
Ano 11 | nº 2743 | 30 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Queda nas cotações no mercado do boi gordo em São Paulo
Com escoamento de carne lento e indústrias frigoríficas desacelerando as compras, a cotação caiu para todas as categorias. As vendas de carne estão fracas, e os compradores adquirindo apenas para manter o fluxo de abate, que está frouxo.
Os frigoríficos habilitados para exportarem para a China têm desacelerado as compras diante da expectativa de preenchimento da cota sem o tarifaço, que conforme o dado disponível do Ministério do Comércio da China (MOFCOM), havia atingido 65,4%. Dessa maneira, na segunda-feira, a cotação caiu. A cotação do boi gordo, a do “boi China” e a da novilha caiu R$2,00/@. A da vaca caiu R$3,00/@, apregoada em R$315,00/@. Na região Oeste do Maranhão, a cotação da novilha caiu R$2,00/@. Para as demais categorias, a cotação não mudou. No mercado atacadista da carne com osso, com o fim do mês, as vendas no varejo perderam fôlego, repercutindo no atacado, que recebeu menos pedido de reposição dos estoques. Do lado da oferta, a disponibilidade foi maior na última semana e, somada ao menor escoamento, resultou em acúmulo nas câmaras. Com isso, o preço das carcaças casadas caiu.
A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 1,5%, ou R$0,35/kg. A do boi inteiro caiu de 1,8%, ou R$0,40/kg. A cotação da carcaça casada da vaca caiu 1,6%, ou R$0,35/kg. A da novilha caiu 1,1%, ou R$0,25/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio* caiu 2,7%, ou R$0,17/kg. Já a do suíno especial** caiu 4,4%, ou R$0,40/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo: alta de preço só no último trimestre
Analistas enxergam retorno da demanda chinesa para 2027, alta procura norte-americana e cenário interno como motivadores. O mercado físico do boi gordo voltou a trabalhar com um cenário de pressão nas cotações da arroba ao longo da semana, mas o cenário deve mudar ao longo do último trimestre ano.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram o ritmo de compra de gado, buscando reorganizar a programação de abates com a expectativa de esgotamento precoce das cotas brasileiras de exportação para a China. Iglesias sinaliza que até o final de julho a cota de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil sem acréscimo de tarifas adicionais de 55% pela China deverá estar totalmente preenchida. “Por conta disso, há uma tendência de redução nos abates, o que pode levar os frigoríficos a adotar férias coletivas neste período de maior incerteza quanto ao fluxo de exportação”, avalia. O analista ressalta que a salvaguarda chinesa vem provocando instabilidade e muita volatilidade no mercado pecuário brasileiro. “Diante de preços pouco atrativos no mercado futuro, a intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação Brasil afora, com um potencial de crescimento menor que o previsto inicialmente, embora ainda maior que o registrado em 2025”, comenta. Os preços da arroba do boi gordo devem ter uma alta consistente no último trimestre do ano. Segundo Iglesias, a volta da demanda chinesa focada na cota de exportação do Brasil em 2027, a forte procura esperada pelos Estados Unidos e o período auge de demanda no mercado interno tendem a dar sustentação ao mercado. “Com um menor incentivo ao confinamento nesse período para alimentar a crescente oferta e com o alongamento do período de seca no Brasil por conta do El Niño, pode haver uma baixa disponibilidade de animais terminados a pasto. Com a menor oferta, tende a haver uma elevação bem consistente nos preços da arroba”, conclui. Já o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, acredita que a arroba deve superar a máxima do ano até aqui, de R$ 360. “Há uma soma de fatores que nos levam a crer neste comportamento, como a menor participação de fêmeas em relação aos machos, o que puxa o preço do boi intraanualmente.” Além disso, o especialista ressalta que a partir de setembro, a tendência é a de que a movimentação para o período eleitoral no Brasil intensifique a circulação de renda no país, além da geração de empregos temporários típicos do fim do ano e a diminuição de encargos, somada às bonificações e festas de fim de ano. “Do lado exportador, o setor já programa os abates e produção de carne para enviar à China e Estados Unidos fora das tarifas adicionais que os dois países impões após a cota de volume superada. Outro destaque é a estação de monta no Brasil, que estimula a retenção de matrizes e, com isso, os preços atuais da reposição devem puxar uma aceleração do quadro para o fim do ano”, destaca Fabbri. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 25 de junho: São Paulo (Capital): R$ 340, baixa de 2,86% frente aos R$ 350 registrados no final da semana passada. Goiás (Goiânia): R$ 320, recuo de 1,54% ante os R$ 325 do final da semana anterior. Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, retração de 1,54% em comparação aos R$ 325 do período anterior. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335, queda de 2,90% ante os R$ 345 registrados no encerramento da última semana. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 345, decréscimo de 1,43% perante os R$ 350 praticados no fechamento da semana anterior. Rondônia (Vilhena): R$ 328, declínio de 2,09% em relação aos R$ 335 registrados no encerramento da semana anterior. Iglesias, de Safras & Mercado, destaca que o mercado atacadista apresentou cotações mais baixas durante a semana. “O ambiente de negócios ainda sugere um mercado enfraquecido mesmo em plena Copa do Mundo, considerando uma segunda quinzena de fraca reposição entre atacado e varejo.” Segundo ele, na primeira quinzena de julho aumenta a propensão a reajustes, com a entrada dos salários na economia. “No entanto, a carne bovina segue pouco competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango.” As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,220 bilhão em junho até o momento (14 dias úteis), com média diária de US$ 87,208 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 187,080 mil toneladas, com média diária de 13,362 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.526,2. Em relação a junho de 2025, houve alta de 32,8% no valor médio diário da exportação, ganho de 10,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 19,8% no preço médio.
SAFRAS NEWS
ECONOMIA
Dólar fecha estável em dia de oscilações estreitas e liquidez menor durante jogo do Brasil
Após oscilar em margens estreitas durante a sessão, o dólar fechou a segunda-feira praticamente estável ante o real, em um dia de variações limitadas da moeda norte-americana também ante outras divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,06%, aos R$5,1726. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,76%. Às 17h02, o dólar futuro para julho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,06% na B3, aos R$5,1760, com a liquidez tendo despencado durante a tarde em função do jogo entre Brasil e Japão na Copa do Mundo. Após um projétil iraniano atingir um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira, EUA e Irã trocaram ataques e acusações de violação do cessar-fogo provisório nos dias seguintes. No domingo, porém, uma autoridade norte-americana afirmou que os dois países haviam concordado em suspender as hostilidades e retomar as negociações. Em reação, o dólar sustentou durante o dia perdas ante divisas fortes como o euro e a libra, mas adotou trajetória mais errática ante as divisas de países emergentes, incluindo o real. Após atingir a cotação máxima de R$5,1897 (+0,39%) às 10h19, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,1557 (-0,27%) às 12h30. Da máxima para a mínima a moeda variou apenas -0,65%. À tarde a liquidez no mercado despencou durante partida que terminou com a vitória do Brasil sobre o Japão na Copa do Mundo, por 2 a 1, com as cotações quase não se mexendo durante o jogo, que começou às 14h. No início do dia, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20. A expectativa para a taxa básica Selic no fim de 2026 seguiu em 14,00% e para o encerramento de 2027 permaneceu em 12,00%. Também no começo do dia, pesquisa BTG/Nexus mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47% das intenções de voto no segundo turno da corrida para o Planalto, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão em empate técnico. No levantamento anterior, os percentuais eram de 49% e 43%, respectivamente.
REUTERS
Ibovespa fecha quase estável em dia de volume reduzido
O Ibovespa flertou com os 174 mil pontos, mas fechou com um declínio marginal nesta segunda-feira, tendo Embraer entre as principais pressões negativas, em sessão com volume reduzido.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,05%, a 173.205,35 pontos, após os ajustes de fechamento, tendo marcado 172.392,54 pontos na mínima e 173.891,53 pontos na máxima do dia. Em dia com jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo no meio do pregão, o volume financeiro somou R$14,167 bilhões, de uma média diária de R$30,675 bilhões no mês. O Brasil venceu o Japão por 2 a 1. De acordo com análise gráfica semanal de analistas do BB Investimentos, o desempenho recente do Ibovespa sugere um possível alívio na sequência de quedas que vinha ocorrendo desde a segunda quinzena de abril. “Para confirmar o retorno à tendência de curto prazo de alta, o índice precisa fechar acima dos 176 mil pontos, com o objetivo seguinte já na casa dos 182.900”, afirmaram em relatório a clientes. No exterior, o norte-americano S&P 500 subiu mais de 1%, com a recuperação de ações do setor de tecnologia e o cenário geopolítico no radar. Equipes técnicas do Irã e dos Estados Unidos que trabalham na implementação de um acordo de paz provisório devem se reunir em Doha nos próximos dias, disse uma fonte à Reuters, após ataques recíprocos no fim de semana. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que haveria uma reunião em Doha na terça-feira, mas não deu detalhes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, porém, disse que não há negociações agendadas entre o Irã e os Estados Unidos para os próximos dias.
REUTERS
Boletim Focus: pela primeira vez em semanas, mercado interrompe alta nas projeções de inflação e juros
Previsões para o IPCA estavam subindo há 15 semanas consecutivas, chegando a 5,33% para o fim de 2026
Após uma sequência de 15 semanas de alta, o mercado financeiro freou as projeções para a inflação. Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA no fim de 2026 permaneceu em 5,33%. A trégua também veio na previsão para a taxa Selic, que ficou em 14% ao ano, encerrando uma sequência de três elevações seguidas. Ainda assim, o cenário segue preocupante. O IPCA acima dos 5% continua distante do teto da meta, estabelecida em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. Além disso, para o fim de 2027, as expectativas para a inflação continuaram subindo, agora pela sexta semana consecutiva, chegando a 4,17%. Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar de ainda haver incertezas, é justamente a desescalada da guerra entre Estados Unidos e Irã um dos fatores que está permitindo uma melhora nas projeções. Ele acredita que está à vista uma normalização dos preços do petróleo, de forma que será possível ver pressões menores da inflação nas próximas leituras. — A inflação de alimentos já deu sinais de perda de força e estamos entrando em período de sazonalidade de baixa dos alimentos, entre julho e setembro, tipicamente. Com isso, nossa expectativa é de ver o IPCA retornar à normalidade vista no segundo semestre do ano passado, pré-período de sazonalidade de alta, entre dezembro e fevereiro. O IPCA-15 da última semana já indica isso — explicou. Segundo o economista, apesar dos riscos de alta para a inflação, sobretudo pela expectativa de aceleração dos preços dos alimentos no fim deste ano e início do ano que vem, devido ao El Niño, há sinais positivos. Valério destaca que o nível dos reservatórios tem superado as expectativas e que a manutenção da bandeira tarifária amarela pela Aneel pode contribuir para uma trajetória da inflação melhor do que a prevista pelo Copom. Na sua avaliação, o pico das pressões inflacionárias pode ter ficado para trás, e a projeção segue em 5,2% para o IPCA de 2026 e 3,8% para 2027. — No curto prazo, esperamos a estabilidade das expectativas, mas vemos potencial de recuo tanto nas projeções de IPCA quanto de Selic — disse Valério, acrescentando que discorda da visão de boa parte do mercado de que o Copom vai entregar o último corte de Selic do ano na reunião de agosto: — Com o cenário prospectivo de inflação melhorado, vemos condições para o Copom entregar cortes de 25 pontos base em todas as reuniões até o fim de 2026, o que levaria a Selic a 13,25%. Para o economista, as divulgações do IPCA de junho e do IPCA-15 de julho serão determinantes para a trajetória da inflação.
O GLOBO/G1
Governo central registra déficit primário de R$53,257 bi em maio, em linha com o esperado
O governo central registrou um déficit primário de R$53,257 bilhões em maio, informou o Tesouro Nacional na segunda-feira, em linha com o esperado pelo mercado e pior do que o déficit de R$40,249 bilhões obtido no mesmo mês de 2025.
Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$53 bilhões no mês passado. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$197,977 bilhões, um aumento real de 5,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$251,233 bilhões, alta real de 9,4%. Do lado das receitas, o resultado mensal teve ganhos em quase todos os tributos e fontes, mas foi impulsionado por uma alta de R$3,8 bilhões na Contribuição Social sobre Lucro Líquido (+36,7%), R$2,7 bilhões com Cofins (+9,2%) e R$3,1 bilhões com o resultado líquido da Previdência (+5,3%), além de exploração de recursos naturais (+R$6,3 bilhões, ou 84,5%). Os ganhos compensaram o recuo em dividendos, que caíram 76,4% e ficaram R$7,3 bilhões abaixo do observado em maio de 2025. Nas despesas, houve em maio uma alta de R$4,9 bilhões em benefícios previdenciários (+4,2%) e R$1 bilhão em abono e seguro-desemprego (+9,8%). Por outro lado, os desembolsos com subsídios, subvenções e Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) caíram 50,5%, um recuo de R$1,7 bilhão. Nos cinco primeiros meses do ano, o governo central acumulou um déficit de R$44,385 bilhões, ante saldo positivo de R$32,940 bilhões no mesmo período do ano passado. O resultado é o pior para os cinco primeiros meses do ano desde 2020, quando o rombo foi de R$319,3 bilhões em meio a massivos desembolsos do governo relacionados à pandemia de Covid-19. No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$142,3 bilhões, ou 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, o governo tem uma meta fiscal de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), mas há uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB e algumas despesas que não são contabilizadas.
REUTERS
IGP-M passa a cair 0,5% em junho com queda nos preços ao produtor, mostra FGV
O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), conhecido como a “inflação do aluguel”, passou a cair 0,5% em junho, depois de ter registrado alta de 0,84% no mês anterior, mostraram dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) na segunda-feira (29). Com o resultado do mês, o índice passou a acumular avanço de 3,16% nos últimos 12 meses.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, teve queda de 0,97% em junho, depois de subido 0,91% no mês anterior. “O movimento de convergência dos preços de commodities energéticas e minerais aos patamares pré-guerra de Hormuz contribuiu para que o IPA registrasse queda”, avaliou Matheus Dias, economista do FGV Ibre. Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que tem peso de 30% no índice geral, desacelerou a alta a 0,47% em junho, de 0,61% em maio. “Parte (da) redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, destacou Dias. Segundo os dados do IPC, a gasolina recuou em junho 1,29%, enquanto o etanol caiu 5,61% e o café em pó teve queda de 2,57%. Por fim, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) passou a subir no período 0,85%, de uma alta de 0,77% em maio.
REUTERS
EMPRESAS
Com fim da cota chinesa, frigoríficos dão férias coletivas e reduzem abates
Volume de 1,1 milhão de toneladas, estabelecido para o Brasil, está perto de ser preenchido; empresas buscam adequar operações diante da ausência da China. Cota brasileira é de 1,106 milhão de toneladas — abaixo do volume de 1,7 milhão de toneladas exportado no ano passado pelo país
Frigoríficos brasileiros de diferentes Estados se preparam para dar férias coletivas a funcionários de algumas de suas plantas a partir de julho, cientes do iminente preenchimento da cota de exportação anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa adicional, à China. Empresas como Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos suspenderão parcialmente abates de animais e produção de carne bovina em função da expectativa de ausência da demanda chinesa até outubro, quando importadores da China devem voltar a comprar do Brasil, já dentro da cota de 2027. No fim de 2025, a China fixou cotas para seus fornecedores de carne bovina, incluindo Austrália e Estados Unidos, como forma de proteger a produção local. A cota brasileira é de 1,106 milhão de toneladas — abaixo do volume de 1,7 milhão de toneladas exportado no ano passado pelo país. Dentro da cota, a tarifa é de 12%. O que passa do limite é tributado em mais 55%, levando a um total de 67%. Mesmo estando no fim de junho, exportadores consideram que a cota está perto de ser preenchida porque a China toma por base o que chega aos portos do país dentro do ano. No cômputo de 2026, por exemplo, foram contabilizadas cargas que deixaram o Brasil no fim de 2025 e só chegaram à China no começo de 2026. Pelos últimos dados divulgados pelo governo chinês, em 23 de junho, o Brasil havia preenchido até maio 65,4% de sua cota. A expectativa de executivos em geral é que, após o preenchimento, importadores chineses voltem ao mercado brasileiro só em outubro, tendo em vista que volumes que saírem daqui nos últimos meses do ano só chegarão à China no começo de 2027. A Frigol, uma das cinco maiores empresas de carne bovina do Brasil, dará férias coletivas de 18 dias, a partir de 1 de julho, para os quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA). A planta destinava 70% de sua produção à China, disse ao Valor o CEO, Luciano Pascon. Em outras unidades, a empresa diminuirá os abates em cerca de 20%, mas não prevê férias coletivas. Há expectativa de que, no retorno dos empregados, a operação ainda permaneça reduzida em 30% a 40%, segundo Pascon. “Não conseguimos encaixar em outros mercados, externo e no Brasil, toda a produção que a China tomava”, disse. A Better Beef, dona de duas unidades de abate de bovinos no Estado de São Paulo, vai interromper a produção em uma delas, em Araçatuba, de 20 de julho a 10 de agosto, segundo o gerente comercial Sandro Batista. O plano da companhia é usar a estrutura da planta de Rancharia (SP), que costuma enviar de 80% a 85% do que produz à China, para atender o consumo doméstico e outros países, como EUA, Chile e nações do Oriente Médio. Normalmente, o mercado brasileiro é atendido pela planta de Araçatuba. A empresa, que no ano passado faturou cerca de R$ 3 bilhões e previa crescer em torno de 10% neste ano. Mas com a restrição chinesa, agora trabalha com perspectiva de repetir o resultado de 2025, segundo Batista. A Iguatemi Beef, de Mato Grosso do Sul, também dará férias coletivas em julho para cerca de 650 funcionários, de um total de 850 que trabalham em sua fábrica no município de Iguatemi. A unidade exporta entre 90% e 95% da carne bovina que produz, sendo 80% para a China. A redução do abate ajudará a administrar custos em um momento de menor demanda e preços de boi considerados altos, segundo o diretor de exportação, Douglas Domingues. A empresa reforçou estoques para ampliar vendas a partir de julho a outros mercados, como Estados Unidos, Oriente Médio, Reino Unido e mercado interno. “Isso tudo já está ocorrendo, carne se vende com antecedência”, disse Domingues. A lista de empresas concedendo férias coletivas em razão do preenchimento da cota chinesa inclui ainda a Plena Alimentos, que adotará a medida por 21 dias úteis para 1,5 mil funcionários de suas plantas em Goiás e Tocantins. Já o Astra Foods, de Cruzeiro do Oeste (PR), aposta em abastecer o mercado de sua região com a carne bovina que deixará de exportar à China nos próximos três meses, disse Bruno Cunha, gerente de vendas para exportação. Entre as maiores companhias de carne do país, a diversificação de destinos e de carnes produzidas, assim como operações em vários países, tende a minimizar os efeitos da cota chinesa. No caso da Minerva Foods, as unidades no Brasil devem continuar produzindo para abastecer o mercado americano, que segue demandante da carne bovina brasileira, enquanto unidades da Argentina, Uruguai e Colômbia seguirão suprindo a China, segundo uma fonte a par da operação. Há pouco mais de uma semana, o CEO da Friboi, controlada pela JBS, Renato Costa, disse que a empresa interromperia a produção de cortes específicos para a China a partir do dia 20. Procurada pela reportagem, a JBS não informou se também dará férias coletivas a parte de seus funcionários. MBRF e Minerva tampouco comentaram quando questionadas pela reportagem.
GLOBO RURAL
JBS e Âmbar querem quintuplicar produção de biometano com resíduos da Friboi
A JBS e a Âmbar Energia vão investir R$ 65 milhões para ampliar a produção de biometano a partir de resíduos das operações da Friboi, com a meta de quase quintuplicar os volumes do combustível renovável utilizado em processos industriais e na logística do grupo, disseram à Reuters as empresas pertencentes à holding J&F.
Os projetos, desenvolvidos nas unidades do Friboi de Campo Grande (MS), Lins (SP) e Andradina (SP), além de outras iniciativas em avaliação, deverão elevar a produção de biometano da companhia para cerca de 40 mil metros cúbicos (m³) por dia, ou 14 milhões de m³/ano. O cronograma prevê que o nível de produção atual, de 8 mil m³/dia, aumente para 20 mil m³/dia até fevereiro de 2027, devendo atingir o total de 40 mil m³/dia em julho de 2028. O combustível renovável terá usos tanto na área logística, na frota de caminhões da JBS, quanto industriais, em equipamentos que demandam energia térmica, como secadores de proteínas, e outros processos que hoje consomem gás combustível, disse a JBS. A iniciativa está alinhada à aposta no biometano por parte de empresas, especialmente indústrias que usam gás natural e diesel em seus processos produtivos e logística, como uma forma de descarbonizar o consumo de combustíveis. O biometano é um gás de origem renovável que serve como substituto de combustíveis fósseis.
FOLHA DE SP
GOVERNO
Plano Safra 2026/27 vai ter mais recursos, mas abaixo do valor pedido pelo setor
Agricultura empresarial terá R$ 525,1 bilhões disponíveis com queda nos juros; programa será apresentado pelo governo Lula nesta terça-feira
O Plano Safra 2026/27 terá R$ 525,1 bilhões em recursos disponíveis para financiamentos de médios e grandes produtores. O valor é recorde e 1,7% maior que o ofertado na safra anterior, de R$ 516,2 bilhões. “São R$ 9 bilhões a mais do que na safra passada. Com isso, o Plano Safra bate recorde pela quarta vez no governo Lula”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. Além dos recursos para a agricultura empresarial, estão previstos de R$ 83 bilhões a R$ 85 bilhões para a agricultura familiar. Com isso, o Plano Safra do ciclo 2026/2027 irá totalizar de R$ 608 bilhões a R$ 610 bilhões. Apesar de recorde, o valor ficou abaixo do pleito do setor do agronegócio, que pedia de R$ 623 bilhões a 674 bilhões. O Plano Safra atual foi considerado pelo Executivo um dos mais difíceis de construção, dada a desaceleração na queda da Selic, a disponibilidade limitada de fontes de recursos – comprometidas em parte com renegociações – e a conjuntura desafiadora do agronegócio. “Houve muita evolução nas tratativas. Estamos felizes e há motivos de sobra para celebrar o resultado desse Plano Safra”, avaliou o ministro. Neste cenário, o governo elevou a participação do Tesouro na subvenção – espécie de subsídio – aos juros da agricultura empresarial de R$ 3,94 bilhões da temporada passada para R$ 5,56 bilhões, aumento de 41%. A fatia de recursos equalizados, entretanto, caiu de R$ 113,8 bilhões de 2025/26 para R$ 97 bilhões, queda de 14,75% em virtude do maior custo para a compensação dos juros. Recursos equalizados são aqueles nos quais há participação do Tesouro para subvencionar as taxas de juros. A equalização das taxas de juros é o mecanismo pelo qual o Tesouro cobre a diferença entre a taxa paga pelo produtor nas linhas oficiais e o custo de captação dos bancos – base Selic. É isso que permite ao governo oferecer crédito rural com juros abaixo do mercado. A redução dos juros era um dos principais pleitos do setor para o Plano Safra. “Há um esforço muito expressivo do ponto de vista do Tesouro, com o governo quase dobrando o aporte em um momento complexo, o qual reconhecemos, para atender ao setor”, explicou De Paula. O maior esforço orçamentário foi feito para possibilitar o aumento de recursos combinado à redução das taxas de juros, que caíram até 1,5 ponto porcentual. Na nova safra, os juros aplicados nos financiamentos da agricultura empresarial passaram para entre 8% e 12,5% ao ano. Na temporada anterior, as taxas iam de 8,5% ao ano a 14% ao ano. “Desde o início, a nossa preocupação era ter juros mais compatíveis com o setor. A maior parte das taxas está enquadrada em um dígito, com uma queda em torno de 1,5 ponto porcentual”, apontou De Paula. O ministro destacou a queda nos juros para custeio, de 14% para 12,5% ao ano, para financiamento em armazéns de até 12 mil toneladas, de 8,5% para 8% ao ano. “É um esforço financeiro que sinaliza a sensibilidade do governo para essa questão”, observou De Paula. Para o ministro, a ampliação do orçamento destinado pelo governo ao Plano Safra da agricultura empresarial mostra o reconhecimento da importância do agronegócio. “É o principal setor da economia brasileira, responsável por 25% do PIB, que cresceu 11,7% no ano passado e tem batido recorde de safras”, pontuou. Outro fator que pesou na decisão do governo em ampliar os recursos para o Plano Safra foi a preocupação com a contenção da inflação de alimentos. Inicialmente, o Ministério da Agricultura mirava juros de até um dígito para a safra empresarial. Entretanto, a desaceleração da Selic e o consequente alto custo para equalização limitaram a redução. “Houve uma queda em média de 1,5 ponto porcentual nas taxas ante o praticado no Plano Safra anterior, o dobro da redução vista na taxa básica de juros, a Selic, que saiu de 15% ao ano para 14,25% ao ano em um ano”, observou De Paula. Outra prioridade do governo para a nova safra foi elevar os recursos para médios produtores, segundo De Paula. “Priorizamos o foco no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural). A média de financiamento no Pronamp em quatro anos do governo é de R$ 64 bilhões por ano-safra contra R$ 34 bilhões por ano-safra do ano anterior”, apontou. O Pronamp terá R$ 72,6 bilhões em recursos com taxas controladas, 5% mais que os R$ 69,1 bilhões da safra atual. Os juros dos financiamentos do Pronamp serão de 9% ao ano, um ponto porcentual abaixo dos 10% ao ano da temporada 2025/26. O limite de renda bruta anual para o enquadramento de agricultores no Pronamp, linhas voltadas ao custeio e financiamento de produtores de médio porte, foi mantido em R$ 3,5 milhões de receita bruta anual. Agora, pelo Pronamp, produtores poderão financiar a aquisição de matrizes reprodutoras. Também foi igualada a taxa de comercialização a de custeio no Pronamp a 9% ao ano. A cifra total do Plano Safra da agricultura empresarial inclui R$ 194 bilhões em recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) originadas de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e de recursos captados em poupança rural com direcionamento obrigatório. Os detalhes do Plano Safra 2026/27 serão apresentados em cerimônia no Palácio do Planalto na terça-feira, 30, às 10h, com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, que estará como presidente em exercício.
O ESTADO DE SÃO PAULO
SUÍNOS & FRANGOS
Grupo Zanchetta anuncia aquisição da Ceratti, marca de frios e embutidos
O negócio prevê a transferência integral do controle societário, hoje nas mãos do grupo americano Hormel Foods. Operação marca entrada do Grupo Zanchetta no segmento de suínos
O grupo Zanchetta anunciou, na segunda-feira (29/6), a aquisição da Ceratti, marca tradicional no mercado de frios e embutidos do país. O negócio prevê a transferência integral do controle societário, hoje nas mãos do grupo americano Hormel Foods. A fábrica da Ceratti está localizada em Vinhedo (SP). Em nota, o grupo Zanchetta informou que a operação marca sua entrada no segmento de suínos, ampliando o portfólio multiproteína da empresa com produtos processados de alto valor agregado. A transação contou com a assessoria do Banco Santander. Os valores do negócio não foram divulgados. “Essa aquisição vai além da entrada em uma nova categoria. É sobre somar a um propósito que já é nosso: construir um grupo de alimentos reconhecido pela excelência, pela confiança e pela capacidade de levar proteínas de alta qualidade aos mais diversos momentos de consumo”, afirmou o diretor presidente do grupo Zanchetta, José Carlos Zanchetta. Até a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e demais órgãos competentes, Ceratti e grupo Zanchetta continuarão operando de forma independente.
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Seara aposta em produtos de valor agregado para crescer em carne suína
Empresa fez programa voltado à padronização e profissionalização de açougues nas redes de varejo. Segundo a Seara, a carne suína está presente em 93% dos lares brasileiros e o consumo deve alcançar 19,5 quilos per capita no país
Em um cenário de crescimento no consumo de carne suína no Brasil, a Seara afirma que “já captura mais da metade da receita do segmento com um modelo baseado em valor agregado”, conforme nota divulgada nesta segunda-feira (29/6). A companhia não revelou valores da receita obtida no setor. Segundo a empresa do grupo JBS, a proteína está presente em 93% dos lares brasileiros e o consumo deve alcançar 19,5 quilos per capita no país. Ao mesmo tempo, cerca de 80% do volume de carne suína vendido em açougues ainda não tem identificação de marca ou procedência. No intuito de liderar o fornecimento, a Seara passou a apostar em estratégias para se diferenciar na categoria. Uma das iniciativas é um programa voltado à padronização e profissionalização de açougues nas redes de varejo. O projeto busca enfrentar gargalos históricos do setor, como perdas operacionais e escassez de mão de obra qualificada, por meio de capacitação, consultoria técnica e fornecimento de produtos certificados. A iniciativa reúne 1.300 lojas, conta com cerca de 130 consultores e registra índice de retenção de clientes de 93%. Além disso, a companhia ressaltou que também investe em cortes porcionados, produtos temperados e itens prontos para preparo em forno ou air fryer. Esses produtos já respondem por 49% da receita da divisão de carne suína. A meta é elevar essa participação para 60% até 2027. “Nosso foco é liderar a evolução da carne suína no Brasil, saindo de um mercado pouco diferenciado para um modelo baseado em marca, padronização e valor agregado”, disse João Victor Bobsin, diretor executivo comercial da Seara, em nota.
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