CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1323 DE 18 DE SETEMBRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1323| 18 de setembro de 2020

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: arroba deve seguir valorizada nas próximas semanas, diz Safras

Os preços devem continuar em elevação no mercado interno na segunda quinzena de setembro, de maneira mais contida

Os preços do boi gordo voltaram a subir em algumas regiões produtoras do país na quinta-feira, 17. “O ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de alta nos preços, mesmo que de maneira comedida na segunda quinzena do mês”, destaca o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta de animais terminados permanece restrita nas principais regiões de produção e comercialização do Brasil, e o quadro não deve apresentar grande evolução no restante do ano. “A estiagem prolongada indica que a entrada dos animais de safra no mercado será mais tardia, pois as boiadas estarão aptas ao abate provavelmente apenas no primeiro trimestre de 2021”, assinala. Enquanto isso, as exportações de carne bovina seguem positivas em 2020, com uma presença marcante da China, importando volumes substanciais de proteína animal brasileira. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 252 a arroba, estáveis na comparação com a quarta-feira, 16. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços ficaram em R$ 250 a arroba, inalterados. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 248 a arroba, contra R$ 247 na quarta, 16. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 242 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o valor foi de em R$ 232 a arroba, ante R$ 230. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem subindo gradualmente. Conforme Iglesias, a tendência é de reajustes mais modestos nos preços no restante de setembro, diante de uma reposição mais lenta entre atacado e varejo em um período pautado pela desaceleração do consumo, com o brasileiro médio mais descapitalizado. Com isso, a ponta de agulha subiu de R$ 14,15 o quilo para R$ 14,20 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,20 o quilo, e o corte traseiro passou de R$ 17,75 o quilo para R$ 18,00 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS 

Boi gordo: mercado firme

Em São Paulo, o mercado está ativo e com preços firmes, mas com as compras de boiadas ocorrendo paulatinamente diante do pequeno volume de gado gordo ofertado 

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última quinta-feira (17/9), nas praças paulistas os negócios à vista ocorreram em R$250,00/@, preço bruto, R$249,50/@, sem o Senar, e em R$246,50/@, descontado o Senar e o Funrural. As cotações ficaram estáveis na comparação feita dia a dia. Já no Sudeste de Rondônia, os preços da arroba do boi gordo tiveram forte alta com as indústrias precisando manter as programações de abate, que atendem em média um dia útil. O aumento frente ao fechamento do dia anterior (16/9) foi de R$5,00/@ ou 2,1%, ficando em R$240,00/@, preço bruto e a prazo, R$239,50, livre de Senar, e em R$236,50, sem os impostos (Senar e Funrural). Em Campo Grande-MS, a cotação da arroba do boi gordo subiu 0,8% ou R$2,00/@ na comparação diária. Com isso, a referência ficou em R$246,00/@, considerando o preço bruto e a prazo, R$245,50/@, sem o Senar, e em R$242,50/@, descontado o Senar e o Funrural.

SCOT CONSULTORIA 

CEPEA: Preço interno segue operando na máxima nominal

A baixa oferta de animais para abate mantém os preços diários da arroba operando nas máximas nominais da série histórica do Cepea

Na quarta-feira, 16, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 fechou a R$ 250,90, com elevação de 5,6% no acumulado da parcial de setembro (até o dia 16). E os números de abate divulgados neste mês pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmam esse cenário de disponibilidade restrita de animais. Segundo o Instituto, no primeiro semestre de 2020, foram abatidas 14,55 milhões de cabeças de animais no Brasil, 8,63% menos que no mesmo período do ano passado e a quantidade mais baixa nessa comparação desde 2011.

Cepea

Preço do bezerro de ano subiu 69,5% em um ano, na média de todos os estados monitorados

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na média de todos os estados monitorados, entre machos e fêmeas anelorados, os preços dos bovinos para reposição subiram 1,8% nesta semana, em relação à semana anterior

As altas nas cotações da arroba do boi gordo, associada à oferta limitada de animais para reposição, são os fatores que explicam a firmeza do mercado de animais para reposição. Desde o início deste ano, a cotação do bezerro de ano anelorado subiu 44,8% e nos últimos doze meses a alta acumulada foi de 69,5%, considerando a média de todos os estados monitorados pela Scot Consultoria.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Dólar abandona alta e fecha em queda com exterior e Tesouro

O dólar fechou em leve queda ante o real na quinta-feira, com alívio amparado pelo exterior depois de um começo de sessão mais estressado, um dia após o Banco Central sinalizar que o juro básico permanecerá em 2% nos próximos vários meses

O dólar à vista caiu 0,17%, a 5,2319 reais na venda, nova mínima desde 31 de julho (5,2185 reais). A cotação chegou a subir 1,00%, para 5,293 reais, ainda na primeira hora de negócios. Segundo analistas, o câmbio mostrou nervosismo no começo do pregão conforme o mercado digeria indicação do Banco Central considerada “dovish” (pró-estímulos monetários). Embora tenha elevado a barra para mais redução da Selic, o BC não fechou completamente a porta para esse movimento e, na avaliação do Itaú Unibanco, a autoridade monetária pareceu menos preocupada com riscos de alta da inflação no médio prazo, em meio a um cenário de economia ainda afetada por dúvidas sobre redução de auxílio emergencial e evolução da pandemia. Mas ainda pela manhã o sinal no câmbio começou a melhorar, assim como nos mercados de juros e bolsa, à medida que o índice do dólar passou a enfraquecer com os mercados ainda analisando o tom também “dovish” do banco central norte-americano em decisão de política monetária da véspera. Perto do fechamento, o dólar caiu 0,24%, para 5,228 reais, mínima intradiária. “O mercado se acalmou um pouco pela atuação do Tesouro fazendo as vezes de bombeiro”, comentou Sérgio Machado, gestor na TRÓPICO Latin America Investments, referindo-se ao menor leilão de títulos públicos prefixados realizado pelo Tesouro na quinta, com lote 55% abaixo do da semana passada.

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Vale e Petrobras elevam Ibovespa a 100 mil pts apesar de exterior negativo e incerteza fiscal

O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, com o desempenho de blue chips como Vale, Petrobras e Ambev ajudando a atenuar a pressão negativa do exterior e de preocupações com o cenário fiscal doméstico

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,42%, a 100.097,83 pontos. O volume financeiro somou 21,8 bilhões de reais, novamente abaixo da média diária do ano, de 29,2 bilhões de reais. Mais cedo, o Ibovespa chegou a 98.561,51 pontos, no pior momento, pressionado ainda pela decepção com as sinalizações do Federal Reserve na véspera, além de dados ainda ruins da economia norte-americana e incerteza fiscal no Brasil.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 0,84%. Segundo Eduardo Levy, Diretor de Investimentos da gestora Kilima, pela manhã a bolsa acompanhou mais o exterior, mas à tarde houve um pouco mais de compra em alguns papéis específicos, que ajudaram a trazer o Ibovespa para o azul. Ele ressaltou, porém, que volume não é expressivo. “A impressão é que não há um fluxo forte tanto na compra quanto na venda, mas há preocupações com o cenário econômico principalmente no que diz respeito à situação fiscal do Brasil.” Além dos ruídos político-fiscais no país e alguma aversão a risco vinda do exterior, Guilherme Motta, gestor de renda variável da GAP Asset, chamou a atenção para o elevado número de ofertas de ações – follow-on e IPO – no mercado brasileiro. Apenas neste ano, já ocorreram cerca de 30 ofertas (IPOs e follow ons), de acordo com dados disponíveis no site da B3, e há em torno de 50 ofertas iniciais engatilhadas, segundo registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

REUTERS

Recuperação econômica global pode levar 5 anos, diz economista-chefe do Banco Mundial

A recuperação econômica global diante da crise provocada pela pandemia de coronavírus pode levar até cinco anos, disse a economista-chefe do Banco Mundial, Carmen Reinhart, na quinta-feira

“Provavelmente haverá uma recuperação rápida quando todas as medidas de restrição relacionadas aos bloqueios forem suspensas, mas uma recuperação completa levará até cinco anos”, disse Reinhart em participação remota numa conferência realizada em Madri. Reinhart disse que a recessão causada pela pandemia durará mais em alguns países do que em outros e agravará as desigualdades, pois os mais pobres serão mais duramente atingidos pela crise nos países ricos e os países mais pobres serão mais duramente atingidos do que os países mais ricos. Pela primeira vez em vinte anos, as taxas de pobreza global aumentarão após a crise, acrescentou.

REUTERS

Mercado piora novamente déficit primário projetado para 2020 e 2021

Economistas consultados pelo Ministério da Economia pioraram novamente suas contas para o rombo primário do país neste ano e no próximo, embora vejam números ligeiramente melhores que os apontados pelo governo, conforme Prisma Fiscal divulgado na quinta-feira

Para este ano, os economistas agora veem um rombo primário de 855,318 bilhões de reais para o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) em meio aos vultosos gastos para enfrentamento à pandemia de coronavírus, conforme mediana das estimativas colhidas até o quinto dia útil deste mês. No Prisma de agosto, a cifra era de 822,608 bilhões de reais. A leitura, contudo, é mais otimista que a do Ministério da Economia, que no início deste mês passou a prever um déficit primário de 866,4 bilhões de reais em 2020, já embutindo na conta a extensão do auxílio emergencial até o fim do ano. Já para 2021, a expectativa agora é de déficit de 226,000 bilhões de reais para o governo central em 2021, acima do rombo de 213,882 bilhões de reais visto antes. Também neste caso o governo previu um déficit primário maior para o governo central, de 233,6 bilhões de reais, conforme apontado em seu projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano. A meta em 2020 era de um déficit de 124,1 bilhões de reais, mas o governo não precisará cumpri-la em função do estado de calamidade pública pelo surto de Covid-19. Ainda que tenha estipulado um valor no PLOA para o rombo do ano que vem, o governo pediu flexibilidade no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que a meta seja mudada sempre que as receitas para o próximo ano forem recalculadas. Se aprovado pelo Congresso, esse modelo tornará a meta móvel. Num reflexo do forte desequilíbrio das contas públicas, a expectativa agora é que a dívida bruta sobre o Produto Interno Bruto (PIB) suba a 94,55% do PIB neste ano, acima do percentual de 94,30% visto antes, mostrou o Prisma. Para 2021, a expectativa piorou a 95,60% do PIB, contra 95,00% do PIB no relatório de agosto.

REUTERS

IBGE confirma que país voltou ao Mapa da Fome em 2018

Levantamento mostrou avanço da fome no país, que atingia 5% da população brasileira em 2018, ante 3,6% em 2013, alcançando mais de 10 milhões de pessoas

Os dados do IBGE anunciados ontem comprovam que, em 2018, o Brasil retornou ao Mapa da Fome – lista de países com mais de 5% da população ingerindo menos calorias do que o recomendável, segundo análise de Francisco Menezes, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Desde 2014 o país já havia deixado a lista, lembrou o especialista – sendo que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já havia alertado no ano passado que o país poderia voltar a esse quadro, acrescentou ele. Ontem, o IBGE anunciou levantamento que mostrou avanço da insegurança alimentar grave, ou fome, no país, que atingia 5% da população brasileira em 2018, ante 3,6% em 2013, alcançando 10,28 milhões de pessoas. Menezes faz parte do grupo de trabalho Agenda 2030 – organização composta por entidades da sociedade civil, que faz monitoramento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável pactuados pelo Brasil e outros 192 países da Organização das Nações Unidas (ONU). “O objetivo 2, da lista, é erradicar a fome. E, nos nossos trabalhos, já víamos que o país estava revertendo tendência positiva no tema”, afirmou ele. Para o técnico, a pesquisa do IBGE evidencia “retrocesso grande” no combate à fome no país. “Se olharmos o montante de domicílios em segurança alimentar, podemos ver que voltamos ao que patamar registrado em 2004”, acrescentou. Dois fatores conduziram ao cenário atual: o avanço da extrema pobreza, e um movimento de corte de políticas públicas em segurança alimentar a partir de 2014, afirmou o pesquisador. “Houve um desmonte muito grande nessas políticas, a partir de cortes orçamentários. Alguns, como programa de aquisição de alimentos de agricultura familiar, com compra institucional, foram praticamente zerados [até 2018]”, afirmou ele. Ele comentou que, num primeiro momento da atual crise sanitária, em meados de março, com perda de renda forte originada do trabalho, principalmente de serviços, observou-se um agravamento do cenário da fome no Brasil. “Mas com o auxílio emergencial [pago pelo governo] houve um desafogo nesse sentido. Em torno de 60 milhões de pessoas receberam esse auxílio”, afirmou ele. Na análise do especialista, é muito provável que o quadro da fome se agrave, ante ao que foi detectado até 2018 pelo IBGE, quando o governo parar de pagar o auxílio.

VALOR ECONÔMICO 

Ministra afirma que vai tentar recompor cortes de recursos na Agricultura até fim do ano

Equipe econômica solicitou o bloqueio de R$ 250 milhões da Pasta 

A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou ontem que “não está feliz” com o corte no orçamento da Pasta e que vai tentar recompor os recursos até o fim do ano. A equipe econômica solicitou bloqueio de quase R$ 250 milhões do ministério no início do mês. Desde a semana passada, as primeiras tesouradas já retiraram quase R$ 190 milhões do caixa, de acordo com portarias publicadas no Diário Oficial da União, a maior parte em recursos destinados à Embrapa. “A Embrapa não pode ficar sem recurso. Pesquisa e regularização fundiária, que são prioridades para o governo, precisam ter recurso. Vamos brigar até o último momento”, afirmou a Ministra. Tereza Cristina ressaltou que conta com a ajuda dos parlamentares para retomar parte dos recursos. O seguro rural, outra política prioritária da Pasta, também foi afetado. Esta semana, portaria do Ministério da Economia cancelou R$ 140 milhões destinados à Embrapa e R$ 24,3 milhões do Incra. No dia 11, outra publicação havia oficializado o corte de R$ 23,6 milhões dos recursos para fomento agropecuário alocados no caixa do ministério As publicações falam que o dinheiro será direcionado para os ministérios da Economia, da Saúde, do Turismo e da Cidadania e para honrar encargos financeiros da União e de transferências a Estados, Distrito Federal e municípios. Os cortes, que afetam toda a Esplanada, também podem servir para fomentar o Pró-Brasil, programa de obras e infraestrutura para a retomada econômica do país pós-pandemia. A Ministra Tereza Cristina confia em um acordo feito com o time de Paulo Guedes para ser contemplada com R$ 300 milhões de crédito adicional por meio de um projeto de lei que o governo deve enviar ao Congresso Nacional ainda esse ano. Com isso, os valores bloqueados poderiam ser abatidos ao longo dos próximos meses e ainda sobrariam R$ 50 milhões, que poderiam ser usados para custear a possível contratação de 140 auditores fiscais federais agropecuários em outubro.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Rabobank vê alta nos custos de grãos impactando setor de frango

A lucratividade da produção de carne de frango brasileira nos próximos meses estará diretamente ligada às estratégias adotadas para gerenciar os custos de nutrição de animais, disse o Rabobank em relatório na quinta-feira (17)

“Isso ocorre porque os grandes participantes de mercado já antecipavam essa apreciação nos preços de ração, diferentemente dos produtores independentes focados no mercado doméstico e mais expostos aos preços atuais”, disse o Rabobank. A expectativa de menores custos de nutrição no segundo trimestre, principalmente devido à segunda safra de milho, não foi confirmada e atualmente os mercados futuros sinalizam para preços ainda mais altos que no primeiro semestre até janeiro de 2021, segundo o Rabobank. O preço do frango vivo tem aumentado nos últimos meses, chegando a um recorde em agosto e 18% superior ao preço verificado no mesmo mês do ano passado. Já o preço do frango no atacado estava 10% acima do registrado em agosto de 2019. O Rabobank disse ainda que o setor de carne de frango brasileiro tem aumentado sua dependência do mercado chinês, que continua elevando as compras do produto. O mercado chinês já representa 17% das vendas brasileiras de carne de frango no exterior. “O feriado da Semana Dourada em outubro deve dar suporte aos embarques nas próximas semanas”, disse o Rabobank. A extensão do auxílio financeiro do governo até o final do ano em menor valor que o fixado inicialmente não deverá levar a uma significativa queda no consumo doméstico de carne de frango, segundo o banco, que mantém sua projeção de crescimento de 0,5% na produção brasileira de carne de frango em 2020.

CARNETEC

INTERNACIONAL

Rabobank aponta novas oportunidades para proteína animal na China no pós Covid-19 e PSA

A carne bovina, que antes era principalmente fora de casa, agora tem mais penetração no consumo doméstico, o que pode abrir mais oportunidades para que este mercado cresça 

Segundo relatório do Rabobank, a Peste Suína Africana, a Covid-19 e mudanças nos canais de distribuição não somente estão redesenhando o lado da oferta, mas também o comportamento do consumidor. Algumas destas mudanças devem continuar a atuar a longo prazo. Os mercados consumidores mudaram bastante nos últimos anos em resposta a estes fatores, e eles continuarão a mudar rapidamente. As principais tendências apontadas pelo banco e que estão impulsionando as mudanças futuras incluem grupos de consumo mais diversificados, menor distinção entre vários segmentos de mercado e canais, e uma maior demanda por conveniência e embalagens menores. Entre as principais proteínas animais, o consumo de carne suína passou por grandes mudanças nos últimos tempos em razão da Peste Suína Africana (PSA). O consumo desta proteína também é elástico à mudança de preço sob condições específicas, e dado que a volatilidade do preço de saída é esperada, o consumo de carne suína deve continuar respondendo aos preços. As aves estão encarando desafios relacionados à reformulação da cadeia de suprimentos, mas devem crescer vai crescer junto com as lojas de conveniência e a demanda geral por alimentos de conveniência. A carne bovina, que antes era principalmente fora de casa, agora tem mais penetração no consumo doméstico, o que pode abrir mais oportunidades para que este mercado cresça. Em 2019, a oferta de carne suína caiu mais de 20%, e a expectativa do Rabobank é de que até o final de 2020, o recuo continue caindo entre 15% a 20%. Apesar da China vir de dois anos de fortes importações da proteína suína, a queda na oferta foi tão grande que o consumo do produto per capita no gigante asiático caiu de 40kg em 2018 para 32,6kg em 2019, com perspectiva de chegar a 28kg em 2020, número antes visto somente em 1997. Como consequência, o consumo total de proteínas de origem animal (suína, aves, bovina e ovina), também deve cair, passando de 64kg per capita em 2018 para 58,8kg em 2019, chegando a 54kg em 2020, próximo aos níveis registrados em 2008. A queda do consumo total é menor do que a da carne suína em função do aumento do consumo da carne bovina, ovina e de aves, que aumentaram de 6,9kg, 3,5kg e 14,4kg em 2018, respectivamente, para 6,1kg, 3,8kg e 17,2kg em 2020. Nos próximos dois anos, principalmente em 2021, os preços da carne suína no varejo devem ficar perto ou acima dos 40 yuans por quilo, e o consumo deve permanecer acompanhando as mudanças de preço de forma elástica e, portanto, continuar caindo. O Rabobank cê oportunidades contínuas de substituição da proteína, entretanto, enquanto a produção suína se recupera na China, o espaço para outras proteínas ocuparem o espaço antes deixado pela suína deve diminuir. A longo prazo, o banco projeta que as demais proteínas devem permanecer na lacuna onde conseguiram oportunidade de se instalar nos hábitos de consumo da população durante esse tempo. A perspectiva é que a carne de frango seja a maior beneficiada por essa atual crise, segundo o Rabobank, mas não de forma direta. Os analistas apontam que na próxima década o consumo por conveniência deva impulsionar a carne de frango, devido a cadeia de foodservice, menor custo e maior facilidade de preparo em relação às outras proteínas. No caso da carne bovina, esta proteína também se mostrou como boa substituta à suína, na visão do banco. A penetração da carne bovina no consumo da população chinesa pode ser importante para a segurar a queda do consumo enquanto a produção de suínos se recupera.

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