CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2740 DE 25 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2740 | 25 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Boi gordo mantém queda. expectativa de alta só no último trimestre

Intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação em vários confinamentos Brasil a fora. Mercado físico do boi gordo ainda conta com negociações abaixo da referência média em grande parte do país.

O analista da consultoria Safras & Mercado ressalta que os frigoríficos seguem reorganizando a programação de acordo com a expectativa de esgotamento precoce das cotas brasileiras de exportação para a China. “Diante disso, surge a necessidade de reduzir os abates. Alguns frigoríficos apontam até mesmo para férias coletivas neste período de maior incerteza quanto ao fluxo de exportação.” Conforme antecipado, a salvaguarda chinesa vem provocando instabilidade e muita volatilidade no mercado pecuário brasileiro. Diante de preços pouco atrativos no mercado futuro, a intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação em vários confinamentos Brasil a fora. “Essa situação pode promover altas consistentes durante o último trimestre”, ressalta Iglesias. Preços médios da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 341. Goiás: R$ 320,18. Minas Gerais: R$ 320,18. Mato Grosso do Sul: R$ 333,64. Mato Grosso: R$ 338,11. O mercado atacadista ainda apresenta estabilidade em seus preços, com expectativa de recuperação nos próximos dias. “Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável, em especial às vésperas dos jogos da seleção brasileira. A carne bovina ainda perde em competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango.” Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 21,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 20,00.

AGÊNCIA SAFRAS

Frigoríficos reduzem compras e pressão derruba preços do boi gordo no mercado brasileiro

Com cota chinesa perto do limite e risco de sobretaxa de 55% em julho, indústrias começam a frear abates para exportação, pressionando o mercado físico do boi gordo em diversas regiões do país

O mercado pecuário brasileiro começou a sentir nesta semana um novo movimento de pressão sobre os preços da arroba. A aproximação do esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China vem alterando rapidamente a estratégia dos frigoríficos exportadores, que passaram a reduzir o ritmo das compras de animais destinados ao chamado boi-China, provocando recuos nas cotações em importantes praças pecuárias do país. A preocupação do setor gira em torno do limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido pela China para importações brasileiras em 2026. Segundo levantamento da Safras & Mercado, o Brasil deve atingir mais de 98% dessa cota já em julho, elevando o temor sobre a incidência automática de uma sobretaxa de 55% sobre novos embarques, fator que vem mudando completamente a dinâmica da indústria frigorífica nas últimas semanas. A consultoria Agrifatto aponta que a maior parte dos frigoríficos brasileiros já começou a interromper parte da produção direcionada à China, uma medida preventiva para evitar prejuízos com eventuais embarques que ultrapassem o limite tarifário estabelecido pelos chineses. “Esse cenário vem mexendo com a estratégia das indústrias e mudando a dinâmica das negociações no mercado físico”, destacaram os analistas da Agrifatto ao observar queda nas cotações em 9 das 17 praças pecuárias monitoradas no país. Na prática, frigoríficos passaram a operar com compras mais cautelosas, ampliando a pressão sobre o pecuarista que possui animais prontos para abate. Em São Paulo, referência nacional do mercado, o boi comum e o animal padrão exportação passaram a ser negociados ao redor de R$ 345 por arroba no prazo. Safras & Mercado alerta para aumento da volatilidade. Na avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o esgotamento precoce da cota chinesa vem obrigando frigoríficos a reverem seus planejamentos industriais. Segundo a consultoria, o cenário gera aumento de ociosidade nas plantas frigoríficas, uma vez que parte da produção antes destinada ao mercado chinês precisará ser redirecionada ou temporariamente desacelerada. “As indústrias seguem se posicionando no mercado em meio ao esgotamento precoce das cotas de exportação para a China”, observou Iglesias. Apesar do momento de incerteza, especialistas reforçam que o mercado doméstico brasileiro continua exercendo papel importante na sustentação da cadeia da carne bovina. A analista Beatriz Bianchi, da Datagro, destaca que o Brasil segue extremamente dependente do mercado chinês, responsável por cerca de 55% de toda carne bovina importada pela China entre janeiro e maio deste ano. Segundo ela, o desafio não está apenas em encontrar novos destinos para a proteína brasileira, mas principalmente em preservar margens de rentabilidade semelhantes às obtidas nas exportações para o gigante asiático. “O mercado chinês absorve grandes volumes e oferece um aproveitamento industrial extremamente importante da carcaça bovina brasileira”, avaliou a especialista. O que pode acontecer com o boi gordo nas próximas semanas A leitura do mercado do boi gordo hoje é clara: enquanto persistir a incerteza sobre a continuidade dos embarques para a China sem sobretaxas, frigoríficos tendem a continuar operando de forma mais conservadora. Do lado do pecuarista, cresce o dilema sobre vender agora ou segurar oferta aguardando uma possível reorganização da demanda. No curto prazo, o setor acompanha três fatores centrais: possível esgotamento total da cota chinesa até o final de julho; aumento da ociosidade nas plantas frigoríficas exportadoras; comportamento do consumo interno impulsionado pela entrada do segundo semestre e demanda sazonal.
COMPRE RURAL

Exportações de carne bovina podem ter 2º maior junho da história

China abre novas perspectivas para carne brasileira

De acordo com a análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária na segunda-feira (22), as exportações brasileiras de carne bovina in natura alcançaram 187,08 mil toneladas na parcial de junho de 2026, considerando os dados até a terceira semana do mês. O volume representa uma média diária de 13,36 mil toneladas e avanço de 10,87% em relação ao mesmo período de junho de 2025, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior. Caso o ritmo atual seja mantido nos sete dias úteis restantes, os embarques podem chegar a 280,62 mil toneladas, resultado que colocaria junho como o segundo maior volume já registrado para o mês. Paralelamente, o preço médio da proteína chegou a US$ 6.526,20 por tonelada, alta de 19,80% na comparação anual, movimento atribuído à demanda internacional pela carne bovina brasileira. Ainda na última semana, a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa e indicou ao governo brasileiro uma perspectiva de ampliação das importações de proteína animal nos próximos anos. Nesse cenário, o fortalecimento das relações comerciais entre os países aumenta as expectativas de crescimento das exportações brasileiras e de uma possível revisão das cotas atualmente vigentes.

IMAC

Produção de carne bovina cresce no 1º trimestre

MT responde por 18,8% da carne bovina do país

O abate e a produção de carne bovina alcançaram recordes históricos no Brasil e em Mato Grosso no primeiro trimestre de 2026, segundo análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária nesta segunda-feira (22), com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No país, a produção somou 2,62 milhões de toneladas, aumento de 4,71% na comparação anual, enquanto os abates chegaram a 10,24 milhões de cabeças, alta de 3,21%. Os resultados representam os maiores volumes já registrados para um primeiro trimestre desde 1997. De acordo com a análise, o desempenho foi impulsionado pela demanda aquecida, principalmente do mercado externo. Como o crescimento da produção ocorreu em ritmo superior ao avanço dos abates, o rendimento médio das carcaças aumentou 1,45%, chegando a 255,90 quilos por cabeça. Em Mato Grosso, o cenário também foi de recorde para o período. O estado registrou o abate de 1,80 milhão de bovinos no primeiro trimestre, crescimento de 8,10% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A produção de carne atingiu 492,64 mil toneladas, avanço de 12,93% e participação equivalente a 18,80% do total nacional. O rendimento médio das carcaças mato-grossenses chegou a 273,20 quilos por cabeça, alta de 4,46% na comparação com o ano anterior. Segundo o Imea, o resultado está relacionado à maior participação de machos entre os animais abatidos, categoria que apresenta, em geral, carcaças mais pesadas.

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ECONOMIA

Dólar sobe para R$5,20 em dia de alta global da moeda norte-americana

O dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil e novamente na faixa dos R$5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior, em mais uma sessão de busca global pela divisa e por títulos norte-americanos.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,28%, aos R$5,2006, o maior valor desde 30 de março deste ano, quando fechou em R$5,2461. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,25% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,20% na B3, aos R$5,2035. Na terça-feira, a moeda norte-americana à vista já havia fechado em alta, em uma sessão marcada pela venda de ações e pela compra de dólar e de títulos norte-americanos, com investidores em busca de ativos de segurança em todo o mundo em meio a preocupações com a trajetória de juros nos Estados Unidos e com os gastos das grandes empresas com IA. Esta quarta-feira seguiu um tom parecido, com o dólar e os títulos norte-americanos novamente atraindo compras. Assim, o dólar subiu ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o sol peruano, o peso chileno e o peso mexicano. No Brasil, investidores também atuaram considerando um horizonte em que o Federal Reserve tende a subir juros em 2026 e o Banco Central poderá promover novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,25% ao ano — um cenário de redução do diferencial de juros brasileiro, tornando o país menos atrativo ao capital externo.

REUTERS

Ibovespa cai e perde nível dos 171 mil pontos com pressão de Petrobras e Vale

Recuo das ações da petroleira foi alimentado pelo tombo de mais de 4% nos preços de petróleo, diante do aumento do tráfego no Estreito de Ormuz

Desde os primeiros minutos do pregão da quarta-feira, o Ibovespa adotou um movimento mais negativo, em razão da queda expressiva das ações da Petrobras. O recuo foi alimentado pelo tombo de mais de 4% nos preços do petróleo, diante do aumento do tráfego no Estreito de Ormuz e dos avanços nas negociações entre EUA e Irã. O dia também foi negativo para os papéis da Vale, o que ajudou a ampliar ainda mais as perdas do índice. Na primeira metade do pregão, a manutenção de fluxos positivos para ações de tecnologia dos EUA, aliada ao forte recuo de Petrobras e Vale, penalizou a bolsa local, fazendo o Ibovespa ceder até os 169.668 pontos. No entanto, o índice conseguiu devolver uma parte das perdas durante a tarde, com a virada negativa do setor de techs nos EUA e a queda menos intensa de blue chips de commodities por aqui. Com isso, a principal referência acionária local fechou em queda de 0,44%, aos 170.507 pontos, depois de tocar os 171.342 pontos na máxima intradiária. Entre as blue chips, as ON da Petrobras cederam 2,68%, enquanto as PN da petroleira recuaram 2,64%. Da mesma forma, a teve perda de 2,08%. Bancos também encerraram majoritariamente no negativo, com as units do Santander liderando as maiores desvalorizações, com 1,38%. A exceção ficou para as units do BTG Pactual, que exibiram alta de 1,63%. A terceira sessão de queda dos juros futuros não conseguiu oferecer apoio suficiente para o Ibovespa virar para o positivo hoje, mas elevou os ganhos de ações cíclicas domésticas, que responderam pelas maiores altas. Em relatório, o Santander destacou que, embora exportadores chineses esperem uma recuperação gradual da demanda do Oriente Médio após a reabertura do Estreito de Ormuz, custos elevados de frete, riscos logísticos e o eventual retorno das exportações iranianas podem limitar a retomada. Entre 1º de março e 17 de junho, as exportações chinesas de aço para países do Golfo Pérsico recuaram 48% na comparação anual. Enquanto isso, em Nova York, o desempenho das bolsas foi em sua maioria negativo: o Nasdaq e o S&P 500 recuaram 0,43% e 0,10%, respectivamente; já o Dow Jones subiu 0,35%. Ainda que hoje o tema da inteligência artificial tenha perdido força novamente no pregão em Wall Street, parte do mercado avalia que investidores podem estar subestimando oportunidades em outras regiões ao direcionar totalmente o foco para ações ligadas à tecnologia. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 21,4 bilhões e de R$ 27,1 bilhões na B3.

VALOR ECONÔMICO

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$8,196 bilhões em junho até dia 19, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$8,196 bilhões em junho até dia 19, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.

Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$1,498 bilhão no período. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo foi positivo em US$6,697 bilhões. Somente na semana passada, de 15 a 19 de junho, entraram no país US$4,066 bilhões. No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$22,069 bilhões.

REUTERS

Confiança do consumidor no Brasil fica praticamente estável em junho, mostra FGV

Índice de confiança teve recuo de 0,1 ponto neste mês e foi a 88,7 pontos. Índice de situação atual subiu 0,9 ponto, enquanto o índice de expectativa caiu na mesma proporção

A confiança dos consumidores brasileiros ficou praticamente estável em junho em meio à piora das expectativas sobre o futuro e melhora na percepção sobre o presente, mostraram dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgados na quarta-feira (24). O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV teve no mês recuo de 0,1 ponto, indo a 88,7 pontos. O ISA (Índice de Situação Atual) avançou 0,9 ponto, marcando a terceira alta consecutiva, e foi a 87 pontos, maior nível desde outubro de 2014. Por outro lado, o IE (Índice de Expectativas) caiu 0,9 ponto, para 90,4 pontos. “Se por um lado os indicadores de intenção de compra de duráveis e situação financeira futura sugerem um consumidor mais pessimista para os próximos meses, o indicador de situação financeira atual sugere uma melhora na percepção do orçamento do momento”, avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV Ibre. Segundo ela, o mercado de trabalho ainda robusto e políticas governamentais para alívio da dívida ajudam de forma positiva na percepção atual, “mas não são suficientes para reverter o aumento do pessimismo futuro”.

FOLHA DE SP

Balança comercial tem superávit de US$ 3,1 bilhões na 3ª semana de junho

Agropecuária impulsiona exportações brasileiras

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,1 bilhões na terceira semana de junho de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). O resultado foi formado por exportações de US$ 9,3 bilhões e importações de US$ 6,3 bilhões, com corrente de comércio de US$ 15,58 bilhões no período. No acumulado de junho, as exportações somam US$ 25,6 bilhões, enquanto as importações alcançam US$ 18 bilhões. Com isso, o saldo positivo chega a US$ 7,6 bilhões e a corrente de comércio totaliza US$ 43,6 bilhões. Já no ano, o país acumula US$ 174,1 bilhões em exportações e US$ 133,9 bilhões em importações, com superávit de US$ 40,3 bilhões e corrente de comércio de US$ 308,1 bilhões. Na comparação das médias diárias até a terceira semana de junho de 2026 com o mesmo período de 2025, as exportações cresceram 26%, passando de US$ 1,451 bilhão para US$ 1,828 bilhão. As importações também avançaram, com alta de 10,7%, saindo de uma média diária de US$ 1,158 bilhão para US$ 1,283 bilhão. Com esse desempenho, a média diária da corrente de comércio chegou a US$ 3,112 bilhões até a terceira semana de junho, enquanto o saldo médio diário ficou em US$ 545,43 milhões. Em relação a junho de 2025, a movimentação comercial apresentou crescimento de 19,2%. No setor exportador, o desempenho até a terceira semana de junho de 2026, em comparação com igual período do ano anterior, foi positivo nos três principais segmentos. A agropecuária avançou 21,9%, com total de US$ 5,89 bilhões, a indústria extrativa cresceu 70,3%, chegando a US$ 7,47 bilhões, e a indústria de transformação aumentou 10%, alcançando US$ 12,12 bilhões. O crescimento das exportações foi influenciado principalmente pelo aumento das vendas externas de animais vivos, soja e algodão em bruto na agropecuária. Na indústria extrativa, minério de ferro, minérios de cobre e óleos brutos de petróleo tiveram destaque. Já na indústria de transformação, carnes bovina e de aves, além de óleos combustíveis, contribuíram para o resultado. Apesar do avanço geral das exportações, alguns produtos apresentaram redução nas vendas. Na agropecuária, houve queda nos embarques de café não torrado, mate, extrato, essência e concentrado, além de matérias vegetais em bruto. Na indústria extrativa, recuaram as vendas de pedra, areia e cascalho, minérios de alumínio e gás natural. Entre os produtos da indústria de transformação, açúcares e melaços, produtos de ferro ou aço e veículos de passageiros tiveram redução. No lado das importações, a indústria extrativa e a indústria de transformação apresentaram crescimento até a terceira semana de junho de 2026. As compras externas da indústria extrativa aumentaram 11,6%, enquanto a indústria de transformação cresceu 11%. Já a agropecuária registrou queda de 0,8% no período. O aumento das importações foi influenciado principalmente pela compra de produtos como pescado, produtos hortícolas e frutas na agropecuária. Na indústria extrativa, tiveram crescimento as aquisições de fertilizantes, óleos brutos de petróleo e gás natural. Já na indústria de transformação, máquinas de processamento de dados, componentes eletrônicos e veículos de passageiros estiveram entre os produtos com maior avanço. Na agropecuária, caíram as aquisições de cevada, milho não moído e soja. Na indústria extrativa, houve queda em outros minerais em bruto, minérios de metais de base e carvão. Na indústria de transformação, recuaram as compras de óleos combustíveis, motores e máquinas não elétricas e aeronaves.

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SUÍNOS & FRANGOS

Ração mais barata reduz custo de produção de suínos e frangos no Sul do país

Em maio, custo do suíno caiu para R$ 6,23 por quilo em Santa Catarina e o do frango recuou para R$ 4,68 no Paraná. Alimentação representa mais de 60% das despesas nas granjas. 

A queda nos preços da ração voltou a aliviar os custos de produção de suínos e frangos de corte nos dois principais polos produtores do país. Em maio, Santa Catarina registrou nova redução no custo de produção do suíno vivo, enquanto o Paraná apresentou recuo no custo do frango de corte. Os dados são da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves, que acompanha mensalmente a evolução dos custos nas principais regiões produtoras do Brasil. Em Santa Catarina, referência nacional na suinocultura, o custo de produção do suíno vivo passou de R$ 6,25 por quilo em abril para R$ 6,23 em maio, uma redução de 0,37%. O Índice de Custo de Produção de Suínos (ICPSuíno) fechou maio em 356,33 pontos. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a queda é de 3,87%. Em relação aos últimos 12 meses, a retração chega a 1,51%. A alimentação segue sendo o principal componente das despesas nas granjas de suínos. Em maio, a ração respondeu por 72,45% do custo total de produção em Santa Catarina. O item apresentou queda de 0,36% no mês e acumula redução de 2,83% desde janeiro. A diminuição nos custos dos ingredientes utilizados na formulação das rações, especialmente milho e farelo de soja, vem contribuindo para reduzir a pressão sobre os produtores, embora a alimentação continue sendo o fator de maior peso na atividade. No Paraná, maior produtor brasileiro de carne de frango, o custo de produção caiu para R$ 4,68 por quilo em maio, redução de 0,38% em comparação com abril. O Índice de Custo de Produção do Frango (ICPFrango) encerrou o mês em 362,13 pontos. Apesar da queda recente, o indicador ainda acumula alta de 0,53% em 2026. Na comparação com maio do ano passado, entretanto, o custo está 2,05% menor. A principal influência para a redução foi, novamente, a alimentação dos animais. Os gastos com ração representaram 63,03% do custo total do frango de corte no mês e apresentaram retração de 1,15% em relação a abril. Nos últimos 12 meses, a queda acumulada é ainda maior, chegando a 6,63%. Santa Catarina e Paraná são utilizados pela Embrapa como estados de referência para o cálculo dos índices nacionais de custo devido à liderança na produção de suínos e frangos de corte. Santa Catarina ocupa a primeira posição na produção brasileira de suínos, enquanto o Paraná lidera o ranking nacional da avicultura de corte. Além dos dois estados, a Central de Inteligência de Aves e Suínos também disponibiliza estimativas de custos para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, permitindo aos produtores acompanhar a evolução das despesas e comparar a competitividade entre diferentes regiões.

O PRESENTE RURAL

Preço cai no país, e crédito a produtor de suínos encolhe

Contratação de empréstimos na atividade caiu 36,1% no primeiro semestre, para R$ 346,6 milhões, segundo plataforma de inteligência de mercado da ABCS. ‘Com essa crise de preços que nós estamos tendo, [o cenário] preocupa’, diz presidente da ABCS

A forte queda de preços da carne suína tem afugentado os suinocultores brasileiros da contratação de crédito rural. Segundo estatísticas preliminares, os produtores contrataram R$ 346,6 milhões em financiamentos neste ano, o que representou uma queda de 36,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025. “Com essa crise de preços que nós estamos tendo, [o cenário] preocupa. A tendência é de o produtor deixar de fazer algum tipo de investimento ou de se endividar novamente porque ele está operando abaixo do custo de produção”, afirma Iuri Machado, consultor de mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). O declínio das contratações de financiamentos na atividade é consequência direta da queda dos preços da carne suína, que afeta a capacidade financeira dos produtores. De acordo com o indicador do Cepea/Esalq, o quilo do suíno vivo acumulou queda de 36% em São Paulo entre janeiro e maio deste ano, quando passou de R$ 7,76 para R$ 4,97. O juro alto é outra das razões centrais para o encolhimento do crédito. Segundo Machado, as taxas para operações de custeio do segmento chegam a 18% ao ano. As estatísticas preliminares sobre o financiamento da atividade estão na ABCSData, plataforma de inteligência de mercado que reúne informações atualizadas sobre o segmento que a ABCS lançará hoje, em Florianópolis, durante a 333 Experience Congress Brasil. De acordo com a plataforma, o crédito para custeio ao segmento caiu 21% no ano passado, para R$ 1,8 bilhão, com 28,7 mil operações e valor médio de R$ 60,9 mil por operação. Os bancos públicos responderam pela maior parcela (R$ 1,2 bilhão). Médios produtores foram responsáveis por 68,5% das contratações, e os pequenos ficaram com 31,3%. Os números incluem tanto os produtores integrados quanto os independentes. A queda do crédito ocorreu a despeito de 2025 ter sido um ano de recuperação para a suinocultura. Machado avalia que a produção do segmento cresceu, porém não de forma estrutural. “Grande parte desse crescimento de produção se deu muito por conta da produtividade com a mesma estrutura física. Não houve um investimento significativo na questão de melhoria das instalações e de agregação de mais tecnologia”, disse. Outro dado que chama a atenção é a participação de Minas Gerais no crédito à atividade. O Estado teve o segundo maior volume de recursos contratados em 2025, com R$ 371 milhões, embora tenha apenas o quarto maior rebanho do país. Os mineiros, têm, no entanto o maior rebanho independente. Em Santa Catarina, principal Estado produtor e que liderou o ranking de crédito na suinocultura em 2025, os produtores são em sua maioria integrados ou cooperados. Para o segundo semestre de 2026, a expectativa é de recuperação dos preços dos suínos, a menos que haja algum problema relacionado à exportação, segundo Machado. “Historicamente, a suinocultura tem uma reação no segundo semestre. A demanda cresce especialmente no último trimestre, por causa dos festejos de fim de ano”, observa o consultor.

GLOBO RURAL

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