CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 979 DE 24 DE ABRIL DE 2019

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Ano 5 | nº 979 | 24 de abril de 2019

NOTÍCIAS

Peste suína na China faz ações de frigoríficos dispararem

Impulsionados pelo surto do vírus da peste suína africana na China, os frigoríficos brasileiros ganharam R$ 17,6 bilhões em valor de mercado apenas em abril, mês em que o impacto da doença começou a ser incorporado pelos analistas de importantes corretoras. No acumulado de 2019, o ganho é maior – de R$ 31,8 bilhões -, mas muito concentrado na JBS

Juntas, os quatro frigoríficos brasileiros listados na bolsa (JBS, BRF, Marfrig e Minerva) valiam, ontem, R$ 85,8 bilhões na B3, crescimento de 26,8% ante os R$ 68,2 bilhões do fim de março. Por serem as empresas mais valiosas, JBS e BRF explicam a maior parte do movimento. Em abril, a dona da Sadia e Perdigão ganhou quase R$ 6 bilhões em valor de mercado. A dona da Friboi, por sua vez, ganhou mais de R$ 10 bilhões na B3. No ano, a JBS também é a principal estrela. O valor de mercado da empresa aumentou em mais de R$ 20 bilhões, atingindo quase R$ 54 bilhões. No período, a BRF ganhou R$ 6,5 bilhões. Além da peste suína, os investidores já estavam animados com a JBS, diante da melhor percepção sobre a governança da empresa e as boas perspectivas para a produção de carne nos Estados Unidos. Na bolsa, o gatilho de compras foi disparado, em grande medida, na semana passada, quando o banco Morgan Stanley recomendou enfaticamente as ações de frigoríficos. Desde então, os papéis da JBS intensificaram o movimento de alta, renovando seguidamente o recorde dos papéis. Ontem, mais uma vez, a empresa da família Batista fechou o pregão a R$ 19,72, maior patamar da histórica da empresa. Os papéis da BRF, que sofriam com o ceticismo dos investidores em relação à recuperação da rentabilidade da companhia, ganharam tração neste mês. No embalo da peste suína africana, as brasileiras Marfrig e Minerva, grandes exportadoras de carne bovina, também subiram. No pregão de ontem, a Marfrig registrou a maior alta do Ibovespa (7%), atingindo o maior patamar desde agosto (R$ 7,52). Por sua vez, os papéis da Minerva, que não compõe o principal índice da bolsa, subiram 8,9% ontem, cotadas a R$ 7,99.

VALOR ECONÔMICO

Apesar da demanda em baixa, oferta restrita limita quedas no mercado do boi

A oferta de compra a preços melhores nas últimas semanas permitiu que os frigoríficos alongassem as escalas de abate. Em função disso, os compradores estiveram seletivos na última terça-feira (23/4)

Por outro lado, a oferta não está lá essas coisas. Nesta segunda quinzena do mês, até o momento, a cotação do boi gordo caiu em 25,0% das regiões pecuárias e em 28,1% delas a cotação subiu. Em Goiânia-GO, nesse período, o lento escoamento por carne bovina resultou em queda de 1,7%, a maior variação negativa entre as praças pesquisadas. Já no Sul do Tocantins, apesar da demanda patinando, a oferta limitada de boiadas não tem dado espaço para quedas. Na região, a cotação do boi subiu 1,4% na segunda metade de abril.

SCOT CONSULTORIA

Aftosa: RS pede auditoria da Agricultura para virar área livre sem vacinação

Auditores do Ministério da Agricultura devem visitar o Rio Grande do Sul na segunda quinzena de julho para avaliar a situação do Estado em relação à febre aftosa no rebanho. O objetivo, conforme relatou a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seadpdr) do RS, em nota, é a obtenção do status de área livre de aftosa, sem vacinação

Ainda de acordo com a Seadpdr, o pedido de auditoria foi formalizado na segunda pelo Secretário de Agricultura, Covatti Filho, que entregou o documento ao Superintendente Federal do Ministério da Agricultura no RS, Bernardo Todeschini, em evento de lançamento da Frente Parlamentar em Apoio à Evolução do Status Sanitário Animal do RS. Covatti Filho disse que o RS vem cumprindo as metas estipuladas no Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa 2017-2026 desde uma auditoria do governo federal, feita em 2017. “O plano tem sido implementado e permitido alcançar as metas definidas, sendo que a maioria delas já foi atendida ou está em andamento”, garantiu. Conforme o documento, houve progresso no sistema de vigilância e monitoramento a campo em todo o Estado, incluindo o controle de trânsito animal e produtos de origem animal nos postos de divisa e fronteira. Covatti Filho disse ainda que o Rio Grande do Sul tem mantido adequada estrutura de pessoal e de equipamentos, capilaridade em todo seu território, e ausência de circulação viral de febre aftosa nos países limítrofes com o Estado.

Isto É

Tocantins: bezerro em alta

No Tocantins a demanda segue aquecida no mercado de reposição e as cotações estão em alta. Do início do ano até aqui, todas as categorias de macho valorizaram, com destaque para o bezerro de desmama (6@) que teve uma valorização média de R$100,00 por cabeça (8,4%)

Já a arroba do boi gordo, nesse mesmo período, também teve valorização (3,9%), porém, em menor patamar frente ao bezerro, diminuindo então o poder de compra do recriador e invernista. Em janeiro, com a venda de um boi gordo com 18@ comprava-se 2,11 bezerros de desmama (6@). Atualmente, nas mesmas condições, compra-se 2,02, ou seja, houve uma piora de 4,1% na relação de troca. Com as pastagens permitindo a retenção dos animais, no curto prazo a tendência é que a oferta de boi gordo para frigoríficos continue compassada, garantindo assim firmeza às cotações da arroba. Fator que estimula a demanda e a procura por negócios no mercado de reposição. Por outro lado, a oferta de bezerros de desmama tende a se incrementar nas próximas semanas. Porém, vale pontuar que o volume de bezerros entregues ao mercado este ano tende a ser menor em relação ao ano passado, pois mais fêmeas foram abatidas em 2017 diminuindo a produção de bezerros que chegarão ao mercado este ano.  

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Ibovespa fecha em alta; NY ajuda

MARFRIG avançou 6,97 por cento e BRF subiu 6,86 por cento, maiores altas do Ibovespa, conforme o setor de proteínas continua beneficiado por perspectivas de aumento de vendas para a China em razão do surto de peste suína africana naquele país. JBS subiu 3,84 por cento. Minerva, que não está no Ibovespa, ganhou 8,86 por cento

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, em sessão marcada por expectativas positivas sobre votação da reforma da Previdência e percepção de menor risco de greve de caminhoneiros no país, com Wall Street corroborando os ganhos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,41 por cento, a 95.923,24 pontos. O giro financeiro somou 13,1 bilhões de reais. Para Frederico Mesnik, sócio-fundador da Trígono Capital, o tom mais positivo desde a abertura do pregão teve, em parte, efeito do noticiário já na véspera sobre um possível acordo, com investidores esperando para ver como terminará a reunião na CCJ. Ele também destacou como relevante componente para a alta a redução das ameaças esparsas de paralisação de caminhoneiros, após acordo de representantes da categoria com o governo dissipar intenção de alguns de deflagrar greve na próxima semana. A trajetória positiva na bolsa paulista encontrou respaldo ainda no desempenho de Wall Street, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,88 por cento, na máxima histórica, com resultados corporativos acima do esperado.

REUTERS

Dólar fecha em leve queda com mercado na expectativa

O dólar fechou em baixa ante o real na terça-feira, abandonando alta de mais cedo, conforme investidores colocaram nos preços expectativa de que a reforma da Previdência avance na Câmara dos Deputados

A moeda norte-americana terminou em baixa de 0,26 por cento, a 3,9224 reais na venda. Ainda pela manhã, a cotação chegou a subir 0,82 por cento, para 3,9650 reais. Na B3, a referência do dólar futuro tinha queda de 0,46 por cento, a 3,9200 reais. O real esteve entre as moedas de melhor desempenho ante o dólar nesta sessão. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara iniciou ontem à tarde a reunião para analisar a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência. A previsão original era que a PEC da Previdência fosse votada na CCJ na semana passada, mas diante da ameaça real de sofrer uma derrota no colegiado e da aliança pontual entre partidos do centrão e a oposição, o governo acenou com alterações no texto da proposta e prometeu analisar as indicações a cargos de segundo escalão. A aposta majoritária do mercado é de aprovação do texto ainda neste ano, mas essa estimativa já representa um atraso, uma vez que seis meses atrás o cenário-base era de aprovação total da reforma até junho, notou o Diretor-Executivo de tesouraria e mercados globais do Itaú BBA, Christian Egan, em evento em São Paulo. Segundo ele, os mais de 30 bilhões de dólares em hedge cambial na B3 por parte dos estrangeiros não indicam apostas direcionais contra o real, mas estão mais associados a aumento na demanda por proteção de posições em juros (na curva a termo e em títulos públicos).

REUTERS

Caminhoneiros fecham acordo e recuam de greve na próxima semana

Representantes de caminhoneiros autônomos afirmaram na noite de segunda-feira terem fechado um acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que atendeu demandas da categoria e, dessa forma, vão recuar da intenção de alguns deles de deflagrar uma greve dos transportadores na próxima semana

Ao fim do encontro, na sede do ministério em Brasília, representantes disseram que será divulgado até o fim desta semana o reajuste da tabela do piso mínimo do frete de transporte com o objetivo de compensar o aumento de 10 centavos de real no litro do óleo diesel recentemente anunciado pela Petrobras. Outra medida que deverá ser adotada é o reforço na cobrança de empresas e embarcadores que não estejam pagando o piso mínimo do frete, disseram os representantes dos caminhoneiros. Participaram do encontro presidentes e dirigentes de 11 entidades de transportadores com abrangência regional e nacional, outros 8 de caminhoneiros autônomos e ainda o ministro da Infraestrutura com sua equipe.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

Ministério da China confirma novos focos de epidemia da peste suína em província

A doença foi identificada em seis fazendas na província localizada no sul do país asiático

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China confirmou que foram detectados novos focos da peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) na província de Hainan. A epidemia foi identificada em seis fazendas na província localizada no sul do país asiático. Anteriormente, dois casos já haviam sido registrados na mesma província. O Ministério informou que, dos 517 animais das seis fazendas, 146 foram eliminados em virtude da doença. Desde agosto, a febre suína vem se disseminando pelo território asiático e já alcançou todas as 31 províncias chinesas. Com o avanço da epidemia sobre o maior plantel de suínos do mundo, os preços da carne suína no país podem subir até 70% no segundo semestre deste ano, de acordo com o chefe do Departamento de Informações Econômicas e de Mercado do Ministério da Agricultura do país, Tang Ke. O plantel do país pode declinar até 13% para 374 milhões de animais até o fim deste ano, segundo estimativas do Ministério.

ESTADÃO CONTEÚDO

INTERNACIONAL

Ação diz que JBS e outras conspiraram para reduzir preços pagos a pecuaristas dos EUA

Quatro das maiores empresas de empacotamento de carne bovina que operam nos Estados Unidos foram acusadas nesta terça-feira de violarem a legislação federal antitruste, conspirando para reduzir preços que pagavam aos pecuaristas pelo gado, mesmo com os valores da carne de varejo rondando níveis recordes

Tyson Foods, Cargill, a unidade norte-americana da JBS e a National Beef Packing foram acusadas de conluio desde janeiro de 2015 para suprimir o preço de gado alimentado, que é o animal criado especificamente para produção de carne, com objetivo de expandirem margens e a lucratividade. A reclamação de 104 páginas, feita pelo Fundo de Ação Legal dos Pecuaristas Unidos da América (R-Calf, na sigla em inglês) e por outros quatro fazendeiros, foi protocolada na corte federal de Chicago, e busca indenizações compensatórias e punitivas. O processo se assemelha ao litígio em que empresas, incluindo Tyson e JBS, foram acusadas de conspirar para fixar preços de frangos de corte e suínos, protocolada no mesmo tribunal. A Tyson afirmou que a ação é “infundada, e que assim como nos processos a respeito das carnes de frango e suína, não há mérito para a alegação de que participou de conluio. “A Tyson deseja que seus fornecedores sejam bem-sucedidos”, acrescentou. As outras empresas não responderam de imediato a pedidos de comentários. De acordo com a reclamação, Tyson, Cargill, JBS e National Beef conspiraram para suprimir preços através de táticas como importações de gado estrangeiro com prejuízo, fechamento de abatedouros e redução dos volumes de compra e abate. A conspiração “gerou entre produtores uma apreensão de que não seriam capazes de ‘matar seu gado’” a não ser que os preços fossem reduzidos, e levou a uma diminuição artificial média de 7,9 por cento nos preços dos bovinos, afirmou a ação.

REUTERS

Crise reformulará mercado global de proteínas animais

A população de porcos do país da China, a maior do mundo, deverá diminuir mais de 30%, com a perda de cerca de 130 milhões de animais, diante do surto de peste suína africana (PSA) que devasta as granjas chinesas. A crise reformulará os mercados globais de proteínas, puxando para cima os preços, ao mesmo tempo em que a China, principal país produtor e consumidor mundial de carne suína, se prepara para anos de escassez e desabastecimento em seu mercado

“Esse foi um poderoso agente de mudança”, diz Jais Valeur, CEO da Danish Crown, maior processadora europeia de carne suína. “Estamos apenas começando a ver o verdadeiro impacto da peste suína africana.” A atual onda de focos começou na Geórgia em 2007 e se alastrou para partes da Europa Oriental e da Rússia antes de chegar à China, em agosto do ano passado. Após Pequim sustentar por oito meses que a situação estava sob controle, a crise se tornou inegável. O Ministério da Agricultura chinês informou na semana passada que uma estimativa preliminar sugere que os preços da carne suína subirão mais de 70% no segundo semestre. A queda acentuada da população de porcos da China abalou todo o setor de alimentos mundial. Os contratos futuros de suínos em pé dispararam em Chicago. As ações de frigoríficos dispararam em São Paulo e em Nova York. As vendas de carne suína dos EUA para a China bateram recorde, apesar da tarifa de 62% imposta por Pequim sobre o produto americano em meio às disputas comerciais entre os dois países. A população chinesa, de 1,4 bilhão de habitantes, consome 55 milhões de toneladas de produtos à base de carne suína por ano, de longe o maior volume dentre todos os países do planeta. O consumo de carne das famílias cresceu persistentemente com a alta da renda, e o grosso dessa demanda era atendido por uma população doméstica de mais de 430 milhões de suínos antes do surto. Mas as mortes causadas pela doença e pelo sacrifício de animais deverão resultar numa redução de 130 milhões de porcos na China até o fim deste ano, segundo estimativas da analista Christine McCracken, do Rabobank. “Não é pouca coisa. Eles têm 50% dos suínos do mundo e perderam 30% dessa produção”, disse. O impacto do problema será duradouro. Ernan Cui, analista de consumo para a China da Gavekal Dragonomics, afirmou que, embora a erradicação da PSA tenha levado pelo menos cinco anos em outros países, o tamanho do mercado chinês, sua estrutura reguladora e seus baixos parâmetros sanitários deverão prolongar a crise. “Para o país como um todo, pode ser um processo muito prolongado. É provável que dure mais que uma década”, disse ela. Cui acrescentou que a doença deverá acelerar a concentração de capital no segmento, na medida em que as pequenas fazendas de criação, responsáveis por cerca de 66% da oferta, enfrentam dificuldades para arcar com os custos necessários para deter a doença. O Rabobank prevê escassez em outros países da Ásia e da América Latina dependentes de importações, numa “mudança sem precedentes do comércio” em vista do redirecionamento da oferta de carne suína para o mercado chinês…

https://www.valor.com.br/agro/6223411/crise-reformulara-mercado-global-de-proteinas-animais

VALOR ECONÔMICO

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