CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1912 DE 03 DE FEVEREIRO DE 2023

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Ano 9 | nº 1912 |03 de fevereiro de 2023

 

NOTÍCIAS

Estabilidade no preço da arroba do boi gordo em São Paulo

Com um início de semana mais movimentado, principalmente para a cotação do bovino mais jovem, de até 30 meses, a quinta-feira (2/2) abre o mercado com estabilidade nos preços. Ainda com escalas de abate confortáveis por parte da indústria frigorífica

Segundo a Scot Consultoria, na quinta-feira as cotações dos animais terminados ficaram estáveis nas praças do interior de São Paulo. Para o mercado interno, o boi gordo está cotado em R$ 270/@, enquanto a vaca e a novilha gordas seguem valendo R$ 259/@ e R$ 265/@ (preços brutos e a prazo), respectivamente. De acordo com a Scot, porém, neste início de semana, houve uma maior procura por bovinos mais jovens, o chamado “boi-China”. O ritmo das exportações de carne bovina seguiu acelerado em janeiro último, tendo a China como maior compradora do produto in natura brasileiro. No entanto, o preço desta categoria de produto continua andando de lado, valendo R$ 285/@ em São Paulo (preço bruto e a prazo). Em Santa Catarina, as cotações da arroba de boi e vaca gordos permaneceram estáveis, enquanto para a novilha gorda alta de R$2,00/@ no comparativo diário. Em Redenção, no Pará, com uma oferta crescente e escalas de abate confortáveis, a ponta compradora abriu o dia ofertando R$2,00/@ a menos de boi gordo e vaca gorda.

SCOT CONSULTORIA

Boi: região Sudeste continua com preços mais altos

De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, o contexto atual do mercado de boi gordo exige análises separadas de acordo com a região do país

Na quinta-feira, o mercado físico do boi gordo registrou preços estáveis para a arroba nos principais estados produtores. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, apesar dos preços acomodados, o contexto atual exige ainda análises separadas de acordo com a região do país. No Sudeste, animais padrão China segue oferecendo sustentação aos preços da arroba, com relatos de negociações acima da referência média ao longo da semana. Já no Centro-Norte do país, o movimento de pressão foi contundente no início da semana. “Agora as negociações estão menos fluídas, com os pecuaristas ainda adotando a retenção de boiadas como estratégia recorrente. Basicamente as pastagens apresentam boas condições e permitem a manutenção desse tipo de estratégia nas próximas semanas”, diz o comentarista. Iglesias ainda destaca que essa dinâmica mudará durante o segundo trimestre, período de seca em que o pecuarista tende a perder capacidade de retenção. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi subiu para R$ 286. Em Minas Gerais, os preços fecharam em R$ 285. Em Dourados (MS), a cotação se manteve R$ 252. Em Cuiabá (MT), a arroba de boi gordo finalizou o dia cotada a R$ 247. Já em Goiânia (GO), a arroba está em R$ 265. Os preços da carne bovina seguem acomodados no mercado atacadista. De acordo com Iglesias, há tendência de alguma recuperação dos preços no decorrer da primeira quinzena do mês, período que conta com maior apelo ao consumo. “A situação das proteínas concorrentes ainda chama a atenção, com a carne de frango muito mais competitiva na comparação com as demais neste primeiro bimestre”, destaca o comentarista. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 14 por quilo.  Já a ponta de agulha ficou com preço de R$ 14,30. O quarto traseiro do boi ficou cotado em R$ 19,80 por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Boi/Cepea: Janeiro se encerra com baixa nas cotações do bezerro, do boi gordo e da carne

Mesmo com registros de oscilação dos preços da cadeia pecuária de corte nacional ao longo de janeiro, as médias mensais fecharam com pequenas quedas em relação às de dezembro/22

Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, o enfraquecimento nos valores esteve atrelado ao crescimento na produção de animais jovens e, consequentemente, à maior oferta de gado pronto para ao abate. Diante disso, no primeiro mês do ano, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo) teve média de R$ 285,97, sendo 2,1% inferior à de dezembro. No caso do bezerro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Mato Grosso do Sul) teve média de R$ 2.395,32/cabeça em janeiro, queda de 1,1% em relação à do mês anterior. Com relação à carne negociada no atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada do boi foi comercializada à média de R$ 18,93/kg em janeiro, recuo de 2,8% frente à de dezembro.

Cepea

ECONOMIA

Dólar fecha no menor valor desde agosto

O dólar se recuperou depois de ter sido negociado abaixo do nível de 5,00 reais pela primeira vez em quase oito meses, mais ainda fechou no menor patamar desde agosto na quinta-feira, depois que uma nova desaceleração no ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos e a sinalização de juros elevados por mais tempo no Brasil

A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 0,35%, a 5,0457 reais na venda, patamar de encerramento mais baixo desde 29 de agosto de 2022 (5,0330). Mais cedo, o dólar caiu até 2,42%, para 4,9408 reais, mas se recuperou ao longo da tarde, o que Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora, atribuiu ao avanço da divisa norte-americana no exterior e a um movimento por parte de importadores, que aproveitaram o “barateamento” da moeda para ir às compras. O tombo recente do dólar tanto no exterior quando no mercado local foi desencadeado em parte pela decisão da véspera do Federal Reserve de elevar sua meta de taxa de juros em 0,25 ponto percentual, uma desaceleração em relação a aumentos anteriores de 0,50 e até 0,75 ponto. “Nos Estados Unidos há um otimismo em relação ao cenário inflacionário do país, enquanto o Federal Reserve vem reduzindo paulatinamente o ritmo de sua alta de juros… A ação do banco central mostra uma moderação”, disse Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX. Ao mesmo tempo, destacou Mattos, o Banco Central do Brasil decidiu na quarta-feira manter a Selic em 13,75% ao ano e indicou que as taxas permanecerão elevadas por mais tempo. Para além do fator juro, alguns investidores apontaram o resultado das eleições para as lideranças do Congresso como um suporte adicional para o real, depois que o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu o que queria ao ver reeleitos Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como presidente do Senado. “Câmara e Senado consolidaram condições de governabilidade melhores, isso é super positivo para a questão da atividade”, disse Bruno Mori, planejador financeiro pela Planejar, que também citou uma reabertura econômica na China como mais um impulso para a divisa doméstica e outras moedas de países emergentes. Com o real nadando a favor da correnteza, a tendência para o mês de fevereiro é de que o dólar rompa definitivamente a barreira dos 5,00 reais para baixo, acrescentou o especialista. Até agora em 2023, a divisa norte-americana cai 4,40% frente à brasileira. No acumulado de 2022, o dólar recuou 5,30% em relação ao real.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com tombo em Vale e Petrobras

A BRF ON caiu 7,7%, a 7,91 reais, devolvendo boa parte da alta acumulada nos dois pregões anteriores, de 13,81%, em sessão de baixa do setor de proteínas

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, pressionado pelo declínio de Vale e da Petrobras, enquanto bancos privados tiveram dia positivo, apesar do resultado frustrante do Santander Brasil. Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa caiu 1,72%, a 110.140,64 pontos. O giro financeiro na sessão somou 30,2 bilhões de reais. O dia também foi marcado pela repercussão da decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano na véspera, embora o Copom tenha ressaltado que a incerteza fiscal e a deterioração nas expectativas de inflação do mercado elevam o custo para que atinja suas metas. Para o C6 Bank, o BC sugeriu que manterá a Selic em 13,75% ao ano por mais tempo do que eles esperavam, adiando o ciclo de redução de juros. “Por ora, nosso cenário contempla queda de juros na segunda metade de 2023”, afirmaram em nota a clientes. Ao adotar um tom mais cauteloso com a ancoragem das expectativas de inflação, o BC corroborou o alívio na parte longa da curva de juros, que foi influenciada ainda pela queda do dólar ante o real. Na visão de Tiago Cunha, gestor de ações da Ace Capital, não faltaram argumentos para a baixa do Ibovespa, após performance mais positiva em janeiro. Além do Copom, ele também apontou a queda do minério de ferro na China, influenciando o desempenho da Vale. No exterior, Wall Street fechou sem uma direção única, com o S&P 500 e o Nasdaq em alta, beneficiados pela disparada de Meta após anunciar recompra de ações e prometer cortar custos em 2023, um dia após o Federal Reserve desacelerar o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos. O Dow Jones, porém, encerrou com sinal negativo.

REUTERS

IPPA/Cepea: Índice de Preços ao Produtor sobe mais de 10% em 2022

O IPPA/Cepea (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) acumulou alta nominal de 10,1% em 2022, de acordo com pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Os preços agropecuários tiverem leve recuo frente aos industriais em 2022, já que, no mesmo período, o IPA-OG-DI de produtos industriais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aumentou 10,7%

Segundo pesquisadores do Cepea, o incremento dos preços domésticos esteve alinhado ao cenário internacional. Entre 2021 e 2022, os preços internacionais de alimentos (FAO Food Index) subiram 14,3%. Já a taxa de câmbio nominal recuou 4,3%, amenizando em certa medida a transmissão da alta internacional para o mercado interno. Ressalta-se que, a partir deste presente relatório, o IPPA/Cepea passa a ser analisado pela Equipe do Cepea em termos de suas variações nominais – até setembro de 2022, discutiam-se as variações reais frente ao IPA-OG-DI. No site do Cepea, ambos, o índice nominal e o real, são disponíveis para download. Pesquisadores do Cepea destacam que todos os grupos que compõem o IPPA/Cepea subiram em 2022 frente ao ano anterior, mas o destaque foi para o Índice composto por produtos hortifrutícolas. Assim, de 2021 para 2022, o IPPA-Hortifrutícolas/Cepea teve expressiva alta nominal de 36,7%, reflexo das valorizações observadas para a batata (51,3%), o tomate (23,2%), a banana (51,5%), a laranja (8,9%) e a uva (27,7%). Na sequência, esteve o IPPA-Cana e Café/Cepea, que registrou avanço nominal de 20,7%, reflexo do comportamento dos preços da cana (18,8%) e do café (31,2%). Também de 2021 para 2022, o IPPA-Pecuária/Cepea teve elevação nominal de 8%, refletindo os resultados da arroba bovina (4,0%), do frango (8,7%), do leite (23,7%) e dos ovos (19,2%). Por fim, o IPPA-Grãos/Cepea apresentou alta nominal de apenas 7,1%, influenciado pelos avanços observados para o algodão (23,5%), soja (11,3%) e trigo (20,1%). Especificamente no último trimestre de 2022 (de outubro a dezembro/22), o IPPA/Cepea recuou 3,8% frente ao trimestre anterior (de julho a setembro/22), também em termos nominais.

Cepea

CNI: Indústria de transformação teve crescimento em cinco de seis indicadores em 2022

O encerramento do ano registrou resultados positivos como o crescimento das horas trabalhadas, da massa salarial e do rendimento. Apenas a Utilização da Capacidade Instalada caiu

Os indicadores industriais da Confederação nacional da Indústria (CNI), apontam avanço da indústria de transformação em 2022 na comparação com o ano anterior. O encerramento do ano registrou resultados positivos para a indústria de transformação com cinco dos seis indicadores monitorados positivos na comparação anual, apenas a Utilização da Capacidade Instalada sofreu queda. Os indicadores consultam indústrias que, ao todo, representam 95% do PIB industrial. De acordo com a economista da CNI Larissa Nocko, os principais fatores que contribuíram para a melhora dos indicadores foram a reorganização das cadeias de suprimentos, a desaceleração inflacionária e a atividade econômica mais aquecida, com reflexo no mercado de trabalho. O faturamento real recuou 0,4% em dezembro em relação ao resultado de novembro, mas encontra-se no segundo ponto mais alto desde 2015 e mostrou crescimento em relação a 2021. Na comparação acumulada de janeiro a dezembro de 2022 frente ao mesmo período de 2021, o faturamento registra alta de 2,8%. O número de horas trabalhadas na produção avançou 0,6% em dezembro em comparação com o mês anterior. Em relação a 2021, o crescimento é de 2,7%. O emprego industrial permaneceu estável pelo segundo mês consecutivo, reforçando sua desaceleração após sucessivas altas entre o segundo semestre de 2020 e o de 2022. Na comparação com 2021, o emprego cresceu 1,5%. O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria avançou 0,8% em dezembro de 2022, na comparação com novembro. Ao longo de 2022, foram sete altas em 12 meses, de modo que o comportamento predominante foi de crescimento em 2022. No acumulado de janeiro a dezembro, o avanço é de 2,1%. O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria avançou 0,8% em dezembro de 2022, na comparação com novembro. Ao longo de 2022, foram sete altas em 12 meses, de modo que o comportamento predominante foi de crescimento em 2022. No acumulado de janeiro a dezembro, o avanço é de 2,1%. A massa salarial também avançou em dezembro e na comparação com 2021. A utilização da capacidade instalada recuou em dezembro e na comparação com 2021.

CNI

LEGISLAÇÃO

Trabalhadores da indústria querem que STF declare autocontrole inconstitucional

Nova lei para a fiscalização agropecuária foi aprovada e sancionada no fim da gestão de Jair Bolsonaro

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação e Afins (CNTA) apresentou na quinta-feira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei que instituiu a fiscalização agropecuária por autocontrole no país, aprovada e sancionada no fim da gestão de Jair Bolsonaro com amplo apoio das indústrias do setor. A ação contesta o artigo 5º da lei, que trata do credenciamento de pessoas físicas e jurídicas para a realização de atividades de defesa agropecuária até então exercidas apenas por servidores públicos; a forma como o projeto tramitou no Senado Federal, sem a análise de comissões temáticas e com alteração do texto em Plenário, sem o devido retorno à Câmara dos Deputados; a prorrogação de contratos temporários de médicos veterinários acima do limite legal; e os riscos à saúde e à vulnerabilidade na relação trabalhista dos empregados das agroindústrias. “Não há apenas violação à garantia de acesso de cargos públicos por meio de concurso público, mas também há violação à Constituição em razão da delegação de poder de polícia a agente privado que atua com finalidade lucrativa”, diz a ação elaborada pelo escritório Torreão Braz Advogados, de Brasília, e protocolada no STF. O principal argumento é que a legislação “transfere aos trabalhadores da indústria de alimentação agropecuária – subordinados aos agentes produtores mantenedores da relação de emprego – a responsabilidade de certificar a sanidade dos produtos de propriedade do empregador, com alto valor comercial atrelado, sem amparo da fiscalização ostensiva do Estado, em total desprezo à previsão constitucional”. A ação diz que o cenário incrementa a insegurança do trabalhador na manutenção do emprego e aumenta os riscos à saúde desses profissionais, principalmente em frigoríficos, por “submetê-los ao contato direto com produtos potencialmente lesivos à integridade física, sem a presença qualificada do Estado para a identificação prévia e a tomada de providências preventivas”. A CNTA diz que há “omissão estatal” no processo de autocontrole e que os empregados não terão “liberdade real para realizar o controle rígido de fiscalização”. Segundo a entidade, a condenação e o descarte de produtos com desconformidades colocarão em risco a relação de emprego com o dono da agroindústria. A peça também destaca potenciais riscos à “saúde pública consumidora”. A ação questiona, ainda, a prorrogação por seis anos dos contratos por tempo determinado de médicos veterinários firmados com o Ministério da Agricultura, incluída na lei por emenda. Segundo a CNTA, o limite legal é de dois anos. A ADI também contesta a inclusão da “agricultura familiar” no rol de atividades cuja adoção dos programas de autocontrole é facultativa. A entidade defende que a alteração não foi apenas textual, o que demandaria nova análise na Câmara dos Deputados, o que não ocorreu. O projeto aprovado no Senado foi encaminhado para o Palácio do Planalto e sancionado no dia 29 de dezembro. A ADI não fala em terceirização das atribuições dos servidores, termo afastado também pelo Ministério da Agricultura sobre as mudanças feitas pela lei. A ação, no entanto, diz que a legislação promove um “desmantelamento” do poder de polícia estatal sobre a produção agropecuária, tornando-o, inclusive, “inexequível e impraticável”. O Ministério da Agricultura e os agentes privados da agroindústria já foram avisados sobre o processo. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), crítico da proposta de autocontrole, vai entrar como amicus curiae no processo.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Novas altas para os suínos na quinta-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 128,00/R$ 132,00, enquanto a carcaça especial subiu 1,04%/0,99%, cotada em R$ 9,80/kg/10,20/kg.

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (1), houve aumento de 0,28% em Minas Gerais, chegando em R$ 7,16/kg, avanço de 0,48% no Paraná, alcançando R$ 6,34/kg, incremento de 1,76% no Rio Grande do Sul, subindo para R$ 6,37/kg, crescimento de 0,16% em Santa Catarina, custando R$ 6,36/kg, e de 0,60% em São Paulo, fechando em R$ 6,75/kg. As bolsas de negociação da suinocultura independente realizadas da quinta-feira (2) registraram altas nos preços. A exceção ficou por conta de São Paulo, onde não houve acordo entre frigoríficos e suinocultores para exercer um reajuste positivo nos valores do animal terminado.

Cepea/Esalq

Suinocultura independente: fevereiro inicia com preços mais altos

No estado do Paraná, considerando a média semanal (entre os dias 26/01/2023 a 01/02/2023), o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve alta de 6,42%, fechando a semana em R$ 6,41/kg vivo. “Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente alta, podendo ser cotado a R$ 6,43/kg vivo”, informou o Lapesui.

As bolsas de negociação para a suinocultura independente realizadas na quinta-feira (2) registraram altas nos preços. A exceção ficou por conta de São Paulo, onde não houve acordo entre frigoríficos e suinocultores para exercer um reajuste positivo nos valores do animal terminado. Em São Paulo, não houve acordo entre suinocultores e frigoríficos, com o preço solicitado pelos criadores em R$ 8,00/kg, segundo dados da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). O valor praticado na semana anterior, quando houve acordo, era de R$ 7,09/kg vivo. Apesar disso, ao longo da tarde desta quinta foram relatados negócios no Estado no patamar de R$ 7,73/kg vivo. No mercado mineiro, o valor subiu, passando de R$ 7,20/kg vivo para R$ 7,80/kg vivo, com acordo, segundo a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Segundo informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal teve aumento saindo de R$ 6,46/kg vivo para R$ 6,80/kg nesta semana.

AGROLINK

Suínos/Cepea: Mês termina com alta nos preços do animal vivo

Ao contrário do esperado por agentes do setor consultados pelo Cepea, as vendas de carne suína se aqueceram na última semana de janeiro – vale lembrar que, geralmente, o encerramento de mês é marcado por fraca liquidez e por consequente recuo nos preços de comercialização

Do lado da oferta, agentes relataram diminuição na disponibilidade de suíno vivo pronto para o abate no período. Esse cenário elevou os preços do animal vivo nos últimos dias de janeiro em todas as praças acompanhadas pelo Cepea. Apesar disso, as quedas nos valores do suíno registradas do início até meados do mês fizeram com que a média de janeiro/23 ainda ficasse inferior à registrada em dezembro/22.

Cepea

Frango: mercado estável na quinta

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,90/kg, enquanto o frango no atacado subiu 0,49%, custando R$ 6,18/kg

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. No Paraná, não houve mudança no preço, fixado em R$ 4,97/kg, assim como Santa Catarina, valendo R$ 4,29/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (1), a ave congelada ficou estável em R$ 6,56/kg, enquanto o frango resfriado teve recuo de 2,22%, fechando em R$ 6,61/kg.

Cepea/Esalq

Gripe aviária ronda o país, e vigilância é intensificada

Eventual entrada do vírus no país pode prejudicar exportações

Depois de duas décadas, a gripe aviária de alta patogenicidade – quando quase todos os animais infectados apresentam sintomas da doença – tornou-se uma ameaça concreta à produção brasileira. Nove países das Américas Central e do Sul confirmaram 75 focos da doença nos últimos meses e já tiveram que sacrificar 1,2 milhão de aves. Uma eventual entrada do vírus no país pode afetar as exportações brasileiras de carne de frango, que em 2022 alcançaram o recorde de 4,8 milhões de toneladas, ou US$ 9,7 bilhões, em parte favorecidas pelo impacto da influenza no Hemisfério Norte e pela interrupção das vendas de países atingidos pela doença. A notificação de um caso em Cochabamba, na Bolívia, no último fim de semana, causou alvoroço no Brasil, já que significa que o vírus ultrapassou a Cordilheira dos Andes, considerada uma barreira natural. Até então, a doença havia chegado à metade sul do continente em aves migratórias concentradas na rota do Pacífico. “Nosso medo é que a gripe aviária chegue ao Brasil em aves que migram dentro do continente, para áreas como Pantanal e Bahia”, diz Fabiano Benitez, Coordenador do programa de sanidade avícola da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron). O Estado é o mais próximo de Cochabamba. O Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, afirma, porém, que o risco de o vírus atingir granjas comerciais é “totalmente controlado”, devido ao alto padrão de biossegurança da avicultura brasileira e do Sistema Veterinário Oficial (SVO), que conta com mais de 3 mil profissionais habilitados. No ano passado, 1,2 mil médicos veterinários foram capacitados para atuar na vigilância ativa do vírus. “O período de maior risco vai até maio, por conta desse fluxo migratório de aves. A vigilância será intensificada”, garante. O Secretário explicou que produtos de proteína animal importados não representam risco real de introdução do vírus no Brasil. O trabalho principal de prevenção à gripe consiste no monitoramento dos locais onde as aves vindas do Hemisfério Norte pousam e se reproduzem. Ele conta com a ajuda de órgãos estaduais e federais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). São cinco rotas migratórias (Atlântica, Nordeste, Brasil Central, Amazônia Central/Pantanal e Amazônia Ocidental) e 21 sítios de reprodução reconhecidos pelo Departamento de Saúde Animal para vigilância ativa dos vírus da influenza aviária, sobretudo em regiões úmidas e com grande quantidade de alimento, como Pantanal (MS), Estação Ecológica do Taim (RS), Ilha Comprida (SP), Fernando de Noronha (PE) e Ilha de Marajó (PA). Planos de vigilância e contingência permanentes da influenza foram intensificados. As medidas preveem a coleta de amostras em criações de aves de subsistência localizadas em áreas em que há mais risco de contato com aves migratórias aquáticas. A área no raio de 10 quilômetros desses locais é alvo do controle de espécies anseriformes (patos, gansos e marrecos) e os charadriiformes (gaivotas, jaçanãs, maçaricos e trinta-réis). O fluxo migratório ocorre entre os meses de novembro e maio. “A busca não é aleatória, é dirigida para encontrar aves migratórias. Já temos os mapas de risco dessas questões para ver se encontramos algum animal com sintoma”, afirma Goulart. “Pedimos que, em caso de aumento da mortalidade ou sinais clínicos suspeitos, que os produtores entrem em contato rapidamente”, reforça Benitez, do Idaron.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

América do Sul eleva dependência da China na carne bovina

Região obteve receitas de US$ 19 bilhões com exportações dessa proteína em 2022

A América do Sul está cada vez mais dependente de um único mercado de carne bovina. No ano passado, a China ficou com 53,3% do volume de toda a carne brasileira exportada. A participação chinesa nas receitas foi ainda maior, de 61%. A situação argentina é ainda mais concentradora. No ano passado, 77,6% do volume de carne bovina enviado para o exterior teve como destino o mercado chinês, segundo o IPCVA (Instituto de Promoção da Carne Bovina da Argentina). A situação do Uruguai não é muito diferente. Nas três primeiras semanas de janeiro, os chineses compraram 54% da carne bovina exportada pelo país, segundo o Inac (Instituto Nacional de Carnes). O cenário não deve mudar muito neste ano na região, provavelmente com o Brasil ganhando uma fatia ainda maior do mercado chinês. O rebanho de bovinos encolhe em vários países importantes, como nos Estados Unidos e na Argentina, e cresce no Brasil, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O rebanho chinês deverá superar a barreira dos 100 milhões de cabeças neste ano, mas o consumo do país asiático cresce em ritmo maior do que o da produção interna. A esperada recuperação da economia e o fim das barreiras contra a Covid-19 vão aumentar o consumo e elevar a necessidade de importação dos chineses. Nos cálculos do USDA, os chineses aumentam a produção de carne bovina para 7,35 milhões de toneladas, mas o consumo sobe para 10,9 milhões, obrigando o país a elevar as importações para 3,5 milhões. Em 2019, as compras externas se limitavam a 2,2 milhões de toneladas. A produção mundial de carne bovina fica estável, em 59,2 milhões de toneladas, mas os preços perderam o patamar elevado que vinham obtendo, o que facilita as importações chinesas. O Uruguai, que conseguia um valor médio de US$ 6.969 por tonelada em 2022, vendeu a US$ 5.572 neste início de ano. A Argentina, que exportou a US$ 5.472, na média de 2022, comercializou a US$ 4.000 por tonelada em dezembro. Alguns mercados, como o da Itália, ainda pagam até US$ 8.710. Os preços obtidos pelo Brasil também recuaram, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Em janeiro de 2022 atingiam US$ 5.236, na média, valor que recuou para US$ 4.843 no mês passado. As exportações brasileiras de carnes bovinas e derivados somaram US$ 13,1 bilhões em 2022. As do Uruguai e as da Argentina, incluindo carnes resfriada, congelada e processada, subiram para US$ 2,6 bilhões e US$ 3,4 bilhões, respectivamente.

FOLHA DE SP

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