
Ano 10 | nº 2310 |16 de setembro de 2024
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Exportações totais de carne bovina em agosto superaram pela primeira vez as 300 mil toneladas
Preços médios, porém, continuam abaixo dos praticados em 2023
As exportações totais de carne bovina em agosto (produtos processados + carne in natura) superaram as 300 mil toneladas num único mês, informou a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em agosto, o país movimentou 301.951 toneladas, um recorde histórico no setor, num crescimento de 31,5% em relação às 229.668 toneladas comercializadas em agosto de 2023. A receita cresceu 16,7% no mês, passando de US$ 961,8 milhões no ano passado para US$ 1,122 bilhão em 2024. Os preços médios negociados, no entanto, continuam inferiores em relação ao ano anterior: em agosto de 2023 eles foram de US$ 4.187 por tonelada, enquanto em 2024 caíram para US$ 3.716 por tonelada. Segundo a ABRAFRIGO, no acumulado do ano, de janeiro a agosto, as exportações totais de carne bovina alcançaram 2.030.782 toneladas (+34%) frente às 1.511.612 toneladas exportadas até agosto de 2023. A receita, com preços médios menores, não acompanhou esta evolução: subiu 20%, passando de US$ 6,772 bilhões em 2023 para US$ 8,108 em 2024. Os preços médios, até agosto, foram de US$ 4.480 em 2023 e de US$ 3.992 em 2024. No acumulado do ano, a China perdeu participação relativa nas exportações brasileiras de carne bovina de 48,1% no volume em 2023 para 39,2% em 2024 mesmo comprando 9,5% a mais: em 2023 foram 727.456 toneladas e até agosto de 2024 foram 796.836 toneladas. Os preços médios, todavia, caíram de US$ 4.908 por tonelada no ano passado para US$ 4.417 neste ano e a receita diminuiu 1,4%, saindo de US$ 3,570 bilhões para US$ 3.520 bilhões. O segundo maior importador do produto brasileiro, os Estados Unidos, aumentaram suas importações no volume acumulado em 103,7% entre janeiro e agosto. Em 2023, foram 164.338 toneladas e em 2024 foram 334.733 toneladas. A receita não acompanhou este crescimento porque os preços médios em 2023 foram de US$ 3.840 por tonelada enquanto em 2024 caíram para US$ 2.770 por tonelada (-27,9%) e aumentou relativos 46,9%. Os Emirados Árabes, país que funciona como “hub” de distribuição de produtos no Oriente Médio, se consolidou na terceira posição entre os maiores importadores de carne bovina brasileira. Em 2023 importou 38.818 toneladas com receita de US$ 177,4 milhões. No acumulado de 2024, o volume foi a 114.104 toneladas (+186,6%) e a receita a US$ 517,9 milhões (+ 191,8%). Os preços médios se mantiveram próximos: em 2023 foram de US$ 4.460 e em 2024 subiram para US$ 4.540. Na quarta posição, o Chile reduziu levemente suas aquisições: em 2023 foram 70.126 toneladas e em 2024 68.259 toneladas. A receita obtida no ano passado alcançou US$ 343,7 milhões e em 2024 foi a R$ 321,7 milhões. No total, 89 países aumentaram suas importações, enquanto 76 reduziram suas compras.
Publicado em: Reuters/Portal DBO/Agro Em Dia/Notícias Agrícolas/Forbes/Canal Rural/Agro Mais/Investing.com/Jornal Floripa/Página Rural/Brasil 247/Economic News/Agrofy News/Agro Revenda/MSN/Osalimnews/Plox
NOTÍCIAS
BOI: Preços continuam com tendencia de alta
Segundo os analistas da Scot Consultoria, as escalas de abate reduzidas, a menor oferta de boiadas gordas e a demanda aquecida sugerem novos reajustes positivos da arroba já nos próximos dias
“O escoamento consistente da carne bovina e a oferta limitada estão sustentando os preços, com possíveis ajustes no curto prazo”, ressalta a consultoria. Na praça paulista, de acordo com os dados da Scot, o mercado do boi gordo fechou a sexta-feira (13/9) com preços estáveis, depois de uma alta acumulada ao longo da semana. “Nos últimos dias, o boi gordo (SP) subiu de R$ 245/@ para R$ 255/@”, destacou a Scot. Entre as outras categorias terminadas, as cotações também andaram de lado nesta sexta-feira, em São Paulo, com a novilha gorda, a vaca gorda e o “boi-China” valendo R$ 245/@, R$ 230/@ e R$ 260/@, respectivamente (preços brutos, no prazo), de acordo com a Scot.
Scot Consultoria
Mercado físico encerra semana em alta
Atual posição das escalas de abate e momento de dificuldade de aquisição de animais dão o tom ao mercado. O mercado físico do boi gordo encerrou a semana apresentando preços em alta. A expectativa ainda é de continuidade deste movimento no curto prazo
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, isso acontece por conta da atual posição das escalas de abate e do momento de maior dificuldade de aquisição de animais da atual temporada. Segundo ele, mesmo indústrias que contam com grande quantidade de animais de parceria (contratos a termo) acabam pagando mais pela arroba do boi gordo neste momento. A demanda também se mantém aquecida na atual temporada, com exportações recorde e um mercado interno que conta com ótimas expectativas para o último bimestre. Preços da arroba do boi no Brasil: São Paulo: R$ 255,75. Goiás: R$ 246,79. Minas Gerais: R$ 248,82. Mato Grosso do Sul: R$ 258,64. Mato Grosso: R$ 225,88. Já o mercado atacadista apresentou preços acomodados no decorrer da sexta-feira. O ambiente de negócios ainda oferece alguma perspectiva de alta das cotações no curto prazo, em linha com o bom apelo ao consumo no decorrer da primeira quinzena do mês. Por outro lado, a carne bovina pode acabar perdendo competitividade em relação as proteínas concorrentes, em especial da carne de frango, mais acessível. O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 19,50 por quilo no interior paulista. O quarto dianteiro segue no patamar de R$ 14,75 por quilo no interior de São Paulo. A ponta de agulha permanece cotada a R$ 15,00 por quilo.
Agência Safras
Estatística da pecuária (Sul da Bahia)
A oferta de bovinos terminados está reduzida e, na comparação semanal, as cotações na região Sul da Bahia apresentaram alta para todas as categorias. O clima seco tem influenciado a oferta na região e, a depender da necessidade de ajuste na taxa de lotação de pastagens, o mercado pode, momentaneamente, perder a firmeza nas próximas semanas
Os pecuaristas têm retido suas boiadas esperando novas altas no mercado, mas o clima seco perdurará, com previsão de chuvas significativas apenas para o mês seguinte, o que pode pressionar o produtor a ofertar seu gado devido à falta de pasto, mudando momentaneamente o cenário de oferta compassada. O preço do boi gordo apresentou aumento de 5,6%, ou R$12,00/@, sendo comercializado em R$226,50/@. Para a vaca, a alta foi de 3,9%, ou R$8,00/@, estando cotada em R$212,00/@, já para a novilha, o incremento foi de 4,6%, ou R$9,50/@, apregoada em R$216,50/@, na comparação semanal segundo levantamento da Scot Consultoria. Preços a prazo e descontados os impostos (Senar e Funrural). Em São Paulo, o diferencial de base do boi gordo é de R$24,50/@, ou 10,8% a menos, com o boi cotado em R$251,00/@ nas praças paulistas. Preços a prazo e livre de impostos.
Scot Consultoria
Preços da reposição seguem firmes, aponta a Scot
Segundo apurou a consultoria, ao longo desta semana, as cotações dos machos, com exceção ao garrote, subiram, em média, R$ 52,79/cabeça nas praças paulistas
No Estado de São Paulo, as condições climáticas continuam desafiadoras, com temperaturas acima da média histórica e com níveis críticos de armazenamento de água no solo, relata a médica veterinária Mariana Guimarães, analista de mercado da Scot Consultoria. Tais fatores, diz ela, têm impacto direto na recuperação das pastagens e na produção de grãos, resultando em baixa liquidez nas negociações envolvendo animais de reposição. Porém, continua Mariana, apesar das preocupações dos recriadores/invernistas em relação ao clima, nesta semana foram constados avanços nos preços dos bovinos jovens (não-terminados) nas praças pecuárias do Estado de São Paulo. “As altas nas cotações do boi gordo, somado à oferta limitada de bovinos para reposição, são fatores que explicam a firmeza observada neste mercado”, destaca Mariana. Segundo apurou a analista, ao longo desta semana, as cotações dos machos, com exceção ao garrote, subiram, em média, R$ 52,79/cabeça nas praças paulistas. Para as fêmeas, salvo à novilha, a alta média foi de R$ 26,21/cabeça, acrescenta Mariana. Na comparação semanal (preços do dia 5/9 versus 12/9, em São Paulo), entre os machos, o boi magro subiu de maneira mais intensa (3,6%), seguido pelo bezerro de ano (1,5%) e bezerro de desmama (0,9%). Para o garrote, a cotação caiu 3,1% na comparação semanal. Para as fêmeas, em igual comparação, a valorização mais intensa ficou para a categoria mais erada (vaca boiadeira), que teve alta semanal de 2,4%, seguida pela bezerra de desmama (1,5%) e pela bezerra de ano (0,4%). Para a novilha, o preço caiu 2,1% em relação à quinta-feira anterior (5/9). No Mato Grosso, na comparação feita mês a mês, a relação de troca melhorou para três de quatro categorias de bovinos machos destinados à reposição, informa a analista da Scot. O poder de compra melhorou com maior intensidade frente ao bezerro de desmama (2,9%), seguido pelo boi magro (0,6%) e pelo bezerro de ano (0,3%). Para o garrote, houve piora de 0,1% para os recriadores/invernistas. Atualmente, com a venda de um boi gordo de 19@ em Mato Grosso, é possível comprar 2,41 bezerros de desmama, 1,99 bezerro de ano, 1,67 garrote e 1,41 boi magro, destaca Mariana.
Portal DBO
Mercado futuro do boi gordo com movimentações positivas
Na semana passada, contratos com vencimento em setembro/24 e janeiro/25 registraram altas semanais de 2,24% (+ R$ 5,55/@) e 2,40% (+ R$ 6,30/@), respectivamente
A semana foi marcada por movimentações positivas no mercado futuro do boi gordo na bolsa de mercadorias B3, informou a Agrifatto. O volume de contratos em aberto (futuros + opções) teve incremento de 10,14% entre 05/09 e 12/09, totalizando 133,73 mil contratos.
Esse aumento, disse a consultoria, foi puxado principalmente pelas opções, que registraram crescimento de 12,65%, atingindo 95,62 mil contratos. A quantidade de contratos futuros em aberto apresentou avanço de 4,31%, chegando a 38,10 mil contratos. Nesse mesmo período, todos os futuros registraram valorização – os contratos com vencimento em setembro/24 e janeiro/25 registraram altas semanais de 2,24% (+ R$ 5,55/@) e 2,40% (+ R$ 6,30/@), respectivamente, de acordo com a apuração da Agrifatto. No mercado de opções, as opções de compra (CALLs) em aberto aumentaram em 15,29% entre 05/09 e 12/09, enquanto as opções de venda (PUTs) em aberto tiveram expansão de 9,84%. Na semana passada, a “Pessoa Física” reforçou as suas apostas na alta do gordo, aumentando a exposição comprada em futuros para 14,79 mil contratos, avanço de 24,97% no comparativo semanal e o maior saldo comprado da história, relata a consultoria. “Todos os outros players se estão expostos da maneira contrária nos futuros de boi gordo, ou seja, estão vendidos em futuros de boi gordo”, observou a consultoria.
Agrifatto
ECONOMIA
Dólar cai abaixo dos R$5,60 com expectativa de corte maior de juros nos EUA
O dólar fechou a sexta-feira em queda firme ante o real, retornando para abaixo dos 5,60 reais, com as cotações acompanhando o forte recuo da moeda norte-americana também no exterior, em meio às apostas de que o Federal Reserve poderá aplicar corte maior de juros na próxima semana.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,89%, cotado a 5,5675 reais. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,39%. Às 17h04, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,12%, a 5,5740 reais na venda. A moeda norte-americana cedeu ante o real durante praticamente toda a sessão, em meio ao recuo firme do dólar ante as demais divisas no exterior. O movimento estava em sintonia com a queda dos rendimentos dos Treasuries, com investidores apostando que o Fed poderá cortar os juros em 50 pontos-base na quarta-feira que vem, e não apenas em 25 pontos-base. As mudanças nas apostas foram motivadas por comentários do ex-presidente do Fed de Nova York Bill Dudley, defendendo que há um forte argumento a favor de um corte de 50 pontos, já que os juros nos EUA estão atualmente de 150 a 200 pontos acima da chamada taxa neutra para a economia. Além disso, os jornais The Wall Street Journal e Financial Times publicaram artigos indicando que a decisão do Fed na próxima semana está mais incerta do que os mercados têm projetado. “Hoje o motivo para o dólar estar cedendo é o aumento das chances de o Fed cortar 50 pontos-base. O mercado estava precificando 25, mas a inflação está arrefecendo”, pontuou Guilherme Suzuki, sócio da Astra Capital. A curva de juros brasileira seguiu precificando na sexta-feira aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, para 10,75% ao ano. Com a possibilidade de o Fed cortar seus juros em 50 pontos, para a faixa de 4,75% a 5,00%, o diferencial a favor do Brasil ficaria ainda maior, tornando o país ainda mais atrativo ao capital internacional.
Reuters
Ibovespa fecha em alta com investidor à espera de decisões de BCs
O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, com agentes financeiros na expectativa das decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil na próxima semana
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,64%, para 134.881,95 pontos, acumulando um ganho de 0,23% na semana. O volume financeiro no pregão somou 19,96 bilhões de reais. Nos EUA, o Federal Reserve anuncia sua decisão na quarta-feira, às 15h (horário de Brasília), com o comunicado acompanhado por projeções e seguido por fala do chair, Jerome Powell, em meio a um mercado ainda relativamente dividido sobre o tamanho do corte na taxa, que está atualmente entre 5,25% e 5,50%. No final da tarde, de acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, os futuros dos Fed Funds embutiam uma chance de 51% de um corte de 0,25 ponto percentual e uma probabilidade de 47% de uma redução de 0,50 ponto. Na véspera, o percentual de 0,50 ponto era de 28%. A mudança ocorreu após declarações do ex-presidente do Fed de Nova York Bill Dudley, que afirmou que há forte argumento a favor de um corte de 0,50 ponto na taxa de juros dos Estados Unidos. Nesse contexto, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano mostraram alívio, apoiando também a queda nas taxas dos contratos de DI com vencimentos mais longos na B3 e apoiando papéis de empresas de setores cíclicos, sensíveis a juros. Investidores na bolsa paulista também aguardam decisão do Banco Central do Brasil na quarta-feira, mas após o fechamento do mercado, com a maioria das apostas e expectativas sinalizando uma alta de 0,25 ponto na Selic, atualmente em 10,50% ao ano. “O mercado está em compasso de espera para a semana que vem”, afirmou o gestor de renda variável César Mikail, da Western Asset, acrescentando que, além da decisão em si, as atenções estarão voltadas para os comunicados e, no caso do Fed, da fala de Powell, logo após o anúncio. Na visão dele, a performance dos mercados acionários no Brasil e nos EUA nesta sessão refletiu a repercussão de falas que elevaram as apostas de um corte maior pelo Fed. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,54%.
Reuters
Governo eleva projeção de alta do PIB em 2024 para 3,2% e vê inflação mais alta
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2024 a 3,2%, ante estimativa anterior de 2,5%, prevendo também um nível mais alto de inflação à frente, mostrou boletim divulgado na sexta-feira
Apesar de prever um Produto Interno Bruto (PIB) mais forte neste ano, a pasta piorou a expectativa para o crescimento da economia em 2025, de 2,6% para 2,5%. A secretaria informou que o resultado observado no PIB do segundo trimestre deste ano foi superior ao esperado, elevando o carregamento estatístico para o crescimento de 2024.Na avaliação da pasta, haverá desaceleração moderada no ritmo de atividade no terceiro trimestre deste ano, se comparado com o desempenho do segundo trimestre. A secretaria espera que o período registre um recuo de 0,5% na atividade do setor agropecuário e elevações de 1,2% na indústria e 0,7% em serviços. A revisão para baixo no PIB de 2025, segundo o boletim, reflete “a perspectiva de início de novo ciclo de alta nos juros pelo Banco Central”. A diretoria do BC se reúne na próxima semana após incluir em seu cenário uma possível elevação na taxa básica de juros se necessário para levar a inflação à meta de 3%. O documento apontou uma deterioração na visão do governo para a inflação, com a projeção para o IPCA indo a 4,25% em 2024, ante previsão de 3,9% feita em julho, enquanto o índice para 2025 foi ajustado de 3,3% para 3,4%. Para a SPE, a desaceleração nos preços acumulados em 12 meses era esperada para ocorrer a partir de agosto, mas deve ser observada a partir de outubro após a adoção da bandeira vermelha 1 nas tarifas de energia a partir deste mês. “Até o final do ano, deverá haver recuo na inflação de (preços) monitorados, contrabalanceado parcialmente pelo avanço na inflação de (preços) livres. Essa estimativa já leva em consideração os impactos do câmbio mais depreciado nos preços”, disse a SPE. As projeções da SPE balizam a programação de receitas e despesas orçamentárias do governo. O novo relatório bimestral de avaliação fiscal, a ser divulgado na próxima sexta-feira, pode indicar um cenário mais benigno para a arrecadação diante da previsão melhor para a atividade. Ainda assim, frustrações de receitas, como no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), podem levar o governo a apresentar medidas adicionais para fechar as contas do ano. Do lado das despesas, a equipe econômica antevê uma possível necessidade de bloqueio adicional de verbas para respeitar o limite de gastos do arcabouço fiscal, diante de pressões registradas em despesas obrigatórias, como as previdenciárias.
Reuters
CLIMA
Chuvas a partir da segunda quinzena
Setembro começou desafiador, com secura intensa e temperaturas elevadas que predominam em quase todas as regiões. Em um cenário que lembra um “mar de calor e fumaça”, muitos produtores enfrentam dificuldades com o manejo de suas culturas
No entanto, para o horizonte da segunda quinzena do mês, há “terra à vista!”. A chegada de chuvas em algumas regiões a partir de 15 de setembro deve trazer alívio para parte do país, com volumes promissores, especialmente no Sul e parte do Centro-Oeste. Na Região Norte, conforme o mapa de armazenamento de água no solo, o Norte do Brasil apresenta uma situação de armazenamento hídrico crítico em algumas áreas, com valores abaixo de 20,0% no Tocantins e parte do Pará. Entretanto, há uma expectativa de melhoria, com precipitações previstas para a faixa norte da região, especialmente em Roraima e Amapá, que podem acumular entre 50 e 100mm. As temperaturas, no entanto, continuarão elevadas, acima de 30,0°C, o que pode dificultar a evapotranspiração eficiente das culturas. Na Região Nordeste, o sertão nordestino segue em seu ciclo de seca, como já é esperado para esta época do ano. A maior parte da região permanece com armazenamento hídrico entre 10,0% e 30,0%, o que agrava a situação das pastagens e cultivos perenes. As temperaturas médias estão acima de 26,0°C, podendo ultrapassar os 30,0°C no Piauí, Maranhão e Bahia. As chuvas ainda são escassas, com volumes inferiores a 20mm até o dia 15 de setembro. No entanto, algumas áreas costeiras podem experimentar pequenas chuvas, especialmente no litoral do Ceará e Pernambuco. Na Região Centro-Oeste, o Centro-Oeste é a região onde a seca atinge de forma mais severa. O mapa de armazenamento hídrico mostra que os níveis de umidade no solo estão abaixo de 10,0% em grande parte do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Isso se reflete diretamente nas pastagens, que estão altamente degradadas. Para o período de 9 a 15 de setembro, a previsão de precipitação indica volumes muito baixos, abaixo de 10mm, em praticamente toda a região. No entanto, há um sinal positivo: após a primeira quinzena, as chuvas devem retornar ao Mato Grosso e ao sul de Goiás, com volumes entre 20 e 40mm. As temperaturas permanecem elevadas, acima de 30,0°C, com picos que podem atingir até 35,0°C em áreas do Mato Grosso e Goiás, complicando ainda mais o manejo de culturas sensíveis ao calor. Na Região Sudeste, a região segue com condições climáticas desafiadoras, especialmente nas áreas do interior de São Paulo e Minas Gerais. O mapa de precipitação indica que até 15 de setembro, as chuvas permanecerão escassas, com volumes inferiores a 20mm. O armazenamento de água no solo está crítico, com valores entre 10,0% e 30,0%, impactando diretamente a recuperação de pastagens e a produção de grãos. As temperaturas estão acima da média histórica, variando entre 24,0°C e 30,0°C em grande parte da região, com picos que podem ultrapassar 32,0°C no norte de Minas Gerais e no oeste de São Paulo. A expectativa de chuvas regulares só aparece a partir do final de setembro, com volumes esperados de 30 a 50mm, especialmente no sul de Minas Gerais e São Paulo. Na Região Sul, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam melhores condições de armazenamento de água no solo, com níveis acima de 60,0%. A previsão de chuvas indica que o Rio Grande do Sul e o Paraná devem receber precipitações entre 40 e 80mm a partir 15 de setembro, o que trará boas condições para o desenvolvimento das culturas de inverno, como trigo e aveia. As temperaturas, por sua vez, permanecem amenas na maior parte da região, com médias entre 16,0°C e 22,0°C. Contudo, a chegada de frentes frias pode trazer episódios de queda acentuada de temperatura, com possibilidade de geadas em áreas de maior altitude no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa variação térmica pode impactar a produção de frutas e culturas de inverno, exigindo cuidados redobrados. A seca que atinge grande parte do Brasil continua sendo o maior desafio para os produtores. No entanto, com a previsão de chuvas a partir de meados de setembro, espera-se que a situação comece a melhorar em algumas regiões, especialmente no Sul e partes do Centro-Oeste. No curto prazo, o manejo adequado de pastagens e a suplementação de rações balanceadas serão essenciais para manter a produtividade. Para o restante de setembro, o grande desafio será a adaptação às condições climáticas adversas e a implementação de práticas regenerativas, como o uso de culturas de cobertura para conservar a umidade do solo. Para muitos, o mar de secura ainda continuará por mais alguns dias, mas com a chegada da chuva, haverá “terra à vista!”
Scot Consultoria
GOVERNO
Brasil precisa de US$ 2 bilhões para impulsionar plano de recuperação de pastagens, diz estudo
Recursos seriam em capital catalítico, modalidade de financiamento a custo mais baixo que ajuda a atrair outros investidores. Governo federal planeja recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas para elevar o nível da produção agropecuária sem desmatamento.
Para ampliar a obtenção de investidores, um estudo do Boston Consulting Group (BCG) indica que serão necessários US$ 2 bilhões em capital catalítico. O capital catalítico é um tipo de investimento normalmente realizado por fundações, organizações internacionais ou bancos de fomento com condições mais “pacientes”, flexíveis, de custo menor, e com retorno esperado para médio ou longo prazo. A análise do BCG foi desenvolvida em conjunto com o WWF-Brasil e a Iniciativa para Financiamento da Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC). Arthur Ramos, sócio e diretor-executivo do BCG, explica que, no mercado em geral, a cada US$ 1 bilhão aportado em um projeto via capital catalítico, é possível atrair mais US$ 4 bilhões vindos da iniciativa privada. “É um catalisador. Então, com os US$ 2 bilhões acreditamos que seria possível obter mais US$ 8 bilhões de investidores privados para o programa de recuperação de pastagens. É uma maneira de alavancar o projeto do governo”, afirma. Segundo Ramos, o programa de recuperação de pastagens transformará terras improdutivas em áreas de férteis, o que contribui de maneira sustentável com a produção rural e leva à geração de renda. Porém, o projeto ainda não deslanchou porque o Brasil conta com um custo de capital alto, o que dificulta a atração de investidores. “E se você baixa a taxa de juros, inviabiliza investimentos mais longos, por isso precisamos começar de alguma forma e o uso de capital catalítico seria uma alternativa”, argumenta o especialista, citando que com mais investidores o projeto reduz o custo de capital e se torna mais atrativo. “A gente precisa ter esse modelo de capital mais paciente para trazer os demais financiadores para o jogo”, completa. Potenciais fontes de recursos com capital catalítico seriam os bancos ou entidades internacionais de fomento, além de outros países. As empresas envolvidas nesse processo podem cumprir metas de emissões, pois a recuperação de pastagens não só contribuirá para a produção de alimentos, mas também para a redução das emissões de gases de efeito estufa, resultando em benefícios econômicos. Na outra ponta, o tomador de crédito para recuperação das pastagens pode ser o próprio dono da terra, o produtor rural, ou bancos comerciais que ofereçam esse recurso. O projeto de recuperação dos 40 milhões de hectares de pastagens se torna mais relevante em um cenário em que o crédito subsidiado acessado por produtores para a recuperação de pastagens degradadas no Cerrado tem sido pouco efetivo, conforme estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio (CPI/PUC-Rio). Até seis anos após a tomada dos recursos pela linha específica do programa ABC do Plano Safra, 72,5% das áreas financiadas permanecem inalteradas, sem melhoria significativa na qualidade do pasto nem conversão para lavouras, mostra o levantamento. Entre 2016 e 2018, foram financiados R$ 976,6 milhões para a recuperação de 358,3 mil hectares de pastos degradados no Cerrado. Um ano antes dos financiamentos, 72,3% dessa área era composta por pastagem (259,1 mil hectares), dos quais 71,5% (185,1 mil hectares) possuíam indícios de degradação com médio e baixo vigor. Após o cruzamento das imagens, os pesquisadores da PUC estimaram que apenas 3,8% da área total financiada no bioma foi recuperada até 2022, cerca de 13,7 mil hectares. Nesses locais houve melhoria do grau vegetativo das pastagens. Quando o estudo do CPI/PUC-Rio foi divulgado pela reportagem, o Ministério da Agricultura negou que a efetividade do crédito direcionado à recuperação de pastagens seja baixa. A pasta disse que 26,8 milhões de hectares degradados foram recuperados entre 2010 e 2020, quase o dobro da meta do Plano ABC para o período.
Valor Econômico
INTERNACIONAL
Exportações de carne bovina australiana e sul-americana inundam os Estados Unidos
A Austrália é atualmente o maior fornecedor de carne bovina para os EUA, em volume, destaca o relatório da Steiner Consulting
Artigo publicado na quinta-feira (12/9) pelo portal australiano beefcentral.com relata surpresa com o grande desempenho atual das exportações brasileiras (e de alguns outros países da América do Sul) de carne bovina ao mercado norte-americano. “Se o aumento nas importações da Austrália era ‘um tanto esperado’, considerando o avanço constante nos estoques de gado no país, o crescimento das importações dos EUA de carne bovina da América do Sul foi muito maior do que a maioria esperava”, destacou uma consultoria do setor, a Steiner Consulting. Segundo um relatório recente da Steiner, os preços recordes da carne bovina magra, combinados com o dólar americano forte, encorajaram os fornecedores globais de carne bovina a acelerarem os embarques para os EUA. Como os preços da proteína bovina magra doméstica nos Estados Unidos estão sendo negociados em níveis recordes (devido aos desafios de fornecimento local de gado), as remessas de proteína australiana, brasileira e uruguaia ao gigante da América do Norte estão fluindo em volumes muito maiores, ressaltou o artigo. Segundo a Steiner, as importações dos EUA de carne bovina (fresca, congelada e cozida) em julho/24 foram 25% maiores que em igual período do passado, enquanto as importações acumuladas neste ano aumentaram quase 19% (considerando a mesma base de comparação), e 27% maiores do que a média de cinco anos. A redução nas importações de outros países da América do Norte abriu a porta para mais carne bovina vinda da Austrália/Nova Zelândia e da América do Sul. A Austrália é atualmente o maior fornecedor de carne bovina para os EUA, em volume, lembrou o relatório da consultoria. Mas, diferentemente da Austrália, que não enfrenta mais uma penalidade tarifária significativa (acordo de livre comércio) no mercado norte-americano, as importações dos EUA de fornecedores de carne bovina sul-americanos estão sujeitas ao sistema de “Cotas Tarifárias (TRQ)”. Argentina e Uruguai operam sob uma cota específica, de 20.000 toneladas/ano cada um deles, enquanto o Brasil ocupa a cota “Outros países”, totalizando apenas 65.000 toneladas. O forte aumento do comércio neste ano, relatou o texto da Beef Central, fez com que o Brasil e outros preenchessem rapidamente a cota deste ano em março/24, o que significa que os envios de carne bovina durante o restante dos meses deste ano foram expostos a uma tarifa fora da cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro em relação ao demais exportadores mundiais, como a Austrália e Nova Zelândia. “Isso não se mostrou um impedimento significativo aos embarques brasileiros”, disse Steiner Consulting, em relatório. No acumulado de janeiro a julho deste ano, as importações norte-americanas de carne bovina brasileira totalizaram 92.000 toneladas, apontou a Steiner. As importações do Uruguai, que tem sua própria cota de 20.000 toneladas, foram de 49.500 toneladas até julho/24 e, segundo a consultoria, “também há mais carne bovina da Argentina e do Paraguai entrando no mercado dos EUA”. Como relatou o analista norte-americano Steve Kay na semana passada, os EUA são agora o maior mercado de exportação de carne bovina do Uruguai (em volume), superando a China. “Os embarques de carne bovina importada do Brasil provavelmente acelerarão no final do ano, pois os fornecedores sabem que a cota disponível provavelmente será preenchida nos primeiros meses de 2025”, previu o relatório da Steiner. Entre janeiro a julho deste ano, as exportações da proteína bovina da Austrália para os EUA atingiram quase 235 mil toneladas, um aumento de 69% (ou 96.000 toneladas) em relação ao resultado obtido no mesmo período do ano passado – foi o maior volume para este período desde 2015. Os embarques australianos de agosto ao mercado norte-americano atingiram 41.000 toneladas, 59% a mais que em igual mês do ano passado. A crescente demanda dos EUA pela carne bovina da Austrália ocorre num momento em que a demanda da China, o maior comprador de carne bovina do mundo, desacelerou devido aos desafios econômicos. Nos últimos oito meses, as exportações da proteína vermelha australiana à China atingiram 121.000 toneladas, 8% abaixo do volume registrado em igual período do ano passado. Grande parte deste deslocamento foi para os EUA, observou o texto da Beef Central.
Beef Central
FRANGOS & SUÍNOS
Mercado de suínos mantém cotações estáveis e altas pontuais para o animal vivo
Segundo a Scot Consultoria, o valor da arroba do suíno CIF em São Paulo ficou estável, com preço médio de R$ 169,00, assim como a carcaça especial, fechando em R$ 13,20/kg, em média.
Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à quinta-feira (12), houve tímida alta de 0,11% em Minas Gerais, chegando a R$ 8,97/kg, e de 0,12% no Paraná, com valor de R$ 8,48/kg. Os preços ficaram estáveis no Rio Grande do Sul (R$ 8,08/kg), Santa Catarina (R$ 8,38/kg), e São Paulo (R$ 8,95/kg).
Cepea/Esalq
Preços estáveis na sexta-feira (13) para o mercado do frango
Segundo a Scot Consultoria, o valor do frango na granja em São Paulo ficou estável, custando, em média, R$ 5,50/kg, assim como a ave no atacado, fechando, em média, R$ 6,75/kg.
Na cotação do animal vivo, o preço também não mudou no Paraná, cotado a R$ 4,66/kg, da mesma forma que em Santa Catarina, valendo a R$ 4,41/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, Vivo, referentes à quinta-feira (12), tanto a ave congelada quanto o frango resfriado ficaram estáveis, custando, respectivamente, R$ 7,31/kg e R$ 7,49/kg.
Cepea/Esalq
Frango/Cepea: Carne amplia competitividade frente a concorrentes
Levantamentos do Cepea mostram que a carne de frango vem ampliando a sua competitividade frente às suínas e bovina, visto que tem se valorizado em menor intensidade em relação às concorrentes
Segundo pesquisadores do Cepea, a oferta limitada explica os aumentos das carnes suína e de boi, enquanto o cenário altista da proteína de frango se deve, sobretudo, ao maior poder de compra da população no início de setembro e ao consequente incremento da procura. Logo, para atender a esta demanda firme, o setor atacadista tem se mostrado ativo nas compras, no intuito de refazer estoques de produtos de origem avícola, conforme explicam pesquisadores do Cepea.
Cepea
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