
Ano 11 | nº 2809 | 01 de outubro de 2026
NOTÍCIAS
Cotação do boi gordo sobe em São Paulo
China habilita mais frigoríficos brasileiros
Segundo apuração da Scot Consultoria, a categoria destinada ao mercado doméstico paulista e o animal com perfil para atender o consumidor chinês subiram R$ 5/@ na quarta-feira, em relação ao preço do dia anterior, para R$ 360/@ e R$ 365/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). A cotação do boi gordo subiu R$ 5 por arroba em São Paulo na quarta-feira (30), acompanhando a alta do “boi China” em um cenário de oferta menor e poucos negócios. Ao mesmo tempo, o Brasil confirmou o preenchimento da cota anual de exportação de carne bovina para a China, enquanto o país asiático habilitou mais dois frigoríficos brasileiros. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, as cotações da vaca e da novilha permaneceram estáveis em São Paulo. No estado, frigoríficos de pequeno e médio porte chegaram a pagar até R$ 375 por arroba por alguns lotes. Também foram registrados negócios pontuais acima das referências de mercado. Frigoríficos de pequeno e médio porte pagaram até R$ 375 por arroba por alguns lotes. As cotações da vaca e da novilha não apresentaram alteração. As escalas de abate ficaram, em média, em oito dias. No Rio Grande do Sul, a cotação do boi gordo permaneceu estável. Segundo dados divulgados pelo “Tem Boi na Linha”, a oferta de gado esteve enxuta no estado, enquanto os preços permaneceram firmes. O Brasil também confirmou oficialmente o preenchimento integral da cota de exportação de carne bovina destinada à China. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o país atingiu 100% da cota, equivalente a 1,106 milhão de toneladas. A informação foi comunicada ao governo brasileiro pela alfândega chinesa (GACC). Com o preenchimento da cota, os novos embarques de carne bovina passam a pagar uma sobretaxa de 55%. Com isso, a tarifa total sobre as exportações sobe de 12% para 67%. A cota integra a salvaguarda adotada pela China sobre as importações de carne bovina. A medida está em vigor desde janeiro e tem validade até 2028. Para 2027, a cota brasileira será elevada para 1,128 milhão de toneladas. A China também ampliou o número de plantas brasileiras autorizadas a exportar carne bovina. Segundo dados divulgados pelo Mapa, o país asiático habilitou na terça-feira (29) mais duas unidades: a Supremo Carnes, localizada em Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, em Canhotinho (PE). Além das plantas de carne bovina, foram habilitadas duas unidades brasileiras para exportação de carne de aves: a Avivar Alimentos, em Minas Gerais, e a Cooperativa Dália, no Rio Grande do Sul. As novas autorizações foram publicadas três dias após o encerramento da missão sanitária chinesa no Brasil, realizada entre 20 e 26 de setembro. Durante a missão, foram visitadas 17 unidades das cadeias de bovinos, suínos e aves. O roteiro incluiu plantas que buscavam acesso ao mercado chinês e unidades que estavam com habilitações suspensas.
SCOT CONSULTORIA
China aplica tarifa de 55% à carne bovina brasileira ao atingir cota de importação
A China começará a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre as remessas de carne bovina do Brasil a partir de 1º de outubro, depois que o país atingiu sua cota anual de 1,1 milhão de toneladas, informou o Ministério do Comércio na quarta-feira.
A China anunciou a tarifa adicional, aplicável a todos os fornecedores, em janeiro, para proteger seu setor pecuário nacional. O imposto se soma à tarifa de importação padrão de 12%, elevando para 67% o imposto total de importação do Brasil sobre todas as remessas que excedam sua cota. O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, atingiu sua cota anual de 1,1 milhão de toneladas para remessas à China até esta quarta-feira, informou o Ministério do Comércio da China. O Uruguai havia autorizado o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China, afirmou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas especialistas do setor afirmam que a China não concordou em permitir que o Brasil utilize a cota do Uruguai neste ano ou no próximo. Mesmo que o Brasil chegasse a um acordo diretamente com outros países sobre os volumes não utilizados de carne bovina, era improvável que a China concordasse, disseram fontes do setor à Reuters. Em maio, a Reuters informou que Pequim havia rejeitado as repetidas tentativas de lobby do Brasil para permitir tal uso. O Ministério do Comércio da China não se pronunciou publicamente sobre os pedidos do Brasil. Todos os olhos estão voltados para saber se a China, maior compradora de carne bovina brasileira, renovará seu sistema de cotas para 2027 até o final do ano. Estima-se que o volume total de exportações de carne bovina do Brasil caia 10% em 2026 em relação ao ano anterior, segundo estimativas do setor de carnes, em meio a restrições impostas por Pequim e a uma medida semelhante adotada recentemente pela União Europeia.
REUTERS
Rebanho bovino recuou 1,7% no Brasil em 2025
Resultado reflete aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas, segundo o IBGE. São Félix do Xingu (PA) se mantém na liderança nacional no ranking dos municípios por tamanho do rebanho de bovinos
O rebanho bovino caiu 1,7% no país em 2025, para 234,3 milhões de cabeças, no que foi a segunda queda seguida, mostram os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reflete o aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas, segundo o instituto. O Nordeste foi a única região com aumento do efetivo bovino (2,2%), para 37,3 milhões de cabeças. O Centro-Oeste teve a terceira queda seguida, com recuo de 3,7% em 2025, mas se mantém com o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de cabeças ou 30,8% do total. O Norte recuou 1,8%, com um rebanho de 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste (-1,0%) e Sul (-1,7%) também apresentaram quedas pelo terceiro ano consecutivo e chegaram a 37,3 milhões e 24,1 milhões de cabeças, respectivamente. São Félix do Xingu (PA) se mantém na liderança nacional no ranking dos municípios por tamanho do rebanho de bovinos. São 2,7 milhões de cabeças, o que representa 1,2% do total. Na sequência, aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), 1,7 milhão; Cáceres (MT), 1,4 milhão; e Marabá (PA), 1,3 milhão. Apesar da queda do rebanho de bovinos no país, o valor de produção da pecuária subiu 6,2% em 2025, para R$ 141,2 bilhões, patamar recorde. De acordo com o IBGE, o resultado foi puxado pela produção de leite de vaca, que representou 63,4% do valor total. Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, um aumento de 5,6%, enquanto os itens da aquicultura contribuíram com R$ 13,2 bilhões, um crescimento de 12,5%.
GLOBO RURAL
Confinamento – a margem deverá aumentar em 2026
A alimentação é o principal trunfo do confinador neste ano, mas merece atenção. O confinamento de bovinos deverá crescer em 2026, é o que aponta a pesquisa feita em campo pela Scot Consultoria, através da expedição Confina Brasil.
Os confinamentos mapeados em 2025 indicaram que 78,8% pretendiam aumentar o volume de bovinos confinados em 2026, frente a 2025. Outros 8,7% projetavam que o volume deveria ficar estável, e apenas 4,9% previram redução na produção (Benchmarking Confina Brasil 2025). O IMEA, apresentou em agosto de 2026, seu segundo levantamento de intenção de confinamento e manteve a expectativa de crescimento, em relação a 2025, apesar da revisão para baixo em relação ao primeiro levantamento em abril de 2026. A expectativa é de que 1,33 milhão de cabeças sejam confinadas no Mato Grosso, crescimento de 43,4% em relação ao volume confinado em 2025. Em 2025, a Scot Consultoria estima que 8,3 milhões de cabeças foram confinadas. Para 2026, a estimativa é de que 10,1 milhões de cabeças sejam confinadas – crescimento de 8,6% em relação ao ano anterior. Em um ano, o boi magro, que pode representar até 70,0% dos custos do sistema, subiu em todas as praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria na comparação feita ano a ano. Em São Paulo, a cotação do boi magro aumentou 18,5% na comparação feita ano a ano, enquanto o do boi gordo, no mesmo período, subiu 10,4%. Ou seja, apesar do aumento do custo com o boi magro, a receita com a venda do boi gordo cresceu mais. Isso explica parte da expectativa de crescimento do confinamento previsto para 2026, mas não só. A alimentação é o segundo centro de custo do confinamento. Em 2026, a dieta está favorável ao pecuarista – ajudando a compensar, o aumento do preço do boi magro. Com o aumento da cotação da arroba do boi gordo e o preço dos alimentos praticamente entre estabilidade e queda, o poder de compra esteve vantajoso ao confinador. Veja que, em 2026, a relação está em seu menor nível – ou seja, menos arrobas compram uma mesma quantidade de alimento que em anos anteriores. Além dos alimentos proteicos, o milho, principal alimento energético e balizador para outros alimentos, também está favorável ao comprador. Em 2026, em poucos momentos, o poder de compra em Mato Grosso não foi o maior em cinco anos. O bom momento ao comprador tem a ver com a boa oferta, em função de uma safra ampla (recordes para a soja, o algodão e, no caso do milho, a segunda melhor safra do país) e aumento do processamento, seja do esmagamento da soja, para a produção de óleo, ou do milho, para a produção do etanol, gerando mais oferta de comida (farelo de soja e coprodutos secos e úmidos do milho, por exemplo). Através da simulação de um sistema de engorda em confinamento, com a entrada da boiada no fim de agosto (24/8), com duração de 106 dias de confinamento (Confina Brasil 2025), ganho de peso diário de 1,6 quilo e um rendimento de carcaça de 56,0%, projetamos o resultado da atividade. Foi considerada uma diária de R$14,00/cabeça, considerando resultados parciais da pesquisa expedicionária Confina Brasil em 2026 e o preço de aquisição do boi magro em R$4,95 mil por cabeça (Scot Consultoria). A venda ocorrerá no começo de janeiro. Para estimar o resultado na saída, considerou-se a cotação do contrato futuro de boi gordo na B3, com vencimento em janeiro/27 e um diferencial de base de 10,0% entre Mato Grosso e São Paulo. A cotação, na B3, estava em R$386,75/@, no fechamento de 18/9/2026, com o diferencial de base, estimamos uma arroba em Mato Grosso em R$348,00. O resultado estimado para 2026 é de R$642,97/cabeça. Em 2025, apesar do boi magro estar cotado em R$4,3 mil, e a diária do confinamento, próxima à estimada este ano (R$13,30), o preço de venda do boi gordo estava em R$290,00/@ no estado. Agora, segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo em Mato Grosso, em 21 de agosto de 2026, está entre R$330,00 e R$335,00, dependendo da região. Considerando a expectativa de boa demanda para os próximos meses e uma menor oferta de fêmeas, há espaço para que o diferencial seja menor que o diferencial histórico de 10,0%, o que traria uma cotação na praça mato-grossense acima dos R$348,00 estimados e, consequentemente, margem maior ao confinador. A alimentação e a valorização da arroba do boi gordo, apesar do avanço do preço do boi magro, estão sendo o “trunfo” do pecuarista em 2026.
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Dólar fecha em baixa sob influência do exterior em dia de Ptax
O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, após alguns dados da economia norte-americana reforçarem as apostas de que o Federal Reserve não subirá juros em outubro, enquanto no Brasil a primeira metade da sessão foi marcada pela formação da taxa Ptax de fim de mês.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,76%, a R$5,1735. No mês, a divisa acumulou queda de 0,15% e, no ano, recuo de 5,75%. Às 17h09, o dólar futuro para novembro — que nesta quarta-feira passou a ser o mais negociado no Brasil — cedia 0,56% na B3, aos R$5,2030. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,1803 para compra e R$5,1809 para a venda. Pela manhã, alguns dados da economia norte-americana impactaram os mercados de moedas em todo o mundo. O núcleo do índice PCE — uma medida bastante observada pelo Federal Reserve — subiu 0,2% em agosto, abaixo da projeção de 0,3% dos economistas ouvidos pela Reuters. O índice PCE cheio subiu 0,3% em agosto, também abaixo da alta de 0,4% projetada. O resultado elevou as apostas de que o Federal Reserve tende a manter sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre as cotações do dólar ante as demais divisas. “Ontem alguns ‘Fed boys’ sinalizaram que não há necessidade de aumento de juros nos EUA no curto prazo, e hoje o PCE veio fraco, o que pesou sobre o dólar”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Na terça-feira, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, havia defendido que “não há necessidade de pressa” ao tratar dos juros nos EUA. “Aqui o dólar caiu um pouco mais por conta da disputa técnica da Ptax, com os vendidos pressionando”, acrescentou Rugik. No restante da sessão, o dólar recuperou um pouco da força, mas ainda assim fechou em baixa ante o real, em um dia também positivo para o Ibovespa. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,025 bilhões em setembro até o dia 25. Na semana passada, porém, entraram no país US$3,054 bilhões líquidos.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com bancos e inflação abaixo do esperado nos EUA
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, em pregão marcado por desempenho robusto das ações de bancos e dados de inflação abaixo das expectativas nos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,59%, a 186.752,25 pontos, de acordo com dados preliminares, registrando uma alta de 5,26% em setembro e de 8,56% no terceiro trimestre. Em 2026, acumula um ganho de 15,90%. Na sessão, marcou 187.834,97 pontos na máxima e 183.879,71 pontos na mínima.
REUTERS
Melhora de expectativas para variáveis como inflação e câmbio ajuda na queda na incerteza na economia, diz FGV
Indicador recuou 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos
A melhora na dispersão dos indicadores de expectativas das principais variáveis macroeconômicas foi a principal razão para a queda do Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), e que recuou 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos. Entre os dois componentes do IIE-Br, a mídia ficou estável em 111,6 pontos, enquanto houve queda de 3,7 pontos nas expectativas, para 103,2 pontos. Essa foi a terceira queda seguida do componente de expectativas. “Observamos que neste mês houve redução da dispersão [das análises, resultados e previsões de especialistas] em relação à inflação e ao câmbio, principalmente inflação”, afirma o economista Stefano Pacini, do FGV Ibre e responsável pelo IIE-Br. Pacini lembra que a queda da incerteza se tornou possível também porque o impacto da incerteza das mídias ficou constante. “A queda, que eu falo que é pontual, vem principalmente pela melhora na dispersão dos indicadores de expectativas. Esse é o principal motivo de a incerteza econômica ter caído este mês. Mas isso não quer dizer que o resultado vá se manter ou que o nível de incerteza econômica esteja baixo”, pondera. O economista destaca ainda que o indicador de mídia ainda está em patamar elevado, embora já tenha estado em pontos mais altos ao longo de 2026. Pacini explica que ao longo deste ano houve mais “externalidades”, com impactos sobre a incerteza gerados fora do Brasil, como a alta do preço do petróleo, a guerra entre Estados Unidos e Irã, o tarifaço e os momentos da crise na relação entre Brasil e EUA. “Questões que não são muito domésticas, que não envolvem a política doméstica do nosso país e sim um impacto de fora”, diz. Perguntado sobre as recentes crises envolvendo não apenas a corrida eleitoral, mas as discussões e ruídos gerados a partir da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive com discussões públicas entre ministros da Corte, Pacini lembra que o nível de incerteza dentro do componente de mídia já está elevado. Para ele, a polarização política ainda pode levar a uma elevação da incerteza no curtíssimo prazo, principalmente se as eleições presidenciais forem decididas no segundo turno. “A corrida eleitoral tende a ganhar mais espaço ainda e pode impactar sim o aumento do nível de incerteza. Isso considerando que não vai haver nenhum outro assunto externo, nenhuma outra externalidade que afete o indicador de incerteza de mídia. Meu ponto é que já estamos em um nível elevado de incerteza política e acho que ela tende a oscilar nesse patamar elevado nos próximos meses”, afirma. Uma vez passada a eleição, diz, existe a possibilidade de que a incerteza seja amenizada, caso fatores externos não voltem a pressionar. “A tendência é que nos primeiros meses do próximo ano a incerteza dê uma reduzida, mesmo que não seja algo permanente. Mas acho que tende a ficar um pouco mais bem comportada.”
VALOR ECONÔMICO
Inadimplência do consumidor nas operações de crédito atinge 8% em agosto, novo recorde histórico
Mesmo com ciclo de cortes na Selic, taxa média de juros interrompeu sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto em agosto, para 32,3% ao ano
A inadimplência do consumidor pessoa física em operações de crédito bancário, tema que dominou a campanha eleitoral neste ano, bateu novo recorde em agosto, segundo o Banco Central (BC). A taxa que representa o atraso nos pagamentos superior a 90 dias subiu para 8% em agosto no crédito com recursos livres, modalidade que tem taxas livremente pactuadas pelo mercado, ante 7,8% em julho, até então o maior patamar. Como um todo, a inadimplência do consumidor saltou de 5,8% para 6% de julho para agosto, também recorde. Os números mostram que, mesmo com o recente ciclo de cortes na Selic, a taxa média de juros da economia interrompeu uma sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto percentual em agosto, para 32,3% ao ano — um reflexo do crescimento de linhas mais arriscadas, como rotativo dos cartões de crédito e parcelamentos do cartão. O crescimento da inadimplência e dos juros cobrados acontece em um momento em que o governo federal, às vésperas da eleição presidencial, lança uma terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas dos consumidores. O Desenrola Brasil 3.0 prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso entre dois e quatro anos e meio. Duas outras edições já tinham sido lançadas desde 2023. O foco agora será nas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha de até R$ 10 mil. A estimativa é que até 15 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas, renegociando até R$ 150 bilhões em dívidas. A composição dos dados revela que os brasileiros têm recorrido a modalidades mais caras e emergenciais de empréstimos. O caso mais alarmante é do rotativo do cartão, quando a pessoa não faz o pagamento integral da fatura. Entre as operações com recursos livres para pessoa física, o estoque de crédito do rotativo do cartão foi o que mais subiu em agosto contra julho, com alta de 4,8%. A taxa média de juros dessa modalidade subiu para 444,9% ao ano em agosto, acréscimo mensal de 8,7 pontos percentuais. A inadimplência do rotativo do cartão também subiu de 65,5% em julho para 66,2% em agosto nesta operação, patamar recorde. Já a alta do juro médio entre todas as modalidades de crédito foi puxada pelas operações com recursos livres (alta de 0,8 ponto), totalizando 48,5% ao ano, e pelas contratadas por pessoas físicas (alta de 0,7 ponto), para 38,2% anuais. O BC também observou encarecimento dos juros cobrados no parcelado do cartão de crédito, que é a modalidade que divide em prestações mensais fixas o valor da dívida. Os juros saltaram de 189,3% em julho para 192,1% ao ano em agosto, a segunda opção de crédito mais cara do mercado. No caso da inadimplência, quando considerados somente os contratos de pessoas físicas negociados com recursos livres no mercado, que englobam o rotativo e o parcelado do cartão de crédito, o indicador aumentou de 7,1% para 8% no mesmo período. No crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, a taxa subiu de 10% para 10,6%. A inadimplência no crédito pessoal não consignado aumentou de 10,6% para 11% no período. Nas operações com o cheque especial, o percentual caiu de 16,31% para 15,34% nessa comparação. O endividamento das famílias, representado pelo percentual entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, subiu a 49,9% em julho, alta mensal de 0,2 ponto e de 1,1 ponto em 12 meses. Já o comprometimento de renda (percentual entre o valor médio estimado para o pagamento da dívida e a renda média apurada) ficou estável em julho em comparação com junho, em 28,7%. Mas aumentou 1,4 ponto no acumulado de 1 ano. O estoque de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu 0,5% entre julho e agosto, para R$ 7,398 bilhões. A alta foi puxada pelo saldo das operações direcionadas (crescimento de 0,8%) e pelas pessoas físicas (também alta de 0,8%).
VALOR ECONÔMICO
Confiança do comércio cai ao menor nível desde outubro de 2025, diz CNC
Entidade mostrou ainda que as condições atuais recuaram 1,3%, para 72,8%, enquanto as intenções de investimentos recuaram 0,5%, para 101,7 pontos este mês
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgado na quarta-feira (30) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 1,3% em setembro frente ao mês anterior, para 100 pontos, o que indica neutralidade na percepção do setor. O patamar é o menor desde os 96,8 pontos registrados em outubro do ano passado e foi puxado pela queda de 1,9% das expectativas, que passaram para 125,5 pontos. A CNC mostrou ainda que as condições atuais recuaram 1,3%, para 72,8%, enquanto as intenções de investimentos recuaram 0,5%, para 101,7 pontos este mês. Apesar da queda na margem, o Icec subiu 1,7% quando comparado a setembro do ano passado. Nesta comparação, as expectativas avançaram 3%, as intenções de investimentos subiram 1,3% e as condições atuais ficaram estáveis. Entre os recortes da pesquisa, o segmento de bens semiduráveis – que abrange roupas, calçados, tecidos e acessórios – apresentou, segundo a CNC, uma readequação nas expectativas e caiu 1,3% frente a agosto e recuou 1,7% ante setembro do ano passado. A Confederação lembrou que esse movimento coincide com o período em que o mercado interno observa os efeitos do fim do imposto de importação sobre remessas internacionais, a chamada “Taxa das Blusinhas”, fator que tem incentivado uma maior participação do comércio exterior no consumo. Segundo dados da Receita Federal, as remessas internacionais declaradas passaram de 15,2 milhões em agosto de 2025 para 26,5 milhões no mesmo mês de 2026, um crescimento de 74%. Em termos financeiros, o montante dessas importações avançou 79% no período, alcançando R$ 526 milhões, segundo a CNC, que acrescenta que, diante desse cenário, a expectativa econômica específica do segmento de semiduráveis recuou 4,6% em setembro. O subíndice Expectativas para os empresários de roupas e calçados anotou variações de -4% no comparativo mensal e de -1,4% no comparativo anual. Apesar do recuo de 1,9% no Índice de Expectativas em setembro, a maioria dos dirigentes (59,5%) segue projetando melhora econômica para os próximos meses. Além disso, a gestão operacional aponta um cenário de equilíbrio, com a percepção sobre o nível de estoques configurando-se como o único componente de investimentos a apresentar alta mensal (+0,3%), alcançando, ainda, um avanço de 1,3% na comparação anual. O comércio de bens duráveis (como eletrônicos e eletrodomésticos), por exemplo, obteve o maior avanço na comparação anual (+3,9%), beneficiado por um nível de preços que tem favorecido a comercialização desses itens. Além disso, no quadro geral do comércio, as intenções de contratação de funcionários mantiveram trajetória positiva, com crescimento de 4,2% no ano, indicando resiliência no mercado de trabalho varejista.
VALOR ECONÔMICO
Inflação da indústria atinge 0,36% em agosto, pressionada por alimentos, após queda em julho, diz IBGE
Segundo o instituto, 14 das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram alta de preços em agosto; alimentos registram alta de 1,99% no mês
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como o indicador da inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 0,36% em agosto, segundo divulgou na quarta-feira (30) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, houve queda de 0,83%. Com o desempenho de agosto, o IPP acumula alta de 3,47% em 2026. No resultado em 12 meses até agosto, o aumento é menor, de 2,53%. Catorze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram alta de preços em agosto. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de -0,67% em julho para 0,19% em agosto. O IPP da indústria extrativa subiu 4,33% em agosto, praticamente recuperando a variação negativa de 4,38% de julho. O preço de alimentos da indústria subiu 1,99% em agosto, a maior alta desde novembro de 2014 (2,18%). Esta foi a terceira alta mensal seguida e a principal responsável pela inflação do setor industrial no mês. O segmento teve impacto de 0,47 ponto percentual da alta de 0,36% do IPP de agosto. Com isso, os preços de alimentos subiram no ano, em média, 2,70% até agosto. O quadro é diferente do observado em 2025, quando o resultado até agosto era de queda de 7,70%. O resultado acumulado em 12 meses ainda se mantém no campo negativo (-0,38%), embora em nível bem menos intenso que em janeiro (-9,92%) e mesmo em julho (-2,92%). O forte impacto de alimentos na inflação da indústria como um todo também se observa no resultado acumulado em 2026, em que responde por 0,65 ponto percentual da alta de 3,47% do IPP no período. No mês de agosto, arroz e carne bovina foram as duas principais influências na alta da inflação da indústria alimentícia. Segundo o IBGE, o “arroz sem branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido” tem enfrentado aumento de preços do arroz em casca, que são sua matéria-prima, escassa oferta e demanda forte. O outro item é “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas”, pressionado tanto pela depreciação do real frente ao dólar na passagem de julho para agosto (0,8%) quanto pela demanda externa. Somados com “resíduos da extração de soja” e “rações/outras preparações para alimentação de animais” (este com contribuição negativa), respondem por 1,65 ponto percentual da alta de 1,99%. Além dos alimentos, os outros segmentos de maior influência na alta de 0,36% do IPP em agosto foram indústrias extrativas – alta de 4,33% e 0,18 ponto percentual – e metalurgia – aumento de 2,13%.
VALOR ECONÔMICO
Setor público consolidado tem déficit primário de R$ 10,012 bi em agosto
Em 12 meses, o déficit primário alcançou R$ 82,077 bilhões, o equivalente a 0,62% do PIB
O setor público consolidado fechou agosto com déficit primário de R$ 10,012 bilhões, conforme divulgou na quarta-feira (30) o Banco Central (BC). Em agosto do ano passado, o resultado havia sido déficit de R$ 17,255 bilhões. Os dados do setor público consolidado envolvem governo central (formado por Previdência Social e Tesouro Nacional, além do próprio BC), Estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta empresas do grupo Petrobras, além de bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O resultado de agosto refletiu um déficit do governo central de R$ 14,687 bilhões e um superávit de R$ 2,688 bilhões dos Estados e municípios. As estatais tiveram superávit de R$ 1,987 bilhão. Em 12 meses até agosto, por sua vez, o déficit primário alcançou R$ 82,077 bilhões, o equivalente a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até julho, o déficit estava em 0,67% do PIB. Já o déficit nominal, que inclui despesas com juros, atingiu R$ 115,946 bilhões em agosto. Um ano antes o resultado havia sido de déficit de R$ 91,516 bilhões. O resultado nominal de agosto refletiu um déficit primário de R$ 10,012 bilhões e uma conta de juros de R$ 105,934 bilhões. Em 12 meses até agosto, por sua vez, o déficit nominal alcançou R$ 1,264 trilhão, o equivalente a 9,48% do PIB. Em julho, estava em 9,35% do PIB. A conta de juros até agosto somou R$ 1,182 trilhão, ou 8,9% do PIB, vinda de R$ 1,150 trilhão ou 8,7% do PIB em julho. A dívida líquida do setor público não financeiro ficou em 69,3% do PIB em agosto (R$ 9,241 trilhões). Em julho, estava em 69,1% do PIB (R$ 9,165 trilhões). De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada pelo impacto altista de 0,79 ponto percentual dos juros nominais (R$ 105,934 bilhões); pelo impacto altista de 0,08 ponto percentual do resultado primário (R$ 10,012 bilhões); pelo impacto baixista de 0,44 ponto percentual do efeito do crescimento nominal do PIB; e pelo impacto baixista de 0,20 ponto percentual do ajuste cambial (R$ 27,280 bilhões). A dívida bruta dos governos no Brasil somou R$ 11,055 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB. Atingiu o maior patamar desde março de 2021, quando foi de 85,10%. Em julho, o indicador estava em 82,6% do PIB (R$ 10,947 trilhões). De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada pelo impacto altista de 0,76 ponto percentual dos juros nominais sobre a dívida (R$ 100,754 bilhões); pelo impacto altista de 0,08 ponto percentual do ajuste cambial (R$ 10,312 bilhões); pelo impacto baixista de 0,52 ponto percentual do efeito do crescimento nominal do PIB; e pelo impacto baixista de 0,03 ponto percentual das emissões líquidas de dívida (R$ 3,904 bilhões). O BC atualizou ontem as elasticidades das dívidas líquida e bruta do setor público a seus principais indexadores. Para a dívida líquida, a valorização de 1% do câmbio leva a um aumento imediato de 0,07 ponto percentual do PIB, ou R$ 9,3 bilhões. Para cada aumento de 1 ponto percentual da Selic, mantida por 12 meses, há elevação da dívida de 0,54 ponto, ou R$ 71,5 bilhões. Já um aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,15 ponto, ou R$ 20,5 bilhões. No caso da dívida bruta, a valorização de 1% do câmbio gera queda imediata de 0,07 ponto percentual, ou R$ 9,8 bilhões. Para cada elevação de 1 ponto da Selic, mantida por 12 meses, há elevação de 0,49 ponto da dívida, ou R$ 65,8 bilhões. Já cada aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,15 ponto, ou R$ 20,2 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Inadimplência no crédito rural tem novo recorde no país
Índice alcançou 9,7% entre produtores pessoas físicas, alta de quase dez vezes em três anos, e reflete as dificuldades financeiras no campo. Guilherme Campos: “A única ação que poderia mudar isso no curto prazo é a da renegociação das dívidas, e ela tem se mostrado que não tem este poder todo”
A inadimplência no crédito rural para pessoas físicas bateu novo recorde em agosto e alcançou 9,7% da carteira total de recursos direcionados, oriundos de depósitos à vista e poupança rural. O índice cresceu quase dez vezes em três anos. Em 2023, no mesmo mês, estava em 1%. Sem sinais de trégua, o cenário permanece apertado no campo e reforça o alerta para possíveis reflexos na safra 2026/27, que começou a ser plantada. O índice de operações de financiamentos rurais com atraso acima de 90 dias aumenta de forma contínua nos últimos anos. Em julho, havia alcançado a marca inédita de 8,8%, superada pelo recorde de agosto. Os dados foram divulgados nesta semana nas Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central. Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência alcançou 1%, índice mais alto desde o pico de 5,8% em outubro de 2020. Para o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, os números refletem o cenário de dificuldades financeiras, endividamento e falta de liquidez observado no campo desde 2025. Segundo ele, o ambiente continuará desafiador e pode haver efeito na safra 2026/27. “A única ação que poderia mudar isso no curto prazo é a da renegociação das dívidas, e ela tem se mostrado que não tem este poder todo”, afirmou ao Valor. As altas do endividamento e da inadimplência têm impactado a concessão de novos financiamentos aos produtores. A oferta tem sido feita com “mais cautela”, disse o secretário. Segundo lideranças do setor, o ritmo de contratação das linhas tradicionais do crédito rural é o mais lento dos últimos cinco anos e a área financiada pelo Plano Safra tem regredido. Há críticas também às dificuldades de acesso à renegociação de dívidas previstas na Medida Provisória 1.376/2026. David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna e especialista em crédito para o agronegócio, disse que alguns produtores têm deixado de pagar os bancos e optado por usar o dinheiro da venda da produção passada para comprar insumos para a nova safra. Para ele, ainda vai demorar para o mercado se estabilizar. “A inadimplência já está impactando nas restrições de crédito junto ao mercado financeiro. Porém, com a priorização de pagamentos dos insumos, as negociações, compras e consumos de insumos continuam com volumes equivalentes a safras anteriores, isso considerando o recorde de produção e o crescimento da área plantada em torno de 1,4% na safra 2026/27”, acrescentou. O cenário da inadimplência das pessoas físicas se deteriorou em agosto na comparação com o mês anterior tanto nas operações a taxas de mercado quanto nos financiamentos com juros controlados. No primeiro caso, o índice passou de 15,6% para 17,6%, o maior até agora da série histórica acompanhada pelo BC desde 2011. Nos empréstimos com tarifas reguladas para o tomador final, a evolução foi de 3,7% para 3,8%, percentual que também é recorde. O saldo atual da carteira de crédito rural com recursos direcionados das pessoas físicas considerado pelo BC estava em R$ 557,7 bilhões em agosto. Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência também é maior nas operações com taxas de mercado, segundo dados do BC. Em agosto, o índice permaneceu em 1,2%. Nos financiamentos com tarifas controladas, o percentual ficou em 0,4%. O saldo atual da carteira de crédito rural com recursos direcionados para pessoas jurídicas é de R$ 127,1 bilhões. Os juros médios cobrados de produtor pessoa jurídica caíram de 12%, em julho, para 11,6% ao ano em agosto. Nas pessoas físicas, mantiveram-se em 11,1% ao ano.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Japão reabre seu mercado para carne bovina da Argentina após 20 anos
Acordo vale para áreas do país livres de aftosa com vacinação. Mercado do Japão permaneceu fechado à carne argentina por questões sanitárias relacionadas à febre aftosa
O ministério da agricultura do Japão informou na quarta-feira (30/9) que chegou a um acordo com o governo argentino sobre as condições para retomar a de importação de carne bovina e derivados do norte da Argentina. A reabertura ocorre após 20 anos em que o mercado japonês permaneceu fechado à carne argentina, por questões sanitárias relacionadas à febre aftosa.
De acordo com o ministro da economia da Argentina, Luis Caputo, que publicou a informação em uma rede social, e com o comunicado japonês, o acordo vale para áreas do país livres de aftosa com vacinação. O Norte da Argentina compreende as províncias de La Pampa, Buenos Aires (com exceção da Patagônia), Mendoza, San Luis, San Juan, La Rioja, Cordoba, Santa Fe, Entre Ríos, Corrientes, Misiones, Chaco, Santiago del Estero, Catamarca, Tucumán, Jujuy, Salta e Formosa. A medida tem potencial para beneficiar vendas de companhias brasileiras com unidades na Argentina, como a Minerva Foods e a MBRF. A JBS não possui plantas de bovinos no país. O ministério da agricultura do Japão pontuou, porém, que o acordo sobre as condições de higiene pecuária não significa que as importações do norte da Argentina terão início imediato. “O governo japonês realizará inspeções no local e designará instalações de manuseio de carne que atendam às condições de higiene pecuária antes que as importações dessas instalações sejam permitidas”, afirmou a pasta no comunicado. Na nota, o ministério japonês contou também que, em fevereiro, o Subcomitê de Higiene Pecuária do Conselho de Política Alimentar, Agrícola e Rural japonês avaliou que o risco de entrada da febre aftosa no Japão é extremamente baixo se a carne desossada proveniente do norte argentino for devidamente maturada. Como a região é livre da febre aftosa com vacinação, as importações se limitam à carne bovina que tenha passado por maturação e desossa para inativar o vírus da febre aftosa, bem como aos produtos derivados dessa carne, segundo o comunicado japonês. As importações de carne bovina e derivados do Uruguai, país também livre de aftosa com vacinação, já são permitidas em condições semelhantes. O governo japonês lembrou que, no caso da região sul da Argentina (Patagônia), livre de aftosa, mas sem vacinação, assim como o Japão, as importações de carne bovina e derivados já eram permitidas sem necessidade de maturação ou desossa. A região, contudo, concentra apenas 2%, aproximadamente, do rebanho do país.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Rebanho de suínos ficou estável em 2025; caprinos e ovinos bateram recorde
Brasil tem o quarto maior efetivo mundial de suínos, é o quarto maior produtor mundial de carne suína e o terceiro maior exportador de carne suína. Toledo (PR) manteve sua posição na liderança municipal para a criação de suínos
O efetivo de suínos no país cresceu 0,5% em 2025, ante 2024, e atingiu 44 milhões de cabeças, o segundo maior nível, atrás apenas de 2022. Ao mesmo tempo, os rebanhos de caprinos e ovinos atingiram recordes. Os aumentos foram de 1,2%, para 13,5 milhões, e de 1,6%, para 22,3 milhões, respectivamente. Os dados são da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A variação de 0,5% foi classificada como estabilidade pelo IBGE. No caso das fêmeas reprodutoras, o ganho foi ainda menor, de 0,1%, para 5 milhões de cabeças. Pelas informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil tem o quarto maior efetivo mundial de suínos, é o quarto maior produtor mundial de carme suína e o terceiro maior exportador de carne suína.
GLOBO RURAL
FRANGOS
Brasil bateu recorde de produção de ovos e de número de galináceos em 2025
No ano passado, o país era o terceiro maior produtor mundial de carne de frango e o maior exportador. A cidade de Santa Maria de Jetibá (ES) lidera o ranking brasileiro tanto nos efetivos de galináceos e de galinhas quanto na produção de ovos
Os efetivos de galináceos e de galinhas atingiram recordes no Brasil em 2025, mostram os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção de ovos de galinha também foi recorde, com alta de 5,7%, e atingiu 5,7 bilhões de dúzias. O número de galináceos – que contemplam galinhas e outras categorias como frangos de corte – cresceu 1,6% em 2025, ante 2024, para 1,6 bilhão. Quando estimadas apenas as galinhas destinadas à produção de ovos, o aumento foi de 5,8%, para 293,3 milhões. “Esses recordes ocorrem devido ao aumento do consumo de carne de frango e de ovos”, afirma o gerente da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira. Em 2025, o país era o terceiro maior produtor mundial de carne de frango e o maior exportador, segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A cidade de Santa Maria de Jetibá (ES) lidera tanto nos efetivos de galináceos e de galinhas quanto na produção de ovos. No município, houve expansão de mais de 890,5 mil galináceos em 2025, para 18,4 milhões. Desse crescimento, 23,6% foram galinhas, o que reforça a sua liderança municipal nesse efetivo desde 2015, totalizando 15,1 milhões de galinhas em 2025. São Bento do Una (PE), Bastos (SP), Uberlândia (MG) e Toledo (PR) completam o ranking dos cinco maiores municípios em galináceos. No ranking de galinhas, Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também se destacam, ocupando a segunda e terceira posição, respectivamente. Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG) ocupam o quarto e quinto lugares. Na distribuição regional, o Sul responde por quase metade (48,1%) do efetivo de galináceos (772,9 milhões de cabeças), com aumento de 3,4% em relação a 2024. Em relação às galinhas, o Sul tem o segundo maior efetivo (72,2 milhões de cabeças) – 24,6% do total nacional – e teve crescimento de 5,8% em 2025. O Sudeste concentrou a maior quantidade de galinhas (104,3 milhões de cabeças), equivalente a 35,6% do total, com crescimento de 5% em 2025, ante 2024. Os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2025 também apontam recorde na produção de ovos de galinha, que cresceu ininterruptamente há quase 30 anos, desde 1999. Em 2025, a quantidade produzida foi de 5,7 bilhões de dúzias. O preço médio estimado por dúzia foi de R$ 6,34, o que significa um valor de produção de R$ 36,4 bilhões, 13,9% a mais que em 2024. O Sudeste lidera a produção nacional de ovos (2,3 bilhões de dúzias), com parcela de 39,3% do total nacional, e um crescimento de 3,2% em 2025. Sul (1,3 bilhão de dúzias) e Nordeste (1,1 bilhão de dúzias) aparecem na sequência, com 22,5% e 20,0% de participação e crescimentos de 5,9% e de 6,6%, respectivamente. Os cinco principais municípios produtores foram Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP), São Bento do Una (PE), Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG). Essa lista e a ordem de classificação são as mesmas observadas no ranking de efetivo de galinhas dada a correlação direta entre o efetivo e a produção de ovos.
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