
Ano 8 | nº 1687| 09 de março de 2022
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Exportações totais de carne bovina cresceram 47% em volume e 77% na receita em fevereiro
Com a movimentação de 182.341 toneladas, novo recorde para o mês, e uma receita de US$ 975,8 milhões, as exportações totais de carne bovina (carnes in natura, somadas as carnes processadas) apresentaram em fevereiro um crescimento de 47% no volume e de 77% na arrecadação de divisas, em relação a fevereiro de 2021, informou a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou as informações da Secretaria de Comercio Exterior (SECEX), do Ministério da Economia.
Nos primeiros dois meses do ano, a venda da carne bovina nos mercados internacionais está bastante aquecida e atingiu 342.339 toneladas, com receita de US$ 1,78 bilhão, crescimento de 36% no volume e de 62% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, com 251.603 toneladas exportadas e receita de US$ 1,101 bilhão. Os preços médios de todos os tipos de carne bovina comercializadas também vêm subindo. Em fevereiro de 2021 eles foram de US$ 4,435 mil por tonelada e em fevereiro de 2022 atingiram a US$ 5,350 mil (+20%). A China continua comandando a lista de países importadores, mas mesmo aumentando o volume diminuiu sua participação relativa. Comprou 140.946 toneladas nestes dois meses (41% do total) contra 119.031 em 2021 (era 47% do total), o que demonstra que a carne bovina brasileira está apresentando crescimento significativo também em outros mercados como Estados Unidos, Egito, Israel, Chile, Filipinas, Emirados Árabes, Itália e Rússia. Como segundo maior comprador estão os Estados Unidos que passaram de 7.616 toneladas no primeiro bimestre de 2021 (3% do total) para 43.451 toneladas em 2022 (12,7% do total), num crescimento de 470,5% na movimentação. O Egito também voltou a fazer aquisições significativas e se transformou no terceiro maior cliente do país: em 2021 elas foram de apenas 8.241 toneladas (3,3% do total) e em 2022 já chegaram a 31.705 toneladas (9,3% do total), nos primeiros dois meses do ano. Em quarto lugar está Hong Kong, que paulatinamente vem reduzindo suas compras devido ao aumento de aquisições pelo continente, com 34. 571 toneladas importadas em 2021 e somente 20.594 toneladas em 2022 (-40,4%). Em quinto, o Chile, com 10.599 toneladas em 2021 e 11.436 toneladas no mesmo período de 2002 (+ 7,9%); na sexta posição surgiu Israel, que em 2021 comprou 6.359 toneladas e, neste ano, já importou 10.042 toneladas (+57,9%); os Emirados Árabes ficaram na sétima posição, com aquisições de 6.349 toneladas em 2021 e agora 9.305 toneladas (+46,6%); a Rússia veio em oitavo lugar, com importações de 3.238 toneladas em 2021 e 8.627 em 2022 (+ 166%). No total, 88 países aumentaram suas compras da carne bovina brasileira in natura e processada, enquanto que outros 36 reduziram a movimentação.
Publicado em: AGÊNCIA REUTERS/ VALOR ECONÔMICO/G1 O GLOBO/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/AGROEMDIA/CANAL RURAL/PORTAL DBO/CARNETEC/AGROLINK/ISTOÉ DINHEIRO/INVESTING.COM
NOTÍCIAS
Arroba esboça nova tendência de alta
Nas praças paulistas, o boi gordo ao mercado doméstico subiu R$ 2/@ na terça-feira, cotado a R$ 340/@, informa a Scot Consultoria; machos com padrão para exportação são negociados até R$ 360/@
A grande dificuldade dos frigoríficos em encontrar animais terminados e o aquecimento das exportações de carne bovina neste primeiro bimestre do ano (sobretudo ao mercado da China) seguram os preços da arroba em patamares elevados nas principais praças brasileiras. Nesta terça-feira, 8 de março, o valor do boi gordo subiu novamente nas regiões do interior de São Paulo, dando sinais de que um movimento mais consistente de alta pode ser reativado no curto prazo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, no comparativo diário, as indústrias paulistas aceitaram elevar em R$ 2/@ as cotações do boi gordo destinado ao mercado interno. Dessa maneira, o boi, vaca e novilha gordos são negociados, respectivamente, por R$ 340/@, R$ 300/@ e R$ 332/@ (preços brutos e a prazo). Para os machos com padrão para exportação, os negócios estão firmes em até R$ 350/@, acrescenta a Scot.
SCOT CONSULTORIA
‘Taxa do frio’ é oficialmente extinta no Rio Grande do Sul, afirmam entidades
Com o fim da taxa de 2% que era cobrada do pecuarista gaúcho, o Estado passa a comercializar carcaças bovinas “quentes”, como no restante do Brasil
Assim como foi acordado no ano passado entre a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), está definitivamente extinta a taxa do frio de 2% aplicada nos abates de bovinos no Rio Grande do Sul (RS). A notícia foi anunciada na terça-feira, 8/3, numa nota emitida pelo Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó. A Farsul confirmou o fim da cobrança. Com o fim da taxa, o Estado passa a comercializar carcaças bovinas “quentes”, como no restante do Brasil, sendo vetada a comercialização de carcaças frias. A “taxa do frio”, “desconto do frio” ou “taxa de resfriamento” é o porcentual que até então era descontado do pecuarista gaúcho pela indústria frigorífica por ocasião das perdas de peso por decorrência do resfriamento das carcaças na câmara fria da planta frigorífica. A história desse desconto remete à época em que as cooperativas atuavam fortemente no abate de animais no Estado. Naquele momento até fazia sentido o desconto, porque a taxa acabava beneficiando os próprios produtores. Atualmente, a realidade é outra, pois a maioria dos frigoríficos está nas mãos da iniciativa privada. Essa taxa, em geral de 2%, vinha sendo cobrada indevidamente do produtor rural, uma vez que as perdas de peso da carcaça por resfriamento são ônus exclusivamente da indústria frigorífica e não podem ser repassadas ao pecuarista. Em 8 de março de 2020, Farsul e Sicadergs formalizaram um acordo para a extinção gradual da cobrança, determinando: a extinção da taxa do frio a partir de 08 de março de 2022; o estabelecimento de um período de transição de 1º de agosto de 2021 a 07 de março de 2022 em que coexistiram as duas modalidades de comercialização (carcaça quente e carcaça fria);
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar fecha em queda, mas segue acima de R$ 5
O dólar fechou em queda na terça-feira, chegando a descer à faixa de 5,04 reais no mercado à vista, com investidores repercutindo algum alívio no exterior do meio da tarde em diante enquanto o noticiário sobre a guerra na Ucrânia seguiu no foco
No encerramento do pregão no mercado spot, o dólar caiu 0,50%, a 5,0539 reais. O movimento seguiu a escalada do euro e uma tentativa de recuperação das ações, que vêm sofrendo com o desenrolar da guerra no leste da Europa. O rublo –um termômetro da crise– saltava quase 10% ante o dólar, enquanto o petróleo Brent, que chegou a disparar 8,07% mais cedo, reduziu o ganho no fechamento para 3,87%. Investidores analisaram a confirmação de que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proibiu nesta terça-feira a importação de petróleo russo e de outras fontes de energia em retaliação à invasão da Ucrânia, ressaltando o forte apoio bipartidário a uma medida que ele reconheceu que elevaria os preços da energia nos EUA. Mas também circularam nas mesas informações de que a Ucrânia não mais estaria insistindo para integrar a Otan, um dos motivos alegados pela Rússia para justificar o conflito.
O mercado aparentemente começa a agora a dividir as atenções à guerra entre Rússia e Ucrânia com outros temas potencialmente desfavoráveis ao real. É importante notar que o dólar, depois de testar os 4,99 reais duas semanas atrás, não conseguiu mais romper a barreira dos 5,00 reais. O BTG Pactual chama atenção para a reunião de política monetária nos Estados Unidos (com resultado no próximo dia 16) e às cada vez mais acaloradas discussões aqui sobre subsídios aos preços dos combustíveis, com risco de impacto fiscal significativo. Para o banco, a combinação entre ambos tende a limitar a entrada de dólares para a busca de ativos de valor no mercado de ações e para a realização de “trades de carrego” –o chamado “carry trade”, estratégia em que investidores compram derivativos em reais visando lucrar com diferenciais de juros.
REUTERS
Ibovespa tem leve queda em dia volátil, após Biden banir importações de petróleo russo
O principal índice da bolsa brasileira encerrou em leve baixa nesta terça-feira, após alternar alta e baixa diversas vezes na sessão, à medida que as incertezas envolvendo o conflito na Ucrânia elevam a volatilidade dos mercados globais
À tarde, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, baniu as importações de petróleo da Rússia, em reação à invasão da Ucrânia pelo país. A commodity teve nova sessão de alta. A Vale e outros papéis ligados a commodities metálicas lideraram perdas, enquanto Petrobras e companhias aéreas fizeram contraponto. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa caiu 0,18%, a 111.394,90 pontos, após sofrer a maior baixa de 2022 na véspera. O volume financeiro foi de 35,9 bilhões de reais.
REUTERS
FGV: Indicador Antecedente de Emprego recua 1,4 ponto em fevereiro
O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) piorou pelo quarto mês consecutivo, recuando 1,4 ponto em fevereiro, para 75,1 pontos, menor nível desde agosto de 2020 (74,8 pontos). Em médias móveis trimestrais, o indicador também caiu, desta vez, 2,6 pontos, para 77,8 pontos.
Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV)
“O IAEmp voltou a cair em fevereiro, seguindo a tendência negativa dos últimos meses. Os últimos resultados sugerem que a recuperação do mercado de trabalho deve ser mais lenta do que a ocorrida em 2021. O ambiente macroeconômico difícil e potenciais riscos de aumento da incerteza global não permitem vislumbrar uma mudança na trajetória do indicador no curto prazo”, afirmou, em nota, o economista do Ibre/FGV, Rodolpho Tobler. No mês de fevereiro, todos os componentes do IAEmp contribuíram negativamente para o resultado, exceto o indicador que mede a Situação Atual dos Negócios no setor de Serviços, cuja contribuição foi de 0,5 ponto. Segundo o Ibre/FGV, o principal destaque negativo foi o indicador de Situação Atual dos Negócios da Indústria, que reduziu 1,0 ponto a variação do IAEmp no mês. Além disso, os indicadores que medem a Tendência dos Negócios nos próximos seis meses e as intenções de contratação nos próximos três meses (Emprego Previsto), ambos no setor de Serviços, contribuíram -0,3 e -0,3 ponto, respectivamente para a variação do indicador.
AGÊNCIA BRASIL
Emprego na indústria cresce 0,1% em janeiro, aponta CNI
Nos últimos três meses aumento é de 0,5%
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado ontem apontou alta nos indicadores de emprego industrial e faturamento real das empresas no mês de janeiro. Segundo a confederação, o indicador de emprego industrial aumentou 0,1% em janeiro frente a dezembro de 2021, na série dessazonalizada.Segundo a CNI, com a revisão para cima dos resultados de novembro de 2021 e de dezembro de 2021, o emprego passa a acumular alta de 0,5% nos últimos três meses. Já o indicador de faturamento fechou janeiro com alta de 2,8% e acumulou crescimento de 6,6% entre novembro de 2021 e janeiro de 2022. A CNI, destaca, no entanto, que o indicador segue abaixo do registrado em todo o primeiro semestre de 2021 e 5,2% abaixo do registrado em janeiro de 2021. Em janeiro, a massa salarial registrou crescimento de 4,2% fechando o terceiro mês consecutivo com alta acumulado de 5,7%. Já as horas trabalhadas na produção mantiveram-se praticamente estáveis na passagem de dezembro de 2021 para janeiro de 2022, ao registrar recuo de 0,1% na série livre de efeitos sazonais. “Apesar disso, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) completou sete meses consecutivos de queda. Após atingir 82,3% em junho de 2021, a UCI mostrou queda ao longo de todo o segundo semestre de 2021 e se manteve em queda no primeiro mês de 2022”, informou a CNI.
AGÊNCIA BRASIL
IGP-DI desacelera alta em fevereiro, diz FGV; petróleo pode aumentar pressão em março
Os preços do minério de ferro caíram e levaram o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) a desacelerar a alta em fevereiro a 1,50%, de 2,01% em janeiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na terça-feira
Com isso, o índice passou a acumular nos 12 meses até fevereiro alta de 15,35%. O resultado do mês ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 1,56%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, passou a subir 1,94% em fevereiro, de alta de 2,57% no primeiro mês do ano. André Braz, coordenador dos índices de preços, disse em nota que “o preço do minério de ferro (de 11,33% para -0,10%) cedeu e permitiu a desaceleração da taxa do IPA”. No entanto, “os efeitos da recente escalada do preço do petróleo ainda não se materializaram entre os combustíveis, cujos preços são controlados, ou mesmo sobre a indústria química”, acrescentou ele. “Ao longo do mês de março, os preços de vários derivados do petróleo devem apresentar aumentos impondo maior dificuldade a desaceleração do IGP.” Em meio a temores de restrição de oferta decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia, os preços do petróleo Brent chegaram a superar os 139 dólares por barril na segunda-feira. Nesta terça-feira, a commodity era negociada em torno dos 126 dólares por barril. Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) –que responde por 30% do IGP-DI– mostrou menor pressão, uma vez que o avanço desacelerou a 0,28% no período, de 0,49% em janeiro. A principal colaboração para esse arrefecimento partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação, que caiu 0,51% no mês passado, após subir 1,64% em janeiro.
Já o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) subiu 0,38% em fevereiro, de 0,71% no mês anterior. O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.
REUTERS
Juro real sobe a 7,5%, maior nível desde 2016
Salto de commodities reforça expectativa de Selic mais alta
Na medida em que o cenário inflacionário se tornou ainda mais complexo com a disparada dos preços das commodities, o salto dos juros de mercado, em reação ao ambiente global, levou a taxa de juro real a subir com força nos últimos dias. Cálculo do Valor Data, com base no swap de 360 dias e nas expectativas de inflação de um ano extraídas do boletim Focus, mostra o juro real em 7,47%, maior nível desde agosto de 2016. Com a escalada dos preços do petróleo Brent acima de US$ 100 por barril em meio ao atual cenário de guerra na Ucrânia e seus reflexos no mundo – na madrugada de segunda-feira, o barril chegou a US$ 139,13 -, os participantes do mercado começaram a colocar nos preços dos ativos níveis cada vez mais altos de juros. Esse movimento teve continuidade ontem. Na B3, a taxa do DI para janeiro de 2023 saiu de 12,98% para 13,105%; e a do DI para janeiro de 2024 subiu de 12,585% para 12,85%. O mercado também passou a ver uma inflação mais alta à frente. De acordo com dados da Renascença, a NTN-B com vencimento em maio de 2023 passou a indicar uma inflação de 6,37% ante 5,20% um mês atrás. Ontem, o boletim Focus voltou a mostrar piora no cenário para a inflação, mas em movimentos dados ainda a passos lentos. A mediana das estimativas para o IPCA no fim deste ano subiu de 5,60% para 5,65% e, entre as casas cuja revisão de cenário se deu nos últimos cinco dias, a estimativa mediana para o IPCA ficou em 5,78%. “Para a inflação, o cenário é altista. Existe um vetor de energia e de preços de alimentos, que já implica uma alta para as nossas projeções para algo como 6,5%”, diz o economista-chefe da Occam, Paulo Val. Antes, a gestora carioca trabalhava com um cenário de IPCA em 6,2% neste ano. “E isso coloca um viés de alongamento do ciclo de aperto monetário. Antes, tínhamos 12,25% para o fim, mas provavelmente o BC vai ter de fazer mais uma alta de 0,50 ponto para justamente tentar conter o contágio para a inflação de 2023”, afirma. Val agora espera que a Selic termine o atual ciclo em 12,75%. Para o profissional, diante de um cenário “muito fluido”, não seria o momento de o BC dar convicção para o próximo passo. A MB Associados passou a projetar o juro básico em 13%; o Modalmais elevou a projeção para a Selic de 12,25% para 12,75%; e a XP Asset Management passou a ver possibilidade de a taxa básica terminar o ciclo entre 12,75% e 13,25%. Na avaliação de Julio Fernandes, sócio e gestor dos fundos multimercado da XP Asset, os impactos inflacionários da guerra entre Rússia e Ucrânia devem fazer o ciclo de aperto de juros adentrar junho, “quem sabe até agosto”.
VALOR ECONÔMICO
INFLAÇÃO DA INDÚSTRIA ABRE 2022 COM ALTA DE 1,18% EM JANEIRO
Os preços no setor industrial iniciaram o ano de 2022 com um aumento de 1,18% em janeiro, na comparação com dezembro de 2021. Na passagem de novembro para dezembro, a variação foi de -0,08%. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado na terça-feira (08/03) pelo IBGE. No índice que registra os últimos 12 meses, a taxa foi de 25,51%. Em dezembro, havia sido de 28,45%
O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Dessas, 18 apresentaram alta. Os quatro setores com maiores variações, em termos absolutos, foram indústrias extrativas (9,54%), bebidas (4,31%), madeira (3,14%) e papel e celulose (2,85%). De acordo com o analista da pesquisa, Felipe Câmara, o resultado do mês tem ligação com o preço do petróleo e do minério de ferro, ambos em alta no mercado internacional. “Houve também transmissão disseminada de maiores custos dos insumos ao longo das cadeias produtivas, que se encontram desarticuladas por paralizações na produção, escassez e encarecimento de matérias-primas”, explica. Os preços das indústrias extrativas tiveram alta pela primeira vez desde agosto de 2021. Na comparação anual, os preços de janeiro de 2022 estiveram 11,30% superiores aos de janeiro de 2021. “O aumento de preços em relação a dezembro acompanha a recuperação recente do preço internacional do petróleo e do minério de ferro, e o acumulado em 12 meses guarda relação com as altas mais expressivas nos preços destas commodities no 1º semestre de 2021”, justifica Câmara. Este resultado colocou a variação de preços do setor como a que mais influenciou o resultado do mês (0,46 p.p., em 1,18%). Os preços no setor de refino de petróleo e biocombustíveis, depois de caírem 1,54% em dezembro de 2021, aumentaram 2,26%. Foi a segunda maior influência no mês (0,25 p.p., em 1,18%). O setor é também o de segundo de maior peso atual. “O resultado dessa atividade não só acompanha a recuperação recente do preço do petróleo, mas também responde ao efeito da alta acumulada do barril nos últimos meses. O setor, como toda a indústria, convive ainda com o encarecimento nos custos de importação de insumos, provocado pela depreciação cambial do último semestre”, afirma o analista da pesquisa. Outro destaque da pesquisa é a alta recorde no setor de veículos automotores: 2,27%. É a maior taxa da atividade em toda a séria histórica, iniciada em janeiro de 2010“Os fabricantes vêm sofrendo ao longo dos meses com a deterioração das condições nas cadeias de fornecimento, com o represamento na entrega de insumos, preço internacional do aço em alta até o 3° trimestre de 2021 e uma crise no suprimento global de semicondutores. Quadro que é reforçado e, também tem justificado decisões de paralização na produção doméstica, gerando um cenário de baixa reposição de estoques e escassez de oferta, que acaba por pressionar os preços na porta de fábrica”, detalha Câmara. Saindo das altas, o setor de alimentos, o maior peso no cálculo geral do IPP, teve uma variação de -0,20%. Este é o primeiro resultado negativo desde junho de 2021 (-0,14%).
Agência IBGE de Notícias
EMPRESAS
Marfrig tem melhor resultado anual de sua história
Empresa lucrou R$ 4,3 bilhões, 31,5% mais que em 2020; Ebitda cresceu mais de 50%, para R$ 14,5 bilhões
Cash is king. No ano em que gerou caixa como nunca – beneficiando-se do momento excepcional no negócio de carne bovina nos Estados Unidos –, a Marfrig conseguiu conciliar retorno aos acionistas, pagamento de dívidas e um apetite bilionário para montar uma posição na BRF. A companhia reportou na noite de ontem o resultado de 2021, o melhor de sua história. Com 95% da geração de caixa no mercado americano, a empresa de Marcos Molina lucrou R$ 4,3 bilhões, salto de 31,5%. No período, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou R$ 14,5 bilhões, o que representa um aumento em relação a 2020 de mais de 50%. Sustentada pelos EUA, a margem Ebitda atingiu um dos maiores níveis da história do grupo. Ao todo, a margem ficou em 17%, um aumento de 2,8 pontos na comparação com o ano anterior. Na América do Norte, a margem Ebitda ficou em 21,9%, pouco abaixo dos 23,4% de 2020, mas um nível bastante acima da média histórica da indústria frigorífica americana. Com um fluxo de caixa livre que chegou a R$ 5 bilhões no ano, a Marfrig propôs o pagamento de mais R$ 380 milhões em dividendos, o que será ratificado em assembleia pelos acionistas. “Com essa distribuição, vamos a um total de R$ 2,2 bilhões em dividendos sobre os resultados de 2021”, afirmou Tang David, principal executivo de finanças da companhia, em entrevista a jornalistas. Os dividendos da Marfrig representam um “payout” de 58,7%, destacou o executivo. Além disso, a companhia brasileira também fez a recompra de mais de R$ 650 milhões em ações. No ano, a Marfrig também bateu recorde de receita – o dólar valorizado e os preços mais altos da carne bovina nos Estados Unidos contribuíram. Em 2021, a receita líquida somou R$ 85,4 bilhões, aumento de 26,5%. Na operação da América do Norte, a receita cresceu 28,5%, para R$ 62,8 bilhões. No negócio sul-americano, o incremento chegou a 21,4%, para R$ 22,5 bilhões. Não fosse a BRF, a Marfrig poderia ter registrado um resultado ainda melhor. Por causa do efeito negativo – sem efeito no caixa – da marcação a mercado do investimento na dona da Sadia, a companhia de Marcos Molina teve um lucro de R$ 650 milhões no quarto trimestre, queda de 45,7% na comparação anual. A recuo das ações da BRF afetou o resultado em R$ 1,1 bilhão no trimestre, comentou David. Sem isso, a companhia teria um lucro de R$ 1,7 bilhão no trimestre. Operacionalmente, os EUA também ajudaram nos resultados do quarto trimestre. Ao todo, a receita líquida da Marfrig chegou a R$ 23,9 bilhões entre outubro e dezembro, um aumento de 31%. O Ebitda dobrou, chegando a R$ 4,1 bilhões, com a margem passando de 11,9% para 17,5%. Apenas na América do Norte, o Ebitda aumentou 141,1%, atingindo R$ 3,9 bilhões no trimestre. Com isso, a margem pulou de 13,1% para 22,2% na comparação anual. Na América do Sul, no entanto, o preço do gado ainda alto e o embargo – já retirado – da China à carne bovina do Brasil teve um impacto negativo, fazendo o Ebitda dessa região diminuir 55,9%, para R$ 213 milhões. Para 2022, o cenário melhorou drasticamente, com a China comprando elevados volumes de carne do Brasil. De acordo com Miguel Gularte, CEO da Marfrig, o mercado chinês apresenta preços muito remuneradores, pagando US$ 8 mil pela tonelada do dianteiro bovino. Normalmente, a China costumava ser um mercado mais fraco no início do ano, mas o consumo das festas de Ano Novo no país asiático foi bom, beneficiando as exportações nos meses seguintes, segundo o executivo.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Cotação do suíno CIF teve queda de 1,77% no comparativo diário
Na terça-feira, levantamento realizado pela a Scot Consultoria informou que a arroba do suíno CIF teve uma queda nos preços de 1,77% e está cotada a R$ 111,00/@ a R$116,00/@. Já o valor da carcaça especial seguiu com estabilidade e está cotado a R$ 8,50/R$ 8,80 o quilo
Segundo o Cepea/Esalq, tendo por base às informações da última segunda-feira (07), o preço do animal vivo em Minas Gerais está próximo de R$ 6,07/kg e teve um recuo de 0,16%, enquanto em Santa Catarina o suíno seguiu estável e está valendo a R$ 5,49/kg. Em São Paulo, o animal vivo registrou um aumento de 0,33% e está em R$ 6,12/kg. No Paraná, o valor do animal apresentou uma alta de 0,74% e está com o valor R$ 5,41/kg. Já no Rio Grande do Sul, o preço do suíno teve uma valorização de 1,70%, a R$ 5,38/kg.
Cepea/Esalq
Cotação do frango no atacado registra valorização de 5,43%, aponta Scot Consultoria
Conforme o levantamento realizado pela Scot Consultoria na terça-feira, a referência para a carne de frango no atacado em São Paulo registrou avanço de 5,43% a R$ 6,80/kg, enquanto que o frango na granja teve aumento de 3,92% a R$ 5,30/kg
O preço do frango vivo em Santa Catarina segue estável e está cotado em 4,47/kg. A referência do frango vivo no Paraná também está estável a R$ 4,95/kg, enquanto em São Paulo a cotação do frango vivo está sem referência. De acordo com o Cepea/Esalq em seu levantamento realizado na última segunda-feira (07), o preço do frango congelado seguiu estável e está cotado a R$ 6,25/kg. O frango resfriado também apresentou estabilidade a R$ 6,59/kg.
Cepea/Esalq
INTERNACIONAL
Carne de boi que passou por edição de genes recebe aval nos EUA
Para a agência americana responsável pela liberação de remédios e alimentos, proteína de bovinos produzidos com manipulação genética é segura
A agência americana Food and Drug Administration (FDA) avaliou nesta semana que a carne produzida a partir do abate de dois bovinos que passaram por edição genética não oferece riscos para a saúde humana nem para o meio ambiente. Diferentemente da transgenia, a edição genética não introduz em um ser vivo um gene de outras espécies, mas manipula genes da própria espécie. O FDA avaliou a alteração genômica intencional (IGA, na sigla em inglês) feita com o uso da técnica do CRISPR, que leva os animais a desenvolverem uma pelagem extremamente curta — característica que alguns bovinos já têm e é resultado de alterações genéticas naturais. Essa característica reduz o sofrimento animal sob temperaturas elevadas e pode melhorar sua produtividade. Essa é a primeira avaliação de baixo risco que o órgão determina para edições genômicas em animais com fins alimentares. A FDA já tinha classificado como de baixo risco a edição genômica de outros animais, mas nenhuma dessas análises era para a produção de alimentos. Já foram aprovadas aplicações de IGAs em cabras, galinhas, salmões, ratos e, mais recentemente, em uma linhagem de porcos. A agência americana entendeu que o perfil genético dos bovinos que foram modificados é igual ao de animais que já têm essa alteração desde o nascimento — e que, portanto, a carne dos animais testados também é a mesma carne dos animais que já têm tal alteração. Com a aplicação do CRISPR, a alteração genética intencional é transmitida aos descendentes dos animais editados geneticamente. O teste foi realizado pela Acceligen, startup fundada em 2014 pela companhia de engenharia genética Recombinetics. A Acceligen recebeu, em 2020, US$ 3,68 milhões da Fundação Bill & Melinda Gates para desenvolver bovinos editados geneticamente com características mais adequadas às necessidades de pequenos produtores de leite na região da África subsaariana. Segundo a FDA, a startup pretende, em breve, oferecer os produtos dos animais testados a alguns clientes selecionados no mundo. O plano é lançar a carne dos bovinos com edição genética em até dois anos.
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