
Ano 4 | nº 786 | 04 de julho de 2018
NOTÍCIAS
Carne bovina no atacado: mercado perdeu a firmeza
As seguidas valorizações da carne bovina no atacado ocorridas ao longo de onze semanas, sendo a das quatro últimas, resultado da recomposição gradual de estoque dos varejistas depois da interrupção do transporte de carga, chegaram ao fim
No acumulado dos últimos sete dias os preços dos produtos desossados caíram 0,7%, em média, comportamento agora alinhado ao que se tem visto no mercado de carne com osso há pelo menos quinze dias. As cotações do boi casado, a carcaça bovina, refletem mais rapidamente as variações do comportamento da demanda. Os indicadores de consumo pioraram. O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) e o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estão no patamar mais baixo desde de fevereiro e janeiro de 2018, nesta ordem. Mas, apesar do recuo semanal e do cenário atual de demanda, a carne sem osso vendida pelas indústrias acumula valorização anual 2,5 pontos percentuais acima da inflação medida pelo IPCA no período (maio/17 x maio/18), que ficou em 3,1%.
SCOT CONSULTORIA
Escalas de abate encurtando no mercado do boi gordo
A última terça-feira (3/7) foi de poucos negócios no mercado do boi gordo
A oferta de boiadas está diminuindo gradualmente e aos poucos as escalas de abate estão encolhendo. Em algumas praças, como as de Rondônia e do Triângulo Mineiro, há frigoríficos comprando boiadas para essa semana. Apesar das programações ajustadas, o escoamento lento da carne permite às indústrias trabalharem com estoques enxutos. Diante disso, as compras estão devagar. No mercado atacadista de carne bovina com osso, apesar do período de pagamento de salários, o consumo até aqui não tem sido suficiente para estimular o mercado. A carcaça de bovinos castrados está cotada em R$9,00/kg.
SCOT CONSULTORIA
Projeções indicam que Brasil deve seguir avançando no comércio global
As projeções da OCDE e da FAO por produtos ilustram como o Brasil continuará como ganhador no comércio agrícola global nos próximos anos. Para as carnes, por exemplo, a previsão do relatório é que em 2027, a produção mundial deverá ter aumentado 15% em relação aos últimos dez anos
Essa produção suplementar virá em 76% dos países em desenvolvimento, com alta significativa da produção de frango. Consumidores nos países em desenvolvimento deverão elevar e diversificar o consumo, podendo escolher em alguns casos carnes mais caras, como de bovinos e de ovelha. Os principais exportadores, o Brasil e os EUA, deverão pesar ainda mais nesse segmento e representar 45% das vendas globais de carnes. A demanda continuará forte na Ásia, sobretudo nas Filipinas e no Vietnã. Os grandes importadores incluem a China, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Até 2027, o preço de carnes deverá aumentar progressivamente em termos nominais, mas declinar em termos reais. Para o açúcar, a projeção é de que a produção à base de cana e de beterraba deverá crescer menos rapidamente do que na última década. O Brasil deve se manter como o maior produtor, e Índia, China e Tailândia têm boas perspectivas. No caso das oleaginosas, a projeção é que produção mundial aumentará cerca de 1,5% ao ano, num ritmo menor que na última década. O Brasil e os EUA serão os principais produtores com volumes comparáveis. Os preços deverão igualmente declinar em valor real. Para os cereais, a previsão é que a produção mundial deverá crescer 13% entre hoje e o ano de 2027, graças a ganhos de produtividade. A Rússia vai estar mais presente no mercado internacional de trigo — o país já superou a União Europeia na exportação do cereal. A fatia de Brasil, Argentina e Rússia no mercado de milho deverá aumentar e a dos EUA diminuir. A parte da União Europeia nas exportações de lácteos deverá passar de 27% a 29%. Com exceção de leite em pó, os preços do lácteos deverão baixar em termos reais.
VALOR ECONÔMICO
Comissão Mista vota na 4ª-feira relatório da MP do frete rodoviário
A comissão Mista do Congresso Nacional que analisa a Medida Provisória 832, que trata da tabela do frete rodoviário, vai votar na quarta-feira o relatório do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que recomenda a aprovação da política de preços mínimos
Em seu parecer, o relator incorporou ao texto o conteúdo de algumas sugestões, como a inclusão de representantes dos setores contratantes e embarcadores dos fretes no processo de elaboração da tabela. A tabela foi uma das exigências dos caminhoneiros para encerramento da greve de 11 dias que paralisou o país no final de maio e que ainda tem trazido consequência para a economia. Entidades que representam setores industriais e agrícolas afirmam que o estabelecimento de preços mínimos marca interferência do governo na ordem econômica, violando a livre iniciativa e a livre concorrência. Já entidades representantes dos caminhoneiros afirmam que os motoristas precisam de condições para garantir um retorno adequado para a sua atividade, afetada pela queda no volume de cargas e aumento dos preços do petróleo. O relator também incluiu dispositivos para que a oscilação do preço do diesel possa ser considerada. “Sempre que ocorrer oscilação no preço do óleo diesel no mercado nacional superior a 10 por cento em relação ao preço considerado na planilha de cálculos de que trata o caput, para mais ou para menos, nova norma com pisos mínimos deverá ser publicada pela ANTT, considerando a variação no preço do combustível”, diz o texto do projeto relatado pelo deputado. Após passar pela comissão, a MP ainda precisa ser votada pelos plenários da Câmara e do Senado.
REDAÇÃO REUTERS / CÂMARA
Produção e exportação mundial de carnes deverá crescer em 2018
Duas vezes por ano, em abril e outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publica um relatório com as expectativas de produção, exportação, consumo e estoques das proteínas bovina, de frango e de suíno no mundo.
Segundo o último relatório, a expectativa para 2018 é de que o comércio mundial de carne bovina cresça 5% chegando a 10,5 milhões de toneladas, o de frango aumente 2% (11,3 milhões de toneladas) e o de suíno 1% (8,3 milhões de toneladas) em relação a 2017. O aumento das exportações de carne bovina deverá ser impulsionado pela melhora na demanda global e pelos preços competitivos. A expectativa é de que importantes exportadores, como Brasil e EUA, aumentem as exportações, com preços menores. Em 2018, para o Brasil a expectativa é de que o aumento chegue a 9%, resultado da demanda da China e de Hong Kong que deverão continuar crescendo já que a produção doméstica, estagnada, não é capaz de atender ao aumento do consumo. Nos EUA, a alta deverá ser de 6% com o aumento da demanda da Coreia do Sul, Japão, México e Canadá. A produção global de carne bovina deverá ter crescimento anual de 2% em 2018, chegando a 63 milhões de toneladas, resultado do aumento da produção principalmente nos EUA, Brasil, Austrália e Argentina. No Brasil, a maior produção é resultado do aumento do peso de carcaça dos bovinos, maior demanda interna e melhora nas exportações. Já na Argentina, a seca que atingiu o país está obrigando os produtores a comercializarem o gado mais cedo para aliviar as pastagens e com isso, espera-se que com a maior taxa de abate ocorra melhora na produção. Na Austrália, as condições climáticas adversas retardarão os esforços de reconstrução do rebanho, mas os pesos mais altos das carcaças aumentarão a produção. Nos EUA, o aumento na produção deverá ser de 6% ou 663 mil toneladas de equivalente de carcaça, resultado da expansão do rebanho no país.
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Após subir quase 1% na véspera, dólar cai e vai abaixo de R$3,90
Após saltar quase 1 por cento na véspera, o dólar fechou em queda nesta terça-feira e abaixo do patamar de 3,90 reais, com a cena externa um pouco mais tranquila, mas com o mercado sob a expectativa de que o Banco Central pode voltar a fazer intervenções extraordinárias
O dólar recuou 0,40 por cento, a 3,8954 reais na venda, depois de ir a 3,9111 reais no pregão passado e ter registrado valorização por cinco meses seguidos de mais de 20 por cento. O dólar futuro cedia cerca de 0,50 por cento no final da tarde. “O tema da guerra comercial seguirá presente ao longo da semana”, escreveu a equipe de economistas do banco Bradesco em relatório, referindo-se ao prazo de 6 de julho em que os Estados Unidos pretendem impor tarifas sobre 34 bilhões de dólares em bens da China, o que deve desencadear retaliação. Neste pregão, os mercados globais respiraram um pouco mais aliviados após o banco central da China informar que está observando de perto as flutuações no câmbio e que buscará manter o iuan estável e a um nível razoável. Além disso, a cena política na Alemanha ajudou a tirar pressão sobre os mercados financeiros, depois que os conservadores da chanceler alemã Angela Merkel chegaram a um acordo sobre imigração e deram algum alívio aos investidores que enfrentam uma série de preocupações políticas. O dólar recuava cerca de 0,55 por cento sobre uma cesta de moedas e também frente a moedas de países emergentes, como o peso chileno. Os mercados financeiros norte-americanos fecharam mais cedo neste pregão devido ao feriado pelo Dia da Independência, no dia seguinte, limitando o volume financeiro em outras praças.
Redação Reuters
Ibovespa avança em sessão com liquidez menor por sessão curta em NY
O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, em pregão com giro financeiro menor em razão da sessão mais curta em Nova York, com o avanço das ações dos bancos Bradesco e Itaú Unibanco e do grupo de ensino Kroton entre as maiores contribuições positivas
O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 1,14 por cento, a 73.667 pontos. O volume financeiro somou apenas 8,184 bilhões de reais, abaixo da média diária do ano, de 11,9 bilhões de reais. Na máxima do dia, o Ibovespa subiu 2,3 por cento, superando os 74 mil pontos. A piora em Wall St, contudo, enfraqueceu o ímpeto local. As bolsas norte-americanas fecharam mais cedo em razão do feriado do Dia da Independência, na quarta-feira. O S&P 500 cedeu 0,49 por cento, pressionado pelo setor de tecnologia. “Com o pré-feriado nos EUA e sem fluxo de venda de estrangeiros, houve espaço para alguma recuperação de preços”, destacou o gestor Marco Tulli Siqueira, da mesa de Bovespa da corretora Coinvalores, enxergando um mercado mais calmo. Em relatórios com as recomendações do mês, estrategistas de ações não descartaram algum repique do Ibovespa em julho, após forte correção recente, citando melhora na relação risco versus retorno.
Redação Reuters
Brasil tem superávit comercial de US$5,882 bi em junho e fecha 1º semestre com saldo positivo de US$30 bi
O Brasil registrou superávit comercial de 5,882 bilhões de dólares em junho, fechando o primeiro semestre do ano com saldo positivo de 30,055 bilhões de dólares, divulgou o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços nesta terça-feira
“Estamos mantendo o crescimento tanto das importações quanto das exportações com a retomada da economia”, afirmou a jornalistas o ministro da pasta, Marcos Jorge. No mês, as importações subiram 13,7 por cento sobre o mesmo mês do ano passado, pela média diária, a 14,320 bilhões de dólares no volume total, fechando o primeiro semestre com alta de 17,2 por cento a 83,779 bilhões de dólares. As exportações também avançaram, mas em menor ritmo, com alta de 2,1 por cento em junho, também pela média diária, somando ao todo 20,202 bilhões de dólares. No semestre passado, o volume foi de 113,834 bilhões de dólares, com alta de 5,7 por cento sobre um ano antes. O ministério já havia previsto que a aceleração da atividade iria elevar as importações e reduzir o superávit da balança comercial brasileira ao patamar de 50 bilhões de dólares em 2018, ante 67 bilhões de dólares de 2017, projeção mantida pelo ministro agora. O maior aumento foi dos produtos manufaturados, de 7,6 por cento a 7,258 bilhões de dólares. Segundo o ministério, houve recorde nos embarques de minério de ferro, soja em grão, farelo de soja e celulose.
Redação Reuters
EMPRESAS
Conselho da JBS aprova programa de recompra de até 10% das ações em circulação
O conselho de administração da empresa de alimentos JBS JBSS3.SA aprovou programa de recompra de até 10 por cento das ações da companhia em circulação no mercado a partir de 9 de agosto
O programa, com vigência de 18 meses, vai envolver a aquisição de até 160,4 milhões de ações ordinárias da companhia, em ação para maximizar a geração de valor para os investidores, informou a empresa na ata de reunião realizada em 26 de junho, mas divulgada nesta terça-feira. As ações da JBS encerraram nesta terça-feira em alta de 0,11 por cento, cotadas a 9,30 reais. Com isso, se exercido na totalidade, o programa de recompra movimentaria 1,49 bilhão de reais ao preço do fechamento desta sessão. Em comunicado ao mercado, a JBS afirmou que a recompra das ações “não acarretará qualquer prejuízo ao cumprimento das obrigações assumidas pela companhia, tampouco comprometerá o pagamento de dividendos obrigatórios”. Segundo a companhia, a recompra será feita a preços de mercado dos papéis.
Redação Reuters
FRANGOS & SUÍNOS
Setor de suínos chinês terá alta de preços por disputa com EUA, dizem OCDE e FAO
Consumidores chineses podem enfrentar uma alta significativa nos preços da carne de porco no médio prazo, depois de Pequim ter imposto mais tarifas de importação sobre os produtos agrícolas norte-americanos, em meio a disputas comerciais com Washington, disseram a OCDE e a FAO nesta terça-feira
A China disse no mês passado que vai impor taxas extras de 25 por cento sobre mais de 500 produtos dos Estados Unidos, incluindo a soja, a partir do dia 6 de julho, como resposta ao plano norte-americano de impor tarifas sobre 50 bilhões de dólares em produtos chineses, conforme as disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo se intensificam. As ameaças comerciais perturbaram os fluxos de mercados por todo o setor de commodities, do sorgo ao carvão, e inflacionaram o preço dos ingredientes para ração animal, como o farelo de soja. A China, maior produtor e importador de suínos no mundo, depende do farelo de soja para alimentar os porcos, disseram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em seu Panorama Agrícola para 2018-2027. “No médio prazo, tarifas mais altas e, portanto, um custo maior para a soja e para grãos para ração podem aumentar o custo da produção na indústria de suínos da China”, escreveram no relatório. “Isso, combinado com as tarifas mais altas e, portanto, preços maiores da carne de porco importada, poderia levar a aumentos perceptíveis nos preços domésticos de suínos”, adicionaram as organizações. Mas, no longo prazo, os efeitos da disputa entre EUA e China devem ser modestos, uma vez que a China pode potencialmente buscar produtos agrícolas de outros países, enquanto os EUA têm potencial para suprir outros mercados, disseram FAO e OCDE.
Redação Reuters
Suíno se desvalorizou quase 12% na última semana
Retração no consumo fez compradores diminuírem os negócios com produtores, para evitar acúmulos nos estoques
O suíno terminado caiu 11,8% em sete dias, segundo acompanhamento do Scot Consultoria. Nas granjas paulistas, a arroba passou de R$ 68 para R$ 60. No atacado, a desvalorização também é bastante significativa: 9,6%, com o quilo da carcaça cotada a R$ 4,70. A analista de mercado Juliana Pila explica que as vendas na ponta final da cadeia estão em ritmo desacelerado. “Em função disso, os compradores colocaram o pé no freio a fim de não acumularem estoques”, diz. Segundo ela, com a entrada do novo mês, é possível que haja uma maior movimentação no mercado. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz aponta que, em Minas Gerais, o suíno vivo se desvalorizou 5,22% entre 22 e 29 de junho. As quedas observadas no Sul foram menores: Paraná (2,5%), Rio Grande do Sul (0,68%) e Santa Catarina (1,94%).
CANAL RURAL
BNDES abre linha de crédito de R$1,5bi para capital de giro a empresas de proteínas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está abrindo uma linha de financiamento para capital de giro de 1,5 bilhão de reais para empresas de proteína animal, disse na terça-feira o Presidente da instituição, Dyogo Oliveira
“O setor de proteína animal, especialmente frango e suíno, foi muito afetado pela greve dos caminhoneiros, houve perdas muito importantes de animais e prejuízos da cadeia produtiva, e as empresas precisam repor esses animais, esses estoques”, disse Oliveira a jornalistas, em Brasília. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estimou no começo de junho que os protestos que bloquearam rodovias e causaram mortandade nas granjas geraram impactos negativos de 3,15 bilhões de reais ao setor produtor e exportador de aves, suínos, ovos e material genético. A linha tem prazo de 60 meses para o pagamento e 24 meses de carência, com Taxa de Longo Prazo (TLP) mais spread de risco que varia conforme a empresa, de acordo com Oliveira. “Isso deve chegar ao tomador final em torno de 10 a 11 por cento ao ano, o que é uma taxa bastante atrativa. Essa linha já está disponível”, afirmou Oliveira.
Redação Reuters
Maiores informações:
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
Powered by Editora Ecocidade LTDA
041 3088 8124
https://www.facebook.com/abrafrigo/
