CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2753 DE 14 DE JULHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2753 | 14 de julho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: estabilidade em São Paulo

Mercado iniciou a semana com poucos negócios e frigoríficos sem urgência para comprar. A semana começou sem mudanças. Parte da indústria frigorífica esteve fora das compras e aquelas que estavam ativas, ofereciam as mesmas referências de preços do fechamento da semana passada.

Poucos negócios foram fechados ao longo da manhã. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. Em Alagoas, na comparação com o fechamento da semana anterior, estabilidade para todas as categorias. A conjuntura era de mercado equilibrado. No mercado atacadista da carne com osso, a cotação das carcaças caiu na comparação feita semana a semana. Apesar do reabastecimento dos estoques para a segunda quinzena do mês, o mercado esteve devagar e as compras foram comedidas para evitar a formação de estoques elevados, o que manteve as cotações pressionadas. O varejo também esteve lento e com pouco escoamento. A expectativa era de estabilidade a queda com a virada da primeira quinzena, tanto no atacado como no varejo. A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 3,5%, ou R$0,80/kg. A do boi inteiro caiu de 4,3%, ou R$0,95/kg. A cotação da carcaça casada da vaca caiu 5,1%, ou R$1,10/kg. A da novilha caiu 5,2%, ou R$1,15/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 3,7%, ou R$0,23/kg. Já a do suíno especial permaneceu estável.

SCOT CONSULTORIA

Demanda fraca e fim da cota chinesa pressionam boi e carne

Para analistas, com China fora do mercado, arroba pode cair ao menor nível do ano. Gado bovino; boa oferta também amplia pressão de baixa sobre arroba e carne, dizem analistas

Após recuar dois meses seguidos, o preço do boi gordo tende a cair ainda mais em julho, podendo atingir os menores níveis do ano, segundo analistas ouvidos pelo Valor. Com isso, as cotações de cortes bovinos no atacado também devem perder força, movimento que já se inicia de forma sutil. Desde o começo do mês, a arroba do boi gordo teve queda de quase 3%, segundo o indicador Cepea, e ficou em R$ 326,65 na sexta-feira. O quilo dos cortes de traseiro caiu 1% no período e os de dianteiro, 1,2%. A retração dos preços da arroba e dos cortes vista até agora é resultado da boa oferta de animais para abate e da demanda menos aquecida, de frigoríficos e consumidores. A perspectiva de saída da China, maior importador da carne bovina brasileira, do mercado, ao menos até outubro, também contribuiu para a queda. Isso porque a cota anual de exportação estabelecida para o Brasil, de 1,106 milhão de toneladas, já foi virtualmente preenchida. Dentro da cota, o tributo é de 12%, mas exportações acima do volume pagam adicional de 55%. Em relatório publicado no sábado (4/7), a consultoria Safras & Mercados informou que as exportações brasileiras de carne bovina à China em junho, de 158,3 mil toneladas, representam o “esgotamento oficial” da cota brasileira. Até maio, conforme os dados oficiais da China, o Brasil havia preenchido 65,4% da cota. Para contabilizá-la, os chineses consideram a data de chegada dos produtos aos portos do país, e incluem cargas que saíram do Brasil nos últimos meses de 2025 e demoraram cerca de 40 dias para chegar à China. Com o preenchimento da cota chinesa e a migração para o mercado doméstico de parte da carne que seria exportada, a tendência é de as quedas se acentuarem, tanto da arroba quanto dos cortes. Levantamento da Safras & Mercados também identificou queda dos preços da carne no atacado paulista, maior mercado consumidor do país. Só na sexta-feira (10), o corte dianteiro caiu R$ 1 por quilo, para R$ 19. “A China vai fazer falta, são cerca de 130 mil toneladas mensais, e não conseguimos colocar todo esse volume em outros compradores de uma só vez. Mas, como os demais mercados continuam comprando bem, especialmente os Estados Unidos, veremos quedas cadenciadas”, observa a CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel. Diante da menor demanda chinesa, vários frigoríficos brasileiros, incluindo JBS, Frigol, Better Beef, Plena Alimentos e Iguatemi Beef, começaram a dar férias coletivas a funcionários de algumas de suas plantas, para administrar a oferta de carne no mercado. Esse movimento das empresas tende a pressionar o valor da arroba, alterando uma dinâmica de mercado, já que tradicionalmente os abates de bois aumentariam em junho e julho. Sem China, porém, o quadro é outro. A coordenadora de mercado pecuário da Agrifatto, Isabella Cavalcante, avalia que os preços do boi gordo podem atingir em julho os níveis mais baixos do ano. “Dada essa combinação de uma maior oferta sazonal com a questão da China, possivelmente em julho veremos os níveis de preços mais baixos do ano para boi gordo”, prevê. Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, diz que entre o fim de julho e começo de agosto, a partir de quando a exportação “levará um tombo”, começará a surgir no mercado interno um volume adicional, de cargas que deixarão de ser exportadas para a China. Segundo ele, isso deve se somar ao aumento da oferta de boi gordo proveniente de confinamentos, que tradicionalmente cresce no segundo semestre. No varejo, com a continuidade das quedas do boi gordo e da carne no atacado, alguns analistas acreditam na possibilidade de redução também dos preços ao consumidor no período em que a China estiver fora das compras. “Quando o boi cai, a carne no atacado também cai e vice-versa. No varejo é outra história. Acho que não vai ser pequena a queda [dos preços do boi], mas no varejo deve cair menos porque eles vão preservar margens. Se baixar de preço, ajuda o consumo a avançar, já que o frango está muito barato e a carne bovina está perdendo espaço”, afirma Alves, do Itaú BBA. “Historicamente, quedas agressivas da arroba [do boi] e [da carne] no atacado muitas vezes não chegam ao varejo”, concorda Fernando Iglesias, da Safras & Mercados. Para ele, a demanda fraca também decorre do atual nível de preços da carne e do endividamento das famílias. Há ainda a concorrência com outras carnes, como de frango e suína. Segundo Isabella Cavalcante, a competitividade do frango em relação à carne bovina “está em um patamar historicamente muito alto”. Isso fragiliza o consumo do produto, acrescenta. Na avaliação de Iglesias, o cenário no mercado de carne bovina deve mudar no último trimestre em relação ao que se vê atualmente. Isso porque deve haver menor incentivo ao confinamento de gado nos últimos três meses do ano, o que deve levar ao aumento dos preços da arroba do boi gordo. Além disso, haverá uma retomada da demanda chinesa, pois os importadores já começarão a fazer compras que serão contabilizadas na cota de 2027, diz. O último trimestre também costuma ser o auge do consumo doméstico. “De qualquer forma, acredito que teremos um mercado muito demandado, com quadro de oferta bastante restrito”, resume Iglesias.

GLOBO RURAL

Para atender UE, governo estuda vetar o uso de antimicrobianos na pecuária

Defensores da proposta avaliam que gesto pode abrir espaço para negociar com europeus um período de transição para adoção de mecanismos de controle. Governo federal é pressionado a proibir o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira

Pressionado pela indústria frigorífica, o governo federal estuda a possibilidade de proibir o uso de antimicrobianos na cadeia pecuária brasileira. A medida é vista em Brasília como uma sinalização importante na negociação com a União Europeia para tentar recolocar o Brasil na lista de países aptos a exportar carnes ao bloco. O tema entrou de vez na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, o dono da JBS, Joesley Batista, pediu pessoalmente a Lula a proibição do uso dos produtos no Brasil, como revelou o Valor. Na semana passada, o presidente tratou do assunto com ministros e assessores no Palácio da Alvorada, apurou a reportagem. A expectativa dos defensores da proposta é que o gesto brasileiro possa abrir espaço para negociar com os europeus a adoção de um período de transição que dê mais tempo para o país implementar mecanismos de controle eficazes e capazes de atender às exigências da UE sobre não uso dos antimicrobianos no ciclo completo de vida dos animais, sobretudo na cadeia bovina, disseram fontes. Ainda não há definição sobre a proibição. Além dos efeitos na balança comercial, o Executivo também avalia eventuais impactos que o bloqueio nas exportações de carnes aos europeus poderia gerar nos preços no Brasil. Isso porque pecuaristas falam em aumento de custos de produção caso não possam utilizar as substâncias. Em maio, a UE anunciou a retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco, a partir de 3 de setembro, por falta de comprovação do não uso dos antimicrobianos nas cargas. O governo alegou “surpresa” com a decisão, mas conhecia as exigências desde 2023. As substâncias são usadas em medicamentos veterinários e melhoradores de desempenho alimentar. Em junho, Lula articulou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a criação de mecanismo bilateral para tratar do tema. O Ministério da Agricultura liderou tratativas com as autoridades europeias desde então, sem avanços. No início do mês, a Pasta adotou novos procedimentos na fiscalização para atender as exigências da UE, com o controle do ciclo completo de vida dos animais e a comprovação de não uso dos antimicrobianos. O mecanismo funciona para alguns segmentos, como o frango, devido ao ciclo curto de vida, de 40 dias, e às características da cadeia, que integra criadores e indústria. A preocupação está na carne bovina. O acompanhamento do ciclo completo de vida de um bovino demandaria ao menos dois anos entre nascimento e abate e a certificação da movimentação do animal, que passa por até três fazendas até ser enviado ao frigorífico. O Ministério queria que a UE aceitasse, até 2029, a comprovação de não uso dos antimicrobianos apenas nos últimos nove meses de vida do gado, o que é possível atestar em animais confinados, por exemplo. O pedido por um prazo de transição já foi negado pelos europeus uma vez. A aposta agora é que pode haver um novo espaço para negociar caso o Brasil dê uma sinalização de compromisso de não uso dos antimicrobianos no futuro com a proibição dos produtos de forma geral. Em maio e abril, algumas substâncias já foram vetadas. Na última sexta-feira, o ministro da Agricultura, André de Paula, e o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, relataram a Lula as tratativas com os setores envolvidos, mas não houve definição sobre proibir o uso dos insumos. A intenção da gestão petista é que as conversas com os europeus avancem ainda em julho. Essa corrida contra o tempo se dá porque, como agosto é período de férias na Europa, a avaliação é que a desaceleração do ritmo de trabalho pode prejudicar as conversas no mês que vem. Uma eventual proibição dos antimicrobianos é vista por frigoríficos e por parte do governo federal como uma sinalização positiva do Brasil à UE para atender suas exigências. A medida serviria como uma “garantia” na negociação pelo prazo de transição. Já pecuaristas e outros técnicos de Brasília avaliam que a vedação de uso dos produtos não garante acesso ao mercado europeu e ainda pode gerar aumento generalizado de custos no campo e inflação da carne. Um alerta feito pelos pecuaristas é que o veto poderia ter implicações no boi China. Isso porque um dos produtos que podem ser banidos, a monensina, é usado como melhorador de desempenho e eficiência alimentar, que ajuda o gado a atingir peso mais jovem. O animal abatido para envio de carnes aos chineses deve ter, no máximo, 30 meses. O produto substituto é muito mais caro e feito por apenas uma empresa. A China representa mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina. Só em 2025, foram enviadas ao país quase 1,7 milhão de toneladas, o que gerou uma receita de US$ 8,8 bilhões. Para a UE, foram enviadas 128 mil toneladas, com receita de US$ 1 bilhão. Cálculos repassados ao Valor por técnicos do setor mostram que a proibição da monensina poderia gerar gastos adicionais à cadeia produtiva de bovinos de corte de R$ 2 bilhões. A análise leva em conta a alimentação adicional que teria que ser dada a quase 20 milhões de bovinos criados em sistemas intensivos ou semi-intensivos que teriam de deixar de usar a monensina. A pressão pela proibição gerou críticas de pecuaristas. Na semana passada, 14 entidades de criadores disseram, em nota, que é “inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”. Procurados Ministério da Agricultura, Planalto e CNA não responderam.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar sobe ante o real com intensificação do conflito entre EUA e Irã

O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em meio ao recrudescimento da guerra entre Estados Unidos e Irã.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,46%, aos R$5,1314. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,51% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1555. Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones no Oriente Médio ao longo do fim de semana e nesta segunda-feira. Teerã informou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, via de transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. Na segunda, Trump afirmou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã. Além disso, disse que os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, “por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”. Em reação, o petróleo Brent teve ganhos fortes durante a sessão, retornando para acima dos US$80 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram. Nos mercados de moedas, o dólar sustentou ganhos ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o real — ainda que no caso brasileiro as variações fossem limitadas. Após registrar a cotação mínima de R$5,1089 (+0,02%) às 10h02, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1417 (+0,66%) às 13h37, já após o anúncio de Trump. “A escalada das tensões geopolíticas afetou de novo as cotações e o dólar sobe — mas não muito”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Há uma aversão ao risco, mas não tão profunda.” No cenário local, uma nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus mostrou pela manhã empate técnico na disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. No boletim Focus divulgado mais cedo, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o final do próximo ano em R$5,28. Já a Selic projetada para o encerramento de 2026 seguiu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. Para o final de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente em função da perspectiva de alta de juros nos EUA e de nova baixa no Brasil.

REUTERS

Ibovespa cede 1,20% com aumento das tensões entre EUA e Irã

Alta forte da Petrobras limita perdas do principal índice de ações da B3 em sessão de aversão global ao risco

Depois de oscilar em torno da estabilidade no início dos negócios, o Ibovespa se firmou em território negativo ainda pela manhã e ampliou as perdas ao longo desta segunda-feira, em meio à piora da aversão a risco global. A troca de ataques entre EUA e Irã durante o fim de semana levou autoridades iranianas a fechar o Estreito de Ormuz. Como resposta, o presidente americano, Donald Trump, elevou o tom e disse que os Estados Unidos serão os “guardiões” de Ormuz e que cobraria uma taxa de 20% sobre todo cargueiro que passar pela região, o que levou os preços de petróleo a encerrar com ganhos acima de 9%. A disparada nas cotações da commodity impulsionou uma reprecificação na curva de juros local e afetou em cheio o Ibovespa, que encerrou em queda de 1,20%, aos 175.739 pontos, perto da mínima intradiária de 175.567 pontos, revertendo uma parte da alta forte de quase 3% da última sexta-feira. Declarações consideradas mais “hawkish” (inclinadas ao aperto monetário) do diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller também ajudaram a ampliar o mau humor dos mercados durante a tarde. O movimento de queda na bolsa local só não foi mais intenso em razão da forte alta das ações da Petrobras. No fim, as PN da petroleira subiram 2,55%, enquanto as ON da estatal exibiram valorização de 3,44%. Com a valorização, a petroleira ganhou R$ 16,8 bilhões em valor de mercado, com o montante terminando o dia em R$ 561,6 bilhões. Os impasses sobre a navegação no Estreito de Ormuz inibiram o apetite por risco na sessão, em um pregão em que falas mais “hawkish” de Waller também ajudaram a ampliar o mau humor nos mercados. O dirigente da autoridade monetária americana se mostrou aberto à possibilidade de um aumento nos juros de curto prazo e afirmou que há uma tendência de alta da inflação, incluindo o núcleo, desde antes da guerra do Irã. “O Fed precisa estar preparado para endurecer a política monetária a fim de evitar a repetição do episódio de inflação de 2021”, destacou. O diretor de investimentos da Nau Capital, Maurício Valadares, lembra que as declarações de Waller ajudaram a elevar a aversão a risco global pelo fato de o executivo ser associado a uma postura mais “dovish” (menos inclinado ao aperto monetário). Em meio à perspectiva de que os bancos centrais adotem uma postura mais conservadora, inclusive o brasileiro, o executivo avalia que a bolsa local não deve avançar de forma “sustentável” neste momento. Para ele, eventuais melhoras serão mais táticas do que estruturais, assim como ocorreu na sexta-feira em que o Ibovespa subiu quase 3% após a divulgação de dados bem abaixo do esperado para o IPCA de junho. A equipe da Genial Investimentos vai na mesma linha e diz que o momento atual não é de rotação ampla para as ações.

VALOR ECONÔMICO

Analistas reduzem projeção para inflação este ano no Focus a 5,16%

A expectativa para a inflação este ano voltou a ser reduzida na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira, embora siga aumentando para 2027

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 agora é de 5,16%, contra 5,30% na semana anterior, na segunda semana seguida de redução. Para o ano que vem, no entanto, a conta subiu pela oitava vez consecutiva, chegando a 4,20%, de 4,18% antes. Para 2028 a projeção segue em 3,70%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano foi mantida em 1,99%, mas para 2027 caiu a 1,65%, de 1,69% na pesquisa anterior. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve terminar este ano a 14,00% e o próximo a 12,00%, sem alterações. Com a Selic atualmente em 14,25%, os especialistas consultados seguem vendo corte de 0,25 ponto percentual em agosto.

REUTERS

Superávit da balança comercial soma US$ 2,288 bilhões na segunda semana de julho

Resultado do período foi puxado por US$ 7,502 bilhões em exportações e US$ 5,213 bilhões em importações, segundo dados do MDIC

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,288 bilhões na segunda semana de julho, informou a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na segunda-feira (13). No período, as exportações somaram US$ 7,502 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 5,213 bilhões. No acumulado do mês, o saldo positivo chegou a US$ 4,543 bilhões. Em julho, até a segunda semana, o país exportou US$ 13,385 bilhões e importou US$ 8,842 bilhões. Na comparação com o mesmo período de julho de 2025, as exportações avançaram 19,8%. Por setor, a agropecuária registrou crescimento de 16,3% nas vendas externas, com US$ 2,893 bilhões. A indústria extrativa teve alta de 28,1%, alcançando US$ 3,310 bilhões. Já a indústria de transformação avançou 17,0%, com US$ 7,090 bilhões. Nas importações, a alta total foi de 1,2% na mesma base de comparação. A agropecuária recuou 9,6%, com US$ 157 milhões. A indústria extrativa cresceu 64,1%, para US$ 575 milhões, enquanto a indústria de transformação teve queda de 1,4%, somando US$ 8,053 bilhões. No acumulado do ano, de janeiro até a segunda semana de julho, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 46,900 bilhões. O valor representa crescimento de 40,7% frente ao mesmo período de 2025, quando o saldo estava em US$ 37,184 bilhões. A projeção do MDIC para 2026 é de superávit de US$ 90,0 bilhões. A estimativa considera exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões. Os dados parciais de julho mostram avanço das exportações brasileiras, com crescimento também nas vendas externas da agropecuária, enquanto o saldo acumulado do ano segue acima do registrado no mesmo período de 2025.

MDIC

Confiança da indústria cai ao menor nível desde a pandemia

Pessimismo no setor atinge maior nível em cinco anos, diz CNI. De acordo com a CNI, a deterioração das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional

A confiança dos empresários da indústria brasileira atingiu, em julho, o menor nível desde o auge da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 2,3 pontos em relação a junho, passando de 46,7 para 44,4 pontos, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com o resultado, o indicador permanece há 19 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. Trata-se da segunda maior sequência de pessimismo da série histórica, atrás apenas do período de recessão econômica entre 2015 e 2016. Para a CNI, a permanência do índice em nível negativo por um período prolongado pode impactar diretamente a atividade industrial. Segundo o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, a persistência do pessimismo tende a reduzir o ritmo da produção, frear investimentos e afetar o mercado de trabalho. “Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, afirmou Azevedo em nota. Os dois componentes que formam o Icei registraram queda em julho. O Índice de Condições Atuais recuou 0,7 ponto, para 41,6 pontos, indicando que os empresários avaliam que o ambiente de negócios e a economia estão piores do que há seis meses. O Índice de Expectativas caiu 3,1 pontos, para 45,8 pontos, registrando o maior recuo desde novembro de 2022. Com isso, o otimismo em relação às próprias empresas perdeu força, enquanto a percepção sobre a economia brasileira tornou-se ainda mais negativa. De acordo com a CNI, a deterioração das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional. Entre os fatores apontados estão o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fatores que elevaram a percepção de risco entre os empresários. “A piora das expectativas se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, avaliou Marcelo Azevedo. O Icei varia de zero a 100 pontos. Resultados abaixo de 50 indicam falta de confiança dos empresários industriais, enquanto índices acima desse patamar sinalizam confiança. Para a edição de julho, a CNI ouviu 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 de julho, sendo 442 de pequeno porte, 411 de médio porte e 265 de grande porte.

CNI

INTERNACIONAL

UE inclui alguns produtos de óleo de palma na lei sobre desmatamento e retira couro da lista

As importações da União Europeia de derivados de óleo de palma estarão sujeitas às regras do bloco contra o desmatamento a partir de dezembro de 2027, enquanto o couro ficará isento da lei, informou a Comissão Europeia na segunda-feira.

A lei de desmatamento da UE exigirá que as empresas que vendem produtos como soja, café, carne bovina e óleo de palma para a UE comprovem que seus produtos não causaram desmatamento. Bruxelas já havia adiado a implementação da política por dois anos, após oposição de Brasil, Indonésia e Estados Unidos, que afirmam que o cumprimento da lei seria oneroso e prejudicaria suas exportações para a Europa. No mais recente conjunto de alterações, a Comissão confirmou que excluirá da lei o couro, as peles de gado, os pneus recauchutados, a soja para semeadura e itens como assentos de carro. Ao mesmo tempo, a UE incluirá derivados de óleo de palma utilizados na fabricação de oleoquímicos, que são compostos derivados de gorduras e óleos naturais usados em tintas, produtos farmacêuticos, lubrificantes e aditivos alimentares. Café instantâneo e línguas de gado congeladas também serão incluídos. As últimas adições entrarão em vigor a partir de 30 de dezembro de 2027. As mudanças representam uma vitória para a indústria do couro, que argumentava que, por ser um subproduto da indústria da carne, a produção de couro não incentiva a pecuária que impulsiona o desmatamento. Grupos ambientalistas queriam que o couro permanecesse na lista. A Comissão também publicou ajustes nos sistemas de tecnologia da informação que as empresas utilizam para cumprir a lei. No ano passado, a Comissão citou preocupações quanto à prontidão desses sistemas como motivo para adiar a aplicação da lei por mais um ano.

REUTERS

Exportações de carne bovina confinada da Austrália para a China despencam após tarifa entrar em vigor

As exportações australianas de carne bovina produzida em confinamento para a China sofreram uma forte queda em junho, refletindo o impacto da tarifa de 55% aplicada às importações que ultrapassam a cota anual de 205 mil toneladas estabelecida pelo governo chinês.

O movimento marca uma mudança importante na dinâmica do comércio internacional de carne bovina e levou os frigoríficos australianos a redirecionarem parte da produção para outros mercados. Até maio, a China era o principal destino da carne bovina confinada da Austrália, respondendo frequentemente por cerca de 40% das exportações desse segmento. Em junho, porém, essa participação caiu para aproximadamente 12%, uma redução abrupta logo após o país atingir sua cota anual de exportação para o mercado chinês. A tarifa adicional entrou em vigor porque, desde janeiro, a China passou a cobrar um imposto de 55% sobre a carne bovina australiana importada acima da cota anual negociada entre os dois países. Embora outros grandes exportadores, como o Brasil, também enfrentem restrições tarifárias e cotas no mercado chinês, a Austrália foi o primeiro fornecedor relevante a atingir esse limite em 2026. Com a retração das vendas para a China, outros mercados ampliaram sua participação nas exportações australianas de carne confinada. O Japão passou a representar cerca de 30% dos embarques do segmento em junho, enquanto a Coreia do Sul respondeu por aproximadamente 25%. Também houve aumento, embora menor, nas vendas para outros destinos, compensando parcialmente a perda do mercado chinês. Considerando todas as exportações australianas de carne bovina — tanto de animais confinados quanto terminados a pasto — a tendência foi semelhante. Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático ampliaram sua participação relativa nas compras durante o mês, ocupando parte do espaço deixado pela China. Segundo o Beef Central, parte da indústria australiana já vinha ajustando sua estratégia nos meses anteriores, prevendo a interrupção das vendas para a China após o esgotamento da cota anual. Algumas empresas voltaram a utilizar implantes hormonais promotores de crescimento (HGP, na sigla em inglês) em bovinos destinados ao confinamento. Esses implantes não podem ser utilizados em animais destinados ao mercado chinês, mas são permitidos em diversos outros países e melhoram o desempenho produtivo dos animais. Com a redução das vendas para a China, a adoção dessa tecnologia voltou a fazer sentido econômico para parte dos confinadores australianos. A rápida redistribuição dos embarques mostra a capacidade da indústria australiana de buscar novos destinos diante de mudanças nas condições comerciais internacionais. Ao mesmo tempo, evidencia a forte dependência que a China havia adquirido como principal comprador da carne bovina confinada australiana nos últimos anos. O comportamento das exportações nos próximos meses deverá indicar até que ponto mercados como Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Sudeste Asiático conseguirão absorver de forma permanente o volume que anteriormente era destinado ao mercado chinês.

BEEF CENTRAL

SUÍNOS & FRANGOS 

FIDC de R$ 150 milhões financiará produtores de suínos no Paraná

Frivatti, Sicredi Vanguarda e Fomento Paraná estruturam fundo para apoiar unidades produtoras de leitões destinadas à nova planta de Santa Helena

A Frivatti, a Cooperativa Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ e a Fomento Paraná oficializaram, em 7 de julho, a estruturação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios do Agronegócio (FIDC Agro) de R$ 150 milhões. A operação foi apresentada na sede administrativa do Sicredi Vanguarda, em Medianeira (PR). Os recursos serão direcionados ao financiamento de produtores integrados da fase de Unidade Produtora de Desmamados (UPD), responsável pelo nascimento e pela criação inicial dos leitões. A proposta é apoiar a implantação ou ampliação de unidades que deverão abastecer o novo frigorífico da Frivatti em Santa Helena (PR). O fundo contará com R$ 60 milhões da Frivatti, R$ 60 milhões do Sicredi Vanguarda e R$ 30 milhões da Fomento Paraná. A administração e a gestão da estrutura financeira ficarão sob responsabilidade do BTG Pactual, enquanto o Martinelli Advogados participou da constituição e da documentação jurídica da operação. O FIDC é um veículo de investimento que aplica a maior parte de seus recursos em direitos creditórios. Nesse modelo, os aportes formam uma fonte de financiamento vinculada aos recebíveis e às regras previstas no regulamento do fundo. Segundo as instituições envolvidas, a linha permitirá financiar investimentos nas UPDs. Os critérios de elegibilidade, prazos, garantias e condições aplicáveis a cada produtor deverão seguir os documentos e a regulamentação da operação. De acordo com a Frivatti, os animais originados pelos projetos financiados serão destinados ao ciclo produtivo da nova unidade frigorífica de Santa Helena. A estratégia busca organizar o fornecimento de leitões dentro do sistema de integração da companhia. O produtor rural Gelson Gusser e sua família participaram da oficialização como representantes dos primeiros integrados contemplados pela estrutura de crédito. A operação é a primeira do novo edital do FIDC Agro Paraná, programa desenvolvido pela Fomento Paraná em parceria com instituições financeiras para ampliar o acesso ao crédito no agronegócio.

FEED&FOOD 

Preço do suíno vivo varia de R$ 4,86 a R$ 5,88/kg no mercado brasileiro

Levantamento do Cepea mostra estabilidade na maior parte das regiões acompanhadas

O mercado de suíno vivo apresentou pouca movimentação nos preços na sexta-feira (10), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. A maior parte das praças acompanhadas registrou estabilidade na variação diária. Em Minas Gerais, o suíno vivo foi negociado a R$ 5,88/kg, com variação diária de 0,00% e alta de 0,17% no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 4,86/kg, sem alteração no dia, mas com valorização de 4,97% no mês. No Rio Grande do Sul, o indicador registrou R$ 5,00/kg, com estabilidade diária e queda de 0,99% no mês. Em Santa Catarina, o valor foi de R$ 4,98/kg, também sem variação no dia, enquanto no acumulado mensal a retração foi de 1,39%. Em São Paulo, o suíno vivo foi cotado a R$ 5,28/kg, com recuo diário de 0,75% e estabilidade no acumulado do mês.

CEPEA/ESALQ

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