
Ano 4 | nº 751 | 15 de maio de 2018
NOTÍCIAS
Ajuste de oferta e concorrência com aves são os desafios dos frigoríficos
Em um ano de incerteza quanto à recuperação do poder de compra da população, os frigoríficos brasileiros terão pela frente o desafio de ajustar a oferta de carne bovina à demanda para garantir margens mais folgadas no segundo semestre, avaliam analistas
“Ainda não está claro qual será o ritmo e o tamanho da recuperação econômica. Neste começo de ano esperava-se retomada de renda e aumento do consumo, o que não aconteceu”, afirma Alex Lopes, da Scot Consultoria. “Essa expectativa levou frigoríficos a aumentar abates e retomar atividades em plantas, mas o consumo não cresceu na mesma medida”. A Minerva Foods, por exemplo, aumentou em 4% os abates no País nos primeiros três meses de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior – para 877,5 mil cabeças – amparada por uma boa oferta de animais e uma demanda firme de exportações. Nos primeiros três meses deste ano a Minerva reportou prejuízo de R$ 114,7 milhões. “O primeiro trimestre é sempre desafiador, com menores margens e menos faturamento”, disse o presidente da empresa, Fernando Galletti de Queiroz, ontem, em conferência para apresentação de resultados com analistas. Galletti atribuiu o resultado à variação cambial e também destacou o desafio da substituição da carne bovina e a de frango. O aumento de oferta no mercado interno, resultado de uma queda nas exportações, deixou a carne de frango mais competitiva. “A diferença (entre os preços) está no maior nível histórico”, afirma a Diretora da Agrifatto, Lygia Pimentel. Para o segundo trimestre, Galletti aposta em um resultado neutro para as operações do frigorífico no País. “Mesmo com a concorrência maior, esperamos um abate estável e uma oferta maior de animais” afirmou Galletti. Outro desafio para os frigoríficos neste ano serão os preços do milho, que vem subindo diante na menor oferta na Argentina e da perspectiva de queda de produção no Brasil. “Não há sinais de que os preços vão cair, o que pode reduzir a oferta de animais. Os próximos 90 dias vão ser importantes para sabermos como o pecuarista vai lidar com esse aumento nos custos de engorda e quais serão os preços desse boi de final de safra.” Para Lopes, da Scot Consultoria, este será um ano propício para os frigoríficos, mas não muito diferente de 2017. “Já a situação para 2019 é mais animadora, pois devemos ter um crescimento na demanda e uma redução de oferta de animais, devido ao aumento do abate de fêmeas em 2017 motivado pela queda de preços de bezerro no começo do ano passado”, destaca Lopes. Os embarques têm compensado a demanda fraca no mercado interno e não foi diferente para o Minerva. A empresa ampliou as exportações em 21% a partir do Brasil nos primeiros três meses do ano ante ano mesmo período de 2017 com forte demanda dos países asiáticos, do Chile, do Norte da África e do Oriente Médio. A empresa respondeu por 19% dos embarques no período. Galletti destacou a perspectiva de abertura das exportações brasileiras para a Indonésia – o que ele projeta que deva ocorrer ainda no primeiro semestre – e expectativa de abertura de mercado para os Estados Unidos como um fator positivo. “Parece que não temos restrição técnica, a negociação está muito mais no nível político. Tanto Brasil como Argentina estão trabalhando bem para isso e acredito que a abertura desse mercado pode sair rapidamente”, diz Galletti. Em abril, porém, os embarques registraram o primeiro resultado negativo do ano, com uma queda de 4% em volume e de 5% na receita em abril segundo informações da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Foram exportadas 85 mil toneladas com receita de US$ 344,7 milhões. “Essa retração poderá afetar o desempenho da companhia no segundo trimestre, que tem um foco grande no mercado externo”, pondera Lygia.
Diário Comércio Indústria & Serviços
Paradeira no mercado do boi gordo
O mercado do boi gordo esteve em compasso de espera na última segunda-feira (14/5). Foram poucas as ofertas de compra
Alguns frigorificas tentaram fazer posição, mas ofertas abaixo da referência de preço não despertam o interesse do vendedor. Em São Paulo a cotação da arroba do boi gordo ficou em R$139,00, à vista, livre de Funrural. Queda de 2,8% em trinta dias. Apesar da desvalorização, houve ofertas de compra até R$2,00/@ abaixo desse nível. No mercado atacadista de carne bovina com osso, o boi casado de bovinos castrados está cotado em R$9,32/kg, queda de 1,6% em um mês.
SCOT CONSULTORIA
Alta de preços da carne bovina sem osso no atacado
No atacado, na média de todos os cortes de carne bovina sem osso pesquisados pela Scot Consultoria houve valorização de 1,0% na semana passada
A alta foi puxada principalmente pelos cortes de dianteiro que tiveram valorização de 1,6% no período. Já para os cortes do traseiro a valorização foi de 0,8%. Entre os cortes, destaque para a picanha com valorização de 3,6% em sete dias. O início do mês e o Dia da Mães, segundo melhor feriado em vendas para os varejistas, animaram as compras e permitiram que os frigoríficos ofertassem preços maiores na última semana. Além disso, os frigoríficos continuam abatendo um menor volume de animais, no intuito de controlar os estoques.
SCOT CONSULTORIA
Novo RIISPOA concentrou-se na segurança alimentar, diz secretário Luís Rangel
Presidente Temer assinou o novo Regulamento em 29 de março de 2017
Ao analisar as principais ações da Defesa Agropecuária dos últimos dois anos, no período 2016-2017, o Secretário Luís Rangel disse que na elaboração do novo Regulamento de Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) “focamos na segurança do alimento, o que realmente importa”. A primeira publicação do RIISPOA ocorreu em 1952, passou por sucessivas revisões, até que na edição de 29 de março de 2017 houve redução expressiva de 900 para 500 artigos. “A eliminação de 400 artigos já é, naturalmente, uma redução de burocracia”, explicou o secretário, “mas, ao nos concentrarmos na segurança alimentar, estamos trabalhando para garantir o que realmente importa. E abrimos a possibilidade de incluir, por exemplo, o produto artesanal no ambiente regulatório. Ainda é um desafio, não está resolvido ainda, mas há um impacto positivo para se retirar da marginalização os produtos artesanais.” O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o segundo órgão federal com maior interveniência no comércio internacional brasileiro, depois da Receita Federal. A partir deste princípio, o MAPA desenvolveu soluções tecnológicas para redução dos procedimentos burocráticos de anuência da exportação e importação, e assim integrar-se ao Portal Único do Governo Federal, liderado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). “Neste mês de maio”, disse Luís Rangel, “o Ministério da Agricultura foi o primeiro órgão a entregar o seu módulo de Portal Único, dois meses antes do funcionamento pleno, previsto para julho de 2018. Isso para mim é uma medalha de ouro.” Segundo Rangel, a erradicação da Febre Aftosa com vacinação foi o projeto mais audacioso da Defesa Agropecuária realizado nesse período 206-2017. “É a doença mais emblemática de saúde animal no mundo”, disse o Secretário. “Depois de 50 anos de muito trabalho, conseguimos a “medalha de prata”, que é o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) de País livre de aftosa com vacinação, a ser oficializado no próximo dia 24 de maio, em Paris. Quando o Brasil for declarado livre de aftosa sem vacinação, em 2022, será a nossa “medalha de ouro”. Vamos ter mais acesso aos mercados premium de carne.” Outras consequências positivas do sucesso do PNEFA começam a surgir. O Secretário explica que o Brasil foi o único país do mundo que adotou a estratégia de erradicar a febre aftosa com vacinação, um projeto audacioso em razão da dimensão territorial. Ao final demonstrou-se que o Brasil dispõe de um serviço veterinário com estrutura e capacidade técnica para enfrentar qualquer enfermidade. “A partir de agora”, comemora o Secretário, “vamos exportar milhões de dólares em tecnologia de produtos e insumos agropecuários – o que normalmente não exploramos, pois somos importadores –, para combater doenças como a peste suína clássica na China e Sudeste Asiático. É a virada de chave”. O reconhecimento internacional pela OIE só poderia ocorrer depois de realizado o levantamento soroepidemiológico de todo o rebanho brasileiro, comprovando, por evidências científicas, a ausência da doença em território nacional. A pleuropneumonia contagiosa bovina é de notificação obrigatória pela OIE. “Conseguimos o certificado de livre da doença ainda no ano de 2017”, aponta o Secretário.
MAPA
Cheia no Pantanal faz pecuarista retirar o gado
Áreas mais afetadas estão nos municípios de Aquidauana e Miranda; rios chegaram a 10 metros de profundidade
A temporada de cheia promete ser rigorosa para os pecuaristas do Pantanal sul-mato-grossense. Apesar de a expectativa para o alagamento da região de Ladário ser classificada como normal, o grande volume de chuvas em áreas de planície já causou inundações antecipadas em algumas regiões do bioma. Entres as áreas mais afetadas estão os municípios de Aquidauana e Miranda, onde os rios passaram de 10,40 metros e 7 m de profundidade, respectivamente. “Essas regiões tiveram volume recorde de chuvas e os rios transbordaram, afetando fortemente as cidades próximas”, destacou o pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani. As águas estão descendo pelos afluentes e devem encontrar o Rio Paraguai entre o fim de maio e início de junho, causando alagamentos em Ladário, maior região do Pantanal. A expectativa desse ano é que o rio alcance 5,50 metros de profundidade nesse período. “A calha do rio é de aproximadamente 4 metros e qualquer volume além disso já causa inundações. Caso o pico desse ano se confirme, a área terá alagamentos de até 1,5 metro”, explicou Padovani. Embora acarrete diversas complicações, a cheia esperada para esse ano é considerada média pelo acompanhamento histórico da região. A inundação só é classificada como alta se o rio passar de 6 metros de profundidade. Os alagamentos são uma das principais características do Pantanal e os pecuaristas que possuem fazendas na região são alertados para iniciar a retirada dos rebanhos das áreas baixas desde o início do ano. Os animais retirados geralmente são comercializados para mitigar os prejuízos ou seguem para outras fazendas em regiões mais altas. A Embrapa Pantanal estima que o rebanho local seja de 2,3 milhões de cabeças, sendo que 42% desse total deve ser retirado da região este ano. “Desde janeiro alguns pecuaristas já se movimentaram para tirar o gado da região. Os que fizeram isso se beneficiaram por conseguir encontrar estradas mais vazias, frete menor e tiveram maior poder de barganha na negociação, já que o aumento da oferta nesta época do ano deve fazer a arroba oscilar”, conclui Carlos Padovani. Devido à movimentação para retirada dos animais, o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, encaminhou ao governo de MS o laudo técnico da Embrapa Pantanal para que o calendário de vacinação da região seja prolongado. O secretário estadual do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, alega que o governo está acompanhando a situação e que caso seja necessário, o pedido dos pecuaristas será atendido. A princípio a vacinação no Pantanal teve início no dia 1º de maio e segue até o dia 15 de junho.
Portal DBO
ECONOMIA
Valor da Produção Agropecuária é de R$ 542 bilhões em 2018
Lavouras respondem por 67,6% e pecuária por 32,4%
Em 2018, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) está estimado em R$ 542 bilhões, resultado 2,4% abaixo de 2017 (R$ 555,4 bilhões). As lavouras contribuem com R$ 366,2 bilhões e a pecuária com R$175,8 bilhões, ambas com faturamento menor neste ano. Entre os produtos que apresentam melhor desempenho, destaque para algodão (23,7%), amendoim (4%), cacau (22,2%), café (5,6%), mamona (160,6%), soja (7,1%), tomate (26,2%) e trigo (44%). O VBP da soja está estimado em R$ 129,85 bilhões e o algodão em R$ 27,5 bilhões. De acordo com José Garcia Gasques, coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “são dois produtos com os maiores valores já obtidos na série estudada. O algodão que vem se destacando pela expansão de área e por preços maiores, neste ano supera o valor da produção do café, que tradicionalmente tem sido maior.” Os dados mostram que o valor da produção das cinco principais lavouras (soja, cana de açúcar, milho, algodão e café) representam 53,9% do valor total de 2018, sendo que 24% referem-se a soja. Outro grupo de produtos tem apresentado resultado desfavorável: arroz (- 20,4%), banana (-4,6%), cana de açúcar (-5,5%), feijão (- 24,9%), laranja (-22,7%), mandioca (6%), milho (-7,8%) e uva (-32,3%). A combinação de menores preços e quantidades resulta em valores mais baixos. Não é o caso do milho e da cana de açúcar cuja queda de valor ocorre mesmo com produção mais alta neste ano. A pecuária apresenta uma redução real do VBP de 3,8%. Todos os produtos desse setor estão apresentando desempenho negativo em relação a 2017. À exceção dos ovos que devido à forte alta de preços apresentam melhor resultado do que no ano passado. As quedas mais acentuadas de valor são observadas em carne suína, leite e carne de frango. “No caso das carnes, estas têm sido afetadas também pelos preços internacionais mais baixos”, explica Gasques. Os resultados regionais mostram os seguintes valores de VBP: Centro Oeste (R$ 153,3 bilhões), Sul (R$ 136,4 bilhões), Sudeste (R$ 129,9 bilhões), Nordeste (R$ 49,4 bilhões) e Norte (R$ 32,8 bilhões). As regiões Sul e Centro Oeste participam com 53,5% do valor total do VBP de 2018.
MAPA
Embargo europeu a plantas de frango brasileiras começa a valer nesta semana
O cancelamento das habilitações de 20 unidades de processamento de carne de frango brasileiras para exportação à União Europeia (UE), incluindo 12 plantas da BRF S.A., começa a valer nesta semana após a publicação oficial da decisão no Diário Oficial europeu na segunda-feira (14)
As unidades da BRF descredenciadas são: Ponta Grossa (PR), Concórdia (SC), Dourados (MS), Serafina Correa (RS), Chapecó (SC), Capinzal (SC), Rio Verde (GO), Marau (RS), Várzea Grande (MT), Toledo (PR), Francisco Beltrão (PR) e Nova Mutum (MT). Além dessas unidades da BRF, foram suspensas plantas da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em Cafelândia (PR); da Cooperativa Agroindustrial (Copagril), em Marechal Cândido Rondon (PR); da Zanchetta Alimentos Ltda, em Boituva (SP); da São Salvador Alimentos S/A, em Itaberaí (GO); da Bello Alimentos Ltda, em Itaquiraí (MS); da Cooperativa Agroindustrial Coopavel, em Cascavel (PR); da Avenorte Avícola Cianorte Ltda, em Cianorte (PR); e da LAR Cooperativa Agroindustrial, em Matelândia (PR). A suspensão das compras pela UE já era esperada desde meados de abril, quando o governo brasileiro anunciou que questionaria a decisão na Organização Mundial do Comércio (OMC) por considerar que a medida não tem motivação sanitária e visa limitar o acesso do produto brasileiro ao mercado europeu. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) brasileiro suspendeu temporariamente os embarques de carne de frango da BRF de forma cautelar para a UE em março, após a Polícia Federal revelar investigação sobre potencial fraude em laudos laboratoriais envolvendo funcionários da companhia. Essa suspensão cautelar foi definida enquanto o governo brasileiro respondia a questionamentos de autoridades europeias, buscando evitar o descredenciamento total das plantas. Desde então, a BRF já anunciou férias coletivas para funcionários de quatro unidades de produção de carne de frango no Brasil para ajustar a produção à demanda. “Como medida prática, a companhia concluirá os estudos e avaliações já em andamento com relação ao planejamento de sua produção, a fim de buscar as melhores alternativas para reequilibrar o nível de oferta de seus produtos frente ao cenário de demanda que se apresenta”, informou a BRF em comunicado na segunda-feira (14), após a publicação da medida europeia. Segundo a BRF, a suspensão oficial europeia começa a valer na quarta-feira (16).
CARNETEC
EMPRESAS
Marfrig registrou prejuízo 9% menor no período
“Atípico”. Assim o Presidente-Executivo da Marfrig Global Foods, Martín Secco, descreveu ontem o primeiro trimestre da empresa, que fechou o período com um prejuízo líquido de R$ 201 milhões
Em entrevista ao Valor, o executivo sustentou que o “mais importante” não foi o resultado em si, embora a companhia tenha reduzido seu prejuízo em 9,2%. De fato, os investidores da Marfrig na bolsa estão mais interessados nos desdobramentos da venda da subsidiária americana Keystone e na conclusão da aquisição do National Beef, que transformará a empresa brasileira na segunda maior produtora de carne bovina do mundo. As duas transações foram anunciadas em abril e deverão ser efetivadas até junho, reiterou o Vice-Presidente de finanças da Marfrig, Eduardo Miron. Combinados, os dois negócios deverão fazer da Marfrig uma empresa estruturalmente rentável, com dívida menor e geração de lucro. Nesse sentido, o prejuízo do primeiro trimestre é menos importante, reforçou Miron. Segundo ele, a venda da Keystone fará com que a empresa brasileira deixe os problemas com “alto custo financeiro” no passado. Confiante na venda da Keystone, a Marfrig já retirou os números da empresa do resultado – a subsidiária aparece no balanço como uma “operação descontinuada”. Considerando apenas o negócio de carne bovina – a operação continuada -, a Marfrig obteve receita líquida de R$ 2,9 bilhões, avanço de 44,1%. O aumento das vendas é resultado de um agressivo movimento de ampliação da capacidade de abates no Brasil no ano passado, com a reabertura de cinco frigoríficos. No primeiro trimestre, os abates de bovinos nos frigoríficos da Marfrig aumentaram 42%, a 887 mil cabeças. Por outro lado, a rentabilidade do negócio de carne bovina piorou. Nos três primeiros meses do ano, a margem Ebitda ajustada caiu 0,7 ponto percentual, para 6,5%. Segundo Martín Secco, a piora reflete as dificuldades do mercado brasileiro. Em razão dos problemas da indústria de carne de frango – líder no setor, a BRF foi proibida de exportar para a União Europeia -, os preços da carne bovina no Brasil também caíram, pressionados pela proteína concorrente. Do lado dos custos, o preço do gado ficou estável no trimestre, mas isso já era esperado, argumentou o CEO. De acordo com Secco, a oferta de frango ainda prejudicou o desempenho no segundo trimestre, mas aos poucos a situação está melhorando. Além disso, a Marfrig quer aumentar a participação das exportações de carne bovina para se beneficiar da apreciação do dólar. Atualmente, o mercado externo representa 45,3% da receita da companhia. Financeiramente, a Marfrig ratificou o objetivo de reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) para 2,5 vezes até o fim do ano. Em 31 de março, o índice proforma (que inclui a National Beef) ficou em 3,62 vezes. O índice deve cair para menos de 2 vezes após a venda da Keystone.
VALOR ECONÔMICO
JBS: Lucro líquido aumentou 43,5% no 1º tri, para R$ 500,5 milhões
Impulsionada pelo desempenho das operações de carne bovina nos EUA, a JBS registrou lucro líquido de R$ 506,5 milhões no primeiro trimestre, um crescimento de 43,5% em relação aos R$ 353 milhões reportados em igual intervalo do ano passado
Financeiramente, a companhia também dissipou ontem um dos motivos de receio dos investidores ao anunciar que chegou a um acordo com os bancos no Brasil para rolar dívidas por três anos. Mais uma vez, o ciclo positivo da pecuária nos Estados Unidos beneficiou a JBS. No mercado americano, a companhia conta com maior oferta e demanda aquecida — o país está em pleno emprego. E, no caso da JBS, ter a conjuntura favorável para o negócio de carne bovina nos EUA significa inevitavelmente bom desempenho. A JBS USA Beef (que contempla também os negócios nos Canadá e na Austrália) representa 40% das vendas. No primeiro trimestre, essa divisão registrou uma margem Ebitda de 6%, ante apenas 3,7% um ano atrás. Nos negócios de carne de frango (Pilgrim’s Pride) e carne suína nos EUA, a companhia também registrou melhores resultados, com margens de dois dígitos. Como um todo, a receita líquida da JBS totalizou R$ 39,8 bilhões, alta de 5,8% na comparação anual. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 2,8 bilhões, avanço de 30%. Com isso, a margem Ebitda ajustada da JBS cresceu 1,3 ponto percentual, passando de 5,7% no primeiro trimestre de 2017 para 7%. No Brasil, a JBS registrou melhoras na Seara. No primeiro trimestre, a empresa (que reúne os negócios de aves, suínos e alimentos processados) teve um Ebitda de R$ 330 milhões, incremento de 53% na comparação anual. A margem Ebitda cresceu três pontos, atingindo 8,3%. Em contrapartida, a receita com as vendas da Seara caiu 2,7%, para R$ 3,9 bilhões. De acordo com a JBS, esse já é um reflexo da sobreoferta de carne de frango no país. No primeiro trimestre, o preço do frango vendido pela empresa diminuiu 9%.
VALOR ECONÔMICO
JBS fecha acordo de R$ 12,2 bi com bancos no Brasil
Um ano após a colaboração premiada de Joesley e Wesley Batista, a JBS anunciou alta do lucro líquido, redução do endividamento e um novo acordo com os bancos credores para renegociar boa parte de sua dívida por três anos
A avaliação de pessoas que acompanham a empresa de perto é que o pior da crise já ficou para trás. O acordo selado com os bancos – nacionais e internacionais – garante a manutenção de linhas de crédito de R$ 12,2 bilhões por um período de três anos, com o compromisso de que 25% do principal será pago nesse período a partir de janeiro do ano que vem.
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