
Ano 6 | nº 1328| 25 de setembro de 2020
NOTÍCIAS
Embora calmo, o mercado do boi gordo está firme
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última quinta-feira (24/9), o preço do boi comum ficou estável em São Paulo, na comparação feita dia a dia, com a arroba cotada em R$250,00, à vista, preço bruto
Entretanto, para bovinos jovens, cujo destino é o mercado chinês, as ofertas de compra chegaram a R$7,00/@ acima da referência do mercado interno, consequência do bom desempenho das exportações. As escalas de abate atendem em torno de quatro a cinco dias no estado. Por fim, a cotação da arroba do boi gordo subiu em dez das trinta e duas praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria. A oferta de boiadas está limitada, o que mantém as cotações firmes. A volatilidade tem sido a característica do mercado.
SCOT CONSULTORIA
Movimento de alta nos preços do boi pode perder força, avalia Safras
Os valores da arroba em São Paulo e Uberaba permaneceram estáveis nesta quinta, com R$ 254 e R$ 252, respectivamente
Os preços do boi gordo seguem firmes nas principais regiões produtoras do país. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o movimento de alta nos preços aparenta estar perdendo fôlego. “No entanto, a oferta de animais terminados permanece restrita em diversos estados, o que impede uma mudança na curva de preços. Além disso, os frigoríficos continuam operando com escalas de abate curta, posicionadas entre três e quatro dias”, assinala. Ao mesmo tempo, as exportações seguem em ótimo nível, com a China importando lotes relevantes de proteína animal no decorrer de 2020, ainda uma consequência da Peste Suína Africana (PSA), que dizimou o plantel de suínos local. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 254 a arroba. Em Uberaba, Minas Gerais, a cotação foi de R$ 252. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços chegaram a R$ 250. Em Goiânia, Goiás, o valor indicado foi de R$ 242. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 236 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios sugere pela retomada do movimento de alta ao longo da primeira quinzena de outubro, período que conta com a entrada dos salários como motivador da demanda. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,20 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,25 o quilo, e o corte traseiro seguiu em R$ 18 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
CEPEA: Preços da arroba de boi e de carne se aproximam em setembro
Os valores da arroba do boi gordo no mercado paulista têm subido de forma um pouco mais intensa que os da carne (carcaça casada, no atacado da Grande São Paulo)
Diante disso, dados do Cepea mostram que, depois de a carcaça casada de boi registrar vantagem de 3,6 Reais/arroba sobre o boi gordo em agosto, essa diferença diminuiu para apenas 54 centavos de Real/arroba em setembro. Ao longo deste ano, a maior vantagem da carne sobre o boi, de 12 Reais/arroba, foi observada em abril. Já em julho, a arroba do boi gordo foi negociada acima da carcaça casada, em 4,17 Reais – esse, ressalta-se, foi o único momento em 2020 em que o boi mostrou vantagem sobre a carne.
Cepea
Primeira etapa de vacinação contra a febre aftosa já imunizou 166 milhões de animais
Em razão da pandemia da Covid-19, esta primeira etapa de vacinação foi prorrogada em 30 dias para todos os estados, alcançando uma duração de 60 dias para a sua execução
Os dados parciais da primeira etapa de vacinação contra a febre aftosa em 2020 mostraram cobertura vacinal de 97,81% do rebanho de bovinos e bubalinos de todas as idades dos estados que já enviaram os dados. No total, já foram imunizados 166 milhões de animais. Dos 23 estados que praticam a vacinação, foram contabilizados os dados de 18 estados, um está em análise e outros três ainda não enviaram o relatório com os dados finais. O Estado do Amapá realiza a vacinação anual de todo o seu rebanho apenas no segundo semestre do ano. Em 2019, na campanha de maio, foram vacinados 196 milhões de bovinos e bubalinos, cobrindo 98,08% do total. Na etapa realizada em novembro de 2019, para os animais de até 24 meses, foram vacinados 87,11 milhões, com cobertura vacinal de 98,27%. Segundo o Diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Geraldo Moraes, a pequena redução da cobertura vacinal era esperada, como reflexo direto da pandemia, que atrapalhou a logística da vacinação. “Apesar disso, foi uma campanha exitosa dadas as proporções da emergência em saúde existente no país”, diz. A previsão para esta primeira etapa é de vacinar cerca de 183 milhões de bovinos e bubalinos de todas as idades. Os estados do Paraná, Acre e Rondônia, e regiões do sul do Amazonas e do noroeste do Mato Grosso tiveram a última vacinação contra a doença em 2019 e, no momento, estão cumprindo o prazo para reconhecimento de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O Rio Grande do Sul, que realizou a sua última vacinação em março deste ano, também está cumprindo prazo para o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação. A segunda etapa de campanha de vacinação contra aftosa começa em novembro.
MAPA
Rastreabilidade do gado aumenta renda
A rastreabilidade vem ganhando mais espaço na cadeia produtiva da carne. Com um mercado externo aquecido alguns fatores podem atribuir maior valor à produção e renda aos pecuaristas
Segundo o USDA, serão comercializadas 11 milhões de toneladas em 2020. O Brasil é o líder em exportações e deve superar 2 milhões de toneladas este ano. A China é o principal comprador com 57% das aquisições, mas outras oportunidades podem vir da União Europeia, mercado com maior valor agregado por tonelada. O uso da certificação da produção pode fazer a diferença para este mercado tão exigente. Flaviana Bim, especialista em certificação do GenesisGroup, explica que, para a rastreabilidade, o produtor deve atender às normas do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV). Com isso a arroba do gado abatido que atende às especificações para exportação ao mercado europeu tem valorização imediata. Dependendo do momento do mercado e das regras do frigorífico, a arroba pode valer até R$ 5 a mais. O sistema certifica a propriedade e identifica individualmente o rebanho, exigência da UE. O pecuarista pode rastrear a origem e o destino dos animais, fazendo todo o controle dos animais e dos dados. “Ele ainda pode adotar uma cultura de registro de dados em sua propriedade, com informações que irão lhe auxiliar no monitoramento de ganho de peso, origem de fornecedores, custo individual por cabeça, controles de insumos e vacinas utilizados, proporcionando maior segurança e controle a todos os envolvidos no processo produtivo”, destaca Flaviana. Só podem exportar carne bovina à União Europeia as propriedades que constam na chamada Lista Trace. Atualmente, somente cerca de 1.400 fazendas têm essa certificação. O tempo médio para obter a habilitação da propriedade na Lista Trace varia de três meses (para animais criados em confinamento ou propriedades mistas) a quatro meses (para propriedades que fazem manejo a pasto), prazo este que pode ser reduzido ou aumentado de acordo com a disponibilidade de Auditores Fiscais Agropecuários disponíveis por UF. O gasto médio com a identificação de rebanho também pode variar: de R$ 7 a R$ 12 por animal.
Agrolink
Anffa comemora autorização para contratação de 140 auditores agropecuários
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) comemorou a autorização do governo federal para a contratação de 140 profissionais aprovados em concurso para a categoria de 2017. De acordo com a entidade, que defendia o reforço, a nomeação é uma forma de “mitigar o déficit de servidores na fiscalização agropecuária” brasileira
Segundo o Secretário de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal, auditor fiscal de carreira, os trâmites para alocação das vagas já estão adiantados e o processo de convocação dos 140 concursados, todos médicos veterinários, será feito o mais rápido possível. “O serviço está muito estrangulado, principalmente com o afastamento de alguns colegas em função do grupo de risco da covid-19. Os profissionais que estão chegando vão permitir que a gente mantenha o controle necessário à saúde pública e a segurança e qualidade dos produtos, tanto para o mercado interno quanto para as exportações”, disse Leal.
Valor Econômico
ECONOMIA
Dólar fecha em queda após superar R$5,62; exterior traz alívio
O dólar teve um “respiro” e fechou em queda de mais de 1% na quinta-feira, com investidores atentos ao noticiário sobre mais estímulos nos Estados Unidos e aproveitando para realizar lucros depois de quatro altas seguidas da moeda
No fechamento, a moeda negociada no mercado à vista caiu 1,34%, a 5,5128 reais na venda. É a maior queda percentual diária desde 1º de setembro (-1,75%). O dólar vinha de quatro altas seguidas, nas quais acumulou ganho de 6,80%. O mercado melhorou o humor em meio a notícia do Wall Street Journal de que os democratas da Câmara dos Deputados dos EUA estavam preparando um pacote de estímulo de 2,4 trilhões de dólares. A informação se somou a falas do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e do Secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, de que centenas de bilhões de dólares em recursos para aliviar os efeitos do coronavírus não utilizados poderiam ser realocados para ajudar famílias e empresas dos EUA. No Brasil, o Tesouro reduziu a oferta de LFT (título com rentabilidade atrelada à Selic) para 100 mil papéis, ante 500 mil em operações recentes, e vendeu todo o lote de NTN-F –ativo com tradicional demanda de estrangeiros. Alguns analistas afirmam que o nível baixo da Selic, de 2% ao ano, tem contribuído para a pressão no mercado de renda fixa, elevando temores sobre liquidez no sistema em meio a sinais de alta na inflação e ao encurtamento da dívida pública. Em coletiva de imprensa nesta quinta, o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o encurtamento da dívida é o preço que está sendo pago pelo país por um fiscal um pouco mais desarrumado. Em meio às incertezas fiscais, um ponto de apoio ao câmbio tem sido o fluxo comercial, que tem mostrado sucessivos saldos positivos.
REUTERS
Ibovespa sobe com setor financeiro, mas sem fôlego para alcançar 98 mil pontos
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, apoiado no avanço do setor financeiro, mas sem fôlego para alcançar os 98 mil pontos dada a volatilidade em Wall Street e preocupações contínuas com o ambiente fiscal brasileiro
Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 1,33%, a 97.012,07 pontos. Na máxima, chegou a 97.954,63 pontos. O volume financeiro somou 25,4 bilhões de reais. Em Wall Street, o S&P 500 teve alta de 0,3%, no fim de sessão volátil, com números mostrando um quadro ainda misto sobre a recuperação dos Estados Unidos, enquanto agentes financeiros monitoram negociações para novos estímulos fiscais. O chair do Federal Reserve e o Secretário do Tesouro norte-americano afirmaram na quinta-feira que centenas de bilhões de dólares em fundos não utilizados de um pacote de auxílio do coronavírus de 2,3 trilhões de dólares poderiam ser realocados para ajudar famílias e empresas dos EUA. Apesar da recuperação, depois de o Ibovespa fechar na mínima em quase três meses na véspera, persistem os receios sobre a trajetória das contas públicas. O Bradesco BBI manteve ‘overweight’ para ações brasileiras em portfólio para a América Latina e estima que o Ibovespa acabe o ano em 107 mil pontos, mas pontuou que, no momento, as ações estão precificando altos riscos políticos e fiscais. “Políticos irão apoiar a equipe econômica para cumprir o limite de gastos em 2021 e parar de pagar ajuda de emergência antes que a vacina contra Covid-19 chegue? Achamos que sim, mas reconhecemos que precisaremos de alguns meses para garantir uma maior clareza”, observou em relatório a clientes.
REUTERS
BC revê queda do PIB em 2020 a 5% e reitera mensagem de Selic estacionada
O Banco Central melhorou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 a uma retração de 5,0%, sobre queda de 6,4% calculada em junho, e repetiu que há pouco ou nenhum espaço para cortar a Selic à frente, com a alta dos juros básicos sendo descartada desde que mantido o quadro para a inflação e para a disciplina das contas públicas, numa referência à regra do teto de gastos
Os dados constam do Relatório Trimestral de Inflação do BC publicado na quinta-feira. A nova expectativa para o PIB é um pouco pior que a estimativa oficial do Ministério da Economia, de um recuo de 4,7% para a atividade neste ano. Para o ano que vem, o BC projetou uma alta de 3,9% para o PIB, mais otimista que o crescimento de 3,2% visto pelo Ministério da Economia. Os agentes de mercado, por sua vez, preveem queda do PIB de 5,05% este ano e elevação de 3,50% no ano que vem, conforme boletim Focus mais recente. No relatório, o BC pontuou que a despeito da derrocada do PIB no segundo trimestre, os indicadores disponíveis têm mostrado que a retomada após a fase mais aguda da pandemia de coronavírus, ainda que parcial, está ocorrendo mais rapidamente que o antecipado. “Todavia, a heterogeneidade da recuperação entre os segmentos da atividade econômica continua sendo uma característica marcante”, ressalvou o BC. A autarquia mudou pouco suas contas para o desempenho da agropecuária no ano, prevendo alta de 1,3%, sobre 1,2% antes. A maior alteração veio para a indústria, com o tombo revisado a 4,7% este ano, de queda de 8,5% anteriormente. “A projeção para o crescimento da indústria extrativa foi alterada em virtude de impactos iniciais da pandemia da Covid-19 sobre a demanda por petróleo e minério de ferro menos intensos do que os previstos anteriormente”, disse o BC. “A rápida recuperação de indicadores da indústria de transformação e da construção civil após recuo agudo no início do período de distanciamento social motivou as revisões no desempenho desses segmentos”, acrescentou. Já para o setor de serviços o BC melhorou levemente a contração esperada este ano a 5,2%, de 5,3% em junho. Nesse caso, entretanto, o BC apontou para “alterações relevantes” nas estimativas para os componentes analisados. “Destacam-se a melhora na previsão para o comércio, setor bastante relacionado à atividade industrial e ao consumo de bens pelas famílias e, em sentido oposto, os recuos esperados para outros serviços e, em especial, para administração, saúde e educação públicas”, disse. Sob a ótica da demanda, a expectativa agora é de queda de 4,6% no consumo das famílias (-7,4% antes) e de 6,6% nos investimentos (-13,8% antes). Para o consumo do governo, a perspectiva piorou a uma retração de 4,2%, ante crescimento de 0,2% calculado no relatório de junho.
REUTERS
BC estima déficit em conta corrente a US$10,2 bi em 2020, vê rombo de US$16,7 bi em 2021
O Banco Central melhorou na quinta-feira sua estimativa para o déficit em transações correntes a 10,2 bilhões de dólares em 2020, contra rombo de 13,9 bilhões de dólares projetado em junho, ao mesmo tempo em que piorou a perspectiva para os Investimentos Diretos no País (IDP) a 50 bilhões de dólares, sobre 55 bilhões de dólares antes
Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o BC justificou que “o principal fator para a revisão é a melhora nos valores esperados para as exportações, que apresentaram nos últimos meses resultado acima do anteriormente projetado”. Para 2021, a perspectiva é de um rombo em transações correntes de 16,7 bilhões de dólares, com o IDP melhorando a 65,2 bilhões de dólares. Para este ano, o BC reviu a estimativa para o superávit da balança comercial a 45,3 bilhões de dólares, frente a 39,0 bilhões de dólares antes, dado que embute uma queda de 11,1% nas exportações e de 16,2% nas importações em relação a 2019. A corrente de comércio deve, com isso, apresentar um recuo de 13,4%, destacou a autoridade monetária.
REUTERS
Banco Central prevê crescimento de 1,3% no PIB da Agropecuária em 2020
Informação está no Relatório Trimestral de Inflação, que projeta, para 2021, uma expansão ainda maior do setor, de 3,4%
A agropecuária brasileira deve terminar 2020 com um crescimento de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB). A projeção foi divulgada, na quinta-feira (24/9), no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), do Banco Central (BC). O número é um pouco maior que o do relatório anterior, de junho, que projetava alta de 1,2% no PIB do setor. “O crescimento esperado da agropecuária ficou praticamente igual ao apresentado no último Relatório de Inflação (1,3%, ante 1,2%), com ligeira melhora na previsão para a agricultura, em face do aumento nas previsões mais recentes do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compensada por expectativa de resultado menos favorável para a pecuária”, diz o Banco Central, em seu relatório. Apesar do ajuste ter sido pequeno, os números indicam que a agropecuária deverá ser o único dos setores da economia a crescer neste ano. No RTI, o Banco Central avalia que a retomada da atividade econômica em meio à pandemia está mais rápida que o esperado, mas ocorre de forma diferente a depender do setor analisado.
GLOBO RURAL
EMPRESAS
BNDES volta a pedir ação por danos à JBS
Depois de ganhar arbitragem na B3, BNDESPar pede que JBS instale AGE para discutir ação de responsabilidade contra ex-administradores e controladores
Amparada por decisão favorável em tribunal arbitral, a BNDESPar, braço de participações acionárias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), retomou o pedido, feito inicialmente em 2017, para que a empresa de proteína animal JBS realize, nos próximos dias, uma assembleia geral extraordinária (AGE). Com o pleito, a BNDESPar, que detém 21,32% do capital total de JBS, busca fazer com que os acionistas da empresa deliberem sobre a aprovação de ação de responsabilidade contra ex-administradores e controladores da companhia. Se a AGE for instalada e os acionistas aprovarem a ação, caberá à JBS calcular os valores aos quais a companhia teria direito a ser ressarcida. O pano de fundo dessa discussão é o suposto dano causado à JBS por ex-administradores e controladores da empresa. Na visão do BNDES, esses danos ficaram provados nas delações premiadas feitas pelos controladores de JBS, em 2017, e também pelo acordo de leniência assinado, naquele ano, entre a J&F, holding da JBS, e o Ministério Público Federal (MPF). Desde então, BNDESPar e J&F travam litígio societário que ainda não teve desfecho final. O pedido de instalação de AGE, feito pelo banco na noite de quarta-feira, representa novo capítulo da briga, que enfrentou uma etapa administrativa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi judicializada e passou por uma arbitragem com sentença favorável ao banco este ano. Procurados, BNDES e JBS preferiram não comentar o caso. Mas no começo da noite de ontem o BNDES divulgou cartilha na qual explica a disputa societária. O banco argumenta que as delações feitas em 2017 pelos controladores de JBS e fatos relevantes publicados pela companhia evidenciaram os danos: “[…]trouxeram relatos de que milhões de reais foram desviados da empresa para pagamento de propina.” Não houve, porém, achados relevantes e o investimento em JBS se mostrou rentável para o banco. A participação do BNDES em JBS a valor de mercado era avaliada ontem em R$ 12,6 bilhões. Em 2017, uma vez conhecidas as delações, a BNDESPar tentou fazer a JBS instalar AGE para votar a abertura de ação de responsabilidade contra administradores e controladores. A assembleia nunca foi instalada. O entendimento do banco é que a assembleia desta vez vai se realizar. De acordo com o fato relevante divulgado pela JBS na quarta, o conselho de administração da companhia vai se reunir para apreciar o pedido. Na cartilha, o BNDES disse que a empresa tem oito dias para fazer a convocação da AGE, que deve ocorrer pelo menos 15 dias depois. Não está claro se o tema pode ser judicializado, com a J&F questionado a arbitragem. O contencioso volta a ganhar destaque em momento em que a BNDESPar já anunciou disposição de vender as ações de JBS.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Marfrig apresenta mapa para monitorar fornecedores indiretos
A Mafrig anunciou na quinta-feira (24) uma ferramenta para monitorar e mapear produtores indiretos de animais, como parte das iniciativas para ampliar o rastreamento da cadeia de fornecimento e identificar áreas críticas de cria e recria de gado na Amazônia
O Mapa de Mitigação de Risco de Fornecedores Indiretos permitirá localizar onde estão concentradas as áreas de cria e recria de gado no Brasil, que são os fornecedores indiretos da companhia, sob a perspectiva de risco socioambiental, segundo informou a Marfrig em comunicado. O rastreamento total da cadeia de produção pecuária tem sido apontado por representantes da indústria e especialistas ambientais como condição necessária para evitar a compra de gado criado em áreas irregulares e colaborar para zerar o desmatamento de biomas florestais. “Para produzir e preservar o meio ambiente, precisamos saber a localização e o contexto social dos produtores de bezerros”, disse o Diretor de Sustentabilidade e Comunicação da Marfrig, Paulo Pianez, em nota. “A ferramenta vai nos servir como uma espécie de radar para isso.” A Marfrig disse que o monitoramento da cadeia de produtores da Amazônia é “um trabalho complexo”, sendo que para cada um dos mais de 16 mil fornecedores diretos na região há outros dez indiretos. A nova ferramenta, desenvolvida por parceria da Marfrig com a consultoria Agroícone, é baseada no uso de inteligência territorial e realiza a sobreposição de mapas com foco em áreas de desmatamento e áreas de produção de bezerros. A Marfrig espera que a ferramenta também possa ser aplicada a outros biomas para dar escala ao seu projeto Plano Marfrig Verde+, lançado em julho, que visa total rastreabilidade da cadeia de fornecimento na Amazônia até 2025 e rastreamento de 100% do Cerrado e demais biomas até 2030. A processadora de carne bovina disse que também deu início a um projeto piloto para adotar a ferramenta Visipec, que visa ampliar o monitoramento de fornecedores com o cruzamento de dados já disponíveis. Neste ano, a empresa já firmou parceria com a ONG Amigos da Terra, que lidera o Grupo de Trabalho de Fornecedores Indiretos (GTFI) no Brasil.
CARNETEC
FAO defende ampliação do uso de selos de sustentabilidade
Sugestão coincide com o aumento da pressão na Europa por novas certificações e “due diligence” nas importações de commodities do Brasil
A FAO, agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, recomendou que seja ampliado o uso de certificações voluntárias que atestam a sustentabilidade da produção agropecuária, em resposta à demandas dos consumidores. A sugestão coincide com o aumento da pressão na Europa por novas certificações e “due diligence” nas importações de commodities do Brasil para evitar a entrada de produtos com suspeita de terem saído de áreas desmatadas ilegalmente. A FAO nota, porém, que a proliferação de certificações é parte de uma conscientização sobre a questão ambiental não só nos países desenvolvidos, e que também há avanços nos emergentes e em desenvolvimento. A harmonização de padrões e certificados de sustentabilidade entre os países pode facilitar sua aplicação nas cadeias globais de valor do setor agro-alimentar, diz a agência da ONU. E tudo isso pode encorajar investimentos. Em relatório sobre os mercados de commodities agrícolas, a FAO também destacou que o comércio internacional agro-alimentar mais que dobrou de 1995 a 2018, chegando a US$ 1,5 trilhão. As exportações de países emergentes e em desenvolvimento representam mais de um terço do total, e para avançarem vão se apoiar também em certificações. Desde 1995, o Brasil quase quadruplicou suas exportações em termos reais, com forte aumento de vendas de grãos, carnes e pescado, açúcar e cacau. Ao mesmo tempo, as importações brasileiras continuaram praticamente inalteradas. O relatório estima que cerca de um terço das exportações globais agro-alimentares são feitas por cadeias globais de valor e atravessam fronteiras pelo menos duas vezes, com a matéria-prima inicialmente exportada para ser processada e esta, por sua vez, ser reexportada. Nesse cenário, o Brasil continua com participação abaixo da média global nas cadeias de valor de produtos agrícolas e alimentos – significativamente abaixo de Gana, por exemplo. A maior parte do comércio brasileiro no setor é bilateral. Conforme a FAO, participar das cadeias globais de valor permite a pequenos produtores reforçar sua produção e sua renda. Na média, e no curto prazo, um aumento de 10% nas cadeias de valor agrícolas poderá resultar em uma alta de 1,2% na produtividade do trabalho graças à difusão melhorada de tecnologias e conhecimento.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Produção brasileira de carne de frango cresce apenas meio por cento em 2020, estima Rabobank
Dado o impacto da Covid-19 e da Peste Suína Africana (PSA), 2020 será um dos exercícios mais disruptivos da história da avicultura, diz o Rabobank em seu Relatório para o 4º trimestre de 2020, observando que embora na maioria dos mercados essa combinação tenha pressionado a demanda, a produção mundial de carne de frango registrará expansão mínima – menos de 1% – em relação a 2019.
O Rabobank lista 14 grandes produtores mundiais de carne de frango e estima que metade deles terá produção inferior à do ano passado. Os três maiores produtores mundiais – EUA, China e Brasil – além de Vietnã, México, Japão e Rússia são os únicos com tendência de aumento, mas em alguns casos, mínimo. Os dois países mais afetados pela PSA – China e Vietnã – é que devem registrar os maiores índices de expansão. No Vietnã, a produção tende a crescer mais de 5%. Já na China o aumento previsto alcança os 15%. Este último resultado confirma o que já vinha sendo previsto desde o ano passado – que a PSA levaria a uma grande expansão da produção chinesa de carne de frango. Mas – comenta o Rabobank – o aumento de oferta vem sendo acompanhado de pressão sobre os preços. Nas projeções do banco, os próximos países com maior crescimento neste ano são México, Japão e EUA, em relação aos quais projeta incrementos de 2,2%, 2% e 1,5%, respectivamente. O Japão é mais uma exceção no mercado asiático, pois enquanto outros países veem sua produção retroceder, o Japão sinaliza expansão contrária ao do crescimento vegetativo da população. E isso, curiosamente, se deve ao isolamento social imposto pela Covid-19, pois – como explica o Rabobank – o consumo doméstico japonês se concentra no produto in natura (frango resfriado), enquanto a alimentação fora do domicílio (quase totalmente paralisada com a pandemia) é atendida sobretudo por produto congelado e importado. Já EUA e México seguem com as indústrias em expansão. No caso norte-americano, porém, o aumento de produção vem pressionando os preços – a ponto de o frango abatido ter sido negociado em agosto por valor 20% inferior ao de julho. Tal desvalorização se deve ao fato de apenas restaurantes e redes de fast-food estarem retornando à normalidade, enquanto outros setores da economia (e, por decorrência, dos serviços de alimentação) registram lenta retomada.
RABOBANK
Filipinas detecta novos surtos de peste suína
Departamento de agricultura inicialmente projetou um déficit doméstico de suínos de 121.000 toneladas até o final do ano
O Departamento de Agricultura das Filipinas disse na quinta-feira que detectou novos surtos de peste suína africana em seis províncias, aumentando a possibilidade de que o déficit doméstico de carne suína previsto para o final do ano seja maior do que o inicialmente esperado. Uma nova onda de infecções por suínos atingiu o décimo maior consumidor de carne suína e o sétimo maior importador de carne suína do mundo, onde mais de 300.000 suínos foram sacrificados desde o ano passado, disse o Secretário de Agricultura William Dar. Novos surtos foram detectados nas províncias de Albay, Quirino, Laguna, Quezon, Batangas e Cavite, na ilha principal de Luzon, disse ele em uma coletiva. Dar não detalhou a extensão das novas infecções, mas disse que um programa de reabastecimento financiado pelo governo e importação adicional de carne suína e produtos à base de carne suína de países livres de doenças, que ele não identificou, podem ajudar a resolver o aperto na oferta doméstica. O departamento de agricultura inicialmente projetou um déficit doméstico de suínos de 121.000 toneladas até o final do ano. A produção de carne suína nas Filipinas deve cair 20% este ano, segundo estimativa do Serviço de Agricultura Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o dobro da projeção inicial, por causa da doença.
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