CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2655 DE 20 DE FEVEREIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2655 | 20 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação subiu em São Paulo

Após o feriado de Carnaval, o mercado abriu a quinta-feira entre a estabilidade e a alta. Alguns negócios aconteceram acima das referências, o que motivou uma alta de R$3,00/@ para o “boi China” e para a vaca, enquanto, para as demais categorias, as cotações permaneceram estáveis. E, pela primeira vez na história da pecuária, abate de bovinos supera nascimento de bezerros, alertou a Scot Consultoria

Após o feriado de Carnaval, o mercado abriu a quinta-feira entre a estabilidade e a alta. Alguns negócios aconteceram acima das referências, o que motivou uma alta de R$3,00/@ para o “boi China” e para a vaca, enquanto, para as demais categorias, as cotações permaneceram estáveis. A recente alta motivou um leve aumento na oferta, que, embora tenha crescido, ainda não estava abundante. As escalas continuam curtas e o preço sustentado. As escalas de abate estavam, em média, para seis dias. Em Alagoas, a cotação da arroba do boi gordo subiu R$3,00, enquanto, para as demais categorias, o cenário foi de estabilidade. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana, o volume de negócios foi maior, tanto no mercado varejista quanto no mercado atacadista. Porém, embora nos primeiros dias da semana vigente o varejo esteve mais aquecido, muitos agentes haviam antecipado as compras para reposição de estoques, o que fez com que, no atacado, as cotações não apresentassem grandes alterações. Assim, a cotação de parte das carcaças casadas não mudou, com exceção da do boi inteiro, que subiu. A cotação da carcaça do boi inteiro subiu 0,5%, ou R$0,10/kg. No mercado de carnes alternativas, com relação a segunda-feira da semana anterior (9/2), a cotação do frango médio caiu 2,7%, ou R$0,18/kg, e a do suíno especial não mudou.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo mantém viés de alta

Oferta restrita, escalas curtas e exportações firmes sustentam avanço da arroba do boi gordo, enquanto mercado interno mostra sinais de acomodação na segunda quinzena de fevereiro

 O mercado físico do boi gordo retomou as negociações após o Carnaval com preços mais altos e sinal claro de sustentação nas cotações. A combinação entre oferta enxuta de animais terminados, necessidade de recomposição das escalas de abate e bom desempenho das exportações criou um ambiente favorável ao pecuarista neste início de segunda quinzena de fevereiro. A indústria enfrenta dificuldades para alongar suas programações de abate, que giram entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Esse cenário reforça o poder de barganha do produtor, especialmente em praças onde a retenção de oferta é mais evidente. Segundo avaliação da consultoria Safras & Mercado, as negociações foram naturalmente impactadas pelo feriado, o que elevou a necessidade de compra por parte dos frigoríficos na volta às atividades. Ao mesmo tempo, as exportações seguem como principal vetor de sustentação dos preços, com ritmo consistente de embarques ao longo do primeiro bimestre. Cotações da arroba nas principais praças Os preços médios do boi gordo nas principais regiões produtoras indicam firmeza no mercado: São Paulo: R$ 349,25 (na sexta anterior: R$ 348,33) Goiás: R$ 330,32 (antes: R$ 329,29) Minas Gerais: R$ 335,29 (antes: R$ 333,53) Mato Grosso do Sul: R$ 331,82 (antes: R$ 331,48) Mato Grosso: R$ 325,74 (antes: R$ 323,45) A leitura do mercado indica que, mesmo com ajustes pontuais, o viés predominante ainda é de alta moderada, especialmente nas regiões onde as escalas permanecem mais curtas. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq também reforça esse movimento. No dia 18/02/2026, a arroba foi cotada a R$ 343,90, acumulando alta mensal superior a 5%, apesar da leve variação negativa no dia (-0,04%). No dia 13/02, a cotação chegou a R$ 344,05, mostrando estabilidade em patamar elevado. Em dólar, a arroba gira em torno de US$ 65, consolidando competitividade no mercado externo, principalmente diante do atual cenário cambial. Se no campo a firmeza predomina, no atacado o cenário é de acomodação. A segunda quinzena de fevereiro tende a apresentar menor apelo ao consumo doméstico, pressionando a dinâmica interna da carne bovina. Os cortes permanecem nos seguintes patamares: Quarto traseiro: R$ 26,50/kg Ponta de agulha: R$ 19,50/kg. Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg. O mercado segue atento ao comportamento do consumo interno nas próximas semanas. Caso a demanda doméstica não reaja, o ritmo de alta pode perder intensidade.

SAFRAS NEWS

Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri

Em janeiro, o Brasil exportou 119,9 mil toneladas de carne bovina à China, volume equivalente a 10,8% da cota anual. Tarifa adicional de 55% inviabiliza a exportação ao país asiático, afirma Safras & Mercado.

A deliberação de uma cota tarifária anual para a importação de carne bovina pela China produz efeitos no mercado brasileiro, que tem no gigante asiático, o seu principal comprador. Enquanto o governo discute a criação de um mecanismo interno de distribuição da cota, o cenário atual desencadeia uma corrida pelas exportadoras. O ritmo acelerado de embarques ficou evidente já no primeiro mês de 2026. Em janeiro, o Brasil exportou 119,9 mil toneladas de carne bovina para a China, alta superior a 30% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O volume representa 10,8% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas fixada pelo governo chinês. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras&Mercado, se o País mantiver o ritmo atual de embarque, a cota será liquidada antes do fim do terceiro trimestre. Depois disso, na avaliação dele, a tarifa adicional de 55%, praticamente inviabiliza a exportação. “Essa situação gera uma corrida desenfreada pela exportação. Enquanto nós [Brasil] tivermos cota, pelos meus cálculos, lá por agosto e setembro já não vai ter mais produto para o Brasil exportar. A cota já vai ter sido liquidada”, disse. O Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), alerta que o ciclo médio da cadeia — entre produção, embarque e chegada ao destino — é estimado em cerca de 75 dias. Isso significa que, quando a salvaguarda chinesa entrou em vigor, havia um volume considerável já contratado ou em trânsito — algo em torno de 500 mil toneladas. segundo estimativas. Números compilados pelo Sindifrigo-MT indicam que, em 30 de dezembro de 2025, havia cerca de 350 mil toneladas de carne bovina brasileira entre cargas em trânsito e volumes já desembarcados em portos chineses. A esse total somam-se as exportações em janeiro e uma estimativa de 100 mil toneladas para fevereiro. Com isso, o volume entregue nos primeiros meses do ano pode alcançar 570 mil toneladas. “Restariam, então, para os dez meses seguintes de 2026, apenas 530 mil toneladas, o equivalente a 53 mil toneladas por mês, frente às 170 mil entregues em dezembro”, disse Paulo Bellicanta, presidente do Sindifrigo-MT. Na avaliação de Bellicanta, não se trata de uma análise teórica ou de projeções especulativas, mas da leitura objetiva de números que sinalizam risco de desabastecimento no mercado chinês e grave impacto sobre a cadeia produtiva brasileira. “O ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação”, salientou. O governo brasileiro ainda aguarda esclarecimentos das autoridades chinesas para saber se as cargas em trânsito antes da entrada em vigor da medida de salvaguarda, contarão dentro da cota tarifária estipulada. Diante desse cenário, o Governo Federal passou a discutir a criação de um sistema para administrar internamente a distribuição da cota entre os frigoríficos exportadores. Um dos modelos defendidos é um sistema semelhante ao aplicado à chamada cota Hilton — mecanismo tradicional que regula parte das exportações brasileiras de carne à União Europeia. Nesse sistema, são considerados como base os critérios históricos de desempenho dos exportadores. Para Iglesias, uma gestão ordenada pode evitar distorções e reduzir a volatilidade no mercado interno. Sem regulação, no entanto, grandes frigoríficos tendem a concentrar rapidamente os embarques, ampliando a pressão sobre o boi gordo no primeiro semestre e provocando uma desaceleração no segundo, quando o limite for alcançado. Ele pondera, no entanto, que apesar da regulação ajudar a suavizar esses ciclos, o desenho do modelo será determinante para evitar maiores problemas. “Dependendo da forma como o governo fizer essa distribuição, pode haver questionamentos legais. O que me preocupa nessa história é que pode ferir alguma lei brasileira, pois a legislação é complexa, então, isso pode acabar sendo judicializado”, alerta.

ESTADÃO/AGRO

ECONOMIA

Dólar fecha com leve baixa em meio a fluxo de investimentos para o Brasil

O dólar fechou a quinta-feira perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante as demais divisas, com alguns agentes citando o efeito do fluxo de entrada de recursos no país sobre as cotações.

O dólar à vista fechou a sessão com leve baixa de 0,04%, aos R$5,2282. No ano, a divisa agora acumula baixa de 4,75%. Às 17h15, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,19% na B3, aos R$5,2390. O volume era elevado, com mais de 314 mil contratos de dólar para março negociados. A acomodação do dólar no Brasil contrastou com o exterior, onde a moeda sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, com os investidores atentos aos dados econômicos divulgados nos EUA e à mobilização de tropas norte-americanas ao redor do Irã. O dólar exibiu ganhos em relação a divisas fortes como o euro, a libra e o iene, além de avançar ante moedas pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. Favorecido pelo fluxo, o Ibovespa sustentou ganho superior a 1% durante boa parte da sessão. Um operador ouvido pela Reuters também citou o fluxo de entrada de recursos no país para justificar o desempenho mais fraco do dólar ante o real nesta quinta-feira. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$1,488 bilhão em fevereiro até dia 13. Somente na semana passada entraram líquidos no país US$1,783 bilhão, em meio aos relatos de investimentos estrangeiros para a bolsa. Mais cedo na quinta-feira, os agentes digeriram os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Considerado uma espécie de prévia para o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br cedeu 0,2% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. A retração foi inferior à baixa de 0,5% projetada por economistas em pesquisa da Reuters. “O IBC-Br mais resiliente reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic, preservando o diferencial de juros ainda elevado e favorecendo estratégias de carry trade”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, mas o mercado espera que o Banco Central inicie o ciclo de cortes em março — resta saber se com redução de 25 ou de 50 pontos-base.

REUTERS

Ibovespa avança mais de 1% com Axia e Petrobras em destaque

O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, acima dos 188 mil pontos, com as ações da Axia entre os principais suportes diante da perspectiva de migração para o Novo Mercado, assim como os papéis da Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,35%, a 188.534,42 pontos, tendo chegado a 188.687,12 na máxima e marcado 185.927,99 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$28,9 bilhões. “Minha leitura é de que foi mais um dia de ingresso de estrangeiro”, disse o gestor de renda variável Naio Ino, da Western Asset, citando o interesse desses investidores principalmente em “large caps” e ações com liquidez. Na visão de Ino, enquanto o fluxo continuar, é difícil enxergar uma realização (mais relevante) de curto prazo. Fevereiro registra um saldo positivo de capital externo de R$8,76 bilhões até o dia 13 para as ações brasileiras, segundo os dados mais recentes disponíveis pela B3. Em janeiro, houve uma entrada líquida de R$26,3 bilhões. Tal fluxo, reflexo de um movimento de rotação de ativos globais, com a perspectiva de queda da Selic no Brasil neste ano como pano de fundo, voltou a ajudar a bolsa paulista a descolar de Wall Street, onde o S&P 500 cedeu 0,28%. De acordo com estrategistas da XP, após reuniões com investidores nos EUA na semana passada, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo, embora exista um certo desconforto com os níveis de valuation após a alta recente. Eles citaram que os fortes fluxos estrangeiros para o Brasil em 2026 são vistos como impulsionados principalmente por fundos Macro e passivos (ETFs), e não por fundos ativos. “Como resultado, vários investidores mencionaram o descasamento entre os grandes nomes do índice – como Vale, Petrobras, Itaú, que se beneficiaram fortemente dos fluxos, enquanto o restante do mercado ficou para trás”, citaram. “Assim, um ‘trade’ de convergência pode começar a funcionar em breve, mas somente quando os fortes fluxos passivos para o Brasil diminuírem”, acrescentaram em relatório a clientes.

REUTERS

Índice do BC aponta crescimento econômico de 2,5% em 2025 com retomada da força no 4º tri

A atividade econômica do Brasil terminou 2025 com crescimento de 2,5% ao mostrar novo ímpeto no quarto trimestre com impulso da agropecuária e do setor de serviços, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira.

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve em dezembro queda de 0,2% na comparação com o mês anterior, em dado dessazonalizado que foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,5%. O índice fechou assim o quarto trimestre com avanço de 0,4% ante os três meses anteriores, em dado dessazonalizado, mostrando retomada do ritmo após queda de 0,83% entre julho e setembro. Esse resultado mostra ainda aceleração da economia se comparado com dados do IBGE, que apontam crescimento de 0,1% no terceiro trimestre. O IBGE divulgará os dados do PIB do quarto trimestre e de 2025 em 3 de março. Na comparação com dezembro do ano anterior, o IBC-Br teve ganho de 3,1%, segundo números não dessazonalizados. Analistas indicavam uma desaceleração da economia brasileira em 2025 — após o PIB ter crescido 3,4% em 2024 — em meio à política monetária restritiva, mas com o mercado de trabalho forte dando algum impulso. “Projetamos crescimento do PIB de 0,2% (no quarto trimestre), ligeiramente acima do trimestre anterior, mas ainda compatível com trajetória de desaceleração gradual da atividade”, disse Leonardo Costa, economista do ASA. A abertura dos dados do BC mostra que, em dezembro, houve alta de 2,3% na agropecuária e de 0,3% na indústria, mas os serviços retraíram 0,3%. Números do IBGE mostraram que, no último mês do ano, houve fraqueza entre as atividades. A produção industrial recuou 1,2% em dezembro sobre novembro, queda mais forte em quase um ano e meio. As vendas varejistas recuaram 0,4% no mês, maior queda do ano, enquanto o volume de serviços teve contração inesperada de 0,4% em dezembro ante novembro. Já no quarto trimestre a agropecuária registrou expansão de 2,8% e os serviços cresceram 0,5%, enquanto a indústria caiu 0,2%. A agropecuária também foi destaque em 2025 ao crescer 13,1%, segundo os dados do BC, com os serviços expandindo 2,1% e a indústria, 1,5%. Descartada a agropecuária, o IBC-Br ainda aponta avanço de 1,8% da economia no ano passado. “No caso do agro, a forte expansão da produção de grãos da safra 2024/25 foi favorecida pelas condições climáticas e pelo aumento das exportações”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research. “Já o setor de serviços exibiu crescimento robusto, puxado sobretudo por serviços empresariais, transportes e comércio. Esse desempenho refletiu o avanço da renda das famílias … e a maior digitalização da economia.”

REUTERS

INTERNACIONAL

EUA devem aumentar importação de carne bovina em 3% em 2026, diz USDA

Abate comercial de gado americano em 2025 foi 6% menor do que no ano anterior. Brasil foi um dos países que mais cresceu em vendas de carne bovina aos Estados Unidos em 2025

A forte restrição na oferta de gado deve levar os Estados Unidos a um novo aumento nas importações de carne bovina neste ano, embora em um ritmo menor que o registrado em 2025. Projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) divulgadas nesta quinta-feira (19/2) indicam que as compras americanas devem crescer 3% em 2026. No ano passado, as importações de proteína subiram 16%, para cerca de 2,45 milhões de toneladas. “A demanda por carne bovina magra importada deve continuar crescendo”, disse o USDA em relatório. Com base em dados até novembro de 2025, o órgão americano ressaltou que o Brasil foi um dos países que mais cresceu em vendas de carne bovina aos EUA no ano passado, com um avanço de 39%. “A oferta restrita, especialmente de carne bovina magra para processamento devido à redução do abate doméstico, tornou os Estados Unidos um mercado atrativo para exportadores globais”, afirmou o órgão americano. O USDA ressaltou que a disponibilidade de cotas tarifárias foi ampliada para alguns parceiros comerciais importantes, o que deve melhorar as condições de troca para uma parcela das importações que entram nos EUA. O principal país beneficiário do sistema de cotas deste ano tende a ser a Argentina. O rebanho bovino dos EUA contraiu pelo sétimo ano consecutivo em 2025, ao atingir 86,2 milhões de cabeças versus 86,5 milhões do ano anterior. Trata-se do menor patamar em 75 anos. Segundo o USDA, os altos preços do gado para engorda têm sido um fator significativo para prolongar o atual declínio do rebanho, pois incentivaram os produtores a comercializar novilhas para produção de carne bovina em vez de retê-las para reprodução. Neste cenário, o abate comercial de gado americano em 2025 foi 6% menor do que no ano anterior. Para 2026, o USDA espera que o abate diminua novamente, mas em um ritmo menor do que o observado no ano passado. O abate de novilhos e novilhas continuará sendo limitado pelos menores estoques nos confinamentos, mas, refletindo as tendências de estoque de gado e as contínuas restrições às importações de gado vivo, as reduções não devem ser tão acentuadas quanto em 2025. A redução no abate em 2025 foi mitigada pelo aumento no peso médio da carcaça, com ganho de produtividade, e isso se deveu principalmente a dois fatores. Primeiro, a redução no abate de vacas fez com que o abate geral fosse direcionado para novilhos e novilhas mais pesados e confinados. Segundo, embora o número de animais em confinamento e a comercialização tenham sido menores em 2025, o gado confinado foi tipicamente alimentado por períodos mais longos e comercializado com pesos maiores. “O resultado foi que o peso médio da carcaça em 2025 foi 3% maior do que no ano anterior. Espera-se que o aumento no peso médio da carcaça continue em 2026, visto que o abate de vacas representa uma parcela relativamente menor do abate total de bovinos e o gado confinado continua a ser alimentado até atingir pesos maiores para aumentar o retorno para os confinadores e frigoríficos”, disse o USDA. Como resultado, a produção comercial de carne bovina dos EUA deverá apresentar uma leve queda em 2026, após uma redução de 4% em 2025.

VALOR ECONÔMICO

Argentina tem o boi mais caro do Mercosul

Preço fica 26% acima da média regional, enquanto Brasil segue com o menor valor

Reportagem publicada na quinta-feira (19/2) no portal AgroLatam destaca o avanço no preço em dólar do gado da Argentina, que atingiu nível recorde e consolidou sua posição como o mais alto entre os países do Mercosul. Pelos dados apresentados, a diferença de preço da carne bovina argentina em relação aos seus vizinhos (Brasil, Paraguai e Uruguai) “chegou a 26%, reacendendo o debate sobre competitividade e exportações”. Em 19/2, o preço do gado bovino de qualidade para exportação na Argentina atingiu US$ 5,92/kg de carcaça (US$ 88,80/@), um aumento semanal de 21 centavos, e o maior preço nominal já registrado para essa categoria. “A Argentina não só lidera os preços no bloco, como também está 26% acima da média ponderada do Brasil, Uruguai e Paraguai, ampliando a diferença em comparação com a semana anterior”, destaca o portal, acrescentando que “também houve aumentos no restante do Mercosul, embora mais moderados”. No Brasil, compara a reportagem, o boi está cotado a US$ 4,40/kg de carcaça (US$ 65,70/@) — o preço mais barato do bloco, “o que explica as suas exportações recordes”. O boi gordo do Uruguai atingiu US$ 5,55 (US$ 83,25/@), enquanto o preço do animal terminado no mercado do Paraguai chegou a US$ 4,75 (US$ 70,95/@). Segundo o artigo da AgroLatam, “a Argentina está vivenciando um período de preços altos, mas também enfrenta um dilema”.  “Ser o produtor de carne bovina mais cara do Mercosul pode ser um sinal de estabilidade interna, mas também levanta questões sobre a competitividade em relação ao Brasil, que mantém a carne bovina mais barata do bloco e está expandindo suas exportações”, observou. Na avaliação do portal, “em um mercado global sensível a custos, rastreabilidade e margens industriais, o histórico dos preços do boi na Argentina é uma boa notícia”. “O desafio da indústria de carne Argentina será manter o preço em patamares altos sem perder terreno nos mercados que são compartilhados com os parceiros regionais”, concluiu. Comparativo dos preços internacionais do boi gordo nos países do Mercosul. Argentina:  US$ 5,92/kg (US$ 88,80/@). Uruguay: US$ 5,55/kg (US$ 83,25/@). Paraguay: US$ 4,73/kg (US$ 70,95/@). Brasil: US$ 4,38/kg (US$ 65,70/@).

AGROLATAM

FRANGOS & SUÍNOS

Suinocultura registra queda de preços e depende das exportações para ajuste interno

Entenda como a queda de preços no mercado suinícola afeta o consumo e as exportações necessárias para ajustes internos.

A semana foi marcada por recuo nos preços do suíno vivo e dos principais cortes de carne suína no atacado, refletindo um ambiente de consumo fragilizado no mercado doméstico. De acordo com Allan Maia, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos mantêm postura cautelosa nas negociações do animal vivo, diante da dificuldade de reação da carne na ponta final da cadeia. Segundo Maia, nem mesmo a entrada da massa salarial foi suficiente para gerar melhora consistente no consumo. Ele destaca que, no varejo, o movimento de queda de preços ocorreu apenas de forma pontual nas últimas semanas, afetando negativamente o ritmo de escoamento dos cortes. O cenário é agravado pelas temperaturas elevadas e pela competitividade da carne de frango, cujos preços também estão pressionados, reduzindo a atratividade da carne suína ao consumidor. Levantamento da Safras & Mercado mostra que a média do preço do quilo do suíno vivo no país caiu de R$ 6,73 para R$ 6,67 na semana. No atacado, o pernil apresentou média de R$ 11,96, enquanto a carcaça foi negociada a R$ 10,33. Em São Paulo, a arroba suína manteve-se em R$ 131,00. Nos principais estados produtores, os preços mostraram estabilidade ou leve retração. No Rio Grande do Sul, o quilo vivo permaneceu em R$ 6,55 na integração e recuou para R$ 7,00 no interior. Em Santa Catarina, houve estabilidade na integração, em R$ 6,55, e queda no mercado independente, para R$ 6,80. No Paraná, o mercado livre caiu para R$ 6,85, enquanto a integração seguiu em R$ 6,60. Em Mato Grosso do Sul, os valores ficaram estáveis, e em Goiás houve leve recuo para R$ 6,60. Já em Mato Grosso, Rondonópolis registrou pequena alta, para R$ 6,70. Diante da fraqueza do consumo interno, Allan Maia ressalta que o elevado fluxo de exportações é fundamental para o ajuste da oferta e a formação de preços no mercado doméstico. Em fevereiro, considerando cinco dias úteis, as exportações brasileiras de carne suína “in natura” somaram US$ 68,996 milhões, com média diária de US$ 13,799 milhões. O volume exportado alcançou 27,965 mil toneladas, com média diária de 5,593 mil toneladas, e preço médio de US$ 2.467,2 por tonelada. Na comparação com fevereiro de 2025, houve avanço de 8,9% no valor médio diário e de 10,6% na quantidade média diária, apesar de queda de 1,6% no preço médio, reforçando o papel das vendas externas como principal sustentação do setor no curto prazo.

SAFRAS & MERCADOS

ABPA integra missão presidencial à Índia e Coreia do Sul com foco em abertura e ampliação de mercados de suínos e aves

Na Índia, a pauta prioritária envolve a redução das tarifas incidentes sobre a carne de frango brasileira. Atualmente, o produto enfrenta alíquotas de 100% para cortes e de 30% para determinadas partes.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) participa da missão oficial do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Índia e à Coreia do Sul, com agenda voltada à ampliação do acesso para carne de frango, carne suína, ovos e demais proteínas avícolas brasileiras. Na Índia, a pauta prioritária envolve a redução das tarifas incidentes sobre a carne de frango brasileira. Atualmente, o produto enfrenta alíquotas de 100% para cortes e de 30% para determinadas partes, o que inviabiliza a competitividade comercial, apesar de o acordo sanitário já estar estabelecido. A ABPA apresentará às autoridades brasileiras — incluindo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro e o secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luís Rua — proposta para a criação de cota específica com tarifa reduzida ou zerada, como mecanismo inicial de destravamento do fluxo comercial. No caso da carne suína, embora o mercado esteja aberto sanitariamente, a tarifa de 26% também limita a viabilidade das exportações. A entidade defenderá a adoção de cotas diferenciadas ou a revisão das alíquotas vigentes, especialmente considerando o cenário sanitário enfrentado por regiões produtoras do norte da Índia, impactadas por surtos de Peste Suína Africana. Já na Coreia do Sul, a agenda contempla o aprimoramento do modelo de regionalização para Influenza Aviária. Atualmente reconhecida por estado, a ABPA buscará avançar para o reconhecimento por município, o que amplia a previsibilidade regulatória e reduz eventuais restrições comerciais desproporcionais. Também está na pauta o reconhecimento, pelo governo sul-coreano, de estados brasileiros como livres de febre aftosa sem vacinação — condição já reconhecida internacionalmente. A habilitação específica de Rio Grande do Sul, Paraná, Acre e Rondônia possibilitaria a ampliação das exportações de carne suína, incluindo produtos com osso e miúdos, agregando maior valor às vendas.

ABPA

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