CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 509 DE 09 DE MAIO DE 2017

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Ano 3 | nº 50909 de maio de 2017

 

NOTÍCIAS

Preços do boi gordo reagem no mercado interno, diz Agência Safras

O mercado de boi gordo teve reação nos preços na primeira semana de maio. “É importante ressaltar que esse movimento se tornou mais discreto do que o esperado, levando em conta que os frigoríficos conseguiram uma boa frente em suas escalas de abate, salvo uma ou outra exceção”, aponta o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias

Segundo ele, os pecuaristas ainda conseguem reter os animais nas pastagens. “Entretanto o clima frio e seco deve alterar esse quadro entre os meses de maio e junho, levando a uma situação de maior oferta no mercado interno”, diz. A média de preços da arroba do boi gordo nas principais praças de comercialização ficou assim na primeira semana de maio.
São Paulo – R$ 139,00 a arroba, contra R$ 139,84 em abril.
Goiás – R$ 126,00, contra R$ 125,50.
Minas Gerais – R$ 135,00, contra R$ 131,31 a arroba.
Mato Grosso do Sul – R$ 131,00, contra R$ 129,88 a arroba.
Mato Grosso – R$ 129,00, contra R$ 122,84 a arroba.
As exportações de carne bovina “in natura” do Brasil renderam US$ 292,6 milhões em abril (18 dias úteis), com média diária de US$ 16,3 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 70,2 mil toneladas, com média diária de 3,9 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.168,20. Na comparação com março, houve perda de 7,3% no valor médio diário da exportação, baixa de 8,7% na quantidade média diária exportada e ganho de 1,4% no preço médio. Na comparação com abril de 2016, houve perda de 4,1% no valor médio diário, baixa de 9,9% na quantidade média diária e valorização de 6,4% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Agência Safras 

Compra de animais e frigoríficos escalados justificam pressão sobre @

Dia das mães pode até estimular consumo de carne, mas pesquisa da Agrifatto mostra que não existe correlação de vendas com movimento de alta nos preços da arroba nesse período

As escalas de abate estão confortáveis e o cenário é baixista no mercado do boi gordo. A análise é da consultora Lygia Pimentel, da Agrifatto. Após todas as reviravoltas da operação Carne Fraca, os negócios com a arroba do boi gordo parecem retornar à normalidade. As chuvas ainda beneficiam as pastagens, mas a chega do frio colabora com a entrega dos animais. Segundo Pimentel, há maior facilidade na compra de boiadas e os frigoríficos estão escalados até 25 de maio, na média. Por outro lado, a demanda interna e externa segue a passos lentos, reduzindo a necessidade de formação de estoques. Nem mesmo a proximidade com o feriado de Dia das Mães poderia impulsionar – ainda que pontualmente – os preços da arroba bovina. Uma pesquisa realizada pela Agrifatto, apontou baixa correlação entre o período do Dia das Mães e valorizações nos preços médios do boi gordo. Da mesma forma, as exportações de carne bovina caíram significativamente em abril. Ainda refletindo as inseguranças quando a operação da Polícia Federal, Lygia diz acreditar que os prejuízos deverão ser diluídos nos próximos meses, comprometendo o resultado dos embarques em 2017. Por todas essas razões, “não é esperada valorização da arroba, principalmente considerando que maio é o fundo da safra”, diz Pimentel. Vale lembrar que “temos uma condição muito especial nesse ano, que é a consequência da redução no volume de confinamento em 2016. Isso significa mais animais no pasto, e as pastagens estão pressionadas”, acrescenta. Para a consultora é muito provável que o período efetivo da seca promova quedas na arroba.

Notícias Agrícolas

Mercado do boi gordo com baixa movimentação

Foram poucas as movimentações no mercado do boi gordo, cenário típico de segunda-feira

Algumas indústrias ainda aguardavam fora do mercado para traçarem suas estratégias de compra para a semana. É fato que na semana passada houve melhora na oferta de animais na maioria das praças pesquisadas pela Scot Consultoria. Este cenário garantiu “folga” nas escalas e aumento dos estoques nos frigoríficos. Com isso, em alguns casos foi possível observar ofertas abaixo da referência, situação que era pouco comum na última semana. O mercado atacadista de carne com osso ficou estável. O boi casado de animais castrados ficou cotado em R$9,47/kg. A proximidade do feriado de Dia das Mães pode garantir aumento no consumo e de certa forma firmeza para este mercado no curto prazo.

SCOT CONSULTORIA

MP pode reduzir alíquota do Funrural para 1,8% do valor da produção

­O Ministério da Fazenda estuda editar, ainda esta semana, uma Medida Provisória que poderá reduzir de 2,1% para 1,8% a alíquota do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) incidente sobre a comercialização da produção dos agricultores do país

Amanhã, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve receber ruralistas e dirigentes de entidades do setor para tratar de detalhes dessa MP — que poderá estabelecer regras para pagamentos do passado e do futuro relacionados ao Funrural. Apesar de a Fazenda estar limitada por restrições fiscais, essa MP funcionaria como uma espécie de Refis e serviria como base para a renegociação, com perdão de multas e juros, de cerca de R$ 10 bilhões, valor estimado pela Receita Federal das dívidas existentes com o Funrural. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional o Funrural, cuja alíquota está fixada atualmente em 2,1% da produção. A decisão gerou forte reação contrária do setor do agronegócio, já que milhares de produtores não pagavam o Funrural há anos, sustentados por liminares que questionavam a constitucionalidade da contribuição na Justiça. “Na última reunião que tivemos na Receita, propomos que os produtores que estão em dia com o Funrural passem a pagar 1,8%, enquanto aqueles que devem alguma coisa passariam a pagar 2% até quitar suas dívidas e só depois também começariam a pagar 1,8%”, disse ao Valor o deputado Marcos Montes (PSD­MG), um dos parlamentares da bancada ruralista que participam das negociações com o governo. Montes adiante, no entanto, que após quitados todos os passivos dos produtores, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pensa em propor a extinção do Funrural e a criação de um outro imposto, que poderia incidir sobre a folha de salários dos trabalhadores rurais. Em geral, produtores de culturas intensivas em mão-­de-­obra como café e hortifrutigranjeiros, por exemplo, defendem a manutenção do Funrural. Já quem cultiva lavouras com alto grau de mecanização, como soja, milho e arroz, querem justamente que o Funrural seja substituído esse novo imposto incidente sobre a folha. Em reunião na semana passada com ruralistas e representantes dos produtores, o Secretário­ Geral da Receita, Jorge Rachid, foi categórico em negar qualquer possibilidade de perdão das dívidas devidas dos produtores nas tratativas atuais. É também improvável que a Receita aceite a proposta de substituição, no futuro, do Funrural por uma contribuição incidente sobre a folha salarial.

VALOR ECONÔMICO

Real e ‘Carne Fraca’ fazem lucro da Minerva desabar

A apreciação do real e os reflexos da Operação Carne Fraca derrubaram o resultado da Minerva Foods, terceira maior empresa de carne bovina do Brasil, no primeiro trimestre.

No período, a empresa registrou lucro líquido de R$ 2,5 milhões, 94,7% abaixo dos R$ 46,3 milhões do primeiro trimestre do ano passado. “Esses dois fatos tornaram o trimestre extremamente desafiador”, admitiu o Diretor Financeiro da Minerva, Edison Ticle. No primeiro trimestre, o real se valorizou 24,1% sobre o dólar ante o mesmo período de 2016. “Obviamente, isso afetou tanto a receita quanto a rentabilidade das exportações”. A Minerva obtém em torno de 60% de suas vendas na exportação. Nesse cenário, a receita líquida da empresa caiu 8,4% no trimestre, somando R$ 2,141 bilhões. Entre janeiro e março, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Minerva caiu 21,5% na comparação anual, para R$ 197,6 milhões. Com isso, a margem Ebitda caiu 1,6 ponto, de 10,8% para 9,2%. A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março, também atrapalhou a Minerva. Em meio aos diversos embargos temporários às carnes brasileiras ­ a maior parte deles já revertido ­, a companhia segurou estoques porque, no auge da crise, a extensão dos embargos ainda não estava clara, afirmou Ticle. “Passamos o fim do trimestre com estoque aguardando no porto até ter uma definição mais clara”, disse. O risco a ser evitado, explicou, era embarcar um produto que, ao chegar no país de destino, não poderia desembarcar. A estratégia consumiu capital de giro. No terceiro trimestre, a necessidade de capital de giro da Minerva aumentou em R$ 40 milhões. Além do carregamento de estoques, o aumento do uso de capital de giro decorre de outro efeito colateral da Carne Fraca: os pecuaristas só queriam vender boi gordo à vista. A despeito dos “extremos desafios” do primeiro trimestre, a avaliação é que houve uma reversão quase total dos embargos decorrentes da Carne Fraca ao longo de abril, disse o Presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz. A expectativa do empresário é que as exportações voltem à plena normalidade em maio e, com isso, haja crescimento dos embarques. Além disso, ressaltou Galletti, há outro fator positivo. “Está evidente que o ciclo da pecuária virou”, disse, referindo-­se à maior oferta de boi. A expectativa é de que isso se traduza em preços mais baixos da arroba ao longo de 2017, o que deve significar alívio nos custos. Em geral, o boi gordo representa em torno de 80% dos custos de produção dos frigoríficos. No mercado externo, também há aumento do preço em dólar da carne bovina exportada pelo Brasil, o que ajuda a atenuar a valorização do real. Galletti disse ainda que, diante do preço mais alto da carne bovina americana e da escassez de boi na Austrália, o Brasil fica mais competitivo na exportação. No front doméstico, a perspectiva também é de recuperação da demanda no segundo semestre. Nesse cenário, a expectativa é de melhora nos resultados da empresa a ponto de reduzir o índice de alavancagem. No fim de março, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em 12 meses da Minerva estava em 3,8 vezes, acima do índice de 3,4 vezes de dezembro de 2016. Segundo Ticle, o cenário positivo para o restante de 2017 deve fazer com que o índice retorne ao patamar do primeiro trimestre de 2016 ­ de 2,9 vezes.

VALOR ECONÔMICO

Mercado do sebo estável na semana

A oferta ajustada à demanda mantém os preços do sebo andando de lado, tanto no Brasil Central quanto no Rio Grande do Sul

Segundo levantamento da Scot Consultoria, no Brasil Central a gordura animal está cotada em R$1,95/kg. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 18,8%, considerando valores nominais. No Rio Grande do Sul o produto está cotado em R$2,10/kg. O ritmo de desvalorização do óleo de soja diminuiu, o que colabora com a estabilidade no mercado do sebo, uma vez que a gordura animal é utilizada na produção de biodiesel como substituto do óleo. Para curto e médio prazos a perspectiva é de que os preços continuem andando de lado.

SCOT CONSULTORIA

Falta de material para detectar doenças ameaça produção de carne e leite no Brasil

Kits de diagnóstico de brucelose e tuberculose animal pararam de ser produzidos por instituto paranaense em dezembro e estoques começam a diminuir

O principal laboratório nacional de produção de kits de diagnósticos de brucelose e tuberculose bovina e aviária está “interditado” desde dezembro e põe em risco a qualidade da carne e leite do Brasil. A fabricação era feita no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que, até 2016, era responsável por fornecer 90% da demanda nacional de mais de 10 milhões de kits diagnósticos disponibilizados por ano. Após auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro passado, o Tecpar teve de parar a fabricação dos kits antes do fim do ano. “O relatório constatou não conformidades no laboratório. Enviamos uma carta ao Ministro [Blairo Maggi] e pedimos ajuda para mobilizar recursos”, explica o Diretor Presidente do Tecpar, Júlio Cesar Félix. O custo de adequação gira em torno de R$ 3 milhões e é preciso uma licitação para as reformas. Confirme estimativa do Tecpar, a fabricação somente deve ser normalizada entre seis meses e um ano após aprovada a concorrência. Apesar disso, segundo o diretor, esse financiamento não caberia ao estado do Paraná porque a produção é feita a preço de custo para todo o território nacional. Por sua vez, o Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários (DFIP) do Mapa informou que está realizando importações emergenciais do Uruguai e conta com fabricação de outros laboratórios nacionais. Desde dezembro, [quase] tudo em relação à produção desses dois antígenos (nome técnico do diagnóstico) está paralisado no laboratório do Tecpar. “Neste momento, temos produtos envasados e outros a envasar”, afirma Félix. Ele estima que o atual estoque no mercado e essa nova distribuição, que ainda precisa ser liberada pelo ministério, são suficientes para abastecer o país até o final do ano. Produtor de bovinos e presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação de Agricultura do Paraná (FAEP), o médico veterinário Ronei Volpi faz um alerta: “se o caso não for solucionado, a consequência é a probabilidade de, entre 60 e 90 dias, serem interrompidos os programas de combate [à tuberculose e à brucelose] no país”, afirma. Além do Tecpar, apenas o Instituto Biológico de São Paulo fabrica esses antígenos no Brasil. Com esse cenário, pode haver falta do produto em dois meses, conforme revelou uma fonte ligada à área de sanidade animal, que prefere manter anonimato. Luciana Faria de Oliveira, fiscal agropecuária e médica veterinária do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) diz que desde antes de 2016 já havia oscilação na disponibilidade do produto. Mas foi a partir do fim do ano passado que a situação se tornou crítica. “Com a impossibilidade de produção pelo Tecpar, a dificuldade se deu pela sobrecarga do Instituto Biológico (IB) para produção para todo o Brasil”, completa. Atualmente, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) possui 24 estabelecimentos credenciados para a venda dos dois tipos de antígenos. Quatro foram contatados pela reportagem e todos revelaram estar com estoque baixo ou sem o produto no momento. “A ausência poderia prejudicar o controle das doenças de brucelose e tuberculose”, comenta Rafael Gonçalves Dias, fiscal da Adapar. Tuberculose e brucelose são enfermidades que ameaçam não apenas os animais. “Além de comprometer a qualidade do rebanho, são transmissíveis ao ser humano. [Um surto] seria um retrocesso, pois afeta a qualidade do leite e da carne”, comenta Rafael Dias, fiscal da Adapar. Tanto a tuberculose quanto a brucelose podem ser transmitidas a pessoas por leite e derivados não pasteurizados, por exemplo, e pela convivência com animais doentes. A principal fonte de contaminação da brucelose é pelo contato direto com líquidos e secreções de animais. O último surto no Paraná aconteceu em Paiçandu, quando 33 funcionários de um frigorífico foram infectados. Em 2014, 55 casos em humanos foram confirmados no estado contra 75 em 2015. Já em 2016, cerca de 100 casos foram informados à Secretaria de Estado da Saúde. Se por um lado o diagnóstico das doenças de tuberculose e brucelose está comprometido, a vacinação está normal, segundo o Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários (DFIP) do Ministério da Agricultura. Anualmente, todas as fêmeas bovinas entre três e oito meses de idade devem ser vacinadas contra a brucelose, segundo instrução normativa de 2016 do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Para tuberculose, contudo, ainda não existe uma vacina.

AGROLINK

Em Minas Gerais poder de compra do recriador diminuiu nos primeiros meses de 2017

Apesar das consecutivas quedas nas cotações dos animais de reposição, o poder de compra do recriador/invernista diminuiu nos primeiros meses de 2017 em Minas Gerais

Quando analisamos a variação anual, o preço de todas categorias de reposição pesquisadas pela Scot Consultoria teve retração média de 14,0% no estado. Para o boi gordo o recuo foi de 5,9%. Comparando os preços atuais com os do início do ano, a situação é oposta. A queda dos preços dos animais de reposição foi inferior ao recuo do boi gordo: 4,4% frente a 7,8%. Diante dessa conjuntura, percebe-se que o poder de compra do recriador/invernista piorou. A relação de troca, que anteriormente era favorável para esses pecuaristas, recentemente perdeu força. Destaque para relação de troca com o boi magro (12@). Atualmente, com preço de venda de um boi gordo (16,5@) é possível comprar 1,32 boi magro. No início do ano a relação estava em 1,39, piora de 5,2% no poder de compra. Entretanto, comparando com o mesmo período do ano passado, a relação de troca ficou 7,5% mais favorável para o invernista, uma vez que em mai/16 comprava-se 1,23 boi magro.

SCOT CONSULTORIA

 

Em SP, arroba do boi tem maior variação de preço

Há negócios sendo realizados por valores que vão de R$ 138 a R$ 141

Nas demais regiões pesquisadas pela Scot, a diferença girou em torno de R$ 1 O mercado do boi gordo está firme, com apenas ajustes pontuais nos preços. O nível de especulação é baixo. As ofertas de compra variam, quase sempre, em R$ 1 por arroba a mais ou a menos em relação à referência. As informações são da Scot Consultoria. São Paulo talvez apresente a maior amplitude entra as ofertas maiores e menores. Ao mesmo tempo em que há negócios sendo realizados por R$ 141 por arroba à vista, já descontado o Funrural, há quem oferte R$ 138 à vista, para descontar o imposto. De forma geral, por enquanto, não há indícios do comportamento sazonal de maio, quando os preços caem, indicando o final da safra de capim. O prolongamento das chuvas em grande parte do país é o responsável por isso. Em quase todas as praças, a compra de matéria-prima não ocorre com facilidade. Ao mesmo tempo, embora a semana tenha sido de melhora nas vendas de carne, com altas registradas no mercado sem osso, a composição das escalas das indústrias é feita com cautela. Mas isso não configura um cenário altista aos preços da arroba.

CANAL RURAL

 

Intenção de confinamento deve cair 7% este ano

Quedas no preço do milho e boi magro não têm sido suficientes para segurar o investimento. Incertezas quanto ao mercado futuro preocupam o produtor

As incertezas do mercado e os vestígios da Operação Carne Fraca estão influenciando na decisão dos pecuaristas sobre confinamento este ano. O primeiro levantamento aponta queda de 7% na intenção de confinar em 2017 em comparação com o mesmo período de 2016. Este ano, 701,8 mil animais devem ser confinados e em abril do ano passado a intenção era confinar 755 mil animais. O mercado do boi gordo passa por um momento de recuperação de preços depois de uma desvalorização em consequência dos desdobramentos da Operação Carne Fraca. O preço da arroba do boi gordo está 5,4% menor neste período do ano em comparação com igual período do ano passado, passando de R$ 132,19 para R$ 124,67 à vista para desconto do Funrural. No começo de abril, o percentual de desvalorização da arroba chegou a 10%. Os bezerros amargam queda ainda maior, o animal custava R$ 1.316,07 em média em abril de 2016 e este ano está R$ 1.116,43, 15% mais barato. Com isso, mais fêmeas estão sendo abatidas e a participação delas passou de 38,9% para 50% do total de animais. De acordo como Diretor-Executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, parte deste cenário é consequência dos desdobramentos da Operação Carne Fraca, que abriu portas para que as indústrias frigoríficas manipulassem o mercado para derrubar os preços. “Vemos que a operação foi utilizada pelos frigoríficos para intervenção no mercado. Mesmo sem redução nas exportações e estabilidade nas vendas internas, plantas foram fechadas temporariamente causando impacto direto no valor da arroba do boi”. Com isso, fatores que deveriam contribuir para estimular os produtores não tiveram peso suficiente, até o momento, na tomada de decisão. A queda de 35% no preço do milho, principal insumo no cocho, e de 13% no boi magro deveria estimular o confinamento, mas as incertezas sobre o mercado futuro estão superando o baixo custo. “Estamos vendo que mesmo com as boas condições de preços dos insumos, o pecuarista está cauteloso. A queda da arroba e a instabilidade na escala de abate estão segurando o produtor na hora de decidir”, explica Vacari. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), dos 701 mil animais estimados para o confinamento, 52% já foram adquiridos, que representa cerca de 360 mil animais. O primeiro levantamento de 2016 apontou intenção de confinar 755,5 mil animais e o resultado final foi de 615,8 mil, uma frustração de 18%. Caso a mesma proporcionalidade seja aplicada, Mato Grosso pode fechar o ano com 594 mil animais confinados.

Acrimat

 

Prontos para o contra-ataque

Depois do impacto negativo do tsunami provocado pela operação carne fraca, as associações que representam a cadeia da proteína animal começam a unificar o discurso do agronegócio

“É preciso estancar essa história, que não reflete o setor de carnes, para não deixar o Brasil sangrar”, afirma Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), referindo-se à Operação Carne Fraca, que não será facilmente esquecida. No ano passado, a carne de frango respondeu por exportações de US$ 6,8 bilhões, a partir de 4,4 milhões de toneladas embarcadas. Com os suínos, a renda foi de R$ 1,5 bilhão para 720,1 mil toneladas vendidas. Representantes das três cadeias afetadas pela operação da Polícia Federal fizeram coro com as demais entidades do setor, como a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e suas federações Estaduais, a Associação Brasileira de Agribussines (Abag), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), para ficar nas mais conhecidas. “Também precisamos mostrar para a nossa população que nós produtores somos as grandes vítimas disso tudo”, diz João Martins, Presidente da CNA. As manifestações mostraram o que há muito tempo não se via no setor: uma voz em uníssono. Nos últimos anos, todas as tentativas de unificar os discursos das entidades do agronegócio não prosperaram por falta de sintonia de interesses, embora eles existam aos montes, como na logística, em segurança jurídica, acesso à terra, leis trabalhistas, entre outros temas. Agora, pressionados pelos acontecimentos provocados pela Operação Carne Fraca, o cenário é outro. Para o professor José Luiz Tejon Megido, coordenador acadêmico da pós-graduação e do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), as crises mudam pessoas e cenários para pior ou para melhor. Assim, está colocada hoje uma oportunidade para que as cadeias orquestrem seus discursos de forma mais organizada daqui para a frente. “É preciso não se esquecer que o conceito de agribusiness não é a compra e a venda de algo e, sim, a coordenação e a gestão da cadeia produtiva”, afirma Tejon. “Quem mais está assumindo a pancada da Operação Carne Fraca ainda é a produção”. Não por acaso, Turra já começa a assumir a possibilidade de ações conjuntas futuras. Para Turra há uma grande tarefa conjunta das entidades para reverter o estrago. “Vamos ter de mostrar que as restrições à importação de nossos produtos são um retrocesso de muitos anos”, disse Turra.

DINHEIRO RURAL

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