CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1327 DE 24 DE SETEMBRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1327| 24 de setembro de 2020

 

NOTÍCIAS

Maior oferta de bovinos estabiliza o mercado

Em São Paulo, com um maior volume de boiadas confinadas sendo ofertado, as indústrias aproveitaram o momento para compor as escalas de abate sem excessos. Apesar do maior volume de bovinos negociados, as escalas estão ajustadas

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última quarta-feira (23/9), nas praças paulistas, o boi gordo ficou cotado, à vista, em R$250,00/@ preço bruto, R$249,50/@, sem o Senar, e em R$246,50/@, descontado o Senar e Funrural. Os preços ficaram estáveis na comparação diária. Negócios acima desses números foram registrados, mas para atender o mercado externo.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: oferta de animais deve continuar restrita no último trimestre do ano, diz Safras

O cenário é consequência da estiagem prolongada que atrasou o desenvolvimento dos animais a pasto

Os preços do boi gordo continuaram firmes nas principais regiões produtoras do país na quarta-feira, 23. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o cenário no geral apresenta poucas mudanças. “A oferta de animais terminados segue restrita, resultando em uma maior dificuldade na evolução das escalas de abate. A incidência de contratos a termo, tradicional a esse período do ano, é menor de 2020. Importante ressaltar que a oferta de animais de safra será discreta no último trimestre, consequência da estiagem prolongada que atrasou o desenvolvimento dos animais de pasto, que devem estar aptos ao abate apenas no primeiro trimestre de 2021”, assinala. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 254 a arroba, estáveis na comparação com a terça-feira, 22. Em Uberaba, Minas Gerais, a cotação ficou em R$ 252 a arroba, ante R$ 251. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 250 a arroba, inalterados. Em Goiânia, Goiás, o valor indicado foi de R$ 242 a arroba, estável. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço subindo, chegando a R$ 236 a arroba, ante R$ 234 – R$ 235 negociados na terça. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios sugere pela retomada do movimento de alta ao longo da primeira quinzena de outubro, período que conta com a entrada dos salários como motivador da demanda. “As exportações permanecem em bom nível, reiterando a presença da China no mercado, importando volumes substanciais de proteína animal”, diz. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,20 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,25 o quilo, e o corte traseiro seguiu em R$ 18 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Pecuarista lidera intenção de investir em tecnologia entre produtores do Brasil, diz INA

Entre 30 tipos de produtores rurais brasileiros, pecuaristas apareceram como os mais interessados em investir em novas tecnologias para ampliar a produtividade, e mais de 50% dos criadores de gado elencaram a busca do aumento de arrobas por hectare como prioridade, de acordo com estudo realizado pela empresa de pesquisa Inteligência no Agro (INA)

O levantamento feito em julho com quase 500 produtores rurais em todos os Estados do país, indicou que aproximadamente 7% dos entrevistados apontaram como prioridade o investimento em novas tecnologias nos próximos 12 meses. O tema do aumento de produtividade para os pecuaristas, que responderam por mais de 36% dos entrevistados na pesquisa, é tão importante para esta categoria como o pagamento de financiamentos já tomados. Uma parcela também disse que buscará priorizar o processamento da própria produção, assim como a agregação de valor. A pesquisa foi realizada em um momento em que o ganho de produtividade na pecuária é apontado como uma das formas de combater o desmatamento, assunto que tem mobilizado ações de frigoríficos em busca de uma maior sustentabilidade na cadeia produtiva diante da forte pressão internacional. Na pecuária, a busca por maior produtividade passa por aumento no número de animais em confinamento ou semiconfinamento, sistemas menos utilizados no Brasil, cujas criações em sua grande maioria ainda são alimentadas principalmente com pasto, e não com rações. Mais recentemente, preços recordes da arroba bovina no Brasil, acima de 250 reais, conforme indicador Boi Gordo Cepea/B3, também são incentivo para melhorar a produtividade. “Sim, favorecem muito. Outro ponto que favorece o confinamento é a possibilidade de rastreabilidade de todo o histórico do gado, aumentando assim as chances de o produto ser exportado”, disse à Reuters o sócio da INA, Edson Fávero Júnior, lembrando que na exportação a arroba tem valor maior valor. O confinamento tem possibilitado a produção de 6 a 8 arrobas por um período de 90 dias, contra a produtividade de 3 a 4 arrobas por hectare/ano, citou a INA, acreditando que o uso desse sistema de criação intensivo deve dar um salto em 2020. Enquanto os Estados Unidos produzem 11 milhões de toneladas/ano de carne (equivalente carcaça), com 89 milhões de bovinos, o Brasil com um rebanho mais de duas vezes maior obtém 10 milhões de toneladas, disse o especialista.

REUTERS

Bahia: queda no poder de compra do recriador/invernista

A oferta restrita e alta demanda por animais para reposição têm resultado em aumento dos preços dos bovinos para reposição no estado

Na comparação ano a ano, considerando a média de todas as categorias de animais para reposição pesquisada pela Scot Consultoria, houve alta de 84,0%. Neste mesmo período, a alta para o boi gordo foi de 60,5%. O incremento mais acentuado no mercado de reposição, em relação ao boi gordo, resultou em queda de 12,7% na relação de troca do recriador/invernista em doze meses, considerando a média de todas as categorias monitoradas.

Scot Consultoria 

Após seis meses de pandemia, frigoríficos ainda resistem a adotar medidas de proteção

Seis meses após a primeira notícia de contaminação por Covid-19 entre trabalhadores de frigoríficos no Brasil, a adoção de medidas de proteção contra a doença ainda opõe sindicatos e empresas no país. A própria indústria (ABRAFRIGO) admite que tem adotado por conta própria medidas extras às exigidas pelo governo para exportar carne

Com uma estimativa de que cerca de 20% dos profissionais do setor já tenham sido contaminados, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria de Alimentos e Afins (CNTA) e a Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da CUT (Contac) defendem a ampliação das medidas de proteção já adotadas, com maior distanciamento de funcionários na linha de produção, testes em massa e fornecimento de máscaras de proteção adequadas aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. Publicada há três meses, em 18 de junho, a portaria conjunta nº 19, editada pelos ministérios da Agricultura, Saúde e Economia, definiu padrões mínimos de controle e prevenção da Covid-19 em frigoríficos. As normas, contudo, foram consideradas inadequadas para a combater a pandemia, com medidas de proteção inferiores ao sugerido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão chegou a editar uma nota técnica apontando divergências entre o texto do governo federal e as referências técnicas oferecidas durante a elaboração da portaria. Segundo o Vice Gerente do projeto nacional de adequação do meio ambiente do trabalho em frigoríficos do MPT, Lincoln Cordeiro, em alguns casos, o próprio setor adotou medidas protetivas adicionais ao estabelecido pela portaria, caso dos cem frigoríficos que firmaram termo de ajustamento de conduta com o órgão.  O Presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, confirma que as empresas têm adotado medidas de proteção que vão além do estabelecido pelo governo. “Para atender clientes específicos, que pedem algo a mais, os frigoríficos estão adotando mais medidas”, aponta Salazar. É o caso do mercado chinês, cujos órgãos de fiscalização suspenderam a autorização de exportação de oito plantas no país. “A portaria é uma norma padrão, todos estão seguindo e nós, inclusive, a traduzimos para o mandarim e para o inglês e enviamos para os nossos compradores. Desde então, a situação está sossegada” avalia o Presidente da Abrafrigo. “O que a gente vê hoje é que há uma consciência maior, mas a gente ainda encontra muitos ilícitos. Temos observado muita resistência de boa parte das empresas em testar os trabalhadores, afastar os contaminados e seus contactantes no sentido de evitar as contaminações comunitárias dentro da empresa”, explica Lincoln Cordeiro, do MPT. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que, em conjunto com as demais pastas envolvidas, estuda atualizar a portaria. Apesar de destacar a importância da medida, a pasta não apresentou dados que apontem queda das contaminações após a sua publicação. As modificações, segundo o ministério, “contemplam atualizações como, por exemplo, equipamentos de proteção” e “estão relacionadas às novas informações científicas, recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e adequações que o Ministério da Saúde fez em decorrência da avaliação de seus dados e informações quanto ao comportamento da Covid 19”. Responsáveis por fiscalizar as condições sanitárias dentro dos frigoríficos, os auditores fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura relatam que a situação epidemiológica nos frigoríficos três meses após a portaria nº 19 é de queda no número de contaminações. “Embora não haja um relatório periódico, conversando com outros auditores fiscais agropecuários, eles apontam que os casos reduziram de 20 sintomáticos por dia para cinco por semana”, afirma Antonio Andrade, Diretor de Políticas profissionais do Sindicato dos Auditores Fiscais Agropecuários (Anffa Sindical). Além da portaria editada pelo governo, que contribuiu para uniformização da fiscalização, Andrade ressalta o papel do MPT e da pressão do mercado internacional para o avanço nas medidas de controle da doença no setor.

Globo Rural                    

ECONOMIA

Dólar sobe 2,18% e se aproxima de R$5,60, máxima em um mês

O dólar disparou na quarta-feira, não apenas rompendo a resistência técnica de 5,50 reais como passando a flertar com 5,60 reais, num dia de fortalecimento generalizado do dólar em meio a temores sobre a economia global

O movimento no câmbio doméstico teve como pano de fundo preocupações com o cenário para o fluxo cambial e recorrentes receios sobre a trajetória fiscal do país –ambos num contexto de juro não atrativo. O dólar à vista saltou 2,18%, a 5,5876 reais na venda, quarta alta consecutiva e maior patamar de fechamento desde 26 de agosto (5,6124 reais). Na máxima, a cotação bateu 5,595 reais, alta de 2,32%. O Banco Central não interveio no mercado com venda de dólares. A última vez que o BC atuou de maneira mais incisiva no câmbio foi na segunda quinzena de agosto, quando o dólar oscilava perto dos atuais patamares. “O que tenho dificuldade de entender é a torcida do Banco Central para o câmbio se estabilizar ao invés de subir uma barreira em algum preço, uma vez que ele já está contaminando a inflação e isso pode tirar o carro dos trilhos”, comentou Luiz Fernando Alves, sócio do Fundo Versa. A onda de risco no exterior afeta o câmbio doméstico num momento de fragilidade no campo fiscal, e o cenário para o próximo trimestre deverá seguir sendo de alta volatilidade, avalia o Barclays, que vê o câmbio com desempenho inferior a seus pares até dezembro. Mesmo depois de alguma trégua no começo de 2021, analistas do banco projetam que o real voltará a sofrer com as incertezas locais. A disparada do dólar nesta sessão ocorreu a despeito de dados melhores das contas externas. O Brasil registrou superávit em transações correntes pelo quinto mês seguido em agosto, levando o déficit em 12 meses ao menor patamar desde junho de 2018, mas o câmbio contratado segue exibindo fortes saídas de recursos, especialmente na conta financeira –por onde passam fluxos para portfólio, empréstimos, remessas, entre outros. Apenas na semana passada, o país perdeu na conta financeira 2,880 bilhões de dólares, elevando o déficit em setembro para 3,066 bilhões de dólares. No ano, o rombo chega a impressionantes 50,714 bilhões de dólares. “Uma performance melhor do real depende bastante da diminuição de saídas pelo segmento financeiro”, disse Sergio Goldenstein, consultor independente e estrategista na Omninvest Independent Insights e ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central. Outros mercados brasileiros sentiram o baque da fuga de risco. As taxas de juros de longo prazo negociadas na B3 tiveram um rali de mais de 10 pontos-base, e o principal índice das ações brasileiras caiu 1,5%, indo abaixo de 96 mil pontos.

REUTERS                    

Ibovespa fecha abaixo de 96 mil pontos pela 1ª vez em quase 3 meses

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, perdendo o patamar dos 96 mil pontos, enfraquecido pelas perdas nos pregões norte-americanos, após dados corroborando perspectivas de uma recuperação difícil da maior economia.

Índice de referência da bolsa brasileiro, o Ibovespa caiu 1,6%, a 95.734,82 pontos, piso de fechamento desde 30 de junho. O volume financeiro somou 25,1 bilhões de reais. Em Wall Street, o S&P 500 recuou 2,37%, após dados mostrando que a atividade empresarial nos EUA desacelerou em setembro, afetada principalmente por serviços, enquanto continua o impasse no Congresso norte-americano para mais estímulos. O Goldman Sachs chamou a atenção para a incapacidade do Congresso de chegar a um acordo sobre novas medidas fiscais de estímulo e acrescentou que, na ausência delas, um novo ânimo na economia dos EUA dependerá de uma vacina contra o Covid-19. Para a analista de ações Cristiane Fensterseifer, da casa de análise Spiti, a bolsa também refletiu temores com a aceleração de casos de corona vírus na Europa e as eleições nos EUA. No Brasil, ela citou o déficit fiscal elevado, os problemas para andamento nas reformas, além de prévia da inflação mostrando alta acima do esperado em setembro.

REUTERS                 

PIB do agronegócio do Brasil cresce 5,26% no 1º semestre, diz CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio do Brasil cresceu 5,26% no primeiro semestre de 2020 na comparação com o mesmo período do ano passado, com destaque para o segmento primário (atividades dentro da porteira), que registrou alta de quase 15% no mesmo período, conforme estudo divulgado na quarta-feira pela CNA/Cepea

O aumento foi registrado em meio a safras recordes de grãos e principalmente pelos preços elevados por um câmbio favorável a exportações, que ajudaram também o segmento pecuário. Segundo a pesquisa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os segmentos de serviços e insumos tiveram altas de 4,76% e 1,69%, respectivamente. A agroindústria foi o único elo com queda no período, de 0,76%, sendo o segmento mais afetado pela pandemia da Covid-19. “Pelo lado da oferta, a volumosa safra de grãos tem garantido atendimento à crescente demanda internacional pelos produtos do agronegócio brasileiro, impulsionada também pela desvalorização do real frente ao dólar”, disseram a CNA e o Cepea em nota. O PIB agrícola registrou alta de 2,93% nos primeiros seis meses deste ano, refletindo preços maiores de janeiro a junho de 2020, frente ao mesmo de 2019. O PIB da atividade pecuária teve expansão de 10,41% no semestre, reflexo também dos bons preços das proteínas animais. “Embora alguns preços do ramo pecuário tenham sido pressionados para baixo diante da pandemia de Covid-19 em abril e maio, em junho houve recuperação”, indicou o estudo. Em junho, a expansão do PIB do agronegócio foi de 1,31%, sexto mês seguido de alta, com crescimento mensal de 3,02% no segmento primário e dos outros elos da cadeia produtiva de forma geral: agrosserviços (1,15%), insumos (0,79%) e agroindustrial (0,27%).

REUTERS              

Alta do juro de longo prazo é alerta sobre risco fiscal, diz Tesouro

Para Secretário, piora dos preços dos títulos reflete fundamentos, mas é transitória

A explosão do endividamento público, efeito colateral da política de combate aos efeitos da crise da pandemia, colocou o Tesouro Nacional numa prova do fogo: financiar mais de R$ 800 bilhões junto ao mercado, num momento em que há muitas dúvidas sobre o futuro das contas públicas do país e em que a taxa de juros nunca foi tão baixa. Esse quadro tem provocado um forte aumento dos juros de longo prazo e também uma elevação no prêmio de risco cobrado pelos investidores que compram os títulos públicos emitidos pelo Tesouro, tanto os prefixados (LTN e NTN-F) quanto as LFTs, papéis indexados à taxa Selic. Para o Secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, e o Subsecretário responsável pela dívida, José Franco de Morais, o aumento no prêmio dos títulos deve ser encarado como “um ajuste nos preços relativos”, algo “transitório”. E afirmam que não há qualquer sinal de disfuncionalidade que justifique uma intervenção no mercado. Mas ambos reconhecem que, quando se olha para os juros futuros negociados na B3, o que se vê é um claro sinal de preocupação com o futuro que precisa ser amenizado. “Esse prêmio e essa inclinação da curva são alertas de que a gente precisa endereçar a questão da volta ao processo de ajuste de conta”, diz Funchal. “Quando a gente vê o aumento do endividamento, e estamos no meio desse debate, precisamos dar um passo à frente na consolidação fiscal, sair da pandemia e retornar a agenda de consolidação fiscal, nessa transição você tem esses movimentos que pressionam”, acrescenta. Funchal, aliás, foi bastante enfático na defesa do teto de gastos e contra flexibilizações nesse instrumento. “Eu tenho uma visão binária em relação ao teto, porque ele se baseia muito em credibilidade. Uma flexibilização leva a outra flexibilização. Nós trabalhamos sem flexibilização, tem que seguir estritamente o teto”, afirma, destacando que outro caminho provavelmente elevaria mais os juros e colocaria um freio no crescimento da economia, que ele vê de forma otimista.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS

Importações de carne suína pela China em agosto dobram na comparação anual

As importações de carne suína pela China em agosto dobraram ante o ano passado, para 350 mil toneladas, mostraram dados de alfândegas na quarta-feira, com o país buscando recompor estoques após uma grande escassez no mercado doméstico

As importações, no entanto, recuaram frente ao recorde do mês anterior, de 430 mil toneladas, com surtos de coronavírus em alguns frigoríficos em importantes países exportadores reduzindo o número de unidades aptas a enviar os produtos para a China. Importadores chineses têm comprado grandes volumes da carne neste ano após a peste suína africana ter matado milhões de porcos nos últimos dois anos no país, maior produtor global de carne suína. Entre janeiro e agosto, as importações de carne suína atingiram 2,91 milhões de toneladas, alta de 133,7% na comparação anual. As importações ainda podem desacelerar mais depois que a China vetou neste mês embarques da Alemanha, seu terceiro maior fornecedor, devido a casos de peste suína em javalis selvagens no país. As importações de carne bovina em agosto foram de 190 mil toneladas, segundo as alfândegas, com alta de 44,5% na comparação ano a ano, enquanto os embarques nos primeiros oito meses do ano atingiram 1,39 milhão de toneladas.

REUTERS                          

MEIO AMBIENTE

Amazônia pode ter R$500 mi da JBS, que quer monitorar 100% do fornecedor indireto

A JBS, maior produtora global de carnes, lançou na quarta-feira o programa Juntos pela Amazônia, que prevê a criação de um fundo de 1 bilhão de reais para investimentos no desenvolvimento sustentável do bioma, com aportes da companhia podendo atingir até metade desse total em até dez anos

O lançamento do Fundo JBS pela Amazônia é apenas um dos pilares de um plano maior da companhia que integra ações contra mudanças climáticas, que também prevê movimentos internos para garantir que todos os fornecedores de gado, incluindo os indiretos, trabalhem em conformidade com as leis ambientais e dentro das melhores práticas de sustentabilidade. “É uma visão ampla, não é restrita, procura ter uma abrangência bastante global, visa fomentar o desenvolvimento sustentável do bioma amazônico, promover a conservação, o uso sustentável da floresta, melhoria da qualidade de vida da população”, disse o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, à Reuters. Em momento em que a imagem do Brasil sofre com avanços de desmatamentos e queimadas, com muitos associando a abertura ilegal de áreas de florestas à pecuária, Tomazoni avalia que o fundo deve colaborar com várias conquistas sociais e sustentáveis na região amazônica nos próximos anos. Essa convicção, disse ele, levou a empresa a se comprometer com aportes de 250 milhões de reais no fundo nos primeiros cinco anos e a “igualar” doações feitas por terceiros até o limite de 500 milhões de reais até 2030. Ele disse que essas iniciativas mostram que a JBS –com sede no Brasil, mas com a maior parte de suas receitas no exterior, advindas também da produção de carnes de frango e suína e alimentos processados– não está olhando somente para os elos de sua cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, a companhia está lançando um programa que prevê a implantação da chamada Plataforma Verde, para monitoramento total até 2025 de todos os fornecedores indiretos de gado à companhia, um dos desafios do setor no combate a pecuaristas que atuam na ilegalidade e que colaboram com o desflorestamento. A JBS diz monitorar, há cerca de uma década, 100% dos fornecedores diretos de bovinos, garantindo que estes estejam em conformidade com as melhores práticas ambientais, numa área maior que a da Alemanha. Mas o CEO admitiu que a companhia não tem informações de todos os “fornecedores dos fornecedores”, algo que segundo ele nenhuma companhia no país possui, o que pode levantar questionamentos sobre a sustentabilidade de uma parte da produção da nação, maior exportadora global de carne bovina. “Agora, com essa iniciativa da Plataforma Verde, vamos ter controle de 100% dos fornecedores dos nossos fornecedores, isso resolve toda a discussão, se tem algum problema na cadeia.” Ele lembrou que ainda que o atual sistema de monitoramento, auditado por empresas externas, tem alto grau de eficiência, tanto que, dos 50 mil fornecedores da empresa, 9 mil já foram bloqueados por algum tipo de problema.

Tomazoni afirmou que a JBS vai compartilhar seus dados com outros agentes, como bancos, para que muitos possam tomar decisões baseadas em informações que também contribuam para a redução do desmatamento.

REUTERS

Coalizão recomenda criação de base de dados para o rastreamento de gado

Objetivo é cruzar informações das GTAs, do CAR e das licenças ambientais

A Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura reuniu uma série de diretrizes e recomendações à cadeia da carne bovina para garantir que a criação de gado deixe definitivamente de pressionar o Cerrado e a Amazônia. Entre os apontamentos, recomendou a criação de bases de dados que cruzem as informações das Guias de Trânsito Animal (GTA), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e das licenças ambientais. As recomendações constam no relatório “A rastreabilidade da cadeia da carne bovina no Brasil”, elaborado sob coordenação da Força-Tarefa Rastreabilidade da Carne da Coalizão, formada por ONGs, associações do setor e empresas como JBS e Marfrig. O grupo considera que o ideal seria haver uma única base que pudesse ser compartilhada por todos os atores da cadeia, mas ressalva que bases para cada território já seriam suficientes para atender à necessidade. Para que tais bases de dados sejam efetivadas, a coalizão recomenda que os Estados exijam por lei sua adoção por parte de todos os compradores de gado. A governança desses instrumentos pode ser efetivada pelos Conselhos Territoriais de Pecuária e Floresta ou por colegiados análogos, e compartilhada entre poder público, iniciativa privada e terceiro setor. As bases de dados devem servir não só para os frigoríficos, mas também para os fornecedores diretos rastrearem a compra dos bezerros. Para a coalizão, o controle dos fornecedores indiretos será mais eficaz se realizada por quem compra os animais diretamente. Para garantir a confidencialidade dos dados e evitar que a análise das GTAs estimule fraudes, a coalizão recomenda o uso de blockchain. O acesso às guias, porém, demanda articulação com os governos estaduais, já que elas são de acesso restrito, diz o grupo. Nesse sentido, a coalizão também recomenda às agências de vigilância sanitária estaduais que intensifiquem a verificação dos pecuaristas para a emissão das GTAs. A Coalizão defende, ainda, a adoção de acordos prioritariamente com fornecedores “premium”. A recomendação é que a indústria compartilhe uma base de dados única desses pecuaristas e estabeleça a eles um prazo de cinco anos para a implementação de rastreabilidade individual dos animais. Aos demais, a recomendação é que isso ocorra num prazo de dez anos. Além da base de dados, o grupo recomenda, finalmente, o pagamento de “prêmios” ou acesso privilegiado a mercados para quem comprovadamente não desmata. E aos fornecedores “inaptos”, recomenda um plano de inclusão que passe pela intensificação sustentável.

VALOR ECONÔMICO 

Amigos da Terra e Frigol iniciam projeto para reduzir queimadas em São Félix doXingu (PA)

Município reúne o maior rebanho bovino do país

Começou em 14 de setembro a primeira etapa do “Projeto do Fogo”, iniciativa da ONG Amigos da Terra e do frigorífico Frigol para reduzir o número de focos de queimadas nas regiões de São Félix do Xingu e de Água Azul do Norte, no Pará. A iniciativa contempla educação, informação e ações práticas para conscientização das comunidades dos riscos das queimadas para o ambiente e para as pessoas. “Temos cerca de 1,1 mil trabalhadores e 1,5 mil fornecedores em São Félix do Xingu e Água Azul do Norte. Queremos impactar a todos com o Projeto Fogo”, diz Marcos Câmara, CEO da Frigol (quarto maior grupo frigorífico do Brasil), em comunicado. O Projeto Fogo utiliza cartilhas, cartazes, outdoors, comunicações audiovisuais e spots de rádio para atingir as comunidades de São Félix do Xingu e Água Azul do Norte. “Na segunda etapa, pós-pandemia, estão programadas oficinas presenciais, para levar orientações práticas para as pessoas dos dois municípios”, diz Luciane Simões, Gerente de Projetos da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. Amigos da Terra e Frigol lembram que o município de São Félix do Xingu tem o maior rebanho de bovinos do país (2,5 milhões de cabeças), e é o segundo maior do país em extensão (84,2 mil quilômetros quadrados). Mas também é o segundo município do bioma Amazônia com mais focos de incêndio: em 2019, foram 3.787, ou 8% do total, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe). Neste ano, até agosto, foram 2.574 focos, 10% do total do bioma Amazônia.

VALOR ECONÔMICO 

Minerva testa sistema para monitorar fornecedores indiretos de gado

Para minimizar problemas com fornecedores indiretos de gado a Minerva Foods vem implementando medidas que mapeiam a possibilidade de os bovinos que estão sendo abatidos pela empresa terem passado, em alguma etapa da sua vida, por áreas desmatadas ilegalmente, embargadas pelos órgãos ambientais ou que empreguem trabalho análogo à escravidão – práticas proibidas por lei

O “calcanhar-de-aquiles” para o monitoramento ambiental da cadeia pecuária, sobretudo na Amazônia, está em rastrear a origem do gado dos “fornecedores indiretos”, ou seja, aqueles que venderam o bezerro ou o boi magro para o “fornecedor direto” – que é o pecuarista que vende o gado para abate e já é monitorado pelos grandes frigoríficos. Caso esses animais sejam provenientes, em alguma etapa de sua vida, de áreas irregulares, acabam “contaminando” a imagem da indústria em relação à sustentabilidade ambiental. Assim, para evitar surpresas desagradáveis com fornecedores indiretos, a Minerva Foods iniciou testes com o Visipec, ferramenta criada pela ONG National Wildlife Federation (NWF) e pela Universidade de Wisconsin-Madison, explica o Diretor de Sustentabilidade da Minerva Foods, Taciano Custódio, que apresentou as práticas de sustentabilidade da empresa na terça-feira no webinar “Traceability: Solutions for Sustainability”, promovido pela Global Roundtable for Sustainable Beef. “Os criadores do Visipec desenvolveram um software de avaliação que se baseia nas emissões de GTAs e em suas ligações”, disse Custódio, pouco antes de se apresentar no webinar – a Minerva foi a única empresa da América do Sul no evento. A companhia começou a testar o Visipec em agosto deste ano. “É a primeira vez que isso está sendo testado em indústria exportadora, de capital aberto, é o primeiro teste nessa escala.”A expectativa, segundo Custódio, é que haja algum resultado formal entre outubro e novembro. “Por enquanto, são resultados muito preliminares”, diz. O software está sendo testado em Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é abastecido com as GTAs emitidas até meados de 2019 – quando os dados sobre GTAs eram abertos. Como a idade média de abate de bovinos nos frigoríficos da Minerva é de 30 meses, os animais abatidos em 2021 ainda estarão dentro da janela de abrangência do programa.

Estadão Conteúdo

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