
Ano 5 | nº 1024 | 01 de julho de 2019
NOTÍCIAS
Cautela dos consumidores
Os frigoríficos devem tentar reequilibrar suas margens de comercialização, que atualmente estão em 17%, abaixo da média histórica
Nos últimos sete dias, na média de todos os cortes bovinos pesquisados pela Scot Consultoria, os preços tiveram variação positiva de 0,2% no atacado. Este comportamento dos preços se deu mesmo em época de virada de mês, quando normalmente o varejo está em busca de reabastecer seus estoques. Com a demanda do setor varejista mais fraca, os preços da carne não reagiram conforme esperado nesta última semana do mês. O baixo volume de vendas também foi identificado em pesquisas que medem a intenção de compra da população. Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu pelo quarto mês seguido. A variação para baixo do ICF de 3,5% em junho representou a maior taxa negativa registrada desde maio de 2015, quando atingiu -4,6%. Mas lembrando que nas comparações anuais o índice segue aumentando. Em relação a junho de 2018 a alta é de 5,3%. Do lado do mercado externo, se o ritmo de embarques ficar constante, o volume exportado irá recuar 8,5% na comparação mensal. A expectativa de manutenção do cenário de alta para os preços do boi gordo pode trazer sustentação para o mercado da carne bovina.
SCOT CONSULTORIA
Expectativas de preços firmes no mercado boi gordo
No fechamento da última sexta-feira (28/6), o mercado do boi gordo foi marcado por estabilidade nos preços na maior parte das praças pecuárias
Em São Paulo, a oferta de boiadas de cocho começando a aparecer colaborou para que as indústrias conseguissem alongar suas escalas. As programações de abate dos frigoríficos estão atendendo, em média, sete dias. Diante desse cenário, alguns frigoríficos saíram das compras, esperando maior definição do mercado no início dessa primeira semana de julho. Entretanto, vale destacar que há indústrias testando preços abaixo da referência. Para bovinos destinados à exportação para a China há ofertas de preços maiores. Para o curto prazo, as compras dos frigoríficos devem se manter firmes já que o varejo precisa recompor os estoques para a primeira quinzena do mês, quando tipicamente o consumo de carne é mais aquecido. Porém, a chegada de animais confinados pode limitar altas nos preços do boi gordo.
SCOT CONSULTORIA
Proteína animal: preços globais devem subir 5,6% até 2020, diz BTG
A alta aconteceria caso a produção da China caia em 16 milhões de toneladas, conforme se espera atualmente devido ao surto de peste suína africana
Apeste suína africana deve levar a um aumento de 5,6% nos preços globais de proteína animal (bovina, suína e de frango) até 2020, segundo modelo do banco BTG, caso a produção da China caia em 16 milhões de toneladas, conforme se espera atualmente. Num cenário mais severo, em que o plantel chinês cai pela metade, o modelo projeta um aumento de 8,7% nos preços. Caso a queda na oferta de suínos seja de 15%, a alta seria de 2,7% nos preços. O BTG também projetou o efeito da mudança estimada nos preços nas companhias de proteína. A previsão de Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) da JBS em 2020 aumentou em 45%, para R$ 22,1 bilhões, e a expectativa é que os preços altos causados pela peste suína representem R$ 6,2 bilhões; para a BRF, a estimativa de Ebitda no ano que vem sobe 13%, para R$ 5,3 bilhões, dos quais R$ 1,9 bilhão seria advindo da peste suína; para a Marfrig, a projeção de Ebitda aumenta 43%, para R$ 4,6 bilhões, com a peste suína africana responsável por R$ 880 milhões. O banco manteve a JBS como principal recomendação de compra do setor; a BRF continua com recomendação neutra; e a recomendação para a Marfrig caiu para neutra após resultados considerados ruins no primeiro trimestre. Segundo o relatório, é possível que a China ainda não esteja reportando todos os casos da peste para tentar “prevenir as implicações negativas nas áreas política e econômica”. A estimativa consensual é que a oferta de suínos chinesa cairá 30%, mas analistas mais alarmantes falam até em 50%. A expectativa é de que a demanda e os preços da carne bovina também sejam tão beneficiados quanto as do frango no processo de substituição de proteínas por parte dos chineses.
ESTADÃO CONTEÚDO
Altas nos preços do boi gordo e vaca gorda em Mato Grosso
A segunda quinzena de junho foi de alta para o mercado do boi gordo no Sudoeste de Mato Grosso
A valorização para o boi gordo foi de 1,4% e para a vaca gorda de 0,8%, no período. A alta nos preços está atrelada a volta das exportações para China no final da primeira quinzena de junho. De lá para cá, a cotação do boi gordo vem se recuperando para os patamares observados antes do embargo estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Na região os frigoríficos têm conseguido preencher as escalas de abate com certa tranquilidade, que atendem, em média, seis dias. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo está em R$140,00/@ a prazo e livre de Funrural e da vaca gorda está em R$130,00/@, nas mesmas condições. Para esta semana, a expectativa é que a demanda se aqueça devido à proximidade do recebimento de salários pela população. Contudo, com as escalas dos frigoríficos confortáveis, é possível que as altas sejam limitadas.
SCOT CONSULTORIA
Acordo Mercosul-UE vai beneficiar exportadoras de carnes brasileiras
O acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) anunciado na sexta-feira (28) deverá elevar as vendas de carnes brasileiras para o bloco europeu, beneficiando o setor, segundo representantes da indústria
As condições do acordo, fechadas após duas décadas de negociações, estabelecem uma cota de exportações de carne de frango de 180 mil toneladas em 12 meses, e a viabilização de embarques para carne suína e ovos processados para os europeus, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O acordo também definiu uma cota de 99,9 mil toneladas para a carne bovina do Mercosul, e possibilita redução da tarifa intracota, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não deu detalhes sobre essas cotas na sexta-feira (28). A Marfrig, segunda maior empresa de carne bovina do mundo, com operações nos principais países produtores da América do Sul, disse que o acordo deve ter um impacto “bastante positivo” para a companhia. “Ainda é preciso avaliar qual será o critério de rateio entre os países do Mercosul e entre as empresas nesses países, mas, com certeza, vamos ter aumento nas exportações. No caso da Marfrig, temos a vantagem de ter plantas habilitadas e com perfil exportador no Brasil, Argentina e Uruguai”, disse o CEO da Operação América do Sul da Marfrig, Miguel Gularte, em comentário enviado à CarneTec pela assessoria de imprensa da empresa. A BRF, maior exportadora global de carne de frango, espera que o acordo tenha impactos benéficos para o setor agropecuário brasileiro. “O trabalho realizado pelo Itamaraty é positivo para o cenário econômico deste e dos próximos anos, mesmo não sendo possível avaliar o impacto para a empresa neste momento”, disse a companhia em nota.
CARNETEC
ECONOMIA
Dólar tem maior queda em junho puxado pelo Fed
O dólar subiu na sexta-feira, mas acumulou ao longo de junho a maior queda para o mês em três anos, na esteira da expectativa de aumento de liquidez no mundo a partir de cenário de cortes de juros nos Estados Unidos
Nesta sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,21%, a 3,841 reais na venda. Na semana, a cotação ganhou 0,45%. Mas o dólar cedeu 2,13% em junho —primeira e maior queda mensal desde janeiro (-5,57%). Para meses de junho, é a maior baixa desde 2016 (-11,05%). No segundo trimestre, o dólar acumulou depreciação de 1,90%. Na primeira metade do ano, a baixa foi de 0,87%. Depois de um mês de janeiro de firme baixa, o dólar tomou fôlego até meados de maio, puxado pelo recrudescimento de incertezas sobre a agenda de reformas no Brasil. Alguns analistas já ponderam que o dólar se encontra próximo do que seria um patamar “justo”, o que limitaria o espaço para mais desvalorização à frente. “Aumentamos a exposição ao dólar de neutro para acima do neutro em nossa alocação de ativos táticos”, disse Ronaldo Patah, estrategista de mercados emergentes do UBS. “Acreditamos que o real está próximo de seu valor justo e essa posição ajuda a proteger-se contra riscos no portfólio”, concluiu em nota a clientes. O BofA diz que o real perdeu o posto de moeda preferida nos mercados emergentes para o zloty polonês. De acordo com estrategistas do banco, a posição em real caiu para 1,10% “acima da média do mercado” em maio (dado mais recente), ante 1,31% no fim de abril.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu nesta sexta-feira 0,24%, a 100.967,20 pontos. O volume financeiro somou 14,9 bilhões de reais. Na semana, o Ibovespa caiu 1,03%, mas acumulou no mês alta de 4,06% e encerrou o segundo trimestre com valorização de 5,82%.
“Após a recente mudança de orientação dos principais bancos centrais, pensamos que uma janela de oportunidade foi criada e deve ser aproveitada por qualquer economia emergente que deseje construir um futuro mais estável para seu povo”, destacou o estrategista Ronaldo Patah, do UBS no Brasil. Durante o mês, tanto o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, como o Banco Central Europeu (BCE) adotaram discursos com tom ‘dovish’ para os juros dado o cenário e atividade econômica mais lenta em suas regiões, gerando expectativa de potencial fluxo de recursos a emergentes. O governo brasileiro anunciou conclusão de acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que representará um incremento do PIB brasileiro de 87,5 bilhões de reais em 15 anos. A bolsa ainda fechou a sexta-feira na expectativa de encontro entre os presidentes dos EUA e da China no sábado, durante cúpula do G20, notadamente sinais de progressos nas relações comerciais entre os dois gigantes econômicos que têm adicionado volatilidade aos mercados nos últimos meses.
REUTERS
Setor público consolidado tem déficit primário de R$13 bi em maio
O setor público consolidado brasileiro teve um déficit primário de 13,008 bilhões de reais em maio, acima do saldo negativo apurado há um ano, mostraram dados divulgados pelo Banco Central na sexta-feira
Com o resultado, o saldo acumulado em 12 meses passou a ser deficitário em 100,359 bilhões de reais, o equivalente a 1,44% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o ano, a meta é de um rombo primário de 132 bilhões de reais, o que seria o sexto resultado anual consecutivo no vermelho. A expectativa era de um saldo negativo de 14,0 bilhões de reais em maio. No mesmo mês do ano passado, o setor público registrou um déficit primário de 8,224 bilhões de reais. Em maio, a dívida pública bruta ficou em 78,7% do PIB, enquanto a dívida líquida foi a 54,7% do PIB —maior patamar desde setembro de 2003. Em maio, Estados e municípios tiveram superávit primário de 1,237 bilhão de reais, ao passo que as empresas estatais registraram déficit de 1,005 bilhão. O déficit do governo central (governo federal, BC e Previdência) foi de 13,190 bilhões de reais no período. No ano, o setor público acumula ainda um superávit primário de 6,966 bilhões de reais, refletindo os saldos positivos elevados registrados nos dois primeiros meses do ano. Mas o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que a expectativa é que o resultado acumulado passe a ser crescentemente deficitário até o final do ano. “No segundo semestre, há uma sazonalidade pior para os resultados fiscais”, disse o economista.
REUTERS
Desemprego no Brasil cai a 12,3% no tri até maio, mas desalento e subocupação renovam recorde
O número de desempregados no Brasil ficou abaixo de 13 milhões pela primeira vez desde o início do ano, mas o mercado de trabalho mostra que ainda sofre com a deterioração econômica ao registrar números recordes de desalentados e subutilizados
Nos três meses até maio, a taxa de desemprego brasileira foi a 12,3%, de 12,5% no trimestre até abril e 12,7% no mesmo período do ano passado. O dado divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o mais baixo para o período desde 2016 (11,2%). “A taxa está caindo porque tem mais pessoas trabalhando. É isso, e ponto. A questão é como essas pessoas estão trabalhando. Isso afeta a pessoa em si e a estrutura econômica do país”, disse a analista da pesquisa Adriana Beringuy. “É melhor ter algo, algum trabalho, do que nenhum.” No período, o número de desempregados no país caiu a 12,984 milhões, de 13,177 milhões nos três meses até abril e 13,190 milhões no mesmo período de 2018. É a primeira vez que o contingente vai abaixo dos 13 milhões desde o trimestre finalizado em janeiro (12,625 milhões), quando o número ainda se beneficiava das contratações de final de ano. Entre março e maio, o total de pessoas ocupadas foi a 92,947 milhões, de 92,365 milhões entre fevereiro e abril e 90,586 milhões no mesmo período do ano passado. Mas ao mesmo tempo, o levantamento de subutilizados e desalentados renovou os números recordes da série histórica iniciada em 2012, em um sinal das dificuldades dos trabalhadores diante da debilidade da economia, que corre o risco de entrar em recessão técnica após contração no primeiro trimestre. O contingente de pessoas subutilizadas, que incluem desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais horas, as que gostariam de trabalhar mas têm algum impedimento e os desalentados, atingiu 28,524 milhões. O número de desalentados, ou a quantidade de trabalhadores que desistiram de procurar uma vaga, subiu por sua vez a 4,905 milhões.
REUTERS
EMPRESAS
BRF recebe oferta de US$ 350 milhões por ativos no Oriente Médio
A BRF tem na mesa uma oferta da ordem de US$ 350 milhões por ativos no Oriente Médio, disseram duas fontes ao Valor
O Bank of America Merrill Lynch (BofA) assessora a companhia na operação, de acordo com uma das fontes. Procurada, a BRF não comentou. Há um mês, o Valor informou que a companhia brasileira considerava vender uma fatia minoritária nos negócios de distribuição que possui na região e também a fábrica de alimentos processados que detém em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos. Na área de distribuição, a BRF é dominante nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait e Catar. A posição da empresa nessa área foi construída entre 2012 e 2016, com as aquisições das empresas que distribuíam produtos da marca Sadia na região: Federal Foods, Al Khan Foods, Alyasra Food e QNIE. Para adquirir esses ativos, a BRF gastou (incluindo a assunção de dívidas) cerca de US$ 430 milhões. Na fábrica de Abu Dhabi, inaugurada em 2014, a empresa investiu US$ 160 milhões.
VALOR ECONÔMICO
BNDES quer sair logo do JBS
Uma das primeiras medidas da nova gestão do BNDES deve ser vender ações na fabricante de alimentos JBS. O banco de fomento estatal, que anunciou há uma semana Gustavo Montezano como novo presidente, é dono de 21% da companhia controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista — o equivalente a 12 bilhões de reais
A venda das ações cumpriria dois objetivos, segundo Exame apurou. Primeiro, ajudaria a acelerar o plano de desinvestimentos do banco para devolver recursos ao caixa do governo. A lentidão na devolução de 100 bilhões de reais ao governo foi um dos motivos apontados para a saída de Joaquim Levy no dia 16 de junho. Indicado ao cargo pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, Levy havia até junho devolvido cerca de 30 bilhões de reais aos cofres do governo. Montezano recebeu como uma das missões a venda de participações em empresas para encerrar o braço de investimentos do banco, o BNDESPar. Entre os próximos alvos devem estar Petrobras, Vale, Copel. O fato de a fabricante de alimentos viver um ótimo momento na bolsa, com alta de 80% nas ações em 2018, é um argumento a mais para endossar a venda prioritária dos papeis. Entre outros fatores que impulsionaram os papeis está a gripe suína na China, que impulsionou o preço da carne mundo afora. Além disso, o BNDES está especialmente preocupado com um negócio específico da JBS, a compra do concorrente Bertin, em 2009. Segundo detalhes que vêm sendo revelados, o Bertin custou 8,5 bilhões de reais, mas o valor da venda anunciado foi de 12 bilhões de reais, um sobre preço que beneficiou o BNDES.
REVISTA EXAME
FRANGOS & SUÍNOS
Brasil ganha acesso a mercado de carne suína da UE com acordo comercial, diz ABPA
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia vai gerar benefícios a exportadores de aves, suínos e ovos processados do Brasil, disse na sexta-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em nota
Há pelo menos meia década o Brasil realizava investidas para embarcar carne suína e ovos processados brasileiros para o Bloco Europeu, destacou a associação. A cota total de exportações de carne de frango será de 180 mil toneladas no ciclo de 12 meses, notou a ABPA. “O volume acordado é expressivo, suficiente para que o Brasil mantenha sua posição com parceiro em prol da segurança alimentar europeia”, afirmou em nota o Diretor-Executivo da ABPA, Ricardo Santin, que acompanhou as negociações para o tratado em comitiva do Ministério da Agricultura em Bruxelas. “O ano de 2019 marca um novo momento para o setor de proteína animal do Brasil, com a possibilidade de embarcar um fluxo maior para um dos mais relevantes mercados consumidores globais”, disse o Presidente da entidade, Francisco Turra.
REUTERS
Maiores informações:
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
Powered by Editora Ecocidade LTDA
041 3088 8124
