
Ano 9 | nº 1996 |09 de junho de 2023
NOTÍCIAS
As ofertas de compra de bovinos pararam de cair
Os preços para todas as categorias, nas praças paulistas, estão estáveis, na comparação dia a dia. Há indícios de que a oferta de bovinos está diminuindo, mas ainda é cedo para dizer que caiu de fato.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, na quarta-feira (7/6), os preços para todas as categorias fecharam estáveis no Estado de São Paulo. “Há indícios de que a oferta de bovinos está diminuindo, mas ainda é cedo para dizer que caiu de fato”, observam os analistas da Scot. Com isso, o boi gordo paulista segue apregoado em R$ 240/@, enquanto a vaca e a novilha gordas fecharam valendo R$ 215/@ e R$ 230/@, respectivamente (preços brutos e a prazo). A cotação para o “boi-China” (abatido mais jovem, com até 30 meses) está em R$ 240/@ (preço bruto e a prazo) no Estado de São Paulo, portanto, sem ágio em relação ao boi “comum”. Em Minas Gerais, na região de Belo Horizonte, o aumento foi de R$2,00/@ de boi. Para as fêmeas, não houve alteração na comparação feita dia a dia. No Norte de Minas, a cotação da vaca e da novilha subiu R$5,00/@. Para o boi, os preços estão estáveis.
SCOT CONSULTORIA
Preços estáveis no atacado, sem perspectiva de alterações
Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 243. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 226
Segundo informações da Safras & Mercado, na véspera do feriado prolongado houve menor fluxo de negociações, enquanto as indústrias ainda convivem com escalas relativamente confortáveis. Mesmo assim a pressão de queda vem apresentando gradual redução. O Mato Grosso vem se notabilizando pela continuidade do movimento de queda na semana. Vale destacar que a situação do mercado doméstico não oferece grande perspectiva de alterações no atacado, com a indústria trabalhando com estoques elevados, diz o analista Fernando Henrique Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 243. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 226. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 207. Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 220 para a arroba do boi gordo. Em Uberaba (MG), a arroba teve preço de R$ 225. O mercado atacadista seguiu com preços estáveis para a carne bovina. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere por limitado espaço para recuperação dos preços, em linha com a posição dos estoques da indústria, que ainda sinalizam para grande volume de produto estocado. Por sua vez, a situação das proteínas concorrentes ainda sinaliza para maior competitividade, em especial da carne de frango, se comparado a carne bovina. O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 17,90 por quilo. A ponta de agulha segue no patamar de R$ 12,90 por quilo. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 13,15 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Preço da carne deve cair 4% em 2023, aponta estudo do Santander
Em dezembro, o abate de vacas alcançará cerca de 700 mil cabeças/mês, elevando a oferta da proteína bovina no mercado
Estudo realizado pelo Santander revela uma safra recorde para diversas commodities agrícolas este ano. Isso impactará diretamente o preço dos alimentos no país. Um dos pontos mapeados pelo Banco foi o atual ciclo do gado, que influenciará diretamente no preço da carne nos próximos meses. A previsão é uma queda de 4% destes preços dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial de inflação do país. Segundo o levantamento, o aumento na quantidade de abates mensais elevará fortemente a oferta de carne no mercado, ajudando a reduzir seus preços. Esse fator poderá levar a arroba chegar a um preço de R$ 245 no final do ano em termos nominais, menor valor desde junho de 2019. “Nossa aposta tem como base o atual momento favorável do ciclo do gado no Brasil, quando a oferta é ampla. Acreditamos que esse fator de oferta supere os outros fatores econômicos e prevemos uma deflação de 4% no preço da carne bovina”, afirmam os economistas Felipe Kotinda, Daniel Karp e Gabriel Couto, do Santander Brasil. No Brasil, o ciclo do gado é de em média de cinco a seis anos, um processo no qual o tamanho do rebanho bovino aumenta e diminui ao longo do tempo. É influenciado por vários fatores: preço do gado, custo dos insumos, período de gestação, tempo necessário para a criação dos bezerros ao peso de mercado, condições climáticas, entre outros. Na análise apresentada pela Santander, em dezembro o abate de vacas alcançará cerca de 700 mil cabeças por mês, a maior quantidade desde junho de 2020.
Santander
ECONOMIA
IPCA desacelera mais que o esperado em maio e taxa em 12 vai abaixo de 4%
A inflação ao consumidor brasileiro desacelerou com mais força do que o esperado em maio, levando a taxa em 12 meses abaixo de 4% pela primeira vez em dois anos e meio, em um movimento de desinflação em curso no Brasil que deve intensificar apostas sobre o início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,23% em maio, depois de ter avançado 0,61% em abril. O resultado é o mais fraco desde setembro de 2022 (-0,29%) e ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de um avanço de 0,33% do índice. O resultado divulgado na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) levou o IPCA a acumular nos 12 meses até maio taxa de 3,94%, contra 4,18% antes. A expectativa para a taxa em 12 meses era de uma alta de 4,04%, e ela atinge assim o patamar mais fraco desde outubro de 2020 (+3,92%), última vez em que ficou abaixo da marca de 4%. A meta para a inflação este ano é de 3,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA. O resultado do IPCA deve ampliar a discussão sobre o esperado início do afrouxamento monetário e sua intensidade, e pode desencadear novas críticas do governo à condução da política monetária. O resultado mais fraco do que o esperado do IPCA-15 em maio já havia alimentado apostas de uma antecipação dos cortes na Selic pelo Banco Central. Em maio, os grupos de Transportes (-0,57%) e de Artigos de residência (-0,23%) foram os únicos a registrar queda. No caso de Transportes, destacam-se os recuos nos preços das passagens aéreas (-17,73%) e combustíveis (-1,82%), com quedas do óleo diesel (-5,96%), da gasolina (-1,93%) e do gás veicular (-1,01%). Alimentação e bebidas, grupo com maior peso no índice, também ajudou no resultado do IPCA do mês ao apresentar forte desaceleração da alta de 0,71% em abril para 0,16% em maio, com queda nos preços das frutas (-3,48%), do óleo de soja (-7,11%) e das carnes (-0,74%). Entre os grupos com altas de preços, Saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto ao subir 0,93% no mês, sob peso de plano de saúde (+1,20%) e itens de higiene pessoal (+1,13%). A inflação de serviços, acompanhada de perto pelo Banco Central e que vinha mostrando resiliência em meio a um mercado de trabalho aquecido, também mostrou movimento benigno ao registrar variação negativa de 0,06% em maio, depois de subir 0,52% em março, acumulando em 12 meses avanço de 6,51%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, caiu em maio a 56%, de 66% no mês anterior. O BC volta a se reunir em 20 e 21 de junho para deliberar sobre a política monetária. O presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, avaliou nesta semana que a inflação está melhorando, mas ainda de forma lenta, principalmente no caso dos núcleos, que medem os preços menos voláteis, que ele destacou terem queda “bastante lenta”.
REUTERS
Dólar teve leve alta no Brasil em dia de liquidez baixa e proteção antes do feriado
Em um dia marcado por baixa liquidez, o dólar à vista interrompeu a série de quatro sessões de baixa e encerrou a quarta-feira em leve alta ante o real, com as cotações reagindo ora ao mercado externo, ora a barreiras técnicas, e com investidores buscando proteção antes do feriado
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9244 reais na venda, com alta de 0,26%. Na B3, às 17:15 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,18%, a 4,9465 reais. “A margem foi bem estreita, uma das mais estreitas do ano. Em alguns momentos, o dólar acompanhou o cenário lá fora, onde a moeda também perdia levemente ante seus pares”, comentou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. “Mas toda vez que o dólar cai nos 4,90 reais, que é uma barreira técnica forte, surgem exportadores e Tesourarias recompondo posições (compradas)”, acrescentou. O anúncio de uma inflação menor que o esperado pela manhã fez preço no mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), mas teve pouco impacto na quarta-feira no segmento cambial, embora profissionais tenham dito que a atual dinâmica de juros possa impactar as cotações mais à frente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,23% em maio, depois de ter avançado 0,61% em abril. O resultado é o mais fraco desde setembro de 2022 (-0,29%) e ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,33%. Com o resultado, o IPCA passou a acumular em 12 meses até maio taxa de 3,94%, contra 4,18% antes. O resultado elevou as apostas, no mercado de juros, de que o Banco Central iniciará o ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano, no futuro próximo. Durante a tarde, o BC informou que o fluxo cambial total foi negativo em 1,505 bilhão de dólares em maio. No ano, porém, ele segue amplamente favorável ao país, com entradas de 12,780 bilhões de dólares.
REUTERS
Ibovespa fecha na máxima em 7 meses com aposta de Selic menor mais cedo
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, partindo para o feriado na máxima em sete meses, após números de inflação reforçarem apostas de que a data de início de cortes da taxa básica de juros no Brasil pode ser antecipada
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,74%, a 115.454,06 pontos, segundo dados preliminares, ajudado ainda pelo avanço de Petrobras e Vale. Na máxima, marcou 115.978,12 pontos. O volume financeiro no pregão somava 25,8 bilhões de reais. Na quinta-feira, não houve negociação no mercado de renda variável da B3 em razão do feriado de Corpus Christi.
REUTERS
Banco Mundial eleva para 1,2% previsão de crescimento do Brasil
Num cenário que classificou de “resiliência da economia global”, o Banco Mundial elevou de 0,8% para 1,2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) do Brasil em 2023
A projeção consta do relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado na terça-feira (06/06) pela instituição financeira. Apesar da melhora em 2023, o Banco Mundial reduziu, de 2% para 1,4%, as projeções de crescimento para a economia brasileira em 2024, na comparação com o relatório anterior, divulgado em janeiro. Para 2025, o organismo multilateral estima expansão de 2,4%. Divulgado duas vezes por ano, o relatório lista as estimativas para o desempenho das economias em todo o planeta feitas pelo Banco Mundial. Segundo o organismo multilateral, apesar da melhora em alguns países latino-americanos, o crescimento econômico deste ano será sustentado principalmente pelas exportações, num cenário de dificuldades provocadas por inflações domésticas persistentemente altas e de aumento de juros. Para a economia global, o documento elevou, de 1,7% para 2,1% a estimativa de crescimento econômico. Segundo o Banco Mundial, os Estados Unidos e outras grandes economias estão se revelando resilientes diante do aumento de juros decididos pelos principais bancos centrais. Mesmo com a melhoria, a estimativa do Banco Mundial representa desaceleração em relação a 2022, quando a economia global cresceu 3,1%. Para 2024, o relatório diminuiu a previsão de crescimento de 2,7% para 2,4%. Segundo o organismo internacional, os juros altos terão efeitos no próximo ano, por meio da queda de investimentos comerciais e residenciais.
Agência Brasil
MEIO AMBIENTE
Desmatamento na Amazônia cai 10% em maio e 31% no ano
Em maio, ao todo, foram 812 quilômetros quadrados (km²) de áreas degradadas
O desmatamento na Amazônia Legal caiu 10% em maio de 2023, em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 812 quilômetros quadrados (km²) de áreas degradadas no último passado. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com dados apurados pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De janeiro a maio de 2023, o desmatamento na Amazônia caiu 31% frente ao acumulado nos primeiros cinco meses de 2022. A área afetada pela atividade ilegal entre janeiro e maio deste ano alcançou 1.986 km². De acordo com o Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, 20 municípios concentram 55% do desmatamento registrado nos primeiros cinco primeiros meses deste ano. Oito destas cidades estão no Mato Grosso, seis no Amazonas, quatro no Pará, uma em Rondônia e outra Roraima. No Cerrado Legal, o desmatamento subiu 83% em maio de 2023 em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 1.326 quilômetros quadrados (km²) de áreas degradadas no mês passado neste bioma. De janeiro a maio de 2023, o desmatamento no Cerrado aumentou 35% frente ao acumulado nos primeiros cinco meses de 2022. A área atingida pela atividade ilegal de janeiro a maio deste ano alcançou 3.532 km². O Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, informou que 24 municípios respondem por 52% do desmatamento registrado nos primeiros cinco primeiros meses deste ano. Dez destas cidades estão na Bahia, cinco no Maranhão, três no Tocantins, uma no Mato Grosso e outra no Pará.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Desembolsos do crédito rural batem recorde e alcançam R$ 317,2 bilhões
Entre julho do ano passado e maio deste ano, volume de crédito concedido cresceu 18% em comparação a igual período do ciclo anterior
O volume de crédito rural concedido neste Plano Safra 2022/23, de julho do ano passado até maio deste ano, ultrapassou pela primeira vez a marca dos R$ 300 bilhões. Os desembolsos recorde dos 11 meses chegaram a R$ 317,2 bilhões, 18% a mais que no mesmo período da temporada passada, segundo dados do Banco Central consultados no dia 5 de junho e compilados pelo Valor. O valor também é 8% maior que os financiamentos consolidados em todo o ciclo 2021/22, quando ficaram R$ 293,4 bilhões, segundo balanço divulgado à época pelo Ministério da Agricultura. Do montante desembolsado até maio deste ano, R$ 86,7 bilhões são de linhas com equalização do Tesouro Nacional. As operações de custeio lideram os desembolsos desta safra. Em 11 meses, foram concedidos R$ 188,1 bilhões, quase 34% a mais que os R$ 140,5 bilhões emprestados entre julho de 2021 e maio de 2022. Apesar da escassez de recursos para a subvenção das linhas de investimentos equalizadas, que ficaram travadas na maior parte desta temporada, os financiamentos nessa modalidade avançaram 5% na comparação com o ciclo anterior, saindo de R$ 79,8 bilhões para R$ 83,8 bilhões. O ritmo ainda continua mais lento nas operações de comercialização e de industrialização, que tiveram desembolsos de R$ 30,7 bilhões e R$ 14,5 bilhões, respectivamente, desde julho de 2022. O desempenho do crédito rural em maio já contou com o reforço do novo limite equalizável distribuído na última semana do mês, fruto da suplementação orçamentária de R$ 200 milhões para a subvenção das linhas de financiamento do Plano Safra 2022/23. Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa receberam autorização para emprestar quase R$ 7,5 bilhões com equalização. No Banco do Brasil, a liberação começou ainda em maio. Com isso, os valores desembolsados pela instituição, líder no mercado, chegaram a R$ 176 bilhões até o fim do mês passado, incluindo os montantes emprestados via títulos do agronegócio. Na Caixa, mais da metade do R$ 1 bilhão disponibilizado para o Moderfrota, para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas, já foi acessado na primeira semana com a linha aberta.
VALOR ECONÔMICO
Ministério da Agricultura busca ter mais de R$ 400 bilhões em recursos no Plano Safra 2023/24
De acordo com o Ministério da Agricultura, ainda estavam disponíveis R$ 27,59 bilhões de recursos controlados equalizáveis e R$ 19,75 bilhões de recursos livres para serem emprestados no Plano Safra 2022/23 em 22 de maio. A programação inicial do plano era de R$ 340,88 bilhões
Ainda não há definição de data para o anúncio do Plano Safra 2023/24. O Ministério da Agricultura trabalha para ter mais de R$ 400 bilhões de recursos disponíveis para contratação por médios e grandes produtores, mas precisaria de um orçamento de R$ 18,5 bilhões para a equalização dos juros. Contudo, há dificuldade na equipe econômica para atender ao pedido. Para este ciclo, foram previstos R$ 12,4 bilhões para equalizar os juros, sendo R$ 8,6 bilhões para a agricultura familiar e R$ 3,8 bilhões para médios e grandes, distribuídos ao longo de vários anos. A equipe do Ministro Carlos Fávaro desenha as diretrizes para alinhar a concessão de crédito à adoção de práticas sustentáveis no campo. O objetivo é oferecer uma redução de até 3 pontos percentuais dos juros finais nas linhas de financiamentos do Plano Safra 2023/24 para quem aplica técnicas ambientalmente corretas na produção, como o plantio direto, o uso de bioinsumos e os sistemas de produção integrados, além de critérios sociais e econômicos. O Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, planeja ações semelhantes para o Plano Safra da Agricultura Familiar. O objetivo é estimular, com juros mais atrativos, a produção de alimentos que compõem a cesta básica ou que chegam diretamente à mesa do consumidor, como arroz, feijão, mandioca e hortaliças. A expectativa entre as entidades da agricultura familiar é que o Pronaf tenha mais de R$ 70 bilhões em crédito na safra 2023/24. Mas ainda está difícil prever o cenário da próxima temporada. Para ter esse volume de financiamento, a maior parte subvencionada, o setor demandaria incremento no orçamento da equalização, dos R$ 8,6 bilhões atuais para mais de R$ 14 bilhões. “O custo financeiro da subvenção econômica ao crédito somado ao gasto elevado com o Proagro, que tem previsão de mais de R$ 5,8 bilhões para 2023, a depender da safra de inverno do Sul do Brasil, complica o planejamento da safra”, disse uma fonte que acompanha as discussões.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Apesar da gripe, frigoríficos têm alta na bolsa
Ações de Minerva, Marfrig e BRF acumulam ganhos desde maio a despeito da chegada da influenza aviária
A confirmação dos primeiros focos de gripe aviária em aves silvestres no Brasil balançou o setor de frigoríficos na B3 e, inicialmente, derrubou as ações das exportadoras de frango. Mas ao contrário do que se esperava, desde então, os papéis das quatro maiores empresas de carnes do país acumulam alta, puxados sobretudo por sinais de melhora em suas margens operacionais – se a doença permanecer sob controle. Levantamento do Valor Data mostra que, no acumulado do dia 15 de maio até quarta-feira, as ações ON da JBS marcaram alta de 9,21%, as de Minerva ON subiram 10,24% e Marfrig ON ganhou 5,90%. A BRF liderou os ganhos nesse intervalo com 19,15%, porém, seus ativos foram beneficiados pelo anúncio de uma injeção de capital de R$ 4,5 bilhões pela Marfrig e o fundo saudita Salic. O movimento positivo das quatro empresas inverte perdas que vinham se arrastando desde o início de 2023. Segundo o Valor Data, JBS recuou 26,6% no ano até 12 de maio, último dia de negociações na bolsa antes do anúncio da chegada da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) pelo Ministério da Agricultura. Nesse período, Minerva perdeu 22,35%, Marfrig teve baixa de 24,6% e BRF acumulou redução de 10,51%. “Até abril, tivemos um cenário macro, tanto para beef quanto para frango, muito ruim”, disse Rafael Passos, analista sócio da Ajax Asset, citando fatores como o embargo temporário de exportações de carne bovina do Brasil para a China, o alto custo do gado nos Estados Unidos e a queda de preços no mercado global de frango. A divulgação de balanços dessas empresas em maio foi mais um item negativo para as ações na primeira quinzena do mês. Mas, a sinalização dada pelos executivos sobre os resultados foi unânime: o pior havia ficado para trás e havia uma promessa de recuperação gradativa, que tenderia a se intensificar no segundo semestre. De fato, as ações começaram a reagir da segunda quinzena de abril em diante contando, primeiramente, com uma recuperação das perdas já sofridas. “Essa melhora recente vai em linha com a melhora que tivemos no Brasil para ativos de risco (…) No curto prazo, ainda podemos ter realização (de lucros)”, disse Passos. Além disso, a expectativa é de reação para os mercados de carne bovina e de aves, desde que a gripe aviária não se espalhe pelas granjas comerciais. A queda nos preços dos grãos é o ponto comum favorável às duas cadeias, visto que insumos como milho e farelo de soja são usados na alimentação de aves e suínos e do gado em confinamento. Para Thiago Duarte e Henrique Brustolin, do BTG Pactual, os preços dos grãos continuaram a cair no Brasil devido à safra cheia e restrições logísticas, que levaram os custos médios de ração na avicultura a recuar 13% na variação mensal e 34% em base anual. “Isso permitiu que os spreads de exportação aumentassem 19% m/m, e agora ficassem 9% acima do histórico, o maior em mais de 3 anos”, disseram em relatório. Sobre os bovinos, o especialista da Ajax comentou que a expectativa é favorável, seja por uma melhora gradativa de oferta que se desenha nos EUA – onde JBS e Marfrig têm operações – ou por uma normalização nos fluxos de embarque de carne do Brasil à China, maior compradora da proteína. Entre fevereiro e março, as vendas à China foram suspensas por um caso atípico de “vaca louca” no Pará. Após embarques da proteína ainda patinando em abril, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de carne bovina in natura cresceram 10,6% em maio, sobre igual período de 2022, para 168,5 mil toneladas. Nesse contexto, os analistas Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto, do Itaú BBA, têm perspectivas mais favoráveis para JBS e Minerva, e neutras para BRF e Marfrig, com o risco da influenza.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: poucas mudanças nos preços na quinta-feira (8)
A referência para o mercado de suínos nesta quinta-feira (8) foi de poucas variações. De acordo com análise do Cepea/Esalq, o mês de maio se encerrou com os preços do animal vivo e da proteína em fortes quedas, resultado da demanda enfraquecida, tendo em vista a restrição orçamentária de muitos consumidores neste período do mês, e da oferta elevada de animais prontos para o abate. Este cenário também levou frigoríficos a demandarem menos lotes de animais, o que reforçou a pressão sobre os preços. Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à quarta-feira (7), houve alta de 0,17% em São Paulo, chegando em R$ 5,90/kg, avanço de 0,57% no Paraná, custando 5,31% e baixa de 0,17% em Minas Gerais, caindo para R$ 5,96/kg. Os preços ficaram estáveis no Rio Grande do Sul (R$ 5,65/kg), e em Santa Catarina (R$ 5,29/kg).
Cepea/Esalq
Embarques de carne suína aumentam 13,9% no mês.
As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 101,7 mil toneladas em maio, informa a ABPA. O número supera em 13,9% o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 89,3 mil toneladas
A receita das exportações do setor alcançou US$ 251,4 milhões, saldo que supera em 23% o total registrado no mesmo período de 2022, com US$ 204,3 milhões. No acumulado do ano (janeiro a maio), os embarques do setor alcançaram 481,1 mil toneladas, número 15,5% maior do que o resultado registrado no mesmo período de 2022, com 416,6 mil toneladas. Em receita, o saldo acumulado entre janeiro e maio deste ano já totaliza US$ 1,149 bilhão, resultado 28,2% maior que o efetivado no mesmo período de 2022, com US$ 896,3 milhões. Principal importadora da carne suína brasileira, a China importou 176,2 mil toneladas entre janeiro e maio, número 20,8% maior do que o registrado no mesmo período de 2022, com 145,9 mil toneladas. Também foram destaques as vendas para Hong Kong, com 51,3 mil toneladas (+21,1%), Filipinas, com 38 mil toneladas (+17,5%), Chile, com 34,2 mil toneladas (+69,6%) e Singapura, com 29 mil toneladas (+5,7%). Maior exportador de carne suína do Brasil, o estado de Santa Catarina exportou entre janeiro e maio o total de 261,6 mil toneladas (+14,3%), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 110,8 mil toneladas (+19,8%), Paraná, com 66,4 mil toneladas (3,66%), Mato Grosso do Sul, com 10,9 mil toneladas (+70,8%) e Mato Grosso, com 10,1 mil toneladas (+93,9%).
ABPA
Frango congelado ou resfriado em SP estáveis
A referência de preço para o frango congelado ou resfriado não mudou na quinta-feira (8)
Segundo análise do Cepea/Esalq, os preços da carne de frango caíram com força na segunda quinzena de maio, o que acabou pressionando o valor médio mensal do produto frente a abril. De acordo com levantamento do órgão, esse movimento de pressão sobre os valores esteve atrelado sobretudo à demanda enfraquecida. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (7), a ave congelada ficou estável em R$ 6,05/kg, assim como o frango resfriado, fechando em R$ 5,99/kg.
Cepea/Esalq
Bahia registra caso de influenza aviária em ave silvestre; casos no BR chegam a 25
Foi confirmado o primeiro caso de gripe aviária na Bahia em ave silvestre, de acordo com atualização no sistema de monitoramento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sobre casos de gripe aviária no Brasil
Segundo os dados disponibilizados pela plataforma, se trata de uma ave Trinta-réis-real (Thalasseus maximus), que estava contaminada com o tipo H5N1. Com isso, o Brasil soma 25 casos da doença altamente patogênica, todos em aves silvestres, sendo 15 no Espírito Santo, sete no Rio de Janeiro, um no Rio Grande do Sul, um em São Paulo e um na Bahia.
MAPA
Exportações de carne de frango crescem 0,9% em maio
Manutenção dos níveis de embarques reforça a confiança internacional no Brasil
Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 433,3 mil toneladas em maio, volume que supera em 0,9% o total exportado no mesmo período de 2022, quando foram embarcadas 429,6 mil toneladas. Em receita, o resultado das vendas de maio gerou receita de US$ 867,4 milhões, número 4,1% menor que o total registrado no quinto mês de 2022, com US$ 904,6 milhões. No acumulado do ano (janeiro a maio), as vendas do setor alcançaram volume total 2,183 milhões de toneladas, volume 9,7% superior ao registrado nos cinco primeiros meses de 2022, com 1,990 milhão de toneladas. Em receita, os embarques acumulados chegam a US$ 4,281 bilhões, número 13,4% superior ao realizado entre janeiro e maio de 2022, com US$ 3,776 bilhões. Entre os principais destinos das exportações, a China liderou as compras de carne de frango em 2023 (janeiro a maio), com 328 mil toneladas entre janeiro e maio, volume 32,6% superior ao registrado no mesmo período de 2022, com 247,4 mil toneladas. Outros destaques foram o Japão, com 178,7 mil toneladas (+8%), África do Sul, com 162,7 mil toneladas (+12,1%), Arábia Saudita, com 148,1 mil toneladas (+19,4%) e União Europeia, com 101,4 mil toneladas (+3,4%). Principal estado exportador de carne de frango do Brasil, o Paraná embarcou entre janeiro e maio o total de 907 mil toneladas (+11,7%), seguido por Santa Catarina, com 454,5 mil toneladas (+8,7%), Rio Grande do Sul, com 309,7 mil toneladas (+0,8%), São Paulo, com 125,8 mil toneladas (+19,9%) e Goiás, com 99,8 mil toneladas (+33,7%).
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