
Ano 8 | nº 1794 | 10 de agosto de 2022
NOTÍCIAS
Cotação do boi China cai em São Paulo
Apesar do bom ritmo das exportações, nas praças paulistas o preço do boi China caiu R$5,00/@
Para o mercado interno, com escalas confortáveis e dificuldades para escoar a carne no mercado doméstico, as cotações das fêmeas caíram R$2,00/@ em relação ao último levantamento (8/8). Para machos que atendem ao mercado interno, os preços permaneceram estáveis. No Norte de Minas Gerais, a oferta ajustada a demanda fez com que os preços para boi, vaca e novilha gordos continuassem estáveis. Nas exportações de carne bovina na primeira semana de agosto, o Brasil exportou 39,4 mil toneladas de carne bovina in natura, com o embarque médio diário de 7,9 mil toneladas, volume 4,6% menor comparado à média diária de agosto de 2021. O preço médio da tonelada de carne exportada está em US$6,25 mil, um aumento de 10,0% com relação a agosto de 2021. A receita média diária está em US$49,2 milhões, alta de 5,0% em relação à média de agosto do ano passado.
SCOT CONSULTORIA
China barra carne bovina do Frigorífico Redentor
País asiático não informou o motivo nem o prazo de duração da suspensão
A China suspendeu a importação de carne bovina do Frigorífico Redentor, de Guarantã do Norte (MT). A empresa pertence ao Grupo Bihl. A suspensão vale a partir da terça-feira, segundo informação da Administração-Geral de Alfândegas chinesa (GACC, na sigla em inglês). Comunicado no site do órgão não especifica o motivo para a suspensão, nem até quando as compras ficarão embargadas. A GACC também suspendeu a importação de plantas da Irlanda, México e Tailândia. No sistema do Ministério da Agricultura, consta que o Frigorífico Redentor (SIF 411) teve a sua habilitação para exportação para a China suspensa já a partir de 28 de julho deste ano. Procurada na semana passada, a empresa ainda não respondeu ao Valor sobre os motivos e o prazo de validade da suspensão. Notícias veiculadas na imprensa de Mato Grosso no início deste ano afirmavam que os abates estavam suspensos na unidade devido à baixa oferta de animais na região. Há registros de protestos de pecuaristas que cobravam supostas dívidas do frigorífico. Na lista do Ministério da Agricultura, outros seis frigoríficos brasileiros estão com as exportações para a China suspensas. A unidade de Xaxim (SC) da Cooperativa Aurora está embargada desde agosto de 2020 para carne de aves. A BRF de Lucas do Rio Verde (MT), a Bello Alimentos de Itaquiraí (MS) e a São Salvador de Itaberaí (GO) também estão impedidas de vender frango para os chineses. A Masterboi, de São Geraldo do Araguaia (PA), está com os embarques de carne bovina suspensos desde abril. A planta da Marfrig em Marau (RS) continua com a suspensão para exportar carne de aves. O embargo mais longevo atinge a unidade da Minuano, em Lajeado (RS), desde junho de 2020, também para frango in natura.
VALOR ECONÔMICO
Mercado de boi gordo fecha o dia com queda em algumas regiões
O mercado físico de boi gordo voltou a registrar preços firmes nesta terça-feira (9)
De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, muitas indústrias permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo. As escalas de abate seguem bastante confortáveis, e oferecem tranquilidade à indústria frigorífica neste momento. “A incidência de contratos a termo torna a programação ainda mais tranquila entre os frigoríficos de maior porte. Ele indica ainda que férias coletivas de determinados frigoríficos é um elemento importante a ser considerado no curto prazo, o que pode resultar em aumento da pressão de queda”, diz Iglesias. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi caiu e teve preço de R$ 307. Diferentemente, em Dourados (MS), os preços subiram R$1 e fecharam o dia em R$290. Em Cuiabá (MT) a arroba de boi gordo também teve queda com a arroba cotada em R$ 283. Em Uberaba (MG), os preços ainda tiveram alta, cotados em R$295. Em Goiânia (GO), os preços do boi fecharam o dia em R$ 290 a arroba. O mercado atacadista operou com preços firmes. O quarto dianteiro do boi continuou com preço de R$ 16,80, assim como a ponta de agulha também continuou cotada a R$ 16,75. O quarto traseiro do boi mantém-se em R$ 22 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar sobe após 3 quedas seguidas à espera de inflação nos EUA
O dólar fechou em alta na terça-feira, superando 5,15 reais após mais cedo cair abaixo de 5,10 reais, com a volta dos compradores espelhando o comportamento externo da moeda antes de aguardados números de inflação nos Estados Unidos
O dólar à vista subiu 0,32%, a 5,1299 reais. A moeda vinha de três recuos seguidos nas quais acumulou perda de 3,11%. O clima mais avesso a risco de forma geral –com queda das bolsas de valores em Nova York e a pressão da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano– ofereceu ímpeto ao dólar. No Brasil, a inflação deu novos sinais de abrandamento e o Banco Central reiterou expectativa do mercado de provável fim do ciclo de alta dos juros, mas o foco dos investidores estava voltado para dados de preços ao consumidor em julho nos Estados Unidos, a serem divulgados na quarta-feira. O número será conhecido depois de na semana passada um relatório surpreendentemente robusto de emprego nos EUA reavivar apostas em outra grande alta de juros pelo banco central norte-americano, o que teria potencial de fortalecer o dólar. “Acreditamos que o Federal Reserve-Fed terá que subir o juro-base muito além do que o mercado precifica. No médio prazo, isso quer dizer dólar americano ainda forte, mercados mais voláteis e juro ainda mais alto no mundo desenvolvido”, disseram em carta mensal gestores da Galapagos Asset.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta pelo 6º pregão com suporte de Vale
O Ibovespa fechou em alta pelo sexto pregão consecutivo na terça-feira, conforme Vale acelerou os ganhos para mais de 2% durante a sessão e Itaú Unibanco avançou 2,6% após resultado robusto de segundo trimestre e melhora de previsões para o ano
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,23%, a 108.651,05 pontos. O volume financeiro somou 26,8 bilhões de reais. Avanço acumulado no mês de quase 6%, abriu espaço para realização de lucros, principalmente em ações de consumo, que subiram recentemente diante da aposta de que o ciclo de alta de juros no país acabou ou está perto do fim. A ata da última reunião do Copom, que elevou a Selic a 13,75% ao ano, na visão de agentes do mercado, confirmou essa percepção, embora tenha sinalizado que a taxa deve seguir em território significativamente contracionista por um período suficientemente prolongado. “A mensagem (da ata) é consistente com a nossa previsão de Selic terminal a 13,75%, com reduções (na taxa) começando no próximo ano levando a Selic para 10,50%”, afirmou o Bank of America. Economistas no Itaú Unibanco e Bradesco também esperam que a Selic permaneça em 13,75% na próxima reunião do Copom. Na visão do sócio e estrategista da Meta Asset Management, Alexandre Póvoa, a ata não trouxe nenhuma grande novidade. “A janela ainda está aberta para (uma alta de) 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, mas o mais importante é que estamos virtualmente no fim do ciclo”, avaliou. A bolsa paulista fechou com agentes financeiros na expectativa do índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI, na sigla em inglês) de julho, previsto para quarta-feira, principalmente após dados fortes do mercado de trabalho conhecidos no final da semana passada. Em um contexto no qual investidores buscam sinais sobre o ritmo do aperto monetário pelo Federal Reserve, Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3, afirmou que o dado pode fornecer alguma clareza sobre o caminho dos aumentos das taxas de juros pelo BC norte-americano.
REUTERS
IPCA tem deflação de 0,68% em julho, menor taxa desde 1980. Alimentos e serviços sobem
O resultado levou o índice acumulado em 12 meses a uma taxa de 10,07%, abaixo dos 11,89% do mês anterior, mas ainda assim superando com folga o teto da meta oficial para a inflação este ano –3,5%, alvo já abandonado pelo Banco Central
O Brasil voltou a registrar deflação em julho pela primeira vez desde meados de 2020, com a menor taxa desde o início da série histórica em janeiro de 1980, devido às quedas nos preços de combustíveis e energia elétrica. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve queda de 0,68% em julho, depois de subir 0,67% no mês anterior. Essa foi a primeira deflação mensal desde maio de 2020 (-0,38%), de acordo com os dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda do IPCA em julho teve forte influência da lei que estabelece um teto para as alíquotas de ICMS sobre os setores de combustíveis, gás, energia, comunicações e transporte coletivo. O maior impacto dela, no entanto, deve ficar restrito a julho. Isso garantiu que os grupos Transportes e Habitação registrassem respectivamente recuos de 4,51% e 1,05% nos preços, os únicos com variação negativa no índice do mês. Em julho, os preços da gasolina caíram 15,48% e os do etanol tiveram queda de 11,38%. Já as contas de energia elétrica recuaram 5,78%. Por outro lado, a maior alta no mês veio de Alimentação e Bebidas, com forte peso no bolso do consumidor, para 1,30%, de 0,80% em junho. A alta da alimentação no domicílio acelerou de 0,63% em junho para 1,47% em julho, e o maior impacto positivo no índice do mês veio do leite longa vida, que subiu 25,46%. “Essa alta do produto se deve, principalmente, a dois fatores: primeiro porque estamos no período de entressafra, que vai mais ou menos de março até setembro, outubro, … e o fato de os custos da produção estarem muito altos”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. As expectativas do mercado para a inflação este ano vêm diminuindo graças ao alívio nos preços administrados. Mas para 2023 as contas estão subindo, uma vez que as medidas de alívio não devem ter impactos duradouros.
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Produção industrial cai em 10 de 15 locais avaliados em junho ante maio, diz IBGE
Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve uma alta de 0,8% nesta comparação; demais expansões ocorreram no Pará, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina
A produção industrial caiu em 10 dos 15 locais pesquisados em junho na comparação com maio, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados pelo IBGE na terça-feira, 9. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve uma alta de 0,8% nesta comparação. As demais expansões ocorreram no Pará (9,8%), Bahia (2,4%), Pernambuco (1%) e Santa Catarina (0,2%). Na direção oposta, houve perdas no Mato Grosso (-2,8%), Rio de Janeiro (-2,4%), Espírito Santo (-2,3%), Ceará (-1,4%), Amazonas (-1,6%), Rio Grande do Sul (-0,5%), Goiás (-0,4%), Paraná (-0,3%) e Minas Gerais (-0,1%) e Região Nordeste (-0,6%). Na média global, a indústria nacional caiu 0,4% em junho frente a maio. A produção industrial caiu em cinco dos 15 locais pesquisados em junho de 2022 ante junho de 2021, segundo o IBGE. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve uma alta de 0,3%. As demais altas ocorreram em Mato Grosso (18,8%), Bahia (11,9%), Paraná (7,3%), Goiás (3,5%), Rio Grande do Sul (3%), Região Nordeste (2,9%), Pernambuco (1,7%), Santa Catarina (0,6%) e Ceará (0,2%). Já os locais com quedas na produção industrial foram Rio de Janeiro (-4%), Minas Gerais (-3,8%), Pará (-3,6%), Amazonas (-3,2%) e Espírito Santo (-2,2%). Na média global, a indústria nacional caiu 0,5% em junho de 2022 ante junho do ano passado.
O ESTADO DE SÃO PAULO
Inflação dos alimentos ganha força e encosta em 15% em 12 meses
Alta acumulada de 14,72% até julho é a maior desde fevereiro de 2021, mostra IPCA
Enquanto produtos e serviços como gasolina e energia elétrica passaram a ceder, os preços da comida voltaram a ganhar força no Brasil. Sinal disso é que a inflação do grupo de alimentação e bebidas se aproximou novamente de 15% no acumulado de 12 meses, de acordo com o IPCA. Até julho, a alta chegou a 14,72%, segundo dados divulgados na terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa era de 13,93% até o mês anterior. O acumulado mais recente é o mais intenso desde fevereiro de 2021. À época, o grupo registrava inflação de 15% em 12 meses. O IPCA contempla nove grupos de produtos e serviços. Apenas vestuário (16,67%) subiu mais do que alimentação e bebidas até julho. A carestia da comida afeta sobretudo as camadas mais pobres, que têm menos condições financeiras para lidar com a alta dos preços. Entre os alimentos pesquisados no IPCA, as maiores variações no acumulado de 12 meses até julho vieram de mamão (99,39%), melancia (81,6%), cebola (75,15%), morango (73,86%), batata-inglesa (66,82%) e leite longa vida (66,46%). Recentes sinais de trégua das commodities no mercado internacional podem gerar algum alívio para os preços dos alimentos até o final do ano. Essa desaceleração, contudo, tende a ocorrer em um ritmo mais lento do que em outros grupos. Ainda há incertezas no cenário de oferta e demanda. Na composição do IPCA, apenas o segmento de transportes pesa mais do que alimentação e bebidas. No acumulado de 12 meses, a inflação de transportes desacelerou de 20,12% em junho para 12,99% em julho.
FOLHA DE SP
EMPRESAS
A tese do ex-CEO da Marfrig para transformar o Frigol
Eduardo Miron assumiu o comando do quarto maior frigorífico do país em janeiro e vem testando o apetite do mercado de capitais
A bolsa talvez não tenha espaço para mais uma indústria de carne bovina, mas o Frigol (quarto maior frigorífico do país, só atrás das gigantes JBS, Marfrig e Minerva) quer mostrar que também pode ser um exemplo de geração de valor no agro. Com estruturação de governança, reorganização financeira e, quem sabe, um aporte de um investidor no médio prazo, a companhia da família Gonzaga de Oliveira vem se diferenciando dos médios frigoríficos para buscar um lugar ao sol. A empresa debutou no mercado de capitais em junho, levantando R$ 100 milhões em títulos de dívida. Estruturados pelo banco Safra, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pelo Frigol saíram a CDI + 5,75% ao ano. A estreia animou a companhia a repetir a dose. Nesta semana, os principais executivos da companhia estão apresentando os resultados do segundo trimestre aos bancos, onde inicia as conversas para uma segunda emissão de CRAs do mesmo porte. À frente da estratégia está Eduardo Miron, um executivo de longa carreira no agronegócio que passou mais de 20 anos na Cargill e uma década na Marfrig, onde foi CEO por três anos e conduziu a reorganização financeira que mudou a cara da empresa de Marcos Molina, atuando nas negociações para a venda da Keystone à Tyson Foods e na compra da americana National Beef. Miron está no Frigol desde o fim de 2020, inicialmente como membro independente do conselho de administração desde a virada do ano como CEO. O executivo passa a semana na sede em Lençóis Paulista, município do interior de São Paulo que fica a quase 300 quilômetros da capital. Desde que assumiu o posto, uma de suas missões é fazer o Frigol funcionar como se fosse uma companhia listada, emulando os padrões de governança dos grandes concorrentes. No conselho, há dois independentes: o ex-AES Britaldo Soares e Ely Mizrahi, um executivo ex-BRF. Nessa toada, Miron criou uma rotina de apresentação periódica de resultados e fez questão de se antecipar às rivais ao divulgar o balanço do segundo trimestre. Beneficiada pela ampla demanda chinesa e pela disparada dos preços da carne bovina no mercado internacional, o Frigol bateu recorde de vendas no segundo trimestre. A receita líquida cresceu 19%, chegando a R$ 893 milhões. No semestre, foram R$ 1,8 bilhão, um salto de 34%. Em faturamento, o grupo já vislumbra os R$ 4 bilhões em 2022. As vendas vieram junto com a rentabilidade. No trimestre, o Ebitda do Frigol aumentou 37% na comparação anual, atingindo R$ 85 milhões. Com isso, a margem se aproximou dos dois dígitos, passando de 8,3% para 9,5%, um patamar relativamente alto para uma indústria brasileira de carne bovina. Na comparação semestral, o salto é ainda mais impressionante, saindo de 3,7% para 9,5%. O lucro líquido aumentou 33% no segundo trimestre e chegou a R$ 50,8 milhões. É inegável que o ciclo da pecuária cumpriu seu papel — a oferta de gado, que andava restrita, melhorou —, mas o Frigol também fez o dever de casa ao otimizar o parque fabril ao devolver o frigorífico de Cachoeira Alta (GO), que estava arrendado, mas entregava resultados negativos. “Sem habilitação para exportar, não adianta ter planta. No geral, os frigoríficos perdem dinheiro no mercado interno, e ainda mais se não tiverem uma estratégia”, diz Miron. Por aqui, a companhia concentrou a estratégia vendendo no interior de São Paulo, onde gere o açougue de uma centena de supermercados. Com a devolução da unidade goiana, o Frigol pode se concentrar nos três frigoríficos próprios de bovinos (também há um abatedouro menor de porco) mais rentáveis, dobrando a aposta na China.
VALOR ECONÔMICO
JBS faz investimento de R$ 400 milhões em nova companhia
Genu-in vai produzir peptídeos de colágeno e gelatina para indústrias de cosméticos e de alimentos
A gigante de proteína animal JBS está com nova aposta. Inicia neste mês as operações da Genu-in, empresa que produzirá peptídeos de colágeno e gelatina a partir da pele de bovinos da cadeia de produção da JBS. O investimento no negócio foi de R$ 400 milhões, de olho em um mercado que movimenta US$ 4 bilhões e que cresceu acima de 15% anualmente nos últimos cinco anos, segundo a consultoria americana Allied Market Research. A nova empresa venderá peptídeos e gelatina para as indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos. Os peptídeos de colágeno são minúsculas partículas de proteína que agregam amionoácidos e ajudam na hidratação da pele, redução de rugas, regeneração de cartilagem e combate à perda de massa muscular, por exemplo. “É uma empresa que já nasce grande, se posicionando entre os três maiores ‘players’ do mercado, com 10% do mercado global de peptídeos e gelatina de pele bovina”, conta Claudia Yamana, diretora da nova empresa do grupo. O investimento de R$ 400 milhões ficou acima dos R$ 280 milhões previstos em fevereiro de 2021, quando a JBS anunciou a empreitada. O maior aporte, explica a empresa, se deve ao aumento de preços do aço, cobre, materiais para fabricação dos equipamentos e despesas com transporte. A Genu-in vai ser a principal brasileira com essa atuação. Concorrente direta da JBS no processamento de proteína bovina, a Marfrig, por exemplo, apenas vende os subprodutos de sua produção para empresas fabricantes de colágeno e gelatina. Globalmente, as maiores concorrentes são a alemã Gelita e a Rousselot, da americana Darling Ingredients. As duas têm operações no Brasil. A Genu-in se junta à divisão de novos negócios da JBS, com operações que transformam os subprodutos do processamento das cadeias bovina, suína e de aves em produtos como couro, biodiesel, fertilizantes, rações, insumos fármacos, materiais de higiene e limpeza. Mesmo o colágeno a JBS já produzia por meio da NovaProm, mas para uso em alimentos industrializados a partir de carnes. A diretora diz que o diferencial da Genu-in está justamente no controle de toda a cadeia. “Desde a origem até a fábrica, preservando o colágeno nativo e seus benefícios.” No primeiro momento, a produção ficará concentrada nos produtos a partir da pele bovina. Com uma fábrica automatizada em Presidente Epitácio, no interior de São Paulo, a Genu-in inicia as operações com mais de 130 funcionários. A capacidade de produção é de 6 mil toneladas por ano de peptídeos de colágeno e 6 mil toneladas por ano de gelatina. “A capacidade instalada aqui é cinco vezes maior do que o mercado interno”, afirma a executiva. A companhia vai atuar no mercado externo, mas também enxerga potencial de crescimento no mercado brasileiro, “conforme a população envelhece”. O primeiro lançamento é o peptídeo de colágeno Genu-in Life, ingrediente de produtos para saúde e beleza. O componente estará na formulação de marcas terceiras que chegarão ao consumidor até o início de 2023, segundo Yamana. Outro produto é a gelatina Genu-in Gel para a produção de sobremesas, sorvetes e confeitos pela indústria alimentícia, além de comprimidos e cápsulas de remédio pelo setor farmacêutico.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Seara cria bônus ESG para granjeiro que instalar painéis solares
Produtores de frangos e suínos com a tecnologia poderão receber “prêmio” de 10%
Para estimular o uso de energias renováveis, a Seara, da JBS, vai premiar os granjeiros integrados que investirem em painéis solares ou biogás (um subproduto da criação de suínos). Os produtores de frangos e suínos que adotarem — ou que já adotam — a tecnologia poderão receber um bônus de 10% sobre o valor de venda dos animais que são engordados para os frigoríficos da companhia. De acordo com José Antonio Ribas, diretor de agropecuária e sustentabilidade da Seara, o bônus representa a evolução de um programa que já existia. Antes, os granjeiros que cumprissem metas de bem-estar animal e tratamento de resíduos sólidos (além de outros critérios operacionais para definir a qualidade da granja) recebiam um bônus de 5%. Agora, esse prêmio pode dobrar se incluir o uso de energia renovável como uma métrica do programa. A bonificação já vale para os granjeiros que já instalaram painéis fotovoltaicos, o que significa um contingente relevante. Do total de 10 mil famílias integradas, cerca de 40% já instalaram os painéis em suas granjas. Conforme Ribas, o bônus passa a valer assim que o painel é colocado. “Antes, o integrado concorria a um bolo que tinha o tamanho de 105% em remuneração. Agora, ele é de 10%. Colocando um adicional na premiação”, disse o executivo, que também coordena o SuperAgro, um programa de relacionamento com os integrados que inclui investimentos em cursos sucessão familiar e digitalização das granjas (dando acesso a indicadores em tempo real). Além do benefício ambiental, o uso de energias renováveis representa uma economia para os integrados. Segundo Ribas, os granjeiros podem poupar de 70% a 90% dos gastos com energia elétrica ao adotarem painéis fotovoltaicos. Em média, os investimentos de um integrado em um painel solar se pagam entre três a quatro anos. Com os bônus da Seara, esse prazo é reduzido. O bônus ESG já está valendo para criadores de aves. Nas próximas semanas, os produtores de suínos também poderão receber a bonificação.
VALOR ECONÔMICO
Arroba do suíno CIF registra valorização de até 3,85%
Na terça-feira (09), as referências dos suínos apresentaram valorizações nas principais regiões
Levantamento da Scot Consultoria apurou que a arroba do suíno CIF está cotada a R$ 135,00/@ a R$140,00/@, valorização de 3,85%/ 1,45%. O valor da carcaça especial apresentou ganho de 4,17%/ 2,97%, cotado a R$ 10,00/R$10,40 o quilo. Segundo o Cepea/Esalq referente às informações da última segunda-feira (08), o preço do animal vivo em Minas Gerais está próximo de R $7,33/kg, alta de 2,37% no comparativo diário. Em Santa Catarina, o suíno teve alta de 1,77% e está cotado a R$6,34/kg. Em São Paulo, o animal vivo registrou um incremento de 0,71% e está em R$7,12/kg. No Paraná, o valor do animal apresentou uma valorização de 3,78% e está em R$6,32/kg. No Rio Grande do Sul, o preço do suíno teve uma valorização de 1,11%, cotado a R$6,40/kg.
Cepea/Esalq
Frango segue com estabilidade nas principais praças
As referências para o mercado do frango permaneceram sem movimentações
Levantamento realizado pela Scot Consultoria na terça-feira (09), informa que a referência para a carne de frango na granja em São Paulo permaneceu estável e está cotada em R$ 6,10/kg, enquanto que o frango no atacado registrou alta de 0,65% e finalizou o dia cotado a R$ 7,75/kg. No levantamento realizado pelo Cepea, o preço do frango congelado seguiu estável em R$ 8,02/kg. O frango resfriado permaneceu estável, negociado em R$ 8,06/kg.
O preço do frango vivo em Santa Catarina segue estável em 4,25/kg. A referência do frango vivo no Paraná está estável a R$ 5,47/kg, enquanto em São Paulo a cotação do frango vivo está sem referência.
Cepea/Esalq
África do Sul suspende tarifa antidumping sobre carne de frango do Brasil
ABPA comemora, mas reitera que continua tentando provar que não há irregularidades nesse comércio
A África do Sul suspendeu a aplicação da tarifa antidumping sobre a importação de carne de aves de Brasil, Dinamarca, Irlanda, Polônia e Espanha. A decisão foi anunciada no início do mês pelo Ministério do Comércio e Indústria Sul-africano, e vale por um ano. A informação consta em relatório do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Pretória. Segundo o documento, para a suspensão o governo da África do Sul considerou o “rápido aumento no processamento de alimentos e o impacto que a imposição de direitos antidumping pode ter sobre o preço do frango”, principalmente sobre os mais pobres. O relatório diz que, em janeiro, a comissão que investiga a prática de dumping constatou que “aves originárias desses países foram despejadas no mercado” africano e recomendou a aplicação de tarifas sobre a importação de carne de frango com osso dessas origens — incluindo o Brasil — por seis meses. A alíquota aplicada ao Brasil, de janeiro a junho deste ano, foi de 265%. Antes disso, a taxa era de 62%. Dinamarca, Irlanda, Polônia e Espanha tinham exportações livres para a África do Sul até o início deste ano, mas Pretoria aplicou tarifas antidumping de 67,4% para a carne dinamarquesa, 158,4% para a irlandesa, 96,9% para a polonesa e 85,8% para a espanhola. A África do Sul permanece aplicando taxa antidumping para a importação de carne de frango com osso de Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. As tarifas expiram em 23 de novembro deste ano. “Devido à Gripe Aviária Altamente Patogênica que limita as exportações da Europa, o Brasil é o único parceiro que se beneficiará imediatamente da suspensão das tarifas antidumping”, diz o relatório do USDA. Para o diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, a suspensão da aplicação da tarifa antidumping sobre a carne de frango com osso do país pela África do Sul de fato é uma notícia positiva, mas ele reiterou que o segmento ainda busca formas de provar que não existe prática ilegal nesse comércio. “Continuaremos buscando provar a nossa inocência, pois houve a suspensão da aplicação da tarifa, mas não o encerramento do processo, que é um tanto quanto arbitrário do ponto de vista das normas de comércio internacional”, afirmou Rua ao Valor durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), em São Paulo. “Eles mantêm a acusação, a investigação. Vamos provar que o Brasil não pratica dumping na África do Sul e em nenhum dos 150 países para os quais exportamos”. Rua disse que o fluxo comercial para a África do Sul é bom, apesar das altas tarifas para acessar aquele mercado. Segundo o portal Agrostat do Ministério da Agricultura, abastecido com dados oficiais de comércio exterior, o Brasil exportou quase 297 mil toneladas de carne de carne de frango para a África do Sul em 2021, ou US$ 208 milhões.
VALOR ECONÔMICO
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