CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2742 DE 29 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2742 | 29 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi segue atento a novas quedas

Frigoríficos mantêm compras em ritmo lento

Em São Paulo, segundo dados da Scot Consultoria, o valor do macho terminado sem padrão-exportação fechou a sexta-feira (26/6) cotado em R$ 342/@ no interior de São Paulo, o que representou desvalorização de R$ 6/@ em relação ao preço registrado na sexta-feira anterior (19/6). Pelos dados da Scot, o “boi-China” está valendo R$ 347/@ no mercado paulista, com ágio de R$ 5/@ sobre o animal “comum”. O mercado do boi gordo encerrou a sexta-feira (26) com estabilidade nas cotações em São Paulo, conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. Apesar da manutenção dos preços na comparação diária, o balanço da semana foi de queda para todas as categorias negociadas. Segundo a consultoria, em relação ao fechamento da semana anterior, a arroba do boi gordo e do “boi China” recuou 1,7%. A vaca registrou queda de 1,2% e a novilha teve retração de 1,8%. A Scot Consultoria explica que o movimento refletiu a postura cautelosa dos compradores, que operaram com escalas de abate confortáveis, superiores a uma semana, sem necessidade de ampliar a programação de compras. O consumo interno mais fraco, característico do fim do mês, também limitou o escoamento da carne bovina e levou as indústrias a administrarem os estoques com maior rigor. Mesmo os frigoríficos voltados à exportação mantiveram atuação cautelosa, enquanto as empresas mais dependentes do mercado doméstico buscaram negociar em níveis menores. Do lado da oferta, os pecuaristas continuaram escalonando a entrega dos lotes, porém de forma menos intensa. Houve maior flexibilidade para negociações com preços inferiores, especialmente nas regiões onde a oferta aumentou ou onde havia maior necessidade de comercialização, favorecendo compras em valores menores. Para a sexta-feira, a consultoria destaca que os fundamentos permaneceram inalterados. A pressão baixista continuava presente e o mercado ainda trabalhava com expectativa de novas quedas nas cotações. Com isso, a arroba do boi gordo permaneceu cotada em R$ 342,00. A vaca foi negociada a R$ 318,00/@ e a novilha a R$ 329,00/@. O “boi China” manteve cotação de R$ 347,00/@, com ágio de R$ 5,00 por arroba em relação ao boi gordo comum. As escalas de abate permaneceram, em média, para nove dias. Conforme a Scot Consultoria, já havia negócios fechados abaixo das referências vigentes, mas ainda sem volume suficiente para alterar oficialmente as cotações. Na Bahia, o mercado apresentou equilíbrio entre oferta e demanda, mantendo as cotações inalteradas. As escalas de abate no estado atendiam, em média, dez dias.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo: poucos negócios

A semana foi marcada por poucos negócios; escalas de abate apresentam relativo conforto, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional

O mercado físico do boi gordo apresentou manutenção dos preços em grande parte do país, com poucas exceções. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias ressalta que, no geral, o dia foi de inexpressiva fluidez dos negócios, com algumas indústrias ausentes da compra de gado. “As escalas de abate apresentam relativo conforto, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional”, pontua. Segundo o especialista, o esgotamento precoce da cota chinesa ainda é o principal elemento de demanda a ser considerado no curtíssimo prazo. A expectativa é que o governo chinês emita o alerta de que 80% da cota brasileira foi preenchida nos próximos dias, consequência do ritmo acelerado dos embarques em maio e junho. Preços médios da arroba: São Paulo: R$ 340,42 — ontem: R$ 340,33. Goiás: R$ 319,71 — ontem: R$ 319,93. Minas Gerais: R$ 317,65 — ontem: R$ 320,17. Mato Grosso do Sul: R$ 332,05 — ontem: R$ 331,59. Mato Grosso: R$ 337,30 — ontem: R$ 337,57. O mercado atacadista encerrou a semana apresentando acomodação dos preços no decorrer da sexta-feira. De acordo com Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por alguma queda dos preços no curtíssimo prazo, em linha com a reposição mais lenta entre atacado e varejo. “A entrada dos salários na economia é um importante motivador para a retomada do movimento de alta durante a primeira quinzena de julho. A carne bovina segue menos competitiva em relação às proteínas concorrentes”, completou. Quarto traseiro: R$ 25,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 21,00 por quilo.

SAFRAS NEWS

As cotações recuaram na região Sudoeste de Mato Grosso

Todas as categorias do mercado do boi gordo recuaram na região, com maior oferta e escalas alongadas.

A oferta de bovinos aumentou na região Sudoeste de Mato Grosso. Esse movimento, aliado à demanda mais fraca no mercado, com a aproximação do fim de junho, resultou na queda das cotações da arroba do boi gordo e das fêmeas, na comparação semanal. A cotação do boi gordo caiu 3,6%, ou R$12,00/@, e está em R$324,50/@. Para a vaca, o recuo foi de 2,0%, ou R$6,00/@, comercializada em R$301,00/@. Para a novilha, a cotação apresentou queda de 2,2%, ou R$7,00/@, apregoada em R$310,00/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$12,00/@, ou 3,7% menor do que o registrado em São Paulo, onde a arroba está cotada em R$336,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. Para o curto prazo, o viés é de estabilidade à queda. Destaque BC: Maior oferta de bovinos e demanda enfraquecida fez cair o preço do boi gordo nesta região do estado.

SCOT CONSULTORIA

Frigoríficos fecham a semana com escalas de abate confortáveis, aponta Agrifatto

Consultoria monitora as escalas de abate das indústrias frigoríficas em nove Estados do País

A média nacional das programações de abate das indústrias frigoríficas brasileiras avançou em 1 dia útil, encerrando a semana em oito dias, ante a média de sete dias registrada na sexta-feira anterior (19/6), informou a Agrifatto. Pará e Mato Grosso do Sul fecharam a semana com sete dias de abates agendados, com variação positiva de 1 dia útil no PA e sem variação no MS, detalha a consultoria. As programações de abate em Tocantins e em São Paulo finalizaram a semana alongadas e com alteração de 1 dia no comparativo semanal, encerrando em oito dias úteis de abates agendados. Em Goiás e Minas Gerais, relata a Agrifatto, a semana encerrou com nove e 11 dias úteis de escala, respectivamente, com avanço semanal de dois dias úteis em ambas as praças, alcançando o patamar de escalas longas. Rondônia e Paraná, informa a consultoria, fecharam a semana em oito dias úteis, sem variação semanal em ambas as praças, fechando a semana com patamar confortável em RO e longo no PR. Por fim, em patamar de escalas longas e com variação positiva de 1 dia útil, o Mato Grosso fechou a 26ª semana do ano com oito dias úteis de escala.

PORTAL DBO 

Ministério adotará novo controle para atender exigência da União Europeia nas carnes

Governo deve implementar modelo de ciclo completo de vida dos animais cujas carnes serão enviadas ao bloco. Expectativa é que a medida implementada pelo governo viabilize o retorno da autorização para os embarques do Brasil de carne de aves

O Ministério da Agricultura informou a representantes do setor frigorífico brasileiro, em reunião virtual realizada na sexta-feira (26/6), que deve implementar a partir de 1º de julho um modelo de controle de ciclo completo de vida dos animais cujas carnes serão exportadas para a União Europeia. A Pasta pretende atender a uma exigência do bloco para aplicar uma camada extra de fiscalização oficial nesses produtos para garantir que estão livres de antimicrobianos, insumos proibidos pelos europeus. A expectativa é que a medida viabilize o retorno da autorização para os embarques do Brasil de carne de aves, que têm ciclo de vida curto — de 30 a 40 dias — e poderiam ser monitoradas rapidamente, a tempo de reverter a possível proibição das exportações a partir de 3 de setembro de 2026. Em 2025, as vendas do setor aos europeus somaram US$ 762,9 milhões, com envio de 230,3 mil toneladas. A decisão, porém, desagradou os exportadores de carne bovina, que estavam na reunião. O modelo não contempla o setor e pode levar a uma suspensão das vendas da proteína por, pelo menos, dois anos. “O ministério não tem solução para o boi”, disse uma fonte a par do assunto. “Todos os esforços técnicos foram feitos e não deram em nada. Agora é mais um problema para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolver”, completou. Os bovinos são abatidos com idade entre 24 e 36 meses para exportação de carne para a Europa. A comprovação do não uso dos antimicrobianos na cadeia poderia ser feita pelo protocolo privado homologado pela Pasta recentemente. Essa certificação, no entanto, só atenderia animais nascidos agora e abatidos daqui, pelo menos, dois anos. Até lá, as vendas ficariam suspensas, com impacto anual próximo de US$ 1 bilhão, valor referente às vendas do setor para lá em 2025. O setor defende a adoção de um prazo de transição, com a manutenção de embarques de carne de animais com a rastreabilidade e garantia de não uso dos insumos apenas nos últimos nove meses de vida. Mas o pedido não foi aceito pelos europeus. Procurado, o ministério ainda não respondeu. A reunião foi convocada de última hora após várias conversas técnicas de integrantes do Ministério da Agricultura com as autoridades sanitárias da UE. As tratativas se intensificaram desde maio, quando o bloco anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar para lá a partir de setembro, mas não surtiram efeito. Uma equipe da Secretaria de Defesa Agropecuária esteve novamente na Europa na semana para debater a questão. Aos exportadores brasileiros, os representantes do ministério informaram que o time técnico europeu manteve uma postura rígida no tratamento do tema. “Os europeus disseram claramente que não confiam nas autoridades brasileiras”, afirmou uma fonte. O setor aposta na articulação com o vice-presidente, Geraldo Alckmin. A avaliação é que as áreas técnica e política do Ministério da Agricultura estão “fragilizadas”. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a intenção do governo é rodar o modelo de controle sobre o não uso de antimicrobianos no ciclo completo de vida dos animais a partir de 1º de julho, com uma camada a mais de fiscalização pelo Ministério da Agricultura, e apresentar os resultados para a validação da UE antes de setembro. Como o ciclo de vida dos frangos é de cerca de 40 dias, a expectativa é que os resultados fiquem prontos ainda em agosto e sejam apresentados a tempo de evitar um bloqueio nos embarques, previsto para 3 de setembro de 2026. Segundo relatos das fontes, no entanto, não há garantia de retorno imediato das vendas. A perspectiva é que o modelo de controle completo seja implementado e os resultados sejam discutidos novamente com as autoridades europeias para verificação e possível reabilitação do país. “Não exigiram isso de nenhum país: Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos e Austrália. Há uma política clara para vetar a entrada de carne bovina brasileira na Europa, mas o Ministério da Agricultura sucumbiu aos desejos da autoridade europeia”, disse a fonte. Em tese, a Europa quer garantias de controle do governo brasileiro, como a comprovação da fiscalização oficial do Ministério da Agricultura nas granjas de aves para verificar se não há uso ou presença de produto proibido no local. O pedido é visto como um grau a mais de fiscalização, com eventual testagem por amostragem de animais. Não está claro, porém, se os testes serão feitos. Representantes de frigoríficos dizem que a proibição dos antimicrobianos no Brasil resolveria a questão técnica colocada pela Europa, pois o país se anteciparia e mostraria que os insumos não são usados aqui. Criadores e laboratórios de produtos animais são contra e pressionam o ministério.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar tem leve baixa ante real acompanhando recuo das cotações no exterior

O dólar fechou a sexta-feira com leve baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas, com investidores moderando as apostas de aumento de juros pelo Federal Reserve após novo recuo do petróleo.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,21%, aos R$5,1697. Na semana, a moeda acumulou leve alta de 0,10% e, no ano, baixa de 5,82%. Às 17h05, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,27% na B3, aos R$5,1720. No início do dia, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. No exterior, a moeda norte-americana cedeu ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra e o iene. O dólar também sustentou perdas ante divisas de países emergentes como o peso mexicano, o rand sul-africano e o sol peruano. O movimento tinha a influência dos dados econômicos mais recentes divulgados nos EUA, que reduziram um pouco as apostas de alta de juros pelo Fed neste ano. Além disso, a queda do petróleo Brent, para perto dos US$72 o barril, ajudava a aliviar as preocupações com a inflação e com a política monetária norte-americana. No Brasil, o câmbio acompanhou este viés vindo de fora. Durante a tarde, a moeda recuperou um pouco de força, mas ainda assim terminou a sessão em queda. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas. No mesmo período de 2025 a taxa estava em 6,2%. Já o BC informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$3,185 bilhões em maio, menos que o rombo de US$4,159 bilhões projetado em pesquisa da Reuters com economistas. Na outra ponta, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$7,974 bilhões, contra US$5,75 bilhões projetados.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta sustentado por bancos

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, apoiado principalmente nas ações de bancos, enquanto Braskem figurou novamente na ponta negativa, reflexo de preocupações de investidores sobre a situação financeira da petroquímica.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,79%, a 173.347,87 pontos, acumulando um ganho de 2,98% na semana, conforme dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 173.964,44 pontos. Na mínima, registrou 171.123,94 pontos. O volume financeiro somava R$21,45 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Desemprego no Brasil fica em 5,6% no trimestre até maio, nível mais baixo para o período

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas, em meio a uma queda no número de pessoas sem ocupação e mostrando que o mercado de trabalho segue robusto.

Com isso, a taxa mostra leve recuo ante os 5,8% dos três meses até abril e na comparação com o trimestre imediatamente anterior, até fevereiro, quando também foi de 5,8%. No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego foi de 6,2%. A série histórica da pesquisa se inicia em 2012. Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de 5,6%. “Atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, disse o analista da pesquisa no IBGE, William Kratochwill. “Os segundos trimestres são tradicionalmente marcados por maior estabilidade. Vivemos um momento de estabilidade do mercado”, completou. A taxa de desemprego no Brasil segue em níveis baixos para os padrões nacionais, e analistas não veem uma deterioração brusca mesmo diante de uma esperada perda de força da economia. Esse cenário, somado a rendimentos em alta, sustenta a demanda doméstica e dificulta o controle da inflação pelo Banco Central, que reduziu a taxa básica de juros a 14,25% este mês, mas deixou os próximos passos em aberto. A renda média mensal real caiu ligeiramente a R$3.726 nos três meses até maio, no segundo mês seguido de perda, depois de ter ficado em R$3.758 no trimestre até abril e em R$3.777 nos três meses até março. No trimestre imediatamente anterior, até fevereiro, a renda havia sido de R$3.756. “Caso essa tendência se mantenha nos próximos meses, devemos observar um menor impulso ao consumo das famílias, favorecendo uma desaceleração da inflação, principalmente de serviços, e reduzindo parte das pressões enfrentadas pela política monetária”, destacou Rafael Perez, economista da Suno Research. Nos três meses até maio, o número de desempregados caiu 2,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, chegando a 6,065 milhões, uma queda de 9,3% sobre o mesmo período de 2025. Já o total de ocupados subiu 0,5% ante o trimestre até fevereiro e 0,8% na comparação anual, chegando a 102,703 milhões. “Não parece haver sinal de aceleração no emprego e esperamos continuidade da tendência de moderação”, disse André Valério, economista sênior do Inter, projetando taxa de desemprego de 5,7% no fim do ano. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 0,2% no trimestre até maio sobre os três meses imediatamente anteriores, enquanto os que não tinham carteira cresceram 1,1%.

REUTERS

Confiança da indústria no Brasil sobe pelo 2º mês seguido em junho, diz FGV

A confiança da indústria no Brasil apresentou alta pelo segundo mês seguido em junho diante da melhora na percepção atual e recuperação das expectativas sobre os próximos meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na sexta-feira.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,0 pontos na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados da FGV, e chegou a 100,1 pontos. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, avançou 3,4 pontos, para 102,1 pontos, alcançando o maior patamar desde outubro de 2024, segundo a FGV. “Nas avaliações sobre o presente, nota-se continuidade do movimento de escoamento dos estoques, sobretudo nos setores relacionados a bens intermediários”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, subiu 2,7 pontos, e foi a 98,3 pontos, maior nível desde setembro de 2024. “Em relação ao futuro, a redução da incerteza associada ao conflito no Oriente Médio e a acomodação recente dos preços do petróleo contribuíram para uma recuperação do otimismo entre os empresários da indústria de transformação”, disse Pacini. Ele ressaltou, entretanto, que o ambiente segue “complexo”, com juros elevados e inflação ainda pressionada, o que pode limitar o consumo de bens industriais ao longo do segundo semestre. O Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, mas deixou os próximos passos em aberto.

FGV

Dívida pública federal do Brasil sobe 2,66% em maio e supera R$9 trilhões

A dívida pública federal do Brasil subiu 2,66% em maio em relação ao mês anterior e alcançou R$9,033 trilhões, em período que também registrou alta do custo de rolagem e das novas emissões de títulos, divulgou o Tesouro Nacional na sexta-feira.

No período, a dívida pública mobiliária interna teve alta de 2,72%, a R$8,692 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,37% e atingiu R$340,49 bilhões. A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma emissão líquida de títulos no valor de R$135,62 bilhões e uma apropriação de juros de R$94,17 bilhões. A participação na dívida pública federal dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, continuou em alta no período, atingindo 49,0% do total, contra 48,6% em abril. O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 46% a 50% do estoque neste ano. O Tesouro destacou que foi observada no mês de maio uma elevação nos juros futuros do país, sob reflexo de expectativas em relação à política monetária em contexto de tensões no cenário geopolítico, apesar das perspectivas de resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,22% ao ano em abril para 12,31% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 14,08% ao ano em abril para 14,19% no mês passado. No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$1,211 trilhão, suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos de títulos. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,12 anos em abril para 4,07 anos em maio. Sobre o mês de junho, o Tesouro disse que a curva de juros do Brasil teve alta refletindo mudanças de expectativas sobre o ciclo de política monetária, em contexto de incertezas com o cenário externo.

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Empresários veem inflação maior em 2026 e 2028, e pessimismo com economia cresce, mostra pesquisa do BC

Empresas consultadas pelo Banco Central apresentaram uma projeção mais alta para a inflação neste ano, apontando também um aumento no pessimismo com a economia atual, segundo pesquisa publicada pela autoridade monetária na sexta-feira.

Em nova edição da pesquisa Firmus, que traz a percepção de empresas de fora do setor financeiro sobre seus negócios e as principais variáveis econômicas, a mediana das expectativas para a inflação em 2026 passou de 4,0% no relatório publicado em março para 5,0%. A projeção foi mantida em 4,0% para 2027, mas aumentou de 3,8% para 4,0% em 2028. Os dados foram coletados com 349 empresas entre 11 e 29 de maio. De acordo com a pesquisa, a percepção sobre a situação econômica atual no país se deteriorou em relação ao trimestre anterior, também com uma piora em relação à previsão de desempenho do próprio setor de cada empresa e expectativas de custos mais altos de mão de obra e insumos. O BC incluiu nesta edição do Firmus uma pergunta sobre efeitos gerados pela guerra no Oriente Médio, com a maioria das empresas notando impactos, sobretudo nos custos de frete, logística e aquisição de derivados de petróleo. A eclosão da guerra no Oriente Médio, que gerou forte impacto sobre a cadeia logística do petróleo, provocou volatilidade e elevações na cotação do barril, com efeitos sobre a inflação global. Agentes de mercado agora avaliam desdobramentos econômicos com o possível fim do conflito. Em relação à atividade econômica no país, a projeção das empresas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,8% para 2026 e 2027. As empresas consultadas ainda apontaram uma expectativa de dólar mais fraco nos próximos seis meses, com mediana de R$5,15, bem abaixo dos R$5,40 estimados na pesquisa anterior.

REUTERS

GOVERNO

Conselho Monetário Nacional ajusta regra sobre prorrogação de dívidas rurais

A resolução detalhou que as instituições financeiras ficam autorizadas a prorrogar dívidas de crédito rural, com a manutenção dos encargos originais, “por sua conveniência e decisão”.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ajustes nas regras do Manual de Crédito Rural (MCR) sobre a prorrogação de dívidas dos produtores no sistema financeiro. Uma resolução aprovada no dia 25 de junho detalhou que as instituições financeiras ficam autorizadas a prorrogar dívidas de crédito rural, com a manutenção dos encargos originais, “por sua conveniência e decisão”. A expressão não aparecia no texto anterior do MCR. Na prática, a mudança reforça a autonomia dos bancos e cooperativas de crédito de optar ou não pela prorrogação das operações com a manutenção dos encargos originais. A prorrogação poderá ser feita mediante solicitação do mutuário. Para isso, o produtor terá que comprovar a dificuldade temporária para reembolso dos valores, condição que deverá ser atestada pela instituição financeira. O CMN definiu ainda a adoção de um novo tratamento para os chamados “recursos livres”, que são os recursos próprios ou captados pela instituição financeira e usados para a contratação de operações de crédito rural com taxas livremente pactuadas, não amparadas por subvenção econômica da União na forma de equalização de taxas de juros e outros encargos financeiro. Agora, os recursos livres serão chamados de “recursos não controlados”. A resolução faz adequações de redação para adaptar o MCR à nova nomenclatura. A resolução do CMN também definiu que as fontes de recursos do crédito rural serão classificadas quanto à origem e quanto às condições aplicadas a elas. Na questão da origem, serão consideradas direcionados os recursos para os quais há disposição legal e regulamentar que estabeleça a aplicação em crédito rural (atualmente depósitos à vista, poupança rural, LCAs, fundos constitucionais, Funcafé e recursos do orçamento da União). Serão considerados recursos livres os provenientes das captações não sujeitas ao direcionamento, ou próprios da instituição financeira aplicados em crédito rural. Quanto às condições de encargos financeiros, prazo de reembolso e limite de crédito, o MCR passou a considerar fontes controladas aquelas que têm essas regras fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou por norma específica de outro órgão regulador; e não controladas aquelas cujas condições são pactuadas entre o beneficiário e a instituição financeira. A resolução definiu ainda que instituições financeiras que não cumprirem as exigibilidades do crédito rural poderão pagar custo financeiro e serem submetidas à avaliação sobre o cabimento de instauração de processo administrativo sancionador contra si e seus dirigentes.

GLOBO RURAL

Plano Safra 2026/27 será lançado na terça-feira (30/6) sem Lula

A leitura nos bastidores em Brasília é que a ausência do presidente tira peso político do ato e pode gerar críticas da oposição e do setor agropecuário. A equipe da Presidência estava enfrentando dificuldades para conciliar os compromissos de Lula

O lançamento do Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial será na próxima terça-feira (30/6), às 10h, no Palácio do Planalto, sem a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Convites foram enviados para lideranças e entidades do setor nesta sexta-feira (26/5).

A cerimônia não terá a presença de Lula, que estará na reunião da Cúpula do Mercosul, no Paraguai. A ausência presidencial é algo inédito nos últimos anos nesse tipo de cerimônia. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, estará no evento. Já o anúncio do Plano Safra 2026/27 da agricultura familiar será na tarde de terça-feira (30/6), às 17h. A previsão é que o presidente Lula retorne a tempo para participar da cerimônia, em Brasília. A dificuldade de conciliar agendas deve gerar uma situação inédita. A principal política agrícola do país pode ser anunciada com o chefe do Poder Executivo ausente. A leitura nos bastidores em Brasília é que a ausência de Lula tira peso político do ato para médios e grandes produtores e pode gerar críticas da oposição e do setor agropecuário empresarial, com quem a relação do governo não é boa. A situação também pode enfraquecer o ministro André de Paula (PSD), que ainda tenta estreitar relações com lideranças do agronegócio e demonstrar sua capacidade de articulação com a cúpula do governo em prol dos médios e grandes produtores. A equipe da Presidência estava enfrentando dificuldades para conciliar os compromissos de Lula. O Plano Safra entra em vigor em 1º de julho e, tradicionalmente, é anunciado antes. Em situações pontuais, houve cerimônias depois dessa data. A indefinição se intensificou por conta de viagens já programadas para o presidente. Lula estará em Brasília na segunda-feira (29/6), mas o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo atrapalhou a realização de qualquer agenda pública. Na terça-feira (30/06), o presidente viaja ao Paraguai onde participa da reunião do Mercosul pela manhã. Na quarta-feira (1/7), embarca para o Nordeste para compromissos no Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte até quinta-feira (2/7). Até esta sexta-feira, ainda se estudava a possibilidade de o anúncio do Plano Safra ser na sexta-feira (3/7), data limite para a divulgação de programas dessa natureza de acordo com a legislação eleitoral. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) impede os órgãos e entidades da administração pública de veicular publicidade institucional — o que inclui anúncios de ações, obras e programas governamentais — a partir de 4 de julho de 2026, exatamente três meses antes do primeiro turno das eleições. A presença do presidente no anúncio do Plano Safra da agricultura familiar ainda não é certa, mas há um esforço para que ele consiga participar, pois há uma ligação política com o público. O Ministério do Desenvolvimento Agrário planeja, novamente, realizar uma feira com agricultores familiares nas proximidades do Palácio do Planalto e lotar o Salão Nobre, com pequenos produtores rurais e apoiadores do governo.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

Frigol dará férias coletivas no Pará com preenchimento iminente de cota chinesa

Funcionários de Água Azul do Norte ficarão de férias por 18 dias a partir de 1º de julho

A Frigol, uma das principais produtoras de carne bovina do Brasil, dará férias coletivas de 18 dias, a partir de 1º de julho, para quase mil funcionários que trabalham em sua unidade de Água Azul do Norte (PA), disse ao Valor o CEO da companhia, Luciano Pascon. A planta, a maior das seis operadas pela Frigol no país, abate 1.250 mil animais por dia e envia para a China aproximadamente 70% de sua produção, segundo o executivo. A medida se deve à perspectiva de preenchimento iminente da cota de carne bovina que o Brasil pode exportar aos chineses sem tarifa de 55%. “O Pará tem uma restrição muito grande para exportar a outros destinos. Não exporta para Estados Unidos e União Europeia, por exemplo”, disse Pascon, acrescentando que tais consumidores são relevantes em volumes negociados e preços pagos. “Não conseguimos encaixar em outros mercados, de exportação e do Brasil, toda a produção que a China tomava. Então o ritmo de produção vai ter de passar por um ajuste”, continuou. Da planta de Água Azul do Norte sai cerca de 30% de todo o volume que a Frigol exporta à China. Importadores chineses são atendidos ainda por outras unidades da empresa, que também terão produção reduzida em cerca de 20%, de acordo com Pascon. Para tais plantas, no entanto, não há previsão de férias coletivas. De acordo com os últimos dados oficiais disponíveis sobre o preenchimento da cota chinesa, divulgados pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) na última terça-feira (23/06), o Brasil já havia preenchido 65,4% de sua cota até o fim de maio, com 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira desembarcadas no país entre janeiro e maio. Esse volume inclui cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro. Como a China contabiliza o preenchimento com base no volume que desembarca em seus portos, parte dos exportadores brasileiros acredita que a cota será preenchida com os volumes embarcados até o fim deste mês ou começo de julho. Há expectativa de que as compras sejam retomadas a partir de outubro, para que os volumes negociados cheguem à China a partir de janeiro de 2027, sendo contabilizados na cota do ano que vem. Ciente de que seria necessário interromper vendas para a China nesta época, a Frigol buscou antecipar vendas de carne bovina para outros mercados, “em um momento em que o mercado estava mais comprador”, disse Pascon. A tendência, contudo, é que importadores ofereçam preços mais baixos, cientes de que o Brasil terá volume excedente, não exportado à China. Parte do que é destinado aos chineses pela Frigol vem sendo redirecionado para clientes de Israel, Europa, Canadá, Chile, Estados Unidos e Indonésia, assim como para o mercado interno, mas ainda assim é necessário reduzir o volume produzido, conforme Pascon. Mesmo após o fim das férias coletivas dos funcionários da Frigol de Água Azul do Norte, a operação na unidade será retomada em escala reduzida, com produção 30% a 40% menor, disse o executivo. Considerando toda a produção da empresa, a perspectiva é de redução de 20% a 25%. “Tudo vai depender de como se darão as condições de mercado”, disse ele. Existe a possibilidade, na avaliação do executivo, dos preços do boi gordo caírem um pouco com a menor demanda dos frigoríficos até outubro, ao mesmo tempo em que a demanda de outros clientes importadores e do mercado doméstico precisa ser observada. Além da unidade de Água Azul do Norte, a Frigol opera as plantas de Lençóis Paulista (SP), São Félix do Xingu (PA), duas fábricas em Ji-Paraná (RO) e uma em Rolim de Moura (RO).

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

Uruguai exporta menos carne em 2026, mas preços mais altos sustentam receita

O setor de carnes do Uruguai vive um cenário curioso em 2026: os embarques diminuíram de forma significativa, mas a receita com exportações praticamente se manteve graças à forte valorização dos preços internacionais.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Carnes (INAC) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, o país exportou 255,7 mil toneladas de carnes e produtos cárneos, uma queda de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da redução no volume, a receita somou US$ 1,324 bilhão, apenas 3% abaixo do registrado nos cinco primeiros meses do ano passado. A explicação está no preço médio das exportações. Considerando todos os produtos cárneos embarcados, o valor médio alcançou US$ 5.180 por tonelada, um aumento de 15,7% na comparação anual. A carne bovina continua sendo o principal produto da pauta exportadora do setor, respondendo por mais de 83% das receitas obtidas com carnes. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Uruguai embarcou 195,9 mil toneladas de carne bovina, gerando US$ 1,108 bilhão em receita. O preço médio atingiu US$ 5.656 por tonelada, crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A carne ovina também apresentou valorização expressiva. Foram exportadas 4,4 mil toneladas, com receita de US$ 30 milhões e preço médio de US$ 6.832 por tonelada, avanço de 34,2% na comparação anual. A valorização da carne uruguaia ocorre em um contexto de menor disponibilidade de animais para abate. Segundo o INAC, entre janeiro e maio foram abatidos 922 mil bovinos, volume 17,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. No caso dos ovinos, o recuo foi ainda mais intenso, chegando a 29,1%. A combinação entre menor oferta e demanda internacional firme contribuiu para elevar os preços médios das exportações, compensando parte da perda de volume. Outra mudança relevante em 2026 foi a liderança dos países do bloco USMCA (Estados Unidos, México e Canadá) como principal destino das carnes uruguaias. O bloco respondeu por US$ 443,6 milhões em compras, equivalente a 33,5% do faturamento total do setor. A China ficou logo atrás, com US$ 402,6 milhões (30,4%), enquanto a União Europeia ocupou a terceira posição, com US$ 230,8 milhões (17,4%). A mudança reforça uma tendência observada nos últimos anos, com o mercado norte-americano ganhando relevância crescente para as carnes uruguaias, especialmente em momentos de preços elevados. Os números mostram que 2026 está sendo marcado por uma estratégia cada vez mais baseada em valor do que em volume. Embora o Uruguai esteja exportando menos carne, o aumento dos preços internacionais tem permitido preservar a receita do setor e ampliar o valor médio obtido por tonelada embarcada. Para um país cuja produção é limitada em escala quando comparada a grandes exportadores mundiais, capturar mais valor por quilo produzido pode ser tão importante quanto aumentar os volumes exportados.

EL OBSERVADOR

SUÍNOS & FRANGOS

Frimesa adotará Cobre e Solta em novos projetos para matrizes suínas

Mudança prevista a partir de 2030 amplia debate sobre bem-estar animal e modernização dos sistemas de alojamento na suinocultura. A Frimesa anunciou que, a partir de 2030, todos os novos projetos destinados a matrizes suínas passarão a utilizar o sistema Cobre e Solta como padrão construtivo e operacional. A medida foi divulgada em junho e integra a política de bem-estar animal da cooperativa agroindustrial.

O anúncio ocorre em um momento de ampliação das discussões sobre manejo, alojamento coletivo e adaptação dos sistemas produtivos na suinocultura brasileira. A decisão também se relaciona às diretrizes da Instrução Normativa nº 113/2020, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que estabelece boas práticas de manejo e bem-estar animal em granjas de suínos comerciais. No sistema Cobre e Solta, as matrizes permanecem em alojamento individual por um período mais curto, ligado à cobertura e ao início da gestação, e depois são transferidas para baias coletivas. A proposta é permitir maior possibilidade de movimentação, interação e expressão de comportamentos naturais durante parte mais longa do ciclo gestacional. Durante décadas, o alojamento individual de matrizes gestantes foi utilizado em diferentes sistemas de produção. Nos últimos anos, porém, a pressão de consumidores, compradores internacionais, varejistas, investidores e entidades ligadas ao bem-estar animal tem acelerado a busca por alternativas de manejo. Segundo a Sinergia Animal, o anúncio da Frimesa é resultado de um processo de diálogo iniciado nos últimos anos, com apresentação de estudos técnicos, experiências internacionais e propostas voltadas à ampliação de padrões de bem-estar animal na cadeia suinícola. “Mudanças estruturais dessa magnitude não acontecem da noite para o dia. Elas são resultado de anos de diálogo técnico, construção de confiança e compromisso com soluções que conciliam competitividade e bem-estar animal. O anúncio da Frimesa demonstra que é possível avançar quando diferentes atores trabalham em conjunto”, afirma Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil. A mudança acompanha uma tendência observada em diferentes mercados, nos quais sistemas coletivos para matrizes suínas passaram a ganhar espaço por exigência regulatória, demanda comercial ou compromissos assumidos pelas próprias empresas. No Brasil, a IN 113/2020 estabeleceu diretrizes para a adequação gradual das granjas comerciais, incluindo parâmetros relacionados ao alojamento e manejo de suínos. Apesar do avanço, a implementação ainda depende de investimentos, adaptação das estruturas, capacitação de equipes e planejamento de longo prazo. Como o compromisso da Frimesa se aplica aos novos projetos a partir de 2030, o acompanhamento da execução será decisivo para avaliar os efeitos práticos da medida na cadeia produtiva. A adoção de novos padrões de alojamento também tem impacto comercial. Para empresas exportadoras e cadeias integradas, políticas de bem-estar animal podem influenciar o acesso a mercados, negociações com compradores e posicionamento diante de exigências nacionais e internacionais. Com o anúncio, a Frimesa passa a integrar o grupo de empresas brasileiras que incorporam o sistema Cobre e Solta em seus planos de expansão ou novos projetos. A medida reforça a consolidação do bem-estar animal como tema estratégico para a competitividade, a sustentabilidade e a imagem da suinocultura brasileira.

FEED&FOOD 

Frango/Cepea: Poder de compra de avicultor em SP continua subindo

Elevação no preço do frango e baixas nas cotações dos insumos

A elevação no preço do frango vivo e as baixas nas cotações dos principais insumos utilizados na atividade, milho e farelo de soja, nesta parcial de junho frente ao mês anterior, levaram o poder de compra do avicultor paulista a registrar alta pelo terceiro mês consecutivo, apontam dados do Cepea. A média do frango vivo negociado no estado de São Paulo está em R$ 5,12/kg na parcial de junho (até o dia 24), alta de 1,1% frente à média de maio. Segundo pesquisadores do Cepea, após a forte valorização verificada de abril para maio, o movimento altista se arrefeceu em junho, influenciado pelo leve enfraquecimento da procura por lotes de animais. No mercado de insumos, segundo levantamento da Equipe de Grãos do Cepea, a desvalorização do milho está atrelada ao fato de que compradores estão retraídos neste período de safra. Para o farelo de soja, ainda segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o preço também está em queda neste mês, devido à maior oferta. Dessa forma, neste mês, o avicultor paulista consegue comprar 4,82 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, 3,9% a mais que em maio. Quanto ao farelo de soja, o produtor consegue adquirir 3,06 quilos do derivado, o maior volume desde novembro de 2025, com alta de 3,7% frente ao registrado no mês passado.

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