CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2634 DE 20 DE JANEIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2634 | 20 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Cotação estável no mercado do boi gordo em São Paulo

A semana começou em ritmo lento, com pouca oferta e poucos negócios realizados, mantendo a cotação sem alteração.

Na praça paulista, segundo dados apurados pela Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 318/@, o “boi-China” está valendo R$ 322/@, a vaca gorda é negociada por R$ 302/@ e a novilha está tabelada em R$ 312/@ (todos os preços são brutos, no prazo). As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. Na região Sudeste de Rondônia, com parte dos frigoríficos ainda fora das compras, a cotação permaneceu estável.  As escalas de abate estavam, em média, para nove dias. No atacado de carne com osso, na semana, no varejo, o comportamento foi conforme o esperado: ritmo menor nas vendas, o que resultou em redução dos pedidos de reposição de estoques e, consequentemente, menor giro no atacado com osso. Somado a esse menor volume nas vendas, a oferta também esteve reduzida, o que ocasionou um certo equilíbrio no mercado. A cotação da carcaça casada do boi capão permaneceu estável. Já a do boi inteiro apresentou valorização de 1,6%, ou R$0,35/kg. Entre as fêmeas, a carcaça da vaca registrou alta de 0,7%, ou R$0,15/kg. A da novilha, por sua vez, apresentou recuo de 0,5%, ou R$0,10/kg. Para os próximos dias, a expectativa é de manutenção desse cenário, com poucos pedidos de reposição, uma vez que a segunda quinzena do mês tende a apresentar menor movimento na ponta final. No mercado de carnes alternativas, o movimento foi de queda. A cotação do frango médio caiu 3,6%, ou R$0,25/kg, e a do suíno especial recuou 4,8%, ou R$0,60/kg.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo abre a semana valendo R$ 322/@ em praças importantes

Mesmo com frigoríficos tentando impor compras em níveis menores, a semana anterior terminou com um elemento central: o pecuarista não está com pressa para negociar

O boi gordo iniciou a semana girando em torno de R$ 322/@ em praças estratégicas, refletindo um cenário de preços sustentados pela oferta travada nas fazendas, ao mesmo tempo em que o mercado doméstico dá sinais de consumo mais fraco na segunda metade de janeiro. O resultado é um ambiente típico de “queda de braço”: de um lado, frigoríficos pressionando por recuos; do outro, pecuaristas resistindo e segurando boiadas. O preço na casa de R$ 322/@ aparece como referência em São Paulo para o chamado “boi-China”, enquanto o boi “comum” (sem padrão exportação) opera abaixo disso. Segundo a Scot Consultoria, em São Paulo, as cotações brutas e a prazo foram registradas assim: Boi gordo (comum): R$ 318/@. Boi-China: R$ 322/@. Vaca: R$ 302/@. Novilha: R$ 312/@. Ou seja: o patamar de R$ 322/@ não é um “preço médio do Brasil”, mas sim um valor atrelado a lotes com padrão exportação, que naturalmente puxam a régua para cima em praças mais demandadas. De acordo com Fernando Henrique Iglesias (Safras & Mercado), o mercado físico fechou a semana com predominante acomodação, justamente porque os frigoríficos encontram dificuldade em forçar preços menores, já que há resistência na venda. E existe um fator direto por trás dessa postura no campo: boa condição das pastagens, o que permite ao produtor segurar mais tempo a boiada e escolher melhor o momento de comercialização. A própria Agrifatto reforça esse ponto ao indicar que as condições atuais de pasto favorecem a retenção e, por isso, a pressão de baixa não tem surtido o efeito desejado — pelo menos por enquanto. Um dos pilares que dá suporte ao boi gordo neste início de ano é o desempenho do mercado externo, que continua ajudando a manter a demanda firme. Iglesias destaca que a exportação permanece aquecida, com atenção especial para o mercado norte-americano. O ponto de alerta, porém, é que a cota do Brasil já foi preenchida: 52 mil toneladas. Mesmo assim, a avaliação no material é que a demanda dos EUA pode continuar aquecida em um ano em que a produção segue abaixo do necessário para consumo. A análise das consultorias – Agrifatto e Scot Consultorias – é mais direta: há perspectiva clara de retração nas vendas de carne bovina na segunda metade de janeiro, influenciada por gastos típicos do início de ano e pelo esgotamento do salário. Isso pode gerar mais dificuldade para o pecuarista sustentar os preços no curtíssimo prazo.  No atacado, o Safras&Mercado também registrou acomodação, e chamou atenção para um posto-chave na formação do consumo: Quando o orçamento aperta, o consumidor tende a migrar para proteínas mais baratas. Na primeira quinzena, as proteínas concorrentes tiveram queda forte, aumentando a disputa por espaço no prato. Entre os preços do atacado informados: Quarto traseiro: R$ 26,40/kg. Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg. Ponta de agulha: R$ 17,50/kg. Além do físico, o mercado futuro também contribui para o sentimento de curto prazo. A Agrifatto aponta que, na B3, o contrato de janeiro/26 fechou em R$ 317,50/@, com leve queda de 0,11%. Isso não significa “virada de ciclo”, mas mostra que o mercado também enxerga limites para altas imediatas, principalmente nesse período de segunda quinzena. O mercado do boi gordo, hoje, está desenhando um caminho bem típico para janeiro: Preço firme em praças fortes, principalmente com boi-China valorizado. Negócios lentos, porque o pecuarista resiste. Frigorífico testando recuos, mas com dificuldade de “enquadrar” o campo. Risco de pressão caso o consumo interno “desarme” na segunda quinzena. O boi está sustentado, mas não está livre de correções no curto prazo. Quem tem boi padrão e não precisa vender, pode tentar esticar. Quem está com boi no limite ou custo alto, tende a aproveitar o mercado firme.

COMPRE RURAL/ SAFRAS & MERCADO

Carne bovina em 2026: oferta global mais apertada, preços sustentados e Brasil no centro do jogo

O mercado global de carne bovina entra em 2026 sob um cenário de menor oferta, maior volatilidade e reposicionamento estratégico dos grandes exportadores. De acordo com o Global Animal Protein Outlook 2026, do Rabobank, a carne bovina será a proteína animal com maior contração de produção no mundo no próximo ano, em contraste com o avanço de aves e aquacultura.

Esse movimento tende a sustentar preços elevados e reforçar o papel do Brasil como principal fornecedor global, mesmo em meio à virada do ciclo pecuário interno. Após seis anos consecutivos de crescimento, 2026 marcará a primeira retração da produção global de proteínas terrestres, com a carne bovina liderando essa queda. A redução será puxada principalmente por Estados Unidos e Canadá, ainda em fase de reconstrução do rebanho após anos de liquidação; Brasil, que inicia uma reversão do ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas; China, que encerra um período de liquidação de rebanho bovino e passa a produzir menos carne. Com isso, o Rabobank projeta um aperto estrutural da oferta global de carne bovina, o que mantém pressão altista sobre os preços, especialmente nos mercados importadores tradicionais.  Na América do Norte, o cenário é claro: menos oferta e preços historicamente altos. O rebanho de vacas de corte nos EUA caiu por seis anos consecutivos, e embora haja sinais iniciais de retenção de novilhas, a recuperação será lenta. A produção de carne bovina nos EUA já atingiu o pico em 2022 e segue em trajetória de queda. O consumo interno permanece resiliente, mesmo com preços elevados. As importações aumentaram em 2025 para compensar a falta de produto, mas tendem a se estabilizar em 2026. As exportações norte-americanas caem, abrindo espaço para fornecedores como Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Esse conjunto de fatores consolida a carne bovina como proteína premium no mercado norte-americano. Na União Europeia, a produção de carne bovina deve se estabilizar, enquanto o Reino Unido segue em leve retração. O bloco enfrenta: Redução estrutural do rebanho; Pressões ambientais e regulatórias; Limitações para ampliar a produção no curto prazo. Com isso, a UE tende a manter forte demanda por carne importada, beneficiando exportadores do Mercosul, mesmo que o impacto inicial do acordo UE–Mercosul em 2026 seja considerado moderado. A China, hoje responsável por cerca de 30% do consumo de carne bovina via importações, entra em uma fase de ajuste. Após dois anos de liquidação de rebanho, a produção doméstica deve cair levemente em 2026. O relatório aponta que: Os preços internos devem subir; O consumo no varejo segue resiliente; as importações devem recuar entre 2% e 3%, não por falta de demanda, mas por restrição de oferta global e preços mais altos. Mesmo assim, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo mais da metade das exportações do país. O Brasil entra em 2026 em um momento estratégico. Após quatro anos de crescimento da produção, o país inicia a fase de retenção de fêmeas, sinalizando a virada do ciclo pecuário. Produção em queda… O Rabobank projeta que a produção brasileira de carne bovina caia entre 5% e 6% em 2026, atingindo cerca de 10,5 milhões de toneladas, reflexo direto da retenção de animais para recomposição do rebanho. …mas exportações em alta. Mesmo com menor produção, o Brasil deve alcançar um novo recorde de exportações, estimado em 4,4 milhões de toneladas, consolidando-se como: Maior exportador mundial de carne bovina; principal fornecedor da China; alternativa estratégica para mercados com oferta limitada, como EUA e Europa. Esse desempenho é sustentado por: Demanda global firme; Câmbio favorável; Menor concorrência internacional, especialmente dos EUA. A consequência desse cenário é uma queda no consumo doméstico, estimada entre 8% e 9%, com os consumidores migrando para proteínas mais acessíveis, como frango e suíno — tendência comum em toda a América Latina. Ainda assim, o relatório destaca que eventos pontuais, como a Copa do Mundo de Clubes e o ciclo eleitoral brasileiro em 2026, podem gerar estímulos temporários ao consumo. O que esperar do preço da carne bovina em 2026? Com a combinação de: Oferta global mais curta, Produção em queda nos principais polos, Demanda internacional ainda sólida, o Rabobank projeta que os preços da carne bovina permaneçam elevados ao longo de 2026, com menor volatilidade do que em ciclos anteriores, mas sem espaço para quedas significativas no curto prazo. A carne bovina tende a: Continuar perdendo espaço no consumo de massa; reforçar sua posição como proteína de maior valor; Depender cada vez mais de eficiência produtiva, gestão de risco e acesso a mercados. O ano de 2026 marca um ponto de inflexão para a carne bovina global. Em um mundo com menos oferta, mais riscos sanitários, pressão regulatória e consumidores sensíveis a preço, o Brasil surge como peça-chave do equilíbrio global, mesmo produzindo menos. Para produtores, indústrias e formuladores de estratégia, o recado do Rabobank é claro: não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, acessar mercados e gerenciar ciclos em um ambiente cada vez mais volátil.

RABOBANK/BEEFPOINT 

ECONOMIA

Dólar acompanha exterior e tem leve baixa em dia de liquidez menor

Em uma sessão de liquidez reduzida em função de feriado nos Estados Unidos, o dólar fechou a segunda-feira com leve viés de baixa ante o real, em sintonia com o sinal negativo visto também no exterior, após novas ameaças tarifárias do governo Trump contra a Europa terem pressionado a moeda norte-americana.

O dólar à vista encerrou o dia em leve baixa de 0,16%, aos R$5,3647. No ano, a divisa acumula queda de 2,26%. Às 17h03, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,10% na B3, aos R$5,3810, tendo movimentado apenas cerca de 90 mil contratos, bem menos que a média para o horário. O feriado do Dia de Martin Luther King manteve a bolsa fechada nos Estados Unidos, o que reduziu a liquidez ao redor do mundo, incluindo nos mercados de moedas. No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de aplicar novas tarifas comerciais sobre produtos de oito países europeus, até que os norte-americanos tenham permissão para comprar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca. No domingo, embaixadores da União Europeia disseram que preparam medidas de retaliação aos EUA. Neste cenário, os investidores globais procuraram nesta segunda-feira a proteção de outras moedas fortes, como o franco suíço, o euro e a libra, em detrimento do dólar. Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 99,067. “O dólar (DXY) cai globalmente por um pouco de correção e um pouco (de) reflexo deste movimento do (presidente) Trump, que vai minando aos poucos os EUA como referência”, disse Bruno Perri, economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, em comentário escrito. No Brasil, após marcar a cotação máxima intradia de R$5,3831 (+0,18%) às 9h06, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,3458 (-0,51%) às 13h17. No fim da manhã, sem efeitos maiores nas cotações, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao portal UOL que iniciou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu papel nas eleições de 2026, mas que os dois ainda não chegaram a um consenso. Haddad também disse que o governo discute a ampliação do poder de fiscalização do Banco Central sobre os fundos, incorporando atribuições que hoje são da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e criticou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Segundo ele, o atual comandante da autarquia, Gabriel Galípolo, herdou problemas como a fraude no Banco Master.

REUTERS

Ibovespa fecha quase estável e com volume reduzido em pregão sem EUA

O Ibovespa fechou quase estável na segunda-feira, em pregão com agenda macro esvaziada e feriado nos Estados Unidos, o que reduziu o volume de negócios no pregão.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação positiva de 0,03%, a 164.849,27 pontos, após marcar 164.264,75 na mínima e 165.154,76 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$12,6 bilhões, de uma média diária de quase R$31 bilhões no mês até agora – que foi puxada principalmente pelo pregão da última quarta-feira, com vencimento de opções sobre o Ibovespa. Também na semana passada o Ibovespa renovou máximas históricas, ultrapassando os 166 mil pontos no melhor momento da sessão de quinta-feira pela primeira vez na sua história. De acordo com o analista Nícolas Merola, da EQI Research, a bolsa paulista teve um pregão morno com o feriado nos Estados Unidos, que, além de servir como um “timão”, afeta os volumes em outros mercados no mundo. “As bolsas ao redor do mundo tendem a ficar com menos volume (com o ferido nos EUA) e aqui no Brasil não foi diferente”, acrescentou, observando também uma dispersão de performances entre as ações do Ibovespa bem baixa. As bolsas norte-americanas ficaram fechadas na segunda-feira em razão do feriado do Dia de Martin Luther King Jr., mas, na Europa, o índice STOXX 600 fechou em queda de 1,19%, em meio à escalada da tensão envolvendo a Groenlândia. O presidente Donald Trump prometeu no sábado aplicar tarifas comerciais adicionais sobre aliados europeus até que os EUA tenham permissão para comprar a ilha da Dinamarca. Países da União Europeia criticaram as ameaças e avaliam uma resposta.

REUTERS

Analistas reduzem projeção de inflação este ano pela 2ª vez, a 4,02%

Analistas consultados pelo Banco Central reduziram pela segunda vez seguida a projeção para a inflação este ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira.

A estimativa para a alta do IPCA em 2026 agora é de 4,02%, contra 4,05% na semana anterior. Para 2027, permanece a expectativa de uma inflação de 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento foram mantidas em 1,80% tanto para este ano quanto para o próximo. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda manutenção na perspectiva de que a taxa básica de juros terminará 2026 a 12,25% e 2027 a 10,50%. Eles seguem vendo manutenção da Selic nos atuais 15% na reunião de política monetária de janeiro, com o início dos cortes em março, com 0,50 ponto percentual.

REUTERS

FMI eleva projeção de crescimento global em 2026 com boom de IA

O Brasil foi um caso atípico notável na tendência de melhoria, com uma redução de 0,3 ponto percentual em sua taxa de crescimento de 2026, para 1,6%. Autoridades do FMI disseram que o corte na perspectiva para este ano ocorreu principalmente pela política monetária restritiva para conter a inflação elevada no ano passado.

O Fundo Monetário Internacional elevou novamente sua previsão de crescimento global para 2026 na segunda-feira, à medida que as empresas e as economias se adaptam às tarifas dos Estados Unidos e a um contínuo boom de investimentos em IA, que alimentou os ganhos de ativos e as expectativas de aumentos de produtividade. O FMI, em sua atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, previu um crescimento do PIB global de 3,3% em 2026, um aumento de 0,2 ponto percentual em relação à sua última estimativa, de outubro. Isso se iguala ao crescimento de 3,3% em 2025, que também superar a estimativa de outubro em 0,1 ponto percentual, disse o FMI. O Fundo previu um crescimento de 3,2% em 2027, sem alteração em relação à previsão anterior. Ele vem revisando as taxas de crescimento global para cima desde julho passado, em resposta aos acordos comerciais que reduziram as tarifas do presidente Donald Trump, que atingiram o pico em abril de 2025. “Descobrimos que o crescimento global continua bastante resiliente”, disse o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, a repórteres, acrescentando que as previsões de crescimento do Fundo para 2025 e 2026 agora superam as previsões feitas em outubro de 2024, antes de Trump ser eleito para um segundo mandato. “Portanto, de certa forma, a economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifárias de 2025 e está se saindo melhor do que esperávamos antes de tudo começar”, disse Gourinchas. Ele disse que as empresas conseguiram se adaptar às tarifas mais altas dos EUA redirecionando as cadeias de oferta, enquanto os acordos comerciais reduziram algumas tarifas e a China transferiu as exportações para mercados fora dos EUA. As últimas previsões do FMI pressupõem uma taxa tarifária efetiva de 18,5% dos EUA, ante cerca de 25% na previsão de abril de 2025 do Fundo. O FMI estimou o crescimento dos EUA para 2026 em 2,4%, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação a outubro, devido, em parte, ao impulso do investimento em infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers, chips poderosos de IA e energia. O FMI reduziu sua previsão de crescimento para 2027 em 0,1 ponto, para 2,0%. O FMI também disse que o investimento em tecnologia está impulsionando a atividade na Espanha, que viu um aumento de 0,3 ponto percentual em sua previsão do PIB para 2026, a 2,3%, e no Reino Unido, onde o FMI manteve sua previsão em 1,3% para 2026. Gourinchas disse que o boom da IA apresenta riscos de aumento da inflação se continuar em seu ritmo alucinante. Mas ele acrescentou que, se as expectativas de ganhos de produtividade e lucros impulsionados pela IA não se concretizarem, isso poderá desencadear uma correção nas altas avaliações do mercado, o que poderá reduzir a demanda. O relatório do FMI lista a IA como um dos riscos negativos, juntamente com os problemas nas cadeias de oferta e nos mercados decorrentes de tensões geopolíticas, bem como novos surtos de tensões comerciais. Uma decisão da Suprema Corte contra as tarifas impostas por Trump sob uma lei de sanções emergenciais, esperada para os próximos dias ou semanas, “injetaria outra dose de incerteza na política comercial da economia global” se Trump ressuscitar novas tarifas sob outras leis comerciais, disse Gourinchas. No entanto, o FMI disse que a IA representa uma vantagem significativa para a economia global se o aumento dos investimentos levar a uma rápida adoção e se os ganhos de produtividade forem realizados e impulsionarem o dinamismo e a inovação das empresas.

Como resultado, o crescimento global poderá ser elevado em até 0,3 ponto percentual em 2026 e entre 0,1 e 0,8 ponto percentual por ano no médio prazo, dependendo da velocidade da adoção e das melhorias na prontidão da IA em todo o mundo. O FMI afirmou que, em nível global, a previsão é de que a inflação continue a cair, passando de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026 e 3,4% em 2027. Gourinchas disse que isso deixa espaço para uma política monetária mais acomodatícia que ajudará a sustentar o crescimento.

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Faturamento real da indústria cresce 1,2% em novembro após três quedas consecutivas, diz CNI

Por outro lado, emprego mantém trajetória de retração com seu terceiro mês seguido de queda

O faturamento real da indústria cresceu 1,2% em novembro sobre outubro, na série com ajuste sazonal, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de queda. As informações são do levantamento Indicadores Industriais, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço do faturamento foi de 0,3%. Em outubro, por sua vez, havia registrado queda de 2,7%. Já o emprego industrial segue caindo pelo terceiro mês consecutivo. Em novembro, a queda foi de 0,2% sobre outubro, na série dessazonalizada. A queda foi acentuada a partir de setembro e, de lá para cá, acumula retração de 0,6%. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a crescente perda de ritmo da atividade industrial fez o emprego perder força no setor, mas esse impacto não é sentido de forma imediata. “Demitir e recontratar é custoso para a indústria, entre outros fatores, porque a mão de obra na indústria requer qualificação, muitas vezes realizada dentro da própria empresa. Assim, somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado”, afirma Azevedo. Apesar do desempenho negativo recente, a CNI destaca que o indicador de emprego ainda registra alta de 1,7% entre janeiro e novembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024. O número de horas trabalhadas na indústria acompanhou o cenário desfavorável para o emprego e recuou 0,7% em novembro, na margem. O índice vinha de duas altas consecutivas de 0,3% nos meses anteriores. No acumulado do ano, o indicador apresenta crescimento de 0,9% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024. Segundo a CNI, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 0,6 ponto percentual em novembro, na série com ajuste, passando de 78,1% para 77,5%. A UCI registrada em novembro de 2025 ficou 2,4 pontos percentuais abaixo do nível observado em novembro de 2024. Massa salarial A massa salarial da indústria cresceu 1,5% em novembro, sobre outubro, no dado dessazonalizado, após quatro meses consecutivos de queda. Antes do avanço, o indicador acumulava retração de 1,4%. No acumulado do ano, porém, a massa salarial registra queda de 2,3%, em relação ao mesmo período de 2024. O rendimento médio dos trabalhadores industriais também interrompeu uma sequência de quatro quedas consecutivas e avançou 1,6% em novembro na comparação dessazonalizada com outubro, segundo a confederação. Apesar da alta mensal, o rendimento médio ainda acumula retração de 4% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Suinocultura encerra o ano com margens positivas

Conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Os preços do suíno vivo fecharam o ano em patamar estável, enquanto abates, produção, exportações e consumo alcançaram níveis recordes. O conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA. No mercado interno, o suíno vivo encerrou o ano cotado em torno de R$ 8,90 por quilo no estado de São Paulo, referência nacional. A estabilidade marcou praticamente todo o quarto trimestre. Mesmo com o aumento do volume abatido, o mercado seguiu equilibrado, sustentado pela demanda externa aquecida e por um período mais favorável ao consumo no mercado doméstico. A firmeza nos preços das demais proteínas também contribuiu para esse cenário. Nas exportações, após um desempenho mais moderado em novembro, quando os embarques somaram 92 mil toneladas, dezembro apresentou forte reação, com 118,6 mil toneladas exportadas, alta de 25,6% na comparação com dezembro de 2024. Com isso, o quarto trimestre fechou com crescimento de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, as exportações de carne suína avançaram 12% em relação a 2024, atingindo volume recorde de 1,5 milhão de toneladas. Do lado da oferta, os abates no quarto trimestre cresceram cerca de 3%, com dezembro em nível semelhante ao do ano anterior. No total de 2025, a alta estimada é de 3,5%. O maior peso das carcaças impulsionou a produção de carne suína, que cresceu 4,7% e alcançou um novo recorde próximo de 5,6 milhões de toneladas. Esse volume permitiu que o consumo doméstico também atingisse o maior nível da série histórica, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas absorvidas pelos consumidores brasileiros ao longo do ano. Com margens médias de produção em torno de 25% em 2025, o maior nível registrado em cerca de 20 anos, o desempenho do setor confirma 2025 como um dos melhores anos da história da suinocultura no Brasil.

O PRESENTE RURAL/ITAÚ BBA 

Produção suína da China salta 7% no 4º trimestre com aceleração de abates

Análise sobre a produção suína da China, que saltou 7% no 4º trimestre com um total de 15,7 milhões de toneladas produzidas

A China, maior consumidora e produtora mundial de carne suína, encerrou 2025 com um movimento agressivo de liquidação de plantel. Dados governamentais divulgados nesta segunda-feira mostram que a produção de carne suína disparou 7% no quarto trimestre (outubro a dezembro) em comparação ao ano anterior, atingindo 15,7 milhões de toneladas, o maior volume para o período desde 2018. Esse aumento não reflete uma demanda aquecida, mas sim uma crise de excesso de capacidade. Com os preços em queda livre (o suíno à vista estava cotado a 12,6 yuans/kg nesta segunda, contra 15,4 yuans um ano atrás), os produtores aceleraram o abate para estancar prejuízos e reduzir o tamanho dos rebanhos. No total de 2025, a China abateu 719,73 milhões de suínos (+2,4%), gerando uma produção anual recorde de 59,38 milhões de toneladas (+4,1%). Para tentar equilibrar o mercado, as autoridades de Pequim intensificaram a intervenção direta no setor. O governo está pressionando as grandes empresas a reduzirem o número de matrizes reprodutoras e a restringir o acesso a crédito e subsídios que estimulavam a superprodução. Além disso, há uma diretriz técnica para que o peso dos suínos no abate seja mantido em torno de 120 kg, evitando carcaças muito pesadas que aumentariam ainda mais a oferta de carne. Ironicamente, mesmo com todo esse esforço de abate, o rebanho suíno chinês ao final de dezembro ainda registrou um leve aumento de 0,5%, totalizando 429,67 milhões de cabeças, o que demonstra a dificuldade de ajustar esse gigante produtivo. Segundo Pan Chenjun, analista do Rabobank, a “ressaca” vai durar: os preços podem cair ainda mais brevemente após o Festival da Primavera, com uma recuperação prevista apenas para o final do segundo trimestre ou início do terceiro trimestre de 2026, quando a redução de matrizes finalmente impactar a oferta disponível.

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