
Ano 6 | nº 1324| 21 de setembro de 2020
NOTÍCIAS
Preços firmes no mercado do boi gordo
Após as altas no decorrer da semana passada, em São Paulo, o preço da arroba do boi gordo fechou estável na última sexta-feira (18/9)
Segundo levantamento da Scot Consultoria, nas praças paulistas o boi gordo foi negociado, à vista, em R$250,00/@, preço bruto, R$249,50/@, sem o Senar, e em R$246,50/@, descontado o Senar e o Funrural. Mesma cotação das boiadas destinadas à exportação. Já no Pará, a oferta reduzida pressionou as compras. A cotação subiu R$2,00/@ nas regiões de Marabá e Redenção e, nessas praças, o boi gordo ficou cotado em R$250,00/@, preço bruto e à vista, R$249,50/@, sem o Senar e R$246,50/@, descontado o Senar e o Funrural. Para o curto prazo, a expectativa é de preços firmes no mercado do boi gordo, mas atenção a oferta de boiadas e a demanda interna.
SCOT CONSULTORIA
Valores do boi gordo sobem nas regiões Centro-Oeste e Norte do país
A oferta de animais segue restrita, com perspectiva de mudança apenas no último trimestre deste ano, segundo Safras
Os preços do boi gordo voltaram a subir em algumas regiões produtoras do país na sexta-feira, 18. “Os preços seguem sob pressão de alta principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país”, disse o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta de animais terminados tende a permanecer restrita no último trimestre do ano. “A estiagem prolongada atrasa o desenvolvimento dos animais de pasto, que devem estar aptos ao abate apenas no último trimestre”, diz o analista. Enquanto isso, as exportações de carne bovina seguem em ótimo nível, com a China importando volumes substanciais de proteína animal brasileira. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 253 a arroba, ante R$ 252 na quinta-feira, 17. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços ficaram em R$ 250 a arroba, inalterados. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os valores permaneceram inalterados, em R$ 249. O mesmo foi observado em Goiânia, Goiás, onde o preço ficou em R$ 242 a arroba, e também em Cuiabá, no Mato Grosso, com a cotação inalterada em R$ 231,00 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina fecharam a semana em acomodação. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios sugere menor espaço para reajustes no decorrer da segunda quinzena de setembro, período que tradicionalmente conta com menor apelo ao consumo. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,20 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,25 o quilo, e o corte traseiro seguiu em R$ 18,00 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Preço do boi gordo ainda tem espaço para alta, mas está bem próximo do teto, diz analista do Rabobank
A arroba do boi gordo está mais valorizada no Estado de São Paulo, em cerca de R$ 250. Em Mato Grosso, está em cerca de R$ 230 e em Mato Grosso do Sul, R$ 240
“Tem espaço ainda para subir? Sim, tem espaço para subir, mas, atenção produtor, pois devemos estar chegando próximo do pico de preços para este ano”, afirma o engenheiro agrônomo Wagner Yanaguizawa, analista de proteína animal do Rabobank. Para o analista, quem apostou este ano na oferta de gado, especialmente para a exportação, se deu bem por conta da desvalorização do real perante o dólar e por conta da forte demanda chinesa. “Quando olhamos para as exportações de carne bovina, hoje, no acumulado até o mês de agosto, cerca de 41% de tudo que foi exportado foi para o mercado chinês”, diz Yanaguizawa. As compras chinesas significaram US$ 2,53 bilhões e um total de US$ 5,45 bilhões. É o maior valor já gasto pela China no comércio de carne bovina com o Brasil (analisando os oito meses). O ano passado inteiro, o comércio com o maior país da Ásia foi de US$ 2,69 bilhões, por 497,83 mil toneladas. No entanto, a tendência para os próximos anos não deve ter a mesma pressão de compra por parte da China. Segundo o analista do Rabobank, a partir do ano que vem, os rebanhos de suínos entram em fase de recomposição no país asiático e a estimativa é que até 2025 o apetite chinês pela carne bovina seja mais ameno. De acordo com Yanaguizawa, além da China há mercados bem interessantes para o pecuarista brasileiro, entre eles a Indonésia, o Egito e os Estados Unidos. “Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e apesar de uma cota inicial pequena, de cerca de 20 mil toneladas, é um mercado que tem um potencial muito grande”, diz o analista do Rabobank. No caso do Egito, o país já era um grande comprador internacional que ganhou mais poder de compra este ano. “O país habilitou mais 15 frigoríficos no início deste ano”, conta Yanaguizawa. Já os Estados Unidos se viram enfraquecidos pela Covid-19 e a falta do boi australiano levou o país a ir às compras. O Brasil era a única saída. As vendas aumentaram nos últimos dois meses. A procura pela carne brasileira renderá um crescimento de 9% no volume de exportação em 2020 frente ao resultado de 2019, segundo o Rabobank. Isso pode significar 2 milhões de toneladas de carne bovina embarcadas.
PORTAL DBO
Receita cambial das carnes supera os US$11 bi no ano
A maior contribuição para esse aumento vem da carne bovina, cuja receita aumentou 23%, índice correspondente a um adicional de US$1 bilhão
Em 2019, no acumulado dos dois primeiros quadrimestres, a participação da carne de frango na receita cambial das carnes superou ligeiramente os 45%, ficando quase 3 pontos percentuais à frente da receita da carne bovina (42,5%). Neste ano, essas posições se inverteram totalmente, a participação do frango recuando quase 20% (36,1% do total) e a da carne bovina aumentando mais de 13% e chegando aos 48,3% do total. E como, além da carne bovina, também a carne suína vem apresentando bom desempenho, a receita cambial do setor neste ano foi quase 9% maior que a do ano passado, aproximando-se dos US$11,3 bilhões. A maior contribuição para esse aumento vem da carne bovina, cuja receita aumentou 23%, índice correspondente a um adicional de US$1 bilhão. Proporcionalmente, a receita da carne suína aumentou bem mais – 52%. Mas como sua participação na pauta é menor (13% do total), o valor adicional foi de US$500 milhões. Já a receita da carne de frango – que recuou perto de 13% – sofreu redução de US$600 milhões.
AGROLINK
ECONOMIA
Dólar salta 2,8% contaminado por nervosismo em DIs e desconfiança com BC
O dólar disparou 2,8% na sexta-feira registrando a maior alta diária em quase três meses, com o sentimento de investidores abalado por intenso nervosismo no mercado de juros futuros diante de maior desconfiança em relação à postura do Banco Central num contexto de fiscal deteriorado
O dólar à vista fechou em alta de 2,77%, a 5,3767 reais na venda –maior valorização diária desde 24 de junho (+3,33%). O real teve, de longe, o pior desempenho global nesta sessão. O dólar acumulou na semana alta de 0,82%. Até a véspera, registrava queda de 1,90%. Com isso, a moeda reduziu a baixa em setembro para 1,90% e elevou os ganhos no ano a 33,99%. Na B3, o contrato de dólar futuro de maior liquidez subia 2,60%, a 5,3770 reais, às 17h03. A aparente trégua no mercado de renda fixa durou pouco. O salto do IGP-M da segunda prévia de setembro divulgada na sexta serviu de combustível para renovadas preocupações sobre inflação. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 4,57% na segunda prévia de setembro, de 2,34% no mesmo período do mês anterior. A taxa acumulada em 12 meses saltou de 12,58% para 18,20%. Neste pregão, o Banco Central limitou-se a realizar leilão de rolagem de linhas de dólares com compromisso de recompra, colocando todo o lote de 4,15 bilhões de dólares ofertado. Em sua orientação futura, o Copom explicitou que não pretende elevar os juros a menos que as expectativas e projeções de inflação estejam suficientemente próximas da meta de 2021 e 2022 ou no caso de o governo abandonar o atual regime fiscal. Muitos no mercado, contudo, avaliam que a ferramenta do “forward guidance” tem suas limitações no Brasil, especialmente num contexto de fragilizada situação fiscal como a de agora. O desconforto geral catapultou as taxas de DI nesta sessão, com vencimento janeiro 2027 chegando a disparar 38 pontos-base na máxima da sessão, indo a 7,39% ao ano, pico desde 22 de maio. O mercado de juros vem de dias sob intenso estresse, devido a crescentes dúvidas sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública diante do forte aumento de gastos para combater os efeitos da pandemia e da percepção de evolução da agenda de reformas muito aquém do necessário.
REUTERS
Ibovespa fechou em queda de 1,81%, com Fed e desconforto fiscal
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,81%, a 98.289,71 pontos, com variação negativa de 0,08% na semana e de 1,09% mês. No ano, amarga declínio de 15,01%
A bolsa paulista engatou a terceira semana consecutiva com sinal negativo na sexta-feira, quando o Ibovespa fechou novamente no patamar dos 98 mil pontos, reflexo da piora em Wall Street e desconforto com a cena fiscal no país. Em meio a desavenças entre o Presidente Jair Bolsonaro e sua equipe econômica, investidores seguem melindrados com as perspectivas para as contas públicas, em um momento no que a economia ainda sofre com os efeitos da pandemia de Covid-19. Dúvidas crescentes sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública e o desconforto com o comportamento dos preços, particularmente os IGP-Ms, tem estressado os juros futuros longos e contaminado outros mercados. No caso da bolsa, um dos principais suportes para a recuperação desde as mínimas de março é justamente o alívio na taxa estrutural de juros, não apenas a Selic, que está no piso histórico de 2% ao ano. Do cenário externo, nem o tom ‘dovish’ do Federal Reserve conseguiu empolgar agentes financeiros, que voltaram a embolsar lucros em Wall Street, em meio a sinais mostrando estagnação da retomada da atividade econômica norte-americana. Do ponto de vista gráfico, o Ibovespa está bastante consolidado no intervalo de 98 mil a 100 mil pontos, mas se perder esse patamar (de 98 mil pontos), pode sinalizar uma movimentação mais forte de queda. Gestores e estrategistas também têm citado onda de ofertas de ações – IPOs e follow-ons – no mercado brasileiro em 2020 como mais uma componente que tem ajudado a deixar o Ibovespa oscilando em um intervalo razoavelmente curto. Apenas neste ano, já ocorreram cerca de 30 ofertas (IPOs e follow ons), de acordo com dados disponíveis no site da B3, e há em torno de 50 ofertas iniciais engatilhadas, segundo registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Isso faz com que o mercado fique sobreofertado em termos de fluxo”, disse o gestor Guilherme Motta, da GAP Asset.
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Desemprego salta 40% de maio a agosto com pandemia e chega a 13,7 milhões de pessoas, diz IBGE
O número de desempregados no país cresceu 39,7%entre o começo de maio e o fim de agosto, elevando o contingente de desempregados no Brasil para o patamar recorde durante a pandemia de 13,7 milhões de brasileiros, mostrou na sexta-feira a Pnad Covid do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
No início de maio, a pesquisa registrou 9,8 milhões de pessoas desocupadas no país, e na quarta semana de agosto esse contingente saltou para 13,7 milhões de desempregados. Entre a terceira e a quarta semanas do mês passado, houve um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas sem emprego e à procura de uma oportunidade de trabalho. A taxa de desemprego atingiu o nível recorde de 14,3% na quarta semana de agosto, ante 13,2% na semana anterior. No começo de maio, quando o IBGE iniciou a Pnad Covid, a taxa de desemprego estava em 10,5%. Segundo o IBGE, com a flexibilização das medidas de isolamento social, muitas pessoas estão se encorajando a voltar a buscar uma vaga no mercado de trabalho. No auge da pandemia, houve um forte movimento de pessoas que estavam desempregadas ou perderam trabalho em direção à população fora da força, ou seja, aquele grupo que estava sem trabalho e não buscava uma vaga. A perspectiva é que se não houver uma reação mais forte da economia, a taxa de desemprego deve continuar subindo, uma vez que a procura tende a aumentar, mas não haverá vagas suficientes para incorporar os desocupados no mercado de trabalho. A pesquisa apontou ainda que 8,3 milhões de pessoas estavam trabalhando remotamente no fim de agosto. Já o percentual de pessoas afastadas do trabalho por conta do distanciamento social atingiu o nível mais baixo da pandemia e ficou em 4,4% da população ocupada. No começo de maio, esse número chegou a ser de 19,8%, segundo o IBGE.
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Inflação ao produtor dispara e IGP-M acelera alta a 4,57% na 2ª prévia de setembro, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 4,57% na segunda prévia de setembro, ante alta de 2,34% no mesmo período do mês anterior, refletindo a aceleração contínua da inflação ao produtor, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na sexta-feira
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, disparou a 6,36% no período, contra alta de 3,15% na segunda prévia de agosto. O principal destaque nessa leitura partiu do grupo Matérias-Primas Brutas, que acelerou a alta de 5,60% no segundo decêndio de agosto a 11,31% no mesmo período de setembro, refletindo a inflação em commodities como o minério de ferro (17,01%) e soja (12,53%), que juntos responderam por 42% do resultado do IPA. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, apresentou alta de 0,38% na segunda prévia de setembro, contra ganho de 0,41% em agosto. O movimento de leve desaceleração da inflação ao consumidor foi liderado pela queda de 0,50% registrada no grupo de Saúde e Cuidados Pessoais, que havia saltado 0,54% na segunda prévia de agosto. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,98% no período, depois de subir 0,96% na segunda prévia de agosto.
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Balança comercial do agro registra superávit recorde em 2020, diz CNA
Dados do governo mostram que os produtos mais vendidos foram soja em grão, carne bovina in natura, açúcar de cana bruto, celulose e farelo de soja
A balança comercial brasileira do agro registrou superávit recorde de US$ 61,5 bilhões de janeiro a agosto de 2020, aponta a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base em informações do Ministério da Economia. As exportações somaram, em receita, US$ US$ 69,6 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2019, e 152,4 milhões de toneladas em volume (aumento de 15,8%). Os produtos mais exportados foram: soja em grãos (US$ 25,7 bilhões); carne bovina in natura (US$ 4,8 bilhões); o açúcar de cana em bruto (US$ 4,2 bilhões); a celulose (US$ 4 bilhões) e farelo de soja (US$ 3,9 bilhões). Esses cinco produtos representaram 61,3% dos embarques totais no período. A China foi o principal destino dos produtos brasileiros de janeiro a agosto, com receita de US$ 26,4 bilhões e uma parcela de 38% das exportações. O segundo mercado foi a União Europeia, que respondeu por 16% dos embarques do agro, que somaram US$ 11,3 bilhões. As vendas para os Estados Unidos foram de US$ 4,2 bilhões, fatia de 6,1% do total. Japão e Hong Kong completam a lista dos principais consumidores no acumulado de 2020. No desempenho mensal, as exportações em agosto totalizaram US$ 8,9 bilhões, fechando o mês com saldo positivo de US$ 8 bilhões, aumento de 7,8% em relação a agosto de 2019. Em volume, o total embarcado foi de 22,2 milhões de toneladas, variação de 15,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os principais produtos exportados no mês foram a soja em grãos (US$ 2,2 bilhões), o milho (US$ 1 bilhão) o açúcar de cana em bruto (US$ 824,3 milhões), a carne bovina in natura (US$ 654,2 milhões) e o farelo de soja (US$ 497 milhões), que tiveram participação de 58,7% do total das vendas externas no mês. China, União Europeia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Tailândia foram os principais destinos dos produtos do agro brasileiro.
CNA
FRANGOS & SUÍNOS
Frigorífico Mais Frango fecha acordo para adotar medidas contra covid-19
O frigorífico Mais Frango, localizado em Miraguaí (RS), fechou um termo de ajuste de conduta (TAC) com procuradores para adotar medidas de contenção à disseminação da covid-19 na fábrica, informou o Ministério Público do Trabalho (MPT) no Rio Grande do Sul
O acordo, assinado com o MPT e com o Ministério Público Estadual (MPE-RS), inclui 44 medidas protetivas como condutas de busca ativa, triagem médica, testes laboratoriais e afastamento de empregados e terceirizados em caso de confirmação da doença, entre outras. O Mais Frango também deverá estabelecer o distanciamento mínimo de um metro entre os postos de trabalho, fornecer equipamentos de proteção individual e não realizar abates extras e horas extraordinárias durante o período da pandemia. Cerca de mil trabalhadores serão beneficiados pela medida, segundo o MPT. As medidas serão acompanhadas por autoridades epidemiológicas locais, como a Vigilância Sanitária municipal, a Coordenadoria Regional de Saúde e o Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest). Além do Mais Frango, o MPT já fechou termos de ajuste de conduta com cem plantas frigoríficas de 32 grupos empresariais, durante o período da pandemia, incluindo BRF, Aurora Alimentos, entre outros. O MPT disse que os TACs fechados beneficiam cerca de 179 mil trabalhadores.
CARNETEC
Demanda mantém preço do frango em alta
Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que o setor vem operando com produção controlada
As demandas internacional e doméstica pela carne de frango seguem firmes. Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que o setor vem operando com produção controlada há alguns meses. Esse contexto tem elevado os preços da carne e, consequentemente, do animal vivo, que, neste caso, atingem os maiores patamares nominais da série histórica do Cepea em algumas regiões. Segundo relatório parcial da Secex, nos oito primeiros dias úteis de setembro, o Brasil exportou, em média, 17,3 mil toneladas/dia de carne de frango in natura, sendo 6,7% acima da média observada em agosto e ainda a segunda maior de 2020 – atrás somente da de fevereiro. Quanto ao mercado doméstico, a elevada competitividade da proteína avícola frente às principais carnes concorrentes (bovina e suína) mantém a boa fluidez das vendas
Cepea
Rabobank: O desafio de equilibrar mercados voláteis na indústria avícola
Passando pelo quarto trimestre de 2020 e para 2021, a indústria avícola global operará em um contexto de mercado volátil, com pressão proveniente dos mercados de serviços de alimentação e atacado
Possíveis novas ondas de Covid-19 aumentarão os altos e baixos do mercado, e o impacto de uma profunda crise econômica tornará os mercados mais direcionados aos preços. Ao longo de todo o ano, o Rabobank espera um leve aumento na produção global de aves (+ 0,8%, ano anterior), principalmente como resultado da expansão avícola na China e no Vietnã, onde a peste suína africana reduziu a disponibilidade de carne suína, e também da expansão nos EUA. O resto do mundo estará operando em um ambiente de redução da produção. O comércio global tornou-se difícil, com a maioria dos mercados de importação reduzindo os volumes. O comércio em mercados afetados pela peste suína africana, como China, Filipinas e Vietnã, tornou-se mais importante, e isso aumenta os riscos à medida que a produção local se recupera. Exportadores como Brasil, Estados Unidos e Rússia estão focados na China, com volumes exportados em expansão rápida, mas com concessões de preços. O principal desafio para os produtores em tais mercados voláteis é equilibrar oferta e demanda, e a experiência até agora neste ano mostra como isso é difícil. Globalmente, a demanda por aves aumentará levemente devido à substituição de carne suína por ave, especialmente nos mercados afetados pela peste suína africana, e também em mercados com compras mais direcionadas aos preços, devido à crise econômica. Há uma mudança global do food service para o varejo, o que beneficia as empresas com foco no varejo. Equilibrar a oferta local com a demanda volátil será o grande desafio para os produtores globais. As diferenças no crescimento esperado da produção de aves são maiores do que nunca, variando de 15% de crescimento na China a 5% no Vietnã, contrastando com -8% na Tailândia e mais de -10% na Índia. Muitas questões afetam o comércio, sendo a abertura da China para exportadores dos EUA e da Rússia um grande fator de ruptura. Restrições recentes (voluntárias) ao comércio com a China ilustram o risco de uma alta dependência. A gripe aviária continua sendo outro risco contínuo – vista novamente no Vietnã e ainda afetando a Polônia e a Ucrânia.
Rabobank
MEIO AMBIENTE
Estudo confirma peso da pecuária no desmate em MT
Até um terço do gado comercializado no Estado entre 2013 e 2017 esteve “contaminado” por desmatamento, segundo trabalho feito em parceria pela TNC e pela Bain & Company
Até um terço do gado comercializado em Mato Grosso entre 2013 e 2017 esteve “contaminado” por desmatamento, de acordo com estimativa de um estudo realizado em parceria entre a organização não-governamental The Nature Conservancy (TNC) e a consultoria Bain & Company. O levantamento também calcula que a pecuária foi praticada em áreas que variaram entre 30% e 40% da extensão desmatada no Estado nesse período dependendo do ano. Dessa forma, a criação de gado relacionada ao desmatamento ocupou uma área equivalente a 4,5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Mas, de acordo com o estudo, o desmatamento esteve concentrado em poucos pecuaristas: apenas 4% dos fazendeiros que criam gado foram responsáveis por esse desmate no Estado entre 2013 e 2017 – ou 2,8 mil, no total. Os resultados foram obtidos através do cruzamento de dados de satélite do Prodes no período em questão, do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de Guias de Transporte Animal (GTA) emitidas em 2016. A conclusão sobre a quantidade de gado relacionada com desmatamento foi estimada porque a Bain & Company, que conduziu a análise, não tinha os dados de todas as propriedades do Estado. Dos 70 mil pecuaristas em Mato Grosso em ação no período, 33 mil tinham CAR quando a análise foi realizada. O estudo ainda comprovou que o problema está concentrado não nos fornecedores diretos dos frigoríficos, mas nos indiretos, em geral responsáveis pela cria dos animais. Dos 33% do gado “contaminado” pelo desmatamento, apenas 5,5% foram identificados em propriedades que vendem diretamente aos frigoríficos. Os demais 27,1% da produção está relacionado a fornecedores indiretos. A análise chegou a identificar que 7,9% do gado comercializado na época saiu de propriedades de fornecedores indiretos que desmataram no período. Porém, como a princípio os frigoríficos não conseguem distinguir quais cabeças foram anteriormente adquiridas de uma fazenda com desmatamento ou não, a Bain & Company preferiu avaliar o quanto a venda dos fornecedores indiretos “contamina” as fazendas que vendem diretamente às indústrias. Dessa forma, se um pecuarista vendeu, para a engorda final, 100 cabeças de gado a uma propriedade com 10 mil cabeças, todo esse plantel de animais foi considerado como “contaminado” pelo desmatamento. Esses 7,9% de gado dos fornecedores indiretos que desmataram acabaram, assim, “contaminando” 27,1% do gado dos fornecedores diretos. “Isso significa que esse percentual de 33% é, provavelmente, menor”, afirma Carlos Libera, sócio da consultoria. Por outro lado, como não é possível analisar propriedades sem CAR ou que eventualmente transitaram animais sem a GTA, fazendas sem esses dados que possam ter desmatado não entraram na conta. Também não foi considerado o risco de “lavagem” de gado, que pode aumentar esse percentual. O levantamento também não fez distinção entre desmatamento legal e ilegal, uma vez que os dados de CAR e GTA foram cruzados com imagens de satélite, que não discriminam se o corte de vegetação tem ou não licença para ser realizado. Anna Lucia Horta, gerente de negócios e investimentos da TNC, defende que a questão da legalidade é pouco relevante, já que a pressão social é contra o desmatamento em geral e porque já existem áreas que foram desmatadas no passado e que podem ser usadas para aumentar a produção agropecuária, sem a necessidade de mais devastação de vegetação. Apesar de confirmar a influência da pecuária no desmatamento, a conclusão do estudo de que apenas 4% dos pecuaristas são responsáveis pela “contaminação” da cadeia é vista pela TNC como uma indicação de que o problema pode até ser mais fácil de ser resolvido do que parece. “Não é uma tarefa gigantesca tratar esses fornecedores”, diz a gerente da TNC. Mesmo dentre esse pequeno grupo, há uma elevada concentração. Dos 2,8 mil desmatadores, somente 10% responderam por 60% da área desmatada. Em um recorte mais ampliado, identificou-se ainda que metade dos desmatadores responderam por quase toda a área desmatada – a outra metade foi responsável por extensões mínimas. Por outro lado, em um recorte menor, foi possível identificar, também, que somente 1,5% das propriedades foram responsáveis por 30% do desmatamento.
VALOR ECONÔMICO
Acordo UE-Mercosul pode acelerar desmatamento, diz estudo encomendado pela França
O acordo comercial União Europeia-Mercosul sofreu um novo golpe na Europa, agora com um relatório encomendado pelo governo francês a um grupo de especialistas que conclui que o tratado traz o risco de acelerar o desmatamento
O estudo sobre o impacto do acordo no desenvolvimento sustentável foi encomendado pelo ex-ministro Édouard Philippe e será entregue hoje ao novo chefe do governo, Jean Castex, mas suas conclusões foram antecipadas ontem pelo jornal Le Monde. O documento de 194 páginas diz que a hipótese mais provável, para os especialistas do grupo, é de desmatamento a um ritmo anual de 5% durante seis anos desde a aplicação do acordo, significando 700 mil hectares. Ou seja, o custo ambiental medido a partir das emissões suplementares de CO2, a um custo unitário de 250 dólares a tonelada, seria mais elevado do que os benefícios econômicos. Ainda segundo o jornal Le Monde, a comissão baseia seus cálculos sobre o desmatamento provocado sobretudo por abertura de pastos para aumentar a produção de gado no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O balanço carbono da produção de um quilo de carne bovina seria três vezes superior na América Latina em relação à Europa, segundo o jornal, baseado em dados da FAO, a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Mas há divergências entre cientistas sobre essa questão. O grupo formado pelo governo francês também é severo sobre vários aspectos sanitários do acordo, entre eles produtos como pesticidas, interditados na Europa, mas autorizados nos países do Mercosul. O jornal cita também um estudo de impacto encomendado pela Comissão Europeia à London School of Economics, que afirmava que o acordo UE-Mercosul não provocaria emissão de carbono adicional. Le Monde cita um especialista do Instituto Veblen, um think tank especialista em reformas econômicas, que considera que o acordo com o Mercosul é incompatível com o “green deal” europeu, ou seja, a nova estratégia verde de crescimento europeu. Existem cláusulas ambientais nos acordos comerciais, mas organizações não governamentais reclamam que a UE tem reticências a aplicá-las na prática. O relatório pavimenta o caminho para o Presidente Emmanuel Macron, com dificuldades políticas, não assinar o acordo UE-Mercosul. Macron já por mais de uma vez ameaçou não ratificar o tratado alegando que o Presidente Jair Bolsonaro não tomava as medidas necessárias para proteger a floresta amazônica.
Valor Econômico
INTERNACIONAL
Alemanha confirma 6 novos casos de peste suína africana em javalis
Mais seis casos de peste suína africana (PSA) em javalis selvagens foram confirmados no Estado de Brandemburgo, no leste da Alemanha, informou o Ministério da Agricultura do país na sexta-feira
Os novos casos ocorrem após a detecção de seis outras infecções em javalis — não em animais de fazenda– na última semana. O total de casos confirmados passou a ser de 13, segundo o ministério. O instituto científico alemão Friedrich-Loeffler foi o responsável pela confirmação dos novos casos de PSA, acrescentou a pasta. Nos últimos dias, a China e uma série de outros países compradores de carne suína proibiram as importações da carne proveniente da Alemanha, depois da confirmação do primeiro caso da doença no país europeu. A peste não afeta humanos, mas é fatal para porcos. Uma grande epidemia na China, maior produtora global de carne suína, fez com que centenas de milhões de porcos tivessem de ser abatidos no país recentemente. O ministério alertou na quinta-feira que já esperava a detecção de mais casos de PSA em javalis selvagens em Brandemburgo, já que os animais se movem em grupos e a doença é altamente contagiosa.
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