CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2729 DE 10 DE JUNHO DE 2026

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Ano 11 | nº 2729 | 10 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Em São Paulo, a terça-feira começou com o mercado do boi gordo equilibrado

Negócios em ritmo lento e equilíbrio entre oferta e demanda marcaram o início da terça-feira.

Segundo os dados levantados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo destinado ao mercado interno segue valendo R$ 349/@, enquanto o “boi-China vale R$ 355/@ (preços brutos, no prazo). Os negócios estavam acontecendo, mas em pouco volume. As indústrias compravam apenas para manter as escalas, e os produtores ofertavam lotes de forma controlada. Contudo, a queda da temperatura acendeu um alerta e podia condicionar o aumento da oferta. Apesar do bom desempenho da exportação e do consumo interno, os frigoríficos não aumentaram o ritmo das compras. O cenário era de equilíbrio. Dessa maneira, a cotação não mudou. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. Todos os preços são brutos e com prazo. Em Goiás, a demanda esteve firme, e aqueles que desejavam manter escalas confortáveis tinham que pagar o que era pedido. Dessa forma, nas duas praças pecuárias goianas, a cotação subiu. Na região de Goiânia, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@, e a das fêmeas subiu R$3,00/@. Na região Sul, a cotação da novilha subiu R$2,00/@. Para o boi gordo e para a vaca, estabilidade. A cotação do “boi China” também subiu em relação ao dia anterior, R$5,00/@. Na exportação de carne bovina in natura, nos primeiros quatro dias úteis de maio, o volume exportado foi de 62,6 mil toneladas, com uma média diária de 15,6 mil toneladas, aumento de 29,8% frente ao embarcado por dia em junho de 2025. A cotação média da tonelada ficou em US$6,6 mil, alta de 20,9% em comparação ao mesmo período de 2025. Com o avanço dos embarques e dos preços pagos por tonelada, mesmo com menos de um quarto dos dias úteis de maio transcorridos, junho de 2026 já alcançou 31,4% do faturamento total registrado em junho de 2025.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo registra alta no Centro-Norte do país

Indústrias que atuam na região ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate

O mercado físico do boi gordo teve uma terça-feira (9) de firmeza nos preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, houve negociações acima da referência média em grande parte do Centro-Norte brasileiro. Ele afirma que as indústrias atuantes nesses estados ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate. “Já no mercado paulista, os frigoríficos passam a testar patamares de preços mais baixos e começam a reduzir as bonificações envolvendo animais padrão China “, ressalta. Segundo Iglesias, esse movimento é consequência da progressão da cota chinesa, sendo que a expectativa é de que, nos próximos dias, seja divulgado o alerta pelas autoridades do gigante asiático de que 80% da cota brasileira já foi preenchida. “A partir desse anúncio, os frigoríficos tendem a interromper a produção destinada ao mercado chinês”, diz. O analista pontua que o mercado também sofre sobressaltos, considerando a movimentação da União Europeia, que mantém o Brasil ausente da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro. Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 353,67 — ontem: R$ 358,50. Goiás: R$ 338,75 — ontem: R$ 336,96. Minas Gerais: R$ 333,53 — ontem: R$ 335,29. Mato Grosso do Sul: R$ 354,20 — ontem: R$ 354,89. Mato Grosso: R$ 359,46 — ontem: R$ 359,26. O mercado atacadista, por sua vez, apresentou preços acomodados durante esta terça-feira. Segundo Iglesias, este movimento está lastreado na boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. “Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável em função dos jogos da Copa do Mundo, em especial às vésperas de partidas da seleção brasileira. A carne bovina ainda perde em competitividade em relação às proteínas concorrentes, principalmente na comparação com a carne de frango”, frisa. Quarto dianteiro: R$ 21,70 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo

SAFRAS NEWS

Rastreabilidade digital nas GTAS da pecuária paranaense amplia segurança sanitária

Sindicarne-PR apoia novo aplicativo da Adapar para monitoramento do transporte de bovinos

A modernização dos mecanismos de controle sanitário da pecuária paranaense acaba de ganhar um importante reforço com a decisão da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) de instituir o uso obrigatório de um aplicativo para celular para o registro de todas as movimentações de cargas de bovinos vivos originadas no estado do Paraná. O prazo para a adesão dos transportadores, que é obrigatória, vai até novembro de 2026. A medida recebeu apoio institucional do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne-PR), entidade empresarial de âmbito estadual que representa os frigoríficos de bovinos e suínos, que vê na iniciativa um avanço relevante para a segurança, a competitividade e a credibilidade da cadeia produtiva da carne bovina. O novo sistema, que foi testado a campo por motoristas de caminhões boiadeiros de frigoríficos associados à entidade, permitirá à Adapar acompanhar as viagens realizadas pelos transportadores de animais, registrando em tempo real os deslocamentos vinculados às Guias de Trânsito Animal (GTAs). A ferramenta amplia a capacidade de fiscalização (coibindo movimentações irregulares), fortalece a rastreabilidade e contribui para elevar os padrões de controle sanitário exigidos pelos mercados mais sofisticados do mundo. “O uso dessa nova ferramenta digital também tende a fortalecer a cadeia produtiva paranaense, gerando uma maior integração estratégica entre produtores pecuários, transportadores, matadouros frigoríficos e órgãos de fiscalização, conferindo ainda mais confiança e valor à carne bovina gerada no estado e potencializando nosso acesso aos mercados mais exigentes do mundo”, afirma o Presidente do Sindicarne-PR, Ângelo Setim. Na avaliação do Sindicarne-PR, a adoção do aplicativo da Adapar representa mais um passo na trajetória de consolidar o Paraná como um ambiente de negócios atrativo, seguro e alinhado às melhores práticas e exigências internacionais. Ao apoiar a iniciativa, o Sindicarne-PR reafirma seu compromisso com a excelência sanitária, a inovação e fortalecimento da cadeia produtiva bovina de corte, setor que desempenha papel estratégico na economia paranaense e na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

Custo de confinamento cai no Centro-Oeste e reduz diferença com Sudeste

Resultado de maio sugere um cenário de maior equilíbrio competitivo entre as regiões

No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida em confinamento recuou 2,19% em maio. O custo de confinamento de gado no Brasil apresentou redução no Centro-Oeste em maio, enquanto o Sudeste registrou estabilidade, segundo levantamento da Ponta Agro baseado no Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP). De acordo com a empresa, o movimento contribuiu para diminuir a diferença de competitividade entre as duas principais regiões produtoras do país. No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida recuou 2,19% no mês, para R$ 206,91. A redução foi puxada principalmente pela queda nos custos alimentares, com destaque para redução de 10,54% nos volumosos e de 3% nos energéticos, influenciados pelo avanço da safrinha e pela maior oferta de insumos como a silagem de milho. O custo da dieta de terminação caiu 1,89%, reforçando o alívio após a alta registrada em março. Já no Sudeste, o ICAP permaneceu praticamente estável, com avanço de 0,25%, mesmo com a forte queda dos volumosos, de 14,81%. A estabilidade foi resultado da manutenção dos preços nos demais grupos de insumos, limitando o impacto sobre o custo total. O custo da arroba produzida na região recuou 0,71%, para R$ 195,13. Apesar da estabilidade no Sudeste, a região manteve liderança em custo de produção e lucratividade, com margem de R$ 1.123,78 por cabeça, acima dos R$ 1.037,03 registrados no Centro-Oeste. Ainda assim, a redução mais intensa dos custos no Centro-Oeste contribuiu para encurtar a diferença entre as regiões. “O resultado de maio sugere um cenário de maior equilíbrio competitivo entre as regiões. O Sudeste segue na liderança, mas o Centro-Oeste volta a se beneficiar do ambiente favorável de oferta de grãos e da redução dos custos alimentares, encurtando a distância observada desde o início do ano”, afirma a empresa em nota. Segundo a Ponta Agro, a combinação entre queda de custos e preços ainda elevados da arroba mantém a atividade de confinamento em patamar favorável, com margens superiores a R$ 1.000 por cabeça nas duas regiões, sendo de R$ 1.037,03 por cabeça no Centro-Oeste e de R$ 1.123,78 por cabeça no Sudeste.

GLOBO RURAL 

Abates de fêmeas recuam no Brasil, reforçando a tendência de virada do ciclo pecuário

Em maio/26, foram abatidas 956,28 mil vacas e novilhas pelos frigoríficos com SIF, um recuo de 5,14% sobre abril/26 e queda de 13,68% na comparação anual

Os abates de fêmeas continuam em queda, reforçando a tendência de mudança do ciclo pecuário no Brasil – para a fase de alta de preços. Conforme dados divulgados pela Agrifatto, em maio/26, foram enviadas 956,28 mil fêmeas aos ganchos dos frigoríficos brasileiros com SIF (Serviço de Inspeção Federal), um recuo de 5,14% sobre abril/26 e queda de 13,68% na comparação anual. Trata-se do quinto mês consecutivo de queda anual na categoria, destaca a consultoria. No entanto, o patamar segue historicamente elevado: a média dos últimos cinco anos para maio é de 850,41 mil cabeças, e o resultado do mês ficou 12,45% acima dessa referência, compara a Agrifatto. Porém, continua a consultoria, o ponto de atenção está na desaceleração do ritmo: em maio de 2025, esse diferencial havia sido de 30,28%, sinal claro de que a liquidação de fêmeas perde força. Reflexo direto dessa dinâmica, a participação das fêmeas no total abatido em maio/26 caiu para 39,93%, uma baixa de 2,88 pontos percentuais frente ao quadro observado em abril/26 e recuo de 3,21 pontos percentuais em relação à fatia registrada em maio de 2025. Em maio de 2026, o abate total de bovinos em plantas SIF avançou para 2,39 milhões de cabeças, um acréscimo de 1,70% sobre abril/26, com média diária de 104,11 mil animais, alta de 6,12% no comparativo mensal. Os números estão sujeitos a revisões, dado que o Ministério da Agricultura e Pecuária atualiza as informações diariamente, observa a Agrifatto. Segundo a consultoria, o resultado está em linha com a sazonalidade do período: maio historicamente concentra maior oferta de animais terminados a pasto ao final do período das águas, quando produtores antecipam vendas antes da entressafra e a transição para a seca reduz a qualidade do pasto, acelerando a decisão de abate. A alta mensal foi sustentada pelo abate de machos, que avançou 6,82%, totalizando 1,43 milhão de cabeças.

PORTAL DBO 

ECONOMIA

Dólar zera perdas da manhã e fecha sessão estável no Brasil

Após subir nas três sessões anteriores, o dólar operou em baixa ante o real durante boa parte da manhã da terça-feira, mas ganhou força à tarde e encerrou a sessão próximo da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana cedesse ante outras divisas

A guerra no Oriente Médio seguiu no foco dos investidores, e declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionaram as cotações durante a tarde. O dólar à vista fechou o dia com variação negativa de 0,05%, aos R$5,1785. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,66% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — caía 0,36% na B3, aos R$5,2050. Na segunda-feira, o dólar fechou na maior cotação desde o fim de março, no primeiro mês da guerra no Oriente Médio. Na manhã desta terça-feira, no entanto, a moeda norte-americana sustentou baixas ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, o peso chileno e o peso mexicano. O relativo otimismo dos mercados foi em grande parte puxado pela busca global por papéis do setor de tecnologia, que mais cedo impulsionavam as bolsas no exterior. Mas assim como o ímpeto das ações de tecnologia diminuiu, o dólar também recuperou o fôlego entre o fim da manhã e o início da tarde no Brasil. No início da tarde, Trump afirmou nas redes sociais que o Irã derrubou um helicóptero Apache norte-americano que patrulhava o Estreito de Ormuz durante a madrugada. Sem dar mais detalhes, ele prometeu retaliar. Neste cenário, após marcar a cotação mínima de R$5,1501 (-0,60%) às 9h40, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1946 (+0,26%) às 13h41, logo após as declarações de Trump. Posteriormente, a moeda voltou para perto da estabilidade no Brasil, em um dia de agenda esvaziada. Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 99,958.

REUTERS

Ibovespa tem dia de correção com apoio de blue chips e volta a se aproximar dos 170 mil pontos

Reavaliação do rali de IA nos EUA pode ter funcionado como gatilho extra para valorização do índice, ao desviar as atenções do mercado americano e atrair recursos de investidores estrangeiros para cá

Em meio ao recuo militar no Oriente Médio e ao avanço de blue chips, o Ibovespa obteve suporte para uma correção na terça-feira, após três pregões seguidos de perdas. A reavaliação do rali de inteligência artificial nos Estados Unidos também pode ter funcionado como um gatilho extra para a valorização do índice, ao desviar as atenções do mercado americano e atrair recursos de investidores estrangeiros para cá. Após variar entre os 168.406 pontos e os 170.601 pontos, o Ibovespa terminou em alta de 0,68%, aos 169.813 pontos. Entre as blue chips, a maior valorização ficou para os papéis PN do Itaú, que subiram 1,82%, ampliando os ganhos na reta final do pregão. O dia também foi de alta para as ON da Vale, que avançaram 0,55%. Já as ações da Petrobras passaram a maior parte do pregão no negativo, mas viraram nos minutos finais do pregão, encerrando mistas: as PN recuaram 0,12%, ao passo que as ON subiram 0,17%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros. O movimento nas ações da Petrobras ocorreu a despeito da queda nos preços de petróleo, impulsionada pela trégua entre Irã e Israel e por novas declarações do presidente americano, Donald Trump. Hoje, o mandatário dos EUA voltou a repetir que as negociações para um acordo com o Irã estão em “fase final”, mas acrescentou que um entendimento poderá ser alcançado em dois ou três dias. Embora o dia tenha sido de alívio para o Ibovespa, a perspectiva para o índice permanece negativa no curto prazo, na visão do analista do Daycoval Corretora Gabriel Mollo. Segundo ele, há apenas dois gatilhos para a bolsa local nos próximos meses: o término da guerra com uma rápida normalização da cadeia produtiva de petróleo, o que ele vê como pouco provável; e a retomada do trade eleitoral, com uma eventual chance de mudança para uma política econômica mais favorável ao mercado, o que estaria mais distante neste momento após a revelação da relação entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 18,6 bilhões e de R$ 25,1 bilhões na B3. O movimento registrado na bolsa local destoou da queda registrada pelo Nasdaq e pelo S&P, que encerraram com perdas de 0,97% e 0,26%, respectivamente. Já o Dow Jones terminou com leve alta de 0,17%.

VALOR ECONÔMICO

Balança comercial tem superávit de US$ 3,247 bilhões na 1ª semana de junho

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 3,247 bilhões na primeira semana de junho.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados na segunda-feira, 8, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,991 bilhões e importações de US$ 4,745 bilhões. Até a primeira semana de junho, comparado ao mesmo mês de 2025, as exportações cresceram 37,6%. O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 36,6% em Agropecuária, que somou US$ 1,884 bilhão; alta de 38,5% em Indústria Extrativa, indo a US$ 1,736 bilhões; e, por fim, expansão de 37,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 4,330 bilhões. Em relação às importações, houve avanço de 2,3% na mesma comparação. Houve alta de 8,0% em Agropecuária, que atingiu US$ 96,5 milhões; crescimento de 41,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 266,6 milhões; e, por fim, alta de 0,8% em Indústria de Transformação, para US$ 4,363 bilhões. Acumulado do ano De janeiro até a primeira semana de junho, a balança acumula superávit de US$ 35,909 bilhões, um crescimento de 38,2% em relação ao mesmo período de 2025. Naquela ocasião, houve saldo positivo de US$ 30,187 bilhões. A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 72,1 bilhões neste ano.

ESTADÃO CONTEÚDO

GOVERNO

‘Brasil tem que assumir responsabilidade’, diz porta-voz da UE sobre controle de antimicrobianos

Exigência ao governo brasileiro, para apresentar as garantias, está em discussão há pelo menos três ou quatro anos. União Europeia manteve o Brasil de fora da lista de países exportadores de produtos de origem animal

O Brasil tem capacidade de atender as exigências sanitárias da União Europeia. Precisa assumir sua responsabilidade e mostrar. Foi o que disse o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill, nesta terça-feira (9/6), informou reportagem do jornal O Globo. “O país tem capacidade industrial, conhecimento e poder econômico para atender nossos padrões. É uma questão simples de o Brasil assumir suas responsabilidades e mostrar isso à UE. Então teremos um lindo acordo comercial com uma grande cota para a carne brasileira”, disse ao jornal. Na semana passada, a União Europeia atualizou seu regulamento sobre o uso de antimicrobianos na produção animal e manteve o Brasil fora da lista de países exportadores de produtos de origem animal. A medida começa a valer em 3 de setembro. A alegação dos europeus foi a de que o Brasil não concedeu as informações necessárias sobre como monitora o uso desse tipo de medicamento nos planteis de criação. A decisão vale para carnes, pescado e mel. A O Globo, Olof Gill disse que a exigência ao governo brasileiro, para apresentar as garantias, está em discussão há pelo menos três ou quatro anos. Os demais integrantes do Mercosul permaneceram na lista de exportadores para o bloco. O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio disse que a situação não deve atrapalhar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tratado recebeu aprovação da maioria dos países do bloco, mas tem que passar pelo Parlamento. Antes de darem o voto final, os deputados pediram uma avaliação dos termos do acordo pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. “Estou 100% confiante de que o acordo tem base legal para ser endossado pela Corte”, afirmou Gill, a O Globo, em Bruxelas, Bélgica, onde fica a sede da União Europeia. Ele não estimou quanto tempo o tribunal deve levar para avaliar o acordo regional. E avaliou que a campanha contrária à assinatura foi política e partiu de “alguns setores da sociedade”. “Na nossa avaliação, (a objeção ao acordo) não foi baseada em fatos. Os membros do Parlamento verão que o acordo traz benefícios e que seus temores não têm fundamento”, pontuou.

GLOBO RURAL

SUÍNOS & FRANGOS

Suíno vivo intensifica perdas em junho e amplia distância em relação à carne no atacado

Queda chega a 6,2% no mês em algumas regiões, enquanto carcaça mantém trajetória de alta

O mercado de suíno vivo começou junho sob pressão nas principais praças produtoras do país, aprofundando a tendência de queda observada nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, a carcaça suína segue valorizada no atacado, criando um descompasso entre o valor pago pelo animal e o preço da carne. Dados do Cepea/Esalq indicam que o recuo mais acentuado foi registrado no Rio Grande do Sul, onde a cotação atingiu R$ 4,80/kg em 8 de junho, acumulando desvalorização de 6,25% no mês. No Paraná, o preço caiu para R$ 4,54/kg, com retração de 3,81%. Em Santa Catarina, apesar de uma alta pontual de 0,63% no último levantamento, com o quilo a R$ 4,76, o estado ainda apresenta queda acumulada de 2,66% em junho. Minas Gerais também registra recuo, com o suíno vivo cotado a R$ 5,53/kg, baixa de 1,60% no mês. Em São Paulo, o valor chegou a R$ 5,25/kg, representando diminuição de 0,94%. A diferença em relação ao começo de 2026 evidencia a intensidade da correção nos preços. No Paraná, a média mensal caiu de R$ 7,78/kg em janeiro para os atuais R$ 4,54/kg, uma redução de 41,6%. Em Santa Catarina, o movimento foi semelhante, com recuo de 38,7%, saindo de R$ 7,76/kg para R$ 4,76/kg. No Rio Grande do Sul, a queda também chega a 38,7%, passando de R$ 7,83/kg para R$ 4,80/kg. Enquanto isso, a carcaça suína especial mantém valorização no atacado da Grande São Paulo. O indicador do Cepea fechou em R$ 8,73/kg no dia 8 de junho, com avanço de 0,23% no dia e alta acumulada de 1,16% no mês. No início de junho, o produto era negociado a R$ 8,63/kg e, desde então, vem registrando aumentos sucessivos. Esse comportamento oposto revela um mercado ainda sustentado pelo consumo no atacado, ao mesmo tempo em que a oferta de animais continua pressionando os preços pagos ao produtor. A diferença entre as cotações tende a favorecer as margens da indústria frigorífica, embora o setor siga atento ao ritmo da demanda doméstica e das exportações ao longo de junho.

CEPEA

Brasil se consolida como potência global em carne suína e se torna o 3o maior exportador mundial

O setor de suinocultura do Brasil atingiu, no início de 2026, um feito que redefine sua importância econômica e social. Após a consolidação dos dados internacionais divulgados em março pelo governo canadense e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país confirmou oficialmente o posto de terceiro maior exportador mundial de carne suína, superando o Canadá.

Enquanto o país norte-americano encerrou 2025 com cerca de 1,45 milhão de toneladas exportadas, o Brasil registrou o recorde de 1,51 milhão de toneladas embarcadas, segundo dados da ABPA, uma vantagem de 50 mil toneladas que garantiu o novo posto ao país.

Com um crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior, o Brasil agora integra o seleto grupo dos três maiores players globais, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. Esse avanço não é fruto do acaso, mas de uma combinação de diversificação de mercados, competitividade de custos e um status sanitário rigoroso que permitiu ao país superar concorrentes tradicionais. O atual momento da suinocultura brasileira é marcado por um equilíbrio estratégico entre o atendimento à demanda global e o fortalecimento da mesa do brasileiro. No campo das vendas externas, o crescimento real de dois dígitos foi impulsionado pela forte capilaridade em destinos asiáticos e pela abertura de novos mercados. Já da porteira para dentro, o cenário é igualmente transformador. Segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o consumo doméstico de carne suína atingiu o marco histórico de 20 kg por habitante ao ano em 2025. Esse número simboliza uma mudança cultural profunda: a carne suína deixou de ser apenas um item ocasional para se tornar uma proteína cotidiana e essencial. Essa combinação de forças coloca a cadeia produtiva em um novo patamar de resiliência, onde o mercado interno sólido garante a sustentabilidade do setor diante de eventuais oscilações do comércio internacional. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, esse feito é motivo de orgulho para toda a cadeia produtiva. “Seja no mercado interno, ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores de carne suína temos feito dia após dia na nossa produção, investindo em inteligência, sanidade, produtividade, tecnologia, genética e bem-estar. Além disso, reforça o trabalho que a ABCS tem feito, para transformar a percepção da carne suína, para que ela se destaque lá fora e dentro de casa”, conclui.

SAFRAS NEWS

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