Ano 3 | nº 482| 28 de Março de 2017
NOTÍCIAS
Análises já feitas em carne descartam problemas para saúde humana
Garantia foi dada pelo ministro Blairo Maggi em balanço da força-tarefa que envolveu 250 auditores fiscais e agentes de inspeção do Mapa
Em balanço da força-tarefa realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nos últimos dez dias, após a deflagração da Operação Carne Fraca, o Ministro Blairo Maggi afastou, por ora, que problemas apontados pela Polícia Federal na investigação de frigoríficos impliquem risco ao consumo humano. Irregularidades encontradas em 12 laudos concluídos revelam, sim, fraudes econômicas, como quantidade de água acima do permitido no frango e, amido, também fora do padrão, em salsicha. “Das amostras analisadas, não há nenhuma anormalidade que possa fazer mal à saúde humana”, garantiu o Ministro. A força-tarefa contou com equipe de 250 servidores, entre auditores fiscais, agentes de inspeção e de atividades agropecuárias, nos 21 estabelecimentos citados na operação. “Todas tiveram investigação extra”, explicou o ministro. Cada equipe verificou registros de controle de fabricação, de matéria-prima e interrogou funcionários, além de avaliar as condições de higiene. Uma das empresas que produz ração animal estava utilizando subprodutos com data de validade vencida. “Então, interditamos”, informou. No mesmo dia da operação, em 17 de março, haviam sido interditados, por precaução, pelo Mapa, estabelecimentos da BRF, em Mineiros (GO), da Peccin Agro Industrial, em Curitiba (PR), e em Jaraguá do Sul (SC). Os laudos prontos se referem a essas três plantas frigoríficas. Depois, entre os citados, mais três sofreram interdição preventiva, por falhas no controle de fabricação: Souza Ramos, em Colombo (PR), Laticínios SSPMA, em Sapopema (PR) e Farinha de Carnes Castro, em Castro (PR). A coleta foi além do local de produção dos estabelecimentos auditados, se estendendo ao varejo, onde foram retiradas 174 amostras de produtos fabricados pelas empresas em 22 estados da federação. Os resultados finais serão conhecidos em até duas semanas. Blairo Maggi destacou, que é importante restabelecer a confiança do consumidor brasileiro e também do mercado externo, que tem recebido todas as informações solicitadas. Lembrou que as empresas investigadas não têm recebido certificado de exportação, o que dá mais garantia aos compradores de fora do país. “Nossa imagem foi muito atacada e a gente não pode esquecer que concorrentes querem que mercados sejam abertos para eles”, observou. Ainda nesta segunda-feira (27), técnicos do ministério têm uma teleconferência com autoridades de Hong Kong, um mercado importante que distribui produtos para vários países do Oriente, lembrou Maggi. O ministro reuniu-se com os 27 superintendentes regionais do Mapa para alinhar procedimentos e alertar para que todos se mantenham “atentos” à investigação em curso, utilizando, na medida das suas necessidades, toda a estrutura em Brasília, como a corregedoria. Nesta terça-feira (28), Maggi recebe o comissário para Saúde e Segurança Alimentar da União Europeia, Vytenis Andriukaitis. A agenda já estava marcada, desde antes da operação, mas será, segundo ele, uma oportunidade de esclarecer tudo o que for necessário. “É um momento que deve ser aproveitado”, afirmou.
MAPA
Exportação de carne do Brasil perde ritmo na 4ª semana de março, após Carne Fraca
Com queda de 19 por cento em relação ao valor registrado, na média diária, até a terceira semana de março
As exportações de carnes do Brasil na quarta semana de março atingiram 50,5 milhões de dólares em média diária, com queda de 19 por cento em relação ao valor registrado, na média diária, até a terceira semana de março (62,2 milhões de dólares), em período em que os embarques do país foram afetados pelos efeitos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Já a média diária de exportações do mês de março, que teve 18 dias úteis até a quarta semana, foi de 59 milhões de dólares, o que representa um aumento de 7,1 por cento na comparação com a média diária de março do ano passado (55 milhões de dólares) e uma redução de 3,7 por cento ante fevereiro deste ano (61,3 milhões de dólares/diários), de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgados na segunda-feira.
REUTERS
Ainda é baixa a movimentação no mercado do boi gordo
Os negócios ainda acontecem de forma lenta no mercado do boi gordo
De maneira geral, os frigoríficos ainda estão fora das compras, aguardando um cenário mais claro, principalmente quanto às exportações, após a operação “Carne Fraca”. Já aqueles que voltaram às compras, negociam de maneira comedida, mantendo as escalas curtas e os estoques enxutos. Além disso, alguns frigoríficos estão pulando dias de abate. Tentativas de compra abaixo da referência são comuns em todo o país. Em São Paulo, algumas indústrias oferecem até R$5,00/@ abaixo da referência, entretanto, possuem dificuldade em fechar os negócios. No estado, as escalas de abate giram em torno de três dias. Assim como na última semana, a dica ainda é de cautela nas negociações. Alguns importantes compradores voltaram às compras, o que deve colaborar com um cenário menos incerto.
SCOT CONSULTORIA
Consumo de carne vai normalizando em SP
Secretário da Agricultura do Estado, Arnaldo Jardim comentou os reflexos da Operação Carne Fraca
O Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou que o consumo de carnes está voltando ao normal no Estado, após o que ele chamou de “susto inicial” com a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Ele afirmou que houve uma retração na demanda no início da semana passada, mas que isso já foi normalizado, sem citar dados, porém. “Estamos em contato sistemático com o varejo e associações e já houve uma retomada dos níveis de consumo”, disse ele a jornalistas, durante a cerimônia de posse da nova diretoria da Sociedade Rural Brasileira (SRB) em São Paulo, nesta segunda-feira, 27. Ainda sobre a operação da Polícia Federal, Jardim criticou supostas tentativas de participantes em levar vantagens comerciais na operação. “Redução de abate, retenção de gado, qualquer coisa do tipo sem uma explicação plausível. Estamos dispostos a identificar isso”, disse. Ele comentou especulações de mercado sobre países importadores que teriam usado o episódio para tentar barganha preços da carne brasileira. “Isso seria o máximo de oportunismo”, disse.
ESTADÃO CONTEÚDO
Maggi se dispôs a atestar produtos de frigoríficos que estão fora de investigação
Medida atende a pedido de produtores para garantir acesso a mercados externos. Blairo Maggi explicou em reunião com empresários que prioridade é assegurar espaço que país já tem nos mercados
Frigoríficos que não são citados nas investigações sobre irregularidades na produção de carnes vão receber do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, quando solicitarem, ofícios atestando que não têm qualquer relação com o caso, a fim de que possam enviá-los a importadores. O compromisso de emitir os documentos foi assumido pelo Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), na segunda-feira (27), durante reunião do Conselho de Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. No encontro, empresários da agroindústria contaram que enfrentam dificuldades para exportar carnes e derivados porque há importadores exigindo essa garantia de qualidade dos produtos. Por isso, pediram a emissão de ofícios pelo Mapa, e o ministro se dispôs a assiná-los sempre que solicitado. Maggi antecipou aos empresários que, nesta quarta-feira (29), o Presidente Michel Temer deverá assinar o decreto de atualização do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). “O Riispoa tem 65 anos e contém exigências que já não fazem mais sentido”. O Ministro também ressaltou que este é o momento de “segurar” os mercados internacionais das carnes brasileiras. Quando passar essa fase, provocada pela investigação da Polícia Federal, Maggi quer promover missões aos países compradores, juntamente com empresas e associações do setor. “Vamos viajar para comprovar ao mundo a qualidade da carne brasileira”. O Mapa, observou o Ministro, vinha desenvolvendo estratégia de elevar de 7% para 10% a participação do Brasil no comércio agrícola global. Com os problemas criados pela investigação, acrescentou, o Ministério da Agricultura trabalha, agora, para não perder espaço no comércio internacional de carnes. “O fato de conseguirmos manter o mercado aberto, não significa que teremos o mesmo volume de vendas’, afirmou Maggi. Segundo ele, há o risco de o Brasil perder espaço se não for feito um trabalho intenso. De acordo com o ministro, embora o país tenha conseguido reverter a situação com a China e de não ter tido perdas maiores com a União Europeia, os mercados ainda têm muitas dúvidas, que estão sendo esclarecidas pelo Mapa.
MAPA
Mais cinco países anunciam barreiras às carnes brasileiras
A Pasta também confirmou que a União Europeia ampliou sua barreira de quatro para todos os 21 estabelecimentos sob suspeita
O Ministério da Agricultura acaba de informar que mais cinco países — Peru, Bahrein, Marrocos, Santa Lúcia e Zimbábue — também anunciaram suspensões temporárias e parciais das compras de carnes brasileiras por conta de irregularidades apuradas pelo Polícia Federal no âmbito da Operação Carne Fraca. A Pasta também confirmou que a União Europeia ampliou sua barreira de quatro para todos os 21 estabelecimentos sob suspeita. De acordo com o ministério, o Peru comunicou no fim de semana a suspensão temporária de dois frigoríficos investigados e que deixará de habilitar novas plantas brasileiras pelos próximos 180 dias. O Bahrein, por sua vez, comunicou a suspensão temporária de quatro das 21 plantas que estão sendo investigadas. Já Marrocos e Zimbábue impuseram embargos temporários a todas as importações de carnes do Brasil. Santa Lúcia, finalmente, comunicou a suspensão temporária e o recall de todas as carnes processadas brasileiras. Um dos mais importantes compradores de carne do Brasil, o Irã pediu hoje informações ao Ministério da Agricultura sobre a qualidade das carnes produzidas no Brasil.
VALOR ECONÔMICO
Ministério interdita o 6º estabelecimento após a Operação Carne Fraca
A pasta também corrigiu a informação dada ontem cedo de que uma planta da empresa Transmeat, de Balsa Nova (PR), estava interditada
O Ministério da Agricultura informou ontem à tarde que já são seis os estabelecimentos interditados por conta de irregularidades apontadas pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca. A pasta também corrigiu a informação dada ontem cedo de que uma planta da empresa Transmeat, de Balsa Nova (PR), estava interditada. Na verdade, a empresa só está tendo que fazer recall de suas carnes, retificou o Ministério. Hoje pela tarde, foram anunciadas mais duas plantas, dentre as 21 investigadas, que foram interditadas, mas não se tratam de frigoríficos: uma da Laticínios SSPMA, de Sapopemba (PR), e uma da Farinha de Carnes Castro, de Castro, também no interior paranaense. Essas duas plantas se juntam a quatro frigoríficos interditados: uma unidade da BRF, em Mineiros (GO) e duas da Peccin, em Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC), como divulgado desde a deflagração da operação na sexta-feira, 17; e uma da Souza Ramos, em Colombo (PR), divulgada ontem cedo. De acordo com o Secretário de Defesa Agropecuária, Luís Eduardo Rangel, todas essas unidades industriais foram interditadas “de forma preventiva por não possuírem controle do processo de fabricação”.
VALOR ECONÔMICO
Impactos da Operação Carne Fraca serão debatidos em duas comissões
As duas audiências permitem a participação popular, com comentários e perguntas
Duas comissões permanentes do Senado realizam nesta semana audiências públicas com produtores, trabalhadores e autoridades sobre os impactos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deflagrada no último dia 17, e as medidas que estão sendo tomadas. Na terça-feira (28), a partir das 9h, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) reúne representantes da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, do Ministério da Agricultura e da Procuradoria Geral da República. Também foram convidados, entre outros, representantes da Associação Brasileira de Frigoríficos, do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários, da Confederação Democrática dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação, do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal e da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação. O requerimento para o debate é do senador Paulo Paim (PT-RS). Na quarta-feira (29), a partir das 14h, o debate será na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A Senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM), que solicitou a audiência pública, quer aprofundar as discussões sobre o impacto deletério à imagem do Brasil perante a comunidade internacional e os consequentes efeitos econômicos da operação Carne Fraca. A Senadora lembra que o Brasil exerce protagonismo no mercado pecuário internacional, figurando entre os maiores exportadores de proteína animal, fatores que movimentam nossa economia e geram milhares de empregos diretos e indiretos. As duas audiências permitem a participação popular, com comentários e perguntas, por meio do portal e-Cidadania ou do Alô Senado (0800612211).
Preço da carne brasileira exportada sobe após operação
Os temores de que o preço da carne brasileira cairia após a operação deflagrada pela PF não se confirmaram
A redução da oferta com a presença menor do Brasil no mercado externo acabou pesando, e os preços subiram na semana passada. A alta, embora pequena, ocorreu nas carnes de frango e suína. A bovina ficou estável. Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e se referem às carnes exportadas no período. Os dados apontam também que a carne bovina foi a mais afetada nesta crise gerada pela Operação Carne Fraca. As exportações da carne bovina na semana de 19 a 26 do mês recuaram para US$ 69,3 milhões, 41,5% menos do que as de 13 a 19 deste mês. Já o volume caiu para 18 mil toneladas, 41% menos no período. O preço médio da carne de frango registrado pela Secex nas exportações brasileiras atingiu US$ 1.676 por tonelada no acumulado das quatro primeiras semanas do mês; o da suína, US$ 2.493. O aumento médio, nos dois casos, foi de 1%. Já o da bovina se manteve em US$ 4.092 por tonelada. A tendência de preço das carnes no mercado externo é de alta, segundo Francisco Turra, Presidente-Executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
FOLHA DE SP
Embargos em Hong Kong e Catar ainda preocupam exportadores de carnes
Hong Kong sozinho representou 1,6 bilhão de dólares em faturamento nas exportações de carnes do Brasil em 2016
Os embargos temporários impostos por Hong Kong e Catar às carnes brasileiras são os principais problemas enfrentados neste momento por exportadores de aves e suínos do Brasil, disse na segunda-feira a associação que representa as indústrias, 10 dias após a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. “O que nos deixa ainda aflitos, e onde a gente espera que aconteça um entendimento em breve, é em Hong Kong e Catar. São dois grandes compradores”, disse à Reuters o Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra. Hong Kong sozinho representou 1,6 bilhão de dólares em faturamento nas exportações de carnes do Brasil em 2016, segundo dados do governo federal. Desde o anúncio da Polícia Federal, que encontrou irregularidades na liberação de produtos em alguns frigoríficos do país, com indícios de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e funcionários das empresas, 35 países anunciaram algum tipo de medida preventiva. Logo no início, restrições amplas impostas por China e Hong Kong, principais compradores das proteínas brasileiras, foram as que mais impactaram o setor, junto com cortes parciais pela União Europeia e outros importantes mercados como Japão e Arábia Saudita. No fim de semana, os empresários comemoraram o recuo da China e do Egito, após fortes negociações feitas pelo governo brasileiro e por entidades do setor. “Nesse momento estou bem mais aliviado. Está contando muito o fato do Brasil ter demonstrado historicamente uma boa condição sanitária. Nunca teve gripe aviária e pestes suínas”, disse Turra, referindo-se às notícias mais recentes. União Europeia, Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes são exemplos de países que proibiram a entrada de carnes apenas de unidades envolvidas na investigação da Polícia Federal, que representam uma pequena fração do total de abatedouros no país habilitados para exportar. Apesar disso, os impactos foram sentidos pelo setor num primeiro momento. As exportações de carnes do Brasil na quarta semana de março atingiram 50,5 milhões de dólares em média diária, com queda de 19 por cento em relação ao valor registrado, na média diária, até a terceira semana do mês (62,2 milhões de dólares), segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgados nesta segunda-feira. No caso de Hong Kong e Catar, e também de outros destinos como Argélia e México, que mantêm barreiras generalizadas, a ABPA estima que uma solução seja encontrada em breve. “A gente sabe, por nossos agentes lá fora e pelo nosso Ministério da Agricultura, que faltam poucos esclarecimentos”, disse Turra, apostando que a comunicação entre autoridades, com garantias de qualidade dos produtos brasileiros, poderá reabrir o comércio com esses países. Ao todo, segundo o Ministério da Agricultura, há 14 países com restrições mais amplas que os 21 abatedouros citados na Operação Carne Fraca. A posição do Brasil como grande fornecedor global de carne de frango e bovina, e de um exportador relevante de carne suína, também faz com que os compradores avaliem com cuidado qualquer manutenção de embargo. Turra lembrou que 37 por cento de todo o comércio global de carne de frango é dominado pelo Brasil, que é responsável, por exemplo, por quase metade de todo o consumo desse tipo de proteína no Oriente Médio. “Isso tudo nos ajuda. Não tem alternativa tão fácil (à carne do Brasil)”, disse o executivo. A Coreia do Sul foi um bom exemplo, na avaliação do Diretor Técnico da consultoria IEG FNP, José Vicente Ferraz, lembrando que o país asiático reverteu suas restrições poucos dias depois de anunciá-las. “Três ou quatro dias antes da operação, a Coreia do Sul tinha banido a importação dos Estados Unidos (de carne de frango, por problemas com gripe aviária). Não dá para substituir esses dois. A Coreia do Sul resolveu voltar atrás, acredito, porque observou que o problema no Brasil era muito mais de corrupção do que de qualidade do produto”, disse o analista. Na opinião dos especialistas, neste cenário de dependência da oferta brasileira, há pouco espaço para os importadores realizarem grandes renegociações de preços. “Momentaneamente o Brasil poderia (renegociar), pelo volume de produto que tem ‘no mar’ e no porto, aceitar preços mais baixos. Mas seria tão transitório, e não valeria a pena para os compradores barganharem. Há o interesse de um fornecimento permanente, e a nossa indústria não poderia aceitar preços mais baixos”, disse Turra, argumentando que as fábricas brasileiras já operam com margens apertadas. Ainda assim, a percepção é de que pode haver prejuízos –ainda difíceis de contabilizar– para a reputação do produto brasileiro. “Houve uma depreciação das marcas envolvidas e do conceito ‘Brasil’ de qualidade. Os nossos clientes internacionais estão pedindo esclarecimentos”, ponderou Ferraz.
REUTERS
Aftosa: governo planeja retirada da vacina
Mudança deve ser antecedida da exclusão da imunização contra o vírus tipo C, a fim de reduzir custos. O produto atual, que é trivalente e protege o rebanho dos vírus A, C e O
O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, confirmou na segunda-feira, 27, que o governo vai apresentar um programa de retirada gradual da vacinação de febre aftosa em bovinos, diante da expectativa dele de que o Brasil seja declarado livre de aftosa com vacinação em maio do ano que vem. Maggi frisou, no entanto, que um plano ainda está em elaboração e será discutido “com a sociedade” antes de ser apresentado. Em fevereiro, o governo anunciou a intenção de lançar o plano de retirada gradual da vacinação contra a febre aftosa no país a partir de 2018 e ainda uma mudança na vacina aplicada atualmente, com a exclusão da imunização contra o vírus tipo C, um dos três presentes no medicamento. À época, o Diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques, informou que o governo pretendia autorizar a retirada da vacinação na campanha de novembro de 2018 para cerca de 80 milhões, dos 220 milhões de cabeças do rebanho bovino brasileiro. Maggi confirmou ainda que o governo fará um estudo sobre quais circuitos (Estados e regiões) devem, juntos, pleitear a retirada da vacinação. Atualmente, apenas Santa Catarina é Estado reconhecido como livre de aftosa sem vacinação. Para o reconhecimento de Estados e regiões livres de aftosa pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), como o Estado do Sul, é preciso antes o reconhecimento nacional. Segundo o Ministro, outra medida é assegurar que animais vacinados não entrem em regiões livres de vacinação. Paralelamente, o governo prepara a modificação da vacina aplicada atualmente, com a retirada o vírus tipo C (inativado) da composição do produto. Esse tipo de vírus foi erradicado há mais de 13 anos, não sendo mais necessária a imunização, na avaliação do Ministério da Agricultura. A vacinação com o novo medicamento está prevista para março de 2018, quando ocorre a primeira etapa nacional de imunização. O produto atual, que é trivalente e protege o rebanho dos vírus A, C e O, passaria, a partir do próximo ano, a ser bivalente, contendo apenas as cepas A e O do vírus. Com a nova vacina, o governo prevê redução no custo do transporte, no armazenamento e na conservação das doses, bem como no processo de fabricação, distribuição e comercialização. Também haverá menor gasto com o manejo nas propriedades e menos reações nos animais, como os eventuais caroços no couro, que podem provocar perda de até 2 quilos na preparação dos cortes.
ESTADÃO CONTEÚDO
Com arroba abaixo de R$ 140, pecuaristas seguram bois no pasto
Em todo o Brasil, já são observadas ofertas de compra até R$ 5 a menos, com algumas empresas ofertado no máximo R$ 138 por arroba
Os impactos da operação carne fraca trouxeram preocupação para os pecuaristas, já que os frigoríficos reduziram os abates e a única alternativa é segurar os animais no campo, gerando mais custos. Na visão do Sindicato dos Frigoríficos de São Paulo, como o problema foi generalizado, a recuperação será lenta. “Um problema estadual acabou virando um problema mundial e afetou todo um setor, pois acabou jogando as empresas em uma vala comum, como se todos os frigoríficos usassem produtos contaminados ou desconformes. Isso não é verdade”, disse o Carlos Lorenzo, Diretor Administrativo da Sindicato da Indústria do Frio no Estado de São Paulo (Sindifrio). Depois do boicote de vários países à carne brasileira, o mercado para o pecuarista ainda é incerto. Mais de 20 países já anunciaram restrições à carne brasileira e, na última terça-feira, o país exportou apenas US$ 74 mil, valor bem abaixo da média diária de US$ 63 milhões. “Para a cadeia, de um modo geral, é um impacto bem grande porque as empresas restringem a compra de bovinos e há sobra no pasto. Há impacto também na ração, no milho, na soja e também dos produtos veterinários”, disse Lorenzo. Se a retomada vai ser lenta, os pecuaristas estão preocupados com mais quedas no preço da arroba do boi gordo. Em todo o Brasil, já são observadas ofertas de compra até R$ 5 a menos. Algumas empresas têm ofertado no máximo R$ 138 por arroba do macho terminado. “Quando o mercado ainda não tinha noticia dessa operação, a arroba aqui em São Paulo estava por volta de R$ 149. Agora, os frigoríficos estão ofertando até R$ 139, mas o mercado está completamente sem referência e eu acredito que só aquele produtor com compromissos inadiáveis esteja vendendo a esse preço”, disse o pecuarista Marcelo Catherino, que acredita em uma “inundação” de carne no mercado quando os frigoríficos voltarem a abater.
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