Ano 3 | nº 455 | 14 de Fevereiro de 2017
NOTÍCIAS
Queda do dólar pressiona frigoríficos exportadores
A depreciação do dólar perante o real segue dificultando o desempenho dos frigoríficos exportadores neste início de 2017. As exportações de carne bovina são as mais prejudicadas
Entre as principais proteínas exportadas pelo Brasil, somente a carne de frango conseguiu compensar, com preços mais altos em dólar, a valorização da moeda brasileira. Nos casos das carnes bovina e suína, ou o aumento foi insuficiente ou houve queda de preços na exportação.
Em janeiro, a cotação média do dólar comercial recuou 4,5%, para R$ 3,1969. Em fevereiro, a queda se aprofundou. Na sexta-feira, o dólar fechou a R$ 3,1097. Os frigoríficos de carne bovina não só não conseguiram aumentar o preço dos cortes exportados como amargaram queda nas cotações. Em janeiro, o preço médio da carne bovina in natura exportada pelo Brasil caiu 3,5% sobre o mês anterior, para US$ 4.044 por tonelada. José Carlos Hausknecht, sócio da consultoria MB Agro – braço da MB Associados -, avalia que as exportações de carne bovina são as mais prejudicadas. Embora as indústrias da aves e suínos também sejam afetadas, o impacto da desvalorização do dólar para esses dois segmentos é menor, uma vez que milho e farelo de soja – principais custos de produção do setor – são dolarizados. Ou seja, a alta do real reduz o custo das matérias-primas. No caso da indústria de carne bovina, no entanto, os custos de produção são menos dependentes da moeda americana. Os grãos, por exemplo, são só largamente usados nos confinamentos, sistema de engorda intensiva que responde por somente 10% do gado abatido no país. “Bovinos dependem menos de grãos. Então, a [valorização do real] é mais prejudicial”, acrescentou Hausknecht. Carlos Aguiar, Superintendente do Santander, concorda que as margens dos exportadores de carnes do país continuam sob pressão. Segundo ele, o custo de produção segue elevado e a atual cotação do dólar não está “ajudando”. “Não é uma margem péssima, mas é apertada”, afirmou o executivo
Valor Econômico
Expectativa é de otimismo para o mercado da pecuária de corte em 2017
O consumo de carne bovina deve registrar aumento em 2017, apesar do recuo na demanda interna sentido em 2016 com a perda do poder de compra do brasileiro
A economia do país no ano passado sofreu uma forte retração, com queda de mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego recorde e restrição ao crédito. No entanto, a previsão de melhora da economia brasileira, com aumento do PIB, juros mais baixos e inflação controlada, deve permitir um aumento de consumo. O Presidente da Conexão Delta G, Eduardo Eichenberg, lembra que as exportações de carne também foram afetadas negativamente em 2016 devido à valorização do Real frente ao Dólar e problemas políticos e econômicos em importantes países importadores do produto brasileiro, como Venezuela, Rússia e Egito. Eichenberg ressalta que todos estes fatores contribuíram para que em 2016 o preço do boi gordo caísse em relação à 2015. “Não obstante, ainda ocorreram fortes aumentos em certos insumos, especialmente nos grãos e rações”, observa. Eichenberg afirma, porém, que mesmo com todo esse cenário negativo, a pecuária se mostrou forte em 2016, e, no tocante à genética, o que se viu foi uma grande demanda por reprodutores ao longo de todo o ano, especialmente das raças sintéticas, como o Braford. Para 2017, segundo o dirigente, há também uma grande expectativa de crescimento no mercado de carne premium, de maior valor agregado e destinada a um público menos susceptível a crises, e que passa, invariavelmente, pelas raças britânicas e suas cruzas criadas em solo gaúcho. Na opinião de Eichenberg, também poderá haver acréscimos nas exportações de carne, tanto em volume como em receita, com um Dólar mais valorizado frente ao Real em função dos recentes aumentos da taxa de juros americana e um cenário econômico mundial mais favorável. Acredita que mercados importantes como Hong Kong, China e União Europeia devem seguir com forte demanda de carne brasileira. Eichenberg lembra que há também o recente aumento, mesmo que pequeno, do preço do petróleo, principal fonte de divisas de importantes mercados da carne brasileira, como Rússia e países do Oriente Médio. “Além disso, é esperada uma nova queda nas exportações da Austrália, que ainda sofre com efeitos negativos de condições climáticas adversas, o que poderá beneficiar as exportações brasileiras’, observa. Para Eichenberg, tudo isso deve ter um reflexo positivo na pecuária de corte, com possível aumento gradual no preço do boi gordo. Garante que esse fator, aliado a uma maior confiança na economia e a um aumento na concessão de crédito, deve estimular o pecuarista a seguir investindo, o que leva a crer que a demanda por genética seguirá aquecida em 2017, com possibilidade, inclusive, de crescimento em relação à 2016, especialmente para aqueles criadores participantes de rigorosos programas de seleção.
Delta G/Divulgação
Mercado do boi gordo sem viés definido
Após a pressão de baixa registrada na semana passada, o mercado o boi gordo apresentou maior estabilidade nas cotações na abertura desta semana
Algumas indústrias estavam fora das compras na última segunda-feira (13/2) e aguardavam o comportamento do mercado para definição das ofertas de compra. Nas regiões onde as pastagens se encontram em melhores condições, é comum ver pecuaristas retendo suas boiadas à espera de valorização da arroba e, nessas regiões, isto tem dificultado o alongamento das programações de abate. Porém, apesar dessa resistência por parte dos pecuaristas e da baixa oferta de boiadas, o consumo de carne não tem dado sinais de melhora e não há uma maior necessidade de as empresas intensificarem suas compras. Diante disso, como estratégia de controle de estoques, alguns frigoríficos têm optado pela redução dos abates.
SCOT CONSULTORIA
Minerva dá férias coletivas em Barretos
Empresa afirma que interrupção nas operações foi necessária para fazer manutenção da unidade
O Minerva dará férias coletivas de 30 dias aos trabalhadores da unidade de Barretos, SP, a partir desta terça-feira, 14. A interrupção das operações foi justificada pela empresa para manutenção em seu maquinário e instalações. A Minerva afirmou, em nota, que os processos a serem realizados não podem ser executados com a planta em operação para “garantir a segurança dos funcionários e o desempenho operacional da companhia”. A Minerva afirmou ainda que esta parada para manutenção foi informada ao Sindicato da categoria e ao Ministério do Trabalho e Emprego (MPE) e, após este período, a planta retomará as suas atividades normais.
ESTADÃO CONTEÚDO
Poder de compra do pecuarista em relação à ureia agrícola melhorou frente a fevereiro de 2016
A pequena movimentação no mercado interno neste momento e o dólar recuando em relação ao real em janeiro e começo de fevereiro tiram a sustentação dos preços dos adubos
Por outro lado, do lado da oferta, algumas empresas falam em uma disponibilidade menor de adubos e matéria-prima desde o final do ano. Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a tonelada da ureia agrícola está cotada, em média, em R$1.185,00, sem o frete. Em relação a fevereiro do ano passado, o adubo está custando 7,9% menos. Considerando a praça de São Paulo, atualmente são necessárias 7,95 arrobas de boi gordo para a compra de uma tonelada de ureia. Em relação ao mesmo período de 2016, o poder de compra do pecuarista em frente ao insumo melhorou 3,5%. Em curto e médio prazos espera-se maior movimentação no mercado brasileiro de fertilizantes, fato que pode dar sustentação às cotações. Vai depender do câmbio e do ritmo das importações.
SCOT CONSULTORIA
Nova vacina para aftosa começa a ser desenvolvida no Brasil Mesmo livre da doença, o país quer desenvolver uma nova vacina que permita uma resposta rápida para conter focos em caso de reintrodução do vírus
O Instituto Biológico iniciou o desenvolvimento de uma vacina para uso emergencial de febre aftosa no futuro, após a conquista da condição de país livre da doença sem vacinação. A ideia é que a nova vacina permita resposta imunológica rápida com objetivo de conter focos em caso de reintrodução do vírus em áreas livres sem vacinação. O workshop “Febre Aftosa, Língua Azul, Influenza Suína e Peste dos Pequenos Ruminantes” reuniu instituições de pesquisa brasileiras, laboratórios de referência internacional, indústria produtora de vacinas e profissionais do Ministério de Agricultura e Abastecimento em janeiro. O objetivo do evento foi debater e alinhar os projetos e ações para o desenvolvimento do produto. “Nossa meta é ter a vacina em 10 anos. O mecanismo de ação dela é diferente da vacina usada atualmente, pois será aplicada apenas quando houver focos da doença, por isso, precisa de uma ação muito mais rápida para contenção de focos em casos de emergência sanitária”, explica Edviges Maristela Pituco, pesquisadora do Instituto Biológico (IB). As estratégias foram discutidas por 40 profissionais, sendo nove deles pesquisadores do Instituto Pirbright, do Reino Unido, um do Centro Panamericano de Fiebre Aftosa (Panaftosa), cinco do Ministério da Agricultura, da área de epidemiologia e de laboratório, cinco médicos veterinários da indústria de vacinas e pesquisadores do Institutos Biológicos e das unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA “Pirbright e o Panaftosa são referências mundiais na área. A contribuição deles é muito importante para o desenvolvimento do produto no Brasil, um trabalho coordenado pelo IB e pelo Instituto Pirbright. Os testes do produto serão feitos no Polo Regional de Andradina, da APTA”, diz Pituco. Como resultado imediato do workshop, os pesquisadores brasileiros e britânicos do Instituto Pirbright finalizaram o projeto bilateral Dissecting the Immune Response of Cattle to FMD Vaccination in the Fild, submetido no final de janeiro à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no programa Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC). Durante o workshop também foram discutidas a doença língua azul, influenza suína e pestes em pequenos ruminantes. Pituco explica que a língua azul, por exemplo, é uma doença endêmica no Brasil e ainda com poucas informações sobre seus impactos no País. “Sabemos que a língua azul afeta, principalmente, a exportação de animais vivos, mas o objetivo do nosso trabalho é saber a real dimensão dela no País, seus impactos e diagnósticos. Precisamos ter uma visão geral da doença”, falou a pesquisadora.
ESTADÃO CONTEÚDO
ECONOMIA
Valor da Produção Agropecuária pode atingir R$ 545,9 bilhões em 2017
As lavouras representam 66,8% do VBP, e a pecuária, 33,2%. A produção e a produtividade são os principais fatores no aumento do faturamento no campo
Expectativas favoráveis em relação à safra de grãos deste ano, estimada em 219,1 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e ao aumento da produtividade são as principais razões para o prognóstico favorável do faturamento da agropecuária em 2017. Esse resultado, e não os preços, deve determinar o resultado neste ano. Desse modo, o Valor Bruto da Produção (VBP) esperado é de R$ 545,9 bilhões, superior ao do ano passado, que foi de R$ 530 bilhões. O aumento real, portanto, é de 2,9%. A estimativa, referente ao mês de janeiro, foi divulgado na segunda-feira (13) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “O aumento previsto para a produção de milho, soja, arroz, algodão e feijão, é a principal fonte desse crescimento da renda da agricultura em 2017”, assinala o Coordenador-Geral de Estudos e Análises da SPA, José Garcia Gasques. As lavouras representam 66,8% do VBP, e a pecuária, 33,2%. Em relação a 2016, as lavouras tiveram crescimento real no valor de 5,6%, e a pecuária decréscimo de 2,2%. Entre os produtos para os quais se espera bom desempenho do VBP, podem ser citados o algodão herbáceo com aumento real de 14,9%; amendoim, 25,9%; banana, 16,5%; feijão, 38%; milho, 33%; fumo, 22,2%; soja, 5,7%; e uva, 30,3%. Na pecuária, o melhor desempenho vem sendo observado em carne suína, leite e ovos. Esses produtos vêm tendo melhora nos preços neste ano. Entre os produtos que não apresentam previsão favorável podem ser mencionados a batata inglesa, com redução de 28,7%, no valor da produção, cebola (- 53,1%), laranja (-8,9%), café (-9,6%), pimenta-do-reino (-12,9%), tomate (-35,5%) e trigo (-37,9%). Especialmente cebola, tomate e trigo, têm decréscimo no valor da produção atribuída à queda de preços. Na pecuária, a maior queda de valor vem ocorrendo na carne de frango (-9,9%), e em carne bovina, -2,3 %. Os resultados regionais mostram recuperação de estados do Nordeste, que no ano passado tiveram fortes perdas devido às secas que afetaram principalmente áreas de Cerrado do Piauí e da Bahia. Neste ano, as previsões de colheita de soja, algodão, milho e feijão são boas nesses estados. As regiões Sul e Centro-Oeste lideram o faturamento esperado, sendo o Sul com R$ 154,2 bilhões, Centro-Oeste, R$ 150,2 bilhões. Em seguida, Sudeste, R$ 143,4 bilhões, e Nordeste, R$ 52,4 bilhões, e Norte, R$ 32 bilhões.
MAPA
Faturamento da indústria da alimentação cresce 9,3% em 2016
A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) anunciou em seu site levantamento dos principais números do segmento referentes ao ano passado
O faturamento do setor em 2016 foi de R$ 614,3 bilhões, alta de 9,3% em relação a 2015. Desse total, os alimentos representam 81% (+9,8%), enquanto as bebidas, 19% (+7,2%).
Já a arrecadação com as exportações foi de US$ 36,4 bilhões, ou R$ 127,3 bilhões (Secex/Abia). O setor representa em alimentos processados 55% das vendas externas do agronegócio de alimentos e 19,7% das exportações totais brasileiras. A Abia lembra ainda que o Brasil é o segundo maior exportador mundial de alimentos processados (em volume), citando o USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos] e a FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação] como fontes. Houve queda de 14,3% nos investimentos do setor, para R$ 9,2 bilhões. Por outro lado, o total investido em fusões e aquisições alcançou R$ 11,6 bilhões, uma alta de 26,1% ante 2015. O segmento é o maior empregador do país na indústria de transformação, com 1,6 milhão de empregos diretos em 2016, para um contingente de 35,2 mil empresas (MTE-RAIS). Os dados completos estão disponíveis para download no site: http://www.abia.org.br/vsn/temp/NumerosdoSetor2016.pdf
CARNETEC
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