CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1361 DE 13 DE NOVEMBRO DE 2020

abra

Ano 6 | nº 1361 | 13 de novembro de 2020

 

NOTÍCIAS

Cautela no mercado do boi gordo

Em grande parte das praças monitoradas pela Scot Consultoria o panorama apresentado na última quinta-feira (12/11) foi de cautela, visando considerar estratégias para as compras dos próximos dias, mesmo com a oferta baixa de boiadas e escalas de abate curtas

Em São Paulo não foi diferente. O mercado paulista do boi gordo amanheceu mais calmo, algumas indústrias foram mais comedidas e estiveram fora das compras para avaliar o mercado e estratégias de compra. O boi gordo ficou cotado em R$290,00/@, preço bruto e à vista, R$289,50/@ com desconto do Senar e R$285,50/@ com desconto do Senar e Funrural.

Para os animais jovens, que atendem o mercado chinês, as ofertas de compra chegam a R$295,00/@ bruto e à vista.

SCOT CONSULTORIA

Abate de bovinos caiu 10,8% no país no 3º trimestre, aponta IBGE

Nas áreas de frango e suínos, em contrapartida, houve aumentos na comparação com igual período de 2019

Os abates de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária somaram 7,58 milhões de cabeças no terceiro trimestre no país, 10,8% menos que no mesmo período de 2019, segundo dados da Pesquisa de Abate Trimestral divulgada quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre deste ano, porém, houve aumento de 3,8%. Já os curtumes investigados pela pesquisa declararam ter recebido 8,02 milhões de peças de couro de julho a setembro, em queda de 6,6% ante o terceiro trimestre do ano passado, mas com avanço de 9,5% frente aos três meses imediatamente anteriores. A pesquisa do IBGE também indicou que os abates de frango chegaram a 1,497 bilhão de cabeças de julho a setembro, 1,8% mais que no terceiro trimestre do ano passado e quantidade 6,2% superior à registrada entre abril e junho de 2020. Nessa área, a produção de ovos de galinha chegou a 993,18 milhões de dúzias, com altas de 2% frente ao terceiro trimestre de 2019 e de 2% sobre o segundo trimestre deste ano. Os abates de suínos, finalmente, somaram 12,57 milhões de cabeças no país de julho a setembro, 7% mais que em igual intervalo do ano passado e volume 3,8% superior ao verificado entre abril e junho de 2020.

VALOR ECONÔMICO         

Boi: mesmo com avanço no preço da carne, repasse não segura elevação da arroba

Alta no preço da carne bovina não suficiente para cobrir os custos de produção

Os preços do boi gordo apresentaram comportamentos distintos na quinta-feira, 12, com alterações para cima e para baixo, dependendo da região. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ritmo de negócios apresentou mudança, com os frigoríficos buscando efetivar compras abaixo das referências médias de preços. Algumas empresas sinalizam com férias coletivas, enquanto a estratégia de reduzir a capacidade de abate vai sendo tomada em praticamente todas as unidades, uma consequência do encarecimento da matéria-prima nos últimos meses. “Os frigoríficos parecem próximos do limite, com margens encolhendo, principalmente para aqueles que operam apenas no mercado doméstico. O preço da carne bovina subiu de forma muito acentuada, mas mesmo assim não foi o suficiente para cobrir os custos”, aponta o analista. “Em linhas gerais, mesmo com o agressivo movimento de alta dos preços da carne, não houve o repasse necessário para mitigar o efeito dos avanços do preço do boi gordo, fazendo com que muitos frigoríficos passassem a operar com margens negativas. Resta saber como o pecuarista vai assimilar essa mudança de comportamento. A oferta permanecerá restrita daqui até o final do ano, avaliando que há grande dependência da oferta de confinados, uma vez que a estiagem prolongada vai atrasar a entrada de animais de safra”, complementa Iglesias. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 294 a arroba, estáveis na comparação com a quarta-feira. Em Uberaba, Minas Gerais, os valores esteve em ficaram em R$ 285 – R$ 286 a arroba, ante R$ 285. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 285 a arroba, contra R$ 286. Em Goiânia, Goiás, o valor pago foi de R$ 280,00 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 276 a arroba, ante R$ 271. No mercado atacadista, os preços ficaram de estáveis a mais altos. De acordo com Iglesias, a expectativa é de continuidade deste movimento no curto prazo, diante das bonificações de final de ano típicas do período. “É importante destacar que o aquecimento da demanda durante o último bimestre é um elemento importante nas próximas semanas. Uma eventual redução da capacidade de abate também teria efeito sobre os preços da carne, produzindo o enxugamento dos estoques em um momento de demanda aquecida”, diz. Com isso, o corte traseiro permaneceu em R$ 20,80 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 15,40 o quilo, e a ponta de agulha aumentou de R$ 15,25 o quilo para R$ 15,30 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

China encontra coronavírus em embalagem de carne bovina do Brasil

Código de registro do exportador do carregamento da carne se refere a uma fábrica de propriedade da Marfrig Global Foods, disse uma fonte

A cidade chinesa de Wuhan disse nesta sexta-feira que detectou o novo coronavírus na embalagem de um lote de carne bovina brasileira, ao intensificar os testes de alimentos congelados nesta semana, como parte de uma campanha nacional. A Comissão Municipal de Saúde de Wuhan disse em um comunicado em seu site que encontrou três amostras positivas na embalagem externa de carne bovina congelada e desossada do Brasil. A carne bovina entrou no país no porto de Qingdao em 7 de agosto e chegou a Wuhan em 17 de agosto, onde permaneceu em um frigorífico até recentemente. O novo coronavírus apareceu pela primeira vez na cidade chinesa central no ano passado, em um mercado, e se espalhou pelo mundo. O código de registro do exportador do carregamento de carne bovina era 2015, disse a comissão, que se refere a uma fábrica de propriedade da Marfrig Global Foods S.A., de acordo com uma fonte da Reuters. A Marfrig não foi encontrada para comentar o assunto.

VALOR ECONÔMICO

Boi se aproxima de R$300/arroba e aperta margem da carne para mercado brasileiro

O indicador do boi gordo Cepea/B3 atingiu na quarta-feira o recorde real de 292 reais por arroba (deflacionado pelo IGP-DI de outubro), apurando alta de cerca de 5% apenas nos primeiros dias do mês de novembro e de mais de 40% no acumulado de 2020

O movimento é impulsionado pela oferta reduzida de animais e pela demanda por novos lotes para abate, especialmente para exportação de carne, que tem sido ajudada por um dólar forte que torna os negócios de commodities do Brasil ainda mais vantajosos. Após a arroba bovina romper pela primeira vez 200 reais em novembro do ano passado, o Presidente Jair Bolsonaro havia dito que a escalada era passageira. O Brasil exportou 1,4 milhão de toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e outubro, alta de quase 12% na comparação com igual período do ano passado, com a China abocanhando quase a metade do total, segundo dados do governo. “As vendas externas de carne seguem registrando bom desempenho, devido, principalmente, aos envios à China. De janeiro a outubro deste ano, o país asiático foi destino de 685,36 mil toneladas de carne bovina… correspondendo por 41,6% de todo o volume exportado pelo Brasil”, destacou na quinta-feira análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP. O aumento nas exportações reflete uma alta no faturamento com os embarques. Segundo a consultoria Athenagro, a receita em dólares avançou 15,8% na comparação anual até outubro –mas convertido em reais, esse valor apura salto de 52,5% no período, marcado por firme desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar. Esse comportamento é justamente o que permitiu que os preços da arroba disparassem no país, de acordo com o sócio-diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira. “Claro que é oferta e demanda, mas para chegar nos níveis em que nós chegamos, é o frigorífico exportador tendo condição e interesse em pagar mais pela arroba do boi, porque ele quer exportar de qualquer forma”, afirmou Nogueira. Dados compilados pela consultoria mostram que o preço médio da tonelada de carne bovina exportada passou de cerca de 16 mil reais em 2019 para 21.234 reais neste ano, alavancado pelo efeito cambial. Nogueira projeta que o Brasil –já há alguns anos o maior exportador de carne bovina do mundo– atingirá em 2020 um volume embarcado equivalente ao dobro do segundo maior exportador, a Austrália, e superior à soma do segundo e terceiro colocados do ranking (Austrália e Estados Unidos). O cenário de preços altos, consequentemente, faz com que as margens do mercado interno fiquem cada vez mais apertadas. O indicador de margem da Athenagro, que compara a soma do faturamento dos frigoríficos com cortes, sebo e ossos ao preço do boi, está nas mínimas da série histórica iniciada em 2007, assim como os “markups” (sobrepreços) praticados no varejo em relação ao preço pago à indústria. “Este é o pior momento em termos de precificação para o mercado interno que os frigoríficos já viveram… Os frigoríficos não estão ganhando dinheiro no mercado interno”, disse Nogueira, que vê uma situação “extremamente apertada” para as companhias.

REUTERS

ECONOMIA

Dólar salta 1,2% com piora externa; receios fiscais e “overhedge” mantêm câmbio pressionado

Na B3, o dólar futuro, que encerra às 18h15, saltava 1,79%, a 5,4950 reais, às 17h05

Além do fator externo, Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, chama atenção para o retorno do foco para os problemas fiscais no Brasil. “O que desanima é que não se vê concretamente nenhum movimento claro na direção de resolução dos problemas das contas públicas. Guedes perdeu credibilidade”, disse, citando o Ministro da Economia, Paulo Guedes. Em evento mais cedo, o líder da equipe econômica disse que o plano do governo para o auxílio emergencial é encerrá-lo ao fim deste ano, com retorno ao Bolsa Família como programa de transferência de renda, mas alertou que, caso haja uma segunda onda de Covid-19 no país –possibilidade que classificou como baixa–, o auxílio deverá ser mantido e um novo estado de calamidade pública deverá ser decretado. O mercado já anda às voltas com riscos de manutenção de gastos relacionados à pandemia para 2021, temendo que a extensão dessas despesas provoque o descumprimento do teto de gastos –que limita os gastos do governo à inflação do ano anterior. Esse dispositivo é considerado a âncora fiscal do Brasil neste momento e seu rompimento poderia deflagrar uma nova rodada de piora nos preços dos ativos financeiros domésticos. Operadores avaliam que a pressão de alta sobre o dólar deve persistir no curto prazo, à medida que se aproxima o fim do ano, período tradicionalmente marcado por fluxo cambial negativo. A demanda pela moeda adicionalmente será reforçada por compras relacionadas ao “overhedge”. O desmonte do “overhedge” –proteção cambial adicional adotada por bancos e cuja eficiência foi colocada em xeque diante de mudanças, anunciadas neste ano, em regras tributárias– pode implicar compra de mais cerca de 15 bilhões de dólares até o fim do ano, segundo cálculos de algumas instituições financeiras.

REUTERS

Ibovespa recua mais de 2% com realização de lucros endossada por NY

A JBS ON fechou com variação negativa de 0,47%, tendo de pano de fundo lucro de mais de 3 bilhões de reais no terceiro trimestre, acima das projeções do mercado. No setor, MARFRIG ON subiu 0,67%, após o lucro trimestral crescer quase sete vezes

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,2%, a 102.507,01 pontos, reduzindo os ganhos na semana para 1,57%. O volume financeiro no pregão somou 31,9 bilhões de reais. Após um começo de semana mais otimista, com noticiário relacionado a uma vacina contra o coronavírus, o crescimento nos casos da doença nos Estados Unidos e a ameaça de uma nova rodada de restrições econômicas para conter a pandemia pesaram nos pregões em Nova York, contaminando o Ibovespa. Em Washington, o Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que “os próximos meses podem ser desafiadores”, o que corroborou o viés mais vendedor no mercado. Declarações do Ministro da Economia no Brasil, Paulo Guedes, tampouco ajudaram. Ele disse que a tributação de dividendos é uma alternativa em avaliação para financiar a desoneração da folha de pagamentos e que o auxílio emergencial deve ser mantido no caso de uma segunda onda de Covid-19 no país. “Dado o quadro fiscal já tão complicado, esse tipo de declaração definitivamente não ajuda”, disse um gestor.

REUTERS 

Volume de serviços do Brasil tem 4ª alta seguida em setembro, mas segue abaixo do nível pré-pandemia

No mês, o volume apresentou avanço de 1,8% na comparação com agosto, de acordo com os dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Na comparação com setembro do ano anterior, houve recuo de 7,2% no volume de vendas, sétima taxa negativa seguida nessa base de comparação, contra expectativa de queda de 8,1%. O volume de serviços apresentou perdas de 19,8% de fevereiro a maio devido principalmente às medidas de contenção da Covid-19, e vem agora buscando se recuperar conforme as restrições são levantadas. Ainda assim, os ganhos acumulados entre junho e setembro chegam apenas a 13,4%, e volume de serviços ainda está 18,3% abaixo do recorde histórico, de novembro de 2014, e 8,0% abaixo de fevereiro de 2020. Além disso, o setor que depende amplamente do contato presencial acumula contração no ano de 8,8%, tendo terminado o terceiro trimestre com alta de 8,6% sobre os três meses anteriores, após contrações de 15,5% e 2,9%, respectivamente nos segundo e primeiro trimestres. “A dificuldade maior dos serviços em reagir se deve ao caráter presencial da prestação de serviços: hospedagem, turismo, bares, restaurantes e outros”, explicou o Gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo. No mês de setembro houve alta em quatro das cinco atividades pesquisadas. O setor de outros serviços teve avanço de 4,8% na comparação com o mês anterior, sendo o único a superar o nível pré-pandemia e chegando ao maior patamar desde outubro de 2014, como reflexo da alta nos serviços financeiros e auxiliares. “As empresas nesse segmento vêm obtendo incrementos de receita desde o segundo semestre de 2018 em função da redução consistente da taxa Selic, que reduziu os ganhos com a poupança e levou os agentes econômicos a buscarem alternativas mais atraentes de investimentos, sejam de renda fixa ou variável”, disse Lobo. Os serviços de informação e comunicação apresentaram alta no volume de 2,0% em setembro; enquanto serviços prestados às famílias subiram 9,0% e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram alta de 1,1%. A única contração em setembro foi apresentada por serviços profissionais, administrativos e complementares, de 0,6%.

REUTERS 

Valor da produção agropecuária deve chegar a R$ 950 bi em 2021

Segundo o Ministério da Agricultura, alta ante 2020 será de 12%

Impulsionado sobretudo pela soja, mas também sob influência de avanços previstos para milho, arroz e carnes, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária brasileira deverá alcançar um novo recorde histórico em 2021, o terceiro consecutivo. Segundo projeções do Ministério da Agricultura, o VBP do campo, que mede o faturamento dos produtos “da porteira para dentro”, deverá somar R$ 949,2 bilhões no ano que vem, 11,9% mais que o estimado para 2020 – R$ 848,6 bilhões, um crescimento de 13,1% ante 2019. Para as 21 lavouras que compõem o levantamento da Pasta, a previsão é de VBP conjunto de R$ 649 bilhões, 13,4% superior ao deste ano (R$ 572,3 bilhões, alta de 16,9% ante 2019). Para as cinco principais cadeias da pecuária, o avanço está calculado em 8,6%, para R$ 300,2 bilhões – em 2020 o montante deverá chegar a R$ 276,3 bilhões, um incremento de 6,1% na comparação com o ano passado. Entre todos os produtos, a soja é o grande destaque. Com as previsões de manutenção de preços elevados e aumento da colheita, o VBP da oleaginosa, carro-chefe do agronegócio brasileiro, foi estimado pelo ministério em R$ 299,9 bilhões em 2021, 34,4% mais que o valor projetado para este ano (R$ 223,2 bilhões, alta de 35,3% ante 2019). Os bovinos vêm em seguida, com VBP previsto em R$ 131,8 bilhões no ano que vem, com crescimento de 8,7% em relação a 2020 (R$ 121,2 bilhões, 14,7% mais que em 2019). O cenário positivo para o segmento é baseado na manutenção do ritmo forte de exportações e na recuperação da demanda doméstica, prejudicada neste ano sobretudo nos primeiros meses da pandemia. No caso do milho, terceiro principal produto agropecuário do país em VBP, o montante previsto para 2021 é R$ 95,3 bilhões, 6% mais que o projetado para 2020 (R$ 89,9 bilhões, alta de 18% ante 2019). Para o cereal a Conab e o IBGE também preveem colheitas robustas, e as exportações e a demanda por parte dos frigoríficos tendem a permanecer aquecidas. Para o frango, o ministério prevê VBP de R$ 82,1 bilhões em 2021, 11% mais que neste ano (R$ 73,9 bilhões, queda de 5,8%). Se confirmada, a recuperação virá com a ajuda do crescimento das exportações, que em 2020 estão relativamente estáveis. Entre os produtos com estimativa de avanço do VBP em 2021 em relação a 2020 também estão o arroz (27,3%, para R$ 20,1 bilhões), os suínos (15,8%, para R$ 28,9 bilhões) e o leite (7,6%, para R$ 43,5 bilhões). Deverão registrar recuos, em contrapartida, produtos como algodão (7,8%, para R$ 46,7 bilhões), café (8,4%, para R$ 30,6 bilhões), cana (3,8%, para R$ 67,2 bilhões), laranja (4,6%, para R$ 15 bilhões) e ovos (11,5%, para R$ 13,9 bilhões).

VALOR ECONÔMICO 

Exportações do agronegócio caíram 6,2% em outubro, para US$ 8,2 bi, diz ministério

Arrefecimento do ritmo de embarques de soja e carnes influenciou o resultado

O forte ritmo de embarques de soja e carnes arrefeceu e as exportações brasileiras do agronegócio encerraram outubro em queda na comparação com o mesmo mês de 2019, apesar do forte aumento das vendas de açúcar. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, as exportações setoriais renderam US$ 8,181 bilhões no mês passado, 6,2% menos que em outubro do ano passado. As importações recuaram 0,2%, para US$ 1,203 bilhão, e com isso o superávit foi 7,2% menor (US$ 6,978 bilhões). Tradicional carro-chefe da balança do campo, o chamado “complexo soja”, que inclui o grão e seus derivados (farelo e óleo), registrou desempenho bem inferior ao de um ano atrás, mas basicamente por causa do forte avanço observado nos meses anteriores. Em outubro as exportações do segmento renderam US$ 1,44 bilhão, uma queda de 39% ante o mesmo mês de 2019. “As exportações de soja em grão foram de quase 2,5 milhões de toneladas, ou praticamente a metade da quantidade exportada em outubro de 2019. Com essa queda, o valor exportado do grão recuou de US$ 1,83 bilhão para US$ 913,46 milhões”, informa o balanço do ministério.

VALOR ECONÔMICO 

EMPRESAS

JBS irá dobrar capacidade da Seara até 2024, diz presidente

A JBS irá dobrar a capacidade de produção da sua unidade de alimentos processados Seara até 2024, afirmou o Presidente-Executivo global da companhia, Gilberto Tomazoni, na quinta-feira, em teleconferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre divulgados na véspera

Executivos da companhia também afirmaram que a nova fábrica de suínos em Missouri, nos Estados Unidos, com capacidade de processar 11 mil toneladas de produtos por ano, vai entrar operação em 2021.

REUTERS

Alta do boi reduz margem de frigoríficos

Restrição de oferta de gado no Brasil afetou desempenho das principais indústrias de carne do país

A safra de balanços dos frigoríficos terminou com sinais de que as contas ficarão mais apertadas para quem produz e, sobretudo, comercializa carne bovina no Brasil. Sem o benefício do câmbio favorável, que agrega margem para a operação, as vendas no mercado doméstico dão retorno negativo. Frigoríficos de médio porte, normalmente com estrutura de capital mais frágil, enfrentam dificuldades para absorver a disparada do preço do boi gordo, que bateu recorde na última quarta-feira. Em doze meses, o preço subiu cerca de 40%, de acordo com o indicador Esalq/B3. “A operação está no vermelho”, disse ontem um empresário ao Valor. De acordo com ele, mesmo na exportação a situação não é simples. Com a recente valorização do real, as margens na exportação caíram, embora a China permaneça como um mercado remunerador. Líder na produção brasileira de carne bovina por larga margem, a JBS sinalizou ontem que a perspectiva é “desafiadora” devido ao preço da matéria-prima – o boi gordo responde por 80% do custo de produção de um abatedouro. No setor, a avaliação é que a oferta de gado permanecerá restrita em 2021. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a oferta de gado é menor. Ontem, o órgão informou que os abates de bovinos com algum tipo de inspeção sanitária totalizaram 7,58 milhões de cabeças no terceiro trimestre, diminuição de 10,8% ante igual período do último ano. À frente das operações da JBS na América do Sul, Wesley Batista Filho disse ontem, em teleconferência com analistas, que vê o mercado de carne bovina “mais desafiador com os atuais preços do gado e a perspectiva de oferta para o ano que vem”. Em comparação com as concorrentes com ações na bolsa – Marfrig e Minerva -, a JBS é relativamente mais afetada pelo cenário adverso para a oferta de gado porque vende proporção maior de carne bovina no mercado interno. Marfrig e Minerva também produzem carne bovina em outros países da América do Sul que não apenas o Brasil, o que as favorece na comparação com a concorrente. Em dólares, o boi argentino, uruguaio e paraguaio é mais barato. No terceiro trimestre, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da unidade que reúne as operações de carne bovina da JBS no Brasil foi a que mais caiu. No período, a margem alcançou 7,5%, redução de 6,3 pontos na comparação com a margem de 13,8% reportada no trimestre imediatamente anterior. Na operação sul-americana, a margem Ebitda da Marfrig recuou 3,4 pontos na mesma comparação, para 10,5%. Na Minerva, diminuiu 2,6 pontos, para 10,8%. O CEO da Marfrig, Miguel Gularte, avaliou que o atual nível de preços do boi no Brasil é temporário. A tendência é que o mercado corrija a “distorção” existente na comparação com os demais países da América do Sul. “Não faz sentido ter boi a US$ 3,5 por quilo quando vale US$ 2,9 no Uruguai e US$ 2,84 na Argentina”, disse o executivo.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS 

Coronavoucher eleva consumo de frango e ajuda Brasil a enfrentar custos, diz ABPA

Segundo Francisco Turra, o “coronavoucher nos permitiu suportar os encargos” da disparada das matérias-primas para ração, uma vez que o consumo interno de frango subiu

Ele lembrou que o preço do milho, principal componente de custo, dobrou ante o ano passado, para um patamar recorde de mais de 80 reais a saca. Embora o país seja o maior exportador global de carne de frango, a maior parte da produção é consumida localmente. Turra estimou que o consumo per capita de carne de frango pode subir para 45 quilos, ante 42,84 quilos/habitante em 2019, durante sua apresentação no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex). Caso isso se confirme, seria o maior consumo per capita desde 2011, quando atingiu 47,38 quilos, igualando o patamar de 2012, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ele disse ainda que a indústria superou os desafios da pandemia também com o auxílio do câmbio, o que ajudará o país a elevar os embarques de carne de aves em 2020 em 2% ante 2019. Comentou também que as maiores vendas têm ajudado o setor a elevar os investimentos, sendo por meio de expansões ou novas fábricas. Turra disse ainda que se o Brasil exporta 37% de tudo que o mundo exporta de carne de frango, isso se deve muito aos bons padrões sanitários. Embora o Brasil não seja líder em carne de porco como é no frango, vai exportar 40% mais de suínos este ano, com a China elevando as compras para amenizar problemas de oferta decorrentes da redução do plantel pela peste suína africana.

REUTERS 

INTERNACIONAL 

Segunda onda de covid-19 nos EUA gera apreensão

Para executivo da JBS, operações podem ser afetadas

O recrudescimento da covid-19 nos Estados Unidos pode voltar a afetar as operações dos frigoríficos americanos, afirmou ontem o CEO da JBS USA, André Nogueira. Em teleconferência com analistas, o executivo disse que no Colorado, onde a JBS está sediada e possui uma das principais unidades, a situação é “muito preocupante”. O Estado americano bateu recorde de casos de covid-19 na última quarta-feira, lembrou ele. Apesar disso, a avaliação de executivos da indústria americana é que o impacto da segunda onda de coronavírus será menos avassalador para o setor. Para a National Beef, controlada pela brasileira Marfrig, a experiência da primeira onda trouxe ensinamentos. “Dessa vez estamos muito mais preparados”, disse Tim Klein, que comanda a empresa. Em março, um dos abatedouros da National Beef, que é a quarta maior produtora de carne bovina dos Estados Unidos, parou por algumas semanas em meio à disseminação de casos entre funcionários. Segundo Klein, a primeira onda de disseminação da covid-19 apresentou dificuldades que parecem sanadas, como a escassez de equipamentos de proteção individual. “Tenho certeza que a segunda onda não afetará nossas operações”, enfatizou o executivo. Na JBS, que divide com Tyson Foods e Cargill a liderança da produção americana de carne bovina, as avaliações são semelhantes. Segundo Nogueira, a companhia tomou diversas medidas para proteger a saúde dos funcionários e preservar a produção de carnes. Diante disso, ele não acredita que a segunda onda terá o mesmo impacto da primeira, que provocou a paralisação temporária de dezenas de frigoríficos nos EUA. Nogueira reconheceu, porém, que as operações da JBS poderão ser afetadas novamente pela doença, até porque a companhia não está isolada das comunidades de suas plantas. No segundo trimestre, o abatedouro da JBS em Greeley, no Estado do Colorado, foi um dos que fecharam temporariamente. Unidades de processamento de suínos também foram afetadas pela covid-19.

VALOR ECONÔMICO

ABRAFRIGO 

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA 

041 3088 8124 

https://www.facebook.com/abrafrigo/

 

abrafrigo

Leave Comment