
Ano 9 | nº 1919 |14 de fevereiro de 2023
NOTÍCIAS
Preços estáveis na arroba bovina em São Paulo
Como normalmente acontece nas manhãs de segundas-feiras, boa parte dos frigoríficos aguardaram melhor definição do mercado para abrir as compras. Com isso, as cotações do boi, vaca e novilha ficaram estáveis
Segundo os Primeiros Resultados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram abatidos 7,44 milhões de bovinos no quarto trimestre de 2022. Uma queda de 5,2% em relação ao terceiro trimestre de 2022 e aumento de 6,9% em relação ao quarto trimestre de 2021. No atacado de carne bovina com osso, a distribuição das carnes com osso foi boa durante a última semana. Com o retorno das aulas e o pagamento dos salários, o atacado com osso apresentou ajustes positivos, principalmente para o bovino castrado e a novilha. A tendência para amanhã é de preços estáveis a possíveis quedas, tendo em vista a segunda quinzena do mês e a perspectiva do feriado prolongado de Carnaval. Na variação semana a semana, a cotação da carcaça casada de bovinos castrados subiu 2,6%, enquanto para os bovinos inteiros, a cotação caiu de 0,7%.
SCOT CONSULTORIA
Exportação de carne bovina in natura cai 29,3% na segunda semana de fev/22
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina in natura atingiram 47,1 mil toneladas nos primeiros oito dias úteis de fevereiro/23. No ano anterior, os embarques somaram 158,5 mil toneladas em 19 dias úteis
A média diária exportada foi de 5,8 mil toneladas, queda de 29,3%, frente a fevereiro do ano anterior, que ficou em 8,3 mil toneladas. Para os analistas, o resultado reflete o efeito do primeiro ano novo lunar chinês sem as restrições à Covid 19, o que paralisou as operações na China levando a um atraso de pelo menos 30 a 40 dias entre a operacionalização e a contabilização na balança comercial. Para o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o desempenho no começo deste mês de fevereiro está mais lento em justamente em função do feriado de ano novo lunar. “Os importadores chineses ficaram menos ativos no mercado, mas agora temos que monitorar os preços da carne bovina internacional”, disse. O preço médio do produto na segunda semana de fevereiro ficou em US$ 4.822 por tonelada, queda de 13,9 % frente aos dados de fevereiro de 2022, com preços médios de US$ 5.603 por tonelada. O valor negociado para o produto ficou em US $ 227,4 milhões. A média diária ficou em US$ 28,4 milhões, queda de 39,2%, frente a fevereiro do ano passado, com US$ 46,7 milhões.
AGÊNCIA SAFRAS
Ainda em queda, preço da carne bovina deve subir na exportação
Mas, segundo analistas, patamar elevado de junho de 2022 não será alcançado
O preço da carne bovina (fresca, refrigerada ou congelada) exportada na primeira semana de fevereiro manteve a trajetória de queda dos últimos oito meses, mas, segundo analistas, a tendência agora é que as cotações se recuperem no restante do ano, embora para patamares inferiores aos observados em junho. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a tonelada foi vendida por US$ 4.822,90, em média, no início deste mês, com recuos de 0,4% em relação à média de janeiro e de quase 14% na comparação com fevereiro de 2022. Em junho passado, a proteína foi exportada por US$ 6.826,30 a tonelada. A Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo) recentemente manifestou preocupação com a queda dos preços da carne exportada, até porque as margens dos frigoríficos no mercado doméstico ainda estão apertadas graças à demanda retraída. A entidade afirmou que a renegociação de contratos com clientes da China, principal destino dos embarques, foi o maior fator de pressão. “A antecipação de compras para o Ano Novo chinês possibilitou o movimento de renegociação”, concorda Thiago Bernardino, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. “Mas é preciso lembrar que a demanda [externa] este ano será interessante – e isso já está desenhado, principalmente porque o câmbio continuará alto.” Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, realça que os preços registrados na balança comercial de fevereiro não refletem as vendas no mês. “São negócios fechados 30 ou 45 dias atrás. Nos últimos dias, o que ouvimos de relatos é que a retomada da China pós-feriado proporcionou uma recuperação de até US$ 500 sobre os preços vistos anteriormente.” Segundo Bernardino, do Cepea, a China deverá continuar comprando carne do Brasil, a menos que alguma pressão inflacionária a force a adquirir mais carne bovina da Índia ou proteínas mais baratas, como carne de búfalo. “No cenário global, a vantagem competitiva é do Brasil e dos EUA”, pontua. Recentemente, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revisou suas estimativas para a importação de carne bovina pela China. O órgão estima um crescimento de 2,2% na demanda do país, para 3,5 milhões de toneladas, alegando que é “improvável” que a produção chinesa de carne suína seja suficiente para suprir o consumo de proteínas. A abertura de mercados de alto valor agregado – Coreia do Sul e Japão estão na pauta de governo e iniciativa privada – pode ajudar a sustentar as cotações. “Mas o produtor não pode perder de vista que não se sabe quando isso será operacionalizado e qual será o volume”, afirma Bernardino. Em relação ao mercado interno, ele diz que a tendência é de leve aumento no consumo per capita este ano – cerca de 400 gramas, para 25,9 quilos. “Essa melhora deve ser sentida principalmente depois dos cinco primeiros meses do ano, quando o brasileiro geralmente tem gastos maiores”, diz o pesquisador. No cenário atual externo e doméstico, a arroba do boi gordo foi negociada a R$ 292,09 em São Paulo na média de fevereiro até sexta-feira, acima dos R$ 285,97 de janeiro, mas bem abaixo da média de R$ 340,30 de fevereiro de 2022. Iglesias salienta que o câmbio a R$ 5,50 e os preços altos da carne no externo permitiram uma arroba de R$ 350 no ano passado. “Mas, agora, a situação é bem diferente. Frigoríficos do Tocantins relatam que não estão comprando vaca gorda, apenas novinha e boi, tamanha é a oferta”.
VALOR ECONÔMICO
Pecuaristas cobram melhores políticas públicas
Lideranças do segmento reclamam que a atividade ficou em segundo plano nos últimos anos
Os novos desafios da pecuária de corte brasileira exigirão ações mais contundentes do governo, afirmam lideranças do segmento, que reclamam que a atividade ficou em segundo plano nos últimos anos e perdeu espaço nas políticas públicas para a agricultura e a produção leiteira. As principais demandas são mais crédito e assistência técnica. “Temos acesso mais restrito a recursos que a agricultura, pelas características do nosso ciclo produtivo”, disse ao Valor o Presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Nabih Amin El Aouar. “Isso habituou o pecuarista a não procurar crédito. De certa forma é bom, porque não houve grande endividamento. Mas quem não investe fica limitado à forma antiga de se produzir.” O modelo extensivo, no qual o aumento da produção está diretamente ligado à abertura de novas áreas, está chegando ao fim. As lavouras de grãos avançam pelos rincões do país e continuarão tomando espaço dos pastos pouco produtivos. “O crescimento da pecuária será vertical, mas para isso precisamos de tecnologia”, diz El Aouar. Oswaldo Ribeiro Júnior, Diretor-Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), estado que abriga o maior rebanho bovino do país, afirma que o governo precisa investir na linha de crédito para a recuperação de pastagens degradadas. “Nosso maior patrimônio é o pasto, mas é caro recuperá-lo”, explica. Ele também pede a ampliação dos recursos para a retenção de matrizes, que permitirá ao produtor arbitrar melhor suas vendas. O Presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Maurício Velloso, afirma que o crédito agrícola muitas vezes tem prazo de pagamento de três a quatro vezes maior que o ciclo da cultura. “Já a pecuária, que tem um ciclo às vezes de cinco anos, conta com financiamentos de um ano. Isso obriga o pecuarista a pegar um financiamento para pagar outro, o que impede investimentos de longo prazo”, diz. “No Brasil, temos o melhor pecuarista do mundo, mas também temos o pior”, extrapolou o presidente da ACNB, para explicar que a heterogeneidade da pecuária local abre espaço para avanços. Enquanto os mais tecnificados esbanjam índices de produtividade por hectare, alguns mal sabem quantos animais têm. Para o diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária, Maurício Palma Nogueira, antes de falar em crédito é preciso discutir a difusão de conhecimento para diminuir o abismo entre esses perfis. “É preciso melhorar a comunicação governamental em relação ao que precisa ser feito nas fazendas”, diz. Nogueira sustenta que muitos pecuaristas estão alheios às transformações do negócio, que agora tem margens menores. “O grande desafio é criar essa demanda por assistência técnica, porque serviços nós já temos em secretarias municipais e estaduais e em universidades e unidades da Embrapa. Até técnicos da iniciativa privada fariam acordos, porque as empresas querem vender mais produtos”, afirma. Segundo Gabriel Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), é preciso expandir iniciativas como os “dias de campo”. “Mais do que em empresas, o produtor confia no sucesso do outro. Precisamos mostrar que gastar dinheiro com tecnologia é investir”, diz o dirigente.
VALOR ECONÔMICO
Expectativa para carne bovina é positiva apesar de queda de preços de exportação
A expectativa para a carne bovina brasileira em 2023 segue positiva, mesmo após os resultados dos embarques em janeiro mostrarem uma tendência de preços médios mais baixos neste ano, segundo o BB Investimentos
O preço médio das exportações brasileiras de carne bovina em janeiro, em dólares por tonelada, teve queda de 7,5% na comparação anual, apesar de permanecer praticamente estável na comparação mensal. “As projeções seguem otimistas para a demanda externa por carne bovina e o Brasil pode assumir o papel de destaque no comércio global da proteína considerando a possibilidade de uma oferta mais restrita em outros mercados, como nos EUA, e demanda aquecida em diversos mercados premium”, escreveram analistas do BB Investimentos em relatório divulgado na sexta-feira (10). A habilitação anunciada em janeiro de 11 frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina à Indonésia, entre os quais três plantas da Marfrig e uma da Minerva, contribui para esse cenário positivo. Para as carnes de frango e suína, os preços de venda ao mercado externo permaneceram em patamar elevado, mas as margens da indústria brasileira seguem pressionadas em razão de altos preços do milho, segundo o BB Investimentos. “Mesmo com a expectativa de uma safra satisfatória no Brasil, a quebra relevante esperada para a safra do cereal (milho) na Argentina tem pressionado os preços para cima. Além disso, a demanda externa aquecida pelo grão brasileiro tem potencial de competir com a demanda doméstica, trazendo mais um elemento de pressão sobre os preços dos insumos da indústria local.”
CARNETEC
ECONOMIA
Dólar tem queda forte
O dólar teve forte queda frente ao real na segunda-feira, refletindo ainda um ambiente de apetite a risco no exterior
A moeda norte-americana à vista caiu 0,86%, a 5,1772 reais na venda, patamar de encerramento mais baixo em uma semana. Na B3, às 17:13 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,75%, a 5,1930 reais. Participantes do mercado atribuíram a queda, em parte, a um desmonte de posições defensivas que haviam sido assumidas em meio a boatos de que o governo estaria estudando antecipar uma revisão das metas de inflação do país e possivelmente elevar o alvo a ser buscado pelo Banco Central, com especulações de que o Presidente da autarquia, Campos Neto, aceitaria a mudança. Os investidores aguardam encontro do CMN, órgão responsável por definir os objetivos oficiais de inflação, agendado para quinta-feira. “As decisões (do CMN) não necessariamente são tomadas no curto prazo. Tinha essa expectativa do mercado de que teria uma posição mais fixa já agora, mas essas decisões são feitas ao longo do tempo”, disse à Reuters Matheus Pizzani, economista da CM Capital. “Não espero que tenha algo muito impactante neste curto prazo.” O economista defendeu que, passados os ruídos políticos envolvendo a política monetária, o mercado de câmbio “tem um horizonte muito bom pela frente”, uma vez que a perspectiva de manutenção da taxa Selic em patamar elevado tende a favorecer ingresso de fluxos via mercado financeiro. Além disso, há expectativa de que a balança comercial do país passe por melhoras a partir de meados do ano, disse Pizzani, o que serviria de impulso adicional para o real. Ele disse acreditar que o dólar possa voltar a ser negociado abaixo dos 5 reais em 2023.
REUTERS
Bovespa fecha em alta sustentado por bancos
Rumores sobre possível acordo para que discussão sobre novas metas de inflação ocorra apenas após apresentação do novo arcabouço fiscal causaram melhora nos ativos
O Ibovespa avançou na segunda-feira sustentado pela alta dos bancos e ainda refletindo questões políticas. Rumores sobre um possível acordo entre o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para que a discussão sobre metas de inflação ocorra apenas após a apresentação do novo arcabouço fiscal pelo governo causaram melhora nos ativos brasileiros. No fim do dia, o referencial local registrou ganhos de 0,70%, aos 108.836 pontos. O volume financeiro negociado na sessão foi de R$ 14,70 bilhões no Ibovespa e R$ 18,86 bilhões na B3. Em Nova York, o S&P 500 subiu 1,14%, aos 4.137 pontos, o Dow Jones fechou em alta de 1,11%, aos 34.245 pontos, e o Nasdaq avançou 1,48%, aos 11.891 pontos. As críticas recentes do Presidente Lula ao Banco Central e ao nível de juros praticado no país fizeram com que ganhasse força entre membros do governo a ideia de elevar as metas de inflação, atualmente em 3,25% para 2023 e em 3% para 2024 e 2025. Investidores esperavam que o debate, inclusive, fosse levantado na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) que acontece na próxima quinta-feira. No entanto, segundo informações que correram nas mesas de operação durante o dia, Haddad chegou a um acordo com Lula para que o debate viesse à tona apenas após a proposta da nova âncora fiscal ser apresentada. Além disso, Haddad teria indicado que os nomes dos novos diretores do Banco Central seriam ‘neutros’ — provavelmente servidores de carreira do BC. “Enquanto o estrangeiro segue comprador da bolsa brasileira, o investidor local continua vendendo, pressionado pelos juros e pela falta de visibilidade. Isso só muda, na minha visão, com uma maior clareza em relação à qualidade do ciclo de queda de juros, que inevitavelmente virá, por conta das condições macroeconômicas, mas pode ser não ser sustentável em caso de imposição política”, diz Lucas Tambellini, sócio da Sumauma Capital. Para o executivo, o mercado terá mais elementos em abril, quando o novo arcabouço fiscal for apresentado e a reforma tributária começar (ou não) a andar.
VALOR ECONÔMICO
Mercado eleva perspectiva para Selic em 2023 a 12,75% e 10% em 2024
Analistas consultados pelo Banco Central elevaram suas projeções para a taxa básica de juros tanto para este ano quanto no próximo, em meio às pressões inflacionárias
A pesquisa Focus divulgada pelo BC na segunda-feira mostra que a projeção para a Selic este ano subiu a 12,75%, contra 12,50% na semana anterior. Ao mesmo tempo, o cenário para o final de 2024 foi a 10%, de 9,75% antes. No começo do mês, o BC manteve a Selic em 13,75% ao ano, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o próximo encontro, em março, o Focus mostra que a projeção dos especialistas segue segundo manutenção da Selic. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa para a alta do IPCA em 2023 foi ajustada para cima em 0,01 ponto percentual, a 5,79%, enquanto que para o ano que vem foi a 4,0%, um aumento de 0,07 ponto. O centro da meta oficial para a inflação em 2023 é de 3,25% e para 2024 é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano caiu pela segunda vez seguida, em 0,03 ponto, indo a 0,76%. Para 2024 segue em 1,50% pela sétima semana seguida.
REUTERS
EMPRESAS
Marfrig revela números de sua operação no mercado interno
A cada dia, 385 toneladas de carne bovina saem dos quatro centros de distribuição (CDs) que a Marfrig possui no Brasil, informou a companhia na segunda-feira (13). A produção é enviada para clientes do food service, como redes de restaurantes e lanchonetes, e do varejo e atacado de diferentes regiões do país
Os CDs estão localizados em Bauru (SP), Belford Roxo (RJ), Esteio (RS) e Itupeva (SP). Por mês, mais de 13 mil clientes da Marfrig são atendidos pelos CDs. Do volume que sai diariamente desses locais para os clientes, 88,1% são de carne in natura. Os centros de distribuição atendem somente o mercado interno. Os produtos para exportação são encaminhados diretamente das unidades da Marfrig para os portos, onde a mercadoria é embarcada para os países de destino. A capacidade de estoque dos CDs da companhia é de 4 mil toneladas de produtos por mês. Os locais são alugados e neles trabalham atualmente 282 pessoas (211 são colaboradores próprios e 71 são colaboradores terceiros dos operadores logísticos). “Os centros de distribuição da Marfrig funcionam de forma a transportar grandes volumes de produtos com a qualidade e a agilidade demandadas pelos nossos clientes”, disse o Diretor de Logística da companhia, Luciano Alves, em nota. A Marfrig informou também que estuda uma inovação: realizar entregas com volume reduzido a partir de locais logisticamente estratégicos na Grande São Paulo, por meio de caminhões menores e triciclos refrigerados – ambos elétricos. Além de reduzir o impacto ambiental, a medida vai viabilizar rotas mais curtas e agilidade na entrega diária. “Hoje em dia o cliente quer, cada vez mais, fracionamento do que recebe”, comentou Alves. O executivo ressaltou que essa medida ajudará muito a minimizar o problema da falta de espaço e de armazenamento para os estabelecimentos. A novidade também atenderá clientes de menor porte. A empresa não informou prazo para início dessa operação, caso seja adotada. A Marfrig também utiliza seus CDs para armazenar produtos que compra de outras indústrias (nacionais ou estrangeiras) e revende para clientes. Exemplo: batata para lanchonetes e restaurantes. Trata-se de uma outra frente de negócio para a companhia, que facilita a vida dos clientes ao comprarem todos os itens em um mesmo local. Esses produtos respondem por 11,9% do volume diário escoado pelos CDs da Marfrig.
CARNETEC
Frigol vê alta de 20% no faturamento em 2023 com demanda externa por carne
Empresa deve seguir com investimentos para ampliar a capacidade dos seus três frigoríficos de carne bovina
A Frigol, quarto maior frigorífico do País, projeta crescimento de 20% em 2023, com faturamento que pode passar dos R$ 4 bilhões. A estratégia é seguir com os investimentos para ampliar a capacidade dos três frigoríficos de carne bovina, instalados em Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte e São Félix do Xingu, no Pará, diz Eduardo Miron, CEO da empresa. A Frigol abate nas três unidades 2 mil cabeças por dia. “Todas já estão aptas para atender aos mercados externo e interno. Será o ano da eficiência operacional.” Com mais oferta de bovinos no País, Miron avalia que o momento é positivo e abre espaço para expansão das margens, da mesma forma que a demanda externa segue pujante e deve colaborar para os resultados. Para Miron, após a Indonésia habilitar 11 frigoríficos do País, entre eles uma planta da Frigol, a tendência é de que novas habilitações ocorram no ano. “Com o novo governo, temos expectativa de que as relações com outros países sejam intensificadas”, diz. Miron diz que é sempre “uma promessa” a volta efetiva do consumo de carne bovina. Ele destaca como fator positivo o pagamento de auxílios nos últimos anos, que tendem a ser mantidos. “Ou seja, o fluxo de caixa das famílias deve continuar. O último trimestre de 2022 mostrou certa recuperação, o que já anima.”
O ESTADO DE SÃO PAULO
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: altas acentuadas para o setor
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 142,00/R$ 146,00, enquanto a carcaça especial subiu 3,70%/2,65%, custando R$ 11,20/kg/R$ 11,60/kg
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (10), os preços ficaram estáveis no Paraná e em Santa Catarina, fixados, respectivamente, em R$ 6,81/kg e R$ 6,92/kg. Houve alta de 1,41% em Minas Gerais, atingindo R$ 7,91/kg, avanço de 2,53% no Rio Grande do Sul, alcançando R$ 6,88/kg, e de 3,29% em São Paulo, fechando em R$ 7,84/kg.
Cepea/Esalq
Exportação de carne suína cresce em preços neste início de fevereiro
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne suína in natura nos oito dias úteis de fevereiro atingiram mais de 47% da receita do mês de fevereiro do ano passado
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a melhor notícia no resultado é a alta dos preços médios pagos pela proteína. “Isso é excelente para o setor, mostrando que a tonelada da carne suína está em alta no exterior e a receita também avançou. Então mais do que volume, neste momento é importante ter receita porque isso vai ajudar na rentabilidade média do setor. Não adianta nada ter vendas expressivas com receitas anêmicas, porque as dificuldades seguem, já que os custos estão muito altos. Isso é uma das chaves para a suinocultura brasileira se recuperar, e aqui dentro da Safras & Mercado temos a expectativa de um segundo semestre com alguma lucratividade para a suinocultura brasileira”, disse. A receita, US$ 65 milhões, representa 47,16% do montante obtido em fevereiro de 2022, que foi de US$ 137,8 milhões. No volume, as 26.201 toneladas são 40,9% do total registrado em fevereiro do ano passado, com 64.008 toneladas. A receita por média diária foi de US$ 8.125, valor 12% maior do que o de fevereiro de 2022. No comparativo com a semana anterior, baixa de 9,7%. Em toneladas por média diária, 3.275 toneladas, recuo de 2,8% no comparativo com o mesmo mês de 2022. Em relação à semana anterior, queda de 9,9%. No preço pago por tonelada, US$ 2.480, ele é 15,2% superior ao praticado em fevereiro passado. Frente a semana anterior, alta de 0,22%.
AGÊNCIA SAFRAS
México amplia abertura para a carne suína brasileira
País retirou uma exigência que vinha travando os embarques
O México ampliou a abertura do seu mercado para a carne suína brasileira, informou o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao Valor. Agora, o Brasil poderá exportar o produto in natura, sem a necessidade de passar por processamento térmico em solo mexicano antes de ser vendido aos consumidores, o que facilita o processo. “É mais uma demonstração de que o humor do mundo mudou em relação ao Brasil”, disse Fávaro. Segundo o Ministro, o México consome 1,5 milhão de toneladas de carne suína por ano, o que representa um potencial significativo para o segmento no Brasil. “Vamos começar a pegar uma fatia desse mercado”, afirmou. No fim do ano passado, o México informou a abertura do mercado para a importação de carne suína brasileira produzida em Santa Catarina, estado que já tinha o status de livre de febre aftosa sem vacinação na época do pedido do Brasil de acesso ao país. A carne enviada para aquele mercado, no entanto, precisava ser enviada para estabelecimentos auditados pelo serviço de inspeção oficial mexicano, cozida e enlatada para, então, ser comercializada no país. Na semana passada, as autoridades mexicanas anunciaram a retirada dessa exigência — o que, na prática, torna o processo menos burocrático e agrega valor ao produto brasileiro. Fávaro disse que o Brasil, até então, não estava realizando embarques para lá por conta dessa obrigatoriedade. Seis empresas catarinenses são habilitadas para exportar carne suína ao México e poderão mandar os produtos diretamente para os clientes mexicanos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a medida abre novas oportunidades para o fornecimento dos produtos brasileiros. A entidade espera que as vendas também possam ser ampliadas para unidades de outros Estados em breve, como Rio Grande do Sul e Paraná. “Além de ampliar a capacidade de suprimento ao mercado mexicano, a medida torna mais simples o processo de exportação de produtos suinícolas para o mercado, igualando as condições de embarques com outros exportadores, como os EUA (principal fornecedor para o mercado mexicano). Ao mesmo tempo, abre oportunidade para o fornecimento desses produtos a outros perfis de importadores de carne suína”, disse a ABPA em nota enviada ao Valor. Santa Catarina já é um Estado reconhecido pelas autoridades mexicanas como livre de aftosa sem vacinação. A ABPA tem a expectativa de que a medida seja estendida a outras áreas. Recentemente, o Chile fez o mesmo reconhecimento ao Rio Grande do Sul. O ministro Carlos Fávaro afirmou, ainda, que assinou na semana passada uma carta que será enviada às autoridades da União Europeia solicitando a retomada das negociações para a exportação de produtos brasileiros ao bloco, como carne de frango e ovos.
VALOR ECONÔMICO
Preços do frango não reagem no PR e SC
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,90/kg, enquanto o frango no atacado subiu 0,31%, custando R$ 6,45/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina, não houve mudança no preço, fixado em R$ 4,29/kg, assim como no Paraná, valendo R$ 5,00/kg.
Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (10), houve alta de 0,46% para a ave congelada, atingindo R$ 6,62/kg, e de 0,90% para o frango resfriado, fechando em R$ 6,70/kg.
Cepea/Esalq
Preço do frango exportado tem alta no início de fevereiro, com a retomada da China
Nos primeiros 8 dias úteis de fevereiro, a alta no preço pago por tonelada foi de 24,4% em relação ao valor da última semana de janeiro
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne de aves in natura nos oito dias úteis de fevereiro tiveram aumento na receita. Para o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a entrada dessa receita adicional é interessante quando se fala em um setor (avícola) que entrou em dificuldades neste início de ano, se deparando com margens muito deterioradas. “Houve um desempenho muito positivo, e o que ajudou na alta dos preços internacionais é a retomada da China após o feriado do Ano Novo Lunar, somado à flexibilização das políticas relacionadas à Covid-19. Tudo isso pesou positivamente em relação à formação de preço. Os importadores chineses têm demonstrado mais apetite nas compras”, explicou. A receita, US$ 260.3 milhões, representou 44,41% do montante obtido em fevereiro de 2022, com US$ 586 milhões. No volume, as 140.338 toneladas são 41,34% maiores em relação a fevereiro do ano passado, 339.408 toneladas. A receita por média diária, US$ 32.5 milhões, é 5,5% maior do que a registrada em fevereiro de 2022. No comparativo com a semana anterior, baixa de 7,6%. Em toneladas por média diária, f 17.542 toneladas, redução de 1,8% na comparação com o mesmo mês de 2022. Em relação à semana anterior, queda de 0,68%. No preço pago por tonelada, US$ 2.480 até o momento, ele é 15,2% superior ao praticado em fevereiro do ano passado. Frente ao valor da semana anterior, alta de 24,4%.
AGÊNCIA SAFRAS
INTERNACIONAL
Hong Kong registra novo foco de peste suína africana
De acordo com a Organização Internacional de Saúde Animal, doença causou a morte de 45 animais de um plantel doméstico
A Organização Internacional de Saúde Animal (WOAH, na sigla em inglês) informou na segunda-feira (13/2), um caso de peste suína africana (PSA) em Hong Kong. O novo foco da doença causou a morte de 45 suínos de um plantel doméstico, na localidade de Ta Kwu Ling, próxima da fronteira com a China continental. De acordo com o informe, o diagnóstico foi confirmado no sábado (11/2) depois de testes de laboratório. Toda a movimentação da fazenda onde o foco de PSA foi suspensa. Outras cinco propriedades em um raio de três quilômetros também foram inspecionadas, mas nada foi encontrado. “A movimentação de suínos nessas fazendas também foi suspensa e amostras de suínos serão testadas. Nenhum relatório de anormalidades de fazendas de suínos fora da zona de 3 km foi recebido”, diz a Organização. Entre as medidas aplicadas no local do contágio, estão controle em áreas de vida selvagem, vigilância dentro e fora da zona restrita, rastreabilidade, quarentena e controle de movimentação. Ainda devem ser feitas a desinfecção dos locais e o descarte das carcaças dos animais que morreram. O caso anterior de Peste Suína Africana em Hong Kong tinha sido registrado em maio de 2022. A doença, considerada uma das mais graves da suinocultura, atingiu planteis na Europa e na Ásia, principalmente na China, onde houve perdas em grande parte dos planteis, causando mudanças no quadro de oferta e demanda global.
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