CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2636 DE 22 DE JANEIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2636 | 22 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo estável em São Paulo

Os vendedores estiveram retraídos, reduzindo a oferta no mercado. No entanto, o escoamento de carne ocorreu em ritmo mais lento, comportamento esperado para o período do mês, o que sustentou as cotações. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias.

Segundo cálculos da Scot Consultoria, na praça paulista, já são 9 dias de estabilidade para o boi gordo sem padrão-exportação, 13 dias para o “boi China”, 44 dias para a vaca gorda e 20 dias para a novilha terminada. Assim, de acordo com a apuração da Scot, o boi gordo segue cotado em R$ 318/@, a vaca em R$ 302/@, a novilha em R$ 312/@ e o “boi-China” é negociado por R$ 322/@ (preços no prazo, valores brutos). No Mato Grosso do Sul, o dia abriu com queda de R$2,00/@ para todas as categorias nas regiões de Dourados e Campo Grande. Em Três Lagoas, a cotação da vaca caiu R$1,00/@ e, para as demais categorias, o preço não mudou. A cotação da arroba do “boi China” caiu R$3,00. No Noroeste do Paraná, as ofertas estiveram enxutas, mas a indústria esteve conseguindo formar escalas com os preços de referência. Com isso, a cotação não mudou.

SCOT CONSULTORIA

Preços do boi gordo sobem

Escalas de abate mais encurtadas levam frigoríficos, principalmente pequenos, a atuarem de forma mais agressiva na compra de gado. O mercado físico do boi gordo apresentou negociações acima da referência média em vários estados, incluindo São Paulo.

De acordo com o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, de forma geral, as escalas de abate seguem encurtadas, entre seis e sete dias úteis na média nacional, ambiente que sugere por uma atuação mais agressiva na compra de gado. “Vale destacar que o comportamento da carne no atacado tem sido surpreendente, com preços ainda elevados em um momento em que tipicamente a demanda está desaquecida”. Segundo ele, tal condição resulta em um comportamento mais agressivo dos frigoríficos de menor porte na compra de gado. “Por fim, é válido mencionar que as exportações seguem contundentes, com boa demanda dos Estados Unidos neste início de ano”, conclui Iglesias. Média da arroba do boi: São Paulo: R$ 321,67. Goiás: R$ 310,00. Minas Gerais: R$ 309,41. Mato Grosso do Sul: R$ 307,61. Mato Grosso: R$ 295,68. O mercado atacadista apresenta alta dos preços no decorrer desta semana. Iglesias destaca que a expectativa durante a segunda quinzena do mês é de menor apelo a altas, com potencial para algum recuo dos preços no curtíssimo prazo. “A maior competitividade das proteínas concorrentes que apresentaram queda no início do ano são um elemento importante a ser considerado”, avalia. Quarto traseiro: precificado a R$ 26,50 por quilo, alta de R$ 0,10; Quarto dianteiro: ainda é cotado a R$ 19,00 por quilo; Ponta de agulha: permanece no patamar de R$ 17,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Preço do boi gordo segue estável, com oferta controlada no campo

Escalas de abate estão mais curtas neste início de ano, informa Cepea. Boas condições das pastagens reduz a urgência de venda e limita o poder de pressão da indústria

O mercado físico do boi gordo segue marcado por preços estáveis e negociações pontuais, com o produtor em posição favorável, informa a consultoria Agrifatto. A oferta continua controlada nas fazendas, sustentada pelas boas condições das pastagens, o que reduz a urgência de venda e limita o poder de pressão da indústria. Na quarta-feira (21/1), os vendedores estiveram retraídos, reduzindo a oferta no mercado, afirma a Scot Consultoria. No entanto, o escoamento de carne ocorreu em ritmo mais lento, comportamento esperado para o período do mês, o que sustentou as cotações. Das 33 regiões monitoradas pela Scot, 27 não tiveram alterações nos preços do boi gordo. Houve quedas em Dourados (MS), Campo Grande (MS), sul da Bahia e Acre. Apenas em Marabá (PA) e norte de Tocantins foram registradas altas. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o boi gordo seguiu cotado a R$ 318 a arroba para o pagamento a prazo. As demais categorias (“boi China”, vaca e novilha) também não tiveram alterações. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as escalas de abate estão mais curtas neste início de ano, com média nacional de 7,8 dias até 20 de janeiro, a menor para janeiro desde 2021. Esse cenário reflete a oferta restrita de animais no campo e a demanda interna e externa relativamente firmes têm sustentado o preço, mesmo em um período sazonalmente mais fraco para o consumo. As menores escalas de abate em janeiro vêm sendo observadas nos Estados do Rio Grande do Sul (quatro a cinco dias), Pará e Rondônia (próximo de seis dias). Em Goiás, a média é de 6,2 dias, seguido de São Paulo e Minas Gerais, de sete a oito dias, e na sequência, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, entre 8,5 e 9,5 dias. Neste ano, pecuaristas têm tido condições de deixar os animais no pasto por mais tempo, buscando, assim, cotações mais elevadas.

GLOBO RURAL

Selo inédito vai impulsionar o mercado de carnes premium no Brasil

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica.

Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais. Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais. O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma. “O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca. Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui. A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte. A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado. Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou. De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato, o Promebo já está disponibilizando o selo para as centrais de sêmen e criadores que utilizam touros com características que atendem aos padrões exigidos. Os reprodutores com selo podem ser localizados na consulta pública do Sistema Origen da ANC.

EMBRAPA

ECONOMIA

Dólar cai mais de 1% sob influência do exterior e do fluxo para a bolsa

O dólar fechou a quarta-feira em baixa firme ante o real, superior a 1%, em meio ao recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior e ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.

O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 1,10%, aos R$5,3209, na menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro do ano passado, quando atingiu R$5,3103. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,06%. Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 1,12% na B3, aos R$5,3320. No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que o país passe a controlar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca, mas abrandou a retórica ao descartar o uso da força para isso. “As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força”, disse Trump na reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. “Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força.” O discurso de Trump fez o dólar recuperar um pouco de força ante as divisas fortes no exterior, como o euro e o franco suíço, após a aversão a ativos norte-americanos vista nos últimos dias. Em relação às moedas de países emergentes, o discurso mais brando de Trump na quarta-feira pesou sobre o dólar, que teve baixas firmes ante o real, o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outros. No Brasil, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa de valores acentuou o viés negativo, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. Durante a tarde, o Ibovespa superou os 170 mil pontos pela primeira vez na história. Durante a tarde, dados do Banco Central corroboraram a percepção recente de forte entrada de recursos no Brasil. O país registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, conforme o BC. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão. Os agentes também estiveram atentos na quarta-feira à política. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria na quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília. O cancelamento levantou dúvidas sobre as articulações da direita para as eleições de outubro. A possibilidade de Tarcísio ser candidato à Presidência diminuiu após Bolsonaro apoiar seu filho Flávio, senador pelo PL, no fim do ano passado. No entanto, Tarcísio segue como nome preferido da Faria Lima. Pela manhã, pesquisa da Atlas mostrou que Lula lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para eleição e mantém a dianteira nas simulações de segundo turno. Sem efeitos diretos no câmbio, o Banco Central decretou pela manhã a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, também em liquidação.

REUTERS

Ibovespa dispara mais de 3%, renova máximas e encosta em 172 mil pontos com estrangeiros

O Ibovespa fechou em forte alta na quarta-feira, renovando máximas e encostando nos 172 mil pontos, em movimento puxado principalmente por fluxo estrangeiro, com ações blue chips como Itaú Unibanco e Vale renovando seus topos históricos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,33%, a 171.816,67 pontos, novo recorde de fechamento, perto do topo da sessão, a 171.969,01, nova máxima intradia. Apenas nesta sessão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do pregão foi registrada na abertura, quando o Ibovespa marcou 166.277,91 pontos. O volume financeiro somou R$43,32 bilhões, bem acima da média do ano, de R$28,99 bilhões. De acordo com analistas e estrategistas, fatores globais seguem como protagonistas para o desempenho positivo do Ibovespa, com destaque para realocação de capital de mercados desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, para emergentes. Esse movimento, que também se observou no ano passado, reflete uma busca por diversificação geográfica diante do aumento das tensões geopolíticas e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos. Apenas em 2026, o Ibovespa já acumula alta de 6,64%. De acordo com dados da B3, no ano, a bolsa registra uma entrada líquida de estrangeiros de R$7,6 bilhões até o dia 19. Para estrategistas do JPMorgan, 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras. Além dos fatores externos, citam que o ciclo de afrouxamento monetário esperado no Brasil adiciona outra camada de otimismo. “Há uma grande dependência dessa valorização pelo fluxo estrangeiro significativo ingressando em nosso país”, disse o assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser Investimentos. Luersen reforçou que questões globais macro, em especial geopolíticas, têm promovido uma saída significativa de capital da Europa e dos EUA. “Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar”, acrescentou. O Ibovespa acelerou a alta à tarde, acompanhando a melhora dos pregões em Wall Street, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar abruptamente das ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia. Na sua plataforma Truth Social, Trump citou o arcabouço de um futuro acordo com relação à Groenlândia e à região do Ártico, acrescentando que, assim, não irá impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de mais de 1%.

REUTERS

Brasil tem fluxo positivo de US$1,544 bi no ano puxado por entradas financeiras

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, informou na quarta-feira o Banco Central.

Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$2,939 bilhões em janeiro até o dia 16. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de janeiro até o dia 16 foi negativo em US$1,395 bilhão. Na semana passada, de 12 a 16 de janeiro, o fluxo cambial total foi positivo em US$2,215 bilhões, sendo que a via financeira foi o destaque, com entrada líquida de US$2,524 bilhões. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão. Este movimento ocorre em meio a relatos no mercado, nos últimos dias, de forte fluxo de investimentos para o Brasil, em especial para a bolsa, que segue sendo considerada atrativa pelos investidores estrangeiros. Na semana passada, a via comercial registrou saída líquida de US$309 milhões.

REUTERS

GOVERNO

Brasil amplia mercados para produtos agropecuários no Vietnã e na Arábia Saudita

O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias que permitirão a exportação de novos produtos agropecuários para o Vietnã e para a Arábia Saudita.

As autoridades sanitárias vietnamitas confirmaram o aceite para a exportação de gordura bovina do Brasil, o que amplia e diversifica oportunidades para a cadeia pecuária brasileira. Com cerca de 100 milhões de habitantes, o Vietnã é um dos principais destinos do agronegócio brasileiro, tendo importado mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários nacionais em 2025, entre os quais se destacam milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis. Na Arábia Saudita, as autoridades sanitárias confirmaram a abertura de mercado para heparina bovina, anticoagulante utilizado em procedimentos e terapias clínicas. O país, com cerca de 34 milhões de habitantes, importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no ano passado, com destaque para milho e para produtos do complexo carnes e do complexo sucroalcooleiro. Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 527 novas oportunidades desde o início de 2023.

MAPA

CARNES

Brasil aumenta exportações das carnes em 38% em cinco anos

Embarques de proteína bovina quase dobraram no período; acordo Mercosul-União Europeia pode diversificar destinos

O Brasil aumentou as exportações do complexo carne em 37,6% em cinco anos, com destaque para a proteína bovina, cujos embarques praticamente dobraram no período. Entre 2021 e 2025, as vendas externas subiram de 6,81 milhões de toneladas para 9,37 milhões de toneladas. Durante o período, as carnes bovina, suína e de aves mantiveram uma crescente ininterrupta: Aves: de 4,24 milhões de toneladas para 4,96 milhões de toneladas (+17%). Bovinos: de 1,56 milhão de toneladas para 3,09 milhões de toneladas (+98%). Suínos: de 1,01 milhão de toneladas para 1,32 milhão de toneladas (+30,7%). O que chama a atenção é o crescimento orgânico nos embarques das carnes de aves, que conta com um mercado com mais capilaridade em relação à proteína bovina. O acordo Mercosul-União Europeia sinaliza um avanço importante para as exportações de carnes do Brasil, o único país do bloco sul-americano a ser capaz de suprir a demanda europeia por proteína animal. O acordo vai impactar positivamente nas exportações, mas não podemos esperar que isso aconteça em 2026 ou 2027. Teremos um resultado bastante expressivo nessa relação com a União Europeia somente a partir do quinto ou sexto ano do acordo.

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FRANGOS & SUÍNOS

Trabalhadores estrangeiros ampliam presença na indústria de suínos brasileira

O número de trabalhadores estrangeiros com vínculo formal em frigoríficos de abate de suínos no Brasil chegou a 19.521 pessoas até 31 de dezembro de 2024, o que representa 15,6% do total de empregos do setor.

Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab-Pr), com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o levantamento, a alta demanda por mão de obra mantém os frigoríficos como um dos principais destinos para trabalhadores imigrantes, consolidando o segmento como importante porta de entrada no mercado formal brasileiro. Entre os estrangeiros empregados na indústria suinícola, os venezuelanos representam 70,3% do total, somando 13.733 trabalhadores. Em seguida aparecem haitianos (4.732), paraguaios (423), argentinos (273) e cubanos (143). De acordo com o Deral, essa composição reflete as recentes ondas migratórias e o perfil de inserção dos imigrantes no mercado regional, principalmente em estados com forte presença da suinocultura. O estado de Santa Catarina lidera em número de estrangeiros empregados formalmente em frigoríficos de suínos, com 11.339 vínculos, o equivalente a 30,6% das vagas do setor. Na sequência, aparecem o Rio Grande do Sul, com 2.659 trabalhadores, e o Paraná, com 2.385. O boletim ressalta que essa concentração acompanha a relevância da Região Sul na cadeia produtiva suinícola nacional, responsável por grande parte da produção e do abate no país. No Paraná, os haitianos são o principal grupo entre os estrangeiros contratados, com 1.012 vínculos (42,2%), seguidos por venezuelanos (878), além de paraguaios, cubanos e senegaleses. Na atividade primária — a criação de suínos —, a presença de trabalhadores estrangeiros é mais reduzida. Em 2024, foram registrados 589 vínculos formais, o que representa 1,7% do total de empregos do segmento. A maior parte desse contingente é formada por paraguaios, venezuelanos e argentinos. O Paraná lidera as contratações, com 218 vínculos, correspondentes a 4% do quadro funcional estadual, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Para o Deral, os números demonstram a importância regional da suinocultura e a necessidade constante de mão de obra para sustentar a produção. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o aumento no número de estrangeiros empregados no setor está diretamente ligado às recentes ondas migratórias motivadas por crises geopolíticas e à capacidade de absorção do setor suinícola, que demanda profissionais em diversas etapas do processo produtivo. Os frigoríficos continuam sendo grandes polos de empregabilidade e integração econômica para imigrantes, contribuindo para o fortalecimento do setor e para a inclusão social de trabalhadores vindos de outros países.

PORTAL DO AGRONEGÓCIO 

Exportações brasileiras de frango devem avançar 4% em 2026

Alta prevista equivale a cerca de 250 mil toneladas em um cenário de maior demanda global

O Brasil deve manter o ritmo de crescimento na produção e nas exportações de carne de frango ao longo de 2026, impulsionado por custos de ração mais favoráveis e por uma demanda global maior. O cenário é considerado positivo para o setor, embora a biossegurança siga como o principal ponto de atenção. Entre os maiores produtores mundiais, a China deve liderar o crescimento em 2026, com alta estimada de 3,1%, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na sequência aparecem Brasil, com expansão prevista de 1,6%, e Estados Unidos, com avanço de 1%. No comércio internacional, o Brasil se destaca entre os exportadores, com aumento projetado de 5,5%, o que representa cerca de 250 mil toneladas adicionais embarcadas. Outro destaque é a China no mercado exportador. O país deve alcançar cerca de 1,2 milhão de toneladas exportadas em 2026, volume que praticamente iguala o da Tailândia, quarta maior exportadora global. Há três anos, os embarques chineses giravam em torno de 500 mil toneladas. Esse avanço reflete ganhos de eficiência e competitividade da indústria chinesa, que tem o Japão e Hong Kong como principais destinos, além de ampliar sua presença em mercados emergentes da Ásia, da Europa e do Oriente Médio. Mesmo assim, o USDA projeta que a China também registre forte aumento nas importações, estimadas em 400 mil toneladas, o maior crescimento entre os principais importadores. Para o Brasil, as projeções indicam aumento de 2% na produção e de 4% nas exportações em 2026, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA. O setor deve ser favorecido por mais um ano de custos de ração controlados, apoiados pelo bom desempenho das safras de grãos. A soja e o milho da primeira safra apresentam resultados positivos, assim como as perspectivas para a safrinha. Com as importações globais de carne de frango estimadas em crescimento de 4,5% em 2026, o ambiente segue favorável para o comércio internacional. O principal desafio permanece sendo a biossegurança, especialmente no controle de eventuais casos de gripe aviária, fator considerado essencial para manter os mercados externos abertos e garantir o aproveitamento das oportunidades ao longo do ano.

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