
Ano 11 | nº 2674 | 19 de março de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi tem estabilidade e altas pontuais
O mercado do boi gordo iniciou a quarta-feira (18) sem alterações nas cotações em São Paulo, segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.
De acordo com o levantamento, “o mercado abriu a quarta-feira sem mudanças nas cotações de nenhuma categoria”, em um cenário de oferta enxuta de bovinos terminados e ausência de negociações abaixo dos preços de referência. Em situações pontuais, frigoríficos pagaram valores acima das referências para completar as escalas de abate. “O ponto de alerta foi o escoamento da carne bovina no mercado interno, que esteve lento”, aponta o relatório. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias úteis, conforme a consultoria. “As escalas de abate estiveram, em média, para seis dias”, informa o documento. Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresentou viés de estabilidade para alta na comparação diária. Na região de Dourados, “a cotação de todas as categorias subiu R$2,00/@”. Já em Campo Grande, o preço do boi gordo avançou R$2,00/@, enquanto o das fêmeas permaneceu estável. Em Três Lagoas, “a cotação da novilha e a da vaca subiu R$2,00/@, enquanto a do boi gordo permaneceu estável”. O levantamento destaca ainda que “a cotação do ‘boi China’ subiu R$4,00/@”. Na região Noroeste do Paraná, a oferta esteve ajustada à demanda, sem excedentes, o que manteve estabilidade nas cotações. “Dessa forma, o mercado abriu a quarta-feira com estabilidade para todas as categorias”, informa o relatório, acrescentando que as escalas de abate estiveram, em média, para nove dias.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo mantém firmeza e risco de paralisação acende alerta no setor
Escalas curtas sustentam negócios, mas avanço é limitado e possível greve de caminhoneiros preocupa a cadeia do agro
O mercado físico do boi gordo segue registrando negócios pontuais acima das referências médias nas principais praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos ainda operam com escalas apertadas, o que sustenta os preços, embora as altas ocorram de forma moderada. Um fator que entrou no radar do setor é a possibilidade de paralisação dos caminhoneiros. Caso o movimento se confirme e tenha duração prolongada, pode comprometer o escoamento da produção e afetar toda a cadeia do agronegócio brasileiro, desde o transporte de animais até a distribuição de carne. No mercado atacadista, o cenário segue estável. Mesmo com a entrada dos salários na economia, a demanda não tem sido suficiente para justificar novos reajustes nos preços da carne bovina. Os cortes seguem nos mesmos patamares, indicando consumo ainda contido. No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,1997 para venda, o que também influencia a competitividade das exportações brasileiras. Nas principais praças, os preços da arroba ficaram da seguinte forma: São Paulo (SP): R$ 350,17. Goiás (GO): R$ 337,68. Minas Gerais (MG): R$ 340,29. Mato Grosso do Sul (MS): R$ 337,39. Mato Grosso (MT): R$ 339,80. No mercado atacadista, o padrão de negociações segue estável. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para impulsionar novos reajustes nos preços da carne bovina, indicando demanda ainda moderada. O quarto dianteiro permanece cotado a R$ 20,50 por quilo, o quarto traseiro a R$ 27,00 por quilo e a ponta de agulha segue no mesmo patamar de R$ 20,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Participação de fêmeas no abate de bovinos atingiu 46,83% em 2025, o maior nível da história
Em todos os meses do quarto trimestre de 2025 foram registrados recordes para a categoria, destaca a consultoria Agrifatto
A participação de fêmeas no abate total atingiu 46,83% em 2025, o maior nível da história, ficando 6,90 pontos percentuais acima da média dos últimos 15 anos (39,93%), informa a Agrifatto, com base nos dados do IBGE divulgados na quarta-feira (18/3). No total, foram enviados para os ganchos das indústrias brasileiras 4,60 milhões de cabeças de vacas e novilhas no último trimestre do ano passado, um avanço de 19,42% sobre igual período de 2024. Segundo a Agrifatto, em todos os meses do quarto trimestre de 2025 foram registrados recordes para a categoria. Como consequência direta dessa composição, o peso médio das carcaças (machos e fêmeas) recuou 0,92% no comparativo anual, fechando 2025 em 258,52 kg/cabeça, observa a consultoria. Para 2026, prevê a Agrifatto, a expectativa é de redução no número total de animais abatidos no País, principalmente em relação às fêmeas, devido ao esperado movimento de desaceleração nos descartes, um reflexo da eventual mudança do ciclo pecuário – para a fase de alta nos preços. Diante desse cenário, a consultoria projeta um total de abate de 40,44 milhões de cabeças em 2026, com recuo de 5,3% sobre o desempenho de 2025. Ainda assim, diz a Agrifatto, observa-se uma mudança de padrão. “Os níveis de fêmeas no abate devem permanecer elevados, impulsionados pela maior participação de novilhas voltadas à exportação, e não necessariamente por descarte”, acreditam os analistas da consultoria.
AGRIFATTO
Novilhas ganham mais peso nos ganchos dos frigoríficos, marcando uma mudança de padrão no País
O peso médio desta categoria atingiu 211,83 kg de carcaça/cab. em 2025, com avanço de 6,57% no comparativo anual, destaca a Agrifatto
O peso médio das novilhas abatidas em 2025 pelos frigoríficos brasileiros atingiu 211,83 kg de carcaça/cab., um acréscimo de 6,57% (em kg) em relação ao resultado de 2024, relata a Agrifatto, com base em dados do IBGE divulgados na quarta-feira (18/3). “Ou seja, além do avanço em volume, houve uma mudança no perfil dos animais destinados aos ganchos”, ressalta a consultoria. Segundo a Agrifatto, outro destaque importante na linha de abate das indústrias do País é a maior presença de animais mais jovens, especialmente de novilhas. Na avaliação da consultoria, apesar da previsão de desaceleração em relação aos anos imediatamente anteriores, “os níveis de fêmeas no total de abates no Brasil devem permanecer elevados ao longo de 2026, impulsionados pela maior participação de novilhas voltadas à exportação”.
PORTAL DBO
ECONOMIA
BC reduz a Selic pela 1ª vez desde 2024 e cita incertezas sobre o preço do petróleo
A taxa básica de juros passou de 15% para 14,75% ao ano na primeira queda após cinco reuniões seguidas de manutenção do patamar de juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu sua sinalização e reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira mesmo com o cenário de incerteza em relação aos preços de petróleo. A Selic passou de 15% para 14,75% ao ano na primeira queda após cinco reuniões seguidas de manutenção do patamar de juros. Em comunicação, o colegiado reafirmou a sua mensagem de “serenidade e cautela” na definição dos juros para compreender melhor os efeitos inflacionários do choque do petróleo. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo, diz comunicado. O Comitê informou que o ambiente externo se tornou mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o comitê. Segundo o BC, o conjunto dos indicadores do cenário doméstico segue apresentando, “conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o comunicado. O colegiado informou ainda que decidiu iniciar um ciclo de corte de juros já que os juros altos estão fazendo efeito sobre a economia. “O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, disse o Banco Central. O comunicado segue afirmando que esse quadro cria “condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”. Na reunião anterior, de janeiro, o colegiado havia sinalizado que iniciaria um ciclo de redução. O colegiado mencionou que faria a redução “em se confirmando o cenário esperado”. Desde então, houve o início do conflito no Irã, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao país islâmico e retaliações iranianas a bases militares norte-americanas na região. O Irã também promoveu o fechamento do Estreito de Ormuz, que tem impactado os preços do petróleo. A expectativa do mercado estava dividida entre um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) e um de 0,25 p.p. Levantamento do Valor com 103 instituições do mercado financeiro mostrava que 49 casas projetavam um corte de 0,50 p.p. e outras 53 viam uma redução de 0,25 p.p. Apenas uma instituição previa uma manutenção dos juros em 15% ao ano. No comunicado, o Fed ressaltou que a incerteza para o cenário econômico continua elevada e que as implicações do cenário no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas.
VALOR ECONÔMICO
Brasil mantém 2º lugar no ranking dos países com maiores juros reais
Com Selic a 14,75%, percentual passou de 9,23% ao ano em janeiro para 9,51% ao ano em março. Taxa brasileira só não supera a da Turquia e fica logo à frente de Rússia e Argentina
Apesar do corte na taxa básica de juros (Selic) de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Brasil segue na segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), abaixo apenas da Turquia. A taxa real brasileira passou de 9,23% ao ano, dado do levantamento feito em janeiro, para 9,51% ao ano em março. Na Turquia, os juros reais subiram de 9,88% para 10,38% ao ano no mesmo período, segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence. Na quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano. A taxa real é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses (4,03%), segundo o boletim Focus, do Banco Central, e dos juros de mercado para os 12 meses à frente. O Brasil possui juros reais mais elevados do que Rússia (9,41%), Argentina (9,41%) e México (5,39%), para citar os países mais próximos no ranking, que reúne 40 economias que possuem uma taxa média de 2,18% ao ano. Em termos nominais, a taxa brasileira permaneceu em quarto lugar, abaixo de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%), mas acima de Colômbia (10,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%). Entre os 40 países do ranking, 82,5% mantiveram suas taxas nesse período, 10% cortaram e 7,5% elevaram. Para a consultoria, o cenário de incertezas inflacionárias locais continua, dada a questão fiscal e um mercado de trabalho apertado, que criam tensão. O conflito entre Estados Unidos e Irã eleva as incertezas e complica o cenário para as decisões de política monetária.
FOLHA DE SP
Dólar sobe no Brasil após decisão do Fed e antes do anúncio do Copom sobre juros
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, movimento que ganhou força após a decisão sobre juros do Federal Reserve, com investidores no Brasil à espera do anúncio do Copom sobre a Selic.
Em mais um dia de avanço dos preços do petróleo no exterior, em função da guerra no Oriente Médio, o dólar à vista fechou a sessão no Brasil com alta de 0,83%, aos R$5,2436. No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,47%. Às 17h24, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,98% na B3, aos R$5,2660. Até o início da tarde, o dólar alternou altas e baixas ante o real, com investidores à espera das decisões sobre juros, mas após o anúncio do Fed, às 15h, a moeda norte-americana se firmou no campo positivo, renovando máximas até o fechamento. O Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e indicou que segue projetando apenas um corte de juros em 2026, a despeito da inflação mais alta. Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas, mas que os preços mais altos de energia no curto prazo vão impulsionar a inflação. Segundo ele, ainda é cedo para saber a duração dos efeitos da guerra sobre a economia. Após a decisão do Fed, os rendimentos dos Treasuries exibiram altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores elevando as apostas de que a instituição não cortará juros em junho — mês que era visto como o do possível início do ciclo de baixa. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante as demais divisas, incluindo as de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o próprio real. “A comunicação (do Fed) foi interpretada como mais ‘hawkish’ (dura)… com o mercado passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY (índice do dólar) renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento”, acrescentou. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo BC mostraram que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,605 bilhões em março até o dia 13 — período que abarca as duas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda de olho em decisões de juros e no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, enquanto os agentes avaliavam a decisão do Federal Reserve de manter os juros dos EUA inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75%, e aguardavam o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no final do dia, ao mesmo tempo em que ainda monitoravam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,43%, a 179.639,91 pontos, após alcançar 179.575,91 pontos na mínima do dia. Na máxima, marcou 181.550,83 pontos. O volume financeiro somou R$27,5 bilhões. Destaque da agenda da semana, o Fed manteve as taxas de juros estáveis e projetou uma inflação mais alta, desemprego estável e apenas um único corte nos juros para o ano, em sua primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Durante coletiva de imprensa após o anúncio da decisão, o chair do Fed, Jerome Powell, reiterou a incerteza que a guerra cria para as perspectivas econômicas. “No curto prazo, os preços mais altos de energia vão pressionar a inflação geral para cima, mas ainda é cedo para saber a dimensão e a duração dos efeitos potenciais sobre a economia.” Nesse contexto de guerra, os preços do petróleo chegaram a subir 5% ao longo da sessão, depois que a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar diversas instalações de energia no Oriente Médio em retaliação, aumentando o risco de novas interrupções no fornecimento de energia da região. Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 3,83%, a US$107,38 por barril. “Hoje foi um pregão mais cauteloso, de olho lá fora e no Copom”, destacou Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing.
REUTERS
EMPRESAS
Lucro da MBRF caiu 92% no 4º trimestre de 2025
Aumento de despesas e custos associados ao processo de fusão entre Marfrig e BRF, que originou a companhia, pesaram no balanço do ano passado. Lucro líquido da MBRF foi de R$ 91 milhões no intervalo de outubro a dezembro de 2025
A MBRF registrou lucro líquido de R$ 91 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 91,9% em comparação a igual período do ano anterior. Em seu comunicado de resultados, a empresa atribuiu o recuo ao aumento das despesas financeiras e aos custos associados à reestruturação e ao processo de fusão. Segundo a companhia, as despesas financeiras aumentaram no quarto trimestre, assim como no consolidado de 2025, em razão principalmente do crescimento da dívida média em 2025 comparada à de 2024, dada a alta da taxa básica de juros – 14,43% em 2025 versus 10,93% em 2024 – o que elevou o custo da dívida. Também houve maior participação da dívida denominada em reais, contribuindo para o aumento da despesa financeira no período, conforme o comunicado. A receita líquida no quarto trimestre somou R$ 43,915 bilhões, alta de 4,8% em relação a igual trimestre do ano anterior. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no intervalo de outubro a dezembro do ano passado caiu 9,1%, para R$ 3,410 bilhões. Do total, 77% foram resultado da BRF, 18% da Operação América do Sul e 4% da América do Norte, disse a companhia no comunicado. No consolidado de 2025, a MBRF registrou receita líquida recorde de R$ 163,963 bilhões, crescimento de 11,9% em relação a 2024, com volume vendido de 8,2 milhões de toneladas de alimentos, 3,9% maior do que no ano anterior, segundo informações divulgadas no comunicado de resultados. Assim como no quarto trimestre, o lucro líquido da companhia diminuiu no ano de 2025, 77,9%, para R$ 358 milhões. O Ebitda ajustado também recuou, 3,2% na comparação anual, para R$ 13,151 bilhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada caiu para 8%, de 9,3% em 2024. O diretor Vice-Presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia da companhia, José Ignácio Scoseria Rey, disse em entrevista que a distribuição de dividendos atrelada à fusão entre Marfrig e BRF também teve reflexo na maior despesa financeira. Além disso, também pesaram sobre o resultado os impactos da gripe aviária em uma granja comercial no Brasil – que manteve parte dos mercados consumidores, incluindo a China, fechados para a carne de frango brasileira por meses – e a menor rentabilidade na operação dos Estados Unidos, em razão do ciclo de baixa oferta de gado no país, segundo o executivo.
VALOR ECONÔMICO
Após perdas, Minerva Foods volta a lucrar
Em 2025, a Minerva bateu recordes em suas principais linhas financeiras, superando as expectativas de mercado. Minerva alcançou lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025
Colhendo os frutos do primeiro ano em operação plena das unidades adquiridas da Marfrig, a Minerva Foods registrou lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025, conforme balanço financeiro divulgado hoje (18/3). No mesmo período de 2024, a companhia, que é a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, havia tido um prejuízo de R$ 1,57 bilhão. No acumulado de 2025, a Minerva bateu recordes de lucro, receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), superando as expectativas do mercado. O lucro líquido alcançou R$ 848 milhões, após prejuízo de R$ 1,56 bilhão em 2024. O Ebitda foi de R$ 4,8 bilhões, aumento de 54%, e a receita líquida subiu 60,9% para R$ 54,8 bilhões. Para 2026, no entanto, a empresa admite que virão margens menores, em uma conjuntura pior que a do ano passado. “O aumento no preço do gado é algo que já vínhamos falando e está dentro do esperado, pelo ciclo, (mas) vemos 2026 com margens piores que 2025 por uma pressão de custo relevante e mais incertezas no mercado internacional”, disse o diretor de finanças e relações com investidores da Minerva, Edison Ticle, a jornalistas. O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, acrescenta que esta pressão sobre os custos virá, principalmente, devido aos impactos da guerra no Irã sobre o mercado de Petróleo que, por consequência, eleva os valores dos combustíveis e fretes, onerando toda a operação. Em números, Ticle calcula que a região do conflito no Oriente Médio representa cerca de 7% dos volumes de carne exportados pela companhia e 6% da receita, o que torna o impacto limitado do ponto de vista de fornecimento. Arábia Saudita, Israel e Líbano são os principais compradores de produtos na Minerva nesta área e continuam sendo atendidos por rotas alternativas. “O principal impacto é aumento de custo de frete por causa do aumento do petróleo, e não só na exportação como em todo o processo. Isso é um efeito mais macro, porque a exposição (vendas) é muito pequena à área do conflito”, afirmou o diretor. A companhia é mais exposta aos dois maiores destinos da carne bovina do Brasil: China e Estados Unidos. No caso da China, que representou 27% das exportações da Minerva em 2025, Queiroz ressalta que os embarques da proteína bovina do Brasil ficarão limitados ao tamanho da cota definida pelos chineses após as investigações de salvaguarda. Porém, a empresa pretende se beneficiar das unidades localizadas em outros países da América do Sul para continuar o embarque a tarifas menores. A investigação de salvaguarda foi definida pelos chineses para proteger a pecuária local, com a aplicação de cotas aos principais fornecedores de carne bovina. Ao Brasil, a cota ficou em 1,1 milhão de toneladas, cerca de 35% abaixo do volume embarcado no ano passado, com tarifa de 12%. Volumes que excederem a cota ficam sujeitos ao pagamento de 55% de taxa, inviabilizando o comércio. O CEO da Minerva destacou ainda que as unidades da empresa na América do Sul também favorecem a ampliação de vendas aos Estados Unidos, país que abocanhou 19% das exportações da companhia em 2025. “EUA são um mercado com potencial de crescimento muito bom, olhamos para ele não só com o fornecimento pelo Brasil. A Argentina acabou de ter uma cota (ampliada) para o mercado americano, somos a maior exportadora de carne bovina na Argentina e podemos nos beneficiar da cota”, disse Queiroz. Em relação ao mercado interno, a percepção dos executivos da Minerva é que as altas taxas de juros tem feito com que as famílias usem parte de suas rendas para arcar com despesas financeiras, o que limita o espaço para crescer o consumo. Isso apareceu, por exemplo, no quarto trimestre de 2025, quando o consumo cresceu menos do que o esperado pelo frigorífico. Ainda assim, com 60% do desempenho vindo do mercado externo, a receita líquida da companhia atingiu R$ 14,2 bilhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 32,6% na variação anual. O Ebitda foi de R$ 1,17 bilhão, com avanço de 24%.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Argentina pode falhar na meta de exportar 1 milhão de toneladas de Carne bovina em 2026
“A oferta local da proteína diminuiu a tal ponto que colocou em risco as previsões de embarques para este ano”, alerta reportagem do jornal Clarín
Reportagem desta semana do jornal Clarín coloca em dúvida a capacidade da Argentina – tradicional concorrente do Brasil no mercado internacional de carne bovina – de atingir a meta de exportar 1 milhão de toneladas em 2026. “Apesar do aumento da demanda global e dos preços internacionais nos primeiros meses do ano, a oferta local de carne bovina diminuiu a tal ponto que colocou em risco as previsões de exportação de 1 milhão de toneladas; a demanda existe, mas não há novilhos e vacas suficientes”, alerta a reportagem. Após anos de liquidação do rebanho bovino, a disponibilidade total na Argentina de carne bovina – indicador que mede a oferta total da proteína considerando o consumo interno e o que é exportado pelo país – bateu 62 kg/per capita, um nível muito inferior ao das décadas anteriores, informa o Clarín. Nos primeiros anos de 1920, quando a Argentina era de longe o maior exportador mundial da commodity e conhecido globalmente como o “rei da carne”, o mesmo indicador apontava um consumo em torno de 100-120 kg por pessoa. Ao considerar o “consumo real” de carne bovina na Argentina – só o que fica no país, descontando o que vai para fora –, atualmente esse número gira em torno de 50 kg/habitante. “A diminuição do rebanho e a menor taxa de abate explicam grande parte dessa redução (do consumo), o que limita a oferta de carne e afeta tanto o mercado interno quanto a dinâmica das exportações”, ressalta a reportagem do Clarín. Atualmente, diz o jornal, há na Argentina aproximadamente 51 milhões de animais para uma população de cerca de 49 milhões, o que se traduz numa proporção de apenas 1,1 cabeça de gado por pessoa. “Há meio século, essa proporção ultrapassava 2 cabeças por habitante, refletindo uma maior disponibilidade de carne e um maior peso do setor no comércio internacional”, compara o Clarín. De acordo com dados citados pelo Clarín, o abate de bovinos projetado para 2026 poderá ficar abaixo de 13 milhões de cabeças, cerca de 600 mil animais a menos que no ano passado. “Em termos de carne disponível para abate, a oferta de carne, que caiu 9% em relação ao ano anterior nos dois primeiros meses deste ano, seria reduzida em cerca de 200.000 toneladas”, observa a reportagem, que completa: “Embora a participação de fêmeas permaneça alta – em fevereiro/26, atingiu 47,8% sobre o total abatido –, a queda na oferta em termos absolutos é de tal magnitude que se pode considerar a possibilidade de que a fase de liquidação do rebanho de 2022-2025 esteja chegando ao fim”. O Clarín destaca que os números de abate de gado em janeiro/26 e fevereiro/26 atingiram o nível mais baixo dos últimos 10 anos. Em 2016, quando o rebanho bovino aumentou pela última vez em um milhão de cabeças, o abate caiu para apenas 11,7 milhões de cabeças e a produção de carne diminuiu para 2,65 milhões de toneladas, recorda o jornal.
CLARÍN
CARNES
Pecuária brasileira colecionou recordes em 2025
Relatório de abates do IBGE traz novas marcas históricas em diversos segmentos. Desde 2022, o abate de bovinos tem mostrado trajetória de crescimento
O abate de bovinos no país bateu recorde e registrou total de 42,94 milhões de cabeças em 2025, alta de 8,2% ante 2024. As informações são da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgadas na quarta-feira (18/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde 2022 o abate de bovinos tem mostrado trajetória de crescimento, lembram os pesquisadores. No quarto trimestre do ano passado, foram abatidas 11,043 milhões de cabeças, queda de 2,7% em relação terceiro trimestre de 2025, mas com aumento de 14% quando comparado com mesmo trimestre de ano anterior. O abate de frangos também foi recorde. Foram 6,69 bilhões de aves no ano passado, alta de 3,1% em comparação com 2024. No quarto trimestre de 2025, foram registrados abates de 1,714 bilhão de aves, alta de 1,5% sobre o terceiro trimestre, e aumento de 5,7% em comparação com mesmo trimestre de ano anterior. Nas pesquisas, o IBGE mapeou ainda abate recorde de 60,69 milhões de cabeças de suínos no ano passado, alta de 4,3%. No último trimestre do ano passado, foram contabilizados abates de 15,286 milhões de cabeças, queda de 3,5% em comparação com o terceiro trimestre de 2025, mas com aumento de 5,8% na relação igual trimestre de ano anterior. O IBGE divulgou também dados sobre os curtumes. O número também foi recorde, com 44,03 milhões de peças inteiras de couro bovino, alta de 9,8% ante 2024. No quarto trimestre de 2025, os curtumes declararam ter obtido 11,126 milhões de peças inteiras de couro cru bovino. Essa quantidade representa decréscimo de 2,4% em comparação à registrada em igual trimestre de ano anterior, mas um aumento de 11,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Outro recorde foi o da produção de ovos de galinha, que somou 4,95 bilhões de dúzias em 2025. Esse volume é 5,7% acima de 2024. No quarto trimestre de 2025, foi contabilizado pelo IBGE produção de 1,259 bilhão de dúzias. Isso é 1,5% acima do observado no terceiro trimestre do ano passado, sendo 4,1% superior ao mesmo trimestre de ano anterior.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Embrapa lança nova versão do aplicativo Custo Fácil e amplia gestão na suinocultura
Na versão 4.0, a ferramenta está disponível para Android e iPhone (iOS), com novo desenho de interface e funcionalidades ampliadas deste projeto que conta com o apoio da ABCS.
A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), reforça o apoio à gestão econômica da suinocultura com a atualização do aplicativo Custo Fácil. Agora em sua quarta versão, a ferramenta está disponível para Android e iPhone (iOS), com novo desenho de interface e funcionalidades ampliadas, tornando ainda mais prática a organização e análise dos dados das granjas. Voltado a produtores, gestores, assistência técnica e estudantes, o aplicativo permite estimar o custo de produção, a rentabilidade e a geração de caixa de granjas de suínos e frangos de corte em sistemas de integração. A proposta é oferecer uma visão clara e estruturada da atividade, facilitando a tomada de decisão em diferentes horizontes de curto e longo prazo. Entre as funcionalidades, o usuário pode cadastrar múltiplas granjas e lotes, inserir informações detalhadas sobre alojamento, desempenho produtivo, investimentos, mão de obra, receitas e despesas. A partir desses dados, o sistema gera indicadores de desempenho, gráficos e relatórios completos, que podem ser compartilhados por e-mail ou aplicativos de mensagens. O aplicativo também permite o acompanhamento detalhado dos custos, com possibilidade de ajustes e correções, além de oferecer análises e orientações que auxiliam na negociação e na gestão financeira da produção. Todos os cálculos seguem metodologias desenvolvidas pela Embrapa e por institutos de pesquisa em economia agropecuária do Brasil e do exterior, garantindo consistência técnica às informações. Outro diferencial é o acesso a estatísticas anônimas de custos de outros usuários e a integração com o Repositório de Dados de Pesquisa da Embrapa, o Redape, ampliando o repertório de informações disponíveis para análise. A ferramenta ainda conta com uma biblioteca de conteúdos sobre gestão, custos de produção, custo da mão de obra familiar e capital investido, baseada em cursos gratuitos oferecidos pela instituição.
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