CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 527 DE 02 DE JUNHO DE 2017

abra

Ano 3 | nº 52702 de junho de 2017

NOTÍCIAS

Final de safra e mercado do boi gordo pressionado

Tentativas de compra abaixo da referência seguem ocorrendo com frequência em todas as praças

As tentativas de compra abaixo da referência seguem ocorrendo com frequência em todas as praças. Porém, apesar do ambiente ainda ser de incerteza em função de todos os acontecimentos recentes, a pressão de baixa se limita, quase sempre, às ofertas de no máximo R$2,00/@ abaixo da referência. São Paulo talvez seja uma das exceções. Há compradores ofertando até R$4,00/@ menos, mas não conseguem comprar. Fora disso, em negócios analisados pontualmente, pode haver elevação das ofertas de compra. De forma geral, se houver necessidade de pagamentos maiores, há espaço. As margens da indústria começaram a semana nos maiores patamares já registrados pela Scot Consultoria e, embora tenha recuado hoje, somente em 2013 houve resultado parecidos. Contudo, os preços ofertados só vão subir se houver necessidade, caso ocorra um crescimento nas vendas de carne. No mercado atacadista a demanda parece não ajudar. Os preços dos cortes sem osso caíram 2,1% ao longo da semana.

SCOT CONSULTORIA

BOI/CEPEA: Com lentidão no mercado, indicador segue em queda

Comercialização segue lenta no mercado pecuário

A comercialização segue lenta no mercado pecuário, com agentes ainda cautelosos em relação aos cenários político e econômico do País. Segundo pesquisadores do Cepea, pecuaristas têm optado por vender apenas o necessário, a fim de evitar exercer maior pressão sobre o mercado. Frigoríficos que têm participado de maneira mais ativa do mercado, por sua vez, também evitam alongar as escalas, acreditando que os preços possam ceder ainda mais. Neste cenário de baixa liquidez, o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa caiu 1,27% entre 24 e 31 de maio, fechando a R$ 132,66 nessa quarta-feira, 31.

CEPEA

Maggi: governo incentiva reabertura de frigoríficos

Ao visitar indústria de carnes em Castro (PR), ministro diz que Mapa conversa com BNDES sobre possibilidade de financiamento

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está conversando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ver se há possibilidade de liberar financiamento para reabrir frigoríficos fechados nos últimos anos, disse o Ministro Blairo Maggi na quinta-feira (1º), ao visitar a unidade industrial de carnes Alegra, no município paranaense de Castro. “Estamos estimulando a reabertura de frigoríficos. Ontem mesmo, recebi a informação de que duas empresas pretendem reabrir algumas plantas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Esse é um movimento importante”. Maggi destacou ainda as ações do Mapa na área de comércio exterior.  “Temos trabalhado muito para abrir ainda mais o mercado internacional aos nossos alimentos”. Segundo ele, os empresários também precisam se somar ao esforço do governo para ampliar os mercados.  “A gente tem que sair, pegar a mala e mostrar o produto, a fim de criar confiança [nos importadores] e ganhar mercado”. O Ministro também elogiou a unidade industrial de carnes, resultado da união das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, que deu origem à marca Alegra. “Esta planta é a mais moderna que tive a oportunidade de visitar até agora e indica o caminho a ser seguido, cada vez mais automatizado, com as pessoas interagindo mais com as máquinas e menos com os produtos. A chance de contaminação é sempre bem menor”.

MAPA

Contra a crise, pagamento do boi à vista

Alcides Scot defende que assim mercado voltará à normalidade depois de cair 5% com delações da JBS

A partir do momento em que frigoríficos, principalmente os da JBS, voltarem a comprar gado à vista dos pecuaristas, a crise instaurada no mercado físico do boi gordo deve ser resolvida, na opinião do sócio-diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres.  Desde a divulgação das gravações feitas por Joesley Batista, da JBS, no dia 17 de maio, envolvendo o presidente Michel Temer, a arroba do boi gordo caiu mais de 5% em São Paulo e o segmento foi tomado por um forte sentimento de insegurança. Assim, pecuaristas resistem em vender animais no pagamento a prazo, como estipulado pela JBS pouco antes da divulgação das gravações. O analista acredita que a JBS, que concentra cerca de 40% dos abates do País, deve encolher após a crise desencadeada pelas delações, o que não ameaçará, porém, sua liderança no setor. Ele afirmou ainda que não vê risco em relação aos boicotes das marcas produzidas pela JBS. Para ele, para o consumidor, o preço mais atrativo dos produtos deve sustentar as vendas.

ESTADÃO CONTEÚDO

Na Holanda, Novacki estreita relações comerciais e reforça qualidade da carne

O Secretário-Executivo do Mapa, em missão oficial à Europa, visita ainda França e Polônia

Em missão que realiza a países europeus para maior aproximação e intensificação do comércio, o Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, ouviu de Marjolijn Sonnema, Diretora geral de Agricultura da Holanda, que a visita irá contribuir para melhorar a relação entre os dois países. “Estamos muito satisfeitos com a atenção dispensada pelo governo brasileiro”, disse a diretora.  A visita à Holanda, encerrada na quinta-feira (1º) teve também o objetivo de esclarecer dúvidas relacionadas à Operação Carne Fraca, ocorrida em março. Na pauta de exportações para o país, se destacam carnes de frango e de peru industrializadas além de bovina in natura. A representante do governo holandês informou que serão reavaliadas resistência a pleitos brasileiros na União Europeia e que buscará auxiliar no andamento de assuntos de interesse do Brasil junto ao bloco. Novacki informou que será criado um grupo de acompanhamento para monitorar avanços na relação entre os dois países. Adiantou que Mapa se esforçará, da mesma forma, para atender expectativas holandesas e que encaminhará missão técnica à Holanda, na primeira semana de julho, para avaliar o sistema de controle sanitário, com vistas à importação de carne de vitelo. Em Roterdã, em encontro com autoridades do porto, o maior e mais moderno da Europa, Novacki informou sobre estudos realizados pela Embrapa Logística, que deverão orientar novos investimentos em infraestrutura para escoamento da safra brasileira. “A utilização de postos mais ao norte do Brasil se revelam mais interessantes para reduzir custos de produção na relação com boa parte dos países com os quais temos relações comerciais”, explicou o Secretário. Segundo ele, há interesse em intensificar parcerias de investimentos nesse setor. A empresa que administra Roterdã já é parceria em projetos no Espírito Santo e no Ceará. René Van Der Plas, principal executivo do Porto de Roterdã, que tem como principais acionistas o governo holandês e a prefeitura de Roterdã, falou do “imenso potencial de investimentos que o Brasil representa”. Em novembro, deverá ser realizado no país evento de promoção dos produtos brasileiros, que contará com comitiva do agronegócio, liderada por Novacki. “Nessa oportunidade, temos a expectativa de novo encontro com autoridades holandesas para um balanço positivo das premissas acordadas”, disse o Secretário. A embaixadora do Brasil na Holanda, Regina Dunlop, e o cônsul Cesar Amaral, acompanharam Novacki, na agenda com autoridades do país, além do diretor de Negociações Não-Tarifárias, Alexandre Pontes. Novacki chega ainda hoje à França e vai depois à Polônia, em missão oficial. O esforço de negociação com países importadores visa atingir a meta traçada pelo ministro Blairo Maggi de ampliar a participação brasileira no agronegócio mundial dos 7% atuais para 10% em cinco anos. Maggi encerrou recentemente viagem ao Oriente Médio, que incluiu Kuwait, Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita.

MAPA

Sefaz analisa isenção temporária de ICMS em operações interestaduais de bovinos vivos no MT

A isenção temporária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações comerciais interestaduais de bovinos vivos segue em análise da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz)

Sobre o tema, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) já se posicionou favorável. De acordo com o titular da pasta, Ricardo Tomczyk, a desoneração por 60 dias não afetará as operações dos frigoríficos, que rejeitam a proposta. Para o setor industrial, a medida contribuirá para ampliar a ociosidade das plantas. De acordo com o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo/MT), a quantidade de bovinos vivos que saíram do Estado passou de 45,492 mil em janeiro deste ano para 55,120 mil em fevereiro e recuou para 40,126 mil em março. Os dados foram obtidos pelo Sindifrigo junto ao Instituto de Defesa Agropecuária (Indea).

Só Notícias.

Valores das multas do RIISPOA são ajustados

Mapa também proibiu a venda de ovos de granjas com casos de doenças transmissíveis ao ser humano

Os valores das multas por infrações previstas no Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) foram alteradas nesta quinta-feira (1º), por meio do Decreto 9.069, publicado no Diário Oficial da União. Segundo o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, houve uma adequação para que garantir proporcionalidade e coerência aos valores das infrações leves e moderadas. As penalidades tinham percentuais mais altos porque eram aplicadas sobre um valor máximo baixo: R$ 15 mil. Agora, o patamar em que incidem os percentuais é R$ 500 mil. As multas mais altas são aplicadas quando é praticada adulteração de produto ou quando há risco à saúde pública. Nestes dois casos pode ser aplicada multa de até R$ 500 mil. Antes, a tabela das multas era aplicada da seguinte maneira: leve, com percentual que incidia de 10% a 20% sobre a valor máximo de R$ 15 mil; moderada, de 20% a 40%; grave, de 40% a 80%; e gravíssima de 80 a 100%. A maior penalidade chegava a R$ 15 mil. A partir de agora, a escala será de 1% a 15% sobre R$ 500 mil para as multas leves e de 15% a 40% sobre as moderadas.  As multas das graves e gravíssimas foram mantidas em 40 e 80% e 80% a 100% do valor máximo, respectivamente. Também foi feita alteração na redação do artigo 232 do Riispoa, que agora proíbe a venda de ovos para o consumo originários de granjas, aviários e outros estabelecimentos avícolas com casos de doenças zoonóticas (transmissíveis dos animais para os homens), comprovadas pelo serviço veterinário oficial. Antes não havia a proibição expressa.

MAPA                         

Desempenho externo das carnes em maio de 2017

Resultados não corresponderam à expectativa

O mínimo que se poderia esperar das carnes em maio passado era um desempenho melhor que o do mês anterior. Afinal, o quinto mês do ano teve 22 dias úteis, 22% a mais que os 18 dias úteis de abril. Mas a verdade é que os resultados não corresponderam à expectativa. Pois só a carne bovina registrou embarques diários maiores que os do mês anterior. Assim, obteve aumento de volume de quase 29%. O volume total de carne de frango também aumentou (+8,72%), mas seus embarques diários foram menores que os de abril. E a carne suína, com uma queda significativa nos embarques diários, viu o total do mês retroceder 6,31%. Mas se esses resultados ficaram aquém do esperado, pior foi o desempenho em relação a maio de 2016, com 21 dias úteis (ou seja, também mais “curto” que este último maio). Pois o total embarcado de carne suína foi quase um quarto menor, enquanto carne bovina e de frango registraram queda de volume de, respectivamente, 10,47% e 9,72%. No tocante ao preço médio, as três carnes registraram aumento em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas em índices bem mais moderados que os observados no primeiro trimestre do ano. Já em relação ao mês anterior, só a carne bovina é que obteve melhora de preço (+1,61%). Ou seja: o preço médio da carne suína recuou 0,83% e o da carne de frango 0,34%. Com perda no volume e no preço, a carne suína acabou fechando o mês com uma receita cambial 7,09% menor que a do curtíssimo mês de abril. Um resultado que foi contrabalançado pelo aumento de 8,35% na receita da carne de frango, mas sobretudo pelo incremento de 30,82% da carne bovina. No entanto, comparativamente a maio de 2016, só houve retrocessos. De 0,36% na carne de frango, de 1% na carne suína e de 3,84% na carne bovina. Com isso, a receita cambial das três carnes retrocedeu quase 2% em relação ao que foi registrado um ano atrás. 

AGROLINK

Situação da JBS deve abrir espaço para outras empresas, diz Jardim

A situação da JBS depois das delações à Justiça pode levar a um aumento da participação de outros agentes no mercado de carne bovina. A avaliação foi feita pelo secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim. 

“A primeira consequência deve ser a emergência de frigoríficos de abrangência regional. Tínhamos visto uma grande concentração, e acho que a situação da JBS abre espaço para outras forças”, disse Jardim, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (1/6) durante o Seminário Perspectivas para o Agribusiness 2017 e 2018, promovido pela B3, na capital paulista. Com a maior das processadoras de carne do país enfrentando pendências judiciais, o mercado vive uma incerteza. Em Mato Grosso, onde está o maior rebanho do Brasil e a JBS responde por praticamente metade dos abates, pecuaristas querem incentivo tributário para abate de bovinos fora do Estado. E o governo estadual estuda formas de aumentar a concorrência na indústria. São Paulo detém em torno de 5% do rebanho comercial no Brasil, lembrou o secretário de Agricultura. No entanto, o Estado é um importante “abatedouro”, responsável por 24% do processamento no Brasil, principalmente de carne bovina destinada à exportação. Questionado sobre eventual apoio ao setor pelo governo paulista, Arnaldo Jardim disse que, pelo menos até o momento, não vê necessidade de mudanças tributárias. Segundo ele, as medidas passam por fortalecimento do sistema de inspeção sanitária do Estado, além de iniciativas de exposição e promoção de produtos. “Todas as linhas de crédito do governo do Estado são mantidas para permitir um apoio ao capital de giro das empresas. Isso tem tido uma repercussão positiva na avicultura e deve se desdobrar na bovinocultura”, acrescentou Jardim, referindo-se ao Desenvolve SP, a agência paulista de fomento.

Revista Globo Rural

ECONOMIA

PIB do Brasil avança 1% no primeiro trimestre de 2017

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve expansão de 1% no primeiro trimestre de 2017, ante os três meses anteriores, de acordo com o relatório das Contas Nacionais Trimestrais, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

É o primeiro crescimento trimestral após oito trimestres. Não se via um resultado positivo desde a alta de 0,5% registrada no quarto trimestre de 2014, perante os três meses antecedentes. O resultado veio melhor que a média apurada pelo Valor Data junto a 20 consultorias e instituições financeiras, que apontava alta de 0,9% no período. O intervalo das estimativas variava de aumento de 0,5% a avanço de 1,25%. No quarto trimestre de 2016, o PIB caiu 0,5% em comparação com os três meses anteriores, feito o ajuste sazonal. O dado foi revisado de uma queda estimada inicialmente em 0,9%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, a atividade econômica brasileira teve retração de 0,4%, ante expectativa de queda de 0,3%. Considerando os quatro trimestres terminados em março deste ano, o PIB brasileiro recuou 2,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Nos 12 meses até dezembro de 2016, a queda havia sido de 3,6%. No lado da oferta, o PIB da indústria cresceu 0,9% no primeiro trimestre, após retração de 0,9% nos três últimos meses de 2016. O resultado que veio melhor que o crescimento de 0,8% estimado pelos economistas. O setor de serviços ficou estável no período de janeiro a março deste ano, após queda de 0,7% no quarto trimestre de 2016. A previsão era de uma alta de 0,3%. Já o PIB da agropecuária aumentou 13,4%, resultado melhor que a média de 9,4% esperada por economistas. No quarto trimestre do ano passado, o PIB agropecuário caiu 0,2% ante o terceiro trimestre. Sob o ponto de vista da demanda agregada, o consumo das famílias diminuiu 0,1% no primeiro trimestre, após ceder 0,5% no trimestre final de 2016, na série com ajuste sazonal. A estimativa média do Valor Data era de aumento de 0,4%. Levando em conta o comparativo com os três primeiros meses de 2016, o decréscimo foi de 1,9%, mais marcado do que o 1,2% de baixa esperado. Já a demanda do governo recuou 0,6%, ante expectativa de queda de 0,2% no período. No quarto trimestre do ano passado, o componente ficou estável. Perante os três primeiros meses de 2016, a redução foi de 1,3%, contra expectativa de baixa de 0,5%. Por fim, a formação bruta de capital fixo (FBCF – medida do que se investe máquinas, equipamentos, construção e pesquisa) cedeu 1,6% no primeiro trimestre de 2017, após recuo de 1,6% no quarto trimestre do ano passado. A expectativa era de queda de 0,3%. No confronto com os três primeiros meses de 2016, houve baixa de 3,7%, maior do que o recuo esperado de 2,4%. As exportações registraram desempenho positivo na passagem do último trimestre de 2016 para os três primeiros meses deste calendário. Entre janeiro e março, as vendas do Brasil ao exterior aumentaram 4,8%. A média estimada por economistas ouvidos pelo Valor Data era, contudo, de alta de 5,2%. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve avanço de 1,9%, acima da alta prevista de 1,1%. Já as importações aumentaram 1,8% no primeiro trimestre de 2017, em relação aos três meses antecedentes, em linha com a projeção média de mercado. Em relação mesmo período do ano passado, houve alta 9,8%. A projeção era de crescimento de 9,2%.

VALOR ECONÔMICO

Alta do PIB não significa aumento de renda para o produtor rural

Produto Interno Bruto do setor agropecuário no primeiro trimestre de 2017 teve melhor resultado em 20 anos, mas isso não se refere à margem de lucro do agricultor

Puxada pela grande safra brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 13,4% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último período de 2016 – o melhor índice do setor em 20 anos. Mas, para o produtor rural, o resultado pode não ser tão bom quanto o divulgado nesta quinta-feira, dia 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O assunto foi discutido durante o seminário Perspectivas para o Agribusiness, em São Paulo. O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) Lucilio Alves explica que volumes expressivos de grãos – como soja, milho e arroz – estão concentrados no primeiro trimestre do ano, o que puxou os números. “Nós estamos falando de uma produção que também beneficia a indústria e que movimenta a área de serviços. Mas, de maneira nenhuma, isto se refere à renda ou à margem de lucro do produtor agrícola”, diz. O mercado vive um momento de preço e demanda em queda. E a expectativa para o desempenho do setor em 2017 é positiva, mas sem muita euforia. Para especialistas, a cotação do dólar é o que pode interferir nos preços das commodities agrícolas neste ano. A soma de fatores internos e externos leva a uma tendência de alta para a moeda norte-americana. O economista Alexandre Schwartsman acredita que as pressões até o final do ano são para cima, mas isso dependeria de assuntos de difícil previsão. “Esse governo se mantém? No caso de manutenção do atual governo, o dólar tende a ser mais para cima, porque que vai ter muita dificuldade em aprovar reformas”. Para a pecuária, o saldo do primeiro trimestre não é tão positivo quanto para os demais segmentos do agronegócio. De acordo com o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, o resultado prático para o pecuarista é que o preço da arroba caiu fortemente. “Caiu no mercado físico, caiu no mercado futuro, o que acaba prejudicando até as intenções de confinamento ao longo deste ano”, diz. O governo promete ajudar alguns segmentos em dificuldade, como tem feito com o milho, promovendo leilões. Mas o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, alerta que é melhor não esperar por esse auxílio. “São mais de R$ 800 milhões que vão direto na veia do produtor. Agora é importante ficar atento. Na hora que der uma oscilada, Chicago subir o preço e o dólar estiver compatível, oferecendo uma renda mínima, o produtor deve ao menos travar os seus custos”, afirma.

CANAL RURAL

EMPRESAS

Diminui aposta em fatiamento dos negócioS DA JBS

O “império dos Batista”, como o mercado financeiro apelidou a J&F Investimentos, não vai entrar em liquidação. O prazo de 25 anos concedido pelo Ministério Público Federal (MPF) à dona do frigorífico JBS, para pagar a multa de R$ 10,3 bilhões, frustrou a expectativa de assessores financeiros e jurídicos de fusões e aquisições e também de potenciais investidores.

Foi criada uma crença de que a holding teria que correr e buscar liquidez para enfrentar a pena de R$ 11 bilhões, a ser paga em 13 anos, ajustada pela Selic ­ conforme o próprio MPF informou ter exigido na negociação para dar a leniência do grupo. Contudo, o acordo selado, com um prazo quase dobrado e uma correção das parcelas pela inflação ­ e não pela taxa básica de juros do país ­ gerou a percepção de que essa crise não vai dissolver o império. Pelo menos, não de imediato. A J&F ainda não tem o balanço de 2016 publicado. A estimativa divulgada para o acordo de leniência é que a receita líquida do conglomerado que abriga nada menos do que 260 mil funcionários tenha ficado em torno de R$ 180 bilhões. Em 2015, o caixa gerado para a holding pelas atividades operacionais foi de R$ 2,5 bilhões. Consultada, a J&F sustenta que não há planos de venda de ativos. E nega que a empresa de lácteos Vigor esteja à venda. O grupo já tinha disposição de se desfazer da Vigor. Houve até um processo de venda no fim de 2016. Em fevereiro, recusou uma proposta de R$ 6,5 bilhões da mexicana Lala, segundo o Valor apurou. Os irmãos Joesley e Wesley Batista não aceitavam vender por menos de R$ 7 bilhões. Uma proposta de R$ 6 bilhões feita pela PepsiCo foi igualmente recusada. Predomina agora a avaliação de que a venda da Vigor vai ocorrer, mesmo que por valor inferior. O recurso obtido, somado à atividade corrente, seria suficiente para lidar com a pressão extra. No curto prazo, a pressão poderá ser um pouco maior, a depender de como a Justiça definir o parcelamento ­ algo que só estará fechado na homologação do acordo. Em 25 parcelas constantes, a estimativa é que o pagamento anual começaria em torno de R$ 850 milhões. Anteriormente, havia grande aposta de que a Alpargatas, dona da marca Havaianas adquirida da Camargo Corrêa em janeiro de 2016, seria rapidamente colocada à venda. O negócio é considerado “líquido” por se tratar de uma operação com baixa alavancagem e com bom histórico de resultados, além de não ter qualquer relação com a origem e história do grupo. E, em clima de torcida, os assessores financeiros queriam mesmo é que os ativos da própria JBS no Brasil fossem alienados. Além da operação de bovinos, a companhia é dona das marcas Seara. Mas, por ora, nada disso está no horizonte. A Alpargatas é vista quase como um porto seguro, uma carta na manga ­ até para uma operação em bolsa ­ a ser usada só em caso de piora do cenário. No entendimento de negociadores e gestores de fundos de participações, a venda de ativos pelo grupo ­ ou mesmo pela JBS ­ dependerá quase que essencialmente do mercado de crédito. “Se o mercado secar a torneira, toda essa avaliação de que ficou fácil com esse acordo acaba”, comentou o gestor de um fundo que acompanha os desdobramentos com interesse. Caso o grupo enfrente restrições no acesso ao dinheiro ou um aumento de custo expressivo, o fatiamento dos negócios voltará a ser considerado a solução principal. Porém, sem tanta pressa. A temperatura do mercado deve ser testada rapidamente. A JBS tem R$ 17,8 bilhões em vencimentos até o fim de março de 2018 ­ embora mais de 70% sejam compromissos de contratos ligados à exportação, ACCs e pré-­pagamentos. A J&F tem seus próprios compromissos financeiros, além das dívidas operacionais de cada negócio. O entendimento é que, com exceção de Vigor e, principalmente, de Alpargatas, há pouco espaço para aumento do fluxo de dividendo das empresas, pois cada qual tem compromissos próprios relevantes. “Eles podem até torcer os negócios mais maduros [Vigor e Alpargatas], mas o resultado deles não paga sozinho a dívida com o MP”, ponderou uma das fontes que aguarda possível venda de ativos. A JBS é naturalmente a que tem as maiores dívidas ­ quase R$ 59 bilhões, para R$ 10,7 bilhões em caixa. Mas a alavancagem mais alta está no negócio de celulose, no qual foi investido mais de R$ 6 bilhões. Justamente em razão da dívida, não é o ativo nem mais visado e nem com capacidade para trazer grande conforto financeiro à holding. Para lidar com os compromissos, a Eldorado Brasil Celulose está em busca de um sócio que aporte capital na operação.

VALOR ECONÔMICO

Maiores informações:

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

Powered by Editora Ecocidade LTDA

041 3088 8124

https://www.facebook.com/abrafrigo/

abrafrigo

Leave Comment