
Ano 3 | nº 629 | 31 de outubro de 2017
NOTÍCIAS
Boi: com menor oferta, tendência é de preço em alta até o fim do ano
Mesmo com consumo de carne bovina retraído no país, em função da crise econômica, redução no volume de animais disponíveis para abate deve manter cotações aquecidas
A redução da oferta de bois para abate no mercado tem feito o preço da arroba subir, mesmo com o consumo de carne bovina retraído. E a tendência é de que as cotações se mantenham em alta até o fim do ano, de acordo com analista. Apesar da queda dos preços dos grãos, que torna a ração mais barata, a expectativa de confinamento diminuiu no decorrer do ano. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou recuo de 8% na intenção de confinamento de julho, em comparação com o levantamento feito em abril. Na prática, a oferta de bovinos acabou sendo menor do que a esperada, com reflexos no mercado: depois de nove meses consecutivos de queda da cotação da arroba do boi gordo, o preço reagiu no segundo semestre – em julho, o indicador Esalq/BM&FBovespa fechou em R$ 124,50; em setembro, alcançou R$ 143,47. De acordo com o sócio diretor da Radar Investimentos Leandro Bovo, a recuperação dos preços veio em agosto, mantendo-se um pouco ainda em setembro e outubro, em razão da diminuição da oferta. “O que é natural que aconteça, porque, na época do planejamento do confinamento, o ambiente era de incerteza total. Quem pôde escolher optou por não confinar”, diz. O consumo também está menor neste ano, por causa da queda do poder aquisitivo da população, de acordo com o Diretor Administrativo do Sindicato da Indústria do Frio (Sindifrio), Carlos Alberto de Lorenzo. “Em função da crise, houve substituição da carne bovina por outros produtos, como carne de frango, carne suína; o consumidor busca o que cabe no bolso dele”, afirma. Com a demanda interna enfraquecida, as exportações dão fôlego ao mercado de carne bovina. A expectativa é que as vendas externas continuem crescendo nos próximos meses. No acumulado de 2017, o volume de carne bovina exportado é 1,84% maior que no mesmo período do ano passado. Em setembro, a alta foi de 17% e, para o fim do ano, mais uma vez a oferta restrita de bovinos deve influenciar a alta dos preços. O operador de mercado de boi da Terra Investimentos Elio Micheloni Jr., afirma que somente agora as chuvas começam a se generalizar no país. Dessa maneira, o boi de pasto desta safra, que deveria chegar ao mercado em dezembro, somente deve estar disponível em janeiro ou fevereiro, segundo ele. “A gente pode então ter um vácuo de oferta nesse período, que pode, eventualmente, colocar o preço um pouco mais firme para cima”, afirma Micheloni.
CANAL RURAL
O escoamento de carne bovina permanece lento, mas poderá melhorar no curto prazo
O escoamento da produção dos frigoríficos, a venda de carne bovina, está lenta
Quanto ao boi gordo, coexistem dois cenários:
- Há regiões onde a oferta começa a ter incremento, em função das boiadas confinadas que começam a ser entregues. Se observa uma quantidade maior de lotes maiores sendo negociados, para compor as escalas de abate dos frigoríficos. Nessas regiões a pressão é de contenção da cotação.
2. Há também regiões onde a oferta está escassa, devido à forte seca. Esse cenário é comum principalmente na região Norte do país. Isso tem causado achatamento das escalas e é possível ver indústrias com apenas um dia de programação. Consequentemente, os preços, nestes casos, se não têm força para altas, devido à demanda, também não há espaço para queda, e isso mantém as cotações firmes. Sazonalmente o consumo ganha força no último bimestre do ano, devido ao décimo terceiro salário. Também vale destacar os feriados prolongados, que podem aumentar a demanda pela carne. É esperar para ver.
SCOT CONSULTORIA
Demanda restrita mantém o mercado do boi gordo indefinido
O feriado desta semana fará com que os frigoríficos tenham praticamente dois dias a menos de compras
Apesar do início de mês e o feriado se aproximando, as indústrias não enxergam necessidade de ofertar preços maiores para aumentar a aquisição de matéria-prima. Em São Paulo, as programações de abate dos frigoríficos atendem em torno de cinco dias e, mesmo a oferta modesta tem sido suficiente para atender a demanda vigente. Ocorrem alguns preços acima da referência, embora também sejam frequentes testes de valores menores. O feriado desta semana fará com que os frigoríficos tenham praticamente dois dias a menos de compras, o que pode colaborar com a retomada da firmeza do mercado, isso se o consumo ganhar algum fôlego com a virada de mês.
STF pode decidir questão das dívidas do Funrural em novembro
Longe de um desfecho para o imbróglio que se formou em torno do tema
O Supremo Tribunal Federal (STF) sinaliza que pode julgar ainda em novembro os recursos que seis entidades e um produtor rural moveram no início deste mês pedindo que só a dívida contraída a partir deste ano com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) seja cobrada. O pedido é que o passivo de anos anteriores seja perdoado.
Valor Econômico
MT: Prefeitura pode remanejar servidores para atender pedido de frigorífico que quer aumentar abate no nortão
Para cumprir o objetivo da empresa, será necessário investimento em suporte de fiscalização por parte do poder público
A prefeitura de Colíder (157 quilômetros de Sinop) está estudando uma maneira de atender o pedido da unidade local da JBS, que quer alcançar o mercado americano, sem “estourar” o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para cumprir o objetivo da empresa, será necessário investimento em suporte de fiscalização por parte do poder público. A ideia inicial, segundo o Prefeito Noboru Tomiyoshi, era abrir firmar um convênio com o Ministério da Agricultura e contratar funcionários para fiscalizarem a unidade da empresa no município. Desta forma, o frigorífico conseguiria ampliar o número de abates e iniciar as exportações para os Estados Unidos. A intenção, porém, esbarrou no limite de gastos com pessoal. Agora, a prefeitura estuda outras formas para atender o pedido. “Uma contratação imediata de pessoas aumenta meu índice com folha. Então, agora, estamos buscando mecanismo para fornecer funcionários que já estão no nosso quadro. Por exemplo, temos um médico veterinário que podemos ceder. Servidores de setores administrativos também podem ser remanejados”. De acordo com o gestor, a prefeitura tem interesse em atender o pedido, mas não depende apenas de si para que isso ocorra. “Isso é mais amplo do que simplesmente arrumar pessoal. Temos que conseguir a legitimação junto ao Ministério para fazer este trabalho. A gente tem interesse em aumentar abate, aumentar emprego e movimentar a economia. Ainda vai mais alguns dias nesta discussão interna”. No final do mês passado, diretores da unidade da JBS em Colíder se reuniram com o prefeito para discutir a ampliação no total de abates e início das exportações para os Estados Unidos. Também participaram da reunião os secretários municipais de Desenvolvimento Econômico, Ronaldo Vinha, e Administração, Vardelei Borges.
Ministro Blairo Maggi vai a audiência na Câmara
Debate na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, foi convidado para falar nesta terça-feira (31) sobre desdobramentos da Operação Carne Fraca na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados. A audiência foi sugerida pelo 2º vice-presidente da comissão, Deputado Felipe Bornier (Pros-RJ). A reunião será realizada no plenário 9, a partir das 11 horas. Serviço: Debate na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados
Data: 31 de outubro Horário: 11 horas Local: Plenário 9
MIN. DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO
Boa demanda por sebo bovino
A demanda por sebo bovino é boa, mas a oferta tem sido suficiente e mantém os preços estáveis
Tanto no Brasil Central como no Rio Grande do Sul a gordura animal está cotada, em média, em R$2,20/kg, livre de imposto, segundo levantamento da Scot Consultoria. Desde meados de maio o preço do produto vem subindo no Brasil Central. Entretanto, vale ressaltar que apesar da boa demanda e do mercado firme, a cotação caiu 13,7% frente ao mesmo período de 2016.
SCOT CONSULTORIA
MDIC projeta saldo comercial de US$ 70 bi com carne de frango e bovina
Previsão para 2017 foi revisada para cima em virtude do bom desempenho das exportações, que acumulam alta de quase 20%
Diante do bom desempenho da balança comercial brasileira, o Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, orientou sua equipe a estudar novas projeções para 2017. A expectativa agora é de que a balança feche o ano com um superávit que pode variar entre US$ 65 bilhões e US$ 70 bilhões. A previsão anterior era de um saldo acima de US$ 60 bilhões. Os números refletem, principalmente, o desempenho das exportações brasileiras, cuja alta acumulada no ano é de quase 20%. Carne de frango, com aumento de 9,2%, e carne bovina, com crescimento de preço de 5,5%, ajudaram bastante. “Já a soja apresenta um pequeno aumento de preço, de 1% no ano. Porém, como o volume é muito grande, essa variação contribui positivamente para o aumento das exportações”, avalia Abrão Neto, Secretário de Comércio Exterior do MDIC. Segundo ele, “em termos absolutos, a exportação apresenta aumento de US$ 25 bilhões, entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período de 2016”. No ano passado, até setembro, as exportações eram de US$ 139,4 bilhões e, no mesmo período deste ano, subiram para US$ 164,6 bilhões. Na próxima quarta-feira (1º), o MDIC anunciará os dados do mês de outubro e também do período acumulado de dez meses no ano.
MDIC
Falta de chuvas acende sinal de alerta para pecuaristas em MT
Pluviosidade em algumas regiões chega a estar 66% abaixo do índice de outros anos, o que pode prejudicar o desenvolvimento das pastagens, diz o Imea
Irregularidade das chuvas também pode afetar milho safrinha, fonte de suplementação animal. O nível de chuvas abaixo da média em algumas regiões de Mato Grosso acende o sinal de alerta para pecuaristas do Estado, informa o boletim do Instituto de Economia Mato-Grossense (Imea). A entidade lembra que as chuvas são o principal fator que viabiliza a formação, renovação e desenvolvimento das pastagens nas propriedades rurais e a sua ocorrência é sempre esperada pelos produtores. Em algumas cidades do Estado, a pluviosidade em setembro e outubro foi bem inferior ao registrado no mesmo período de anos anteriores. Em Canarana, a queda foi de 66,25%, enquanto em Diamantino o declínio chegou a 41,60%. Já em Itaúba e Sinop, o índice cresceu este ano (veja gráfico ao lado). “Estes números de 2017 são preocupantes aos pecuaristas, pois podem significar atraso na entrega de animais futuramente, devido às pastagens não estarem 100% aptas para receber os animais”, afirma em nota o Imea. Além disso, a escassez de chuvas neste momento, que já causa atrasos no plantio da soja, pode impactar no encurtamento da janela de semeadura do milho segunda safra (principal fonte de suplementação animal), podendo resultar em menor produção e até mesmo em alta nos preços do grão. “Diante disto, o período de chuvas que se inicia já traz alertas para os pecuaristas”. O início das chuvas tem movimento o mercado de reposição. Pela segunda semana seguida, a cotação do bezerro de 12 meses subiu, dessa vez 0,4%, ficando em R$ 1.135/cabeça. Até o dia 26 de outubro, o diferencial de base MT-SP, que mostra a diferença entre o preço da arroba do boi gordo entre os dois Estados, caiu 0,57 p.p. (pontos percentuais) em relação a setembro. Isso graças à maior desvalorização da arroba em São Paulo, que saiu de R$ 143,47 para R$ 140,89, do que em Mato Grosso, onde passou de R$ 128,28 para R$ 126,78 (descontado o Funrural). “Essa queda em ambos os Estados é consequência de uma melhora na oferta de gado apto para abate. Ainda assim, vale ressaltar que o fortalecimento da base neste mês consolida o que já vem acontecendo com esta em todo o 2017, visto que este ano já registra uma fortificação de 2,70 p.p. na base, tornando assim o ambiente de negócios de boi gordo mais competitivo ao pecuarista mato-grossense”, relata o Imea.
DBO/Imea
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