos produtores certificados poderão ter acesso ao rebate nos juros do custeio. As instituições financeiras também podem oferecer os descontos em linhas com juros controlados, mas sem equalização, como as irrigadas com recursos dos depósitos à vista. O desconto não é concedido no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pois já conta com linhas incentivadas e taxas mais baixas para modalidades específicas, como agroecologia e bioeconomia.

VALOR ECONÔMICO

FMI diz que impacto de tarifas dos EUA para Brasil deve ser modesto

Fundo projeta crescimento de 2,4% em 2026 e cobra ajuste fiscal mais forte. Inflação deve convergir para meta de 3% apenas em meados de 2028, segundo relatório

O FMI (Fundo Monetário Internacional) avaliou que a economia brasileira continua demonstrando “notável resiliência” diante de uma sequência de choques externos e considerou que o impacto macroeconômico das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos tende a ser modesto. Em relatório divulgado na quinta-feira (23), após a conclusão da consulta anual do Artigo IV, o fundo também afirmou que o governo precisará promover um ajuste fiscal mais ambicioso para colocar a dívida pública em trajetória consistente de queda e projetou inflação de 5,6% ao fim de 2026, acima da meta de 3%. Apesar das tensões comerciais, o FMI avaliou que as exportações brasileiras têm permanecido resilientes. O relatório lembra que as tarifas impostas pelos Estados Unidos chegaram a uma alíquota efetiva de 29,1% em agosto de 2025 e que as vendas brasileiras ao mercado americano caíram inicialmente, mas passaram a se recuperar a partir de novembro daquele ano. Segundo o fundo, o impacto macroeconômico das medidas foi limitado porque as exportações para os Estados Unidos representavam menos de 2% do PIB brasileiro antes da elevação das tarifas e porque o país ampliou as vendas para outros mercados, especialmente de soja para a China. O FMI também mencionou a proposta apresentada pelos Estados Unidos após a conclusão da investigação da Seção 301, que prevê uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% que deve ser anunciada até o fim de julho ao Brasil e a outras economias, com isenções para itens como café, carne bovina, produtos energéticos e peças de aeronaves. Caso as medidas entrem em vigor, o FMI avalia que seu impacto sobre a economia brasileira deverá ser “modesto”, devido ao grande número de exceções e ao fato de os Estados Unidos responderem por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025. Para o Fundo, o Brasil foi relativamente protegido da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. O país é exportador líquido da commodity e conta com uma matriz elétrica predominantemente renovável. Ainda assim, o aumento dos preços da energia deve pressionar a inflação ao longo do ano. O FMI prevê crescimento de 2,4% em 2026, impulsionado pelos termos de troca favoráveis decorrentes do petróleo mais caro e pelo apoio fiscal. Em 2027, a economia deve perder força em razão da política monetária ainda restritiva, mas o crescimento tende a voltar para cerca de 2,5% no médio prazo, sustentado pela reforma tributária aprovada em 2023 e pela expansão da produção de petróleo e gás. A inflação, segundo o Fundo, deve convergir para a meta de 3% apenas em meados de 2028. Além da política macroeconômica, o FMI destacou que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido, com bancos bem capitalizados e riscos sistêmicos sob controle. Ainda assim, recomendou reforçar a supervisão do setor financeiro, enfrentar o crescimento do endividamento das famílias e avançar na regulação de criptoativos e na proteção contra-ataques cibernéticos. O relatório também elogiou o avanço das reformas estruturais, especialmente a implementação da reforma tributária sobre o consumo, considerada um dos principais fatores para elevar a produtividade nos próximos anos.

FOLHA DE SP

CARNES

Brasil bate recorde histórico nas exportações de carnes e fatura quase US$ 16 bilhões

Melhor primeiro semestre da série histórica reforça a força do agronegócio brasileiro no mercado internacional, com crescimento expressivo em volume e receita das exportações de carnes.

O agronegócio brasileiro voltou a registrar um marco histórico no comércio exterior. Dados compilados pela Scot Consultoria, com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o primeiro semestre de 2026 foi o melhor da história para as exportações brasileiras de carnes, tanto em volume embarcado quanto em faturamento. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou aproximadamente 4,9 milhões de toneladas de carnes (bovina, suína, de aves e miúdos), movimentando US$ 15,9 bilhões, números que consolidam a liderança do país como um dos principais fornecedores mundiais de proteína animal. Na comparação com o primeiro semestre de 2016, o desempenho impressiona. Segundo a Scot Consultoria: o volume exportado aumentou 64,3%; o faturamento disparou 173,1%; as exportações atingiram o maior nível dos últimos 11 anos. O avanço demonstra não apenas o crescimento da produção nacional, mas também o aumento da demanda internacional pela proteína brasileira, impulsionada pela competitividade do setor, expansão dos mercados compradores e valorização dos preços internacionais. Embora o aumento do volume seja expressivo, o maior destaque está na evolução da receita obtida com as exportações. Enquanto os embarques cresceram cerca de dois terços em relação a 2016, o faturamento praticamente triplicou, reflexo da maior agregação de valor às exportações, da valorização da carne bovina e do fortalecimento da presença brasileira nos principais mercados consumidores. O gráfico elaborado pela Scot mostra uma trajetória praticamente contínua de crescimento desde 2018, culminando em 2026 com quase US$ 16 bilhões em receita apenas no primeiro semestre. Outro dado destacado pela Scot Consultoria é a evolução da participação da carne bovina nas exportações brasileiras. Em 2016, a proteína bovina representava: 19,2% do volume exportado; 38,1% do faturamento total. Ao longo da última década, essa participação aumentou em valor, refletindo a elevada demanda internacional por carne bovina brasileira e o maior preço médio obtido pelo produto nos mercados externos. Mesmo com o crescimento consistente das exportações de carne de frango e suína, a carne bovina continua sendo a principal responsável pela geração de receita do setor exportador brasileiro. O desempenho recorde das exportações ajuda a explicar o cenário positivo vivido pela pecuária nacional em 2026. Com forte demanda externa, especialmente da Ásia, Oriente Médio e outros mercados estratégicos, os frigoríficos mantêm ritmo elevado de embarques, contribuindo para dar sustentação ao mercado do boi gordo e reforçando a importância do comércio internacional para toda a cadeia produtiva. Além de ampliar a entrada de divisas no país, o crescimento das exportações fortalece investimentos em produção, tecnologia, genética, sanidade e rastreabilidade, fatores cada vez mais valorizados pelos compradores internacionais. O que os números das exportações de carnes mostram. Melhor primeiro semestre da história das exportações brasileiras de carnes; 4,9 milhões de toneladas embarcadas; US$ 15,9 bilhões em faturamento; volume 64,3% maior do que em 2016; receita 173,1% superior à registrada há dez anos; dados incluem carne bovina, suína, de aves e respectivos miúdos.

SCOT CONSULTORIA/COMPRE RURAL

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos/Cepea: Cotação do vivo integrado supera valor no mercado independente

Os preços do suíno vivo no mercado integrado estão acima dos registrados no mercado independente em algumas regiões acompanhadas pelo Cepea neste mês de julho. 

O Centro de Pesquisas destaca que, tradicionalmente, o mercado spot (independente) opera com valores acima dos do integrado por conta dos maiores custos e riscos da atividade. Pesquisadores do Cepea ressaltam que este tipo de movimento atípico tem sido observado neste ano em algumas praças do Sul, sobretudo em Braço do Norte (SC), refletindo o cenário adverso que o mercado independente vem enfrentando, marcado pela alta oferta interna, somada à procura enfraquecida, que tem gerado preços baixos ao longo de todo o ano.

CEPEA

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