
Ano 3 | nº 599 | 15 de setembro de 2017
ABRAFRIGO
ABRAFRIGO na Feira de Moscou

Da esquerda para a direita na foto: Silvio Ribeiro, da empresa Nova Prom, Sergey Yushin, Presidente da Associação Nacional da Carne da Rússia, Péricles Salazar, Presidente Executivo da ABRAFRIGO, Bruno Dias, representante da Abrafrigo na Rússia, Flávio Dias e Pedro Carmona, da SRI/Mapa.
A ABRAFRIGO participou da World Food Moscow 2017, realizada de 11 a 14 de setembro, uma das maiores feiras de alimentos do mundo. No ano passado, recebeu mais de 28 mil visitantes, provenientes de 78 regiões da Rússia e de 89 países, reunindo quase 1,5 mil expositores de aproximadamente 65 países. O Pavilhão do Brasil foi organizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Rússia é um dos principais destinos de produtos alimentícios do Brasil, com destaque para o setor de carnes, que, no último ano, respondeu por mais de 40% das exportações agrícolas brasileiras para aquele país. A Rússia é o segundo maior importador de carne bovina brasileira, mas já foi o primeiro, perdendo hoje para a China. A ABRAFRIGO quer elevar estas vendas que, em 2017, já chegaram a 103 mil toneladas habilitando novas empresas associadas porque existe a intenção do governo russo de ampliar o número de fornecedores à aquele mercado.
NOTÍCIAS
Preço da arroba volta a recuar no Brasil
Depois da recuperação dos preços da arroba neste segundo semestre, verificada em meados de agosto, os valores voltaram a cair nos últimos dias
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), as quedas estão atreladas à insegurança do mercado, devido às recentes prisões de executivos da maior indústria frigorífica do País. Apesar da baixa oferta de boi gordo, frigoríficos têm limitado as compras, por conta das incertezas quanto ao futuro desse player dentro do setor. De sexta para segunda-feira, 11, o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa registrou queda de 0,31%, e de segunda para terça, a baixa foi de 0,97%. Entre 6 e 13 de setembro, o recuo foi de 0,62%, fechando a R$ 143,92 nessa quarta. Apesar das desvalorizações, no acumulado do mês (até o dia 13), o Indicador ainda registra alta de 0,67%.
Cepea
Abate de bovinos cai 3,1% no 2º tri e de frangos recua 4,5%
O abate de bovinos no Brasil caiu 3,1% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, o de frangos caiu 4,5% e o de suínos teve alta de 0,2%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (14)
Foram abatidos 7,42 milhões de bovinos entre abril e junho deste ano, uma elevação de 0,3% em relação ao primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2016, as principais quedas no abate de bovinos ocorreram em Mato Grosso (-81,95 mil cabeças), Rondônia (-56,52 mil cabeças), Mato Grosso do Sul (-53,98 mil cabeças), Pará (-43,48 mil cabeças) e Maranhão (-17,81 mil cabeças). O abate de frangos somou 1,43 bilhão de cabeças no segundo trimestre, queda de 4% ante o primeiro trimestre. A queda de produção, na comparação anual, ocorreu em 13 das 24 unidades da Federação analisadas, incluindo Paraná (-29,85 milhões de cabeças), Minas Gerais (-15,34 milhões de cabeças), Santa Catarina (-12,97 milhões de cabeças) e Rio Grande do Sul (-6,03 milhões de cabeças). Já o abate de suínos somou 10,62 milhões de cabeças, o melhor resultado para um segundo trimestre desde 1997, quando foi iniciado o levantamento. Esse número de abates representa também uma alta de 1,3% em relação ao total abatido entre janeiro e março deste ano. Onze das 25 unidades da Federação que participaram do levantamento na área de suínos elevaram os abates em relação ao mesmo período do ano passado, com destaques para Santa Catarina (+95,55 mil cabeças), Paraná (+83,42 mil cabeças), Mato Grosso do Sul (+19,47 mil cabeças), Mato Grosso (+16,92 mil cabeças) e Minas Gerais (+1,09 mil cabeças).
CARNETEC
Escalas de abates com leve melhora e especulação no mercado do boi gordo
De concreto, temos que as escalas de abate dos frigoríficos tiveram uma leve melhoria nesta semana, em relação à passada
Considerando as praças paulistas, as programações médias de abate atendem cinco dias, enquanto na semana passada, giravam ao redor de três a quatro dias. Este fator encoraja as indústrias a pressionarem as cotações, após a forte recuperação desde o início de agosto. O resto, neste momento, é pura especulação, advinda principalmente da prisão dos irmãos Batista, líderes da JBS. Diversas empresas, incluindo a JBS, operam com compras reduzidas. No fechamento do mercado da última quinta-feira (14/9), as referências de preços da arroba do boi gordo subiram em cinco praças pecuárias e caíram em sete. No mercado atacadista de carne bovina com osso, os preços caíram. A carcaça de bovinos castrados ficou cotada em R$9,65/kg.
SCOT CONSULTORIA
Alongamento das escalas, estoque elevado de carnes e enfraquecimento da demanda justificam esfriamento do mercado do boi
Alex Santos Lopes, analista da Scot Consultoria, destaca que, desde o começo da semana, o mercado do boi vem apontando para uma situação diferente do que era visto anteriormente
Os frigoríficos começaram a perceber que existe um estoque maior de carne e vêm pressionando o mercado. Entretanto, estes ainda são movimentos pontuais. O cenário é de pouca oferta e de dificuldade de aquisição de matéria-prima. Contudo, como essa compra foi maior do que a demanda, as margens causaram este efeito. A margem de comercialização dos frigoríficos era de 40% e, agora, está em 20%. As escalas médias em São Paulo estão entre 4 a 5 dias, suficientes para atender a uma demanda imediata. Alex não acredita que o mercado deva entrar em uma situação de baixa no curto a médio prazo. Outubro e novembro são os meses com os melhores preços da arroba no ano. A oferta deve ser restrita para manter a firmeza no mercado. As prisões de Joesley e Wesley Batista não devem afetar os fundamentos do mercado, como visualiza Lopes. O mercado já havia precificado as ações do primeiro semestre e as prisões são apenas desdobramentos do que já ocorreu. Para o produtor, a melhor atitude para o momento é ter cautela e observar o mercado e as informações. Do lado da demanda, o começo de setembro teve boas vendas. Porém, embora os números da economia estejam melhores, ainda não há um efeito efetivo sobre o poder de compra da população. Uma melhoria no consumo no segundo semestre é prevista, mas nada que permita um grande crescimento das vendas. Em São Paulo, a arroba está cotada em R$144,00/@ a R$145,00/@ à vista, já descontado o Funrural. A prazo, estes preços giram em torno de R$146,00/@ a R$147,00/@.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
Melhoramento genético auxilia na redução de Gases de Efeito Estufa da pecuária
Estudo do Mapa indica que estratégia é eficiente para obter redução das emissões
Aumentar o desempenho produtivo do animal é uma das estratégias mais eficientes utilizadas na atividade pecuária para conter a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE), por ter efeito cumulativo e permanente. Essa é uma das orientações de estudo promovido pelo Projeto “Pecuária de Baixa Emissão de Carbono: geração de valor na produção intensiva de carne e leite”, como parte do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). A mitigação dos gases é viabilizada pela capacidade do animal em aumentar a sua produção, usando o mesmo gasto calórico. Em uma criação de vacas leiteiras, por exemplo, aquelas que alcançam níveis produtivos maiores, com a otimização do uso de energia do corpo, irão, consequentemente, reduzir o volume de dejetos excretados. “Essa diminuição levará a uma queda do total de substâncias nocivas à atmosfera liberadas pela atividade pecuária, considerando que a decomposição dos dejetos é uma das principais responsáveis pela emissão de metano (CH4)”, explica o consultor do Projeto e médico-veterinário, Cleandro Pazinato Dias. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por ano, cada bovino criado no Brasil é responsável por pelo menos 57 quilos (Kg) de CH4 despejados no meio ambiente. Essa média pode ser reduzida em até 35%, se adotadas técnicas de mitigação. O aumento da eficiência na produção pecuária pode potencializar o desempenho dos bovinos e reduzir a emissão de CH4 para 37,7 Kg por ano.
MAPA
Mercado de reposição com os preços andando de lado no Paraná
A oferta e demanda equilibradas geram esse cenário no estado
Apesar do mercado do boi gordo seguir com firmeza, o viés altista perdeu força e, diante disso, os compradores ficaram mais afastados, o que resultou em uma semana com baixa movimentação e poucos negócios sendo efetivados no estado. Porém, o momento é oportuno para quem deseja investir no mercado de reposição. Aumentando o horizonte da análise, na comparação anual, as consequentes quedas nas cotações dos animais de reposição foram maiores do que das cotações do boi gordo, sendo assim, comparando com o mesmo período do ano passado, a troca está mais vantajosa. Destaque para a troca com o boi magro (12@). Em setembro de 2016 comprava-se 1,26 boi magro com a venda de um boi gordo de 16,5@, atualmente a troca está em 1,34, melhora de 5,6% no poder de compra. Em curto prazo, a soma de fatores, como a oferta de animais, questões climáticas e o rumo que tomará o mercado do boi gordo estabelecerão o rumo das cotações dos animais de reposição.
SCOT CONSULTORIA
Prisão de Wesley, da JBS, paralisa vendas no mercado de boi
Decretada na quarta-feira, a prisão preventiva do empresário Wesley Batista, sócio e CEO da JBS, voltou a paralisar o mercado brasileiro de boi
Como aconteceu em meados de maio, quando a delação premiada dos irmãos Batista veio à tona e a empresa passou a comprar gado bovino com prazo de pagamento de 30 dias, não mais à vista, os pecuaristas estão reticentes em negociar com a empresa, que lidera os abates de gado no país – e cujas operações ainda estavam se adaptando à ausência do comandante, que até o fechamento desta edição permanecia detido. Dado o peso da JBS no mercado, muitos frigoríficos concorrentes tiraram o pé do acelerador e decidiram esperar até o início da semana que vem para retomar o ritmo normal de compras. Nesse contexto, praças importantes não tinham ontem sequer indicação de preços para a arroba do boi. “Hoje [ontem] está tudo parado. A JBS não está comprando nada e outro grande frigorífico com atuação forte nessa região só tem escala para o dia 25 de setembro”, afirmou o pecuarista Antônio Celso Barbosa Lopes, diretor da Associação dos Produtores do Vale do Araguaia (Aprova). “Houve uma desaceleração geral. Com a JBS fora, os outros frigoríficos também pararam de comprar, para tentar jogar os preços para baixo. É o jogo normal do mercado”, disse um dos maiores pecuaristas de Mato Grosso ao Valor. Segundo levantamento da Scot Consultoria, nenhuma das 36 unidades de abate de bovinos da JBS no país estava fazendo compras ontem. Procurada, a companhia, que vinha abatendo cerca de 150 mil cabeças por semana, não comentou. Segundo Alex Lopes, analista da Scot, a JBS compra cerca de um quarto do gado bovino do país, e a suspensão de compras pode gerar grandes efeitos no mercado. ” Mas devemos lembrar que, como ocorreu durante a Operação Carne Fraca, pode ser uma retração de preços de boi gordo] pontual”, afirmou ele. Uma fonte que preferiu não se identificar lembrou que a JBS se acostumou a “acordar”, às seis horas da manhã, com uma reunião comandada por Wesley na qual a estratégia de compra de boi é um dos tópicos da pauta. Com a prisão preventiva do executivo, ontem foi um dia atípico e é de se esperar que esta sexta-feira também seja. Segundo Gustavo Figueiredo, consultor da Agro Agility, nas praças de Presidente Prudente e Promissão, em São Paulo, desde a prisão de Joesley Batista, irmão de Wesley, na segunda-feira, os preços a prazo da arroba já haviam caído de R$ 150 para R$ 147. “A retração foi agravada com a prisão do Wesley”, disse. Ele afirmou que alguns poucos negócios estavam sendo fechados ontem por R$ 146 a prazo e R$ 143 à vista. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador Esalq/BM&FBovespa para a arroba negociada no mercado paulista permaneceu praticamente estável a R$ 143,96, em queda acumulada de 0,7% no mês. Conforme Figueiredo, além de outros grandes frigoríficos terem tirado o pé, muitos pequenos haviam ampliado as compras antes da prisão de Wesley e tendem a também esperar qual será a estratégia da JBS. O cenário é mais ou menos o mesmo que o observado em meados de maio, quando o mercado demorou algumas semanas para voltar ao normal.
VALOR ECONÔMICO
Operação Carne Fraca e delação da JBS derrubaram abates no 2º tri
As paralisações em frigoríficos após a operação Carne Fraca e a insegurança no setor gerada pela delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, afetaram os abates de bovinos, suínos e frangos no segundo trimestre deste ano, afirmou Angela Lordão, gerente de Pecuária no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Segundo levantamento do IBGE divulgado hoje, o abate de bovinos no segundo trimestre atingiu 7,42 milhões de cabeças, queda de 3,1% na comparação com o mesmo período de 2016. Frigoríficos como JBS e BRF colocaram milhares de funcionários em férias coletivas ao longo de abril, após a operação Carne Fraca. “Desmembrando os meses do segundo trimestre, muitos estabelecimentos entraram em férias coletivas em abril por causa da operação. Quando eles voltaram a operação em maio, houve a delação premiada, que gerou incertezas e afeta a venda de bois”, disse a gerente do IBGE, sem citar especificamente as empresas envolvidas. “Tivemos dois eventos que influenciaram o abate como um todo”. O abate de frangos de abril a junho também caiu em relação ao segundo trimestre de 2016. Conforme o IBGE, a queda foi de 4,5% em relação ao segundo trimestre de 2016, para 1,43 bilhão de cabeças. No caso dos suínos, foram abatidos 10,62 milhões de animais, alta de apenas 0,2% ante o segundo trimestre de 2016. Angela acrescentou que, no segundo trimestre deste ano, as exportações de carnes brasileiras registraram queda, o que também explica o recuo nos abates. O setor ainda sofre com o desaquecimento da demanda por proteínas no mercado interno. Com a recessão afetando emprego e renda da população, os brasileiros substituem produtos mais caros por mais baratos no carrinho de supermercado. No caso da proteína, isso poderia ser um dos fatores para o crescimento de 7,3% na produção de ovos de galinha no segundo trimestre, para 816,1 milhões de dúzias. O IBGE também informou hoje que a aquisição de leite cru pelos laticínios que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária no Brasil atingiu 5,64 bilhões de litros no segundo trimestre, crescimento de 8% ante o mesmo período do ano passado e queda de 3,7% na comparação primeiro trimestre deste ano. De acordo com o instituto, foram adquiridos 418,6 milhões de litros de leite a mais, em relação ao segundo trimestre de 2016. Houve aumento da aquisição em 20 das 26 unidades da federação participantes da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE. O aumento das aquisições reflete a maior produção de leite nessas regiões em função, em grande parte, da queda dos preços dos grãos, como milho e soja. Isso estimula o investimento, pelos produtores, na alimentação do rebanho e, consequentemente, eleva a produção de leite. O IBGE também informou que a aquisição de couro por processadores atingiu 8,23 milhões de peças inteiras de couro cru de bovinos no segundo trimestre deste ano. O resultado é 4,8% menor que o apurado no segundo trimestre do ano passado e 1,2% abaixo dos três primeiros meses do ano. A redução reflete a queda nos abates de bovinos no Brasil no período. Essa queda na aquisição de couros por curtumes corresponde a 415,13 mil peças inteiras de couro cru em comparativo com o segundo trimestre de 2016. O dado foi afetado pela baixa em 17 das 21 unidades da federação com curtumes enquadrados no universo da pesquisa.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Dois executivos da JBS são possíveis candidatos a substituir presidente, dizem fontes
As ações da JBS subiam 5,3 por cento às 14h51, maior alta do papel em três semanas
Dois executivos da JBS são tidos dentro da empresa como possíveis candidatos a substituir o Presidente-Executivo, Wesley Batista, que foi preso na véspera, disseram duas fontes a par do assunto à Reuters. Um é Gilberto Tomazoni, Chefe de Operações, um executivo próximo de Wesley desde que se juntou à JBS em 2013. Ele já foi Vice-Presidente da unidade brasileira da Bunge e diretor da Sadia até 2009, antes da fusão que criou a BRF. Outro candidato é o Presidente do conselho da JBS, Tarek Farahat, ex-diretor da Procter & Gamble para a América Latina. Ele se juntou à JBS há dois anos para liderar o mercado de alimentos processados. Tomazoni e Farahat se recusaram a comentar o assunto. Na véspera, o conselho da JBS se reuniu após a prisão de Wesley, mas deixou a discussão sobre sucessão no comando para uma reunião posterior, disse uma fonte familiarizada com a empresa. Os advogados de Wesley e de seu irmão Joesley pediram habeas corpus nesta quinta-feira. Ambos são acusados de insider trading, uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro. Ambos foram acusados de vender ações da JBS antes de um acordo de leniência em maio, no qual confessaram subornar políticos. Essa confissão derrubou as ações da empresa. A JBS não quis comentar sobre o assunto. As ações da JBS subiam 5,3 por cento às 14h51, maior alta do papel em três semanas, com investidores apostando que as prisões dos irmãos Batista reforçarão as tentativas do banco de desenvolvimento BNDES para substituir os administradores. O braço de investimento do banco, a BNDESPar, que detém 21 por cento da JBS, vem pleiteando um novo presidente com apoio de outros minoritários, defendendo que a família Batista, que detém 42 por cento da JBS, seja impedida de votar sobre o tema em assembleia de acionistas. A disputa foi enviada à arbitragem em 1 de setembro.
Frigol abre escritório na Rússia e se consolida naquele mercado
País já comprou US$ 830 milhões em carnes do Brasil em 2017
A Frigol S.A., um dos maiores frigoríficos do país, comunicou a abertura de escritório em Moscou, como parte do seu projeto de aumento da presença global e aproximação com mercados-alvo de grande potencial para as carnes brasileiras. Esse projeto foi iniciado em novembro de 2016, com a abertura de uma base em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “A Rússia é um dos maiores compradores de carne bovina e o maior importador de carne suína do Brasil. A Frigol se aproxima ainda mais desse importante parceiro comercial, objetivando aumentar as exportações de carne bovina, que já são expressivas, e abrir novos mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio”, explica Dorival Jr., gerente comercial da Frigol S.A. Entre janeiro e agosto de 2017, a Rússia comprou mais de US$ 830 milhões de carnes bovina e suína do Brasil. “Ampliamos nossa presença no mercado internacional para respaldar o plano de crescimento das exportações de carnes, especialmente bovina. Investimos R$ 12 milhões em infraestrutura para abate e processamento de bovinos e duplicação da capacidade de abate de suínos. Além disso, já solicitamos autorização para exportação de carne suína e a Rússia é o maior comprador dessa proteína do Brasil”, complementa Dorival Jr. A Frigol projeta receita líquida de R$ 1,4 bilhão em 2017. As exportações representam cerca de 18% da produção da empresa. “Temos projeções de crescimento das vendas externas bem agressivas para os próximos anos, especialmente para Ásia, Oriente Médio e Europa. Investimos em produtos de maior valor agregado e qualidade, uma vez que esses destinos demandam esses alimentos”, afirma Dorival Jr.
BEEFWORLD
INTERNACIONAL
Carne bovina atiça protecionismo europeu
Setores protecionistas da Europa estão alarmados diante de indicações de que a União Europeia pretende oferecer ao Mercosul uma cota de entrada de 85 mil toneladas anuais de carne bovina com tarifa de importação mais baixa
O Valor apurou que existe um frenesi entre diplomatas e organizações agrícolas de vários países com a intensificação das negociações internas sobre a oferta agrícola europeia a ser apresentada no começo de outubro a Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Diante de rumores da concessão do volume para a carne bovina do Mercosul, no futuro acordo, o Deputado francês Michel Dantin enviou questão formal ao Presidente do Conselho Europeu para confirmar a informação. “Enquanto a troca de ofertas tarifárias nesse estágio é em desfavor dos europeus, a Comissão Europeia estaria no ponto de propor uma concessão tarifária de 85 mil toneladas equivalente carcaça de carne bovina”, diz o documento. Ele questiona sob qual base essa “suposta proposta de concessão” teria sido estabelecida. Argumenta que estudo sobre impacto econômico acumulado de acordos de livre comércio negociados por Bruxelas indica “risco certo de degradação do superavit comercial agrícola para os setores de criação de bovinos europeus em qualquer hipótese de liberalização”. Nesta sexta-feira, vários países deverão questionar no Comitê de Política Comercial, do Conselho Europeu, a “ameaça existencial” para o setor de carne bovina europeu por causa de acordo com o Mercosul, segundo o site Político. No ano passado, um grupo de 13 países, incluindo França, Polônia, Irlanda, Hungria e Lituânia, conseguiu bloquear uma oferta inicial de 78 mil toneladas, dividida em duas cotas, para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Indagada pelo Valor, a poderosa central agrícola Copa-Cogeca disse não estar certa sobre qual seria o novo volume de cota para a entrada de carne do Mercosul num futuro acordo birregional. Mas a entidade divulgou ontem novo comunicado detonando a decisão da Comissão Europeia de incluir a carne bovina na barganha final entre os dois blocos. Jean-Pierre Fleury, Presidente do grupo de trabalho “Carne Bovina” da Copa-Cogeca, declara no comunicado que a decisão da Comissão inquieta fortemente, já que o acordo com o Mercosul terá forte impacto no setor bovino europeu. Diz que isso é ainda mais preocupante quando o consumo de carne na Europa caiu 20% em dez anos e que não está claro o impacto do “Brexit” sobre o setor agrícola europeu. Insiste, ainda, que a Europa tem regras estritas de segurança dos alimentos e bem-estar dos animais, e reclama que isso não seria o caso para as importações provenientes do Mercosul. E exemplifica que os europeus registram os movimentos de animais individuais desde seu nascimento até seu abate, enquanto no Mercosul essa rastreabilidade alcançaria apenas 10%.
VALOR ECONÔMICO
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