
Ano 3 | nº 586 | 25 de agosto de 2017
NOTÍCIAS
Mercado firme para o boi gordo
Das trinta e duas praças pesquisadas pela Scot Consultoria ocorreram altas em quatorze e quedas em quatro na última quinta-feira (24/8)
A baixa oferta de bovinos terminados é o principal motivador da recuperação das cotações. Em São Paulo, alta para os preços à vista. A arroba do macho terminado ficou cotada em R$138,50, à vista, livre de Funrural, reajuste de 11,7% desde o início do mês. No mercado atacadista de carne bovina com osso, preços estáveis. Com a alta para o boi gordo na última quinzena, a margem de comercialização dos frigoríficos recuou e voltou a patamares próximos da média histórica.
SCOT CONSULTORIA
Expectativa de preços firmes para o sebo
No mercado do sebo bovino, não houve mudanças significativas no cenário, mas a referência teve um ajuste positivo. Atualmente está em R$2,10/kg no Brasil Central, sem imposto
As expectativas para as próximas semanas são de que a oferta continue modesta. A associação de oferta limitada, devido à entressafra, com a elevação das temperaturas tende a aumentar a demanda pela gordura bovina. Com isto, para os próximos meses é possível que ocorram aumentos, mas modulados pela oferta maior de soja este ano, com preços mais atraentes para a produção de biodiesel, setor no qual as matérias-primas competem.
SCOT CONSULTORIA
Embarque de carne bovina deve crescer 10% em 2017, estima consultoria
Comprometida no primeiro semestre em razão da Operação Carne Fraca, a exportação de carne bovina do Brasil ainda pode fechar 2017 com avanço de 10%, afirmou ontem o coordenador da área de pecuária da consultoria Agroconsult, Maurício Nogueira
A expectativa do analista é que os embarques totalizem cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina. “De repente, está vindo notícia boa atrás de notícia boa”, afirmou Nogueira, que havia jogado a toalha após a Carne Fraca. Devido aos embargos temporários, a Agroconsult passou a avaliar que as exportações brasileiras no máximo ficariam estáveis em 2017. No entanto, o aumento dos embarques a partir de maio indica um crescimento das exportações de carne do Brasil. Nogueira apresentou hoje, em São Paulo, os resultados da expedição técnica Rally da Pecuária. Embora positivo, tendo em vista o impacto da Carne Fraca, o crescimento de 10% agora projetado pela Agroconsult ainda é inferior ao esperado no início do ano, quando a consultoria estimava um crescimento de 20% nas exportações brasileiras de carne bovina. Segundo ele, a delação dos irmãos Batista e a Operação Carne Fraca reduziram o potencial de crescimento da produção brasileira de carne bovina neste ano. De acordo com o agrônomo, a projeção da consultoria para os abates de bovinos em 2017 foi cortada de 40,4 milhões de cabeças para 39,5 milhões de cabeças. A estimativa da Agroconsult contempla abates com inspeção federal, estadual, municipal e também os abates informais (não fiscalizados), além do consumo de carne bovina de animais abatidos nas próprias fazendas. Com isso, a consultoria também reduziu a estimativa para a produção de carne bovina neste ano, de 10,1 milhões de toneladas em equivalente carcaça para 9,4 milhões de toneladas. Ainda assim, trata-se de um aumento de 3% ante as 9,1 milhões de toneladas do último ano. Na avaliação de Nogueira, a delação dos irmãos Batista teve mais impacto sobre a produção de carne bovina do país do que a Carne Fraca, cujos reflexos duraram menos tempo, se concentrando em abril. Além disso, os frigoríficos que estão sendo reabertos no país e que, em tese, podem ocupar parte do espaço da JBS levam algum tempo para entrarem em operação.
VALOR ECONÔMICO
Presidente do Senado afirma que aprovará projeto que acaba com Funrural
Eunício Oliveira disse na quinta-feira que promulgará texto que anula a cobrança do fundo, caso a decisão chegue a suas mãos
O Presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou na quinta-feira, dia 24, que pretende aprovar o projeto de resolução da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) que acaba com a cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Indagado se essa posição não estaria em desacordo com a posição do governo sobre o Funrural, Eunício respondeu que “matérias aprovadas e promulgadas no Congresso não têm participação do governo”. Aprovado na quarta, dia 23, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da casa, o texto precisa agora ser lido no Senado. Se algum parlamentar se manifestar contra o projeto, é necessário entrar com recurso com pelo menos nove assinaturas de apoio, para que o texto seja votado pelo plenário. Se, mesmo assim, a maioria aprovar, a decisão de promulgar ou não estará nas mãos de Eunício Oliveira.
CANAL RURAL
Importador europeu questiona controle sobre carne brasileira
Os importadores europeus de carne bovina cozida brasileira estão pedindo, na prática, para a União Europeia (UE) rever os controles sistemáticos ao produto, que aumentam os custos e retardam em até três semanas os carregamentos, e que foram aplicados como desdobramento da Operação Carne Fraca
A União Europeia do Comércio de Bovinos e de Carnes (conhecido pela sigla francesa UECBV), que reúne os importadores, enviou carta à Comissão Europeia, o braço executivo da UE, questionando a coerência científica dos controles rígidos sobre as carnes brasileiras que passaram por um tratamento térmico e são condicionadas em embalagem fechada como o “corned beef” e a carne bovina cozida congelada. O questionamento visa principalmente os controles prévios na exportação, no Brasil, mas vale também para os exames laboratoriais de 20% desse tipo de carne que chega aos portos europeus. “A interrogação dos operadores é puramente científica e não constitui uma opinião sobre as recomendações da UE para o Brasil”, afirmou Jean-Luc Meriaux, Secretário-Geral da UECBV. “No entanto, é evidente que os controles sistemáticos prévios na exportação aumentam os custos e atrasos na expedição da carne brasileira para a Europa, pesando tanto sobre os exportadores como sobre os importadores”. Conforme fontes técnicas, a própria UE sabe que não tem sentido o controle laboratorial de carne enlatada, por exemplo, porque não haveria hipótese de risco para a saúde. A legislação europeia não abrange a carne enlatada para efeito de controle como o que está sendo feito sistematicamente contra o Brasil desde a Operação Carne Fraca. O problema é que o comissário de Saúde e Segurança de Alimentos da UE, Vytenis Andriukaitis, disse no Parlamento Europeu que toda a carne brasileira seria submetida a controle reforçado, o que acabou constrangendo o espaço dos técnicos. Na prática, o que os importadores querem é que seja revertida a exigência de 100% do controle prévio desse tipo de produto no Brasil e do controle de 20% do carregamento quando chega à Europa A expectativa é de que a Comissão Europeia termine por atender positivamente o questionamento dos operadores, inclusive no contexto de concessões que o Brasil anunciou recentemente à entrada de produtos agrícolas europeus no mercado brasileiro. Brasília concedeu autorizações sanitárias para a UE que vão facilitar a entrada de uma série de produtos de origem animal do bloco no mercado brasileiro, com impacto econômico importante. Os produtos favorecidos são carne e produtos cárneos de aves, bovinos e suínos, envoltórios naturais de bovinos e suínos, gelatina e colágeno, leite e produtos lácteos e mel e produtos apícolas e ovos. Os países do mercado comum europeu estão preparando suas respectivas listas de produtos, que Bruxelas enviará depois ao Brasil, para assegurarem o acesso ao mercado brasileiro. Por outro lado, a UE mantém cobranças sobre o controle sanitário no Brasil. E enviará nova comissão ao país até o fim do ano. Depois virão novos questionamentos, que Brasília terá de responder. Em 2016, as exportações brasileiras de carne bovina industrializada (o que inclui carne cozida enlatada) à União Europeia totalizaram US$ 197 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em volume, foram 42 mil toneladas de carne bovina industrializada em 2016. Em média, do volume total exportado para os europeus, cerca de 70% é vendida enlatada e o restante é carne cozida congelada.
VALOR ECONÔMICO
Rally da Pecuária 2017: produtores reduzem produtividade em ano difícil
Alta de preços do milho afetou desempenho entre pecuaristas entrevistados durante a expedição
A alta de 52% no preço do milho no ano passado e a queda de 15% a 20% na margem de lucro impactaram a produtividade do público avaliado em 2017 pelo Rally da Pecuária, maior expedição técnica privada de avaliação das condições da bovinocultura no país. A redução no pacote tecnológico derrubou em 18% a produtividade, que passou de 10,6 arrobas/hectare/ano (@/ha/a) para 8,9 @/ha/a. “Isso foi fruto de uma decisão incorreta do produtor, já que economizar com esse custo não compensa porque a queda na receita é bem maior”, analisa Maurício Palma Nogueira, Coordenador da expedição e sócio da Agroconsult, realizadora do Rally. Paralelamente, houve aumento do peso médio do animal estocado em 2017, o que deverá confirmar a elevação da oferta no mercado, conforme estimativa pré-Rally. O peso médio saiu de 9,8 @/cabeça no ano passado para 10,7@/cabeça. “A projeção de lucro operacional em 2017, por nível de tecnologia, dos pecuaristas com produtividade entre 18@/ha/a e 38@/ha/a, é de R$ 1050/ha/a, com a arroba comercializada a R$ 124 na média do ano”, explica o coordenador da expedição. Com relação às pastagens, em 2017, dados do Rally apontam que houve aumento na qualidade em relação aos últimos cinco anos, em razão principalmente das condições climáticas, mantendo o índice de apenas 3% de áreas degradadas. Nogueira explica que o aporte ideal para manter o bom nível das pastagens gira em torno de R$ 364/ha para áreas de ótima qualidade e até R$ 3.043/ha para áreas degradadas. Os dados coletados a campo durante o Rally da Pecuária apontam ainda que o confinamento voltará a passar de 5 milhões de cabeças este ano. Segundo Nogueira, esse número superior ao do ano passado deve-se a atratividade do milho, que teve uma redução no preço desde o começo do ano em 32%, a necessidade dos pecuaristas em segurar mais animais por hectare e o impacto do cenário político e econômico no setor.
AGROCONSULT
EMPRESAS
Após Ceratti, Hormel avalia outras aquisições no país
A americana Hormel Foods informou ontem que avalia outras oportunidades de aquisições no Brasil. A companhia confirmou a aquisição da brasileira Cidade do Sol, dona da marca de embutidos Ceratti
O valor da transação foi de US$ 104 milhões e está sujeito a “ajustes habituais de capital de giro”, segundo a companhia. Durante teleconferência para analistas e investidores, Jim Snee, Presidente e Diretor Executivo da Hormel Foods, disse que pretende tornar a Ceratti uma plataforma para futuras aquisições na América do Sul. “Já estamos olhando outras oportunidades para investir no país. Temos um time grande e competente olhando novos negócios”. A Ceratti é a primeira aquisição da Hormel Foods na América do Sul. “É uma aquisição pequena, mas será uma plataforma para futuras aquisições na região”, reforçou o executivo. Snee não deu detalhes sobre o tipo de companhia que avalia adquirir. Questionada após a teleconferência, a Hormel Foods não quis fornecer mais detalhes sobre seu plano. Snee disse que conversou com os sócios da Ceratti por mais de dois anos e que vê na companhia um bom potencial de crescimento futuro. A Ceratti tem sede em Vinhedo (SP) e não divulga resultados financeiros regularmente. Recentemente, informou que teve receita líquida de R$ 300 milhões em 2016. O carro-chefe da fabricante de embutidos é a mortadela. As vendas são concentradas no Estado de São Paulo, responsável por 70% da sua receita. Mauro Preti, Presidente da Ceratti, disse que a Hormel Foods pretende criar uma holding no Brasil, que controlará a Ceratti. Pelo acordo de venda, Mario Ceratti, Diretor Estatutário da Ceratti, permanece na empresa para efetivar o processo de transição para os novos acionistas. A companhia não informou qual é esse prazo de transição. A diretoria da empresa também será mantida. Preti disse que a Ceratti vai manter as parcerias com os atuais fornecedores, incluindo a Alegra Foods – sociedade das cooperativas paranaenses Castrolanda, Capal e Frísia (ex-Batavo). “A Hormel Foods endossou os nossos parceiros. Em princípio não haverá mudanças”, afirmou ele. Preti acrescentou que a Hormel Foods não demonstrou interesse em entrar na área de abate de suínos no Brasil no curto prazo. Nos Estados Unidos, a Hormel abate 13 milhões de cabeças de suínos por ano e é quarta maior do setor, atrás de Smithfield (do grupo chinês WH), JBS e Tyson. “A Hormel Foods vai buscar primeiro acelerar o ritmo de expansão da Ceratti e, futuramente, trazer para o Brasil algumas de suas marcas”, disse Preti. A Hormel Foods é dona de marcas como Pepperoni Hormel, carnes in natura e orgânicas Applegate, peru Jennie-O, bacon Black Label, entre outros produtos. Por enquanto, segundo Preti, a Ceratti mantém o plano de expansão nacional de vendas, com meta de dobrar a receita até 2020. Listada na bolsa de Nova York, a Hormel Foods fechou o primeiro semestre fiscal com receita líquida de US$ 4,47 bilhões, em queda de 2,7%, e lucro líquido de US$ 446,1 milhões, com recuo de 3,1%.
VALOR ECONÔMICO
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