
Ano 6 | nº 1277| 14 de julho de 2020
ABRAFRIGO
DECRETO Nº 10.422, DE 13 DE JULHO DE 2020
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
Publicado em: 14/07/2020 | Edição: 133 | Seção: 1 | Página: 1
Órgão: Atos do Poder Executivo
Prorroga os prazos para celebrar os acordos de redução proporcional de jornada e de salário e de suspensão temporária do contrato de trabalho e para efetuar o pagamento dos benefícios emergenciais de que trata a Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020
Leia mais no link:
http://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-10.422-de-13-de-julho-de-2020-266575366
PORTARIA CONJUNTA Nº 1.178, DE 13 DE JULHO DE 2020
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
Publicado em: 14/07/2020 | Edição: 133 | Seção: 1 | Página: 269
Órgão: Ministério da Economia/Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil/Subsecretaria-Geral da Receita Federal do Brasil
Prorroga prazo de validade das Certidões Negativas de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CND) e das Certidões Positivas com Efeitos de Negativas de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CPEND), em decorrência da pandemia da doença provocada pelo Coronavírus identificado em 2019 (Covid-19). Leia mais no link:
http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-conjunta-n-1.178-de-13-de-julho-de-2020-266574785
NOTÍCIAS
Altas nos preços da carne bovina no varejo
Em São Paulo, após as altas consideráveis no preço da carne bovina no varejo na semana passada, o mercado se mostrou mais tímido na última semana, com valorização de 0,3%, segundo levantamento da Scot Consultoria
O contrafilé, principal responsável pelo forte reajuste da semana anterior, seguiu o movimento e registrou alta de 1,2%. O destaque foi para os cortes com menor valor agregado, como o patinho, lombinho e peito que, juntos, registraram alta média de 6,5% em São Paulo. Rio de Janeiro e Minas Gerais registraram aumentos expressivos, na ordem de 3,4% e 2,5% respectivamente.
SCOT CONSULTORIA
Baixa oferta dá sustentação ao mercado do boi gordo
Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a referência de preço do boi gordo ficou estável na última segunda-feira (13/7) na comparação com o fechamento de sexta-feira (10/7), em R$218,00/@, preço bruto, à vista
Para bovinos quem atendem as exigências do mercado chinês, animais jovens de até quatro dentes, há oferta de até R$222,00/@ para o “boi china” e R$208,00/@ para a novilha gorda, ambos à vista, bruto. As escalas de abate atendem em média, três dias. Na região do Triângulo Mineiro a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@ na comparação dia a dia e a referência ficou em R$220,00/@, bruto e a prazo, R$219,50/@ com o desconto do Senar e em R$216,50, livre de impostos (Senar + Funrural). A pouca disponibilidade de gado gordo fez com que o viés de baixa dos últimos dias perdesse força. Do lado da oferta de boiadas, não é esperado um aumento significativo no curto prazo e, devido às incertezas do consumo de carne no mercado doméstico nos próximos dias, a estratégia adotada pelos frigoríficos é de trabalhar com escalas menores, experimentando o mercado e comprando compassadamente.
SCOT CONSULTORIA
Preço do boi gordo chega a R$ 220 à vista em São Paulo, aponta Safras
Segundo a consultoria, os frigoríficos ainda se deparam com escalas de abate encurtadas, consequência da restrição de oferta neste início de entressafra
Os preços do boi gordo ficaram entre estáveis a mais altos na segunda-feira, 13. De acordo com a consultoria Safras, os frigoríficos em geral ainda se deparam com escalas de abate encurtadas, consequência da restrição de oferta neste início de entressafra. “É importante destacar o papel da China no mercado brasileiro no decorrer de 2020, importando volumes expressivos de proteína animal no decorrer do ano. Outro aspecto relevante é o processo de reabertura da economia em algumas regiões do país, em especial para a cidade de São Paulo, maior centro consumidor do país. O ponto de inflexão está no avanço da pandemia no Centro-Oeste e no Sul do país, o que pode produzir entraves ao agronegócio brasileiro”, diz o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Na capital de São Paulo, os preços do mercado à vista passaram de R$ 219 para R$ 220 por arroba. Em Uberaba (MG), subiram de R$ 214 para R$ 215 por arroba, Em Dourados (MS), continuaram em R$ 211. Em Goiânia (GO), seguiram em R$ 211. Em Cuiabá (MT), permaneceram estáveis, em R$ 197. No mercado atacadista, os preços da carne bovina apresentaram alta. Conforme Iglesias, a reabertura dos restaurantes na cidade de São Paulo estimulou a reposição entre atacado e varejo. “Logicamente, a ocupação dos restaurantes está distante da normalidade, com a exigência de distanciamento social e medidas bastante rigorosas para evitar novas ondas de contágio”, pondera. A ponta de agulha ficou em R$ 12,10, com alta de 10 centavos. O corte dianteiro passou de R$ 12,60 o quilo para R$ 12,65 o quilo, e o corte traseiro permaneceu em R$ 14 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Carnes: exportações na segunda semana de julho
A segunda semana de julho (5 a 11, cinco dias úteis) foi particularmente favorável às exportações de carne de frango, mas exportações das carnes bovina e suína caminham bem melhor
No Frango, enquanto pelas primeiras projeções era vislumbrada redução de volume em relação a julho de 2019, as estimativas atuais são de um avanço de pelo menos 5%, o que pode significar embarques da ordem de 390 mil toneladas no mês. A carne bovina tende a um aumento de volume da ordem de 14%, podendo superar a marca das 150 mil toneladas. E a carne suína projeta incremento de volume de 94%, desempenho que corresponde a embarques próximos de 120 mil toneladas no mês. Comparativamente a julho de 2019, somente a carne bovina registra evolução de preço, de pouco mais de 2,5%. Ou seja: o preço médio da carne suína vem registrando queda em torno de 8,5%, enquanto o retrocesso da carne de frango chega aos 22,5%. Apenas a carne bovina tende a uma expansão maior na receita do que no volume – algo em torno dos US$620 milhões, quase 17% a mais que há um ano. Com aumento de 94% no volume, a receita cambial da carne suína deve aumentar pouco mais de 75%, girando em torno dos US$150 milhões. Já a carne de frango, apesar do volume ligeiramente maior, segue com receita cambial negativa. O desempenho atual projeta retrocesso superior a 18,5% e um valor não muito superior a US$510 milhões.
PECUARIA.COM.BR
ECONOMIA
Dólar tem alta de mais de 1%
O dólar começou a semana em alta ante o real na segunda-feira, com a moeda acelerando os ganhos na parte da tarde à medida que os mercados externos pioraram o sinal
Por volta de 15h, o dólar ampliou os ganhos ante o real conforme a moeda no exterior também tomava fôlego. Ao mesmo tempo, o Ibovespa e o índice S&P 500, da Bolsa de Nova York, passaram a ser alvejados por vendas. Mas o real já estava entre as divisas de pior desempenho desde cedo, seguindo um dia mais fraco para pares latino-americanos, diante de perspectivas mais incertas para a região por causa da crise do Covid-19. O dólar à vista subiu 1,21%, a 5,388 reais na venda. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,22%, a 5,3935 reais, às 17h14. “Seguimos com liquidez menor, o que deixa o mercado suscetível a essas mudanças de variação”, disse Fernando Bergallo, sócio da FB Capital. Em patamar em torno de 1 bilhão de dólares, a média de 21 dias do volume de câmbio contratado no mercado físico está perto de mínimas desde setembro de 2018 e entre a média diária mais fraca em uma década. Também nesta segunda, a agência de classificação de risco S&P Global cortou as previsões para as economias de mercados emergentes, com a América Latina sofrendo a maior redução nas estimativas. A pandemia tem se mantido resiliente em países latino-americanos, mas isso não tem impedido que governos reabram as economias. Tal combinação ameaça gerar nova onda de casos potencialmente prejudicial à recuperação da atividade, adiando mais o retorno do investimento estrangeiro. Para o Citi, um “conjunto de evidências” sugere risco “não negligenciável” que o Brasil possa não apenas interromper, mas também potencialmente reverter o processo de abertura em andamento da economia. Num pior cenário, “o controle da pandemia de Covid-19 no Brasil levará mais tempo, prolongando a crise econômica e exacerbando a deterioração já insustentável das contas fiscais”, disseram analistas do banco em estudo. O Credit Suisse cita que o real tem variado em torno dos 5,30 reais recentemente, mas que ainda acredita que a moeda poderá testar de novo a região de 6 reais.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda e abaixo dos 100 mil pontos
O Ibovespa fechou em baixa na segunda-feira, perdendo fôlego e o patamar dos 100 mil pontos na segunda etapa do pregão seguindo a piora em Wall Street
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com declínio de 1,33%, a 98.697,03 pontos, na mínima do dia. O volume financeiro somou 28 bilhões de reais.
A queda vem após duas semanas de alta, período em que o Ibovespa acumulou valorização de 6,6% e recuperou patamar de quatro meses atrás. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,9%, também abandonando o tom mais positivo do começo do pregão, quando prevaleceram expectativas otimistas sobre vacina contra o Covid-19 e números melhores do que o esperado da PepsiCo na abertura da temporada de balanços dos Estados Unidos. No radar, o Governador da Califórnia, Gavin Newsom, ordenou na segunda-feira uma redução maciça da reabertura do Estado, em meio ao aumento de casos do novo coronavíus, fechando bares e proibindo restaurantes com ambientes fechados em todo o Estado, além de fechar igrejas, academias e salões de beleza nos municípios mais atingidos. Uma das principais preocupações de agentes financeiros tem sido uma segunda onda de casos de Covid-19 que justifique novas medidas de lockdown a ponto de afetar a retomada das economias. Também no final da tarde, a agência Bloomberg noticiou que a Apple comunicou a funcionários que um retorno total dos escritórios nos Estados Unidos não irá ocorrer antes do final do ano. No Brasil, na visão do analista Ilan Albertman, da Ativa Investimentos, bancos e petróleo – o Brent caiu 1,2% – também decepcionaram, uma vez que o mercado espera por mais dados econômicos para classificar operacional e financeiramente a posição brasileira no movimento de retomada.
REUTERS
EMPRESAS
Juiz do Trabalho determina que JBS cumpra protocolo paranaense de prevenção à covid19
O juiz Jorge Soares de Paula, da Vara do Trabalho de Campo Mourão (PR), determinou na quinta-feira (8) que o frigorífico da JBS em Campo Mourão adote os protocolos de manejo e de prevenção de covid-19 em frigoríficos previstas na nota estadual 31/2020 e nas resoluções 632/2020 e 855/2020 da Secretaria de Saúde do Paraná
O juiz afirma na decisão, que em inspeção realizada pela 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão em 2 de junho, foram constatadas diversas irregularidades quanto às medidas de contingência da covid-19, o que também foi verificado em nova vistoria realizada no dia 23 do mês passado. Conforme a decisão, as irregularidades envolvem distanciamento inferior a 1,5 metro entre os trabalhadores do setor de produção e a utilização de equipamentos de proteção de forma inadequada. Além disso, em audiências administrativas realizadas por vídeo conferência com a presença de médica e enfermeira da empresa foi comprovado que as medidas referentes à identificação e afastamento de trabalhadores com sintomas de síndrome gripal antes do embarque no transporte coletivo fornecido pela companhia não obedecem às normas do governo estadual. Procurada, a JBS informou que não irá comentar sobre a decisão e reitera que “não tem medido esforços para garantir a proteção dos seus colaboradores”. A empresa afirmou, em nota, que “implementou uma série de medidas de controle, prevenção e segurança em todas as suas unidades e que estão em conformidade com a Portaria interministerial nr. 19, de 18 de junho de 2020 (Ministérios da Saúde, Agricultura e Economia). O atendimento das regras estaduais está previsto na portaria 19, do governo federal sobre o protocolo que deve ser seguido pelos frigoríficos, lembra a procuradora Priscila Schvarcz. Segundo ela, há pressão do setor produtivo para que apenas a portaria 19, que é menos restritiva que as regras estabelecidas pelos Estados, permaneça em vigor. “As instituições, especialmente a ABPA [Associação Brasileira de Proteína Animal], têm atuado para derrubar as normas estaduais em favor da federal”, afirmou. No entendimento da procuradora do MPT, não há justificativa se não a econômica para que as regras estaduais não sejam cumpridas. “Essa justificativa acaba por expor o trabalhador ao risco”, criticou. Em nota, a ABPA informou que, juntamente com outras entidades do Paraná, solicitou ao governo paranaense a harmonização da norma estadual com a regra federal no ponto específico do distanciamento. “O pedido do setor é até mesmo equivalente ao estabelecido em alguns Termos de Ajuste de Conduta (TACs) firmados pelo Ministério Público do Trabalho no Paraná. A harmonização das normas garantirá a segurança jurídica a quem produz, assim como possibilitará a manutenção dos trabalhos com o propósito de proteger a saúde do colaborador e não permitir que falte alimentos para a população brasileira”, disse a associação.
Valor Econômico
Casos de covid entre trabalhadores de frigoríficos no RS aumentam para 6.202, diz MPT
O número de casos positivos de covid-19 entre trabalhadores frigoríficos no Rio Grande do Sul subiu para 6.202 trabalhadores, segundo informações do Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgadas no domingo (12)
Os casos foram identificados em 39 unidades frigoríficas do estado, localizadas em 29 municípios, que empregam um total de 35.850 pessoas. Catorze dessas unidades têm mais de cem casos positivos confirmados, cada. Cinco empregados e 12 pessoas que mantiveram contato com empregados contaminados já morreram devido à doença, disse o MPT em nota. O MPT considera os frigoríficos ambientes propícios para a disseminação da covid-19, em razão da elevada concentração de trabalhadores em ambientes fechados, com baixa taxa de renovação de ar, baixas temperaturas, umidade, proximidade entre trabalhadores nas linhas de produção, entre outros fatores. Procuradores firmaram termos de ajuste de conduta (TACs) com companhias de carnes que possuem 24 unidades frigoríficos no Rio Grande do Sul, nos quais as empresas se comprometeram a adotar medidas mais rígidas de prevenção ao contágio da doença. Cinco ações civis públicas já foram ajuizadas contra unidades da JBS no estado – duas em Trindade do Sul, uma para a unidade em Ana Rech/Caxias do Sul, uma em Passo Fundo e uma em Três Passos. As unidades da JBS em Trindade do Sul, Ana Rech e Passo Fundo já foram interditadas temporariamente por liminares judiciais, assim como as plantas da BRF e da Minuano em Lajeado. A procuradora Priscila Dibi Schvarcz, gerente nacional adjunta do Projeto do MPT de Adequação das Condições de Trabalho nos Frigoríficos, disse que “as medidas de paralisação de atividades são excepcionais, mas muitas vezes a única alternativa viável para a preservação da saúde dos trabalhadores e contenção do crescimento exponencial de casos nos estabelecimentos”. Medidas de prevenção exigidas pelo MPT em frigoríficos têm enfrentado oposição de representantes da indústria frigorífica. Uma portaria interministerial publicada pelo governo federal em junho flexibilizou as medidas de prevenção que devem ser adotadas nos frigoríficos, provocando oposição de procuradores do trabalho.
CARNETEC
MP já pediu o fechamento de 11 frigoríficos
O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou na Justiça para pedir a interdição de 11 frigoríficos em 6 estados por casos de contaminação de Covid-19 entre funcionários. Essas são ações feitas até o dia 7 de julho. Os procuradores ainda avaliam 213 denúncias no país relacionadas ao problema
Dos 11 pedidos de fechamento, 6 ações resultaram em paralisação. Desse total, 5 unidades foram paradas em junho por causa do MPT e já retomaram as atividades. E uma unidade teve a interdição pedida, mas foi fechada a mando de outro órgão e também já retornou. Outras 4 unidades não chegaram a parar, mas por causa da ação dos procuradores, tiveram que aumentar as medidas de proteção dos trabalhadores. Por fim, um pedido foi completamente negado. Segundo levantamento do G1 feito junto à Procuradoria-Geral do Trabalho e checagem dos processos na Justiça, as seguintes unidades tiveram pedido de interdição feito pelo MPT: Avenorte, de Cianorte (PR); BoiBrasil, de Araguaína (TO); Coopavel, de Cascavel (PR); Cooperativa Lar, de Cascavel (PR); Flamboiã, de Cabreúva (SP); JBS Aves, de Caxias do Sul (RS); JBS Aves, de Passo Fundo (RS); JBS Aves, de Trindade do Sul (RS); JBS, de São Miguel do Guaporé (RO); Nutriza, de Pires do Rio (GO); Seara Alimentos, de Três Passos (RS). O levantamento trata apenas de pedidos feitos por procuradores do trabalho. Houve fechamentos de fábricas, como da Marfrig, em Mineiros (GO), BRF, em Rio Verde (GO), e da Minuano, em Lajeado (RS), em que a ação partiu de outros órgãos, como a Prefeitura e o MP estadual. As três empresas assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com o MPT para adotar mais medidas de proteção e testagem em massa dos funcionários. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa frigoríficos, disse que todas as empresas citadas estão tomando medidas de proteção dos funcionários antes mesmo do período de quarentena e que estão obedecendo a legislação federal sobre o assunto. O MPT tem constatado aumento de denúncias pelo país, o que indicaria um avanço da Covid no interior. Porém não existe um levantamento nacional sobre casos das doenças em frigoríficos, o que aumenta a dificuldade de checagem. O Brasil tem mais de 400 unidades. A unidade da Flamboiã de Cabreúva, interior de São Paulo, foi interditada no dia 17 de junho, a pedido do MPT. A Vigilância Sanitária da cidade enviou ao MPT dois relatórios de inspeções realizadas no frigorífico.
G1
FRANGOS & SUÍNOS
China deve ter alívio na oferta de carne suína no 4° tri, diz ministério
A construção de fazendas de criação de porcos e a rápida recomposição de estoques devem aliviar a apertada oferta de carne suína na China no quarto trimestre, disse um representante do ministério de Agricultura e Assuntos Rurais do país na segunda-feira
Os estoques de porcas produtivas foram ampliados em 28,6% na comparação com o nível visto em setembro de 2019, disse o Diretor da agência de cuidados animais e veterinária do ministério, Yang Zhenhai, segundo a agência de notícias estatal Xingua. Os estoques de porcas em setembro do ano passado haviam caído em 39% na comparação com um ano antes, segundo dados do ministério, após um surto de peste suína africana ter matado milhões de suínos. Desde então, fazendeiros têm buscado reconstruir o rebanho chinês. Em 15 províncias, as criações já se recuperaram para mais de 85% dos níveis de 2017, disse Yang, enquanto o número de suínos vivos em estoque está em mais de 80% do nível de 2017 em 13 províncias. No país como um todo, os estoques de porcos vivos cresceram em 20,9% desde janeiro, segundo Yang. O aperto na oferta de carne suína irá ter um alívio gradual após o terceiro trimestre, acrescentou ele, com a ajuda também de maiores importações e de um aumento de mais de 1,2 milhão de toneladas na oferta de carne de frango.
REUTERS
Ajuste da oferta faz frango subir no país
Diminuição do ritmo das exportações, entretanto, já ameaça o “novo equilíbrio” que foi alcançado
A redução da oferta de frango no país, reflexo de um movimento do ajuste no plantel de aves alojadas nas granjas feito para compensar a demanda mais fraca observada a partir de abril, já teve impacto significativo nos preços da carne, equilibrando as margens dos criadores brasileiros de aves. O enfraquecimento do ritmo de exportações, no entanto, pode colocar em risco esse novo equilíbrio que foi alcançado. Com o corte na oferta, o preço do frango congelado no atacado da Grande São Paulo subiu 23,7% em junho, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em julho, a cotação acumulou alta de 2,3% até ontem. Com isso, voltou aos níveis pré-pandemia. No fim de março, a cotação estava em R$ 4,85 por quilo. Ontem, alcançou R$ 4,88. De acordo com cálculos do analista César Castro Alves, da consultoria em agronegócios do Itaú BBA, a alta do frango fez com que a margem bruta da criação da ave no sistema de integração saísse do vermelho, o que é positivo para indústrias como BRF, Seara e Aurora, que agregam margem no abate e processamento da proteína. Até maio, o indicador (diferença entre o preço do frango vivo e o custo com ração) estava entre 6% e 8% negativos. Agora, o cálculo “zerou”, afirmou Alves, ponderando que o equilíbrio na relação entre oferta e demanda de frango ainda é tênue. Conforme a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), maio foi o primeiro mês do ano com queda, na comparação anual, da produção de pintos de corte – essa produção começou a se refletir na oferta de carne de frango ao longo de julho (o processo de engorda das aves leva, em média, 43 dias). Em maio, a produção de pintos de corte foi de 524,4 milhões de cabeças, 3% menos que no mesmo mês do ano passado, conforme a Apinco. A produção mensal de pintos não caía desde janeiro de 2019. Além do ajuste de mercado, a oferta de frango pode ter sido afetada pelos frigoríficos que foram paralisados temporariamente em meio aos casos de covid-19 entre funcionários. De acordo com José Paulo Kors, Presidente da Apinco, o mercado de pintinhos está aquecido e os alojamentos já podem estar voltando a aumentar, o que tem potencial para pressionar as cotações. Ele também adverte que a situação do mercado doméstico pode piorar. “O fundo do poço ainda não chegou”, acrescentou Kors, ao mencionar a crise econômica. O Presidente da associação frisou, ainda, que a margem do criador de frango está apertada, mesmo com a melhora proporcionada pela recuperação dos preços. Em 3 de julho, o preço da ração do frango estava em R$ 1.410 por tonelada, alta de mais de 30% em relação ao custo de R$ 1.060 por tonelada registrado no fim de junho do ano passado, segundo Kors. Nesse período, afirmou, o custo de produção do frango registrou alta de 17,8%.
VALOR ECONÔMICO
Certificação halal deverá ficar ainda mais exigente
Cenário indica que as transportadoras também terão que seguir regras dos países muçulmanos
Um dos principais destinos da carne de frango brasileira, os países muçulmanos devem ficar mais exigentes na certificação halal – as regras para atender os preceitos do islamismo. A avaliação é de Ali Saifi, da certificadora Cdial Halal, a líder nesse ramo no Brasil. Nos últimos anos, os países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) já ampliaram as exigências para atestar que a carne de frango brasileira é halal. Se antes a regra estava concentrada em frigoríficos e na criação das aves, agora os armazéns terceirizados precisam também ser certificados para garantir, entre outras coisas, a não contaminação cruzada com carne suína. De acordo com Saifi, que certifica em torno de 170 frigoríficos brasileiros, a exigência sobre os armazéns ocorreu no ano passado, e depois que os Emirados Árabes Unidos mantiveram parados dezenas de contêineres com carne de frango proveniente de um armazém terceirizado não certificado. “Agora existe um número importante de armazéns certificados”, disse. Nessa toada, o próximo passado deve ser a exigência de certificação para as transportadoras de alimentos, avaliou. Em relação ao coronavírus, os importadores dos países muçulmanos vêm questionando a Cdial Halal sobre as medidas de prevenção adotadas pelos funcionários da certificadora que atuam nos abatedouros – cerca de 600 pessoas. Temos que responder de forma robusta”, disse Saifi, dizendo que exportadores e a certificadora precisam garantir que não há risco de transportar o vírus no produto. Embora não existam sinais de embargos a frigoríficos do Brasil como aqueles que ocorreram na China – o país asiático proibiu cinco abatedouros que tiveram funcionários contaminados por covid-19 -, é preciso se antecipar e dar boas respostas para as autoridades externas, sustenta o executivo da Cdial Halal. No caso da carne de frango, essa precaução é fundamental, dada a relevância do mercado halal para as exportações brasileiras. Em média, mais de 40% do produto exportado pelos brasileiros é halal, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
VALOR ECONÔMICO
Santa Catarina lidera exportações nacionais de carne suína no primeiro semestre
Maior produtor nacional de carne suína, Santa Catarina segue ampliando os embarques do produto em 2020
No primeiro semestre do ano, o estado exportou 243,8 mil toneladas de carne suína, faturando mais de US$ 545,8 milhões. Esses são os maiores valores já registrados por Santa Catarina desde o início da série histórica, em 1997. Santa Catarina respondeu por 56% de toda carne suína exportada pelo Brasil durante o ano. De janeiro a junho, o estado ampliou em 20,6% a quantidade embarcada para outros países e em 38,6% o faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior. Em maio, os catarinenses registraram o recorde histórico nas exportações mensais de carne suína e, mesmo com uma pequena queda, junho manteve esse resultado acima do esperado. “Para que se tenha uma ideia, junho trouxe o segundo maior valor exportado num único mês em toda a série histórica, ficando atrás apenas de maio deste ano. E as perspectivas seguem bastante favoráveis, com a projeção de um novo recorde de exportações para este ano”, explica o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl. O Gerente executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes (Sindicarnes-SC), Jorge Luiz de Lima, ressalta que os resultados do primeiro semestre deste ano trazem uma perspectiva de crescimento após a pandemia, com melhoria de mercado e aumento nas vendas externas. A China é o principal mercado internacional da produção catarinense, com 139 mil toneladas adquiridas – um crescimento de 87,2% em relação ao primeiro semestre de 2019. O gigante asiático é o destino de 60,4% das exportações da carne suína produzida em Santa Catarina, gerando US$ 329,9 milhões em recursos. No primeiro semestre de 2020, o faturamento com os embarques para a China aumentou em 110,8%. Outros mercados importantes para a suinocultura catarinense são Hong Kong, Chile, Japão e Cingapura.
AGROLINK COM INF. DE ASSESSORIA
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA
041 3088 8124

