
Ano 11 | nº 2758 | 21 de julho de 2026
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Exportações de carne bovina batem recorde no primeiro semestre do ano, mas quota chinesa e UNIÃO EUROPEIA PODEM COMPROMETER o resultado Da segunda metade do ano
Crescimento das vendas para Ásia, Oriente Médio e África ajuda a compensar incertezas provocadas pelas cotas chinesas e pelas restrições europeias
Levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC, mostra que as exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos atingiram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 33,4% sobre igual período de 2025. Em volume, os embarques chegaram a 1,811 milhão de toneladas, alta de 7,3%. O resultado é recorde para um período de primeiro semestre, tanto em valor como em volume, mas as perspectivas são de queda nos resultados da segunda metade do ano, em função do fim da quota brasileira para exportações de carne bovina para a China (volumes extraquota serão sobretaxados em 55%), além da possibilidade de embargo à carne brasileira na União Europeia, a partir de setembro, devido a divergências no modelo de certificação de rebanhos livres do uso de antimicrobianos (requisito estabelecido pela legislação do bloco europeu). Estima-se que a quota chinesa de importações de carne bovina do Brasil, fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, tenha se esgotado com os embarques realizados no mês de junho. Com isso, a partir de julho cessaram-se os embarques destinados à China, o que deve comprometer significativamente o desempenho das exportações no segundo semestre do ano, até que a quota seja restabelecida para o início do próximo ano. As vendas de carne bovina para a China cresceram 50,3% no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,818 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 22,6%, para 774,7 mil toneladas. A participação do país asiático foi de 48,5% das receitas com as vendas externas de carnes e subprodutos bovinos. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 53% no primeiro semestre de 2026. Como o governo chinês contabilizou, para efeito de controle da quota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir do dia 1 de janeiro de 2026, mesmo que tivessem sido embarcadas nos meses finais de 2025, estima-se que o somatório dessas cargas com o volume efetivamente embarcado nos portos brasileiros de janeiro a junho de 2026 tenha preenchido o total ou muito próximo da quota de 1,106 milhão de toneladas destinadas ao Brasil para o ano de 2026. Dessa forma, considerando o resultado das exportações de carne bovina para a China no primeiro semestre e o fato de que, pelos cálculos chineses, a quota brasileira para este ano já se encontra preenchida, o Brasil deverá reduzir em cerca de US$ 4 bilhões suas vendas para o país asiático em 2026, em relação ao ano anterior, cujas vendas alcançaram US$ 8,845 bilhões. A queda nas vendas para a China em 2026, contudo, poderá ser atenuada em razão da possível retomada dos embarques nos 2 últimos meses do ano, com as cargas chegando aos portos chineses em janeiro de 2027, dentro, portanto, da quota do próximo ano. Outro fator que deve mitigar os efeitos da redução das exportações causadas pela quota da China é o crescimento das vendas para outros mercados, entre eles os Estados Unidos. O segundo maior importador da carne bovina brasileira aumentou suas compras em 14,76% no primeiro semestre de 2026, para US$ 1,465 bilhão. Considerando apenas a carne bovina in natura, os Estados Unidos foram responsáveis por aquisições de US$ 1,116 bilhão (aumento de 41%), com embarques de 183,6 mil toneladas (+17,3%). O país norte-americano segue com expectativas de crescimento favoráveis para o segundo semestre do ano, especialmente pelo fato de que a carne bovina permaneceu fora das novas tarifas aplicadas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. Vale lembrar que as vendas de carne bovina para os EUA foram prejudicadas pelo tarifaço que vigorou de agosto a novembro do ano passado e que o país ainda enfrenta problemas no abastecimento interno, com baixa produção e preços elevados para seus consumidores, o que favorece o crescimento nas exportações para aquele mercado ao longo do ano. O Chile, terceiro maior importador de carne bovina in natura do Brasil, ampliou suas compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões, enquanto o volume embarcado subiu 20%, para 70,3 mil toneladas no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período do ano anterior. A União Europeia aumentou suas compras de carne e subprodutos bovinos do Brasil em 35,26%, de janeiro a junho de 2026, para US$ 482,65 milhões. O bloco europeu, contudo, poderá suspender suas compras de carne bovina do Brasil a partir do mês de setembro próximo, quando entram em vigor normas europeias que exigem comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos no rebanho bovino. O Brasil ainda negocia com as autoridades sanitárias europeias um modelo de certificação que possa evitar a suspensão das vendas, mas, até o momento, pelas informações disponíveis, ainda não houve resultados concretos. Outros mercados também vêm apresentando taxas de crescimento que podem atenuar os efeitos China e União Europeia nas exportações do segundo semestre do ano. A Rússia aumentou suas compras para 62 mil toneladas (+34,5%), com receita de US$ 283,8 milhões (+48,6%). Hong Kong ampliou suas compras em 33,8%, para US$ 227,15 milhões, enquanto Arábia Saudita aumentou suas compras em 31,7%, para US$ 192 milhões, e as vendas para o Egito cresceram 32,2%, para US$ 179,8 milhões. Já o México reduziu suas compras em 8,13% no primeiro semestre do ano, para US$ 253,8 milhões. Segundo a ABRAFRIGO, essa diversificação ganha importância em um momento de incertezas no mercado internacional. No Total, 118 países aumentaram as aquisições da carne bovina brasileira, enquanto outros 55 reduziram.
PUBLICADO EM: REUTERS/O GLOBO/G1/ UOL ECONOMIA/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/PORTAL DO AGRONEGÓCIO/AGROFY NEWS BRASIL/BOCA.COM.BR/TRADING VIEW/REVISTA OESTE/
NOTÍCIAS
São Paulo: cotação do boi gordo e da novilha reage
O mercado abriu a semana com alta nos preços do boi gordo e da novilha.
A ponta vendedora esteve resistente a preços abaixo da referência. Com isso, a ponta compradora abriu a semana ofertando R$3,00/@ a mais para o boi gordo e para a novilha. Para a vaca, a cotação não mudou. Houve relatos pontuais de negócios em R$340,00/@ para o boi gordo, mas eles ainda não representaram a referência de mercado. As escalas de abate atendem, em média, a seis dias. No Rio Grande do Sul, a cotação não mudou em nenhuma das regiões monitoradas. No Acre, a cotação ficou estável para todas as categorias. No mercado atacadista da carne com osso, o escoamento da carne aparentou ter sido bom na primeira quinzena, resultando em pedidos de reposição de estoques pelo varejo no começo da segunda metade do mês, comportamento sazonalmente pouco costumeiro. A oferta, principalmente de carcaças de fêmeas, esteve menor. Com maior demanda e uma oferta menor, a cotação das carcaças subiu. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 0,9%, ou R$0,20/kg, e foi negociada em R$22,40/kg. A do boi inteiro subiu 2,8%, ou R$0,60/kg, e foi apregoada em R$21,90/kg. A cotação da carcaça casada da vaca subiu 2,4%, ou R$0,50/kg, e foi cotada em R$21,00/kg. A da novilha subiu 2,9%, ou R$0,60/kg, e foi comercializada em R$21,45/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 0,5%, ou R$0,03/kg, e foi apregoada em R$6,40/kg. A cotação do suíno especial caiu 3,4%, ou R$0,30/kg, e foi negociada em R$8,50/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi cresceu na semana, mas movimento vai se sustentar?
Último trimestre do ano tende a aquecer os preços com a indústria se preparando para atender a cota chinesa de 2027
O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana. Os frigoríficos estão mais atuantes na compra de gado para tentar ampliar suas escalas de abate. Para o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, resta saber se a maior procura por gado conseguirá fazer com que a indústria trabalhe com um alongamento da programação. “Isso porque as exportações destinadas à China perderam força, dado o esgotamento precoce da cota de embarques de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil neste ano”, contextualiza. O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que a tendência é que os preços da arroba se elevem de forma mais significativa a partir de setembro, com a indústria nacional se preparando para atender a cota chinesa em 2027. “O atual momento de retomada parcial de preços dos últimos dias está mais associado a um movimento de oferta equilibrada e preparativos para atender à virada de quinzena no mercado doméstico na primeira quinzena de agosto”, destaca. De acordo com ele, outros mercados têm participado mais ativamente de negociações com o Brasil para ampliar a compra de carne. “Não conseguem absorver o que China compra, mas devem ajudar a equilibrar um pouco mais a conta. O próprio mercado estadunidense deu um sinal favorável ao Brasil ao não aplicar tarifas adicionais à proteína brasileira, diferente do que aconteceu no ano passado”, relata. Fabbri diz que o cenário aponta para a arroba do boi chegando próximo de R$ 370 no último trimestre, algo que o mercado futuro já aponta, com o contrato de janeiro de 2027 fechado em R$ 369,50 na sexta-feira (17). Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 16 de julho: São Paulo (Capital): R$ 330, valor estável frente à última semana. Goiás (Goiânia): R$ 320, avanço de 1,59% frente aos R$ 315 do final da semana anterior. Minas Gerais (Uberaba): R$ 310, inalterado perante a semana anterior. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 325, aumento de 1,56% frente aos R$ 320 registrados anteriormente. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada. Rondônia (Vilhena): R$ 310, declínio de 1,59% em relação aos R$ 315 anteriores. O mercado atacadista se deparou com preços mistos durante a semana passada. Iglesias, de Safras & Mercado, ressaltou que o ambiente de negócios aponta para uma menor sustentação das cotações no restante de julho à medida que o impacto da entrada dos salários na economia perde intensidade. “Ao mesmo tempo, a carne bovina vem reduzindo sua competitividade frente às proteínas concorrentes, que voltam a demonstrar sinais de fragilidade, com destaque para a carne de frango”, assinalou. Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo, queda de 5,00% frente aos R$ 20,00 praticados na semana passada. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo, avanço de 1,96% frente aos R$ 25,50 da semana anterior.
SAFRAS NEWS
Boi/Cepea: Queda de braço entre indústria e pecuaristas trava preços da arroba
Oferta restrita de animais sustenta preços, enquanto frigoríficos pressionam por recuos diante da demanda enfraquecida por carne
O mercado do boi gordo continua travado por causa de uma queda de braço entre frigoríficos e produtores, conforme análise do Cepea. Diante disso, o mercado físico encerrou a última semana com baixa liquidez, mas com avanço nos preços na maior parte das praças pesquisadas. Enquanto a indústria tenta reduzir os preços diante das vendas enfraquecidas de carne bovina, os pecuaristas seguram a oferta de animais na expectativa de negociações mais favoráveis, cenário sustentado pela disponibilidade restrita de boiadas prontas para o abate. O Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ fechou a sexta-feira cotado a R$ 333,50 por arroba, acumulando alta de 2,1% na semana. No comparativo diário, o indicador avançou 0,71%, mas ainda registra queda de 0,86% no acumulado do mês, conforme os dados do Cepea. No mercado atacadista da Grande São Paulo, a carcaça casada do boi terminou a semana com média de R$ 23,41 por quilo à vista, recuo de 1,1% em relação à semana anterior, refletindo a demanda mais fraca pela carne bovina. As escalas de abate permaneceram, em sua maioria, programadas até o fim do mês, embora alguns frigoríficos já tenham iniciado compras para esta semana. Segundo o Cepea, elas variaram entre quatro e dez dias, dependendo da região e da indústria.
CEPEA
Exportação de carne bovina do Brasil caminha para primeira queda mensal em 18 meses
As exportações brasileiras de carne bovina in natura caminham para registrar em julho a primeira queda mensal na comparação anual desde janeiro de 2025, após um primeiro semestre recorde impulsionado pela forte demanda da China, de acordo com dados do governo e avaliações do setor.
A possível queda mensal na exportação do Brasil, o maior produtor e exportador global, tem relação com restrições tarifárias impostas pela própria China, maior importador do produto brasileiro. No primeiro semestre, frigoríficos correram para completar uma cota chinesa de cerca de 1,1 milhão de toneladas, colaborando para o país registrar um recorde. Na segunda parte do ano, no entanto, os negócios extracota ficam praticamente inviabilizados, já que para esses há uma tarifa de 55%. Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados na segunda-feira e compilados até a terceira semana de julho, mostram embarques médios diários de 10.799,2 toneladas de carne bovina no acumulado do mês, abaixo das 12.038,2 toneladas por dia registradas em julho de 2025, uma redução de 10,3%. Mantido o ritmo atual nos 23 dias úteis previstos para o mês, as exportações de julho poderiam alcançar cerca de 248 mil toneladas, contra 276,9 mil toneladas no mesmo mês do ano passado. Diante da barreira para exportar à China, as empresas de carne bovina do Brasil têm reduzido a produção e dado férias coletivas aos funcionários. A perda de ritmo ocorre após o Brasil encerrar o primeiro semestre com recordes de receita e volume exportado, disse a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), na segunda-feira. As exportações de carnes e subprodutos bovinos somaram US$9,929 bilhões entre janeiro e junho, alta de 33,4% ante o mesmo período de 2025, enquanto os embarques atingiram 1,811 milhão de toneladas, avanço de 7,3%. A Abrafrigo reiterou que as vendas de carne bovina para o país asiático cresceram 50,3% em valor no primeiro semestre, para US$4,818 bilhões, enquanto o volume embarcado avançou 22,6%, para 774,7 mil toneladas. A China respondeu por 48,5% da receita obtida com as exportações brasileiras de carnes e subprodutos bovinos no período. Mas a própria entidade avalia que o forte crescimento das vendas para o mercado chinês dificilmente será mantido no segundo semestre. A Abrafrigo afirma que a cota de importação chinesa destinada ao Brasil para 2026, estimada em 1,106 milhão de toneladas, foi praticamente preenchida com os embarques realizados até junho. Com isso, os embarques destinados à China tendem a desacelerar a partir de julho, até que uma nova cota seja disponibilizada. A associação estima que a redução das compras chinesas poderá retirar cerca de US$4 bilhões das exportações brasileiras ao país asiático em 2026, embora parte desse impacto possa ser compensada por embarques realizados no fim do ano e desembarcados nos portos chineses apenas em 2027. Além da questão chinesa, a Abrafrigo apontou preocupações envolvendo a União Europeia, diante da ameaça de suspensão de exportações a partir de setembro. A entidade destacou incertezas relacionadas às exigências sanitárias europeias sobre comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos, o que pode limitar as compras do bloco nos próximos meses caso não haja um acordo sobre os mecanismos de certificação. Por outro lado, a entidade observou que mercados como Estados Unidos, Chile, Rússia, Hong Kong e Arábia Saudita ampliaram as compras de carne bovina brasileira no primeiro semestre, ajudando a reduzir a dependência da China.
REUTERS
Custo menor da alimentação sustenta margens do confinamento no 3º trimestre
Análise do Icap indica alívio com safrinha de milho e safra de cana, mesmo com arroba mais acomodada e reposição em alta.
O confinamento bovino deve manter margens elevadas no terceiro trimestre de 2026, segundo análise trimestral do Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap). A avaliação considera a redução esperada nos custos de alimentação com o avanço da colheita da safrinha de milho e da safra de cana-de-açúcar, fatores que ganham peso na composição da rentabilidade da atividade. De acordo com o estudo, a colheita da safrinha tende a ampliar o alívio nos custos dos ingredientes energéticos, principalmente no Centro-Oeste. No Sudeste, a safra canavieira deve elevar a participação do bagaço de cana nas dietas dos bovinos, aumentando a competitividade regional. O relatório aponta, por outro lado, que a acomodação da cotação da arroba em junho e a alta do custo da reposição serão os principais pontos de atenção no trimestre. O dólar valorizado segue favorecendo as exportações brasileiras de carne bovina, mas também pode estimular os embarques de milho e reduzir a oferta doméstica do cereal. Os pesquisadores avaliam que o segundo trimestre marcou uma mudança na dinâmica econômica do confinamento. A participação da alimentação no custo da arroba produzida caiu de 89,1% para 51,4% no Centro-Oeste e de 76,4% para 51,3% no Sudeste entre junho de 2024 e junho de 2026. Segundo o Icap, a rentabilidade passou a depender mais da eficiência produtiva e da gestão dos custos alimentares. No segundo trimestre, o Icap médio ficou em R$ 13,03 por cabeça ao dia no Centro-Oeste, 12,8% abaixo do mesmo período de 2025. No Sudeste, a média foi de R$ 11,96 por cabeça ao dia, o menor nível trimestral da série histórica da região desde o quarto trimestre de 2024. Mesmo com a valorização do boi magro e a acomodação da arroba, a lucratividade permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões. No Centro-Oeste, o lucro por cabeça da arroba produzida ficou em R$ 1.046,32 no trimestre, recuo de 4,0% ante os três primeiros meses do ano. No Sudeste, o indicador avançou 1,9%, para R$ 1.112,05 por cabeça. Entre abril e junho, o custo da dieta de terminação caiu 4,03% no Centro-Oeste e encerrou junho 0,91% abaixo de abril no Sudeste. A análise também mostra que a arroba do boi gordo perdeu força ao longo do segundo trimestre sem comprometer a rentabilidade do confinamento. No Centro-Oeste, a cotação recuou de R$ 346 em abril para R$ 323,50 em junho. No Sudeste, caiu de R$ 351 para R$ 331,50, com margens superiores a R$ 1 mil por cabeça ao longo de todo o período.
ESTADÃO CONTEÚDO
INTERNACIONAL
Reino Unido decide retomar as importações de carne bovina do Brasil a partir de setembro/26
Compras garantidas: Governo britânico realizará sua própria avaliação do sistema de controle antimicrobiano do Brasil, independentemente da decisão da União Europeia
Uma boa notícia para o setor pecuário brasileiro: o Reino Unido decidiu retomar as importações de carne do Brasil a partir de 3 de setembro, divergindo da União Europeia, que deverá suspender as importações a partir do nono mês do ano devido a preocupações de que os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos na produção animal não atendam aos padrões do bloco. Segundo apuração do Valor Internacional, a Associação Internacional do Comércio de Carnes (IMTA) disse que, após uma reunião na sexta-feira (17) com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra), foi informada de que o governo britânico realizará sua própria avaliação do sistema de controle antimicrobiano do Brasil, independentemente da UE. A IMT – que representa importadores e exportadores britânicos de carne – revelou que o governo do Reino Unido concluirá sua avaliação do novo sistema de controle antimicrobiano do Brasil (anunciado em 1º de julho) até dezembro/26. Caso as autoridades britânicas concluam que o Brasil não forneceu as garantias necessárias, as importações serão proibidas a partir de fevereiro de 2027, diz o texto do Valor. De acordo com a reportagem, a partir de 2027, espera-se que o Reino Unido alinhe suas normas de controle antimicrobiano com as da UE. De acordo com essas normas, os importadores britânicos só poderão comprar carne de países incluídos na lista da UE de nações que cumprem os requisitos antimicrobianos. O Valor Internacional lembra que, embora o Reino Unido importe volumes relativamente pequenos de carne bovina brasileira em comparação com a China e os Estados Unidos, trata-se de um mercado de alto valor. No primeiro semestre deste ano, o preço médio pago pelos compradores britânicos subiu 24,2% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 7.025 por tonelada. No ano passado, o Brasil exportou 29.980 toneladas de carne bovina para o Reino Unido. No primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram 12.470 toneladas, uma queda de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
VALOR INTERNACIONAL
ECONOMIA
Dólar fecha em baixa com investidores atentos ao exterior
O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante parte das divisas de países emergentes no exterior, em um dia de variações modestas nas cotações.
Os investidores globais seguiram monitorando o noticiário sobre o Oriente Médio, após Irã e Estados Unidos intensificarem seus ataques. O dólar à vista encerrou o dia no Brasil com queda de 0,42%, aos R$5,0896. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 7,28%. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,49% na B3, aos R$5,1050. Em um dia de agenda de indicadores esvaziada no Brasil, os agentes se voltaram para o exterior, onde EUA e Irã intensificaram seus ataques. A Guarda Revolucionária do Irã disse mais cedo ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas. O petróleo Brent, que chegou a superar os US$90 o barril mais cedo, mostrou maior acomodação durante a manhã, chegando a ceder em alguns momentos, para à tarde voltar a subir, com o presidente dos EUA, Donald Trump, prometendo vingança contra o Irã pela morte de soldados norte-americanos. Neste cenário, o dólar sustentou perdas ante parte das divisas de países emergentes até o fim do dia, como o real e o peso mexicano, mas avançou ante outras moedas, em uma sessão de dúvidas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio. Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o fim do próximo ano em R$5,28. Já a taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 permaneceu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base ainda este ano. Para o encerramento de 2027 a Selic esperada seguiu em 12,00%.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com menor liquidez e foco no Oriente Médio
O Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda, após uma sessão de volume de negócios reduzido e maior cautela nos mercados globais, em meio a uma nova escalada na guerra entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,2%, a 173.371,35 pontos, após marcar 173.221,86 na mínima e 174.310,57 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somou R$15,9 bilhões, ante média diária no ano de R$33,7 bilhões. A Guarda Revolucionária do Irã disse, na segunda-feira, ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas, como parte de um ciclo de ataques que praticamente destruiu um acordo de cessar-fogo provisório. Mais tarde, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã “pagará” pela morte de soldados que ocorreram no fim de semana. Os acontecimentos pressionaram os preços do petróleo, que chegou a subir brevemente para mais de US$90 nas máximas, após novas interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Os futuros do Brent fecharam com alta de cerca de 1,3%, a US$89,22 por barril, após atingirem US$91,42 — seu maior nível desde 11 de junho. Os ganhos da commodity impulsionaram as ações ligadas ao setor na bolsa brasileira, impedindo o índice de firmar-se no campo negativo na maior parte do pregão, o que foi revertido no fechamento. “Os investidores estarão atentos aos níveis técnicos de suporte e resistência, além de qualquer sinalização que possa alterar as expectativas para os juros e o crescimento econômico”, disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
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Projeção para inflação este ano no Focus cai a 5,15%
Analistas fizeram poucos ajustes em suas projeções na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, mantendo a tendência de baixa para a inflação neste ano.
A expectativa para a alta do IPCA em 2026 no levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, caiu a 5,15%, de 5,16%, terceira semana seguida de redução. Para 2027 a projeção foi mantida em 4,20%, mas para 2028 subiu a 3,78%, de 3,70% na semana anterior. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa segue sendo de crescimento de 1,99% este ano e de 1,65% no próximo. A pesquisa semanal com uma centena de economistas também mostrou manutenção do cenário para a política monetária, com a Selic calculada em 14,00% ao final de 2026 e em 12,00% em 2027. Com a Selic atualmente em 14,25%, os especialistas seguem vendo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do BC.
REUTERS
Exportações do Brasil para o Golfo crescem 1,25% em junho e sinalizam retomada
As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), integrado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, avançam 1,25% em junho sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 758,14 milhões, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Na avaliação da entidade, o avanço sinaliza uma possível reversão das perdas derivadas do conflito militar na região, que desde fevereiro limita o acesso de embarcações aos portos do Golfo pelo Estreito de Ormuz, afetando o comércio de produtos brasileiros, principalmente os do agronegócio e minerais. Apesar do avanço de junho, no primeiro semestre, as vendas para o CCG acumulam queda de 4,01% sobre o mesmo período do ano passado, totalizando de US$ 4,17 bilhões. Para Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, ainda é cedo para saber se a alta de junho vai persistir e viabilizar a recuperação dessas perdas. O dirigente, no entanto, faz um prognóstico favorável ao Brasil para os próximos meses. “O Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. O setor exportador encontrou rotas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, usando portos do Mar Vermelho, junto com modais rodoviário e aéreo. Os custos desse rearranjo estão sendo absorvidos por exportadores, importadores e consumidores finais. E a demanda ainda é similar à de tempos de paz”, diz Mourad. O secretário-geral lembra ainda que, no segundo semestre, as vendas costumam adquirir tração com a formação de estoques de alimentos para o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. Em 2027, o feriado religioso flutuante começa em fevereiro e deve gerar um aumento nos embarques nos meses de setembro, outubro e novembro, historicamente visível nas estatísticas. Além disso, Mourad pontua que as vendas brasileiras para os 22 países da Liga Árabe, incluindo os do CCG, acumulam alta de 3,73% no primeiro semestre, para US$ 9,56 bilhões. Segundo o dirigente, as receitas brasileiras junto aos principais parceiros na região subiram, inclusive, em países diretamente afetados pelo bloqueio de Ormuz. As vendas para os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, subiram 6,01% no semestre, para US$ 1,72 bilhão. Para a Arábia Saudita, a alta foi de 11%, para US$ 1,51 bilhão. Subiram também em outros grandes mercados, como o Egito, onde a alta foi de 31,73%, para US$ 1,68 bilhão, e a Argélia, que comprou 12,49% mais do Brasil, US$ 1,32 bilhão. As exportações do agronegócio, que respondem por três quartos das vendas do Brasil para a Liga Árabe, também avançaram 5% no semestre, para US$ 7,03 bilhões. Entre os países do Golfo, o setor registrou queda de 1,06% no período, mas o resultado, avalia Mourad, ainda foi expressivo: US$ 2,58 bilhões. A pauta do agro foi liderada pelo açúcar, que recuou no semestre 7,45%, para US$ 1,79 bilhão. Depois vem a carne de frango, com queda de 9,99%, para US$ 1,57 bilhão; milho, com alta de 49,51%, para US$ 794,90 milhões; carne bovina, que avançou 7,33%, para US$ 792,27 milhões; e a soja, com elevação de 14,19%, para US$ 758,49 milhões. “O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, prevê.
CÂMARA DE COMÉRCIO ÁRABE-BRASILEIRA
Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 526 milhões na 3ª semana de julho
O valor é resultado de US$ 6,11 bilhões em exportações e US$ 5,58 bilhões em importações no período
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho — recuo de 65,4% em relação ao mesmo período de 2025 —, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic), na segunda-feira (20). O valor é resultado de US$ 6,11 bilhões em exportações (queda de 12,5%) e US$ 5,58 bilhões em importações (alta de 2,3%) no período. No acumulado de julho, o saldo positivo da balança soma US$ 4,95 bilhões e, no ano, totaliza US$ 47,31 bilhões. As exportações de julho, até a terceira semana, foram puxadas pela indústria extrativa (17,2%), agropecuária (6,5%) e indústria de transformação (1,4%). Já o desempenho das importações foi puxado pelos desembarques da indústria extrativa (37,7%) e de transformação (0,4%). A agropecuária (-16,3%), em contrapartida, diminuiu as compras externas no período.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Mercado da carne suína não apresenta novidades e segue truncado
A semana registrou maioria de preços estáveis no quilo vivo e queda nos principais cortes de carne suína do atacado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o ambiente de negócios envolvendo o vivo não apresentou novidades, truncado, com frigoríficos adotando postura reticente nas compras e avaliando que a oferta de animais presente no mercado é confortável frente as necessidades de momento.
Outro ponto que pesa, conforme Maia, é o quadro difícil dos cortes do atacado, com preços patinando e sinalização de excedente de oferta. “A demanda na ponta final também tende a ser mais lenta no decorrer da segunda quinzena, considerando o processo de descapitalização das famílias”, disse. Maia ressalta que os suinocultores estão preocupados com a situação do mercado, sem sinais que indiquem recuperação consistente do vivo, ou seja, as margens da atividade devem seguir deterioradas. “A exportação vem sendo a variável positiva do setor, com bons resultados, mas sendo incapaz de gerar equilíbrio no mercado interno”, concluiu. Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país continuou em R$ 5,25 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado foi de R$ 8,82 para R$ 8,63 e a média do pernil de R$ 10,59 para R$ 10,23. A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 102,00 para R$ 101,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo seguiu em R$ 5,15 e no interior do estado em R$ 5,15. Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração teve estabilidade R$ 5,05 e no interior catarinense de R$ 5,10. No Paraná, o preço do quilo vivo teve queda de R$ 5,00 para R$ 4,95 no mercado livre e, na integração, permaneceu em R$ 5,50. No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande continuou em R$ 5,10 e, na integração, em R$ 5,05. Em Goiânia, os preços permaneceram em R$ 5,50. No interior de Minas Gerais, os preços seguiram em R$ 5,90 e, no mercado independente, em R$ 6,10. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis seguiu em R$ 5,50 e, na integração do estado, em R$ 5,05. As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 125,899 milhões em julho (8 dias úteis), com média diária de US$ 15,737 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 50,650 mil toneladas, com média diária de 6,331 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.485,7 por tonelada. Em relação a julho de 2025, houve alta de 21,8% no valor médio diário, ganho de 29% na quantidade média diária e recuo de 5,6% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
SAFRAS NEWS
Produção de frango avança na China, e BTG Pactual vê riscos ao Brasil
Exportações do gigante asiático cresceram 41% em 2025, para quase 1,1 milhão de toneladas. Chineses ampliaram exportações de cortes com menor demanda doméstica, como o peito de frango
Tradicionalmente visto como um dos maiores importadores globais de alimentos, a China está se tornando também um grande exportador de carne de frango, segundo relatório do banco BTG Pactual divulgado nesta sexta-feira (17/7). O documento afirma, citando dados do USDA (o departamento de agricultura dos Estados Unidos), que as exportações cresceram 41% em 2025, para quase 1,1 milhão de toneladas. A projeção para 2026 é de 1,4 milhão de toneladas, o que faria da China o terceiro maior exportador mundial, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos. A estimativa do BTG Pactual é de que a participação chinesa nas exportações globais chegue a 9,5% neste ano. Em 2024, esse percentual foi de 6%. A China já é o segundo maior produtor mundial de frango, conforme o relatório, com crescimento previsto de 5% em 2026, totalizando 17,3 milhões de toneladas. Segundo o banco, o aumento da oferta exportável tende a elevar a concorrência internacional e pressionar os preços globais da carne de frango. No que se refere à competitividade, o BTG Pactual aponta que há pouca transparência sobre os custos de produção chineses. A China continua importando produtos muito consumidos internamente, como pés de frango, ao mesmo tempo em que aumenta as exportações de cortes com menor demanda doméstica, como o peito de frango (principal corte exportado pelo Brasil nos últimos 12 meses). O relatório aponta ainda que grandes compradores do frango brasileiro, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estão geograficamente mais próximos da China. “Se o país continuar expandindo sua produção e conquistando acesso a novos mercados, poderá se tornar um importante risco estrutural para os preços obtidos pelos exportadores brasileiros de carne de frango”, conclui o relatório.
VALOR ECONÔMICO
Rio Grande do Sul registra caso de gripe aviária em aves de subsistência
Serviço Veterinário Oficial do Estado realizará visitas em propriedades e granjas no raio de dez quilômetros do foco. Laudo foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas na sexta-feira
O Rio Grande do Sul registrou um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), conhecida como gripe aviária, em aves de subsistência em Coqueiros do Sul, na região noroeste. Segundo nota publicada pela Secretaria da Agricultura do Estado, o laudo foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP) na sexta-feira (17/7). “A infecção pelo vírus em aves de subsistência, que são aves de fundo de quintal, não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de IAAP, não impactando o comércio de produtos avícolas”, diz o comunicado. A secretaria ainda informa que o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) realizará visitas em propriedades e granjas no raio de dez quilômetros do foco, além de ações de educação sanitária e conscientização.
GLOBO RURAL
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