CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2631 DE 15 DE JANEIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2631 | 15 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Em São Paulo, o mercado do boi gordo esteve estável em meio a pressão e resistência

Não houve alterações nas cotações das diferentes categorias, mas o mercado do boi gordo operou em um ambiente de “queda de braço”.

Na praça paulista, conforme apuração da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 318/@, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha são negociados por R$ 322/@, R$ 302/@ e R$ 312/@, respectivamente (todos os preços são brutos, no prazo). Não houve alterações nas cotações das diferentes categorias, mas o mercado do boi gordo operou em um ambiente de “queda de braço”. Apesar de o escoamento da carne ter sido considerado satisfatório para o período, a oferta seguiu atendendo à demanda e manteve escalas confortáveis em alguns frigoríficos, que passaram a testar preços mais baixos. A ponta vendedora, por outro lado, permaneceu resiliente quanto à entrega a preços menores e cadenciou a oferta de boiadas. Diante disso, frigoríficos que ofertaram preços abaixo da referência e não possuíam parcerias enfrentaram dificuldades para adquirir boiadas e formar escalas, enquanto aqueles com programações mais curtas seguiram negociando dentro da cotação vigente. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias. Em Alagoas, após o recuo de R$4,00/@ no preço do boi gordo no dia anterior (13/1), o mercado operou com estabilidade nas cotações para todas as categorias. No Rio de Janeiro, na comparação diária, não houve alterações nas cotações de todas as categorias. Com isso, o preço do boi gordo completou oito dias consecutivos de estabilidade, enquanto os preços da vaca e da novilha chegaram a seis dias estáveis. Mesmo assim, o mercado sinalizou uma oferta com maior dificuldade para suprir a demanda, e uma pressão altista começou a sondar a praça.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo despenca em Mato Grosso do Sul

O mercado físico do boi gordo apresenta tentativas de compra em patamares mais baixos em determinados estados brasileiros, a exemplo de Mato Grosso, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

“Em Minas Gerais, São Paulo, Pará e Goiás a acomodação ainda é dominante. O que suprime movimentos mais contundentes de queda é a boa capacidade de retenção dos pecuaristas em função da boa condição das pastagens”, aponta o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a geopolítica global segue agitada no início do ano com os Estados Unidos anunciando que vão tarifar em 25% qualquer país que negociar com o Irã, o que pode mais uma vez impactar as exportações de carne bovina. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 320,33 — ontem: R$ 320,00. Goiás: R$ 311,43 — R$ 312,50. Minas Gerais: R$ 312,94 — R$ 313,53. Mato Grosso do Sul: R$ 306,93 — R$ 311,84. Mato Grosso: R$ 294,16 — R$ 296,86. O mercado atacadista apresenta preços acomodados. No entanto, como indica Iglesias, o viés ainda é de baixa dos preços no curtíssimo prazo. “Durante a segunda quinzena do mês, com a demanda menos aquecida os preços tendem a recuar, com a população priorizando o consumo de proteínas mais acessíveis, esse é o padrão comum de consumo previsto para o primeiro trimestre.” Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 26,40 por quilo; Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 19,00 por quilo; Ponta de agulha: permanece a R$ 17,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Exportação de couro cresce em dezembro 6,3% em volume, mas faturamento anual cai 10,1%

A queda do faturamento com a exportação, apesar do maior volume de vendas é explicada pela menor participação do couro com maior valor agregado.

As exportações de dezembro atingiram um volume recorde de 63,3 mil toneladas, volume 26,6% maior que o de dezembro de 2024 (50 mil toneladas) e 4,8% maior que o de novembro de 2025 (60,4 mil toneladas). Em 2025 a exportação foi de 633,6 mil toneladas, um aumento de 6,3% sobre 2024. Contudo, o faturamento em dezembro foi de US$ 95,4 milhões, 6,5% maior que em dezembro de 2024 e 0,03% menor que o de novembro de 2025. Em 2025, a receita foi de US$ 1,1 bilhão, uma redução de 10,1% na comparação com 2024. Ao longo de todos os meses de 2025, a receita permaneceu abaixo da observada nos mesmos meses de 2024, com exceção de dezembro. A discrepância entre volume e receita decorre de uma mudança na composição do material exportado. Com um menor volume de couros com maior valor agregado – couro acabado, wet-blue, semiacabado e crust. Essa alteração na estrutura das exportações repercutiu no faturamento, que foi menor principalmente nas categorias de wet-blue, semiacabado e acabado. Os preços médios por tipo de couro em dezembro e suas variações em relação a novembro foram: Couro salgado inteiro: R$0,46/kg (queda de 2,9%). Couro salgado carnal: R$0,52/kg (alta de 9,2%).  Wet-blue: R$0,97/kg (alta de 1,0%). Semiacabado: R$0,94/kg (queda de 2,6%). Crust: R$9,16/kg (queda de 4,0%). Acabado: R$10,94/kg (queda de 6,2%). No mercado interno, a cotação do couro bovino não muda há quatro meses. A tendência de estabilidade se mantém neste início do ano. Na região Centro-Oeste, o couro verde de primeira linha foi negociado por R$ 0,60/kg, enquanto o couro comum esteve cotado em R$ 0,50/kg. Os preços são para pagamento à vista e livres de impostos. Isso mostra a significativa diferença de valor agregado entre as etapas do curtimento. Enquanto o couro verde no mercado interno é transacionado por R$ 0,50/kg, o couro acabado para exportação alcança R$10,94/kg. O preço do couro processado é, portanto, 21,9 vezes maior que a da matéria-prima inicial, o que mostra o impacto do beneficiamento e corrobora com a análise acima sobre a receita das exportações ser determinada pela composição dos produtos exportados.

SCOT CONSULTORIA

Imea destaca salto de quase 30% nas exportações de carne bovina de MT em 2025

Estado abate 7,46 milhões de cabeças; intensificação e genética elevam participação de animais jovens

Mato Grosso encerrou 2025 com marca histórica nas exportações de carne bovina. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o volume subiu 28,86% ante 2024 e alcançou 978,41 milhões de toneladas em equivalente carcaça (TEC). A receita somou US$ 4,11 bilhões, alta de 53,82%. O preço médio foi de US$ 4.201,24 por tonelada, o segundo maior da série história. A China respondeu por 536,96 milhões de TEC, avanço de 52,69. O estado também registrou maior volume de abates no ano, totalizando 7,46 milhões de cabeças, incremento de 1,44% sobre 2024. O impulso veio da maior oferta de animais terminados em sistemas intensivos e da demanda externa. “Batemos recorde em abates e em exportação. Isso mostra a força da pecuária de Mato Grosso e a diversificação de mercados, com Chile, Rússia e países do Oriente Médio”, afirma Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea. Os abates de animais jovens (até 24 meses) somaram 3,22 milhões de cabeças, alta de 17,55% no ano. A participação desses animais chegou a 43,24% do total. “As categorias mais jovens ganharam espaço, refletindo intensificação, melhoramento genético e nutrição”, afirma Rodrigo. No curto prazo, as escalas de abate recuaram 11,60% e ficaram em 13,31 dias. O ajuste acompanha a maior oferta recente e o ritmo industrial. “A demanda segue robusta, mas a oferta ainda é elevada. O equilíbrio deve vir em 2026, com reflexos na reposição”, avalia. O boletim do Imea registra ainda queda semanal de 1,11% na arroba do boi gordo a prazo e de 0,42% na da vaca gorda. “Mesmo com exportação forte e consumo doméstico em alta, os preços não subiram como esperado devido à oferta. A qualidade do rebanho e o acesso a novos mercados sustentam o cenário”, finaliza.

REUTERS

ECONOMIA 

Dólar supera R$5,40 em dia de ruído sobre vistos de brasileiros e pesquisa eleitoral

O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, novamente acima dos R$5,40, na contramão do recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão marcada pela suspensão do processamento dos vistos de brasileiros pelos EUA e por nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest.

O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,47%, aos R$5,4012. No ano, a divisa acumula queda de 1,60%. Às 17h22, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,37% na B3, aos R$5,4160. Divulgada pouco depois das 10h, a pesquisa mostrou que, em um dos cenários estimulados para o primeiro turno, Lula tem 36% das intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 9%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Nas simulações de segundo turno, Lula vence Tarcísio por 44% a 39% e supera Flávio por 45% a 38%. A pesquisa mostrou ainda que a avaliação do governo Lula variou dentro da margem de erro do levantamento. O percentual dos que têm uma avaliação negativa do governo passou de 38% para 39%, enquanto os que enxergam a gestão positivamente foram de 34% para 32%. O levantamento trouxe pouca volatilidade para o dólar, que seguiu próximo da estabilidade até que a Fox News informou, no fim da manhã, que os Estados Unidos vão suspender o processamento de vistos para brasileiros, dentro de uma medida mais ampla que atinge ao todo 75 países. A notícia foi mal-recebida. “Mesmo que não afete o fluxo (de dólares para o Brasil), a história dos vistos pegou no câmbio”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Passado o impacto inicial, o dólar devolveu os ganhos e voltou a oscilar abaixo dos R$5,40. Durante a tarde, no entanto, a moeda recuperou algum fôlego, até encerrar pouco acima dos R$5,40. O movimento contrastou com o exterior, onde o dólar cedia ante boa parte dos pares do real, como o peso chileno e o peso mexicano, além de ceder em relação às moedas fortes. As tensões geopolíticas envolvendo a Groenlândia e o Irã também seguiram no radar, assim como declarações de autoridades do Federal Reserve sobre o futuro dos juros nos EUA.

REUTERS

Ibovespa fecha acima de 165 mil pontos pela 1ª vez; Vale dispara quase 5%

Após duas quedas seguidas, o Ibovespa avançou quase 2% na quarta-feira, renovando máximas históricas, em movimento puxado principalmente por blue chips, com destaque para as ações da Vale, que dispararam cerca de 5%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,96%, a 165.145,98 pontos, novo recorde de fechamento, tendo marcado 165.146,49 pontos na máxima — novo topo intradia — e 161.974,19 pontos na mínima. O volume financeiro somou R$65,5 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa. O Ibovespa titubeou brevemente no final da manhã, em meio a pesquisa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na frente na corrida presidencial e decisão dos EUA de suspender o processamento de vistos de vários países, incluindo o Brasil. Mas retomou o fôlego rapidamente, renovando máximas. O Ibovespa tocou os 165 mil pontos em dezembro do ano passado, mas nunca tinha fechado em tal patamar. Perspectivas de queda da Selic, bem como um cenário externo considerado favorável a mercados emergentes, principalmente pelo alívio monetário nos Estados Unidos, estão entre as razões para estrategistas seguirem “overweight” em Brasil. Os primeiros pregões de 2026 também têm registrado entrada líquida de capital externo para as ações brasileiras, com dados da B3 mostrando um saldo positivo de R$2 bilhões até o dia 12. A performance da bolsa paulista descolou de Wall Street, que costuma ser um referencial relevante. O S&P 500 fechou em baixa de 0,53%, em meio a uma bateria de dados econômicos dos Estados Unidos e resultados de bancos.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial negativo de US$671 mi em janeiro até dia 9, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$671 milhões em janeiro até o dia 9, em movimento puxado pela via comercial, informou na quarta-feira o Banco Central.

Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$416 milhões em janeiro até o dia 9. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, o saldo de janeiro até o dia 9 foi negativo em US$1,087 bilhão. Na semana passada, de 5 a 9 de janeiro, o fluxo cambial total foi negativo em US$1,696 bilhão.

REUTERS

EMPRESAS 

Justiça acata ação contra comitês que atuaram na fusão entre BRF e Marfrig

Abraicc acusa integrantes de comitês independentes de terem relações duradouras com as empresas

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acatou uma ação civil pública movida pela Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc) contra membros dos comitês independentes que avaliaram a fusão entre Marfrig e BRF, que criou a MBRF. A ação questiona a independência dos integrantes dos comitês e os cálculos realizados. O Ministério Público atuará como coautor da ação, em conjunto com a associação. Os réus da ação terão prazo de 15 dias para apresentar a defesa. Na ação, a Abraicc alega que, dentre os associados à entidade, há acionistas originalmente da BRF “que foram prejudicados na incorporação das ações da BRF pela Marfrig”, pois na fusão teria sido aprovada a “pior condição econômica para os acionistas da BRF”. A relação de troca de ações foi estabelecida de forma que quem detinha uma ação da BRF poderia trocá-la por R$ 0,8521 ação da Marfrig. A Abraicc diz na ação que foi criado um comitê em cada frigorífico, mas que, “apesar de as companhias terem divulgado que todos os membros dos seus comitês eram independentes, seus membros, na realidade, possuem relações duradouras com a BRF, Marfrig e/ou seu controlador, situação que viola os requisitos de independência”. Procurada pela reportagem, a MBRF disse em nota que não é parte na ação, que se dirige aos membros dos comitês independentes envolvidos na análise da operação. “A empresa reforça que o processo de fusão entre Marfrig e BRF foi conduzido com máxima transparência e em conformidade com as normas vigentes. Os pontos alegados já foram amplamente examinados pelas instâncias competentes, incluindo órgãos reguladores como a CVM [Comissão de Valores Mobiliários], e foram objeto de apreciação pelo Poder Judiciário no ano passado, não apresentando inconformidades”, disse a companhia.

VALOR ECONÔMICO

GOVERNO

BNDES desembolsou R$ 30,8 bilhões no primeiro semestre do Plano Safra 25/26

Instituição aprovou mais de 105 mil operações indiretas. No segundo semestre da safra, até junho deste ano, o BNDES ainda tem outros R$ 20,1 bilhões disponíveis para contratação em programas do Plano Safra

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou na terça-feira (13/1) que desembolsou R$ 30,8 bilhões no primeiro semestre do Plano Safra 2025/26. De julho a dezembro do ano passado, a instituição aprovou mais de 105 mil operações indiretas, com repasse de R$ 26,4 bilhões em financiamentos de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), as linhas tradicionais com equalização da União, principalmente para investimentos. Outros R$ 4,4 bilhões foram contratados na linha com recursos próprios e a juros livres. No segundo semestre da safra, até junho deste ano, o BNDES ainda tem outros R$ 20,1 bilhões disponíveis para contratação em programas do Plano Safra com recursos equalizáveis pelo governo federal. Mais da metade é destinada ao público da agricultura empresarial. No início da safra 2025/26, o BNDES recebeu R$ 39,7 bilhões para operacionalização de linhas com recursos equalizáveis. Desses, R$ 24,1 bilhões poderiam ser utilizados entre julho e dezembro de 2025, de acordo com uma medida adotada pelo governo nesta temporada para distribuir a aplicação dos valores em dois períodos. A iniciativa garantiu espaço orçamentário para o anúncio do Plano Safra, uma vez que limitou o montante que poderia ser emprestado com o subsídio federal em cada ano. A previsão do BNDES é desembolsar até R$ 70 bilhões na safra 2025/26. Além dos quase R$ 40 bilhões com recursos equalizáveis, sendo R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 13,4 bilhões para a agricultura familiar, a instituição disponibilizou R$ 30,3 bilhões na linha BNDES Crédito Rural, que tem recursos próprios e juros livres.

GLOBO RURAL

Governo quer ter árabes como sócios em recuperação de pastos

Em fevereiro, missão do Ministério da Agricultura no Oriente Médio vai propor a fundos a compra de participação minoritária em Fiagros

Nos últimos três anos, governo tem estudado opções para atrair recursos para o programa, que tem como ambição transformar 40 milhões de hectares degradados — Foto: Globo Rural

O Ministério da Agricultura pretende apresentar em fevereiro a fundos soberanos árabes uma proposta de investimento em terras no Brasil para apoiar a conversão de pastagens para áreas agrícolas. Como a propriedade de terras por estrangeiros é limitada no Brasil, a ideia é que os investidores estrangeiros possam entrar como cotistas minoritários de fundos de investimento no agronegócio (Fiagros) e se associar a proprietários brasileiros. O Banco do Brasil deverá desenhar a proposta em conjunto com a Pasta. O ministério quer criar uma alternativa para a atração de capital estrangeiro para financiar as ações do programa Caminho Verde Brasil, de recuperação de pastagens degradadas. Nos últimos três anos, o governo tem estudado opções para atrair recursos para o programa, que tem como ambição transformar 40 milhões de hectares degradados — o equivalente, hoje, a metade do total de pastos degradados no país — em áreas de agricultura ou floresta. O desafio é encontrar um grande volume de recursos e a baixo custo, uma vez que a conversão de áreas degradadas é cara, e os recursos oferecidos atualmente com subvenção do Tesouro Nacional são escassos. As conversas ainda são preliminares, mas, em um ambiente de juros altos, que praticamente inviabilizam o acesso dos produtores a recursos, a opção de atração de investimentos diretos, com “equity”, ao invés de financiamentos, ganhou força no ministério. Para viabilizar a entrada de estrangeiros, a alternativa de inclusão como minoritários contornaria as restrições atuais. Entre as limitações está, por exemplo, a regra que obriga os estrangeiros que comprarem áreas com mais de 100 módulos de exploração indefinida a submeterem a operação ao Congresso. “Se esse projeto der certo, é uma fonte de financiamento sem custo financeiro e sem variação de moeda”, disse Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura e responsável pelo Caminho Verde Brasil na Pasta. Segundo ele, a dificuldade de obtenção de crédito do exterior é o custo para fazer o dinheiro entrar no Brasil, um trabalho que exige operações de hedge cambial que, na prática, anulam o benefício dos juros menores do mercado externo. “Não tem sido fácil resolver o problema da conversão”, afirmou. O roteiro da visita ao Oriente Médio para apresentar o projeto deverá incluir Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. A missão deverá se reunir com os grandes fundos soberanos da região, como o saudita Salic e o emiradense Mubadala. Segundo Augustin, em contatos prévios, os países árabes já demonstraram interesse, vendo o plano como uma forma de garantir segurança alimentar para suas populações. A Pasta avalia discutir também a possibilidade de que, por meio das tradings locais, os países estrangeiros estabeleçam contratos de compras preferenciais da produção das terras em que seus fundos soberanos tiverem participação. E, ao invés de receberem uma renda com financiamento, os fundos soberanos poderão ganhar com a valorização patrimonial das áreas convertidas. Segundo ele, um hectare em Mato Grosso que passe de pastagem degradada para lavoura pode ter uma valorização de até cinco vezes, considerando que hoje uma área de pasto degradado vale 200 sacas de soja por hectare, e uma área com lavoura vale 800 a mil sacas por hectare. Nesse modelo de Fiagro, o Ministério da Agricultura avalia a possibilidade de o Banco do Brasil entrar na governança do veículo de investimentos, podendo participar inclusive como cotista. Segundo Augustin, esse modelo de investimento pode atrair tanto produtor que têm pasto, mas não têm recursos para fazer a conversão quanto produtores que hoje estão com restrição de liquidez, precisam de uma injeção de recursos e têm terras para converter. Ele acredita que, uma vez que os fundos árabes se engajem nesse projeto, outros países também podem demonstrar interesse, como a China ou nações europeias. Por ora, os investidores árabes foram os que deram mais sinalização de interesse pela ideia. O Ministério da Agricultura também pretende discutir formas de atrair o capital de outras regiões. Segundo Augustin, para atrair capital europeu, seja crédito com taxas baixas ou equity, o Brasil teria que oferecer vantagens ambientais, como a garantia de preservação da vegetação para além do exigido no Código Florestal. Em paralelo, a Pasta também vem prospectando possibilidades junto a organismos internacionais para receber recursos de financiamento a baixo custo, mas disse que as conversas ainda estão no início.

GLOBO RURAL

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