
Ano 3 | nº 637 | 14 de novembro de 2017
ABRAFRIGO NA MÍDIA
China responde por quase 40% da exportação de carne bovina do Brasil em 2017, diz Abrafrigo
As exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram 16,5 por cento
No acumulado do ano até outubro foram para 449,18 mil toneladas, e já representam 37,5 por cento do total embarcado pelo país no período, informou a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) nesta segunda-feira, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Conforme a Abrafrigo, as importações chinesas de carne bovina brasileira significavam 25 por cento do total comercializado pelo Brasil em 2014 e apenas 4 por cento em 2005. “Essas importações têm potencial de crescimento ainda maior porque calcula-se que o crescimento da demanda por carnes bovina, suína e de aves na China devido ao recente movimento de urbanização do país e a mudança nos hábitos alimentares é superior a 300 mil toneladas por ano”, citou a Abrafrigo. O Brasil recebeu recentemente autorização para que 22 novas plantas frigoríficas possam exportar para a China, sendo que há ainda outras 36 em processo de habilitação, lembrou a associação.
REUTERS/G1/O GLOBO/UOL/
Vendas para a China se aproximam de 40% das exportações de carne bovina
O apetite chinês pela carne bovina brasileira não dá sinais de arrefecimento
E ele vem compensando amplamente as quedas de vendas para os países integrantes da União Europeia, devido a Operação Carne Fraca, e a não confirmação da abertura do mercado norte-americano sobre o qual se alimentavam muitas expectativas. Até outubro, segundo informações da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou os dados fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), através da SECEX/DECEX, estas importações cresceram 16,5% somadas as movimentações realizadas pela cidade estado de Hong Kong e as feitas diretamente pelo continente, passando de 375.000 toneladas no mesmo período de 2016 para 449.180 mil toneladas até outubro de 2017, o que significou 37,2% do total exportado pelo país. Para se ter uma ideia do impacto que a China está causando no setor, em 2014 as importações chinesas de carne bovina significavam 25% do que o Brasil comercializava com o exterior e em 2005 apenas 4%. Segundo a ABRAFRIGO, estas importações têm potencial de crescimento ainda maior porque calcula-se que o crescimento da demanda por carnes bovina, suína e de aves na China devido ao recente movimento de urbanização do país e a mudança nos hábitos alimentares é superior a 300 mil toneladas por ano. E o Brasil acabou de receber a autorização para que 22 novas plantas frigoríficas possam exportar para aquele mercado e há ainda outras 36 plantas na fila para exportar, em processo de habilitação. Conforme a ABRAFRIGO, estas vendas para a China e a retomada de grandes e tradicionais compradores como a Rússia, Egito, Irã, e Arábia Saudita, garantiram que 2017 será melhor que 2016 para o setor. No acumulado do ano, as exportações já alcançaram a 1.209.252 toneladas e a receita com elas a US$ 4,929 bi, contra 1.145.905 toneladas e US$ 4,491 bilhões em 2016, num crescimento de 6% em toneladas e de 10% nos preços obtidos, o que pode levar ao cumprimento da meta de crescimento estimada em 10% para o ano. O resultado ainda está um pouco distante do recorde brasileiro de 2014, quando o Brasil exportou 1.545.000 toneladas obtendo uma receita de US$ 7,149 bilhões, mas o país caminha para recuperar este patamar nos próximos anos, segundo a ABRAFRIGO.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
NOTÍCIAS
Feriados e demanda mantêm o mercado do boi gordo firme
O cenário visto na última segunda-feira (13/11) no mercado do boi gordo foi de manutenção das cotações vigentes na semana passada e, em alguns casos, com ofertas de compra acima do fechamento da última semana
Apesar de compradores fora das compras, os frigoríficos que estão com a programação de abate enxuta têm tido pouco espaço para testar o mercado. O feriado desta semana colabora com esse cenário, uma vez que normalmente há uma melhora no escoamento da carne bovina nestas datas e os dias úteis para comprar boiadas diminui. A melhoria no escoamento da carne bovina, aliás, foi sentida na semana passada, o que resultou em alta no mercado atacadista. O boi casado de bovinos castrados está cotado em R$9,43/kg, alta de 2,2% desde o início do mês.
SCOT CONSULTORIA
Garantia de abate halal deve aumentar exportação a países muçulmanos
Ministro interino recebeu comitiva de religiosos que representam mais de 50 países
Ministro interino Eumar Novacki recebeu comitiva que participou de congresso halal em SP. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) encaminhará à Congregação Fikh, entidade de jurisprudência muçulmana, estudo que comprova a aplicação no Brasil do método halal. A medida deverá facilitar negócios e ampliar as exportações brasileiras de carne de frangos e de bovinos para mais de 50 países que integram a congregação. O Ministro interino do Mapa, Eumar Novacki, comprometeu-se a enviar estudo realizado pela Embrapa e pela USP sobre abate que atende a princípios religiosos desses países. Novacki recebeu comitiva integrada pelo Secretário Geral da Congregação Fikh, Abdel Salam Al Abadi, pelo primeiro conselheiro da liga Mundial Muçulmana, Abdul Al Aziz Mohamad Al Souli, e pelo vice-presidente do Centro de Divulgação do Islã para a América Latina (Cdial Halal), Ali Ahmad Saifi.
Em São Paulo, no fim de semana, a comitiva participou do primeiro congresso halal do Brasil. O questionamento ao ministro foi quanto à confirmação formal da prática de abate, em complemento a visitas técnicas já realizadas a empresas brasileiras exportadoras. Os muçulmanos fazem questão de informações científicas e oficiais de governo. O método de abate halal minimiza o sofrimento animal.
MAPA
Novo aplicativo ajuda a agir rápido para assegurar saúde de rebanhos
Lançamento deverá ocorrer durante evento nacional de defesa sanitária, no dia 4 de dezembro, em Belém. Expectativa do diretor Guilherme Marques é de que uso chegue a 1 milhão de usuários no curto prazo
“Saúde Animal” é o novo aplicativo gratuito que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibilizará para veterinários, criadores e pessoas interessadas em saúde e bem-estar animal. O envio de notificações às autoridades sanitárias sobre suspeitas de ocorrências de doenças ou focos será mais rápido e fácil, assim como também será mais simples e imediato o acesso às informações, manuais e legislação federal e estadual, e aos códigos sanitários da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Compatível com os sistemas operacionais Android e IOS, o “Saúde Animal” foi desenvolvido em colaboração com a Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), e será lançado durante o Encontro Nacional de Defesa Sanitária Animal (Endesa), em Belém do Pará, de 4 a 8 de dezembro. Guilherme Marques, diretor do Departamento de Saúde Animal (DAS) do Mapa, disse que o aplicativo atende a necessidades de mercado e de competitividade, como “agilidade, acesso fácil e rápido à informação, interatividade e soluções colaborativas”. Ele observa que “o uso do aplicativo pelos diferentes públicos vai gerar aprimoramentos e atualizações frequentes, muitas delas realizadas automaticamente. Quanto às notificações de suspeitas de doenças ou focos, o uso da ferramenta permitirá ação rápida e dirigida, favorecendo a sanidade e segurança dos rebanhos”. Em curto prazo, o app deverá ser utilizado por 1 milhão de usuários, com base nas estimativas atualizadas de que há no Brasil aproximadamente 5 milhões de propriedades rurais e 120 mil veterinários. O app dispõe de atendimento virtual para responder perguntas dos usuários em português, inglês e espanhol, em áudio e texto.
MAPA
Confinamento cresce 12% em Mato Grosso em 2017
694,14 mil animais foram confinados, segundo o Imea. Recuperação do preço da arroba e queda no custo da alimentação estimularam pecuaristas do Estado
Das sete regiões pesquisadas, em três houve aumento no número de animais confinados. Apesar das variações no mercado do boi gordo em 2017, os produtores de Mato Grosso confinaram 694,14 mil animais no ano. O número representa um aumento de 12,71% em relação ao total confinado em 2016, segundo dados do levantamento realizado em outubro pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), os resultados são coerentes com o comportamento do mercado ao longo do ano. O primeiro levantamento, realizado em abril, apontou que a expectativa dos confinadores era engordar 701,85 mil animais. Em julho, após as oscilações nos preços, a intenção caiu para 645,72 mil. O fechamento do ano com 694,15 mil animais demonstra que a recuperação do preço da arroba e baixo custo com a alimentação dos animais pesaram no final. O Diretor-Executivo da Acrimat, Luciano Vacari, explica que os produtores estão analisando melhor o mercado antes da tomada de decisão. “O pecuarista está mais maduro, preparado e tecnicamente instruído. As análises de mercado guiaram o setor e somente após demonstrar uma ligeira recuperação, os confinadores retomaram os investimentos”. Ao longo do ano, o preço da arroba variou de R$ 135 a R$ 110, provocando incertezas. Após políticas para recuperação de mercados fechados por causa da Operação Carne Fraca e para fortalecer o mercado interno após denúncias envolvendo a JBS, o setor conseguiu retomar parte das desvalorizações. Para o Imea, o principal fator para o incremento no total confinado foi o baixo custo. “Este aumento foi causado, principalmente, por um menor custo com alimentação. Ainda assim, o produtor que precisou negociar durante o segundo quadrimestre deste ano se viu à frente de uma receita abaixo do esperado, em comparação com quem negociou no final do ano”, traz o boletim do instituto. Das sete regiões pesquisadas pelo Imea, em três delas houve aumento no número de animais e em quatro o total caiu entre 2016 e 2017. A região que mais confinou foi a sudeste mato-grossense, com 179,5 mil animais, 53 mil a mais que no ano anterior. A região que mais variou, entretanto, foi a nordeste, com aumento de 57,4 mil animais, passado de 35 mil para 92 mil. Entre as regiões com maior queda, o centro-sul reduziu em 25 mil o número de bois engordados no cocho e fechou 2017 com 107 mil animais confinados. Também houve redução nas regiões norte, com 10 mil a menos, oeste, onde a queda foi de nove mil, e no Noroeste, com ligeira redução de 850 cabeças. Este ano, o número de animais negociados antecipadamente, por meio de termo ou bolsa de valores, não chegou a 10% do total confinados. Apesar das inconstâncias no mercado, houve pouca utilização do hedge (travamento de preço antecipadamente). De acordo com o levantamento do Imea, 2,2 dos animais tiveram o preço fechado por meio de contrato a termo e 5,8% foram comercializados na BMF&Bovespa. Esse 8% do total confinado, porém, está quase 40 pontos percentuais abaixo do que foi negociado antecipadamente em 2016, quando 36,4% dos animais foram comercializados a termo e 6,4% na bolsa.
Acrimat
Entidades aprovam que Paraná suspenda vacinação contra aftosa
Estado segue com o movimento Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação que demanda o status de área livre de aftosa sem a vacina
Entidades como a Sociedade Rural, Sindicato Rural e Secretaria Municipal de Agricultura de Ponta Grossa manifestaram apoio integral ao movimento Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação. O movimento demanda o status do Paraná como estado livre de febre aftosa sem vacinação. Na última quinta-feira (09), o secretário de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, e o Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Adriano Riesemberg, estiveram em Ponta Grossa para falar dos benefícios em suspender a vacinação contra febre aftosa para a economia paranaense. O Paraná, segundo proposta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), constituiria um bloco com os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, com a previsão de obter o reconhecimento de área livre de febre aftosa em 2024. Mas o Paraná quer antecipar esta conquista para 2021. Para o assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Antonio Poloni, essa estratégia de erradicação da febre aftosa no Paraná, sem vacinação, traria uma economia de aproximadamente R$ 1,4 bilhão (valor presente) para um período de 20 anos, conforme estudo de Análise de Custos e Benefícios, encomenda pela instituição. Economia que viria com a valorização da carne, decorrente da conquista de mercados, suspensão da vacinação e outros custos. Segundo o Secretário Norberto Ortigara, pelo menos dois terços da carne suína produzida no Estado está fora do mercado mundial porque o Paraná ainda vacina o gado contra febre aftosa, considerado um instrumento arcaico em todo o mundo. O Paraná acordou auditoria junto ao Ministério da Agricultura, que é quem vai reconhecer se o estado pode ser considerado livre ou não de febre aftosa sem vacinação. Os resultados serão conhecidos a partir de janeiro, quando a auditoria já estiver concluída. Se o Mapa autorizar o Paraná a ir em frente, o que vai acontecer é que o Estado fará o pedido de reconhecimento do novo status independente do bloco a que pertenceria, que inclui os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Confira o cronograma estabelecido: 1- Auditoria do Mapa em curso 2- Última campanha de vacinação – novembro de 2018 3- Abril/2019 – comunicado da suspensão da vacinação à OIE 4- 2º semestre de 2019 e 1º semestre de 2020 – Fechamento de fronteiras para exames de sorologia 5- 2º semestre de 2020 – baseado nos resultados da sorologia, o Ministério da Agricultura reconhece a região como livre de febre aftosa sem vacinação 6- Até setembro de 2020 -encaminhamento da resolução do Mapa ao comitê científico da OIE para ser votado 7-1º semestre de 2021 – Assembleia Geral da OIE delibera sobre o assunto.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS – PARANÁ
Fim da vacinação contra a aftosa gera críticas NO RS
Assunto ainda traumático para a pecuária gaúcha, a febre aftosa volta a preocupar os produtores do Rio Grande do Sul – agora, não pela doença em si, mas pela possibilidade de retirada nacional da vacinação
Os governos federal e estadual já começaram a executar o projeto de erradicar a imunização dos animais até 2023 para atingir o status de País livre de aftosa sem vacinação. A ideia é colocar o Brasil em um novo patamar sanitário, o que, consequentemente, abriria mercados e valorizaria a carne nacional. Para os pecuaristas, porém, há mais riscos do que possibilidades comerciais com o fim da vacinação. Apesar de parecer que ainda existe tempo de sobra para debater o caso, o tema é urgente. O Rio Grande do Sul tem até 2021 para se adequar e retirar a vacina do campo dentro do previsto pelo Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Pnefa), lançado neste ano pelo Ministério da Agricultura. Mas o Estado quer antecipar a medida e, em 2018, fazer a última aplicação da vacina contra a febre aftosa nos campos gaúchos. “Já solicitamos ao ministério uma auditoria específica para avaliar nossas condições para isso. Estamos com treinamentos constantes das equipes de campo e chamando novos fiscais agropecuários para monitoramento e fiscalização, especialmente na região das fronteiras”, explica o Secretário estadual de Agricultura, Ernani Polo. O Secretário ressalta, ainda, que, em parceria com o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), está concluindo a revitalização do Almoxarifado Central da secretaria em Cachoeira do Sul com kits de emergência formados por equipamentos de proteção individual, embalagens para coleta e envio de amostras biológicas, equipamentos para barreiras de trânsito, desinfecção e outros produtos necessário para conter focos da doença de forma rápida, caso ocorram. “Esse almoxarifado fica estrategicamente na região Central do Estado, de onde podemos nos locomover rapidamente para qualquer local e fazer contenções, se for necessário”, diz Polo, destacando também que já há previsão de recursos do fundo para indenizações a pecuaristas que, por ventura, venham a ser afetados com o abate de animais. A questão das indenizações, por sinal, é um dos muitos questionamentos e temores de entidades como a Associação dos Criadores de Angus. José Roberto Pires Weber, Presidente da entidade, ressalta que os valores não pagariam as eventuais perdas genéticas, com animais de alto valor no mercado. Em caso de ocorrência de um foco da doença, a legislação prevê uso do rifle sanitário e indenização dos animais sacrificados como ocorreu no traumático caso do município de Jóia, quando mais de 10 mil bovinos foram abatidos desta forma. “Se isso ocorre em uma propriedade de ponta, como as muitas que nós temos no Estado, os valores não pagariam os exemplares com elevado valor genético de reprodutores que carregam mais de 100 anos de melhoramento da raça”, diz Weber. Na lista elaborada pela associação de criadores de angus com os argumentos contrários ao fim da vacinação está exposta boa parte dos temores dos pecuaristas gaúchos. As ponderações incluem desde a falta de confiança da continuidade das ações de prevenção e monitoramento necessárias para evitar o ingresso da doença nos plantéis (dado as muitas instabilidades políticas e econômicas e a escassez de recursos federais para manter o trabalho na extensa região de fronteiras do País) até problemas comerciais no mercado interno. Como a vacinação seria feita em etapas, por regiões, em algum momento, diz o Presidente da associação, produtores gaúchos não poderiam mais comercializar bovinos para uma grande parte do território nacional. Hoje, por exemplo, isso ocorre em Santa Catarina, zona livre de aftosa sem vacinação, onde gado vivo do Rio Grande do Sul é impedido de entrar. “Mas esse é apenas um ponto específico do problema. Retirar a vacinação, como está sendo sugerido, é um risco imenso e que não trará grandes vantagens à pecuária brasileira”, alerta Weber. Um dos riscos apontados pelo coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), Júlio Barcellos, é o sistema de controle desmembrado e executado pelos estados, em um País continental como Brasil e com desigualdade muito grande. Mesmo admitindo que há pontos positivos na retirada da vacinação, Barcellos, afirma que o assunto é delicado. “É difícil ter certeza da continuidade e da estrutura que o País tem para manter o controle e a vigilância adequados. O nosso sistema é todo descentralizado, e há estados onde o serviço é terceirizado, inclusive. Sem contar a falta de recursos e as instabilidades brasileiras, que podem provocar descontinuidade no trabalho”, avalia Barcellos. Para o Secretário da Agricultura do Estado, Ernani Polo, esse risco é significativamente menor do que há 17 anos, quando houve o abate em massa no município de Jóia. “As regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para contenção, hoje, são de abate apenas localizado onde houver a confirmação da doença e em propriedades vizinhas. O produtor gaúcho ainda tem o trauma do ocorrido em 2000”, argumenta. Polo diz, ainda, que o Brasil já conta com sistemas de detecção rápidos, ajudando a evitar o contágio, o que não havia em 2000. Polo afirma que, com o Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário) dando resultado para confirmar ou não uma suspeita em, no máximo, 24 horas, o risco de uma contaminação em massa é significativamente menor, já que é possível bloquear o avanço desde os primeiros sinais.
Jornal do Comércio
EMPRESAS
Com adesão ao Refis, lucro da JBS caiu 64% no 3º trimestre
A adesão da JBS ao Programa Especial de Regularização Tributária – o chamado Refis – fez o lucro da empresa recuar no terceiro trimestre deste ano, apesar do desempenho operacional recorde no período
No terceiro trimestre do ano, o lucro líquido da JBS somou R$ 323 milhões, queda de 63,6% ante os R$ 887 milhões do mesmo intervalo de 2016. Não fosse o Refis, o lucro da JBS teria mais do que dobrado, atingindo R$ 1,9 bilhão, informou ontem a empresa. No período, a receita líquida da JBS ficou praticamente estável – leve queda de 0,1% -, em R$ 41,1 bilhões. No front operacional, os EUA só trouxeram boas notícias para a JBS, com redução de custos na compra de matéria-prima (gado bovino, sobretudo) e demanda aquecida por carne. Com isso, a margem do negócio de carne bovina da JBS USA, que contempla as operações na Austrália e Canadá, alcançou o maior nível da história da companhia, que está há dez anos no mercado americano. Nesse cenário, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da JBS atingiu o recorde de R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre. Na comparação com o mesmo intervalo de 2016, quando o Ebitda somou R$ 3,1 bilhões, o aumento foi de 37,4%. A margem Ebitda cresceu quase três pontos percentuais, saindo de 7,6% para 10,5%. “Como já havia dito, está só no começo”, afirmou, em entrevista ao Valor, o CEO da JBS USA, André Nogueira. À frente de negócios que respondem por 75% das vendas da JBS, o executivo acredita que, em 2018, as operações americanas devem bater novo recorde, uma vez que a demanda por carne deve seguir aquecida nos EUA, ao passo que o preço do boi cairá de 2% a 3%, de acordo com as projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Além disso, o negócio na Austrália, que ainda enfrenta um cenário mais difícil devido à retenção do rebanho bovino, deve melhorar ao longo de 2018, ressaltou Nogueira. Afora os fundamentos positivos de oferta e demanda previstos para 2018, a JBS também vislumbra ganhos de eficiência nas operações internacionais. “Ainda temos uns US$ 500 milhões de melhoria interna [para realizar]”, disse Nogueira. No Brasil, o terceiro trimestre consolidou a recuperação da Seara, subsidiária que foi bastante afetada em 2016 pelo milho mais caro. Entre julho e setembro, a margem Ebitda da Seara atingiu 11,1%, ante os 7,3% vistos em igual intervalo de 2016. Ao Valor, o presidente global de operações da JBS, Gilberto Tomazoni, ressaltou que a Seara voltou ao mercado publicitário, com inserções na TV. O marketing da Seara estava retraído ao menos desde a Operação Carne Fraca, comportamento que se manteve após a delação dos irmãos Batista. “E a Seara voltou a ganhar ‘market share”, comemorou Tomazoni, citando o aumento de 2,5% nas vendas de alimentos processados da subsidiária. Na contramão da Seara, o negócio de bovinos no Brasil confirmou as estimativas pessimistas do mercado. No terceiro trimestre, o Ebitda da divisão totalizou R$ 72,5 milhões, redução de 78,6%. A margem Ebitda foi de apenas 1,4%, ante 5% no mesmo período de 2016. Dentre todas as operações da JBS, a de carne bovina no Brasil foi a mais afetada pela delação dos controladores da empresa, gerando resistência nos pecuaristas e forte queda nas vendas – 31,4% no Brasil e 13,7% nas exportações. Questionado, Tomazoni disse que pior momento já passou e que uma recuperação “gradual” está em curso. Ele ponderou que o negócio no Brasil só é responsável por 12% da JBS. “Essa é a vantagem de ter uma empresa diversificada”, disse. Na área financeira, a robusta geração de caixa e as vendas da Moy Park e dos ativos no Mercosul permitiram uma redução de R$ 4,8 bilhões na dívida líquida. O índice de alavancagem caiu de 4,16 vezes em junho para 3,42 vezes em setembro. É a menor alavancagem entre as companhias de carnes listadas na B3. O processo de desalavancagem seguiu neste trimestre, com a entrada de R$ 786 milhões da venda da Vigor à Lala. Além disso, o CEO da JBS USA espera anunciar ainda este ano a venda da Five River, nos EUA.
VALOR ECONÔMICO
Marfrig reduziu prejuízo no período
Impulsionada pela ampliação da capacidade no Brasil, a Marfrig Global Foods manteve sua trajetória de recuperação no terceiro trimestre do ano
A companhia ainda ficou no vermelho, mas a perda foi menor. Entre julho e setembro, o prejuízo líquido da Marfrig foi de R$ 58,4 milhões – havia sido de R$ 156,9 milhões um ano atrás. Em entrevista ao Valor, o CEO da Marfrig, Martín Secco, comemorou a rápida resposta da divisão de carne bovina da empresa. Desde o segundo semestre, a Marfrig já reabriu cinco frigoríficos no Brasil. Com isso, os abates mensais aumentaram mais de 30%, saindo de 190 mil cabeças em junho para cerca de 250 mil cabeças, afirmou ele. Nesse processo, a Marfrig ganhou espaço nas exportações e também no mercado interno de carne bovina. Segundo Secco, as exportações da Marfrig cresceram 98% no terceiro trimestre. Ao todo, a empresa exportou 72,1 mil toneladas de carne bovina no período, ante 36,4 mil toneladas do produto no mesmo intervalo de 2017. Diante do aumento de capacidade, a divisão de carne bovina (Marfrig Beef) passou a representar uma fatia maior das vendas. No terceiro trimestre, a divisão respondeu por 53% da receita líquida da empresa. A subsidiária americana Keystone, que fornece carnes para redes de food service, responde pelo restante. No trimestre passado, a Keystone representava mais de 50% da receita. A receita líquida da Marfrig somou R$ 4,8 bilhões no terceiro trimestre, alta de 11% ante os R$ 4,3 bilhões de igual período de 2016. Na mesma base de comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da Marfrig aumentou 41%, somando R$ 490 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustado aumentou 2 pontos percentuais, para 10,1%. Na Marfrig Beef, o Ebitda ajustado cresceu 67% na comparação anual, chegando a R$ 246 milhões no terceiro trimestre. Aproveitando o boi mais barato no Brasil e o espaço aberto pela crise que atingiu a JBS, a Marfrig conseguiu elevar a margem Ebitda ajustada do negócio de carne bovina em 2,5 pontos, para 9,5%. Na Keystone, a Marfrig voltou a reportar desempenho recorde. No terceiro trimestre, o Ebitda ajustado da subsidiária cresceu 25%, somando US$ 77 milhões. A margem Ebitda ajustada da Keystone subiu 1,8 ponto percentual, passando de 9% para 10,8%. Aposta da Marfrig para acelerar a redução do endividamento, o IPO da Kesytone nos EUA deverá ficar para 2018, reconheceu o CEO da Marfrig. Até então, os executivos da empresa trabalhavam com a intenção de realizar a operação no mercado de capitais neste ano. Mas a “janela” para o IPO deve ser mesmo no ano que vem. A decisão pode ter impacto negativo nas ações da empresa, visto que os analistas esperavam o IPO neste ano. Apesar disso, Secco reafirmou a convicção de que, com o IPO, a Marfrig atingirá a meta de reduzir sua alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em dose meses) para 2,5 vezes no fim de 2018. No terceiro trimestre, esse índice ficou em 4,36 vezes, abaixo das 4,55 vezes reportadas no fim de junho.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Confira previsões da FAO para o mercado de carnes
Após a estagnação em 2016, a produção mundial de carne deverá se recuperar em 2017, aumentando em 1,1%, ou 3,5 milhões de toneladas, para 324,8 milhões de toneladas, em meio a aumentos moderados nas carnes bovina, suína e de aves e um ganho modesto na carne ovina
Espera-se que uma grande parte da produção mundial de carne seja originária dos Estados Unidos, do Brasil, da Rússia, do México e da Índia, mas também na Argentina, Turquia e Tailândia. Após dois anos de queda associada a um processo contínuo de reestruturação e consolidação de fazendas, espera-se que a produção de carne na China, o maior produtor de carne do mundo, permaneça estável em torno do nível de 2016, à medida que expansões na carnes de ovina, suína e bovina vai compensar um declínio acentuado na carne de aves, restringida principalmente pela disseminação da gripe aviária altamente patogênica (HPAI). O comércio mundial de carnes deverá chegar a 31,5 milhões de toneladas em 2017, 1,2% acima do ano passado, mas o crescimento é mais lento do que os 4,4% registrados em 2016. O comércio mundial de carne bovina deverá registrar a expansão mais rápida, seguida pelo de aves, enquanto o comércio de carne suína e carne ovina pode cair um pouco. Do lado da demanda, Japão, Angola, Cuba e México, bem como Coreia, Iraque, Chile, Emirados Árabes Unidos e Vietnã deverão acelerar as importações. Em contrapartida, as importações de carne da China, da UE, do Egito, da Arábia Saudita, da África do Sul e do Canadá podem diminuir, em alguns casos, por um reflexo de maiores ofertas domésticas e, em outros, da queda da demanda após preços internacionais relativamente elevados. Entre os exportadores, os Estados Unidos, a Tailândia, a Índia, a Argentina, a Ucrânia e o Brasil deverão intensificar as exportações de carne em 2017, enquanto UE, Austrália, Nova Zelândia, Paraguai e Chile podem ter queda. Os preços internacionais de todas as categorias de carne foram moderados durante o primeiro semestre do ano, mas se estabilizaram nos últimos meses devido à intensificação da concorrência e à lenta demanda de importação. Entre as várias categorias de carne, os preços da carne ovina ganharam até 39%, enquanto os preços das carnes bovina, de aves e suína aumentaram em quase 7%. O índice FAO de preços da carne aumentou 9%, ou 14 pontos, entre janeiro e outubro de 2017, refletindo principalmente os movimentos de preços das carnes bovina, suína e de aves, que apresentam pesos maiores no índice. Depois de estagnar entre 2013 e 2015 e crescer 1,1% em 2016, a produção de carne bovina deverá aumentar em 1,7% para cerca de 70 milhões de toneladas em 2017, somando 1,2 milhão de toneladas na oferta mundial. Espera-se que os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina, a Turquia e a China registrem os ganhos mais importantes, enquanto que deverão ser registrados declínios em África do Sul, Rússia e Austrália. Na América do Norte, produção de carne nos Estados Unidos deverá alcançar o maior volume em nove anos, de 12,1 milhões de toneladas, um aumento de 5,3%. Do mesmo modo, a produção do Canadá pode aumentar em quase 3%, para 1,2 milhões de toneladas. Em ambos os países, as expansões serão sustentadas pelo aumento do peso da carcaça, bem como dos números de abate. Após três anos de declínios contínuos, a produção na América do Sul deverá se recuperar em 2,1%, para cerca de 16 milhões de toneladas, impulsionada por ganhos consideráveis no Brasil e na Argentina. No Brasil, os produtores estão se beneficiando de um ambiente de produção competitivo, incluindo a disponibilidade de alimentos a preços relativamente mais baratos, reforçados pelo clima bom no ano. Na Ásia, a produção de carne bovina na Índia deverá continuar crescendo, mas menos vigorosamente do que em 2016. A desaceleração esperada seria impulsionada principalmente pelo setor informal, cuja produção poderia ser afetada negativamente pela proibição imposta à venda de gado para o abate. É improvável que a mesma proibição prejudique a produção nas operações de gado relativamente grandes e organizadas, aprovadas pelo governo. Na UE, a produção de carne bovina deverá permanecer estável, uma vez que os preços dos produtos lácteos relativamente elevados deverão favorecer a venda de gado para abate. Na Rússia, a produção de carne bovina pode cair cerca de 1%, para 1 581 mil toneladas. O comércio mundial de carne bovina deverá se recuperar em 2,2%, para 9,1 milhões de toneladas em 2017, após dois anos de declínio. O aumento seria promovido por uma recuperação da demanda de importação, especialmente em China, Japão, Vietnã, Indonésia e Coreia, enquanto são previstos declínios significativos em Egito, Estados Unidos, Canadá e UE. As importações da China podem atingir 1,5 milhão de toneladas em 2017, um aumento de 6,3%, que está muito abaixo do aumento de 16,2% em 2016. Enquanto isso, importações dos Estados Unidos deverão cair em 1,9%, para 1,2 milhões de toneladas, principalmente devido a uma expansão contínua da produção doméstica. Entre os fornecedores internacionais, Estados Unidos, Índia, Argentina, UE e Brasil deverão ser responsáveis por grande parte do aumento de 2017 nas exportações mundiais de carne bovina, juntamente com Canadá, México e Ucrânia. Em contrapartida, as exportações de Austrália, Nova Zelândia, Paraguai e Bielorrússia deverão diminuir. A Índia deverá registrar aumento de 3,2% nas exportações, para 1,7 milhões de toneladas, apoiadas pela demanda contínua de importação de seus mercados tradicionais, incluindo Vietnã, Malásia, Egito e Arábia Saudita, mas também da Indonésia, que recentemente concedeu acesso a cotas.
A UE, com base na expansão das exportações do ano passado, pode ver as exportações de carne bovina aumentarem em mais 10% em 2017, o que os levaria de volta ao seu nível de 2011.
FAO/BEEF POINT
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