
Ano 11 | nº 2673 | 18 de março de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: estabilidade nas cotações em São Paulo
Mesmo com parte dos frigoríficos fora das compras, o mercado abriu a terça-feira estável em todas as categorias, para machos e fêmeas, sem negócios reportados abaixo das referências vigentes.
Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são vendidas por R$ 350/@, R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). O mercado abriu a terça-feira sem alterações nas cotações de nenhuma categoria, tanto para machos quanto para fêmeas. Parte dos frigoríficos esteve fora das compras, mas, entre os que seguiram ativos, as referências se mantiveram, sem relatos de negócios fechados abaixo dos patamares atuais. As escalas de abate atendiam, em média, a seis dias úteis. No Mato Grosso, o mercado abriu com viés de alta para o boi gordo, na comparação feita dia a dia. A exceção foi para a região Norte, onde a cotação se manteve estável para todas as categorias. Na região Sudoeste, a cotação do boi gordo subiu R$1,00/@ e a da novilha caiu R$2,00/@. Na região de Cuiabá, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@ e, para as demais categorias, não houve alteração frente a ontem (16/3). Na região Sudeste, a cotação do boi gordo e a da vaca gorda subiu R$2,00/@. Para a novilha, a cotação não mudou. A cotação da arroba do “boi China” não mudou. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de março, a exportação foi de 115,6 mil toneladas, com uma média diária de 11,5 mil toneladas, aumento de 2,1% frente ao volume embarcado por dia no mesmo período de 2025. A cotação média ficou em US$5,7 mil/t, alta de 17,6% na comparação feita ano a ano.
SCOT CONSULTORIA
Semana do boi gordo começa com tendência de alta nos preços
Oferta restrita de animais prontos para abate e escalas curtas nos frigoríficos sustentam o mercado
O mercado físico do boi gordo continua registrando negócios acima das referências médias em diversas praças do país. O cenário é sustentado principalmente pela oferta limitada de animais terminados e pelas escalas de abate apertadas nos frigoríficos, que giram entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a disponibilidade restrita de gado pronto para o abate mantém a tendência de valorização da arroba no curto prazo. “Em geral, temos um mercado que, na variável oferta, apresenta pouca disponibilidade de animais terminados prontos para o abate. Isso nos remete a uma tendência de alta nas referências médias, que podem chegar entre R$ 355 e R$ 360 por arroba em São Paulo ao longo desta semana, no auge do movimento”, afirmou. Além da dinâmica interna de oferta e demanda, os agentes do mercado também acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e possíveis impactos na logística global, especialmente nas rotas de exportação de carne bovina. Preço do boi gordo: São Paulo: R$ 349,58 por arroba (referência média a prazo). Goiás: R$ 335,54 por arroba. Minas Gerais: R$ 339,71 por arroba. Mato Grosso do Sul: R$ 336,59 por arroba. Mato Grosso: R$ 339,46 por arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina apresentam estabilidade, mas com sinais de enfraquecimento em alguns cortes. De acordo com Iglesias, mesmo a entrada dos salários na economia não tem sido suficiente para sustentar novos reajustes. “A carne bovina já atingiu um patamar de preços que afasta parte dos consumidores brasileiros, principalmente famílias com renda entre um e dois salários-mínimos. Nesse cenário, cresce a preferência por proteínas mais acessíveis, como carne de frango, embutidos e ovos”, explicou. Segundo o analista, os cortes desossados, especialmente os nobres, têm registrado queda nas cotações. Preços no atacado: Quarto dianteiro: R$ 20,50 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 20,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Boi gordo: o que esperar nas últimas semanas de março?
O mercado do boi gordo apresenta leve sustentação das cotações futuras.
A consultoria Markestrat Group, indica que há expectativa de menor pressão de oferta diante do recuo nas programações de abate, podendo influenciar os preços. Ao mesmo tempo, a redução no custo da alimentação animal melhora a rentabilidade do confinamento e pode influenciar a decisão dos produtores de reter animais por mais tempo. Ainda assim, fatores logísticos e o preço do diesel continuam no radar do setor. Segundo a consultoria, “o cenário sugere equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo, com o comportamento dos custos de produção e do ritmo de abate sendo determinantes para a direção dos preços”.
ESTADÃO/AGRO
Preço do boi gordo de MT sobe 10,2% na 1ª quinzena de março/26, aponta Imea
Demanda global aquecida reforça o movimento de alta na arroba dos principais países exportadores, dizem os analistas do instituto mato-grossense
Na primeira quinzena de março/26, a arroba do boi gordo em Mato Grosso registrou, em dólar, um avanço de 10,21% frente ao valor médio de fevereiro/26, chegando a US$ 65,40/@, em média, informa o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Considerando a mesma base de comparação, em São Paulo, a cotação média do animal terminado atingiu US$ 69,60/@, com aumento de 5,75% sobre a cotação média do mês anterior. “Esse movimento no mercado nacional tem sido sustentado pelos embarques firmes no período”, afirmam os analistas do Imea. No mercado internacional, relata o instituto, também houve valorização nos preços do boi gordo, com acréscimos de 8,96% na Argentina (para US$ 71,47/@, em média), de 4,62% no Uruguai (US$ 84,27/@) e de 3,21% na Austrália (US$ 95,30/@). Nos Estados Unidos, informa o Imea, a arroba caiu 2,05% no mesmo comparativo, ficando cotado a US$ 140,24/@. Segundo os analistas, a instabilidade no Oriente Médio tem afetado rotas logísticas e pressionado os preços dos fretes e custos de transporte, além de elevar as cotações dos combustíveis e dos seguros das embarcações – movimento que pode refletir em novos aumentos dos preços da carne bovina exportada.
IMEA
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em baixa de 0,57%, a R$5,2005 na venda
O dólar fechou a terça-feira em baixa ante o real e novamente na faixa dos R$5,20, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, ainda que a guerra no Oriente Médio siga em curso, com o petróleo sendo negociado em alta.
O dólar à vista fechou a sessão com queda de 0,57%, aos R$5,2005, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. No ano, a divisa passou a registrar queda de 5,26%. Às 17h28, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,76% na B3, aos R$5,2150.
REUTERS
Ibovespa fecha com alta modesta sustentada por Petrobras
O Ibovespa reduziu o fôlego e fechou com um acréscimo modesto na terça-feira, apoiado principalmente no desempenho das ações da Petrobras em mais um dia de avanço do petróleo no exterior, enquanto Natura disparou após resultado operacional acima das expectativas no mercado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,13%, a 180.102,24 pontos, de acordo com dados preliminares, perdendo fôlego, sob pressão principalmente dos bancos, após alcançar 182.800,30 pontos na máxima do dia. Na mínima, marcou 179.849,79 pontos. O volume financeiro somava R$24,68 bilhões antes dos ajustes.
REUTERS
Governo fecha parceria com BID para preparar empresas para acordo Mercosul-UE
O governo brasileiro assinou nesta terça-feira protocolo de intenções com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o lançamento este ano de um programa que irá auxiliar micro, pequenas e médias empresas a alavancar seus negócios na esteira do acordo Mercosul-União Europeia.
O BID calcula que as exportações do Mercosul para a UE podem subir até 23% por conta do acordo, assinado em janeiro após 25 anos de negociações. Sua implementação, contudo, depende da ratificação pelos poderes Legislativos das partes envolvidas, processo que já foi finalizado no Congresso brasileiro, mas ainda está pendente em outros países. Antevendo que o efetivo ganho de mercado pelo Mercosul dependerá de ajustes pelas empresas, o acordo assinado entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o BID prevê assistência para adaptação comercial, capacitação sobre normas de sustentabilidade da UE, e estudo sobre certificações técnicas para setores exportadores prioritários. O plano de trabalho também prevê a criação de uma plataforma orientada aos pequenos negócios para informá-los sobre os benefícios do acordo comercial. A ideia é que iniciativas semelhantes sejam também tocadas nos demais países do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai. “Somos o único banco regional de desenvolvimento cujos membros incluem tanto os países do Mercosul quanto a maioria dos Estados-membros da UE. Isso nos torna uma ponte natural”, disse o presidente do BID, Ilan Goldfajn.
REUTERS
Tesouro faz mais uma intervenção no mercado e recompra R$ 7 bilhões em NTN-Bs
Foram recomprados 40,72% do lote de 4 milhões de títulos indexados à inflação (NTN-Bs) para quatro vencimentos
Dando sequência à série de intervenções no mercado de títulos públicos, o Tesouro Nacional anunciou na tarde da terça-feira (17) um novo leilão de recompra de NTN-Bs, títulos indexados à inflação. Foram recomprados 40,72% do lote de 4 milhões de títulos indexados à inflação (NTN-Bs) para quatro vencimentos. O volume financeiro somou R$ 7,076 bilhões. Tesouro pretendia recomprar até 4 milhões de títulos e vender até 1,2 milhão. Mais cedo, o Tesouro recomprou 12,6 milhões de títulos prefixados, ou seja, 63% de um total de 20 milhões ofertados. O volume financeiro somou R$ 9,409 bilhões. Na segunda, em dois leilões extraordinários, o Tesouro recomprou R$ 27 bilhões, após o estresse nas taxas futuras na sexta-feira. Na tarde da terça-feira, o Tesouro recomprou 600 mil NTN-B para 15/08/2028 às taxas máxima e média de 8,1600% (PU 4.454,155620), sem percentual de corte. Não houve recompra para as NTN-Bs com vencimento em 15/05/2029. Também foram recompradas 156 mil NTN-B para 15/08/2030 às taxas máxima e média de 8,0100% (PU 4.338,583205), sem taxa de corte. O Tesouro também recomprou 873 mil NTN-B para 15/08/2032 às taxas máxima e média de 7,7800% (PU 4.269,761525), sem percentual de corte. Já em relação às operações de venda, o Tesouro não fez colocações de NTN-Bs com vencimento em 2028 e 2029. A instituição vendeu somente 100 mil NTN-B com vencimento em 15/08/2030 às taxas máxima e média de 7,9800% (PU 4.343,254108), sem percentual de corte. Também houve venda de 144,6 mil NTN-B para 15/08/2032 às taxas máxima e média de 7,7650% (PU 4.272,921798). O volume financeiro das operações de venda totalizou com volume financeiro de R$ 1,052 bilhão.
VALOR ECONÔMICO
IGP-10 registra queda de 0,24% em março, diz FGV
O IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) registrou queda de 0,24% em março, depois de recuar 0,42% no mês anterior, de acordo com os dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta terça-feira (17). Com isso, o indicador passa a acumular uma retração de 2,53% nos últimos 12 meses.
O IPA-10 (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve recuo de 0,39% em março, depois de cair 0,80% no mês anterior. Já o IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor), que responde por 30% do índice geral, desacelerou a alta a 0,03% no mês, depois de subir 0,50% em fevereiro. O INCC-10 (Índice Nacional de Custo da Construção), por sua vez subiu 0,29% em março, depois de uma alta de 0,47% em fevereiro. “O índice de preços ao produtor segue registrando queda nas commodities de maior peso, especialmente minério de ferro, soja e milho. O recuo do IPA não foi mais intenso devido à elevação dos preços de produtos da pecuária, como bovinos, carne e leite”, afirmou André Braz, economista do FGV Ibre. “Destacam-se (nos preços ao consumidor) os movimentos de cursos formais e passagens aéreas, ambos registrando retração em suas taxas de variação”, disse Braz.
REUTERS
GOVERNO
Congresso promulga acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia
Esta era a etapa que faltava para que o texto passasse a valer em território brasileiro
O Congresso Nacional promulgou, em sessão solene na terça-feira (17), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (EU). Esta era a etapa que faltava para que o texto passasse a valer em território brasileiro — procedimento conhecido como ratificação. A finalização do processo de internalização da matéria na legislação brasileira ocorre após os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), darem prioridade à tramitação do acordo nas duas Casas do Legislativo. Com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Motta, Alcolumbre declarou promulgado o decreto legislativo que insere o texto do acordo no direito brasileiro. “Esta é, sem dúvida nenhuma, uma sessão histórica do Congresso Nacional. A partir de hoje, a União Europeia, o maior bloco econômico do mundo, se alia ao Mercosul para criar um dos maiores acordos comerciais da história recente. Após mais de 26 anos de negociações, surge um mercado vibrante, com mais de 718 milhões de pessoas e com um PIB de 116 trilhões de reais”, declarou o presidente do Senado. Assinado no dia 17 de janeiro, o acordo foi analisado pelo Congresso brasileiro em exatamente dois meses. Durante a sessão, Alckmin agradeceu o Congresso pela rápida aprovação desse texto. “Quero registrar, em nome do presidente Lula, o reconhecimento do governo federal ao Congresso Nacional pelo papel decisivo e responsável desempenhado ao longo desse processo. A aprovação desse acordo é fruto de diálogo institucional, compromisso com o interesse nacional e visão estratégica de longo prazo”, afirmou o vice-presidente da República. De acordo com Alckmin, que também é ministro da Indústria, Tecnologia, Comércio e Serviços (Mdic), “estimativas realizadas pelo ministério mostram que o acordo gera impactos positivos em todas as principais variáveis socioeconômicas do Brasil — expansão do PIB, aumento das exportações, estímulo ao investimento, geração de empregos, redução de custos e maior oferta ao consumidor”. Ele também anunciou que o Mdic assinou na terça-feira um plano de trabalho conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a implementação da matéria. Mesmo com a oposição da França, o Parlamento Europeu vai aplicar provisoriamente o acordo Mercosul-UE, de acordo com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Argentina e Uruguai já
VALOR ECONÔMICO
Desembolsos do BNDES atingem R$ 169,7 bilhões em 2025, alta de 27% ante 2024
Lucro líquido do banco de fomento atinge R$ 26,8 bilhões em 2025, uma alta de 1,7% ante 2024
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiu R$ 169,7 bilhões de desembolsos em 2025, alta de 27% ante 2024. A instituição apresentou nesta terça-feira (17) o resultado financeiro e o desempenho operacional, no Rio. De acordo com os dados apresentados à imprensa, o valor de desembolsos foi o maior desde 2020, início da série histórica apresentada na divulgação. O setor industrial e as atividades de comércio e serviços puxaram o crescimento dos desembolsos em 2025, com alta de 35% e 23% ante 2024, respectivamente. As aprovações somaram R$ 237,9 bilhões em 2025, alta de 12% ante 2024. As consultas, primeira etapa para concessão de crédito pelo banco de fomento, chegaram a R$ 389,2 bilhões, um crescimento de 19% na comparação com 2024. “Sob qualquer ponto de vista, o crédito cresceu no BNDES em 2025”, afirmou o diretor financeiro e de mercados de capitais do BNDES, Alexandre Abreu. O banco de fomento também divulgou o lucro líquido, que atingiu R$ 26,8 bilhões em 2025, uma alta de 1,7% ante 2024. O lucro recorrente, que exclui ganhos extraordinários e pontuais, como venda de ações e dividendos, alcançou R$ 15,2 bilhões. Segundo Abreu, foi o maior resultado da história da instituição. “Pelo segundo ano consecutivo, o BNDES tem o segundo melhor lucro contábil do sistema financeiro”, declarou. A diretoria também divulgou que os ativos totais alcançam maior valor nominal na história do banco, superando R$ 962 bilhões em 2025. Outra marca inédita foi o financiamento via debêntures, que somou R$ 31,6 bilhões em 2025, saindo de R$ 28 bilhões em 2024. O diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, informou que o Fundo Clima teve R$ 12,5 bilhões em aprovações e R$ 6,8 bilhões em desembolsos em 2025. Segundo ele, houve aumento no desembolso do Fundo Clima para Norte e Nordeste. Barbosa também informou que o BNDES bateu recordes de financiamento via debêntures. “O caso de debêntures ilustra como o BNDES complementa e não substitui o setor privado”, afirmou. O BNDES alcançou R$ 86,4 bilhões em ativos de participações societárias em 2025, ante R$ 82 bilhões em 2024. Os dados foram apresentados durante a divulgação do resultado financeiro e o desempenho operacional do banco em 2025, no Rio. De acordo com o BNDES, a carteira de participações em empresas rendeu R$ 54,8 bilhões desde janeiro de 2023, mês em que a atual diretoria tomou posse. Segundo Abreu, o rendimento inclui R$ 5,4 bilhões em venda de participações e R$ 25,7 bilhões em proventos. “Provamos que a venda de participações foi uma decisão acertada. Se não tivéssemos vendido, alguém teria feito”, afirmou na coletiva de imprensa. No ano passado, o BNDES anunciou a retomada de investimentos em renda variável por meio da BNDESPar, seu braço de participações acionárias. A decisão do BNDES se deu após cerca de dez anos sem investimentos do banco em renda variável, na esteira de questionamentos sobre a compra de ações de companhias abertas nas administrações anteriores do PT como parte da política de “campeões nacionais”. De acordo com a instituição, porém, trata-se de estratégias diferentes, com a priorização de projetos ligados a descarbonização e inovação. Considerando apenas o quarto trimestre de 2025, o BNDES registrou um lucro líquido de R$ 9,6 bilhões, alta de 30% ante igual período de 2024. O lucro recorrente, que exclui ganhos extraordinários e pontuais, como venda de ações e dividendos, foi de R$ 4 bilhões no quarto trimestre do ano passado, 19% superior ao do mesmo período de 2024. Os desembolsos somaram R$ 67,8 bilhões no quarto trimestre, alta de 45% na comparação com o período de outubro a dezembro de 2024. As aprovações ficaram em R$ 96,3 bilhões (alta de 31%) e as consultas somaram R$ 124,5 bilhões (79% de crescimento). O presidente do BNDES defendeu na terça-feira a criação de um plano Brasil Soberano 2 para socorrer os setores potencialmente afetados por novas tarifas americanas e pela guerra entre Estados Unidos e Irã. De acordo com ele, há tratativas avançadas sobre o tema com ministros do governo federal. O Plano Brasil Soberano foi lançado no fim do ano passado para atender as empresas prejudicadas por sobretaxas de 50% impostas pelo presidente americano, Donald Trump, a produtos brasileiros. O programa previa R$ 30 bilhões via Fundo de Garantia às Exportações (FGE) e outros R$ 10 bilhões destinados pelo próprio banco de fomento. Mas, em paralelo, o governo federal imediatamente estabeleceu uma linha de negociação com o governo Trump, que revogou o tarifaço. Mercadante explicou que restam R$ 6 bilhões em caixa e que, por isso, o banco de fomento tem margem para a criação da segunda edição do programa sem impacto direto sobre o orçamento. “A nossa avaliação é que precisamos de um Brasil Soberano 2, porque tem empresas que ainda estão com tarifas acima de 15%, que é a tarifa mínima que os EUA impuseram a todos os demais parceiros comerciais”, disse. Segundo Mercadante, o banco já tem conversas avançadas sobre a proposta com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a par das tratativas, mas que ainda falta o aval. Sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã, defendeu que a eventual criação da segunda edição do plano considere setores estratégicos, como o de fertilizantes.
VALOR ECONÔMICO
Imposto de Renda: novas regras ampliam o limite para produtores rurais
A Receita Federal publicou no Diário Oficial da União na segunda-feira, 16, as novas regras da Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física referente ao ano-calendário de 2025.
Entre as novidades deste ano está a ampliação da faixa do limite de rendimentos tributáveis. A Receita Federal publicou no Diário Oficial da União na segunda-feira, 16, as novas regras da Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física referente ao ano-calendário de 2025. Entre as novidades deste ano está a ampliação da faixa do limite de rendimentos tributáveis. No caso do produtor rural, devem declarar os contribuintes que registraram receita bruta superior a R$ 177.920. No ano passado, o limite de obrigatoriedade para a atividade rural era de R$ 169.440. Também houve mudanças para pessoas físicas: devem apresentar a declaração do imposto de renda os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 em 2025. De acordo com o texto, também estão obrigadas a declarar as pessoas que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, além de investidores que realizaram operações em bolsa com valores superiores a R$ 40 mil. O prazo para envio da declaração começa na segunda-feira, dia 23, e se estende até 29 de maio. Quem entregar fora do prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do valor do imposto devido, conforme estabelece a norma da Receita Federal.
ESTADÃO/AGRO
MEIO AMBIENTE
Brasil tem R$ 160 bilhões para transição em economia de baixo carbono, diz Marina Silva
Montante inclui recursos do Fundo Clima e do programa Eco Invest. Segundo Marina Silva, o desafio será garantir que esses recursos sejam destinados de forma justa entre os diferentes projetos de descarbonização
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou hoje que o Brasil possui R$ 160 bilhões em recursos para viabilização do seu plano de transição para economia de baixo carbono. O anúncio foi feito na terça-feira (17/3), durante a abertura do Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, em Campinas (SP). “Eram R$ 400 milhões e eu e o Fernando Haddad tivemos a ideia de transformar isso em algo que, com um fundo garantidor, conseguíssemos fazer captação no mercado. Fizemos o anúncio de que saímos de R$ 400 milhões para R$ 27 bilhões aprovado semana passada. E quando somamos o Fundo Clima com o Eco já são mais de R$ 160 bilhões para o plano de transformação ecológica”, destacou a ministra. O Fundo Clima (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima) é um instrumento financeiro criado pelo governo federal em 2009 para apoiar projetos que reduzam emissões de gases de efeito estufa e promovam a adaptação às mudanças climáticas, operado por meio de linhas de crédito e financiamento. De acordo com o BNDES, o fundo já mobilizou R$ 52,4 bilhões em financiamentos desde 2023, sendo R$ 34,6 bilhões só em 2025. Já o Eco Invest Brasil é um programa criado em 2024 para atrair capital privado — especialmente internacional — para viabilizar investimentos em atividades de baixo carbono de longo prazo. Segundo Marina Silva, o desafio do governo federal, a partir de agora, será garantir que esses recursos sejam destinados de forma justa entre os diferentes projetos de descarbonização existentes no país. “Temos que ficar atentos à apresentação dos projetos e criar mecanismos que atendam a pequenos, médios e grandes, e não apenas quem tem maior capacidade de apresentar projetos, e evitar que os recursos sejam destinados a iniciativas já consolidadas”, completou a ministra.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Embrapa lança tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura
A Embrapa lança tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura. O GeoFert, é um sistema que garante segurança ambiental no uso de biofertilizantes.
A produção intensiva de suínos no Brasil, especialmente nos grandes polos do Sul do país, esbarra frequentemente em um gargalo ambiental severo: o destino dos resíduos gerados nas granjas. Para solucionar esse impasse e garantir que o material seja convertido em adubo de forma segura, a Embrapa lança tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura. Batizado de GeoFert, o novo sistema digital atua como um monitoramento georreferenciado de ponta a ponta, registrando o caminho exato do efluente desde o momento da coleta até a sua aplicação no solo como biofertilizante. O oeste catarinense, região com altíssima concentração animal, ilustra bem a urgência por inovações desse porte. Estudos do setor apontam que cerca de 95% do volume de resíduos gerado nas propriedades é líquido. Embora seja um material rico em nutrientes, quando mal administrado, ele se torna uma ameaça direta aos lençóis freáticos e à saúde do solo. Até então, Santa Catarina já contava com o Sistema de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS) para agilizar o licenciamento das granjas. O problema, no entanto, persistia na etapa do pós-licenciamento: como provar aos órgãos de fiscalização que o descarte ocorreu dentro da lei, especialmente quando o transporte depende de maquinário cedido por prefeituras ou associações rurais? É exatamente nesse vácuo de controle que o GeoFert entra em cena. Diferente de um simples rastreador de frotas comerciais, a plataforma foi arquitetada especificamente para o agronegócio, cruzando a movimentação dos caminhões-tanque com as informações oficiais do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo Cláudio Miranda, pesquisador da Embrapa, o sistema elimina a dependência de anotações manuais e planilhas fragmentadas. Na prática, a ferramenta armazena em nuvem dados cruciais da operação, incluindo: A origem exata do efluente; qual propriedade está recebendo o material; O horário e a data cravados da atividade; as coordenadas geográficas reais de onde o biofertilizante foi despejado. A adoção do sistema traz um alívio imediato para toda a cadeia produtiva. Para o produtor rural, o principal ganho é a conformidade ambiental. O sistema gera evidências totalmente auditáveis, blindando o pecuarista contra multas e sanções. Para a gestão pública, o benefício é a transparência. Como muitas operações de transporte de dejetos utilizam frotas de prefeituras, o monitoramento via painéis e mapas interativos garante que o dinheiro público e o maquinário subsidiado estão sendo utilizados de forma correta e otimizada. Validação da tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura já começou. A novidade já ultrapassou a fase de laboratório e está no campo. Desde agosto de 2025, a cidade de Presidente Castello Branco (SC) abandonou as pranchetas e tornou-se o primeiro município a implementar o sistema oficialmente. Conduzida em parceria com a iniciativa privada, essa fase de testes práticos permite que a Embrapa ajuste a interface e o fluxo de dados conforme a realidade de quem está na ponta operando as máquinas. A expectativa é que, com a expansão da ferramenta, a suinocultura familiar ganhe um reforço robusto na sustentabilidade, transformando definitivamente o que antes era um passivo ambiental em um biofertilizante seguro e rastreável.
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