
Ano 8 | nº 1846 | 25 de outubro de 2022
NOTÍCIAS
BOI: Baixa na praça paulista
O mercado do boi gordo em São Paulo abriu em queda na segunda-feira. Recuo de R$3,00/@ de boi gordo, em relação ao último fechamento (21/10)
Segundo apuração da Scot Consultoria, na segunda-feira (24/10), o preço do gordo sofreu recuo de R$ 3/@ nas praças do interior de São Paulo, caindo para R$ 277/@, no prazo, valor bruto. Por sua vez, a vaca e novilha gordas seguem cotadas em R$ 265/@ e R$ 272/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), no mercado paulista. O boi-China, é negociado por R$ 285/@ em São Paulo (preço bruto e a prazo), acrescentou a Scot. Em Mato Grosso, Sudoeste, no comparativo com o fechamento de sexta-feira (21/10), queda de R$2,00/@ na cotação do boi gordo na região. No mercado atacadista de carne com osso com o mês terminando e a típica retração no consumo interno para o período, o mercado com osso negociou a preços menores na semana. O preço da carcaça de bovinos castrados no atacado paulista caiu 2,4% no comparativo semanal, enquanto na cotação da carcaça de bovinos inteiros a queda foi de 2,5%, na mesma comparação, puxada principalmente pelo seu dianteiro, que recuou 3,8%.
SCOT CONSULTORIA
Indústrias seguem ausentes da compra de gado
O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com preços enfraquecidos
De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias o ambiente segue pautado pelo conforto das escalas de abate. Muitas indústrias seguem ausentes da compra de gado, ainda avaliando as melhores estratégias de aquisição de boiadas no curto prazo. A mudança de perfil dos importadores chineses é fator preponderante para entender o atual quadro. Os preços da carne bovina negociada pelo Brasil estão em queda, situação que faz com que a indústria frigorífica não tenha capacidade para pagar mais pelos preços da arroba aos pecuaristas”, diz Iglesias. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi ficou em R$ 284. Já em Dourados (MS), a cotação recuou para R$265. Em Cuiabá (MT), a arroba de boi gordo finalizou o dia cotada a R$ 253. Em Uberaba (MG), as cotações ficaram em R$ 282. Já em Goiânia (GO), a arroba continuou cotada em R$ 255. O mercado atacadista de boi gordo teve preços enfraquecidos. De acordo com Iglesias, o ambiente de negócios sugere pela continuidade deste movimento, considerando a lenta reposição entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 16 por quilo. Já a ponta de agulha teve preço de R$ 15,80. O quarto traseiro do boi teve queda e ficou cotado em R$ 21,20 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Volume exportado de carne bovina in natura atinge 142,6 mil toneladas. preços médios recuam 13% em relação ao primeiro trimestre
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, os embarques de carne bovina in natura alcançaram 142,6 mil toneladas na terceira semana de outubro/22
Analista de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, revelou que os preços pagos pela China reduziram em 13% frente ao primeiro trimestre deste ano. No ano passado, o mês de outubro encerrou com 82,1 mil toneladas em 20 dias úteis, diante da suspensão das exportações de carne bovina em função da confirmação de dois casos atípicos de vaca louca em MG e MS. Na terceira semana de outubro, a média diária ficou em 10,1 mil toneladas, alta de 148,00%, frente a outubro do ano anterior, com 4,1 mil toneladas, o que impede qualquer comparação. De acordo com o Analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o desempenho do embarque de carne bovina está recuando a cada semana e isso é um sinal de mudança no comportamento dos chineses. “Na comparação com semanas anteriores, realmente dá pra notar que as vendas estão em desaceleração, o que pode ser uma mudança de comportamento entre os importadores chineses e o fato de a moeda chinesa estar depreciada”, informou. O preço médio, US$ 5.898 mil por tonelada, teve alta de 14,2% frente a outubro de 2021, com valor médio de US$ 5.166 mil por tonelada. No comparativo com a primeira semana de outubro, o preço médio recuou 1,11%. No fechamento de agosto/22, o preço médio ficou em torno de US $ 6.132 mil, o que representa uma queda de 3,81% frente ao valor atual. A média diária ficou em US$ 60,1 milhões, alta de 183,2%, frente a outubro do ano passado, com US$21,2 milhões.
AGÊNCIA SAFRAS
Queda da arroba bovina e salto na exportação elevam margens de frigoríficos no Brasil
A combinação entre um recuo nos preços da arroba bovina, que já se desenhava ao longo do ano, com vendas externas da carne em atual patamar recorde formou uma conjuntura favorável à melhora de margens para os grandes frigoríficos do Brasil, conforme analistas ouvidos pela Reuters.
A situação só não é perfeita porque o volume de carne que vai para exportação corresponde a cerca de 30% da produção, o restante é consumido no mercado interno, e a demanda doméstica ainda patina, pressionada pela inflação e menor poder de compra. “A margem dos frigoríficos que exportam melhorou sim”, disse o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres. Ele ressaltou, porém, que a conversão destas margens em ganhos de lucro depende dos custos que cada companhia possui. Pelos cálculos da Scot, a média trimestral de preços do boi gordo, com base em São Paulo, vem em trajetória de baixa. A arroba esteve em R$ 332,23 de janeiro a março, passando para R$ 305,56 de abril a junho. E ainda recuou para R$ 294,94 no terceiro trimestre. Até a última quinta-feira, a média para o quarto trimestre estava em R$ 278,79, conforme os dados. Paralelamente, uma onda de compras chinesas de carne bovina do Brasil levou o país a patamares históricos nas vendas externas. A China foi responsável por 52,8% das aquisições da proteína bovina brasileira em setembro, quando o país sul-americano renovou sua máxima histórica mensal nos embarques totais, a 231,4 mil toneladas. Neste mês, as vendas externas já superam outubro do ano passado. O forte desempenho dos embarques deve aparecer como um ponto alto nos próximos balanços de companhias como Minerva, JBS e Marfrig, apesar das duas últimas terem como contrapeso um cenário mais adverso para as operações nos Estados Unidos. “O recorde de exportações de carne bovina em agosto e setembro deverá favorecer o resultado do terceiro trimestre dos frigoríficos listados”, disse à Reuters a analista de agronegócios, alimentos e bebidas do BB Investimentos, Mary Silva. “Acreditamos que a mais beneficiada tenha sido a Minerva, cujas operações de bovinos são majoritariamente exportadoras”, acrescentou a especialista. Para ela, Marfrig e JBS, apesar de favorecidas pela operação no Brasil, também tendem a reportar uma queda de volumes e maior pressão de margens em suas unidades de bovinos nos EUA, em razão da elevação do custo do gado e potencial arrefecimento da demanda por carne bovina em meio à pressão inflacionária entre os norte-americanos. “Então os resultados (para os frigoríficos) em termos de Brasil, do terceiro trimestre, devem vir bons e dos EUA devem vir ruins”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Rodrigo Brolo, considerando que as operações dos EUA pesam mais na composição dos balanços no caso de empresas como Marfrig e JBS.
REUTERS
ECONOMIA
Dólar tem maior alta em 6 meses e fecha acima de R$5,30
O dólar foi acima de 5,30 reais na segunda-feira, com o aumento das tensões políticas no Brasil na reta final da corrida eleitoral presidencial e exacerbando movimento externo de busca pela moeda norte-americana em meio a preocupações com a saúde econômica da China
A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 2,94%, a 5,3012 reais, maior valorização diária desde 22 de abril passado (+4,07%) e patamar de encerramento mais alto desde segunda-feira passada (5,3014 reais). O real teve, de longe, o pior desempenho entre uma cesta das principais divisas globais nesta sessão. Na B3, às 17:22 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,67%, a 5,3085 reais. Aumentando as tensões políticas antes da eleição de 30 de outubro, o ex-deputado federal Roberto Jefferson foi detido no domingo após receber com tiros e granadas agentes da Polícia Federal que cumpriam ordem de prisão dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Jefferson, aliado do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), foi indiciado nesta segunda-feira pela Polícia Federal por quatro tentativas de homicídio. “Parte do mercado entende que eventos envolvendo Roberto Jefferson podem trazer impactos significativos para as eleições, com a possível pausa do crescimento de Bolsonaro nas pesquisas e potencial impacto sobre os indecisos”, disse Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital. “Neste contexto, Lula estaria mais próximo de levar o pleito”. Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, notou claro impacto do noticiário político no mercado brasileiro nesta segunda-feira, mas afirmou que esperaria um ambiente de negócios cauteloso e volátil “de qualquer forma”, mesmo sem os acontecimentos envolvendo Jefferson. “É mais porque finalmente chegou à semana” final de campanha eleitoral, afirmou o especialista, alertando para manutenção de ambiente instável ao longo dos próximos dias. Embora tenha sido amplificada no Brasil pelas tensões locais, a alta do dólar não foi isolada, com um índice que compara a divisa norte-americana a seis pares fortes ganhando 0,14% nesta tarde. Ao mesmo tempo, várias moedas emergentes ou sensíveis às commodities apresentaram forte queda no dia, com peso chileno, rand sul-africano, dólar australiano e iuan chinês perdendo de 1% a 1,7%. Investidores mostraram na segunda-feira alguma preocupação com a economia da China, que, embora tenha se recuperado mais do que o esperado no terceiro trimestre, ainda enfrenta desafios em várias frentes, como uma crise imobiliária cada vez mais profunda e os riscos de recessão global. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse que também pesou a perspectiva de manutenção da política rígida de combate à Covid-19 na China, que foi reafirmada no fim de semana durante o Congresso do Partido Comunista do país.
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Ibovespa tem maior queda diária em 11 meses com efeito Jefferson; Petrobras e BB desabam
A bolsa paulista teve um dia de forte correção na segunda-feira, a poucos dias do desfecho da corrida presidencial, com o Ibovespa caindo mais de 3% e as ações de estatais como Petrobras e Banco do Brasil desabando entre 9% e 10%
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,27%, a 116.012,7 pontos, maior queda percentual diária desde 26 de novembro de 2021. O volume financeiro na sessão somou 30,7 bilhões de reais. Na semana passada, o Ibovespa acumulou alta de 7%. O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), apoiador de Bolsonaro, disparou tiros de fuzil e lançou granadas contra policiais federais que cumpriam mandado de prisão determinado pela Justiça contra ele. Bolsonaro procurou, já no domingo, distanciar-se do ex-deputado, mas o estrago estava feito. Ao mesmo tempo que sua campanha agora precisa dividir o foco com ações para conter danos, a oposição tem um novo assunto a ser explorado. “O cheiro que as pessoas tinham que Bolsonaro iria ganhar meio que sumiu”, disse Carlos Belchior, estrategista-chefe da G5, acrescentando que o “pau a pau (na disputa presidencial) ficou mais do que certo”. Na visão de Belchior, o que ocorreu no domingo traz desconforto, em particular para as pessoas mais moderadas, eleitores de centro e indecisos, que se questionam sobre se a institucionalidade do país está em jogo. Ele disse que espera um mercado mais volátil do que na defensiva nesta semana, com pesquisas principalmente determinando o humor, mas também as bolsas nos Estados Unidos, que terão uma semana com resultados corporativos relevantes. Na segunda-feira, o norte-americano S&P 500 avançou mais de 1% em meio a expectativas de que talvez o Federal Reserve não será tão agressivo em sua política monetária. A semana também começou com noticiário relevante na China, onde Xi Jinping assegurou um terceiro mandato. As bolsas na China reagiram com quedas relevantes, ajudando a pressionar o Ibovespa, dado que ambos são mercados emergentes. Uma bateria de dados econômicos chineses também esteve no radar, incluindo PIB acima do esperado no terceiro trimestre.
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Déficit em conta corrente do Brasil acelera, mas investimento direto no país tem alta
O rombo nas transações correntes do Brasil segue em trajetória de ampliação, impactado por um aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior, mas o investimento direto no país tem apresentado consistente alta, batendo em setembro o valor que era previsto para todo o ano, mostram dados do Banco Central
Conforme divulgado na segunda-feira, houve um avanço nos investimentos diretos no país em setembro, alcançando 9,185 bilhões de dólares, o dobro dos 4,600 bilhões de dólares observados no mesmo mês de 2021. Os dados melhores na comparação com o ano anterior foram observados em todos os meses de 2022. Com o movimento, o investimento direto no Brasil acumulado de janeiro a setembro somou 70,666 bilhões de dólares, ante 43,296 bilhões de dólares nos mesmos meses de 2021. O dado é o melhor para o período desde 2011, quando ficou em 77,8 bilhões de dólares. No fim de setembro, o BC ampliou sua projeção para essa conta no ano completo de 2022, de 55 bilhões de dólares para 70 bilhões de dólares. De acordo com a autoridade monetária, o Brasil registrou em setembro um déficit em conta corrente de 5,678 bilhões de dólares, com o rombo acumulado em 12 meses totalizando o equivalente a 2,56% do Produto Interno Bruto (PIB) –o saldo negativo vem crescendo desde abril deste ano. Dentro dessa conta, o superávit da balança comercial no mês passado foi de 2,356 bilhões de dólares, ligeiramente inferior ao saldo positivo de 2,551 bilhões de dólares em setembro de 2021. O movimento foi explicado por um crescimento de 24,5% nas exportações, enquanto as importações tiveram alta de 28,2% no período. O dado do mês mostrou déficit na conta de renda primária, de 6,534 bilhões de dólares, ante rombo de 3,391 bilhões de dólares em setembro de 2021. Nesse segmento, as remessas líquidas de lucros e dividendos aumentaram para 5,326 bilhões de dólares, ante 2,508 bilhões de dólares em mês equivalente do ano passado. A despesa líquida com juros, por sua vez, somou 1,225 bilhão de dólares no mês, contra 899 milhões de dólares em setembro de 2021. Já o rombo na conta de serviços ficou em 1,887 bilhão de dólares, contra 1,352 bilhão de dólares no mesmo mês do ano passado. Os gastos líquidos com viagens internacionais subiram a 491 milhões de dólares, de 237 milhões de dólares um ano antes. Em dado parcial captado até o dia 19 deste mês, o fluxo cambial ficou negativo em 2,406 bilhões de dólares, disse ainda o BC.
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Analistas melhoram expectativas para inflação e economia em 2022 e 2023 no Focus
Analistas consultados pelo Banco Central voltaram a melhorar as expectativas para a inflação e a economia neste ano e no próximo, mas a conta para a alta dos preços em 2024 voltou a subir, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo BC na segunda-feira
A expectativa agora para a alta do IPCA é de 5,60% e 4,94% respectivamente em 2022 e 2023, de 5,62% e 4,97% previstos no levantamento anterior. Ambas as projeções seguem acima do teto da meta oficial. O centro da meta oficial para a inflação em 2022 é de 3,5% e para 2023 é de 3,25%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Por outro lado, a estimativa para a inflação em 2024 subiu em 0,07 ponto percentual, alcançando 3,50%, mas dentro da faixa do objetivo –3,0% também com margem de 1,5 ponto. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que as expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) melhoraram a 2,76% este ano e 0,63% no próximo, de 2,71% e 0,59% respectivamente na semana anterior. Para 2024 a projeção agora é de expansão de 1,80%, contra 1,70% antes. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que não houve mudanças no cenário para a taxa de juros, com a Selic calculada em 13,75% ao final deste ano e 11,25% em 2023.
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EMPRESAS
BRF anuncia joint venture com empresa saudita para avançar no mercado halal
Investimentos iniciais previstos na nova empresa chegam a US$ 500 milhões
A BRF, uma das maiores empresas de alimentos do país, informou que sua subsidiária BRF GmbH criou uma joint venture com a Halal Products Development Company (HPDC), braço do Public Investment Fund (PIF), fundo de investimento público da Arábia Saudita. A nova empresa receberá um investimento total de US$ 500 milhões, sendo US$ 120 milhões aplicados pelas parceiras na constituição da sociedade. O restante será investido conforme um plano de negócios não detalhado. O acordo prevê a criação de uma sociedade na Arábia Saudita com participação de até 70% da BRF e de até 30% da HPDC. O objetivo da nova empresa é desenvolver a indústria Halal na Arábia Saudita, disse a BRF em comunicado. O acordo também prevê a criação de uma sede para negócios Halal, um Centro de Inovação de Alimentos Halal e um Centro de Excelência. A transação ainda está sujeita às aprovações de autoridades reguladoras. A nova empresa atuará na cadeia de produção de frangos na Arábia Saudita e promoverá a venda de produtos frescos, congelados e processados.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Dados sobre Cadastro Ambiental Rural são “trágicos”, diz Capobianco, do IDS
Para vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade, lento avanço da análise dos números do CAR mostra que “o setor público fracassou”
Os dados que apontam que o governo pouco avançou nas análises dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR) são “trágicos”, avalia João Paulo Capobianco, Vice-Presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), que participou na segunda-feira da 22ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. Para ele, os números mostram que “o setor público fracassou”. Até 1º de setembro, o Ministério da Agricultura havia analisado apenas 0,49% dos 6,7 milhões de imóveis registrados no CAR. “Nós desafiamos o produtor a se cadastrar, e o produtor respondeu a esse desafio de forma extremamente positiva. O produtor incluiu seus dados no CAR, mas nosso sistema público fracassou e não foi capaz, em dez anos, de reconhecer e validar mais do que 0,49% dos imóveis registrados”, criticou. Capobianco ressaltou que a validação e a análise dos registros é um “desafio inadiável”. É só com esse trabalho, diz ele, que o Brasil poderá aproveitar as oportunidades que vão surgir no mercado de carbono e de valorização da preservação ambiental. “Precisamos colocar o Código Florestal para funcionar. Ele é uma porta de entrada fundamental não apenas para que o setor separe o joio do trigo, mas também para trazer recursos para as ações de promoção da agricultura de baixo carbono”, defendeu. Segundo Capobianco, as medidas “irresponsáveis” de alguns “podem nos colocar em uma situação dramática de perda de mercado internacional, de redução de capacidade de vendas e de perda de vantagens comparativas”. Ele diz que, para o Brasil receber recursos internacionais que estão em busca de projetos de captura de carbono e recuperação ambiental, o país “precisa fazer a lição de casa”.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Segunda-feira com cotações estáveis para suínos
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 141,00/R$ 145,00, assim como a carcaça especial, valendo R$ 10,40/R$ 10,70 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (21), não houve alteração nos preços nas principais praças acompanhadas, com preços de R$ 7,55/kg em Minas Gerais, R$ 6,94/kg no Paraná, R$ 6,66/kg no Rio Grande do Sul, R$ 6,57/kg em Santa Catarina e R$ 7,58/kg em São Paulo.
Cepea/Esalq
Receita das exportações de carne suína in natura chega a 90,7% do total de outubro do ano passado
Movimento de alta nos preços da carne suína produzida na China já mostra reflexos nos números do Brasil
De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, as exportações de carne suína in natura na terceira semana de outubro (14 dias úteis) atingiu 90,7% da receita obtida em todo o mês de outubro de 2021. Para o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, “é excelente para o setor porque ele depende disso para recuperar margens que estão extremamente deterioradas”. “Esse fluxo de escoamento de produto dá mais condições para que o setor produtivo consiga respirar. A China, apesar de ter tido uma recuperação, vê novamente os preços em alta da carne suína produzida localmente, e esse fator já se mostra de certa maneira nestes dados de exportação da proteína brasileira”. A receita, US$ 184,3 milhões, representa 90,7% do montante obtido em outubro de 2021, com US$ 203,2 milhões. No volume movimentado, as 74.326 toneladas são 83,8% do total registrado em outubro do ano passado, com 88.668 toneladas. A receita por média diária US$ 13,1 milhões, é 29,6% maior do que outubro de 2021. No comparativo com a semana anterior, baixa de 7,5%. Em toneladas por média diária, 5.309 toneladas, crescimento de 19,7% no comparativo com o mesmo mês de 2021. Em relação a semana anterior, recuo de 6,66%. No preço pago por tonelada, US$ 2.480, ele é 8,2% superior ao praticado em outubro passado. Frente ao valor da semana anterior, leve queda de 0,9%.
AGÊNCIA SAFRAS
Frango: ave congelada e resfriada têm baixa na segunda-feira
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,50/kg, enquanto o frango no atacado cedeu 0,68%, valendo em R$ 7,35/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina, o preço ficou inalterado, valendo R$ 4,20/kg, assim como no Paraná, com valor de R$ 5,19/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (21), houve recuo de 0,50% para a ave congelada, atingindo R$ 8,00/kg, e baixa de 0,37% para o frango resfriado, fechando em R$ 8,00/kg.
Cepea/Esalq
Exportação de carne de frango segue acelerada, a 92% do total de outubro/21
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, as exportações de carne de aves in natura até a terceira semana de outubro (14 dias úteis) alcançaram receita equivalente a 92,1% do total obtido em outubro de 2021
O analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, disse que esta é mais uma semana de bom desempenho e o Brasil está caminhando para atingir um novo recorde de exportação este ano. “O país está tendo vantagem na lacuna deixada pelas mortes de aves por influenza aviária no hemisfério Norte. Devemos chegar a 4,8 milhões de toneladas embarcadas. Essas variações semanais são do jogo, o importante é olhar para os dados do ano anterior”, disse. A receita obtida com as exportações de carne de frango, US$ 590,2 milhões, equivale a 92,1% do montante obtido em outubro de 2021, que foi de US$ 640,8 milhões. No volume, as 287.533 toneladas são 79,4% do total registrado em outubro do ano passado, com 361.912 toneladas. A receita por média diária foi de US$ 42,1 milhões, valor 31,6% maior que o registrado outubro de 2021. No comparativo com a semana anterior, retração de 7,9%. Em
toneladas por média diária, 20.538 toneladas, alta de 13,5% no comparativo com o mesmo mês de 2021. Em relação à semana anterior, baixa de 8,3%. No preço pago por tonelada, US$ 2.052 até a terceira semana do mês, ele é 15,9% superior ao praticado em outubro do ano passado. Comparado a semana anterior, leve alta de 0,48%.
AGÊNCIA SAFRAS
INTERNACIONAL
BOI: Taxação de metano gera conflito entre agricultores e governo da Nova Zelândia
Para combater as mudanças climáticas, o país planeja tributar a emissão de gases de efeito estufa oriunda da criação de animais. A medida espera que as emissões de gases de efeito estufa derivadas de bovinos diminua em 10% até 2030
Agricultores de mais de 50 vilas e cidades pela Nova Zelândia saíram às ruas em seus tratores na última quinta-feira (20/10) para protestar contra os planos do governo de taxar os gases de efeito estufa gerado por animais ruminantes de criação. A política faz parte de um plano para combater as mudanças climáticas. Segundo a apuração da rede estadunidense Associated Press (AP), a adesão à manifestação foi menor do que aquela esperada pelos organizadores. No protesto em Wellington, capital do país, o agricultor Dave McCurdy disse à AP que estava desapontado com a baixa participação, mas justificou que os produtores estavam aproveitando o bom tempo para trabalhar em suas fazendas. McCurdy afirmou que a imposição da taxa seria ruim para muitos agricultores e que não leva em consideração a importância do agronegócio para o país que, segundo ele, manteve a economia aquecida durante os bloqueios pela pandemia de Covid-19. Ele também indica que os produtores, para além de explorar a terra, também cuidam dela, plantando, inclusive, árvores que ajudam a reter o carbono e compensar as emissões. O projeto de tributação foi apresentado na semana passada pela primeira-ministra Jacinda Arden em uma coletiva de imprensa. A Rádio New Zealand (RNZ), veículo local, noticiou que, no evento, ela apontou que “é um passo importante na transição da Nova Zelândia para um futuro de baixas emissões”. Ainda no pronunciamento, Arden apresentou o objetivo de precificar as emissões a partir de 2025. Os preços a serem cobrados não foram apresentados pela chefe de Estado, mas ela afirmou que todo o dinheiro arrecadado será devolvido à indústria agrícola para financiar novas tecnologias, pesquisas e pagamentos de incentivos para os agricultores. O plano do governo neozelandês é tornar o país neutro em carbono até 2050. Parte desse processo inclui reduzir as emissões de metano de bovinos e outros animais de criação em 10% até 2030 e em 47% até 2050. Em concordância à primeira-ministra, Damien O’Connor, ministro da Agricultura, descreve a mudança como uma oportunidade emocionante: “Os agricultores já estão experimentando o impacto das mudanças climáticas com secas e inundações mais regulares”. “Assumir a liderança nas emissões agrícolas é bom para o meio ambiente e nossa economia”, disse. A AP apurou que a Nova Zelândia, como grande exportadora de gado e carne, tem uma população de bovinos estimada em 10 milhões, além de 26 milhões de ovelhas. Existem apenas 5 milhões de pessoas no país, o que faz com que a agricultura responda por metade das emissões totais. Não é a primeira vez que o governo propõe taxar animais de fazenda por suas emissões de metano; em 2003, essas discussões já haviam ocorrido, mas a medida foi abandonada após críticas. Segundo o jornal britânico BBC, a Federated Farmers, principal grupo de lobby do setor, disse que o projeto “arrancaria as entranhas das pequenas cidades da Nova Zelândia”. Os produtores afirmam que não tiveram espaço nas discussões para pensar alternativas para promover o desenvolvimento sustentável no país. O presidente da Federated Farmers, Andrew Hoggard, acrescentou que, se viabilizada, a medida vai causar um êxodo da atividade agrícola. Para ele, muitos agricultores vão vender suas terras e partir para novas atividades, enfraquecendo o agronegócio neozelandês.
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Crescimento da produção de suínos no 3º trimestre da China desacelera à medida que agricultores reduzem rebanhos reprodutores
A produção de carne suína da China no terceiro trimestre atingiu 12,11 milhões de toneladas, um aumento de menos de 1% em relação ao ano anterior, mostraram dados oficiais na segunda-feira (24), destacando o impacto na produção depois que os agricultores registraram grandes perdas no início do ano
A taxa de crescimento da produção de carne suína da China desacelerou recentemente desde que aumentou a cada trimestre ano a ano nos últimos dois anos, já que alguns agricultores reduziram seus rebanhos reprodutores no final de 2021 e no início deste ano, após meses de baixos preços de suínos e altos custos de alimentação, que comprometeram os lucros. Ainda assim, a produção de carne suína no terceiro trimestre foi ligeiramente superior às 12,02 milhões de toneladas produzidas no mesmo período do ano passado, mostraram cálculos da Reuters de dados do National Bureau of Statistics. A produção de carne suína no terceiro trimestre do ano é tipicamente superior a 12 milhões de toneladas. A produção de carne suína da China atingiu 41,5 milhões de toneladas nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 5,9% em relação ao período correspondente do ano anterior, mostraram os dados do departamento de estatísticas. Desde meados de junho, os preços do suíno subiram mais de 60%, elevando a inflação ao consumidor e provocando repetidas intervenções no mercado por parte das autoridades em Pequim. Alguns analistas dizem que o rápido aumento no preço se deve à oferta mais apertada de suínos. Mas o poderoso planejador estatal da China disse que o rali é resultado de fazendeiros que impedem o abate de porcos enquanto esperam por preços mais altos, enquanto outros buscam lucrar criando porcos com pesos maiores. O rebanho total de suínos cresceu para 443,94 milhões de cabeças no final de setembro, ante 430,57 milhões no final de junho, também mostraram os dados.
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