
Ano 11 | nº 2745 | 02 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: caiu a cotação do boi gordo em São Paulo
Mercado paulista abriu com queda de R$2,00/@ para o boi gordo e o “boi China”, pressionado pela maior oferta de carne e pelo escoamento interno lento.
Na quarta-feira (1/7), os preços do boi gordo voltaram a cair no mercado paulista, desta vez com baixa diária de R$ 2/@, tanto para o animal sem padrão-exportação quanto para o perfil-China (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade), apurou a Scot Consultoria. Com isso, o boi gordo paulista agora é negociado por R$ 335/@, com ágio de R$ 5/@ para o “boi-China” (valores brutos, no prazo), de acordo com a Scot. O mercado abriu com queda de R$2,00/@ do boi gordo e do “boi China”. A cotação das fêmeas não mudou. A pressão foi resultado da combinação do aumento da disponibilidade interna de carne bovina e do ritmo ainda lento do escoamento no mercado interno. O volume de negócios estava baixo, pois os pecuaristas tinham demonstrado resistência em negociar nos patamares atuais de referência, porém os compradores estavam pressionando. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. No Rio de Janeiro, a cotação do boi gordo caiu R$3,00/@. A cotação das fêmeas não mudou. Em Roraima, a cotação não mudou. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. Vencimento do contrato futuro do boi gordo (B3) em junho/26. No último dia útil de junho (30/6), na B3, aconteceu a liquidação do contrato futuro do boi gordo, cujo código era BGIM26. A cotação da arroba nesse vencimento, segundo o indicador da B3, ficou em R$337,58. O indicador do Cepea ficou em R$338,84/@. O indicador do boi gordo da Scot Consultoria ficou em R$341,34/@, considerando a média móvel dos últimos cinco dias.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo seguem trajetória de queda
Indústrias de pequeno e de médio porte já anunciaram férias coletivas, enquanto outras seguem trabalhando com maior ociosidade
O mercado físico do boi gordo registrou queda nos preços em todas as regiões produtoras nesta terça-feira (30). Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos seguem adequando suas estratégias de acordo com o esgotamento precoce das cotas chinesas. “Durante o dia, indústrias de pequeno e de médio porte anunciaram férias coletivas, enquanto outras seguem trabalhando com maior ociosidade, ou seja, reduzindo a quantidade diária de animais abatidos”. Iglesias ressalta que a intenção é adequar a produção a uma realidade em que o grande importador da carne brasileira, a China, estará ausente de maneira parcial e temporária por conta da cota de 1,1 milhão de toneladas que impôs à proteína nacional. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 336,25 — ontem: R$ 340,58. Goiás: R$ 318,86 — ontem: R$ 319,50. Minas Gerais: R$ 314,76 — ontem: R$ 317,82. Mato Grosso do Sul: R$ 331,02 — ontem: R$ 331,82. Mato Grosso: R$ 330,07 — ontem: R$ 336,69. O mercado atacadista se deparou com preços acomodados para a carne bovina ao longo do dia. O analista ressalta que a entrada dos salários na economia é um importante motivador para a retomada do movimento de alta durante a primeira quinzena de julho, estimulando a reposição entre atacado e varejo. “A carne bovina segue menos competitiva se comparada com as proteínas concorrentes. Além disso, o baixo poder de compra da população e o alto nível de endividamento seguem norteando o consumo interno para proteínas de menor valor agregado, em especial para a carne de frango”, disse Iglesias.
Quarto traseiro: R$ 25,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 21,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
A cota sem o tarifaço, imposta pela China, pode ter chegado ao final
Volume recebido pela China, em mil toneladas por mês, até maio, e a projeção para junho e julho.
A China divulgou os volumes de carne bovina brasileira recebidos até maio. No mês, foram desembarcadas 110,9 mil toneladas, levando o acumulado para 723,7 mil toneladas, o equivalente a 65,4% da cota sem o tarifaço. Estima-se que, em junho, os desembarques estejam em 945,4 mil toneladas. Com isso, restariam 160,6 mil toneladas da cota, volume que pode estar em trânsito, correspondente aos embarques de junho. Nesse cenário, a carne embarcada no início de julho poderá chegar à China já sujeita à taxação de 55,0%
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Dólar volta a superar os R$5,20 puxado pelo exterior
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real e novamente acima dos R$5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em uma sessão no Brasil também permeada pela disputa eleitoral.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,92%, aos R$5,2102. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,08%. Às 17h20, o dólar futuro para agosto — o mais líquido do mercado brasileiro — subia 0,95% na B3, aos R$5,2500. A alta do dólar no Brasil se manteve a despeito de o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, ter afirmado no fim da manhã que as expectativas e os riscos de inflação nos EUA diminuíram nas últimas semanas, o que chegou a reduzir o ímpeto da moeda norte-americana ante outras divisas fortes, como o iene, o euro e a libra. Durante a tarde, o dólar se manteve com ganhos firmes ante moedas emergentes como o real, a rupia indiana, o peso chileno e o peso mexicano, em meio à perspectiva de que o Fed aumente os juros no curto prazo. O real foi a moeda global mais pressionada. “O exterior é responsável hoje por quase toda a alta do dólar ante o real. Os juros (nos EUA) tendem a subir em algum momento este ano, e isso está atuando para a alta das cotações”, comentou no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que, além do exterior, o cenário político também influenciou as cotações, ainda que com menor intensidade. Mais cedo, a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto. Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio, segundo a sondagem. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A candidatura de Flávio também seguia pressionada na quarta-feira após notícia de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher em função de desavenças com o senador. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$7,168 bilhões em junho até dia 26. Pela manhã, indicador da ADP revelou a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA em junho, abaixo dos 118 mil esperados. Na quinta-feira, será divulgado o relatório payroll sobre o mercado de trabalho norte-americano, bastante esperado pelo mercado.
REUTERS
Ibovespa começa julho em queda com investidor reticente sobre juros e eleição
O Ibovespa fechou com uma queda discreta na quarta-feira, com investidores começando o segundo semestre ainda melindrados, dada a perspectiva de um ciclo de alívio monetário no país mais curto do que o esperado no começo do ano e de aumento da incerteza política.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,2%, a 171.688,61 pontos, tendo marcado 169.665,53 pontos na mínima e 172.098,36 pontos na máxima do dia. De acordo com a estrategista-chefe de ações para as Américas do HSBC, Nicole Inui, as expectativas de juros, eleições e riscos inflacionários mudaram bastante nas últimas semanas, enquanto as empresas não mostram uma grande recuperação nos lucros. “Mas muito disso já está precificado”, apontou em entrevista à Reuters na quarta-feira, destacando que o mercado já não espera os cortes na Selic que estimava no começo do ano, já prevê um El Niño “horrível”, com potenciais reflexos na inflação e também aguarda muita incerteza sobre as eleições. Ela afirmou estar “cautelosamente otimista” e destacou que uma melhora na bolsa depende de um catalisador, que pode ser uma mudança na atual perspectiva de que o Banco Central não tem mais espaço para reduzir a taxa básica de juros. Esse não é atualmente o cenário do HSBC, que trabalha com uma Selic a 14,25% no final de 2026. Mas, “se isso muda, com certeza vai ajudar o mercado de ações”, acrescentou. Ela chamou a atenção para a reversão do fluxo de estrangeiros que vinha bastante positivo no começo do ano, citando a mudança nas expectativas para a Selic, além de um movimento de rotação de volta para ações nos Estados Unidos e tecnologia. De acordo com Inui, estrangeiros estão “overweight” em Brasil no universo de mercados emergentes, mas em um nível menor do que no passado, o que sugere espaço para aumentar a posição. E o Brasil continua muito bem-posicionado nesse bloco, acrescentou. “O Brasil é barato, entrega muitos dividendos, dá um retorno de equity muito alto…e o mercado é bem líquido… é difícil um investidor ficar fora do Brasil.” Estrategistas do Goldman Sachs reiteraram a recomendação “overweight” para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes, destacando que o mercado parece barato e o potencial efeito positivo de “qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia”. No exterior, o mês começou sem um viés único em Wall Street, com o S&P 500 fechando com declínio de 0,22%, e avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos, tendo a cena geopolítica e dados econômicos dividindo as atenções. Investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira, véspera do feriado
REUTERS
Indústria do Brasil volta a crescer em junho, mas vendas e produção recuam, mostra PMI
A atividade industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão em junho, com pressões inflacionários menores, criação de vagas de trabalho e aumento de estoques compensando retrações nas vendas e nos volumes de produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na quarta-feira.
O PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento. No entanto, o crescimento refletiu principalmente a criação de empregos pelo quinto mês seguido e a formação de estoques, já que dois dos maiores subcomponentes do indicador — produção e novas encomendas — permaneceram em território de contração. Os estoques de itens de pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos, com os participantes da pesquisa mencionando chegada de insumos adquiridos anteriormente e esforços recentes para reforçar os estoques de segurança. Os estoques de produtos acabados também cresceram, encerrando uma sequência de dois meses de redução.
O PMI também foi impulsionado pelo índice de prazo de entrega dos fornecedores. Embora prazos de entrega mais longos normalmente sinalizem condições de demanda forte, o atual aumento desses prazos refletiu interrupções nas cadeias de oferta causadas pelo conflito no Oriente Médio. “O conflito no Oriente Médio … não ajuda — ele está agravando a inflação, prejudicando o comércio, abalando a confiança das empresas e provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022, tornando mais difícil para as companhias obterem os materiais de que necessitam”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. As contrações nas novas encomendas totais e na produção tiveram um ritmo mais lento do que em maio, mas as empresas continuaram relatando redução do apetite dos clientes por bens, pressões competitivas e encolhimento do mercado. As encomendas internacionais registraram queda acentuada, embora em ritmo menos intenso do que no mês anterior. Os três grandes segmentos da indústria monitorados pela pesquisa — bens de consumo, intermediários e de investimento — registraram reduções na produção, nos novos pedidos e nas vendas para o exterior. Os custos de insumos tiveram a menor pressão inflacionária em três meses, mas as empresas ainda apontaram que a guerra no Oriente Médio elevou os gastos com combustíveis, matérias-primas e transporte. Os preços cobrados também subiram no ritmo mais lento em três meses, à medida que parte dos custos adicionais foi repassada aos clientes. Embora as empresas tenham mantido uma visão positiva sobre as perspectivas de crescimento, a confiança recuou em junho para o menor nível em 14 meses. O otimismo foi limitado por preocupações relacionadas à concorrência, ao comportamento da demanda, à incerteza política e à volatilidade dos mercados globais.
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Brasil tem fluxo cambial positivo de US$7,168 bi em junho até dia 26, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$7,168 bilhões em junho até dia 26, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$1,073 bilhão em junho até dia 26. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho até dia 26 foi positivo em US$8,241 bilhões.
Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 22 a 26 de junho, saíram do país US$1,027 bilhão.
No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$21,042 bilhões.
REUTERS
FRANGOS& SUÍNOS
Com perfil de consumo repaginado no país, Aurora amplia unidade de suínos
Obras de expansão da planta de São Gabriel do Oeste (MS) começou antes da ascensão de canetas emagrecedoras e dos gastos com apostas esportivas no Brasil. Aurora investiu R$ 350 milhões para ampliar capacidade de abates em 60%
Há mais de três anos, quando decidiu ampliar sua unidade de abate de suínos de São Gabriel do Oeste (MS), a Aurora Coop vislumbrava um quadro para a demanda mais positivo do que o atual. O consumo nacional per capita de carne suína, produto que gera 60% da receita da cooperativa, vinha crescendo consistentemente desde 2019, assim como as exportações brasileiras. A Aurora vai inaugurar hoje a ampliação da unidade, a segunda maior da cooperativa — só a planta de Chapecó (SC) é maior —, em um ambiente de consumo enfraquecido no mercado interno e oferta abundante de carne suína. “Quando iniciamos o projeto, não esperávamos que haveria essa lacuna de consumo. Teremos de nos adaptar, não ofertar grandes volumes, trabalhar com itens processados e ampliar exportação”, disse ao Valor o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton. A Aurora, que congrega 14 cooperativas agropecuárias, como Frísia e Castrolanda, investiu R$ 350 milhões no frigorífico sul-mato-grossense. Com as obras, a capacidade de abate da planta cresceu 60%, passando de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, o que tornará possível aumentar a produção de itens de presuntaria, cozidos e defumados. A Aurora é o terceiro maior grupo brasileiro de proteína animal. O aporte em São Gabriel do Oeste integra um pacote maior de investimentos, de R$ 2,4 bilhões, que a cooperativa desembolsou nos últimos três anos para modernizar e ampliar unidades e também para comprar novas plantas. Em dezembro, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa exportadores de frango e suínos, projetou que o consumo per capita de carne suína cresceria até 2,6% em 2026, mas Canton diz observar que os volumes de consumo de carne, não apenas suína, têm tido ligeira redução. A diminuição da demanda, avalia o executivo, deveu-se a dois fatores sobre os quais pouco se comentava em 2023, quando as obras em São Gabriel do Oeste começaram: ascensão das canetas emagrecedoras e das apostas esportivas online, as bets. “Penso que (a redução do consumo) está ligada diretamente à capacidade financeira do consumidor. Os números mostram que há desvios de renda para jogos. E o percentual de pessoas usando canetas cresceu de tal forma que alcançou consumidores que não têm renda suficiente para utilizá-las e ampliar consumo da proteína. A primeira opção acaba sendo aquela (caneta) e não essa (carne)”, disse. Com exceção de 2023, quando sua receita operacional caiu 1,3%, a Aurora cresceu sucessivamente nos últimos 15 anos. No ano passado, o aumento foi de 8,3%, para a R$ 26,9 bilhões. O mercado interno respondeu por R$ 17,8 bilhões, ou 66,2% do total. A carne suína e produtos industrializados derivados são, de longe, o principal motor de faturamento, com cerca de 60%. Carnes de aves ficam com 20% a 25% e lácteos, em torno de 15%. Em 2026, a Aurora prevê que a receita crescerá, no máximo 5%, puxada pelas exportações. Os embarques devem ter um aumento de 15%, contrabalançando o desempenho no mercado local, onde as vendas deverão cair de 5% a 7%. Além disso, mesmo com os custos de grãos e de produção similares aos de 2025, as margens de lucro atuais da indústria estão “bem menores” do que há um ano, diz Canton, dada a oferta confortável no mercado interno de industrializados, que dificulta reajustes. A unidade de São Gabriel do Oeste reforçará a produção de industrializados que já estão no portfólio, mas há planos de incluir novos itens no futuro. No mercado externo, a Ásia, incluindo o maior importador da carne suína brasileira, Filipinas, e mercados menores como Japão e Cingapura, devem seguir liderando as compras nos próximos cinco anos. A Aurora exporta para mais de 80 países.
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