
Ano 3 | nº 680 | 29 de janeiro de 2018
NOTÍCIAS
Frigoríficos registram menor margem de comercialização desde agosto de 2016
Na média de todas as praças pesquisadas pela Scot Consultoria, a cotação da arroba do boi gordo terminou a semana passada com 0,9% de retração. Este recuo foi puxado principalmente pelos estados de Minas Gerais, Maranhão e Pará
Em São Paulo, o preço do boi gordo ficou em R$146,00/@, à vista, livre de Funrural (26/1). Entretanto, pagamentos acima e abaixo da referência foram comuns, dependendo da programação de abate de cada indústria, que é variável e gira em torno de um a até cinco dias. O consumo da carne está ruim e em função disso os compradores não fazem ofertas atraentes. A cotação no mercado atacadista de carne bovina com osso caiu 2,4% frente ao último levantamento. A carcaça de bovinos castrados ficou cotada em R$8,96/kg. Com a desvalorização da carne com osso, a margem de comercialização dos frigoríficos está no menor patamar registrado desde agosto de 2016. Segundo o indicador equivalente Scot Carcaça a margem de comercialização está em 8,8%.
SCOT CONSULTORIA
Momento requer atenção especial para o recriador e invernista
O cenário de pressão de baixa no mercado do boi gordo está afastando os recriadores das compras e, consequentemente, o volume de negócios foi menor ao longo das últimas semanas
Entretanto, mesmo com menor movimentação, as cotações estão sustentadas para a reposição. No balanço semanal, considerando a média de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados pesquisadas pela Scot Consultoria, as cotações fecharam em alta de 0,2%. Esta conjuntura de arroba do boi gordo perdendo fôlego e cotações para a reposição firmes fez a relação de troca para o recriador e invernista piorar. Tomando como base a praça de São Paulo, na comparação mensal, entre dezembro último e janeiro, o número de arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um bezerro desmamado anelorado (6@), aumentou 1,3%. Para a compra de um boi magro anelorado (12@), o aumento foi de 1,7%. Para o curto prazo, com as pastagens com boa capacidade de suporte, os criadores têm um certo respaldo para ofertarem preços acima da referência e se a pressão de baixa permanecer no mercado do boi gordo, o poder de compra pode piorar para o recriador e invernista. O momento requer muita atenção tanto no mercado como nas contas.
SCOT CONSULTORIA
Mapa cria Banco de Dados de Identificação Animal
Código será visualizado em elemento externo (brinco) ou pela leitura eletrônica de dispositivo implantado (chip)
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou na sexta-feira (26) a Instrução Normativa nº 05 que cria o Banco Central de Dados de Identificação Animal para todas as espécies. Os dados (numerária) serão padronizados conforme as normas internacionais (ISSO – Organização Internacional para Padronização). Cada código de identificação de animais será formado pelo número 076 (código ISO Brasil), seguido por uma sequência exclusiva de doze dígitos numéricos. Com isso, quando um bovino, por exemplo, for exportado e estiver no novo sistema, o código 076 será visualizado em elemento externo (brinco) ou pela leitura eletrônica de dispositivo implantado (chip). O dispositivo de radiofrequência pode ser “lido” em qualquer país do mundo, não havendo necessidade de reidentificação em outros sistemas existentes. O banco fará parte do módulo rastreabilidade da Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA). Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Luis Rangel, a adesão ao banco de dados é opcional. O benefício para o produtor será a possibilidade de ter seus animais identificados conforme as exigências internacionais, em uma plataforma pública, aprovada pelo Mapa. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu a Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), em 2015, como sistema público informatizado de rastreabilidade do rebanho do país, da movimentação dos animais e da produção agrícola, bem como de inspeção e fiscalização de produtos de origem animal. A plataforma disponibiliza relatórios e informações sobre o setor agropecuário, como a quantidade de animais por estados e municípios. Os agropecuaristas podem pesquisar na plataforma dados sobre a área de suas propriedades, o saldo de animais, as guias de trânsito – entradas e saídas – e as vacinações aplicadas.
MAPA
UE pretende concluir o acordo com Mercosul nas próximas semanas
Depois do fiasco no anúncio de um acordo preliminar com o Mercosul em Buenos Aires, no mês passado, a União Europeia (UE) dá indicações de que agora poderá ser para valer
A Comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, declarou-se ontem confiante de que a conclusão do acordo de livre comércio birregional possa ocorrer nas próximas semanas. Malmstrom disse esperar “progresso concreto” no encontro que terá com ministros do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, a seu convite, na terça-feira, em Bruxelas. A Comissária reiterou que “os dois lados estão empenhados em concluir o acordo nas próximas semanas. Estamos perto, mas ainda há trabalho a ser feito em ambos os lados e vamos enfrentar isso”. O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, afirmou que será o maior acordo comercial negociado pela UE. Malmstrom recusou, porém, confirmar se Bruxelas colocará na mesa, na semana que vem, nova oferta para carne bovina e etanol do Mercosul, alegando que não negocia por meio da imprensa. Conforme negociadores, os europeus já indicaram que apresentarão oferta melhorada. Em Bruxelas, fontes admitem que os europeus examinam oferecer cota entre 90 mil e 100 mil toneladas para a entrada de carne bovina do Mercosul com tarifa menor, ainda inferior à demanda do bloco do Cone Sul. A oferta ainda na mesa é de apenas 70 mil toneladas. Para etanol, cota de 600 mil toneladas. Na reta final de negociações decisivas, a ampliação das cotas para os dois produtos ganha tanta importância que o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, agendou escala em Paris antes da volta dos Alpes suíços para Buenos Aires. Fontes do Mercosul afirmam que a UE sinalizou colocar na mesa novas cotas para carne e etanol. Se não, argumentam, sequer haveria sentido na ida dos ministros a Bruxelas. O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acha que dificilmente a oferta será suficiente para satisfazer também a Argentina e o Uruguai. A UE ofereceu ao Mercosul cota de 70 mil toneladas de carne bovina e de 600 mil toneladas de etanol por ano com acesso privilegiado ao mercado europeu. A proposta desagradou, porque está abaixo dos volumes de 2004, quando os dois lados estiveram bem perto de assinar um acordo, que eram respectivamente de 100 mil e 1 milhão de toneladas. Sentindo o vento soprar a favor de um tratado, a poderosa central agrícola europeia Copa-Cogeca voltou a soltar as baterias contra a negociação. Nesta semana, o Secretário-Geral da entidade, Pekka Pesonen, reclamou que a UE já ofereceu muito ao Mercosul sem ter obtido o mesmo retorno, e um potencial acordo custaria mais de € 7 bilhões ao setor agrícola europeu. “A maioria das importações europeias de carne bovina, açúcar, frango e suco de laranja já vem desses países”, disse. Segundo ele, o açúcar e o etanol do Mercosul são “altamente subvencionados”. Sem minimizar a importância das cotas para produtos agrícolas, negociadores brasileiros ponderam que ainda existem outros pontos pendentes, como regras de origem e o regime de “drawback” – pelo qual há isenção na tarifa de importação para insumos usados na fabricação de bens industriais depois exportados. A UE não aceita esse regime aduaneiro especial no Brasil.
Valor Econômico
Codesp libera exportação de bois no Porto de Santos
O Terminal Ecoporto Santos, que fica no Cais do Saboó, no Porto de Santos, está autorizado a iniciar o embarque de aproximadamente 27 mil bois com destino à Turquia. Isto aconteceu após a diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) divulgar posicionamento favorável à operação
Com isso, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) liberou os trabalhos, que estavam suspensos desde o último dia 10. Assim como aconteceu em novembro do ano passado, os garrotes, touros jovens com menos de 250 quilos, terão como destino o Porto de Iskenderum, na Turquia. A carga é de propriedade da Minerva Foods, um dos grandes grupos pecuaristas do Brasil. A operação estava suspensa após um parecer da área jurídica da Antaq, que apresentava ressalvas em relação ao embarque dos bovinos. Ao recebê-lo, a diretoria da Autoridade Portuária decidiu suspender temporariamente a operação até que a questão fosse definida pela agência reguladora. Apesar das ressalvas apresentadas pelo jurídico da Antaq, a área técnica do órgão se posicionou favorável ao embarque de carga viva. A atividade foi vista pelo órgão regulador como uma oportunidade de negócio viável para o Porto, principalmente diante das dificuldades enfrentadas pelo Ecoporto, por conta da concorrência com outras instalações de contêineres do complexo. O contrato de arrendamento do Ecoporto, firmado em junho de 1998, prevê a movimentação e a armazenagem de contêineres. No entanto, o primeiro embarque, que era uma espécie de teste, foi autorizado pela Autoridade Portuária. Isto aconteceu por conta de uma resolução da Codesp de 2001, que libera a movimentação de carga geral por terminais especializados na operação de caixas metálicas. Por conta disso, para a Antaq, a operação pode ser realizada. Uma das preocupações da agência estava relacionada com o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos. Mas, segundo o Diretor do órgão, Mario Povia, o regramento não veta a operação com carga viva. Em nota, a Docas informou, após a manifestação da Antaq, que a agência “entendeu não haver impedimento ou necessidade de autorização especial para a movimentação de carga viva no âmbito do arrendamento de titularidade do terminal Ecoporto Santos”. Terminal Ecoporto realizou o embarque de 27 mil cabeças de cago no final de novembro passado. Com isso, a Autoridade Portuária liberou os embarques no navio Nada (que significa orvalho em árabe). A embarcação atracou na noite da última terça-feira no cais santista e, desde então, aguardava um posicionamento das autoridades. Assim que as operações foram autorizadas, o Ecoporto Santos começou suas preparações. O carregamento ocorre com o auxílio de um corredor de metal que será acoplado nos caminhões e conduz os animais a bordo. Um piso especial tem de ser instalado no cais e equipes de limpeza são contratadas para manter a higiene no local durante toda a operação. O navio Nada também recebe forragens (alimentos) para o gado. Os trabalhos são acompanhados por equipes do posto local do Serviço de Vigilância Agropecuária (Vigiagro) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Docas e da Antaq.
A Tribuna
EMPRESAS
Carne Hereford encerra 2017 com recorde no Frigorífico Silva. Frigorífico fechou dezembro acima de 4 mil animais certificados
Prestes a comemorar duas décadas de existência, o Programa Carne Pampa – programa oficial de qualidade das carnes bovinas provenientes das raças Hereford, Braford e suas cruzas – criado em 1998 pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), encerrou o ano de 2017 celebrando um resultado histórico: o maior abate mensal de animais certificados já realizado em uma planta frigorífica parceira
O recorde foi alcançado pelo Frigorífico Silva, de Santa Maria – RS, que fechou dezembro acima de 4 mil animais certificados. “Temos que comemorar os números alcançados no ano passado”, destacou o CEO da ABHB, Fernando Lopa. “Eles foram muito superiores aos projetados no início do ano, quando foi anunciada a saída do Frigorífico Marfrig do Programa. Naquele momento havia uma previsão de queda superior a 30% no número total de animais certificados. O cenário parecia ainda mais sombrio com a crise política e econômica do primeiro semestre e a desvalorização do preço do gado no Rio Grande do Sul, porém a queda ficou abaixo de 13%, com o frigorífico Silva tendo papel fundamental não só na manutenção dos abates como na abertura de novos mercados para a Carne Certificada Hereford”, completou. O crescimento na procura pelos cortes Hereford, a consolidação no cenário nacional da carne no meio gastronômico e a parceria firmada com novas plantas frigoríficas ajudaram a modificar o cenário final. O número de abates não só cresceu de forma considerável no último semestre, como possibilitou o aumento no número total de desossa com o selo Carne Certificada Hereford no ano passado, 3,631%, com quase 1.150 tonelada certificada. O número de animais certificados em relação ao número de animais apresentados para certificação em 2017 também aumentou em 10 pontos percentuais, ultrapassando, pela primeira vez em 10 anos, a barreira dos 50% de aproveitamento, mostrando que o produtor direcionou os seus melhores animais para o Programa, a fim de obter melhores remunerações para seus animais com genética HB. “Isso mostra uma tendência de crescimento do programa e uma grande aceitação da Carne Certificada Hereford pelo mercado consumidor nos mais diversos cortes. Estamos muito animados para 2018, já que os números de janeiro seguem em alta e há um crescimento de abates certificados em todas as plantas parceiras”, adiantou Lopa. No total, em 2017, foram 41.925 exemplares certificados, de 78.026 animais apresentados nas sete Plantas Frigoríficas parcerias ao longo do ano passado: Silva, Famile, Producarne e Marfrig, no Rio Grande do Sul, São João e El´Golli, em Santa Catarina, e Novicarnes, no Paraná. Para ser enquadrado para receber o selo Carne Certificada Hereford, participante do sistema oficial de certificação brasileiro, o animal precisa dispor de no mínimo 50% de genética Hereford em cruzamentos com raças continentais, zebuínas, sintéticas não britânicas compostas ou provenientes de cruzamento industrial ou 50% de sangue Braford, desde que proveniente do cruzamento com fêmeas F1 (meio sangue) de outras raças britânicas, além de apresentarem requisitos mínimos de gordura, peso e idade estabelecidos pelo programa ao abate. Para o Coordenador da Plataforma de Gestão da Certificação, Raoni Gonçalves Lopes, o ano de 2017 trouxe muitas conquistas na expansão e consolidação da marca e do selo Carne Certificada Hereford. “Com a saída da planta do Marfrig no Rio Grande do Sul, os números de certificação ficaram um pouco prejudicados, o que nos oportunizou, todavia, a buscar novos parceiros frigoríficos que nos possibilitassem atender a toda essa demanda por cortes CCH bonificando de forma diferenciada os criadores das raças”. Passaram a compor o rol de parceiros do Programa Carne Pampa os frigoríficos Famile e El´Golli. Lançado de forma pioneira, o Programa Carne Pampa abriu as portas para diversos programas de certificação de carne de qualidade no Brasil. Além de poderem disputar os melhores preços no mercado, os produtores de Hereford e Braford que aderiram ao programa têm a vantagem de obter mecanismos claros e confiáveis de negociação através de indicador de referência de mercado (cepea, scoth, etc.), cujo objetivo é garantir um preço mínimo de negociação sempre acima dos valores médios praticados pelo mercado. Os valores a serem pagos pelos animais no RS podem ser conferidos diariamente no site da ABHB.
INTERNACIONAL
Importações de carne bovina do Japão devem alcançar maior volume em 17 anos
As compras de carne bovina do Japão deverão para subir neste ano, uma vez que a crescente demanda por carnes acessíveis se opõe ao primeiro aumento nas tarifas de importação em 14 anos
As importações de carne bovina pelo Japão provavelmente aumentarão ao nível mais alto desde 2001, depois de crescer mais de 10% no ano passado, disse Shiro Ohashi, Diretor Executivo da Japan Meat Traders Association, em uma entrevista em Tóquio na quinta-feira. A carne bovina estrangeira é procurada como uma alternativa mais barata para carne e peixe japoneses, disse ele. O consumo de carne aumentou em 6,8% nos sete meses até 31 de outubro, para a expansão anual mais rápida em pelo menos 12 anos, de acordo com os últimos dados do Ministério da Agricultura. Os produtores japoneses não conseguem acompanhar a demanda, à medida que os produtores idosos se aposentam sem sucessores e que o rebanho doméstico se encolhe. A carne Wagyu premium está se tornando muito cara para muitos japoneses, à medida que demanda de compradores no exterior está se expandindo, aumentando os preços, disse Ohashi. A carne bovina menos gorda da Austrália e dos EUA está se tornando popular, especialmente entre os consumidores mais velhos, disse Ohashi. As importações de carne de bovino dos EUA estão se expandindo a um ritmo mais rápido do que as vendas australianas, mesmo quando o Japão aumentou as tarifas de carne congelada nos EUA em agosto, porque os preços dos EUA continuam competitivos, disse Ohashi. Nos 11 meses até novembro, as importações de carne bovina dos Estados Unidos aumentaram em 26,6% em relação ao ano anterior e as compras de carne da Austrália aumentaram em 5,5%, de acordo com o Ministério da Agricultura. Os EUA representam 42% das importações totais. É provável que as importações se expandam a médio prazo após os acordos comerciais do Japão com 10 nações do Pacífico e a União Europeia.
Bloomberg
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