
Ano 11 | nº 2739 | 24 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Novas quedas no mercado do boi gordo em São Paulo
Frigoríficos cautelosos e consumo interno lento mantêm o mercado do boi gordo sob pressão, especialmente para as fêmeas.
Após as quedas do dia anterior (22/6) referentes à cotação do boi gordo e do “boi China”, o mercado amanheceu sem mudança. Contudo, para as fêmeas, o mercado pressionou e as cotações cederam. A cotação da vaca caiu R$2,00/@ e a da novilha, R$3,00/@. As indústrias que já tinham boiadas suficientes para abater no restante do mês compravam com cautela, pensando nas escalas do começo de julho, pressionando os preços. A oferta, por sua vez, atendia a demanda e, apesar de não haver excedentes, estava melhor em relação aos últimos dias. Os vendedores escalonavam os lotes, contudo, de maneira menos intensa. Ainda que existisse uma demanda regular por parte dos exportadores, não foi suficiente para sustentar os preços, mas contribui para limitar quedas mais acentuadas. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. Já havia negócios fechados abaixo das cotações vigentes, contudo, sem volume suficiente para se tornar referência. Na exportação de carne bovina in natura, com o avanço das semanas ao longo de junho, a exportação foi perdendo ritmo. Na terceira semana do mês, os embarques desaceleraram em comparação com a segunda, que, por sua vez, já havia perdido força em relação à primeira. Ainda assim, o fluxo das exportações permaneceu elevado, com uma média de 13,4 mil toneladas embarcadas por dia, volume 10,9% maior que o exportado por dia em junho de 2025. Com isso, em 14 dias úteis, o desempenho em junho foi de 187,1 mil toneladas, equivalente a 77,6% do total embarcado em junho de 2025, mês que contou com 20 dias úteis. A cotação média da tonelada ficou em US$6,5 mil, alta de 19,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Com a manutenção dos bons volumes embarcados e dos preços pagos pela tonelada da carne, junho de 2026 mantinha a possibilidade de ser o melhor junho da série histórica em faturamento. Até a terceira semana do mês, 93,0% de todo o faturamento obtido em junho de 2025 já foi obtido em junho de 2026.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: mercado segue travado e virada do semestre deve definir rumo dos preços
Segundo o Cepea, frigoríficos mantêm escalas confortáveis, enquanto pecuaristas resistem em negociar nos valores atuais e o cenário externo reforça a cautela
O mercado físico do boi gordo terminou a última semana praticamente sem mudanças nos preços. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a baixa liquidez e a cautela de compradores e vendedores mantiveram as negociações lentas, em meio às incertezas do mercado externo e à virada de semestre. Na sexta-feira (19), os negócios foram limitados e as cotações permaneceram nos mesmos patamares dos dias anteriores. As escalas de abate ficaram, em média, entre oito e 13 dias, com parte dos frigoríficos já programando o início da próxima semana. No Mato Grosso, o mercado registrou baixa liquidez. De acordo com o Cepea, a oferta de animais foi restrita, já que muitos pecuaristas resistiram em negociar nos preços atuais. As negociações do boi gordo ficaram entre R$ 335 e R$ 340 por arroba. Em Mato Grosso do Sul, o cenário também foi de estabilidade. A arroba do boi gordo variou entre R$ 335 e R$ 340, em um ambiente de equilíbrio entre oferta e demanda. Já no Rio Grande do Sul, a menor disponibilidade de animais prontos para o abate continua sustentando os preços. As negociações ocorreram entre R$ 23 e R$ 26 por quilo morto, enquanto as escalas permaneceram curtas, variando de três a sete dias. No mercado atacadista, os preços da carne bovina também ficaram estáveis. Na Grande São Paulo, o quilo da carcaça casada bovina encerrou a semana cotado a R$ 24,62. Mercado inicia semana de olho na virada do semestre. Na avaliação do Cepea, o comportamento da última semana foi marcado por um mercado travado, com baixo volume de negócios e agentes adotando uma postura cautelosa diante das incertezas no cenário internacional. Agora, as negociações desta semana serão acompanhadas de perto pelo setor, já que podem indicar a direção dos preços na reta final de junho e na virada do semestre.
SAFRAS NEWS
Exportação de gado vivo navega para um ano recorde
Com 542,5 mil cabeças embarcadas até maio, e junho a caminho do segundo melhor desempenho da história, o Brasil vive um primeiro semestre sem precedentes.
O desempenho da exportação de gado vivo está firme e forte. Em maio, 99,2 mil cabeças foram embarcadas, sendo o terceiro melhor maio da história, perdendo apenas para o mesmo mês em 2018 e em 2025. Por outro lado, se observamos o acumulado do começo do ano até maio, nesses mesmos anos, 2026 está na frente. Em 2018, foram 347,5 mil cabeças exportadas até maio, em 2025, foram 411,7 mil e, em 2026, já são 542,5 mil. A comparação entre 2018, 2025 e 2026, sempre de janeiro a maio, mostra também como o mapa de compradores mudou. Em 2018, exportar boi vivo era quase sinônimo de Turquia, que sozinha respondeu por 77,3% do destino, o resto se dividia entre poucos países do Oriente Médio. Em 2025 e 2026, a participação da Turquia caiu para a faixa de 35,0% a 39,0% e passou a dividir espaço com um Egito muito mais forte (16,0% a 23,0%), o Iraque (até 15,5%) e, sobretudo, o Marrocos (14,0%), que sequer aparecia em 2018, além do Líbano, Arábia Saudita e Argélia. Ou seja, o país deixou de depender de um único mercado e hoje abastece uma carteira ampla, com peso crescente do Norte da África e Golfo. Do lado de cá, o Pará é o grande portão de saída do gado em pé, com algo entre 53,0% e 62,0% dos embarques nos três anos (286,3 mil cabeças em 2026). O Rio Grande do Sul se firmou em segundo, subindo de 20,9% (2018) para cerca de 29,0% (158,0 mil cabeças em 2026). Na contramão, São Paulo despencou de 18,8% para apenas 2,1%, enquanto novos polos como o Tocantins ganharam corpo (5,8%). Uma ressalva: em maio de 2026, 26,1 mil cabeças entraram na base da Secex sem UF de origem. Isso é comum e normalmente no próximo mês a Secex corrige os dados. Pelo porto de embarque para é possível inferir parte da origem, 5,6 mil saíram pela Vila do Conde-PA, o que reforça o Pará como origem de parte desse gado, mas as outras 20,5 mil foram um embarque grande por São Sebastião-SP rumo à Turquia, sem que o porto permita identificar ao certo a origem. Com base nos dados preliminares da Secex, a estimativa é de que até a segunda semana de junho já tenham sido embarcadas cerca de 50,0 mil cabeças e, se o ritmo se mantiver, é possível projetar algo em torno de 116,0 mil cabeças no mês. Seria o segundo melhor junho da série histórica, atrás apenas de junho de 2024 (119,3 mil cabeças), e um avanço de cerca de 62,0% sobre junho de 2025, quando foram embarcadas 71,7 mil cabeças. Mesmo antes de fechar junho, o acumulado de janeiro a maio de 2026, 542,5 mil cabeças, supera o total de janeiro a junho de qualquer outro ano da série. Confirmada a projeção, o semestre encerraria perto de 658,0 mil cabeças exportadas, um avanço da ordem de 36,0% sobre as 483,5 mil do mesmo período de 2025. Em apenas seis meses, o Brasil teria embarcado o equivalente a 63,0% de tudo o que exportou no ano passado inteiro, o que coloca 2026 no rumo de um recorde de exportação de gado vivo. Para a frente, contabilizamos 14 navios transportadores de bovinos em pé em fundeio no Porto de Vila do Conde (PA), a principal porta de saída do boi vivo brasileiro, responsável até agora por 52,8% dos embarques do país em 2026. A capacidade somada dessa frota está estimada entre 53,9 mil e 68,7 mil cabeças, volume que leva cerca de um mês para ser carregado. Por isso, ainda que de forma extremamente conservadora, projetamos pelo menos 50 mil cabeças embarcadas em julho, com espaço para mais.
SCOT CONSULTORIA
Brasil atingiu 65% da cota chinesa de carne bovina em maio
Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do alcance de 80% do limite. Várias indústrias já reduziram os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho
As exportações de carne bovina do Brasil para a China atingiram 65,4% da cota estabelecida para este ano, de 1,1 milhão de toneladas, de acordo com dados divulgados na terça-feira (23/6) pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e a Administração-Geral de Alfândegas (GACC). De janeiro até maio, entraram no país asiático 723,7 mil toneladas da proteína brasileira. O volume considera cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro. Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do atingimento de 80% da cota. Alguns analistas acreditavam que esse nível já teria sido atingido no início de junho, já que os embarques no Brasil aceleraram em abril e maio. Nos dois meses foram embarcados 135 mil toneladas e 154 mil toneladas de carne bovina in natura, respectivamente. Parte dessas cargas ainda está em trânsito para os portos chineses e serão contabilizadas em breve. Várias indústrias já reduziram, os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho. O movimento é estratégico e busca evitar que as exportações sejam sobretaxadas ao chegar ao destino. Há leituras diferentes no setor. Alguns empresários acreditam que é seguro exportar apenas até o fim deste mês, para garantir que a carne chegue à China em cerca de 45 dias ainda dentro da cota, sem pagar tarifa adicional de 55%. Já outros avaliam que poderão embarcar na primeira semana de julho, o que levaria o anúncio do esgotamento da cota para setembro. A expectativa de preenchimento da cota de exportação de carne bovina à China, que deve ocorrer nos próximos meses, já mexe com o mercado do boi gordo, segundo relatório do Rabobank. A instituição aponta recuo de 6% no preço da arroba no mercado futuro em julho, cotada a R$ 333. Por outro lado, segundo o relatório, os embarques para os Estados Unidos devem continuar com oportunidades no terceiro trimestre deste ano. A confirmação de ao menos 12 casos de screwworm (varejeira do Novo Mundo) e a manutenção da suspensão das importações de gado em pé do México reforçam um cenário de oferta restrita nos EUA, segundo o Rabobank. “Soma-se a isso o perfil mais magro da carne brasileira, que atende à demanda da indústria local para blends na produção de hambúrgueres”, completa o relatório. Já o embargo da União Europeia à carne brasileira, por conta do uso de antimicrobianos, deve exercer pressão negativa nos preços do boi gordo no próximo trimestre, conforme o Rabobank. Os dados do governo chinês mostram que, de janeiro a maio, foram preenchidos 47,7% da cota de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina, dividida entre diversos fornecedores. Os dados não estão totalmente atualizados. A Austrália, por exemplo, estava com 85,4% da cota de 205 mil toneladas utilizada em maio. Na semana passada, a China anunciou que o volume foi totalmente preenchido em 18 de junho. A Argentina ocupou, até maio, 41,2% da cota de 511 mil toneladas até maio e o Uruguai, 22,3% do volume de 324 mil toneladas autorizado pelos chineses. A Nova Zelândia exportou 45,8 mil toneladas nos cinco primeiros meses do ano, cerca de 22,2% da sua cota de 206 mil toneladas. As exportações dos Estados Unidos seguem praticamente zeradas. Até agora, foram internalizadas cerca de 803 toneladas, menos de 0,5% da cota de 164 mil toneladas para o ano. Outros fornecedores enviaram 56 mil toneladas, o equivalente a 32,5% da cota de 172 mil toneladas para o ano inteiro.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar segue exterior e atinge maior valor ante o real desde o fim de março
O dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com as cotações no Brasil também ponderando a ata do último encontro de política monetária do Banco Central.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,87%, aos R$5,1859, o maior valor de fechamento desde 30 de março deste ano, quando atingiu R$5,2461 em meio à guerra no Oriente Médio. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,52% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,83% na B3, aos R$5,1960. A terça-feira foi de “risk-off” (fuga do risco) nos mercados globais, com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando dólar e títulos norte-americanos — neste caso, com consequente queda nos rendimentos. Com isso, o dólar sustentou ganhos ante quase todas as divisas de países emergentes, incluindo o real, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano. No Brasil, o avanço da moeda norte-americana também encontrou respaldo na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reforçou a percepção de que a taxa básica Selic pode cair no curto prazo, mesmo com a instituição demonstrando preocupação com o cenário inflacionário. A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do BC para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%. Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos. Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” — ou seja, de corte — da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”. Assim, enquanto o Federal Reserve tem sinalizado a possibilidade de juros mais elevados nos EUA, o BC preparou o terreno para possíveis novos cortes, indicando que há poucas chances de elevações da Selic.
REUTERS
Ibovespa dribla aversão a risco e avança com rotação global
Depois de iniciar o dia em queda, o Ibovespa devolveu as perdas e passou a subir após a abertura das bolsas americanas, driblando a aversão a risco vista lá fora.
A melhora ocorreu em meio a um movimento de rotação global de carteiras, com investidores reduzindo exposição às ações de tecnologia em Nova York e migrando para papéis de valor, favorecendo mercados como o Brasil. No cenário doméstico, a nova rodada de queda dos juros futuros também ajudou a garantir um fôlego extra à bolsa local. Hoje, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a expectativa do mercado por cortes da Selic, o que levou a ajustes na curva futura. O desempenho do Ibovespa só não foi mais intenso devido ao recuo das ações da Vale, o que limitou os ganhos. Após oscilar entre os 168.495 pontos e os 171.720 pontos, o índice encerrou em alta de 0,52%, aos 171.259 pontos. Blue chips de bancos foram destaque de alta, especialmente as units do BTG Pactual, que ganharam 1,13%. A exceção ficou para as units do Santander, que encerram em baixa de 0,74%. A despeito de mais um dia de recuo nos preços de petróleo, as ações da Petrobras terminaram em alta: as ON subiram 0,78%, ao passo que as PN avançaram 0,41%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros. Já a Vale perdeu 1,89%, em um dia em que o contrato do minério de ferro na bolsa de Dalian cedeu 0,54%, depois de a commodity atingir a mínima desde 9 de julho de 2025, no começo da sessão.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Carne bovina: preços de exportação da Argentina atingem recorde histórico em maio/26
Nas alturas: proteína argentina alcançou valor médio de US$ 7.251/t no mês passado
Em maio/26, o preço médio da carne bovina refrigerada e congelada exportada pela Argentina alcançou US$ 7.251 por tonelada, um valor 4,3% superior ao obtido em abril/26 e 32,4% acima da cotação média de maio/25, de US$ 5.477/tonelada, informou o jornal Clarín, com base nos dados divulgados pelo Consórcio de Exportadores de Carne Bovina (ABC). Trata-se de um novo recorde para a proteína argentina no mercado internacional, superando o pico de R$ US$ 6.300 por tonelada registrado em abril de 2022. Segundo o Consórcio, desde o início de 2025, os preços da carne bovina argentina vêm registrando uma forte recuperação, depois de passar um período de quedas significativas, quando a commodity exportada bateu um patamar mínimo de US$ 3.740, em meados de 2024. Embora todos os meses de 2026 tenham apresentado bons resultados, maio obteve um ótimo desempenho, com o embarque de 58.600 toneladas, somando US$ 425,1 milhões, o que representou aumento de 7,5% e 42,3%, respectivamente, em comparação com abril/26, e um acréscimo de 23,3% (volume) e 28,6% (em valor) em relação aos resultados obtidos em igual mês de 2025. Impulsionada pela alta considerável nos preços internacionais, a receita com os embarques de carne bovina argentina alcançou US$ 1,833 bilhão no acumulado entre janeiro e maio de 2026, um avanço de 44,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, destaca o Consórcio ABC. Na mesma base de comparação, o volume exportado cresceu 8%, totalizando 271.400 toneladas. Considerando os últimos 12 meses – de junho de 2025 a maio de 2026 –, os embarques totalizaram 733.990 toneladas de peso do produto, com um valor de US$ 4,453 bilhões. A China continua a consolidar sua posição como principal destino das exportações de carne argentina, tanto em maio quanto no acumulado dos primeiros cinco meses do ano. Segundo o relatório do Consórcio ABC, no último mês, 14.700 toneladas de carne bovina com ossos bovinos foram enviadas para a China, no valor de US$ 43,4 milhões, e aproximadamente 20.500 toneladas de carne bovina desossada, no valor de US$ 124,2 milhões. “A China representou 60,1% do volume de exportações em maio/26 e 60,5% do total nos primeiros cinco meses do ano”, aponta o relatório, acrescentando que o preço médio de venda para o país asiático foi de US$ 6.060 por tonelada. Segundo a reportagem do Clarín, os Estados Unidos compraram 9.900 toneladas de carne bovina argentina, o que fez do país norte-americano o segundo destino mais importante durante o mês de maio, impulsionado pela expansão da quota isenta de tarifas.
CLARÍN
Carnes uruguaias ganham destaque nos Estados Unidos, um dos países-sede da Copa do Mundo
Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (INAC) nos Estados Unidos identificou uma presença relevante das carnes uruguaias, tanto bovina quanto ovina, em diferentes pontos de venda e estabelecimentos gastronômicos de um dos três países que atualmente sediam a Copa do Mundo da FIFA.
Segundo informações repassadas ao jornal El Observador, durante uma missão institucional realizada em Miami e Nova York para promover a carne uruguaia, o vice-presidente do INAC, Leonardo Bove, e o gerente de Marca, Andrés Angulo, visitaram supermercados, boutiques especializadas em carnes e restaurantes com o objetivo de avaliar a presença e o posicionamento das carnes uruguaias no mercado norte-americano. As ações de promoção incluíram um evento organizado pela Chancelaria do Uruguai e a participação no Famous Food Festival, onde foram realizadas degustações de carne uruguaia. A visita permitiu constatar a presença da carne uruguaia em diferentes canais comerciais do sul da Flórida. Foram visitadas unidades das redes de supermercados Whole Foods, em Boca Raton, Publix e Broward Meat & Fish Market, onde foi observada a oferta de carne bovina uruguaia. No canal especializado, o levantamento incluiu os estabelecimentos Easy Meats e Campo Meat. Já no setor gastronômico, foram visitados os restaurantes El Gauchito, Gaucho Ranch e La Criolla, que oferecem em seus cardápios diferentes cortes de carne bovina e ovina provenientes do Uruguai. Durante as visitas, também houve troca de ideias sobre possíveis ações conjuntas para fortalecer a promoção e aumentar a visibilidade da marca Uruguay Meats no mercado local. Como conclusão, o levantamento confirmou uma presença relevante da carne uruguaia tanto no varejo quanto no setor de alimentação fora do lar, com destaque para os produtos bovinos e ovinos. O relatório também identificou oportunidades para reforçar a comunicação sobre a origem uruguaia em pontos de venda de grande escala e continuar apoiando iniciativas comerciais que contribuam para consolidar a presença e a diferenciação da carne uruguaia no mercado do sul da Flórida. Nos cinco primeiros meses de 2026, de acordo com dados atualizados pelo INAC, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações uruguaias de carnes — incluindo carne bovina, ovina e outras proteínas — quando considerado o valor movimentado. Entre janeiro e maio, os norte-americanos importaram o equivalente a US$ 436,4 milhões em carnes do Uruguai, superando os US$ 414,1 milhões registrados pela China e os US$ 240,6 milhões provenientes das compras realizadas pela União Europeia.
EL OBSERVADOR
SUÍNOS & FRANGOS
O paradoxo da suinocultura em 2026
Produção cresce, exportações seguem em alta e os custos recuam, mas o aumento da oferta mantém as cotações pressionadas e amplia as perdas nas granjas.
Os dados definitivos do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 confirmaram o avanço da produção de carne suína no país. Embora o número de animais abatidos tenha sido mantido em relação à divulgação anterior, o instituto revisou para cima o peso das carcaças. Com isso, a produção totalizou volume 6,93% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, o equivalente a 92,4 mil toneladas adicionais de carne. Além do aumento de 5,49% no número de suínos abatidos, cerca de 794,5 mil cabeças a mais na comparação anual, os dados mostram crescimento do peso médio das carcaças. Em março de 2026, o indicador alcançou 93,54 quilos, acima dos 90,93 quilos observados em dezembro de 2025. O movimento sugere maior permanência dos animais nas granjas antes do envio para o abate. A análise da evolução mensal reforça a consistência da expansão da atividade. A última retração no número de cabeças abatidas ocorreu em abril de 2025, enquanto a redução no volume produzido em toneladas foi registrada pela última vez em fevereiro do mesmo ano. Entre abril de 2025 e março de 2026, o abate cresceu, em média, 5,05% ao mês em número de animais e 6,5% em toneladas de carcaça na comparação com os mesmos meses do ano anterior, evidenciando um ciclo prolongado de aumento da produção. Parte deste aumento da produção (92,4 mil toneladas) do primeiro trimestre de 2026 foi destinada às exportações de carne suína in natura que cresceram 15,15% (+44,1 mil toneladas) no mesmo período. Ou seja, a disponibilidade interna aumentou 48,2 mil toneladas (4,63%) no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Na mesma tabela, analisando cada mês, observa-se que março de 2026 foi o mês de maior incremento na disponibilidade interna, com 22,8 mil toneladas (6,6%), o que equivale a quase 1,3kg per capita ano a mais de consumo. Esta sobre oferta bastante significativa explica a queda consistente de preços no início do ano, porém as cotações continuaram caindo em abril e maio e na primeira quinzena de junho. O que explica, em grande parte, a continuidade da queda de preços no segundo trimestre/26 é a redução do ritmo de crescimento percentual das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Gráfico 3). Geralmente, por representar, em torno de 24% da destinação da produção, a exportação de carne suína in natura precisa crescer percentualmente em torno de quatro vezes mais que o crescimento da produção para manter a disponibilidade interna no mesmo patamar, ou seja, se, por exemplo, a produção em toneladas de carcaça crescer 6% as exportações precisam crescer 24% no mesmo período para que não haja sobreoferta no mercado doméstico. Conforme o gráfico 3, a seguir, no acumulado do segundo trimestre de 2026, até os embarques de 12 de junho, as exportações de carne suína in natura só cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não temos dados oficiais da produção neste segundo trimestre, mas mantido o ritmo do início do ano, dificilmente o crescimento em relação ao ano passado ficará abaixo de 5%, ou seja, certamente também fecharemos o segundo trimestre com um excedente significativo de carne suína ofertada no mercado doméstico. Com o início da colheita da segunda safra de milho, mesmo com expectativa de quebra considerável em estados como Goiás e Minas Gerais, as cotações do cereal continuam em queda. O farelo de soja se apresenta estável, com pequenas oscilações para baixo. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as quedas nas cotações do suíno parecem ter chegado ao seu pior momento nas últimas semanas, pois na entrada da segunda quinzena de junho, algumas praças demonstram estabilização e até reação dos preços pagos ao produtor. “Os dados definitivos de abate do IBGE referente ao primeiro trimestre, trazem a preocupação quanto ao crescimento significativo da produção, exigindo que haja um aumento também expressivo da demanda interna e externa para que determine um novo ciclo de alta nas cotações do suíno, permitindo tirar a atividade do vermelho”, ressaltou.
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