
Ano 6 | nº 1275| 10 de julho de 2020
NOTÍCIAS
Preço da carne bovina subiu no atacado
Depois das constantes valorizações do boi gordo, o mercado de carne sem osso no atacado teve alta de 0,5% nesta semana, na média de todos os cortes pesquisados pela Scot Consultoria
O aumento foi puxado pelos cortes do dianteiro, que apresentaram uma valorização de 1,0%, frente à valorização de 0,4% nos cortes do traseiro. Na comparação anual, houve aumento de 21,9% na média de todos os cortes pesquisados, também puxada principalmente pelos cortes do dianteiro, com valorização de 29,8% no período. A flexibilização da quarentena, com a reabertura gradual do comércio em alguns municípios, contribuiu para o cenário de alta. Entretanto, a volta de alguns decretos municipais e o “zumbido” da renegociação dos contratos estabelecidos pela China podem alterar o curso deste reajuste no curto/médio prazos. Por ora, as exportações seguem em ritmo aquecido. Na primeira semana de julho o Brasil embarcou 17,73 mil toneladas de carne bovina in natura, gerando uma receita de US$71,37 milhões (Secex). A média diária exportada ficou em 5,90 mil toneladas, frente às 5,79 mil toneladas embarcadas em igual período de 2019.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo se acomodaram no mercado físico, diz Safras
Segundo analista da consultoria, a oferta de animais terminados, prontos para o abate, permanece restrita de forma geral, o que sustenta as cotações
Os preços do boi gordo permaneceram acomodados no mercado físico brasileiro na quinta-feira, 9. “Alguns frigoríficos tentam exercer pressão sobre o mercado, no entanto sem realizar grandes compras até o momento”, afirma o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta de animais terminados, prontos para o abate, permanece restrita de forma geral. “O primeiro giro de confinamento foi prejudicado pelos preços do mercado físico e dos futuros de boi gordo ao longo do mês de março, período em que ocorre a decisão pelo confinamento. Enquanto isso, a demanda chinesa segue bastante efetiva neste ano de 2020, com bom desempenho dos embarques na primeira semana do mês”, pontua. Na capital de São Paulo, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 219 por arroba. Em Uberaba (MG), continuaram em R$ 214 por arroba. Em Dourados (MS), estabilizaram em R$ 211. Em Goiânia (GO), permaneceram em R$ 211. Em Cuiabá (MT), continuaram em R$ 197 por arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, a reabertura dos restaurantes na cidade de São Paulo é outro elemento de otimismo neste início de julho. “No entanto, fica sempre a ressalva de que a demanda não estará no mesmo patamar ao momento anterior à pandemia”, aponta.
A ponta de agulha ficou em R$ 12. O corte dianteiro seguiu em R$ 12,60 o quilo, e o corte traseiro permaneceu em R$ 14 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Boi gordo: escalas de abate curtas
Em São Paulo, as escalas de abate enxutas, em média atendendo três dias úteis, fizeram com que os testes a preços menores pelas indústrias paulistas não ganhassem corpo
A cotação do boi comum ficou estável no fechamento da última quinta-feira (9/7), em R$218,00/@, bruto e à vista. Para bovinos de até trinta meses, as ofertas de compra chegam a R$225,00 por arroba nas mesmas condições. Com a antecipação do feriado estadual de 9 de julho, o mercado esteve ativo na parte da manhã, mas o volume de negócios, baixo. A oferta limitada de boiadas é a tônica do mercado do boi gordo, embora seja possível alguns ajustes, o mercado deve se manter firme.
SCOT CONSULTORIA
CEPEA: Indicador volta a fechar acima de R$ 220
Os embarques brasileiros de carne bovina seguem recordes enquanto a oferta de animais prontos para o abate está baixa. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário mantém os valores da arroba bovina firmes no mercado doméstico
Neste mês, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo, à vista) voltou a fechar na casa dos R$ 220, retornado ao patamar nominal verificado em meados de dezembro de 2019. Na quarta-feira, 8, o Indicador fechou a R$ 218,75, ligeira alta de 0,16% na parcial do mês. No front externo, o dólar valorizado – que mantém a carne brasileira competitiva no mercado internacional – e a crescente e aquecida demanda chinesa resultaram em performance recorde das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano.
Cepea
Governo permite inspeção privada em frigoríficos
As indústrias frigoríficas poderão contar com médicos veterinários privados para a rotina de inspeção, equivalente ao serviço oficial
A decisão está no Decreto 10.419/2020, publicado na edição de quarta (8), no Diário Oficial da União. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a medida atende um antigo pleito do setor produtivo, diante da insuficiência de auditores fiscais nas plantas. “Os auditores do MAPA serão responsáveis pelos veterinários privados, atuando na fiscalização dos trabalhos e não obrigatoriamente na operacionalização da inspeção, o que vai aperfeiçoar o serviço do Ministério da Agricultura e dar celeridade aos processos de inspeção”, explica a Coordenadora de Produção Animal da CNA, Lilian Figueiredo. O Decreto, assinado elo Presidente da República, Jair Bolsonaro, e pelos Ministros Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura) trata da inspeção ante mortem e post mortem de animais e traz esta previsão de contratação como uma das principais mudanças para dar mais eficiência ao serviço de inspeção. A CNA teve duas demandas atendidas no texto. Uma delas prevê que os estados com um sistema já diferenciado de inspeção com veterinários privados não serão obrigados a aderir ao novo modelo proposto pelo decreto para manter sua adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi). Em outro dispositivo, também defendido pela CNA, não haverá repasse de recursos para o órgão estadual de sanidade agropecuária. Pelo modelo anterior, apenas os auditores fiscais públicos podiam fazer esta inspeção, tanto na esfera federal, estadual ou municipal que, para adesão ao SISBI, podem aderir ao novo modelo proposto.
CNA
ECONOMIA
dólar fecha perto da estabilidade com incertezas sobre Covid-19
O dólar fechou perto da estabilidade ante o real na quinta-feira, depois de chegar a cair perto de 2% e ao fim de mais uma sessão de muita instabilidade por causa de renovados temores de que potenciais novos bloqueios por causa do Covid-19 possam prejudicar a ainda incipiente recuperação econômica
O dólar à vista teve variação negativa de 0,07%, a 5,3436 reais na venda. Na B3, o dólar futuro rondava estabilidade, a 5,3430 reais, às 17h12. No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos abandonou queda de mais cedo e subia 0,31% no fim da tarde. A pandemia segue como ponto de preocupação entre investidores. Os Estados Unidos registraram mais de 60 mil novas infecções por Covid-19 na quarta-feira, novo recorde global diário. “O mercado continua ‘olhando por cima’ destas questões, enquanto não há um aumento expressivo de internações e fatalidades. O efeito econômico, de qualquer forma, deve ser negativo para a recuperação global, mesmo que não vejamos novas quarentenas e/ou ‘lockdowns’”, disse Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos. O Bradesco avaliou que a incerteza deixou os mercados sem direção única nesta sessão. “Se por um lado o resultado da inflação chinesa indica que recuperação da economia chinesa segue em curso, por outro o aumento significativo do número de casos de Covid-19 nos EUA mantém as preocupações dos investidores com uma possível frustração com o ritmo de retomada da economia norte-americana.” No câmbio doméstico, a volatilidade seguiu dando a tônica. Em entrevista à Reuters, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a autarquia vê com preocupação o fato de a volatilidade do real estar sempre acima das demais moedas, mas que ainda estuda as causas por trás desse fenômeno.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior desfavorável
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira dada a ausência de catalisadores e o viés externo negativo para ativos de risco
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 99.160,33 pontos. Na mínima, bateu 98.860,83 pontos. O volume financeiro do pregão somou 26,4 bilhões de reais. Em Wall Street, ações de tecnologia sustentaram nova máxima para o Nasdaq, mas o S&P 500 e o Dow Jones recuaram diante de receios com o risco de novo lockdown para conter a disparada de casos de Covid-19 nos Estados Unidos. O estrategista Odair Abate, da Panamby Capital, observou que o exterior não ajudou no pregão, bem como não foi conhecido nenhum dado interno excepcional, enquanto a bolsa brasileira tem subido bastante nos últimos dias. Desde os 61.690,53 pontos registrados no pior momento do ano, em março, por causa da pandemia de Covid-19, o Ibovespa já acumula alta de mais de 60%. Na visão do estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira, o Ibovespa ainda tem espaço de alta, principalmente em relação a outras opções de investimentos, dado o cenário de juros baixos no país, mas pondera que esse ‘upside’ diminuiu. “Do movimento total de recuperação, desde os 60 mil pontos, sem dúvida, boa parte já aconteceu”, afirmou.
REUTERS
Valor da produção agropecuária deve atingir R$ 716,7 bi em 2020
Trata-se de um patamar recorde, de acordo com o Ministério da Agricultura
Diante do cenário favorável para a produção de grãos, o Ministério da Agricultura ampliou novamente a estimativa para o Valor Bruto de Produção (VBP) agropecuária em 2020. O VBP do setor como um todo passou a ser calculado pelo ministério em R$ 716,6 bilhões, valor recorde e incremento de R$ 12,8 bilhões ou 1,8% ante o montante estimado em maio. Na comparação com 2019, quando o valor projetado alcançou R$ 658,8 bilhões, o aumento é de 8,8%. Para o conjunto das 21 principais lavouras do país, a Pasta ampliou a projeção para R$ 479,9 bilhões, incremento de 2,17% — ou R$ 10,2 bilhões — em relação à estimativa feita em maio e de 11,6% na comparação com o ano passado. Mais uma vez, a soja puxou esse crescimento ao alcançar uma safra farta, que teve a comercialização favorecida pelo câmbio. O faturamento da cultura está estimado em R$ 173,5 bilhões em 2020, aumento de 3,49% na comparação com o valor projetado em maio e de 19,8% ante aos R$ 144,8 bilhões alcançados em 2019. Além da oleaginosa, outras culturas se destacaram pelo aumento das expectativas de faturamento para 2020, a começar pelo milho, que verá crescer 13,7% na comparação anual, para R$ 76 bilhões, seguido pelo café, com alta de 39,3%, para R$ 29 bilhões. Também tiveram aumento em relação ao ano passado amendoim (20,7%, para R$ 1,9 bilhão), arroz (12%, para R$ 11,8 bilhões), cacau (24%, para R$ 2,9 bilhões), cana-de-açúcar (1,9%, para R$ 63,2 bilhões), feijão (16,3%, para R$ 11,8 bilhões), laranja (9,8%, para R$ 15,4 bilhões) e trigo (57,4% para R$ 7,4 bilhões). Pela primeira vez no ano, o ministério projetou crescimento para o VBP conjunto das cinco principais cadeias da pecuária, que deverá alcançar R$ 236,6 bilhões, alta de 1,13% na comparação mensal e 3,4% na comparação anual. A bovinocultura puxou esse desempenho, com o crescimento de 1,85% na comparação mensal e de 11,8% ante a 2019, para R$ 103,8 bilhões. A conta aumentou 2,9% para a produção de ovos ante maio e 15,5% em relação a 2019, para R$ 14,5 bilhões. Para o frango, a estimativa subiu para R$ 65,5 bilhões em relação a maio, mas na comparação anual segue em queda de 7,9%. O inverso ocorreu com os suínos, cujo valor de produção caiu 0,62% na comparação mensal, mas permanece 5,6% acima de 2019, em R$ 19,7 bilhões. O leite teve uma leve queda mensal de 0,03% e a estimativa é de queda de 2,1% ante 2019, para R$ 35 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Exportações de carne bovina devem beneficiar resultados da Marfrig, Minerva e JBS no 2º tri
O forte ritmo de exportações brasileiras de carne bovina deve ter impacto positivo nos resultados do segundo trimestre da Marfrig, Minerva e JBS, escreveram analistas do BB Investimentos em relatório na quinta-feira (09)
“Em nossa visão, a soma de dados positivos para exportação, a valorização do dólar ano a ano e os preços mais altos no mercado doméstico devem mais do que compensar os maiores custos com gado e beneficiar os resultados do segundo trimestre para as empresas com exposição à carne bovina, como é o caso de Marfrig, Minerva e JBS”, disse o BB Investimentos. “Por outro lado, seguimos monitorando as restrições impostas pela China a algumas plantas brasileiras ao longo do mês de junho, que podem impactar de forma negativa os volumes nos próximos trimestres.” As exportações brasileiras de carne bovina subiram 9% no primeiro semestre, para 909,7 mil toneladas, com forte aumento em junho, quando houve um volume recorde de embarques para o mês, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A demanda consistente da China pela proteína brasileira tem sido um dos principais motivos da alta nas exportações, contribuindo também para elevar preços da carne no mercado doméstico em 33% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado. O aumento nas exportações influenciou ainda na alta de 40% nos custos de gado na mesma base de comparação, segundo o BB.
CARNETEC
FRANGOS & SUÍNOS
Preços do suíno vivo sobem em quase todas as regiões
Além do tradicional aumento na demanda por carne na primeira semana do mês, os embarques seguem em ritmo aquecido
Todas as regiões acompanhadas pelo Cepea registraram alta nos preços do suíno vivo neste início de julho. Além do tradicional aumento na demanda por carne na primeira semana do mês, os embarques aquecidos fazem com que grande parte de indústrias integradoras intensifique as compras no mercado independente, a fim de garantir o cumprimento de contratos com compradores externos e internos. Quanto às exportações de carne suína in natura, de acordo com dados da Secex, totalizaram 95,2 mil toneladas em junho, recuo de 5,9% frente a maio, mas 51,5% acima do registrado no mesmo mês de 2019. Neste início de julho, os embarques seguem em ritmo aquecido, o que tem enxugado a oferta no mercado doméstico. Segundo relatório parcial da Secex, nos três primeiros dias úteis de julho foram exportadas 5 mil t/dia, média 20,7% acima da verificada em junho. O bom desempenho ocorre mesmo com as restrições chinesas impostas a alguns frigoríficos brasileiros.
CEPEA
INTERNACIONAL
Recuo da China na importação de carnes contra Covid-19 deve piorar escassez de proteínas no país
O ritmo cada vez mais lento das importações de carne pela China, graças às medidas rígidas impostas pelo país no combate ao coronavírus, vai fornecer ainda mais suporte aos preços das proteínas, já impulsionados pela severa escassez local de carne suína, disseram analistas
As compras de carne de porco e outras proteínas dispararam neste ano, depois de a produção doméstica despencar 30% em função de um surto de peste suína africana, que devastou a criação de suínos da China desde o ano passado. Mas recentes medidas anticontaminação pelo coronavírus ameaçam reduzir as importações. Pequim suspendeu importações provenientes de mais de 20 unidades de processamento de carnes suína, bovina e de aves desde meados de junho, após funcionários dessas fábricas serem infectados pela Covid-19. Agora, estão presos nos portos chineses produtos enviados por alguns frigoríficos antes das suspensões, segundo Grace Gao, gerente da Goldrich International no porto de Dalian, que possui dois contêineres “travados”. “Você não pode receber a entrega, mesmo se tiver um resultado negativo para o teste (de coronavírus)”, disse ela. Embora centenas de outras fábricas mantenham suas aprovações para exportar para a China, os testes para o vírus estão atrasando a liberação dos contêineres nos portos do país asiático. Neste momento, as importações estão cerca de 15% mais caras do que no início de junho, de acordo com Shi Lei, diretor da importadora de carnes Beijing Hopewise International Trading. “Os carregamentos de carne bovina em junho caíram em torno de 30% a 40%”, afirmou. O número menor de importações acompanha uma disparada nos preços domésticos de carnes desde meados de maio. As cotações atingiram o nível de cerca de 38 iuanes (5,44 dólares) por quilo de suínos vivos, aproximando-se do recorde verificado em outubro do ano passado. Analistas culpam a oferta reduzida pela forte alta nos preços, em momento em que o consumo começa a se recuperar.
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