CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1619 DE 23 DE NOVEMBRO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1619 | 23 de novembro de 2021

 

NOTÍCIAS

China libera carne bovina do Brasil certificada antes do embargo

Após semanas de consultas técnicas, a China liberou a entrada de lotes de carne bovina do Brasil que haviam recebido certificação sanitária antes da suspensão das exportações brasileiras, anunciada no dia 4 de setembro. O anúncio foi publicado na terça-feira (23) pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês)

Entretanto, o embargo às exportações, que entrou em sua décima-segunda semana, continua em vigor. Uma vez que o processo de coleta de informações por parte dos chineses já passou por várias rodadas de consultas detalhadas, a expectativa no lado brasileiro é que as vendas possam ser retomadas em breve, mas ninguém arrisca cravar uma data. Ainda que essa incerteza continue a provocar ansiedade entre os produtores em relação ao maior mercado importador de carne bovina do Brasil, a liberação anunciada pela GACC nesta terça representa um alívio para os exportadores. Isso porque, sem o aval das autoridades chinesas os frigoríficos não sabiam o que fazer com cargas que já tinham a China como destino antes da suspensão, se deveriam esperar o veredicto final sem saber quando ele viria, encaminhá-las de volta para o Brasil ou desviá-las para outro mercado. Uma das dúvidas das autoridades chinesas era em relação à data da certificação dos lotes, mas o governo brasileiro garantiu que ela havia sido feita antes da identificação dos casos. Na estimativa da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) o volume total de carne bovina brasileira que se enquadraria nessa situação é de pouco mais de 100 mil toneladas. Mas o número talvez tenha mudado, pois a incerteza pode ter levado exportadores a alterar o destino das cargas. O impacto da suspensão para o setor foi significativo, resultando em uma queda de 43% nas exportações de carne bovina brasileira em outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado. A liberação anunciada pelo GACC nesta terça desperta otimismo em relação ao fim do embargo, pois indica “uma certa confiança” das autoridades chinesas no processo de fiscalização sanitária do Brasil, disse um exportador, pedindo para não ser identificado. A partir disso, é viável supor que a China poderá voltar a autorizar a entrada da carne bovina brasileira até o fim do ano, disse. De acordo com fontes do setor, diversos fatores contribuíram para tornar o fim do embargo mais difícil neste momento, entre eles as medidas sanitárias mais rígidas adotadas na China por conta da pandemia de Covid-19, o momento político sensível no país e pressões no mercado doméstico. Somando-se a isso, alguns apontam que as declarações contra a China feitas pelo presidente Jair Bolsonaro tampouco ajudam. O esforço diplomático para reabrir o mercado chinês incluiu uma carta da Ministra da Agricultura Tereza Cristina e uma conversa entre os chanceleres dos dois países, no mês passado. Essas gestões ajudaram a agilizar a troca de consultas entre os técnicos chineses, mas o nível de detalhamento exigido pelas autoridades chinesas tem surpreendido os brasileiros.
O GLOBO

Boi gordo: firme e subindo

A dificuldade em compor as escalas de abate está ditando o comportamento do mercado

Em São Paulo, na comparação com a última sexta-feira (19/11), a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@, a da vaca gorda R$5,00/@ e a da novilha gorda R$4,00/@. As escalas de abate atendem, em média, cinco dias. No Norte de Minas Gerais, com escalas de abate curtas, a cotação do boi gordo subiu 1,6% na comparação dia a dia, ou R$5,00/@. Mesmo cenário para o Sul de Tocantins, resultando em alta de R$8,00/@ para o boi gordo, R$9,00/@ para a vaca gorda e R$7,00/@ para a novilha gorda.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: semana começa com novas altas; preços devem ficar sustentados no curto prazo

Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, algumas negociações acima da referência média foram registradas no primeiro dia da semana. A referência para a arroba do boi ficou em R$ 318 na modalidade à prazo, contra R$ 314 na sexta-feira (19)

“Os frigoríficos ainda operam com escalas de abate encurtadas. Contudo, não parecem dispostos a pagar ainda mais pela arroba do boi gordo. A oferta de animais terminados segue restrita e tende a permanecer assim até o final do primeiro trimestre do ano que vem. Esse continuará sendo o grande fator de sustentação dos preços do boi gordo no curto prazo”, disse o analista. Em relação à China, mais uma semana se inicia sem um parecer por parte do grande importador de carne bovina brasileira. “O avanço das negociações com a Rússia precisa ser celebrado. Entretanto, o potencial de consumo é muito diferente do chinês”, ponderou Iglesias. Em São Paulo, capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 318 na modalidade à prazo, contra R$ 314 na sexta-feira (19). Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 300, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 310, inalterada. Em Cuiabá (MT), a arroba ficou indicada em R$ 294, ante R$ 291. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 320 por arroba, contra R$ 316 – R$ 317 por arroba. Os preços da carne seguem subindo no atacado. Os frigoríficos tentam repassar o aumento dos custos com a aquisição da matéria-prima para os preços da carne. “Entretanto, o movimento ainda ocorre de maneira menos agressiva, na comparação com a intensidade dos aumentos no preço da arroba do boi”, disse Iglesias. Assim, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 15,50 por quilo, alta de R$ 1. A ponta de agulha foi precificada a R$ 14,90 por quilo, alta de R$ 0,75. O quarto traseiro seguiu com preço de R$ 22,75.

AGÊNCIA SAFRAS

Exportação de carne bovina in natura recua 41,62% e chega a 58,7 mil toneladas na terceira semana de novembro

A Secretária Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, informou que o volume exportado de carne bovina in natura alcançou 58,7 mil toneladas na terceira semana de novembro/21, contra um total exportado de 167,7 mil toneladas no mesmo período do ano passado  

A média diária exportada ficou em 4,8 mil toneladas na terceira semana de novembro, recuo de 41,62% frente à média exportada no mês de novembro do ano passado, com 8,3 mil toneladas.  Para o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o desempenho dos embarques de carne bovina segue lento e o mercado continua aguardando a retomada das compras da China. “A nossa maior preocupação está nos estoques de carnes que estão parados nas câmaras frias. Com o ritmo lento das exportações, o estoque deve ser destinado ao mercado interno”, informou. Os preços médios ficaram em US$ 4.932 por tonelada, alta de 12,02% frente aos dados divulgados em novembro de 2020, com valor médio de US$ 4.402 por tonelada. A média diária ficou em US$ 24,1 milhões queda de 41,62%, frente ao observado no mês de novembro do ano passado, US$ 36,9 milhões. “Vamos entrar no terceiro mês com a China fora das compras e já deixamos de arrecadar no faturamento aproximadamente 1,5 bilhão de dólares por mês. A nossa estimativa aponta que os prejuízos em receita podem superar a cifra de 3 bilhões de dólares no último trimestre”, destacou Iglesias.

AGÊNCIA SAFRAS

Imea estima queda nos abates de bovinos em MT em novembro

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) disse na segunda-feira (22) que poderá haver uma queda nos abates de bovinos no estado em novembro, na comparação com outubro

“Para novembro, já é observada uma menor oferta de animais enviados para o abate, uma vez que o produtor tem retido boa parte deles no pasto na expectativa de melhora no preço da arroba, fator que pode resultar em queda no volume abatido em nov.21”, disse o Imea em relatório. Os abates de bovinos em Mato Grosso em outubro somaram 386,38 mil cabeças, alta de 17,93% em relação a setembro, segundo informações do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) citados pelo Imea. “Esse cenário de alta foi puxado, principalmente, pelo acréscimo de 32,03% no volume de machos abatidos no período, uma vez que animais oriundos de confinamento foram ofertados com mais intensidade”, disse o Imea. Os abates de machos de 12 a 24 meses aumentaram 52,5% em outubro para 114,29 mil cabeças. Já o número de animais originados em Mato Grosso e enviados para outros estados somou 6,96 mil cabeças, alta de 15,3%.

CARNETEC

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$ 5,60 com fluxo e ajuste técnico

Contrariando o ambiente mais amplo lá fora, onde o a moeda americana se fortaleceu contra a maior parte das divisas, emergentes ou desenvolvidas, o real fechou o dia com ganhos 

Sinais da entrada de dólares no país e também de ajuste técnico acabaram por deixar a moeda com viés de queda no Brasil durante praticamente todo o pregão na segunda-feira. O dólar fechou cotado a R$ 5,530, baixa de 0,57%. Segundo Ítalo Abucater dos Santos, Gerente de Câmbio da Tullett Prebon, o volume de contratos negociados pela Ptax na parte da manhã foi maior do que a média diária, o que indica que bancos podem estar tentando influenciar a formação da taxa para pagar mais barato pelos dólares ofertados por algum cliente – como um grande exportador ou investidor estrangeiro. No fim, a taxa para venda ficou em R$ 5,5912. “De restante não tem nada que possa apoiar essa queda do dólar no Brasil. Os pares estão operando no negativo, os rendimentos das treasuries estão subindo”, comentou. Para Fernando Bergallo, Diretor da FB Capital, existe também uma correção técnica após a alta de 2,75% do dólar na semana passada. Lá fora, o dólar se fortalece por uma combinação de euro mais fraco – na esteira de receios renovados sobre a covid-19 no continente -, e também pela notícia de que o Presidente Joe Biden indicou Jerome Powell para um novo mandato à frente do Federal Reserve. A recondução de Powell fortalece o dólar após semanas de especulação de que o nome de Biden seria a diretora Lael Brainard, considerada mais ‘dove’ (inclinada à manutenção dos estímulos) pelos analistas. Brainard foi indicada por Biden para a vice-presidência do Fed.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa cai com exterior e influenciado por incertezas domésticas

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, e soma agora cinco baixas nos últimos seis pregões, influenciado pelo cenário externo, diante queda da Nasdaq e do S&P 500, e pela manutenção das incertezas no front doméstico

Papéis de Banco Inter foram destaque de baixa, em meio à queda generalizada de fintechs e empresas de tecnologia. Do outro lado, Vale e siderúrgicas subiram, na esteira da valorização dos preços de minério e commodities metálicas. TIM também avançou após sua controladora Telecom Itália receber proposta de compra do fundo norte-americano KKR. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa caiu 0,74%, a 102.269,11 pontos. Na mínima da sessão, o índice tocou os 102.138,10, enquanto na máxima alcançou os 104.613,07. O volume negociado durante a sessão foi de R$ 19,6 bilhões.

REUTERS 

Mercado reduz projeção para a alta do PIB do Brasil em 2022 de 0,93% para 0,70%

Segundo o Relatório Focus, do BC, a atividade econômica brasileira vai expandir 4,80% em 2021, contra 4,88% previstos na semana passada

A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia brasileira voltou a cair, de 4,88% para 4,80% em 2021 e de 0,93% para 0,70% em 2022, no Relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (22) com estimativas coletadas até o fim da semana passada. Para 2023, o ponto-médio das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se em 2,00%, assim como para 2024. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a mediana das projeções em 2021 subiu de 9,77% para 10,12%. Para 2022, também subiu, de 4,79% para 4,96%. Para 2023, foi de 3,32% para 3,42%. Para 2024, foi de 3,09% para 3,10%. A mediana das estimativas para o dólar no fim deste ano foi mantida em R$ 5,50, segundo o Focus. Para 2022, o ponto-médio das projeções para a moeda americana também ficou parado em R$ 5,50 entre uma semana e outra. Para 2023, permaneceu em R$ 5,30. Para 2024, foi de R$ 5,25 para R$ 5,28.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS

Exportação de carne suína tem bom ritmo, mas preço da tonelada cai

Recuo no valor pago por tonelada de produto vem se repetindo há semanas, e a razão é a renegociação de contratos por parte da China

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, as exportações de carne suína in natura na terceira semana de novembro tiveram queda no preço pago por tonelada. Para o analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os preços da carne suína seguem com recuo em função do que está acontecendo na China, que sofre com preços baixos para a carne suína produzida localmente e tenta renegociar contratos para a proteína importada. “O desempenho no total do ano, é muito positivo, mas com esse valor em queda, pode impactar nas decisões de frigoríficos e produtores, ainda mais em um ano de custos muito elevados”, disse.  A receita nos 12 dias úteis de novembro, US$ 116,9 milhões, representou 62,04% do montante obtido em todo novembro de 2020, que foi de US$ 188,5 milhões. No volume embarcado, 51.675 toneladas, ele é 67,8% do total exportado em novembro do ano passado, com 76.180,689 toneladas. A receita na média diária foi de US$ 9.747, valor 3,40% maior do que novembro de 2020. No comparativo com a semana anterior, houve recuo de 11,5%. Em toneladas por média diária, foram 4.306 toneladas, houve aumento de 13,06% no comparativo com o mesmo mês de 2020. Quando comparado ao resultado da semana anterior, baixa de 10,6%. No preço pago por tonelada, US$ 2.263 em novembro, ele é 8,54% inferior ao praticado em novembro passado. O resultado, frente ao valor atingido na semana anterior, apresenta retração de 1,08%.

AGÊNCIA SAFRAS

Suínos: preços estáveis na segunda-feira

Para o Cepea/Esalq, as vendas de carne suína no mercado interno iniciaram novembro em ritmo lento, mas se aqueceram a segunda quinzena

As exportações brasileiras de carne suína também vêm em ritmo intenso neste mês. Diante dessa melhora das vendas, os preços do animal vivo e da carne estão em alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 133,00/R$ 138,00, assim como a carcaça especial, valendo R$ 10,10/R$ 10,50 o quilo. Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (19), houve aumento apenas em São Paulo, na ordem de 2,96%, chegando em R$ 2,96/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais, com R$ 7,48/kg, no Paraná, cotado em R$ 6,29/kg, no Rio Grande do Sul, com preço de R$ 6,11/kg, e em Santa Catarina, fechando em R$ 6,49/kg.

Cepea/Esalq

Exportação de frango em 12 dias úteis chega a 95% da receita total de novembro/20

Casos de gripe aviária na Europa e na Ásia podem abrir mais oportunidades para o Brasil nos próximos meses

De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, as exportações de carne de aves in natura na terceira semana de novembro seguiram a todo vapor com faturamento em alta. Para o analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, as exportações de carne de frango em 2021 estão tendo excelente desempenho, e a questão dos surtos de gripe aviária na Europa e na Ásia podem, nos próximos meses, criar oportunidades para o Brasil. A receita obtida com as exportações em novembro, US$ 407,9 milhões, representou 94,9% do montante obtido em todo novembro de 2020, que foi de US$ 429,6 milhões. No volume embarcado, 230.581 toneladas, ele é 71,1% do total exportado em novembro do ano passado, com 324.176 toneladas. A receita por média diária nos 12 dias úteis de novembro, US$ 33.995, foi 58,26% maior do que a de novembro do ano passado. Em comparação à semana anterior, houve queda de 5,7%. Em toneladas por média diária, 19.215 toneladas, avanço de 18,55% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Em relação à semana anterior, baixa de 4,8%. No preço pago por tonelada, US$ 1.769 em novembro, ele é 33,50% superior ao praticado em novembro passado. O resultado, frente ao valor atingido na semana anterior, representa leve queda de 0,9%.

AGÊNCIA SAFRAS

Frango: segunda-feira com preços estáveis ou em baixa

Para o Cepea/Esalq, a liquidez no mercado avícola, que já estava lenta desde o início de novembro, se enfraqueceu ainda mais com a entrada da segunda quinzena do mês

A demanda por carne por parte do atacado está menor, e, consequentemente, frigoríficos reduziram o ritmo de compras de novos lotes de frango vivo. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,40/kg, assim como o frango no atacado, custando R$ 6,85/kg.  Na cotação do animal vivo, os valores não mudaram em Santa Catarina, valendo R$ 3,70/kg, em São Paulo, com preço de R$ 5,00/kg, nem no Paraná, fixado em R$ 5,95/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (19), a ave congelada cedeu 1,23%, atingindo R$ 7,24/kg, enquanto a resfriada desvalorizou 0,80%, fechando em R$ 7,47/kg.

Cepea/Esalq

MEIO AMBIENTE 

Como bancos de couro de SUVs impulsionam o desmatamento da Amazônia

Comércio de couro mostra como os hábitos de compra do mundo rico estão ligados à degradação ambiental nos países em desenvolvimento

BURITIS – Certa manhã deste verão, Odilon Caetano Felipe, fazendeiro que cria gado em terras desmatadas ilegalmente na Amazônia, se encontrou com um negociante e fechou um acordo para a venda de mais 72 animais engordados. Com uma simples canetada, Felipe limpou o registro de seu gado. E, ao vender os animais, ocultou seu papel na destruição da maior floresta tropical do mundo. Investigação do New York Times mostra que peles cruas de animais criados em terras desmatadas ilegalmente na Amazônia chegam a compradores do mundo todo. No almoço, logo após a venda de 14 de julho, Felipe falou abertamente sobre o negócio que o enriquece. Ele admitiu que corta árvores da densa floresta amazônica e que não pagara pela terra. Também reconheceu que estrutura suas vendas para esconder as verdadeiras origens de seu gado, vendendo-o a um intermediário e forjando registros que mostram, falsamente, que seus animais vêm de uma fazenda legal. Outros fazendeiros da região fazem o mesmo, disse ele. “Não faz a menor diferença”, disse ele, se sua fazenda é legal ou não. Uma investigação do New York Times sobre a rápida expansão da indústria frigorífica no Brasil – um negócio que vende não apenas carne para o mundo, mas toneladas de couro por ano para grandes empresas nos Estados Unidos e em outros países – identificou lacunas em seus sistemas de monitoramento, o que permite que peles cruas de animais criados em terras desmatadas ilegalmente na Amazônia passem sem detecção pelos curtumes do Brasil e sigam para compradores do mundo todo. A fazenda de Felipe é uma das mais de 600 que operam em uma área da Amazônia conhecida como Jaci-Paraná, uma reserva ambiental protegida onde o desmatamento é restrito. E transações como a dele são os pilares de um complexo comércio global que liga o desmatamento da Amazônia a um apetite crescente nos Estados Unidos por luxuosos bancos de couro em picapes, SUVs e outros veículos vendidos por algumas das maiores montadoras do mundo, entre elas a General Motors, Ford e Volkswagen. Um veículo de luxo pode exigir mais de uma dúzia de peles cruas, e os fornecedores americanos compram cada vez mais couro do Brasil. Embora a região amazônica seja um dos maiores fornecedores mundiais de carne bovina, cada vez mais para as nações asiáticas, o apetite global por couro acessível também significa que as peles cruas desses milhões de bovinos abastecem um lucrativo mercado internacional de couro avaliado em centenas de bilhões de dólares por ano. Esse comércio de couro mostra como os hábitos de compra do mundo rico estão ligados à degradação ambiental nos países em desenvolvimento – neste caso, ajudando a financiar a destruição da Amazônia, apesar de sua valiosa biodiversidade e do consenso científico de que protegê-la ajudaria a desacelerar as mudanças climáticas. Para rastrear o comércio global de couro desde as fazendas ilegais na floresta tropical brasileira até os bancos de veículos americanos, o Times entrevistou fazendeiros, negociantes, promotores e reguladores no Brasil e também visitou curtumes, fazendas e outras instalações. O Times falou com participantes de todos os níveis do comércio ilícito na Reserva Extrativista Jaci-Paraná, área do estado de Rondônia que recebeu proteções especiais por abrigar comunidades de pessoas que, ao longo de gerações, viveram da terra por extração de seringueiras. Essas comunidades agora estão sendo expulsas por fazendeiros que querem terras para o gado. Na última década, os fazendeiros aumentaram significativamente sua presença na reserva e, hoje, cerca de 56% dela foi desmatada, de acordo com dados compilados pelo órgão ambiental estadual. O relatório também se baseia na análise de dados corporativos e de comércio internacional de diversos países e em milhares de certificados de transporte de gado emitidos pelo governo brasileiro. Os certificados foram obtidos pela Environmental Investigation Agency, um grupo de defesa em Washington. O Times verificou independentemente os certificados e obteve milhares de certificados adicionais em separado. A investigação possibilitou o rastreamento do couro de fazendas ilegais na Amazônia até instalações operadas pelos três maiores frigoríficos do Brasil – JBS, Marfrig e Minerva – e daí para os curtumes que eles abastecem. A JBS se descreve como a maior processadora de couro do mundo. Leia mais em:

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,como-bancos-de-couro-de-suvs-impulsionam-o-desmatamento-da-amazonia,70003905028

The New York Times 

Acordo global para redução de emissão de metano trará oportunidades para a agropecuária brasileira, diz ministra

Tereza Cristina disse que a agricultura tropical já tem práticas sustentáveis para a redução da emissão de gases do efeito estufa

A adesão do Brasil ao compromisso global para a redução das emissões de metano, durante a COP 26, em Glasgow, foi uma das principais conquistas da Conferência, na avaliação da Ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Em coletiva de imprensa, a Ministra disse que o Brasil já desenvolve técnicas para a redução de gases de efeito estufa, como o metano e o carbono. Também participaram da coletiva o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e das Relações Exteriores, Carlos França. “Muito mais do que problemas, isso trará grandes oportunidades para nossa pecuária ser cada vez mais eficiente. A nossa agricultura tropical já faz a redução de vários gases, não só do metano e também do carbono. Temos muito a mostrar do que já vem sendo feito e o que mais vamos poder fazer, principalmente na pecuária, a partir das novas tecnologias que surgiram nos últimos anos”, disse. O Brasil levou para a COP26 vários temas em que já trabalha para a sustentabilidade na agricultura e na pecuária e levou cases de realidades que já acontecem no nosso campo. O Ministério da Agricultura apresentou a segunda etapa do Plano ABC+, com tecnologias de baixa emissão de carbono praticadas pela agropecuária brasileira e as metas para a próxima década. “Nós precisamos levar toda essa tecnologia e processos de produção, cada vez mais, principalmente para os pequenos produtores. O Brasil tem 6 milhões de propriedades rurais e nós precisamos democratizar e universalizar essas tecnologias para que os produtores rurais produzam de maneira cada vez mais sustentável”, destacou a Ministra. Ela explicou que o compromisso global de redução de 30% nas emissões é voluntário e que o Brasil já desenvolve várias ações que podem contribuir para essa meta. “Já temos uma série de processos que vão ser melhor quantificados por nós, para que o Brasil possa assumir qual será a sua meta dentro desses 30%”, disse. Entre as estratégias que já são utilizadas para reduzir a emissão de metano na pecuária brasileira estão o melhoramento genético de pastagens para desenvolver alimentos mais digestíveis para os animais e o melhoramento genético dos animais, que permite o abate precoce. Também está em estudo a utilização de aditivos que podem ser agregados na alimentação animal, com substâncias como taninos e óleos essenciais.

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