
Ano 6 | nº 1303| 19 de agosto de 2020
NOTÍCIAS
Boi gordo: oferta de animais confinados aumenta, mas preço segue firme
Segundo a consultoria Safras, a demanda pela carne bovina brasileira continua bastante aquecida em agosto, com a China importando bastante
O mercado físico de boi gordo segue com preços acomodados nas principais regiões produtoras do país. “Apesar do avanço da oferta de animais confinados em grande parte do país e de uma posição mais confortável nas escalas de abate, os preços se mantêm”, diz o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, o avanço dos custos de nutrição animal pode interferir na decisão de confinamento para o último bimestre, ressaltando que o custo da reposição também atingiu patamar recorde em 2020. No que tange à demanda de carne bovina, os resultados das exportações durante o mês de agosto seguem muito positivo, ainda com uma forte presença da China no mercado importador. Na capital de São Paulo, os preços seguiram a R$ 228/229 por arroba. Em Uberaba (MG), mantiveram-se em R$ 227 por arroba. Em Dourados (MS), continuaram em R$ 220 por arroba. Em Goiânia (GO), seguiram em R$ 220/221. Em Cuiabá (MT), ficaram em R$ 207 por arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina ficaram estáveis. Conforme Iglesias, a reposição entre atacado e varejo permanece mais lenta, mas com tendência de melhora na primeira quinzena de setembro, com a entrada da massa salarial na economia motivando o consumo. Com isso, a ponta de agulha permaneceu em R$ 13 o quilo. O corte dianteiro seguiu em R$ 13,30 o quilo, e o corte traseiro continuou em R$ 15,60 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Mercado firme e altas de preços do boi gordo
Em São Paulo, a melhor oferta de gado confinado na última semana manteve a estratégia de compra compassada dos frigoríficos, as escalas de abate atendem, em média, quatro dias
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última terça-feira (18/8), o boi gordo ficou cotado em R$226,00/@, bruto, R$225,50/@, livre de Senar, e em R$222,50/@, descontados os impostos (Senar e Funrural), considerando os preços à vista. Para os bovinos jovens, que atendem ao mercado chinês, a cotação ficou em R$230,00/@ para o macho, e em R$220,00/@ para as novilhas, ambos preços brutos e à vista. Apesar da calmaria no estado de São Paulo, em outras regiões do Brasil o mercado está firme. A ausência de boiada confinada levou os frigoríficos, em muitas praças pecuárias, a aumentarem as ofertas de compra. Destaque à alta do boi gordo na região norte. Na região de Marabá – PA, a cotação do boi gordo subiu R$4,00/@, bruto e à vista, variação de 1,84%. No Tocantins, tanto para a região Sul, quanto região Norte, a cotação subiu R$3,00/@ na comparação dia a dia.
SCOT CONSULTORIA
Exportações brasileiras de carne bovina cresceram em agosto
Nas duas primeiras semanas de agosto o Brasil exportou 8,11 mil toneladas por dia de carne bovina in natura, incremento de 32,1% ante o volume diário de agosto de 2019. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex)
O bom volume exportado trouxe incremento de 27,5% ou US$7,05 milhões no faturamento frente ao mesmo período de 2019, apesar da queda de 3,5% ou US$144,60, na cotação da tonelada de carne exportada. As exportações em bom ritmo ajudam no escoamento da produção e dão sustentação aos preços no mercado do boi gordo.
SCOT CONSULTORIA
Volume embarcado de carne bovina in natura alcança 81,11 mil toneladas na segunda semana de agosto
Na segunda-feira (17), a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (SECEX) divulgou que o volume embarcado de carne bovina in natura alcançou 81,11 mil toneladas na segunda semana de agosto. No ano passado, o volume total exportado em agosto foi de 135,1 mil toneladas
A média diária exportada de carne bovina in natura ficou em 8,11 mil toneladas e teve um aumento de 32,08%, frente aos dados observados em agosto do ano passado. Em 2019, o mês de agosto finalizou com uma média diária embarcada de 6,14 mil toneladas. De acordo com o analista de mercado da Consultoria Agrifatto, Yago Travagini, a segunda semana foi um pouco pior do que foi observado na primeira semana, mas ainda assim com números bons para o período do mês. “A média diária desta semana ficou em 7,41 mil toneladas, sem contar com o volume exportado na primeira semana”, disse o analista. A consultoria Agrifatto projeta um volume entre 160 e 175 mil toneladas exportadas durante o mês de agosto/20. Com relação ao destino, a China segue como responsável 50% do volume exportado, mas o Egito está despontando, quase passando Hong Kong como 2º principal destino das nossas vendas. Nesta segunda semana do mês de agosto, os preços médios ficaram próximos de US$ 4.029,4 mil por tonelada, na qual teve uma queda de 3,46% se comparado com o valor médio negociado no mês de agosto do ano passado que ficou em US$ 4.174,0 mil por tonelada. “Abaixo dos US$ 4 mil por tonelada é difícil a venda, mas pode ocorrer uma redução nos preços com a China testando compras nos US$ 4,0 mil por tonelada. Os chineses já estão pagando US$ 4,30 mil/tonelada, as indústrias não devem aceitar tanto espaço para queda, a não ser que o dólar fique acima dos R$ 6,00”, apontou. O valor negociado para a carne bovina até a segunda semana deste mês ficou em US$ 326,8 milhões, mas preço total comercializado durante agosto de 2019 foi de US$ 563,9 milhões. A média diária do valor negociado ficou em US$ 32, 682 milhões na segunda semana de agosto, na qual registrou um avanço de 27,51%, frente ao observado em agosto do ano passado que registrou uma média de US$ 25,632 milhões.
BEEF POINT
Confinamento deve ter forte queda em Mato Grosso
A oferta de bovinos, provenientes de confinamentos, deverá recuar 22% em Mato Grosso nesse ano, quando comparado ao número de cabeças que tiveram sua terminação no cocho, no ano passado
Os dados revisados pelo Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea) projetam 641,07 mil animais, ante 824,22 mil em 2019. A projeção pode ser alterada e um novo recuo se confirmar, pois, 38,82% dos animais estimados em confinamento ainda não foram adquiridos. Em igual momento do ano passado o percentual a ser buscado pelo pecuarista era de 31,50%. Além de todos os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia e suas incertezas, pesaram na tomada de decisão do pecuarista as altas registradas sobre o valor dos animais de reposição – cuja oferta anda escassa em razão do elevado abate de fêmeas até o ano passado, o que reduziu os índices de natalidade de bezerros – e as elevações sobre os insumos utilizados na suplementação alimentar, formada em grande parte pelo milho. Esse novo levantamento retrata o sentimento do criador no mês de julho e compara seus resultados com os dados apurados na primeira sondagem, em abril. Em relação à primeira entrevista, foi observado aumento de 11% na quantidade de cabeças que poderão ser confinadas em 2020, que naquele momento apontam para 577,55 mil animais. Como explicam os analistas do Imea, além da menor disponibilidade de bovinos em 2020, a diferença de animais do primeiro ciclo, quando geralmente há bons volumes de gado na entrada da seca, permitiu a valorização da arroba e animou alguns confinadores. “No entanto, foi observado que nem todos conseguiram mudar de estratégia a curto prazo, uma vez que a maior parte dos incrementos foi dos grandes confinadores”. “Entre um levantamento e outro houve a desativação de 12 propriedades, principalmente de pequeno porte, o que demonstra a dificuldade de se sustentarem na atividade, devido aos elevados custos de produção”, pontuam os analistas.
Diário de Cuiabá
ECONOMIA
Dólar fecha em queda com ajuste, mas incerteza sobre fiscal persiste
O dólar fechou em queda ante o real na terça-feira, ajustando-se depois do mau humor da véspera que catapultou a moeda a máximas desde meados de maio, devido à reação do mercado a especulações sobre saída de Paulo Guedes do comando do Ministério da Economia.
O dólar BRBY caiu 0,50%, a 5,4685 reais na venda. Na B3, o dólar futuro DOLc1 cedia 0,69%, a 5,4735 reais, às 17h31. Depois de um fim de semana de intensas especulações sobre a permanência de Guedes no cargo —na esteira do desabafo do ministro na semana passada sobre pressões políticas por mais aumentos de gastos—, o Chefe da Economia afirmou na noite de segunda-feira que a confiança entre ele e o Presidente Jair Bolsonaro é recíproca, mas admitiu que seu posto é difícil. A afirmação amenizou temores do governo sobre uma saída iminente do ministro, que perdeu na semana passada dois de seus mais importantes auxiliares por insatisfações alegadas quanto ao andamento da agenda de privatizações e da reforma administrativa. A queda do dólar na sessão anulou apenas parcialmente a alta de 1,26% da véspera, quando a moeda fechou a 5,4959 reais —máxima desde 22 de maio (5,5739 reais). “As notícias mais recentes sugerem que isso (a demissão de Guedes) não foi considerado. De qualquer forma, trouxe atenção adicional às preocupações fiscais que continuaram a pesar sobre os mercados locais e investidores estrangeiros”, disseram analistas do Morgan Stanley em nota. Uma ala do governo quer elevação de despesas para entrega de obras públicas, algo que enfrenta resistência da equipe econômica num contexto de contas públicas esgarçadas e de risco de deterioração da percepção de risco sobre o Brasil. A correção de baixa no dólar nesta terça-feira também foi amparada pela fraqueza da moeda no exterior, onde a moeda norte-americana =USD renovou uma mínima em 27 meses contra uma cesta de divisas em meio ao apetite por risco que empurrou Wall Street a novos recordes.
REUTERS
Ibovespa fecha acima de 102 mil pontos com alívio sobre Guedes
A JBS ON caiu 0,13%, entre as poucas baixas da sessão, com o setor de proteínas tendo performance mais fraca que o Ibovespa, após forte alta na véspera. MARFRIG teve acréscimo de 1,06% e MINERVA ON subiu 0,98%
O otimismo prevaleceu na bolsa paulista na terça-feira, com o alívio em relação à permanência do ministro da Economia fazendo o Ibovespa voltar aos 102 mil pontos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,48%, a 102.065,35 pontos. O volume financeiro somou 29 bilhões de reais. Após ruídos de eventual saída de Paulo Guedes do governo pesarem no Ibovespa na véspera, quando fechou abaixo de 100 mil pontos, tanto o Ministro como o Presidente Jair Bolsonaro buscaram ainda no final da segunda-feira acalmar investidores. Bolsonaro disse à CNN Brasil que a saída do ministro “nunca foi cogitada” e que ele e Guedes estão alinhados na decisão de que há “possibilidade zero de furar o teto de gastos”. Guedes, por sua vez, afirmou que a confiança entre ele e o Presidente é recíproca. “Essas declarações geraram alívio nos mercados”, afirmou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, avaliando o desempenho do dia como recuperação com apoio de Magazine Luiza e no desempenho das ações de siderurgia e mineração. Mas ele ponderou que quadro fiscal ainda preocupa e pode comprometer mais estímulos para retomada da economia brasileira. Street teve novas máximas para o Nasdaq e o S&P 500, apoiadas no desempenho de papéis de tecnologia como Amazon.com, que vêm sendo consideradas as mais confiáveis para enfrentar a crise criada pela Covid-19. Entre as commodities, os futuros do minério de ferro saltaram, com ganhos tanto na bolsa chinesa de Dalian quanto em Cingapura, em meio a expectativas de que o uso de aço na China deve seguir firme nos próximos meses, compensando uma demanda fraca no exterior.
REUTERS
FGV:Atividade tem queda de 8,7% no 2º trimestre, a maior da história
Deterioração do PIB foi marcada por fortes quedas na indústria (-12,8%) e nos serviços (-8,4%)
O Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta retração de 8,7% da atividade econômica no segundo trimestre, na comparação com o primeiro, na série dessazonalizada. Na análise mensal, houve avanço de 4,2% em junho sobre maio. Na comparação interanual, a economia brasileira apresentou queda de 10,5% no segundo trimestre e de 6,5% em junho. “O resultado da economia no 2º trimestre foi o pior já vivenciado pelo país desde 1980”, destaca, no relatório, o Coordenador do Monitor do PIB, Claudio Considera. “É inegável que a pandemia de covid-19 trouxe enormes desafios para a economia brasileira que ainda devem demorar a serem solucionados. No entanto, na análise desagregada dos meses do 2º trimestre, nota-se que o pior desempenho foi em abril”. “Embora as taxas interanuais de maio e junho ainda estejam muito negativas, já houve melhora dos resultados nestes meses na comparação dessazonalizada. Estes resultados mostram que, embora a economia esteja no segundo trimestre em situação pior em comparação ao anterior, no curto prazo já se observa uma melhora da atividade”, diz Considera. A rápida deterioração do Produto Interno Bruto (PIB) foi influenciada por fortes quedas na indústria (-12,8%) e nos serviços (-8,4%) e por praticamente todos os componentes da demanda, à exceção da exportação que cresceu 1,3% no segundo trimestre. “Por mais que a economia brasileira tenha sido diretamente atingida pela pandemia de covid-19 a partir de março, a maior retração observada contra o período imediatamente anterior foi em abril. Nos meses de maio e junho a economia voltou a crescer, embora as taxas interanuais ainda mostrem retrações muito fortes”, afirma o relatório da FGV. “A economia ainda está em situação muito pior do que a do ano passado, porém a retração interanual de junho (-6,5%) é praticamente a metade da registrada em abril e maio (-12,3% e -12,6%, respectivamente)”, conclui.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Trabalhadores cogitam greve caso Covid-19 não seja contida nos frigoríficos brasileiros
Sindicatos lançam campanha internacional alertando para riscos e estimam que até 25% dos mais de 500 mil profissionais do setor já foram contaminados
Com um índice de contaminação estimado em até 25% dos mais de 500 mil trabalhadores de frigoríficos no Brasil, sindicatos de classe afirmaram na terça-feira (18/8) que não descartam entrar em greve caso não sejam adotadas medidas efetivas para reduzir a transmissão da Covid-19 na indústria de proteína animal. Para denunciar o aumento dos casos de coronavírus entre trabalhadores de frigoríficos no Brasil, uma campanha internacional foi lançada por Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação (CNTA) e Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Alimentação da Central Única dos Trabalhadores (Contac CUT), em conjunto com a União Internacional do Trabalhadores da Alimentação (UITA). “Não é esse nosso desejo. Queremos mesmo é buscar o diálogo, com entendimento para uma produção sustentável dentro da situação anormal que vivemos. Mas se os frigoríficos continuarem irredutíveis, radicais e não quererem abrir uma negociação, essa possibilidade de paralisação não está descartada”, afirmou Artur Bueno de Camargo, Presidente da CNTA. “É triste que três organizações sindicais tenham que fazer uma campanha global para pedir respeito aos direitos humanos”, lamentou o Secretário Geral da UITA para a América Latina, Gerardo Iglesias. Com o mote “A carne mais barata do frigorífico é a do trabalhador”, as peças serão distribuídas às federações e centrais de trabalhadores para serem veiculadas dentro e fora dos frigoríficos. “Através dessa estratégia, a gente consegue chegar desde o grande até o município pequenininho”, explica Fernando Waschburger, publicitário responsável pela campanha. Entre as principais medidas defendidas pelos trabalhadores, está a redução da jornada de trabalho com aumento do número de escalas. Desse modo, as empresas reduziriam o ritmo de produção, ampliando o tempo de operação, garantindo maior distanciamento dentro das unidades. “Isso demandaria um custo um pouco maior, sim, mas todo mundo está passando por uma situação anormal. Por que é que os frigoríficos querem continuar como se estivessem em uma situação normal?”, questiona o Presidente da CNTA, ao relatar dificuldades para negociar com parte das empresas do setor. “Tem gente se apropriando da crise para ganhar dinheiro em detrimento da saúde do trabalhador. Não podemos generalizar porque não são todos iguais, mas tem outras que não”, ressaltou o Presidente da Contac CUT, Nelson Morelli. Segundo Morelli, há casos em que os trabalhadores são obrigados a passar até cinco dias usando a mesma máscara, o que contraria as recomendações do Ministério da Saúde de troca do equipamento a cada duas horas.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Hong Kong veta importação de frango da brasileira Aurora por preocupação com vírus
A terceira maior processadora de carne de frango e suína do Brasil, Aurora Alimentos, confirmou na noite de segunda-feira um veto de Hong Kong a importações de sua unidade de frango de Xaxim, em Santa Catarina, por preocupações com o coronavírus
A confirmação do veto veio no mesmo dia em que a empresa concordou em testar 11 mil trabalhadores para coronavírus a partir de 21 de agosto em quatro de suas fábricas, segundo um comunicado do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Santa Catarina. A Aurora, que na semana passada foi identificada por autoridades chinesas como origem de produtos de frango nos quais teriam sido encontrados traços de coronavírus, manifestou-se sobre a situação e seus próximos passos por meio de um comunicado da Associação Brasileira e Proteína Animal (ABPA). “Sobre o anúncio feito pelas autoridades de Hong Kong, a ABPA informa que está apoiando a companhia para a apresentação de esclarecimentos”, afirmou o comunicado. A ABPA reiterou que não há evidência de que o novo coronavírus seja transmitido por alimentos. A Aurora não foi oficialmente notificada sobre a decisão de Hong Kong, disse a ABPA, acrescentando que ela pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para resolver a questão, uma vez que o veto “não tem base científica”. Pelo acordo entre a Aurora e procuradores anunciado na segunda-feira, os testes para coronavírus serão realizados em dois estágios, com intervalos de 14 a 31 dias em quatro unidades. A Aurora pagará por testes com método RT-PCR para os trabalhadores de Guatambu, Xaxim e de duas unidades em Chapecó, segundo o comunicado do MTP. Cerca de 2.279 funcionários serão testados na unidade de Xaxim. Um total de 22 mil testes deve ser aplicado, o que representa 10% dos testes totais já realizados no Estado de Santa Catarina desde o início da pandemia, segundo o MPT.
REUTERS
INTERNACIONAL
Argentina exporta carne à China com declaração anti-covid
Ministério da Agricultura do Brasil resiste a pedido chinês por declaração semelhante
Cinco frigoríficos argentinos que tiveram casos de covid-19 entre funcionários e que chegaram a ter as vendas à China suspensas voluntariamente poderão voltar a exportar para o país asiático com uma “declaração adicional” garantindo serem, agora, plantas livres da doença. A garantia adicional, que foi oficializada ontem no site da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), ocorre em meio aos esforços de Pequim para evitar a introdução do novo coronavírus em seu território a partir das importações de alimentos. A detecção, na semana passada, de traços de covid-19 em um lote de asas de frango vindo do Brasil aumentou o rigor de autoridades municipais da província de Guangdong. Pequim e Brasília negociam um protocolo para ampliar a segurança no combate à covid-19 em frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para o mercado chinês. A China tem o claro objetivo de impor “risco zero” às importações de alimentos, em meio ao pavor em relação ao vírus. Mas, no Brasil, há uma diferença entre o que o Ministério da Agricultura pode legalmente fazer e o “risco zero” exigido pelo país asiático. Sofrendo a mesma pressão, a Argentina decidiu incluir a garantia junto ao certificado dos frigoríficos exportadores. Ao que tudo indica, a declaração adicional “anti-covid” vale para os frigoríficos que tiveram casos do novo coronavírus. A Argentina é o segundo maior fornecedor de carne bovina para a China – o Brasil é o principal. No primeiro semestre, o país asiático foi responsável por 47% da carne bovina exportada pelos argentinos. Com unidades na Argentina, Minerva e Marfrig estão entre as maiores exportadoras de carne. Em Buenos Aires, não se sabe se a declaração de garantia adicional tem prazo de validade. De qualquer forma, a decisão do governo argentino viabilizou, ainda que momentaneamente, a retomada das exportações dos cinco frigoríficos – quatro de bovinos e um voltado à produção de frangos. Entre junho e julho, o governo argentino chegou a suspender voluntariamente a habilitação para exportação à China das cinco unidades. Poucas semanas depois, as plantas foram liberadas, e nesta quinta-feira, a “declaração adicional” foi acrescentada à autorização para a exportação.
VALOR ECONÔMICO
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA
041 3088 8124
https://www.facebook.com/abrafrigo/

