
Ano 4 | nº 745 | 07 de maio de 2018
NOTÍCIAS
Caiu a cotação da carne bovina no mercado atacadista
O cenário durante toda a semana passada foi de pressão sobre a cotação da arroba do boi gordo
Na última sexta-feira (4/5), a quantidade de compradores negociando foi a menor dos últimos dias e a maior parte dos que estão fazendo ofertas de compra, faz abaixo das referências, o que resultou em queda em algumas praças. Com a perda de qualidade das pastagens, a oferta de final de safra começou a ganhar força e com o escoamento lento da carne a pressão de baixa estabeleceu-se. Aliás estamos no início do mês e a segunda melhor data para o varejo, Dia das Mães, se aproxima e nem isso tem sido suficiente para melhorar os preços da carne. No fechamento da última sexta-feira, a cotação da carcaça de bovinos inteiros caiu 2,1% no mercado atacadista. Essa queda atípica para o período do mês reforça a dificuldade do escoamento da carne.
SCOT CONSULTORIA
Maggi espera que EUA reabra importação de carne bovina até fim do semestre
Uma missão técnica viajará ao país nos próximos dias e todos os questionamentos já foram respondidos, de acordo com o ministro
Em viagem a Ribeirão Preto (SP), onde visitou a feira agropecuária Agrishow, o Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), declarou que espera a retomada das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos até o fim deste semestre. “Uma missão de técnicos irá na semana seguinte para aos Estados Unidos e creio que será a última. Todos os documentos, todos os questionários e pedidos foram respondidos. Então, nessa viagem que nossos técnicos farão, espero que a gente consiga resolver os problemas. Minha expectativa é de que a gente volte até o final deste semestre a exportar carne para os Estados Unidos. É o nosso desejo e estamos trabalhando para isso”. A suspensão ocorreu em junho do ano passado, sob a alegação de presença de nódulos decorrentes de aplicação de vacina contra a aftosa. Sobre o mercado europeu, falou também durante entrevista à imprensa, no local: “Como todos sabem, houve um deslistamento que vai vigorar a partir do dia 15. Depois disso, as empresas embargadas não poderão mais exportar para lá até que consigamos reabilitá-las. Já estamos em negociação para trazê-los de volta. Então, vamos deixar bem claro, não foi o Brasil que foi retirado do mercado, mas algumas empresas brasileiras. É claro que farão muita falta. Isso acabou reduzindo os preços com o aumento da oferta internamente e a cadeia sofre como um todo”. O Ministro lembrou que apesar da alegação da presença de salmonella nas carnes de aves, a comunidade europeia, na verdade está defendendo interesse dos produtores locais. “O que a Europa está fazendo conosco, não é por uma questão de saúde humana, nem animal. A restrição de mercado se deu pela grande atuação que o Brasil tem lá. E os produtores europeus não querem a presença do Brasil, querem uma presença menor, para que tenham preços mais altos”. E acrescentou que junto sua equipe tem trabalhado muito desde que assumiu o ministério pela abertura de novos mercados para os produtos do agro brasileiro. “Sempre tive a intenção de abertura, de ampliar novos mercados, porque o Brasil tem uma produção muito grande e depende muito da exportação”. Mas a ideia, segundo Maggi, é de reaproximação com a UE, mostrando todas as mudanças legais e de retirada de influências político partidárias em assuntos do ministério relacionados à fiscalização sanitária. O Ministro admitiu durante conversa com jornalistas que a renegociação recente de dívidas do Funrural, que gerou impacto nas contas públicas, poderá influenciar a definição do volume de recursos e da taxa de juros do Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019. “Todos nós sabemos que, com a Lei do Teto de Gastos, o volume de recursos destinados para o setor é o mesmo do ano passado. E esse foi um problema extra que apareceu”. Maggi adiantou que na próxima terça-feira o assunto será debatido em reunião com o Presidente do Banco Central, Ilan Golfajn.
MAPA
Mercado de reposição: abril fechou da mesma forma que começou
O mercado de reposição está travado
No balanço mensal, na média de todas as categorias e estados pesquisados pela Scot Consultoria, as cotações em abril fecharam em estabilidade. A demanda está fraca, o mercado do boi gordo pressionado e incerto afasta os recriadores das compras. Apesar da menor demanda, a ponta vendedora endurece as negociações, o que mantém as cotações andando de lado. A qualidade das pastagens ainda permite a retenção dos animais. Para o curto prazo, a campanha de vacinação contra a Febre Aftosa deve esfriar ainda mais o mercado. Isso porque durante o período de vacinação os leilões reduzem as atividades e o volume de negócios cai. Após a “parada técnica” para a vacinação a expectativa é que o mercado ganhe ritmo. As pastagens estão aos poucos perdendo qualidade o que diminui o poder de retenção dos vendedores, facilitando as negociações. Além disso, a procura por animais que serão terminados em confinamento deve se intensificar no curto prazo, aquecendo o mercado para as categorias mais eradas.
SCOT CONSULTORIA
Renegociação do Funrural pode atingir Plano Safra
Segundo Blairo Maggi, Refis tem sido “problema extra” em conversas com o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Valor disponibilizado no Plano Safra pode ficar abaixo do que o montante do ano passado
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, admitiu nesta sexta-feira, 4, que a renegociação de dívidas do Fundo de Assistência do Trabalhador Rural (Funrural) pode atingir o volume de recursos e os juros do Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019. “[Ministério da] Fazenda e o Banco Central têm colocado isso como um problema extra desde que começamos a negociar o Plano Safra”, disse Maggi, que visita a 25ª Agrishow, em Ribeirão Preto, SP. A equipe econômica estima que a derrubada de vetos ao projeto de renegociação do Funrural pelo Congresso possa gerar um rombo de R$ 20 bilhões nas contas públicas, com a necessidade de equalização do Tesouro às dívidas. O atua Plano Safra, em vigor até 30 de junho, prevê R$ 188,3 bilhões em crédito agrícola e o próprio Ministro já admitiu que esse valor pode ser até menor em 2018/2019. Segundo o Ministro, com a lei do teto de gastos, o volume de recursos para um determinado setor do governo é o mesmo do ano anterior, corrigido apenas pela inflação. “No momento em que você tira recursos desse setor (agropecuária), para equalizar coisas que aconteceram no Funrural, é bem provável que o Banco Central e a Fazenda venham reivindicar, diminuindo nossa disponibilidade tanto para volume, como para taxa de juros.” Na terça-feira, 8, Maggi e o Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, terão a primeira reunião para discutir esse tema, segundo ele. “A expectativa de um plano safra para o agro brasileiro, que sempre demonstra que é o que move esse país, está bastante truncada este ano. Se chegarmos a um momento de impasse, que não dá para ceder, temos o presidente da República para mediar isso”. De acordo com o ministro, as condições de estabilidade na economia, com uma taxa básica de juros em 6,5% ao ano, permitem, no entanto, que bancos financiem o agronegócio em condições melhores que as do crédito oficial. “Tem muito dinheiro de outros financiadores. Temos crédito oficial de 8,5% e tem gente emprestando a 6,5% (ao ano) e até menos”, disse. “Não vamos esperar grande redução de taxas de juros (oficiais) em função das condições que estão aí”, reafirmou.
ESTADÃO CONTEÚDO
ACORDO ENTRE MERCOSUL E COMUNIDADE EUROPEIA PODE BENEFICIAR PECUÁRIA BRASILEIRA
O zootecnista e diretor de exportações da JBS na Europa, Juliano Jubileu, traçou um panorama das exportações brasileiras de carne para a Europa, abordando possibilidades de escoamento via Cota Hilton, 481 e ainda a possível consolidação de um acordo de livre comércio entre países do Mercosul e da comunidade europeia
Para Jubileu, o Brasil não deve focar na participação na Cota 481, destinada à exportação de animais no padrão americano para a Europa. Além dos EUA, Argentina, Uruguai e Austrália também atingiram padrão para exportar pela cota, mas há uma pressão dos Estados Unidos para que ela volte a ser exclusiva do país ou que seja extinta. O Diretor afirmou que a alternativa mais tangível para a pecuária brasileira é apostar na exportação via Cota Hilton. No entanto, deste último ciclo 2017-18, a expectativa é que o Brasil não consiga atingir volume expressivo por conta de redução de volume de animais terminados em confinamento e demais alterações em certificados internacionais de sanidade que dificultaram a operação da indústria. “Seria melhor focar no novo acordo, que está sendo discutido, de livre comércio entre Mercosul e comunidade europeia”, recomendou. Tal acordo está sendo costurado desde 1999, mas esteve parado de 2004 até 2016, quando as tratativas foram retomadas com expectativas reais de selar a negociação, sobretudo após visita ao Brasil de parlamentares de Polônia, França, Reino Unido, Portugal, Alemanha, Espanha e Itália no final do mês de abril.
“Foi uma visita importante, tem a ver com o estágio avançado das negociações e é bom que estejam indo ao Brasil. Por outro lado, eles reforçaram controle em todos os portos europeus e esse controle continua até hoje. Mas de todos os produtos que foram chegando, estamos falando de carne bovina, não apresentaram nenhum problema de contaminação. Foram feitas várias análises, de 20% a 30% de todos os contêineres que chegaram em todos os portos europeus ou mesmo via aeroporto, o que chegasse do Brasil era controlado e, dentro da carne bovina, nós não tivemos nenhum problema”, ressaltou Jubileu. “Sempre, das coisas ruins a gente tem que ver o lado bom. O lado bom foi que eles vieram a comprovar que o que a gente produz no Brasil é seguro, então tem que realmente dar parabéns a toda a indústria brasileira e a todo pecuarista brasileiro que também trabalha duro para ter a nossa carne aqui fora e isso é fundamental. A gente tem que continuar fazendo a lição de casa”, reconheceu. Para acessar o mercado via Cota Hilton ou se valer de um possível acordo entre o Mercosul e Europa, o Diretor recomendou que o pecuarista deve buscar informações sobre o perfil dos animais requisitados e apostar nesta demanda para agregar valor e aproveitar as oportunidades do mercado europeu.
CANAL RURAL
Mercado do angus cresceu 150% no Brasil
Das carnes nobres, a mais popular é a da raça Angus que, nos últimos seis anos, segundo a Associação Brasileira de Angus, teve um crescimento de 150% no Brasil, respondendo por mais da metade do sêmen de bovinos de corte vendido no País (51%)
Dono do açougue gourmet La Macelleria, Geraldo Horta se vangloria de ter trazido a carne Angus para Minas há 12 anos. “Quando eu morava no Sul do País, comecei a entender a diferença entre as raças de boi e trouxe a Angus para meu consumo aqui no Estado. Depois, montei uma distribuidora de carnes com o certificado da raça e a gente pode dizer que a La Macelleria foi a primeira butique de carnes de Minas. O que muda em uma carne como a Angus é o marmoreio e a maciez”. A procura por estas carnes mais nobres fez com que não só passássemos a atender tanto no atacado como no varejo, como montássemos um restaurante na casa”, conta. O açougue também trabalha com a opção de porcionado personalizado, que divide o produto em porções e embala a vácuo no momento da compra de acordo com o gosto do cliente. Há 30 anos no mercado, a Casa de Carnes Aguiar vende cerca de 50 toneladas de carne por mês para consumidores finais e restaurantes da RMBH. Mas segundo o sócio Guilherme Souza Ferreira, o maior comprador dos produtos é o consumidor final, provando que o cliente, de fato, quer ir pessoalmente fazer as suas escolhas para se certificar da qualidade e procedência do produto. A expectativa de crescimento deste ano é 3%, retomando a demanda pelos cortes mais nobres da carne, após um início de 2017 com queda de 5% a 10% nas vendas por conta da operação “Carne Fraca”. “No começo da operação as pessoas ficaram desconfiadas, mas isso já mudou. A demanda pelos produtos mostra que esse é um mercado em crescimento”, explica Ferreira. Se o baque inicial da operação fez com que os consumidores chegassem a diminuir a compra e o consumo da carne bovina em 2017 (segundo um levantamento da consultora Dunnhumby, 59% de 530 brasileiros entrevistados diminuíram o consumo), os efeitos posteriores foram vantajosos para os pequenos açougues e atacadistas, que passaram a ser priorizados em detrimento dos produtos congelados e industrializados. O fenômeno foi sentido pela produtora e comercializadora de carne bovina 100% sustentável Beef Passion, que notou um crescimento razoável em suas vendas após a operação. “É que o consumidor está, de fato, se perguntando sobre a origem dos alimentos que consome, como a carne, os vegetais. E a forma que nós adotamos na nossa cria, engorda e abate está passando mais confiança para o consumidor”, analisa um dos donos da empresa, Ricardo Sechis. É que a Beef Passion adota um processo totalmente sustentável em sua produção, e foi a primeira no ramo a conquistar a certificação Rainforest Alliance, selo internacional que atesta a excelência socioambiental em toda a cadeia produtiva da marca, da gestão de florestas ao bem-estar animal, passando pelas condições de segurança e medicina dos trabalhadores à preservação das matas ciliares e nascentes e qualidade da água. Até mesmo a ração dos animais, livre de compostos químicos, é produzida pela empresa. Com fazendas em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, a companhia também desenvolveu duas novas raças de boi – o Australian Passion e o Grand Passion -, por meio de cruzamentos genéticos, com combinações de Angus, Nelore e Wagyu.
Diário do Comércio/MG
Confinamento em Rondônia, com mais de 100 mil bois, cresce para não desmatar e pela integração com lavoura
Tecnificação vem dando ganho de 15/20 @/ha, em média, em um rebanho que pode chegar a 15 milhões de cabeças, e de 4/5 milhões de matrizes. Cruzamento também se expande. @ média hoje R$ 131/132, com recuo nos últimos dias pela oferta maior
O número de animais confinados em Rondônia está aumentando em função da integração da lavoura com a pecuária, sendo que passa das 100 mil cabeças de boi em confinamento. Contudo, os animais têm condições de permanecer nos pastos sem precisar fazer o desmatamento. De acordo com o Presidente da Associação Rural de Rondônia, Sérgio Ferreira, os agricultores encontraram uma forma de utilizar áreas abertas a mais de 20 anos para confinamento e amenizar os custos de produção. “Então, plantaria a lavoura de soja ou arroz e na seqüência entra com as pastagens e reduziria os custos com a reformar dos pastos”, afirma. Por sua vez, também está crescendo o cruzamento industrial com animais localidade. “Os pecuaristas viram que era importante se profissionalizar e não existe mais a diferença nos ganhos, pois uma fazenda também é uma empresa e o cruzamento tem apresentado bons resultados”, ressalta. Com a integração da lavoura com a pecuária, a produtividade média da propriedade tem ficado em torno de 15/20 @/ha. Com o fim da vacinação contra febre aftosa, os produtores não estão preocupados por ser um estado que faz fronteira com a Bolívia. “Atualmente, a Bolívia é um país consciente e não vamos ter problemas, pois tem uma integração da Brasil com o país e já avançou na vacinação”, comenta. A expectativa é que com o fim da vacinação em 2019, o estado conquiste novos mercados. Ainda segundo a liderança, as referências para o boi tiveram um recuo nos últimos dias e a média gira por volta de R$ 131,00/@ a R$ 132,00/@, com trinta dias para descontar o Funrural. Os preços balcão para a fêmea está cotada entre R$ 120,00/@ R$ 124,00/@ com trinta dias para descontar o Funrural. “O nosso mercado está estável sem perspectivas de grandes altas e nem de baixa, isso por que houve um aumento da oferta”,
Notícias Agrícolas
INTERNACIONAL
Cientistas americanos defendem a criação sustentável de gado a pasto
Um estudo sobre a produção de carne na fazenda indica que práticas específicas de pastagem fazem mais para ajudar na recuperação do solo e limitar as emissões de gases de efeito estufa do que outros modelos de pastoreio, de acordo com pesquisadores da Michigan State University
O relatório, publicado no ScienceDirect, observou que o gado de corte é o maior contribuinte do setor pecuário para as emissões de gases do efeito estufa, e a produção de carne bovina também pode levar à degradação da terra. Mas os pesquisadores descobriram que, ao gerenciar um crescimento de forragem e recuperação do solo mais otimizados, o pastoreio adaptativo em múltiplos pastos (multi- paddock) pode melhorar a produtividade de animais e forragens mais do que o pastoreio contínuo. A pesquisa envolveu cenários adaptativos de pasto multi-paddock e de terminação em confinamento em um centro de pesquisa MSU. O primeiro sistema também mostrou sequestrar mais carbono orgânico do solo e também reduziu as emissões de gases de efeito estufa pelo gado. Os pesquisadores reconheceram que a produção de animais criados a pasto, mas terminados em confinamento exigia apenas metade da terra que o pastoreio adaptativo, mas o estudo sugere que o pastoreio adaptativo pode contribuir para a mitigação da mudança climática. Os resultados desafiam as conclusões existentes de que apenas a intensificação do confinamento reduz a pegada global de gases de efeito estufa do gado por meio de maior produtividade.
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