CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1302 DE 18 DE AGOSTO DE 2020

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Ano 6 | nº 1302| 18 de agosto de 2020

  

NOTÍCIAS

Boi padrão China bate R$ 230 e pode subir ainda mais no fim do ano

Segundo o analista Fernando Iglesias, o apetite chinês, aliado à desvalorização do real e à retomada econômica podem propiciar uma arroba cotada a R$ 240 até o fim do ano

O pecuarista brasileiro está com motivos para comemorar no primeiro trimestre de agosto. Mesmo com a melhora na oferta, os animais padrão China estão sendo negociados, em média, a R$ 230 a arroba, enquanto o boi comum está a R$ 225. Segundo o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, muitos fatores explicam esse preço elevado por tanto tempo. “A primeira quinzena de agosto foi muito positiva para a pecuária de corte. A demanda adicional do dia dos pais promoveu muita venda no varejo, o que acabou favorecendo a reposição entre atacado e varejo, e valorizou a carne de maneira bastante expressiva. Outro fator que não podemos deixar de considerar são as exportações que seguem elevadas, com a China absorvendo um volume muito expressivo da carne bovina brasileira”, disse. Segundo o analista, é natural que essa alta perca força nos próximos dias, já que não há tanto apelo ao consumo como foi nos 15 primeiros dias. Mas, apesar disso, a projeção é de que os preços continuem a subir, sobretudo no último trimestre do ano. “Entre outubro e dezembro, existem condições para que o preço ultrapasse essa barreira dos R$ 230. O mercado paulista pode alcançar R$ 240 pela arroba, dependendo das circunstâncias. Por exemplo, se a China continuar importando tanta carne e o real continuar tão desvalorizado, somando-se à reabertura econômica tanto no Brasil, como em mercados relevantes como Europa e Oriente Médio, é possível que a arroba alcance valores mais expressivos nesse último trimestre do ano”, finalizou.

AGÊNCIA SAFRAS

Preços firmes no mercado do boi gordo

Em São Paulo, apesar da melhora gradual da oferta de boiadas confinadas, os preços estiveram firmes na última segunda-feira (17/8) 

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi comum ficou estável em R$226,00/@, bruto, R$225,50/@, livre de Senar, e em R$222,50/@, descontados os impostos (Senar e Funrural), considerando os preços à vista. Já os bovinos que atendem o mercado chinês têm sido negociados por R$230,00/@ para os machos, e em R$220,00/@ para as novilhas, nas mesmas condições. Novidade para a vaca gorda, cuja cotação subiu 0,5% ou R$1,00/@ comparada com a última sexta-feira (14/8) e ficou em R$211,00/@, a prazo sem impostos.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Dólar encosta nos R$5,50 e registra máxima desde maio com ruídos políticos locais

O dólar fechou em alta acentuada contra o real na segunda-feira, registrando uma máxima em quase três meses, refletindo ruídos domésticos em torno da agenda fiscal, com especulações sobre possível saída de Paulo Guedes do Ministério da Economia

O dólar registrou ganho de 1,26%, a 5,4959 reais na venda, maior patamar para encerramento desde o dia 22 de maio, quando a divisa havia fechado em 5,5739 reais. Na máxima intradia, o dólar saltou 1,61%, a 5,5150 reais, máxima desde 25 de maio, depois de ter registrado queda de 0,16% na mínima do dia, a 5,4098 reais. Enquanto isso, na B3, onde os negócios vão até as 18h, o dólar futuro subia 1,52%, a 5,5090 reais. Analistas citaram ruídos políticos locais como o principal fator de impulso para o dólar, com preocupações com o possível enfraquecimento de Guedes no governo e rumores sobre uma eventual saída sua do Ministério da Economia elevando a cautela e a volatilidade nos mercados. “Há expectativas negativas sobre as pautas política e econômica”, disse à Reuters João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos. “Os novos boatos de que o Guedes pode estar enfraquecido e a preocupação fiscal têm afetado bastante a moeda (real).” Duas fontes da equipe econômica disseram à Reuters que a saída de Guedes do governo não está na mesa e negaram notícias publicadas no fim de semana citando o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, como provável substituto de Guedes no comando da Economia. Ainda assim, os rumores elevaram a tensão no mercado local, que já sofreu este ano devido a incertezas políticas, principalmente depois da saída de Sergio Moro —considerado um pilar do governo Bolsonaro— do cargo de ministro da Justiça.  No exterior, diante desse cenário, o dólar perdia força contra uma cesta de moedas. Na segunda-feira, o Banco Central realizou leilão de 12 mil contratos de swap cambial distribuídos entre os vencimentos 1º de março de 2021 e 1º de julho de 2021, em que vendeu o total da oferta. A decisão sobre a rolagem de contratos de swap cambial tradicional com vencimento em outubro foi anunciada na quarta-feira, após o BC retomar ofertas líquidas desses ativos pela primeira vez em cerca de três meses.

REUTERS

Ibovespa fecha abaixo de 100 mil pontos com ruídos sobre Guedes e receios fiscais

A MARFRIG ON avançou 5,37%, capitaneando os ganhos no setor de proteínas, beneficiado pelo dólar em alta ante o real e perspectivas favoráveis para a demanda

O tom negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta segunda-feira, com o Ibovespa fechando abaixo dos 99 mil pontos, com ações de bancos entre as maiores pressões de baixa, em meio a ruídos envolvendo o Ministro da Economia. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,73%, a 99.595,41 pontos, menor patamar de fechamento desde 13 de julho. No pior momento do dia, chegou a 98.513,34 pontos. Na máxima, a 101.688,98 pontos. O volume financeiro somou 45,28 bilhões de reais, elevado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa, que movimentou 12,8 bilhões de reais. A debandada recente no Ministério da Economia e sinalizações divergente sobre políticas fiscais do governo federal, incluindo intenção de aumentar o gasto público, tem preocupado o mercado sobre a permanência de Paulo Guedes à frente da pasta. Nesta segunda-feira, o Subsecretário de Política Macroeconômica, Vladimir Kuhl Teles, deixou o cargo, aumentando o número de baixas recentes nos quadros da Economia. Fontes da equipe afirmaram à Reuters que a saída de Guedes do governo não está na mesa. O próprio Ministro também tem reiterado que não deixará o governo. No mercado, contudo, as especulações não arrefeceram. “Só se fala em eventual saída de Paulo Guedes e sem saber quem assumiria”, afirmou o Superintendente da mesa de operações da Necton, Marcos Tulli. “Mais uma vez a preocupação com o rumo do fiscal penalizou o mercado brasileiro”, afirmou o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, lembrando que a saúde fiscal é um dos requisitos para a manutenção da política monetária expansionista no país.

REUTERS 

Mercado passa a ver Selic menor em 2021 no Focus e contração de 5,52% da economia este ano

O mercado cortou a expectativa para a taxa básica de juros em 2021, ao mesmo tempo em que manteve a tendência de redução da contração econômica este ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou que a expectativa para a Selic neste ano continua em 2,0%, mas para 2021 caiu a 2,75%, de 3,0% antes. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, continua vendo a Selic a 1,88% em 2020 e a 2,0% em 2021, na mediana das projeções. A pesquisa mostrou ainda que, para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de contração este ano passou a 5,52%, de 5,62% no levantamento anterior, na sétima semana seguida de melhora do cenário. A economia, segundo o Focus, deve se recuperar a um crescimento de 3,50% em 2021. Para os preços, houve acréscimo de 0,04 ponto percentual na perspectiva de alta do IPCA em 2020, a 1,67%, permanecendo o cenário de inflação de 3,0% em 2021. O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

REUTERS 

EMPRESAS

EUA e China fazem a festa de frigoríficos brasileiros

Preço recorde no mercado americano impulsiona JBS e Marfrig

Crise? Que crise? A expressão dá título à recente relatório no qual o banco BTG Pactual projetava o desempenho financeiro dos frigoríficos no segundo trimestre. Os analistas até já esperavam um resultado positivo, mas foram surpreendidos. No auge da pandemia, fabricar carne bovina, uma commodity de margens em geral acanhadas, foi especialmente rentável, superando as previsões mais otimistas. Brasileiras, JBS e Marfrig, as duas principais indústrias de carne bovina do planeta, geraram tanto caixa que faz parecer difícil se alavancar, o que é um feito para um setor acostumado a endividamento elevado. No segundo trimestre, ambas atingiram o menor índice de endividamento da história. Juntas, geraram quase R$ 14 bilhões em caixa livre – R$ 10,5 bilhões somente na JBS -, lucrando em torno de R$ 5 bilhões. A conjuntura favorável e atípica do segundo trimestre está intimamente ligada aos impactos da pandemia sobre a produção de carne bovina nos Estados Unidos. Com a disseminação do coronavírus entre funcionários, dezenas de frigoríficos americanos foram paralisados temporariamente, provocando um buraco na oferta de carne e criando um excedente de bois não abatidos. Resultado: matérias-primas baratas e produto final nas alturas. Com mais de 80% do faturamento nos Estados Unidos, Marfrig e JBS nadaram de braçada, ostentando uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de mais de 20% na divisão que abriga o negócio americano de carne bovina. Dona da National Beef, quarto principal frigorífico dos EUA, a Marfrig teve o melhor desempenho entre os pares, entregando uma margem de 23,4%. Na JBS USA Beef, frente de negócios que também inclui a operação na Austrália e no Canadá, a margem Ebitda chegou a 20,4%. Para se ter ideia da magnitude desses resultados, basta dizer que, há poucos anos, números próximos de 10% eram muito comemorados pela indústria americana de carne bovina. A injeção de rentabilidade americana fez muita diferença na margem consolidada das companhias. A Marfrig, companhia com faturamento de mais de R$ 60 bilhões por ano, alcançou a margem Ebitda de 21,5% no segundo trimestre, um recorde. Na JBS, gigante com receita líquida anual de mais de R$ 230 bilhões, a margem chegou a 15,5%, também o maior nível da história. No Brasil, onde os frigoríficos possuem grandes operações, o dólar apreciado favoreceu a rentabilidade da exportação e, quando combinado à voracidade da China, que nunca importou tanta carne quanto em 2020, a festa ficou completa para os frigoríficos. O cenário também beneficiou o resultado da Minerva Foods, que não atua nos Estados Unidos. No segundo trimestre, a Minerva lucrou R$ 253,4 milhões, pavimentando o caminho para a companhia dos Vilela de Queiroz voltar a distribuir dividendos para os seus acionistas, algo que não acontece desde 2017. Quando se considera o desempenho das operações na América do Sul e, mais especificamente no Brasil, o grande destaque entre as proteínas também é a carne bovina. Mesmo na JBS Brasil – divisão que reúne a operação de carne, couro e novos negócios -, que costumeiramente entregava resultados piores que os da concorrência, o que por vezes era atribuído à fraqueza do preço mundial de couro e à maior presença, menos lucrativa, no mercado nacional, o desempenho melhorou, se aproximando bastante de Marfrig e Minerva. Graças aos preços elevados pagos pelos chineses para importar carne bovina do Brasil e ao câmbio favorável, a margem Ebitda da JBS Brasil chegou a 12,4%, ante apenas 4,1% um ano antes. A Minerva, por sua vez, reportou 13,4%, incremento de 4,4 pontos. Na Marfrig, o negócio de carne bovina na América do Sul entregou uma margem Ebitda de 13,9%, avanço de 7,9 pontos. Na agroindústria de aves e suínos, mercado de atuação de BRF e Seara (JBS), as exportações à China também contribuíram com as margens, assim como um expressivo crescimento das vendas de alimentos processados no Brasil. No segundo trimestre, a dona de Sadia e Perdigão teve um lucro líquido – considerando operações continuadas – de R$ 307 milhões, um avanço de 60,8% na comparação anual. Por outro lado, o frango é a mais frágil, entre as proteínas, neste momento. Na B3, nem todos os frigoríficos se recuperaram totalmente do baque da covid-19. Neste caso, o destaque positivo é a Marfrig. Os papéis do grupo subiram 61,7%, enquanto as ações da Minerva se valorizaram 3% no ano. JBS e BRF estão no vermelho, com desvalorização de 5,2% e 40,5%, respectivamente. O Ibovespa, índice do qual as quatro fazem parte, recuou 13,8%. Juntos, os frigoríficos listados na bolsa valem R$ 100 bilhões.

VALOR ECONÔMICO 

Marfrig planeja duas novas linhas de produção de hambúrgueres em Várzea Grande em setembro

A Marfrig, maior produtora de hambúrgueres do mundo, pretende colocar em funcionamento duas novas linhas de produção de hambúrgueres em seu complexo de produção de Várzea Grande (MT) em setembro, disse executivo da empresa em teleconferência com analistas na semana passada

“Nós temos planos, em 2020 e 2021, de seguir investindo capex [investimento em bens de capital] na área de processados”, disse o Presidente das operações da companhia na América do Sul, Miguel Gularte. “Temos agora, previsto para o mês de setembro, o funcionamento de duas novas linhas na fábrica de Várzea Grande para produção de hambúrgueres.” O executivo disse que a empresa intensificou investimentos no setor de processados em 2019, elevando a participação deste segmento na receita da companhia para 10%. Esses investimentos colocaram a empresa numa posição favorável para atender o setor de delivery (entregas), que tem verificado aumento na demanda durante a pandemia. “Durante a pandemia, houve um crescimento exponencial da parte de delivery, e o produto do delivery basicamente é o hambúrguer”, disse Gularte. O executivo disse que o setor de alimentos processados oferece maiores margens para a empresa do que o de carne in natura.

CARNETEC

FRANGOS & SUÍNOS

Brasil diz que pode fazer queixa na OMC contra Filipinas após embargo não explicado

O Ministério da Agricultura do Brasil informou na segunda-feira que solicitou esclarecimentos às autoridades das Filipinas após o anúncio de embargo à carne de frango brasileira na última semana sem comunicado oficial, acrescentando em nota que poderá apresentar uma queixa contra o país asiático na Organização Internacional do Comércio (OMC)

A suspensão foi anunciada após a cidade chinesa de Shenzhen ter identificado a empresa brasileira Aurora Alimentos como origem de produtos de frango com possíveis traços de coronavírus. “O Brasil entende que a decisão tomada pelo governo filipino foi desproporcional ao interromper o comércio de todo um setor com base em notícias veiculadas pela imprensa chinesa de uma suspeita, ainda sob investigação pela GACC (órgão de sanidade da China), de detecção de ácido nucleico de coronavírus na embalagem de um produto referente a um estabelecimento comercial”, disse o ministério brasileiro. Além disso, continuou o ministério, “as autoridades filipinas não notificaram oficialmente o Brasil da decisão ou fizeram qualquer contato prévio solicitando informações sobre o episódio na China, descumprindo artigos previstos em acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC), em que os dois países são signatários.” “O governo brasileiro informa que se a questão com as Filipinas se alongar, poderá apresentar uma Preocupação Comercial Específica (Specific Trade Concern) na próxima reunião do Comitê da OMC sobre Acordo Sanitário e Fitossanitário (SPS)”, destacou a pasta. O ministério reafirmou que permanece apurando a suposta detecção de ácido nucleico do coronavírus na superfície de uma amostra de asa de frango congelada, oriunda de um lote importado do Brasil, mas destacou que “não houve comunicação oficial por parte das autoridades chinesas”.

REUTERS 

Aurora concorda em testar 11 mil trabalhadores para coronavírus, diz MPT

A Aurora Alimentos, terceira maior processadora de carne suína e de frango do Brasil, concordou em testar 11 mil trabalhadores para o novo coronavírus, disse na segunda-feira o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), citando um acordo que firmou com a empresa

A companhia, que na semana passada foi identificada por autoridades chinesas como a origem de produtos de frango com possíveis traços do vírus, concordou em realizar os testes pelo método RT-PCR nos funcionários das unidades de Guatambu, Xaxim e de duas fábricas em Chapecó, disse o MPT-SC.

REUTERS

Hong Kong suspende importação de carne de frango de unidade da Aurora em Xaxim (SC)

Carga de asas de frango com traços de covid detectada em Shenzen, na China, saiu da planta catarinense

O governo de Hong Kong, Província autônoma da China, suspendeu as importações de carne de frango do frigorífico brasileiro responsável pela carga exportada na qual o governo chinês diz ter detectado a presença do novo coronavírus. O Ministério da Agricultura ainda não foi comunicado oficialmente sobre medida. O Centro de Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) afirmou que o lote de asas de frango em questão não estava à venda em Hong Kong, mas que, por “questão de prudência e como medida de precaução”, aumentou a testagem de coronavírus em amostras de frango congelado importadas do Brasil. O órgão também suspendeu imediatamente o pedido de licença para importação de carne de aves do frigorífico da Aurora localizado em Xaxim (SC). O comunicado foi emitido ainda na quinta-feira passada. O texto no site do órgão sanitário salienta que não há evidências científicas que comprovem a contaminação de humanos por meio do consumo de alimentos, mas pondera que “alimentos crus ou mal cozidos são de alto risco, se não forem cozidos ou mal aquecidos” e que “o consumo de alimentos contaminados com bactérias ou vírus pode causar intoxicação alimentar”. O CFS diz, na nota, que “continuará acompanhando o incidente e tomará as medidas cabíveis, incluindo informar as autoridades brasileiras envolvidas e o comércio”. O Ministério da Agricultura, no entanto, não recebeu nenhum comunicado oficial de Hong Kong.

VALOR ECONÔMICO 

INTERNACIONAL 

Rebanho de suínos da China cresce em julho, em primeira alta em mais de dois anos

O rebanho de suínos da China avançou 13,1% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, disse o Ministério de Agricultura e Assuntos Rurais na segunda-feira, no que foi o primeiro aumento ano a ano desde abril de 2018

O crescimento do rebanho de porcas foi de 20,3%, acrescentou o ministério, em meio a esforços de reconstrução das criações locais de porcos, devastadas pela epidemia de peste suína africana, que agora começam a mostrar resultados. “O aumento em comparação anual nos estoques de porcos vivos indica que daqui a cinco ou seis meses o número de porcos vivos e já prontos para o abate também aumentará ante o ano passado, o que irá fundamentalmente reverter a oferta apertada no mercado”, disse o ministério em comunicado divulgado online. O rebanho suíno chinês caiu rapidamente desde que a peste suína africana atingiu o país em 2018. Os dados do ministério mostram uma retração de 40% em setembro passado. Mas uma série de políticas de apoio lançadas nos meses seguintes e preços recordes levaram muitos produtores rurais, particularmente produtores corporativos, a construir novas fazendas e expandir os rebanhos. Mais de 9 mil fazendas de grande escala foram colocadas em operação desde o começo do ano, acrescentou o ministério, incluindo quase 3 mil em julho.

O ministério reiterou sua meta de recuperar a produção de porcos a um nível “quase normal” até o final do ano, com recuperação total da normalidade durante 2021.

REUTERS

Produção de frango da China continua a crescer e reduz apetite por importações

Produtores chineses de frango estão seguindo com agressivos planos de expansão apesar da queda na demanda devido ao coronavírus, reduzindo a dependência de importações em meio a recentes preocupações sobre a segurança de carne estrangeira

O segundo maior produtor de carne de frango do mundo deve produzir um recorde de 14,85 milhões de toneladas de carne de frango em 2020, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No ano anterior, a produção cresceu 18%, para 13,75 milhões de toneladas. A significativa expansão está elevando a demanda por grãos utilizados como ração, como milho e soja, disseram operadores de mercado na China, enquanto pressiona para baixo os preços da carne de frango. Isso também pode significar menores compras de carne de frango congelada, uma vez que a confiança dos consumidores em alimentos importados tem sofrido abalos. Na semana passada, a China disse que asas de frango congeladas do Brasil testaram positivo para o coronavírus. “Atualmente, o preço está tão baixo que eu não acho que é só a demanda fraca, mas também significa que a oferta é suficiente”, disse o analista Pen Chenjun, do Rabobank. A China sacrificou 9,3 bilhões de frangos no ano passado, incluindo 4,4 bilhões de frangos de penas brancas, preferidos por cadeias de fast-food por sua carne barata e suculenta. Muitos produtores aceleraram projetos de expansão de capacidade no ano passado, junto com a queda de produção de carne suína. Com consumidores e restaurantes em busca de substitutos, os preços do frango atingiram altas recordes. A Wellhope aumentou a produção de frango em 36% em 2019, e em um ritmo semelhante no primeiro semestre deste ano, mostram os registros da empresa. “Aceleramos por causa dos melhores preços”, disse Jan Cortenbach, Diretor Técnico da Wellhope-De Heus Animal Nutrition, uma joint venture. Novas instalações para abrigar pelo menos mais 1 bilhão de frangos estão em construção, disse Walter Benz, Presidente e Diretor Administrativo para a China do Big Dutchman Group, uma empresa alemã que fornece equipamentos para aves. A rápida expansão pode ter sido inoportuna, já que a epidemia de Covid-19 afetou a demanda por frango na China. Grande parte da carne de frango, mais barata que a de porco, é consumida nas cantinas das escolas, que estiveram fechadas durante boa parte deste ano. Redes de fast-food e cantinas para trabalhadores também registraram demanda fraca, mesmo após a reabertura. A Wellhope observou em seu relatório de lucros que, em todo o país, o abate de frangos só aumentou 4% no primeiro semestre, diminuindo 8 pontos percentuais em relação ao que havia sido previsto antes da pandemia. “Agora, com a pressão negativa da economia e grandes importações, a ofertas está bem grande, o que não é muito otimista para a demanda e os preços da carne”, disse Qiu Jiahui, Vice-Presidente da empresa.

REUTERS

Frigoríficos de Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido suspendem exportações à China

Medida foi adotada de maneira voluntária, por causa de covid-19 entre funcionários

A Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) informou ontem que Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido suspenderam voluntariamente as exportações de três frigoríficos — cada país suspendeu as vendas de uma unidade. Atendendo a um pedido das autoridades chinesas, diversos países vêm suspendendo nos últimos meses as exportações de carnes de abatedouros com surtos de covid-19 entre funcionários. Embora não existam evidências científicas de que o consumo de alimentos possa transmitir a doença, a detecção de traços do vírus em embalagens de carnes e peixes importados aumentou o alerta em Pequim e suscitou o pedido para que os países exportadores “auto-embarguem” os frigoríficos com surtos. Na semana passada, traços do vírus foram detectados pelas autoridades de Shenzen, na China em um lote de asas de frango exportadas pela cooperativa brasileira Aurora Alimentos. Shenzen está situada na Província de Guangdong, cuja capital, Gahngzhou hoje suspendeu todas as importações de carnes e frutos do mar congelados de países com elevada incidência de coronavírus. Na contramão dos demais países, o Brasil resiste a suspender voluntariamente as exportações de frigoríficos com surtos da doença, o que aumenta o risco de restrições adotadas diretamente pelos chineses. O Ministério da Agricultura vem alegando que não há razões científicas para a suspensão. Mas o problema é que, com uma decisão tomada diretamente pela GACC, a retomada das exportações da unidade embargada nessa situação demora mais. Atualmente, seis abatedouros brasileiros (dois de suínos, dois de bovinos e dois de frango) estão com a licença para exportar à China suspensa. A unidade da Aurora em Xaxim (SC), de onde partiu o lote de asas de frango com traços de covid identificado em Shenzen, não faz parte dessa lista e, oficialmente, ainda pode exportar.

VALOR ECONÔMICO

Cidade chinesa suspende importação de carnes congeladas

Pequim intensifica a análise de alimentos refrigerados como possíveis transmissores da covid-19

A cidade chinesa de Guangzhou, no sul da China, suspendeu as importações de carne congelada, peixe e frutos do mar de países afetados pelo coronavírus, enquanto Pequim intensifica a análise de alimentos refrigerados como possíveis transmissores da covid-19, informa o Financial Times. As autoridades de Guangzhou, capital da província de Guangdong, anunciaram no domingo a proibição temporária de locais onde o vírus está mais ativo, sem nomear países específicos, e ordenaram que todos os trabalhadores que entraram em contato com produtos congelados se submetessem a testes contra a covid-19. Guangdong é a província mais populosa da China com 113 milhões de pessoas e é um importante centro de manufatura responsável por mais de um décimo do crescimento econômico do país. No primeiro semestre de 2020, Guangzhou, a capital da província, importou mais de US$ 665 milhões em carne, peixe e frutos do mar congelados. Na semana passada, Shenzhen, a cidade de Guangdong na fronteira do continente chinês com Hong Kong, disse que encontrou em amostras de asas de frango congeladas importadas do Brasil o vírus. Desde o final de junho, quando a alfândega chinesa lançou uma ampla coleta de produtos importados, houve dez incidentes de produtos congelados ou com resultados positivos de embalagens, lembra o FT. “No momento, há muito que ainda precisamos esclarecer, incluindo a fonte da infecção e a extensão da disseminação”, disse um funcionário da área de prevenção da cidade, que não quis ser identificado, à reportagem. “Como aconteceu em Shenzhen, um lugar com um grande fluxo de pessoas, estamos até certo ponto correndo contra o tempo.”

VALOR ECONÔMICO 

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